quinta-feira, abril 07, 2011

Em carta, atirador fala em perdão de Deus; 11 alunos morreram

DE SÃO PAULO

Um rapaz de 24 anos entrou na manhã desta quinta-feira na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo (zona oeste do Rio), e disparou diversos tiros contra os alunos. Dez meninas e um menino morreram. O atirador, baleado pela polícia, cometeu suicídio em seguida. Há feridos.

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Ex-aluno da escola, Oliveira deixou uma carta (leia íntegra abaixo) antes de cometer o crime. Nela, ele fala em "perdão de Deus" e diz que quer ser enterrado ao lado de sua mãe. O rapaz também pede que a casa onde morava --em Sepetiba, na zona oeste da cidade-- seja doada a instituições que cuidam de animais. A carta foi encaminhada à Polícia Civil para análise.

O crime ocorreu por volta das 8h30. Inicialmente, a polícia informou que Oliveira entrou na escola dizendo que daria uma palestra. No entanto, mais tarde, o governador Sérgio Cabral (PMDB) disse que ele havia solicitado um histórico escolar. O rapaz conversou com algumas pessoas, mas, depois, seguiu em direção às salas de aulas e atirou contra os estudantes.


Luiz Gomes/Futura Press
Pessoas se concentram em frente à Escola municipal Tasso da Silveira após rapaz atirar contra alunos
Pessoas se concentram em frente à Escola municipal Tasso da Silveira após rapaz atirar contra alunos

Ferido, um garoto conseguiu fugir e chamou um policial militar que estava na região. O PM trocou tiros com o criminoso, que foi atingido. Em seguida, segundo a polícia, ele atirou contra a própria cabeça.

Várias das crianças foram levadas de helicópteros do Corpo de Bombeiros para o hospital Albert Schweitzer e demais unidades de emergência do Rio, como o hospital Souza Aguiar, no centro.

A escola atende 999 alunos, sendo 400 no período da manhã, de acordo com a secretaria. É grande a movimentação de pessoas ao redor da escola. Muitos pais buscam informações dos filhos.

As causas do crime serão investigadas. De acordo com a polícia, o atirador usou dois revólveres e tinha muita munição.


Reprodução/Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro


Fonte: Folha.com

Atirador invade escola e mata ao menos 13 em escola no rio de janeiro

ATIRADOR INVADE ESCOLA NO RJ e fere ao menos 20 a tiros e ate agora AS ...

Bombeiros confirmam 12 alunos mortos por atirador no Rio

Luiz Gomes/Futurapress

Os feridos em ataque em escola no Rio foram encaminhados a hospitais da região


DE SÃO PAULO
DO RIO

Atualizado às 11h15.

O Corpo de Bombeiros informou que 12 alunos da Escola municipal Tasso da Silveira, no Rio, morreram na manhã desta quinta-feira após um homem invadir a unidade e disparar diversos tiros. O criminoso também morreu. Há feridos.

Envie imagem ou relato sobre tiroteio

A escola fica na região de Realengo (zona oeste do Rio) e atende estudantes com idades entre 9 a 14 anos --da 4ª a 9ª série, segundo a Secretaria Municipal da Educação.

O número de mortes foi confirmado pelo coronel Evandro Bezerra, chefe do setor de Relações Públicas do Corpo de Bombeiros.


Luiz Gomes/Futura Press
Pessoas se concentram em frente à Escola municipal Tasso da Silveira após rapaz atirar contra alunos
Pessoas se concentram em frente à Escola municipal Tasso da Silveira após rapaz atirar contra alunos

Segundo a Polícia Militar, o criminoso foi identificado como Wellington Menezes de Oliveira, 24, e seria ex-aluno. Inicialmente, havia a suspeita que o atirador fosse pai de um aluno. O crime ocorreu por volta das 8h30.

De acordo com a polícia, o atirador cometeu suicídio. Os feridos foram encaminhados a hospitais da região.

A escola atende 999 alunos, sendo 400 no período da manhã, de acordo com a secretaria. É grande a movimentação de pessoas ao redor da escola. Muitos pais buscam informações dos filhos.


Editoria de Arte/Folhapress

Fonte: Folha.com

Médicos interrompem atendimento de planos de saúde por 24 horas

A Tarde On Line

Estão suspensas em todo o país nesta quinta-feira, 7, as consultas médicas através de planos e convênios de saúde. A paralisação nacional de 24 horas é realizada por médicos que trabalham pela rede suplementar que reivindicam reajustes de acordo com a inflação para os honorários pagos pelos planos, além da não interferência das seguradoras no trabalho dos profissionais de saúde.

De acordo com Débora Angeli, diretora de assuntos jurídicos do Sindicato dos Médicos no Estado da Bahia (Sindimed), em entrevista concedida a uma emissora de TV local nesta manhã, apenas 10% do valor pago pelos clientes aos planos de saúde vai para os médicos. “Ou seja, esse não é o maior gasto deles. Temos uma defasagem histórica, ficamos mais de dez anos sem reajuste. Nosso movimento não se trata apenas da valorização dos honorários. Um médico mal remunerado não pode se qualificar devidamente”, explicou.

A médica assegurou que os atendimentos de urgência e emergência serão mantidos. “Nos hospitais que contam com médicos especialistas em casos de urgência, é claro que as pessoas vão ser atendidas. Onde não houver especialistas, o atendimento emergencial será feito normalmente e o paciente, no caso de necessidade, será transferido para uma unidade com especialista”, disse Angeli, que também pediu apoio à população.

Rede Pública – No próximo dia 14 de abril (quinta-feira), a categoria se reúne em assembleia para discutir a situação na rede pública de atendimento à saúde. “Vamos nos reunir e decidir os rumos do movimento”, disse a diretora do sindicato. A categoria também vai avaliar realização de paralisação semelhante à de hoje na rede do SUS.

Manchetes dos jornais: Avião de Dilma dá 'carona' a amiga do comandante

O ESTADO DE S. PAULO

Avião de Dilma dá 'carona' a amiga do comandante
O comandante do avião da Presidência da República, coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, infiltrou uma amiga nos voos de ida e volta que levaram Dilma Rousseff para descansar em Natal (RN) no carnaval. O episódio abriu uma crise no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança da presidente. O coronel botou no avião presidencial a professora de educação física Amanda Correa Patriarca, irmã de Angélica Patriarca, comissária da mesma aeronave.
Ao Estado, Amanda disse que o coronel ajudou a colocá-la no avião de última hora porque ele é "amigo" de sua família (veja entrevista abaixo). Ela afirmou que a presidente Dilma Rousseff não sabia de sua presença. Todos viajaram a Natal e ficaram na cidade a passeio entre 4 e 8 de março.
Ousadia. A presença de uma estranha alojada de improviso no avião presidencial, sem a ciência de Dilma, foi considerada internamente um risco às regras no aparato de segurança e uma ousadia ao rigor militar. Ontem, questionado pelo Estado, o GSI entrou numa operação com o Palácio do Planalto para evitar expor o episódio.

Governo amplia IOF para conter dólar
Preocupada com a valorização do real e com o aumento do crédito no País, a Fazenda decidiu estender a cobrança de 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para todos os empréstimos tomados fora do País com prazo inferior a dois anos. A medida tem como objetivo reduzir a entrada de dólares e, com isso, evitar uma alta ainda mais forte do real. O ministro Guido Mantega negou que esteja adotando soluções a conta-gotas, mas admitiu que está evitando “tomar medidas mais drásticas", porque elas “têm efeitos colaterais". O anúncio da nova medida, quando o dólar esteve prestes a romper a marca de
R$ 1,60, evidenciou a estratégia do governo de defender pisos informais para o câmbio. O padrão de sempre o mesmo: quando o dólar ameaça ultrapassar uma taxa considerada simbólica, a equipe econômica acena com novas medidas e, algum tempo depois, ações são efetivamente acionadas.

Aécio faz defesa de FHC
O primeiro discurso político do senador Aécio Neves (PSDB-MG) nesta quarta, 6, na tribuna do Senado durou exatos 25 minutos, mas mobilizou o plenário por cerca de quatro horas. Aécio, um dos nomes mais cotados da oposição para disputar o Palácio do Planalto em 2014, criticou particularmente o PT e a gestão Lula (2003-2010). Segundo ele, "entre os interesses do País e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT".
Ele abriu o discurso, que se propunha a dar rumo à oposição, reforçando seu perfil de "homem do diálogo que não confunde agressividade com firmeza, nem adversário com inimigo". Mas foi duro nos ataques ao que nomeou de "desarranjo fiscal que penalizará investimentos anunciados com pompa e circunstância e à farra da gastança descontrolada", especialmente em ano eleitoral, que faz "renascer a crônica e grave doença da inflação".
Em vez de focar nos 100 dias do governo Dilma, preferiu tratar do conjunto da administração petista que inicia seu nono ano. Fez reparos à "subordinação das agências reguladoras ao governo central, ao aparelhamento e inchaço do Estado brasileiro e ao governismo que avança sobre empresas privadas". "Nada disso é interesse do País."

Lula prevê mensalão julgado em 2050
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu o julgamento do caso do mensalão apenas por volta de 2050 caso o relatório final da Polícia Federal seja incorporado aos autos do processo por decisão do Supremo Tribunal Federal. A questão está nas mãos do ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do caso. Lula chegou a questionar o conteúdo do documento, revelado pela revista Época. "Não tem relatório final do mensalão. Tem uma peça que dizem que foi o relatório produzido pela Polícia Federal. Mas não se sabe se o ministro Joaquim vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos do processo", afirmou o ex-presidente. "Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050. Não sei se isso vai acontecer", completou, depois de ter feito palestra remunerada no Fórum de Líderes do Setor Público, promovido pela Microsoft, em Washington (EUA).
Desde 2005, quando o escândalo veio à tona, o então presidente Lula vinha negando sistematicamente sua existência. Ontem não chegou a tanto.

Para procuradoria, 32 inquéritos podem ser salvos
O Ministério Público Federal não recua e quer manter de pé a Castelo de Areia. Na avaliação da Procuradoria da República pelo menos 32 procedimentos de investigação relativos a grandes empreendimentos com recursos públicos podem estar a salvo da sentença do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
As apurações são desdobramentos do processo-mãe - distribuído em três denúncias criminais por lavagem de dinheiro e evasão e uma civil, por improbidade, propostas pela procuradoria perante a Justiça Federal em São Paulo e na Bahia.
A procuradoria sustenta que essas investigações não têm amparo em escutas telefônicas - fulminadas pelo STJ -, mas no resultado de buscas e apreensões realizadas pela PF em endereços de alvos da operação.

Gasolina pode subir se petróleo mantiver alta
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, disse ontem que o preço da gasolina e demais derivados do petróleo poderá subir se o preço do ó1eo se mantiver no nível atual. O ministro Guido Mantega (Fazenda) negou enfaticamente. Cidades do interior de São Paulo ficaram sem gasolina por algumas horas nos dois últimos dias. (Págs. 1 e Economia B4 e B5)

Projeto do novo Código Florestal deve mudar
Para evitar uma derrota na Câmara, o governo decidiu alterar a proposta de mudança do novo Código Florestal - cujo texto, elaborado pelo relator Aldo Rebelo (PC do B-SP), tinha apoio de ruralistas e críticas de ambientalistas da base governista. Para apaziguar os ânimos, o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, ficou encarregado pela presidente Dilma Rousseff de arbitrar as negociações, que deverão ser concluídas em 15 dias.
O Palácio do Planalto resolveu entrar na polêmica do Código Florestal um dia após 24 mil agricultores - financiados pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) - lotarem a Esplanada dos Ministérios para defender o texto de Aldo Rebelo.
A maioria dos partidos da base aliada e de oposição apoia o parecer do relator. Apenas parte do PT, do PV e os três deputados do PSOL são contrários. A primeira reunião para dar início às negociações foi realizada ontem sob o comando de Palocci.

FOLHA DE S. PAULO

Petrobras agora admite que gasolina pode subir
Em mudança de discurso, o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli disse que em SP que, se o preço do petróleo continuar no patamar atual, haverá reajuste nos combustíveis no país.
Em Brasília, o ministro Guido Mantega afirmou que não há previsão de alta.

Lula despreza novo relatório da PF relativo ao mensalão
O ex-presidente Lula desprezou ontem o impacto do novo relatório da Polícia Federal que aponta o uso de dinheiro público no mensalão.
Ele afirmou que, se o documento for incorporado aos autos pelo STF (Supremo Tribunal Federal), o processo "só vai ser julgado em 2050".(...)
O relatório traz ainda a informação de que Freud Godoy, ex-assessor de Lula, afirmou em depoimento que Valério bancou despesas com segurança de sua campanha presidencial em 2002.
Lula falou a jornalistas em Washington (EUA), após dar palestra remunerada em evento da Microsoft. Disse que não "teve chance de dar uma olhada" no relatório -nem pretende. "Não sou advogado", justificou.
O ex-presidente afirmou que o documento, que associa 17 novos nomes ao caso, não é um "relatório final". "Não se sabe se o ministro Joaquim [Barbosa] vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos [da ação]."
Em seguida, sugeriu que a lentidão da Justiça pode comprometer o processo. "Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050. Então, não sei se vai acontecer."

Congresso decide suspender novas concessões de TV
As comissões de Ciência e Tecnologia da Câmara e do Senado decidiram, ontem, suspender temporariamente a votação de novas concessões de rádio e televisão e dos pedidos de renovação de concessões já existentes.
Foi uma medida preventiva do Congresso tomada após reportagens da Folha mostrarem que empresas registradas em nome de laranjas compraram concessões nas licitações públicas realizadas pelo governo federal.
De 91 empresas investigadas pela reportagem, 44 não funcionam nos endereços informados ao Ministério das Comunicações.
Entre seus "proprietários", constam funcionários públicos, donas de casa, cabeleireira, enfermeiro, entre outros trabalhadores com renda incompatível com os valores dos negócios.

Governo Dilma quer reduzir emendas de parlamentares
O governo Dilma Rousseff quer reduzir o valor das despesas que deputados e senadores podem incluir no Orçamento, em um novo modelo de relacionamento com sua base de apoio.
Pela proposta, que já começou a ser negociada com aliados mais próximos ao Planalto, o limite para essas despesas, conhecidas como emendas parlamentares, cairá dos atuais R$ 13 milhões para algo entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões.
Trata-se de uma reformulação ao mesmo tempo política e administrativa: a contrapartida aos congressistas será uma liberação mais rápida e previsível de verbas por parte do Executivo.
Segundo a Folha apurou, a promessa é a eliminação gradual, até o final do mandato da presidente, da prática de postergar para os anos seguintes a execução das despesas.
Embora representem uma fatia minúscula de um Orçamento de quase R$ 1 trilhão, essas emendas são estratégicas nas negociações entre o governo e o Legislativo.

Eliane Cantanhêde: Dilma vai se calar na China diante de prisão política?
Prêmio Nobel da Paz no ano passado, o ativista Liu Xiaobo foi condenado a 11 anos de prisão na China. Admirado no seu país e internacionalmente conhecido, o artista Ai Weiwei simplesmente desapareceu na sexta-feira passada, tentando embarcar de Pequim para Hong Kong. O crime dos dois? Criticar duramente o regime chinês.
Isso é uma tremenda saia justa para Dilma Rousseff, que chega a Pequim na próxima segunda-feira e tem bons motivos, até pessoais, para não calar: presa e torturada pelo regime militar, ela carimbou seu governo como afirmativo na área de direitos humanos.
Não pode, portanto, repetir Lula, que tripudiou a sofrida resistência iraniana, ironizou os presos políticos cubanos e confraternizou às gargalhadas com os irmãos Castro no dia em que um dissidente em greve de fome morreu.
Mas as opções de Dilma não são fáceis. Ou segue o protocolo diplomático, fica calada e finge que a agonia de Xiaobo e as dúvidas quanto a Weiwei não são com ela, ou segue o coração, a própria história e a nova posição do Brasil e coloca a questão de algum jeito. Ela deve estar remoendo isso.

Aécio critica governo, com Serra na plateia
Potencial candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG) provocou ontem a reação da base governista -especialmente do PT- ao afirmar que, em seus primeiros meses, a administração Dilma Rousseff repete "falhas e equívocos" do governo Lula.
"Não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos. O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política -apoiada por farta e difusa propaganda oficial- não se confirma na realidade", disse, no que foi considerado seu "discurso de entrada" no Senado.
Aécio disse que esse é "início do nono ano de um mesmo governo", e que, apesar "do nítido e louvável esforço da nova presidente em impor personalidade própria, tem prevalecido a lógica dominante em todo esse período e suas heranças".
Iniciado pouco antes das 16h, o debate causado pelo discurso invadiu a noite. O ex-governador de Minas fomentou a ira petista ao apontar "manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores como maior mérito da administração petista" e acusar o PT de sobrepor seus interesses aos do país. "Sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT".

Com fala superficial, mineiro alcança seu objetivo político
A despeito do conteúdo algo superficial de seu discurso proferido ontem, Aécio Neves (PSDB-MG) teve êxito naquilo que pretendia: se lançar como "líder da oposição", expressão repetida à exaustão nas cinco horas de sessão no Senado.
Contou, para isso, com a ajuda de adversários nos dois campos: em seu partido e na base do governo.
José Serra, ex-presidenciável tucano que não esconde a pretensão de disputar o Planalto pela terceira vez em 2014, se abalou a Brasília para assistir ao discurso em plenário. Acusou o golpe.
Os senadores governistas, petistas à frente, morderam a isca do outro lado e se apressaram em apartear o mineiro para contrapor pontos do discurso e repisar críticas à "herança maldita" tucana: privatizações, sucateamento da Petrobras e compra de votos na reeleição de FHC.

Procurador recorrerá de decisão que anulou provas em ação da PF
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, disse ontem que vai recorrer da decisão do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que invalidou todas as provas obtidas a partir das interceptações telefônicas da Operação Castelo de Areia.
Segundo Gurgel, a Procuradoria vai analisar o texto final a ser publicado pelo tribunal para decidir como vai recorrer da decisão. O recurso pode ser apresentado ainda no STJ ou, em último caso, no STF (Supremo Tribunal Federal).
"Temos que ver a decisão publicada para que possamos ver o alcance e como vamos impugná-la. Não concordo com a decisão porque não há qualquer vício nas provas colhidas", afirmou Gurgel.

Sistema criminal trata diferente ricos e pobres, afirma De Sanctis
O desembargador Fausto Martin De Sanctis, que atuou no caso Castelo de Areia, recusou-se ontem a falar sobre o julgamento do STJ que anulou os grampos da operação, mas disse que o sistema criminal do país vive uma situação de "dualidade de tratamento" entre ricos e pobres.
Folha - Como o sr. avalia a decisão do STJ que anulou os grampos da Castelo de Areia?
Fausto De Sanctis - Não posso falar sobre esse caso concreto, mas posso falar sobre o sistema criminal de um modo geral. Em várias situações o Supremo Tribunal Federal já legitimou interceptações após denúncias anônimas e prorrogações de interceptações por longos prazos.
A Justiça tem um compromisso, pois ela serve de estímulo ou desestímulo para outros órgãos de poder. Não se pode comprometer a imagem da Justiça como uma Justiça dual, que trata diferentemente pobres e ricos.
O grande desafio do Judiciário brasileiro é reafirmar o princípio da igualdade e não fazer reafirmações que passam de forma concreta a ideia de que o crime compensa para alguns. A dualidade de tratamento já foi discutida no passado e os países desenvolvidos já superaram essa fase. Mas parece que o Brasil não superou.
Qual será a repercussão desse julgamento para outros casos que tiveram interceptações após denúncias anônimas?
Não posso falar desse julgamento, mas é nítido para juízes criminais, Ministério Público, Polícia Federal e advogados o desestímulo institucional já existente. Tudo o que é feito é sempre interpretado de maneira favorável às teses provenientes daqueles que lucram muito com elas.
Não existem direitos sem deveres, mas parece que os deveres não são exigidos ou são muito bem flexibilizados em determinadas situações, o que é inconcebível.

Governo mexe de novo no IOF para tentar segurar dólar
O governo modificou a cobrança do IOF de 6% nos empréstimos externos em mais uma tentativa de conter a valorização do real. O prazo foi ampliado para operações com prazo de até dois anos - antes era um.
No trimestre, a entrada líquida de US$ 35,6 bilhões foi recorde.


O GLOBO

Petrobras prevê aumento da gasolina. Mantega nega
O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, voltou atrás e admitiu ontem que poderá subir o preço dos combustíveis nas refinarias, o que acabaria sendo repassado aos postos de gasolina. Ele lembrou que não há aumento desde 2009, apesar de o preço do barril de petróleo, só nos últimos dois meses, ter saltado de US$ 100 para US$ 122 no mercado internacional. Nas bombas, o consumidor do Rio já está pagando mais de R$ 3 pelo litro de gasolina - 23,6% a mais do que a média de 2009. Sem saber das declarações de Gabrielli, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que "não está prevista nenhuma alta da gasolina no Brasil". Recentemente, a Petrobras chegou a anunciar que importaria gasolina para atender a demanda crescente.

Governo tenta, de novo, conter dólar baixo
Com o dólar ameaçando romper o piso de R$ 1,60, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a elevação para 6% do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em empréstimos no exterior de empresas e bancos com prazo de até dois anos. Semana passada, já tinha subido o IOF para transações de até um ano e para compras no cartão de crédito. Para analistas, a medida será inócua.

Aécio faz chamado à oposição e critica gestão do PT


Com um cuidadoso e planejado discurso de estreia no Senado, o ex-governador Aécio Neves (PSDB-MG) fez um chamamento à oposição, alertando seus colegas que, se não fizerem isso, continuarão colecionando sonhos irrealizados, e criticou duramente o PT, especialmente a gastança, o aparelhamento e as interferências dos governos petistas. Aécio cobrou promessas de campanha da presidente Dilma Rousseff e apresentou propostas na área tributária, para melhorar a situação financeira de estados e municípios e também para resolver gargalos de infraestrutura:
- O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política, apoiada por farta e difusa propaganda oficial, não se confirma na realidade. E nós vivemos no Brasil real. Por isso, cessadas as paixões da disputa eleitoral, o Brasil precisa, neste momento, de um choque de realidade.
O discurso de Aécio mobilizou o Senado, com dezenas de apartes de senadores da oposição e governistas e contou com a presença surpresa do ex-governador José Serra (PSDB-SP), que estava em Brasília desde a véspera para um aniversário. Apesar das cobranças e das contestações dos dois lados, o clima era até de cordialidade.Ancelmo Gois
Até fim de maio, Lula já terá faturado seu primeiro milhão de dólares como conferencista.

Aliados dizem que Aécio saiu na frente pela candidatura da oposição; Serra foi assistir
O discurso do senador Aécio Neves (PSDB-MG) foi recebido no Congresso como uma forma de costurar a unidade dos partidos de oposição num momento em que PSDB e DEM enfrentam crises internas. Ao mesmo tempo, integrantes da oposição e da base governista disseram que Aécio conseguiu assumir a dianteira na disputa interna pela candidatura oposicionista em 2014. A tentativa de unidade ficou registrada com a presença do ex-governador José Serra (PSDB-SP), que divide com Aécio a liderança do campo oposicionista.
- É muito cedo para falar em 2014 - disse secamente Serra, ao sair do plenário do Senado.
Ele manifestou desconforto com as críticas da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), que, num aparte ao discurso de Aécio, lembrou que ele não defendeu o legado do ex-presidente Fernando Henrique durante suas campanhas presidenciais.

Nos oito anos de gestão de Aécio, número de servidores cresceu 30,9%
Alvo frequente de críticas do ex-governador de Minas Gerais e senador Aécio Neves (PSDB), o crescimento do número de servidores e de cargos comissionados na administração não parece ser exclusividade do governo Lula. Nos oitos anos de governo Aécio em Minas, o quadro de pessoal cresceu 30,9%, passando de 268,4 mil servidores em novembro de 2003 para 351,5 mil em novembro de 2010.
Apesar de Aécio ter anunciado, no primeiro ano de governo, a extinção de 1,3 mil cargos ocupados por meio de indicação política, em meio a um ajuste fiscal, nos anos seguintes os cargos foram restabelecidos e ainda foram criados mais 1,5 mil com o mesmo perfil. No fim de 2010, 13.069 cargos comissionados estavam ocupados, contra 10.199, em 2003.

Kátia Abreu troca DEM por PSD: 'Não mudei de ideias'
Depois de ter sido uma das responsáveis pela principal derrota do governo Lula no Senado, o fim da CPMF em dezembro de 2007, a senadora Kátia Abreu (TO) anunciou ontem aos colegas sua saída do DEM e a entrada no Partido Social Democrático (PSD), legenda que está sendo criada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Em discurso no plenário do Senado, Kátia Abreu, que é presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), disse que não mudou suas convicções, mas afirmou que não se pode mais dividir a atuação político-partidária entre ser do governo ou da oposição.
- Perguntam-me se o PSD fará oposição ou se fará parte da base do governo. Não é assim tão banal. Se fosse, não seria preciso criá-lo. Hoje, os partidos são identificados não pelo que propõem, mas pela sua posição em relação ao governo: oposição ou situação. Aos primeiros, cabe dizer não; aos segundos, cabe dizer sim. Mas não seremos do contra. Somos e seremos sempre a favor do Brasil, de sua gente, em sua multidiversidade. Combateremos no campo das ideias, sempre ao lado de quem se disponha a endossá-las e fortalecê-las - disse Kátia Abreu.

Comissão aprova possibilidade de candidaturas sem vínculo a partidos
Numa sessão-relâmpago, ontem, a Comissão de Reforma Política do Senado aprovou a possibilidade de candidaturas avulsas, ou seja, sem filiação partidária, nas eleições para prefeitos e vereadores. Mas os candidatos sem partido terão que obter o apoio de, pelo menos, 10% dos eleitores de sua cidade para registrar a candidatura e receber o aval da Justiça Eleitoral. Em outra decisão de efeito nacional, a comissão enterrou a aspiração da criação da chamada janela partidária, que permitiria a troca de partido às vésperas das eleições.
Foram mantidas as atuais regras que exigem fidelidade partidária. O mandato pertence ao partido, e o troca-troca só pode ocorrer em casos especiais, como criação de uma nova sigla ou fusão - artifício que está sendo usado pelo prefeito paulistano, Gilberto Kassab, para sair do DEM e criar o PSD.
O PMDB era o principal interessado na criação da janela na fidelidade partidária, mas a votação foi tão rápida que muitos senadores foram pegos desprevenidos. A pressa e o esvaziamento da sessão ocorreram porque, naquele momento, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) iniciaria seu discurso no plenário. Em menos de duas horas, seis temas entraram em votação.

Gurgel: novas provas não irão para processo
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que é um engano vincular o relatório da Polícia Federal sobre o mensalão do PT com a ação penal que já tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) contra 38 réus. Ele deixou claro que não incluirá no processo as novas provas do delegado Luiz Flávio Zampronha. O relatório do delegado, divulgado pela revista "Época", ainda será analisado por Gurgel, que não disse se fará ou não nova denúncia:
- Está havendo um equívoco em relação a esse relatório que acabou sendo divulgado pela "Época". No momento em que foi oferecida a denúncia no caso do mensalão, o procurador Antônio Fernando pediu a abertura de outros inquéritos em relação a condutas sobre as quais, naquele momento, ainda não se reuniam elementos necessários para um juízo em termos de persecução penal.
Segundo ele, o relatório da PF é resultado de um desses inquéritos. A inclusão de novas provas no processo em tramitação no STF poderia atrasar ainda mais o andamento do caso e, assim, beneficiar os acusados. Se não surgir imprevisto, o mensalão deve ser julgado no próximo ano. Entre os réus estão o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu e outros ex-integrantes da cúpula do PT.

Lula: mensalão seria julgado em 2050
Após fazer uma palestra no "Fórum de Líderes do Setor Público - América Latina e Caribe", organizado pela Microsoft na capital americana, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva falou sobre o novo relatório da Polícia Federal que confirma a existência do mensalão em seu governo:
- Tem uma peça que dizem que foi o relatório produzido pela PF. Não se sabe se o ministro Joaquim (Barbosa, do Supremo Tribunal Federal) vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos do processo. Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar (sic). Então, vai ser julgado em 2050. Então, não sei se vai acontecer. Não tive chance de dar uma olhada no relatório, nem vou olhar. Não sou advogado.

Código Florestal: governo terá posição única
Um dia depois da manifestação dos produtores rurais a favor das mudanças no Código Florestal previstas no texto do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), o governo reuniu os ministérios envolvidos e decidiu, enfim, ter uma posição única sobre o tema. Na semana que vem, o Executivo enviará ao Congresso suas sugestões para tentar facilitar um acordo entre ruralistas e ambientalistas. Mas o governo não vai remeter um texto fechado em forma de substitutivo à proposta de Aldo. A ideia é passar aos líderes da base orientações para um consenso mínimo em torno das propostas de mudanças no código - que até agora põem em lados opostos os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente.
O ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, reuniu-se ontem no Palácio do Planalto com os ministros Wagner Rossi (Agricultura), Izabella Teixeira (Meio Ambiente) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário) para tratar do assunto.
- Há uma mudança dentro do governo, que, agora, terá uma posição sobre o tema. Antes, havia uma tensão que se projetava no Congresso. Era Marina (Silva) versus Roberto Rodrigues; (Carlos) Minc versus (Reinhold) Stephanes e Izabella versus Rossi. O governo vai arbitrar essas diferenças e orientar sua bancada - disse o deputado Paulo Teixeira, líder do PT na Câmara.

PAC concluiu apenas 4% das obras de saneamento, diz estudo do setor
Cobrado por empresários, que reivindicam mais investimentos em saneamento, o ministro das Cidades, Mário Negromonte, admitiu ontem que o governo enfrenta gargalos no setor e que as obras de água e esgoto incluídas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) passam por problemas. Após reunião na Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (Abdib), em São Paulo, ele afirmou que está analisando os erros do PAC na área de saneamento para corrigi-los.
Estudo da organização não governamental Trata Brasil, divulgado anteontem, mostrou que só 4% das obras de água e esgoto previstas no PAC foram concluídas até dezembro de 2010. A expectativa da ONG era de 60%.

STF considera constitucional piso dos professores, sem incluir gratificações
O Supremo Tribunal Federal (STF) considerou ontem constitucional o piso nacional de salário dos professores - hoje fixado em R$1.187,97. Segundo entendimento do Supremo, não estão incluídas no valor eventuais gratificações. A decisão foi tomada por oito votos a um, no julgamento de uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) proposta por governadores de cinco estados contra a lei federal que estabeleceu o piso.
Em 2008, no julgamento da liminar da mesma ação, o Supremo havia concluído que o valor do piso nacional inclui gratificações. Essa interpretação não tem mais validade desde ontem.


CORREIO BRAZILIENSE

Pandora, uma novela sem data para acabar
Revelado ao país pela Operação Caixa de Pandora, o maior escândalo de corrupção da história de Brasília pôs em evidência ontem três de seus personagens: o ex-procurador-geral de Justiça Leonardo Bandarra, a promotora Deborah Guerner e a deputada federal Jaqueline Roriz (PMN-DF). Em julgamento no Conselho Nacional do Ministério Público, o relator do processo defendeu pena máxima — a expulsão do serviço público — para Bandarra e Deborah, acusados de corrupção, extorsão e formação de quadrilha. Um pedido de vista suspendeu a sessão, que já durava oito horas, após dois conselheiros acatarem integralmente o voto do relator. O caso, agora, só deve ser retomado em 17 de maio. De volta à cena, Jaqueline — que não aparecia em público desde a divulgação do vídeo em que ela e o marido são flagrados recebendo dinheiro do delator do esquema, Durval Barbosa — foi à Câmara dos Deputados e anunciou que não vai renunciar ao mandato. Seu destino está nas mãos do Conselho de Ética da Casa em processo que pode resultar na cassação da parlamentar.

Após uma crise nervosa, Deborah Guerner deixa o julgamento. A promotora discutiu com seus advogados e com o marido: houve gritos, xingamentos e ameaças

Bandarra chega para o julgamento ao lado da advogada Gabriela Bemfica. Prazo de afastamento do MP, por causa do processo, acaba na semana que vem.

Três quilos mais magra, Jaqueline Roriz foi pessoalmente ao Conselho de Ética entregar sua defesa. Ela afirma que está com a consciência tranqüila.

Envelhecer é desafio para o Brasil
Até 2050, o país terá 49% da sua população ativa com mais de 65 anos. Essa realidade exigirá do governo grandes reformas e investimentos em áreas como a saúde e a previdência social. Mudanças que devem começar a partir de agora.

Oposição: Críticas ao PT abrem debate de 5 horas no Congresso
No primeiro discurso desde a posse, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) assumiu a voz da oposição e abriu debate que inflamou petistas. Ele fez críticas ao governo de Lula, às movimentações iniciais da presidente Dilma e ao comportamento do PT em momentos cruciais para a democracia no país, como a eleição de Tancredo.

Dia difícil: Mantega aumenta imposto e desmente Petrobras
Para combater a entrada de dólar e a desvalorização da moeda norte-americana frente ao real, o ministro da Fazenda anuncia o aumento do IOF para 6%. Na mesma entrevista, descarta reajuste dos combustíveis, possibilidade levantada pelo presidente da estatal do petróleo, Sergio Gabrielli.

Em greve: Médicos dos planos de saúde cruzam os braços
O protesto dos profissionais promete suspender o atendimento ambulatorial aos pacientes conveniados. A categoria reivindica o reajuste no valor mínimo de reembolso das consultas de R$ 30 para R$ 60, no mínimo. Somente as emergências dos hospitais particulares vão funcionar.

Olho artificial
Cientistas japoneses produzem retina em laboratório usando células-tronco de camundongo.

VALOR ECONÔMICO

Aumenta restrição ao crédito externo
O governo estendeu a incidência do IOF de 6% aos empréstimos externos com prazos de até dois anos, assim como para operações de repactuação e assunção de dívidas no exterior por empresas e bancos. Na semana passada, quando resolveu tributar os empréstimos em moeda estrangeira, o governo havia estabelecido que os contratos com prazos superiores a 360 dias estariam isentos. Ontem, apertou um pouco mais a medida e agora só operações acima de dois anos é que deixarão de recolher o imposto.
Essa é mais uma das ações que o governo vem adotando desde outubro do ano passado na tentativa de impor freios à apreciação do real. Este ano, até ontem, a moeda teve valorização de 3,22% em relação ao dólar. Se, por um lado, a apreciação pode ajudar o Banco Central na política de controle da inflação, por outro reduz a competitividade dos exportadores brasileiros e coloca o ministro da Fazenda sob pressão.

Voto sobre trem-bala reflete a falta de unidade do PDSB
No momento em que o PSDB pretende demonstrar unidade sob a liderança do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que ontem fez seu discurso de estreia no Senado, o partido não conseguiu unificar um discurso contrário ao projeto que cria o trem-bala, cujo texto-base foi aprovado terça-feira na Câmara dos Deputados. A atuação dos tucanos no plenário refletiu as divergências internas entre "alckmistas", "serristas" e "aecistas".
Oriundos do Estado mais beneficiado pelo trem-bala, os paulistas defenderam o projeto, com ressalvas à engenharia financeira, seguindo orientação do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

Congresso não julgou contas de Lula e FHC
O Congresso não julgou as contas do governo federal dos últimos oito anos, nos dois mandatos de Lula, e nem do último ano de Fernando Henrique Cardoso (2002). As contas dos presidentes do STF, do STJ, do Senado e da Câmara relativas a vários exercícios também esperam a boa vontade dos líderes partidários para entrar na pauta de votação das duas Casas do Legislativo.
A apreciação anual dessas contas é determinação constitucional. E há um caso extremo: até hoje, o Congresso não julgou uma parte das contas de Fernando Collor em 1992.

Oi vai à Anatel e Cade contra concorrentes
A operadora de telefonia Oi recorreu à Anatel e ao Cade contra as concorrentes Vivo, Claro e TIM, alegando que elas se recusam a reduzir as tarifas de interconexão cobradas nas ligações entre telefones fixos e móveis. A interconexão é o nome que se dá ao uso da rede de uma operadora por outra para completar uma chamada. Toda vez que o assinante de uma tele chama um número de outra operadora, esta é remunerada. Segundo a Oi, as operadoras Vivo, TIM e Claro se negam a diminuir as tarifas de interconexão fixo-móvel porque representam até um terço da receita. "A situação está insustentável e gera distorções no mercado de telefonia móvel", afirma o diretor da Oi, Paulo Mattos. As outras empresas não comentam o assunto.
Fonte: Congressoemfoco

Aécio e a oposição desmantelada

“O que pareceu ter ficado claro durante o discurso foi uma sensação, da parte dos oposicionistas, de que ou se agarram a Aécio ou não terão outra bóia à disposição. José Serra vai ter que se conformar”


O discurso de Aécio Neves (PSDB-MG) na tribuna do Senado na terça-feira (6) foi o primeiro sopro de vida da oposição após a posse de Dilma Rousseff. Se alguém ainda tinha dúvidas de que ele se tornou a principal referência política do grupo contrário ao governo, essa dúvida foi dissipada, pelo discurso, que durou a tarde inteira no Senado. Plenário lotado, inúmeros apartes. Há muito tempo alguém não merecia tanta atenção dos colegas como Aécio. Discursos com audiência semelhante nos últimos tempos tiveram objetivos bem mais constrangedores para seus protagonistas: aconteceram para José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL) se explicarem das acusações que ameaçavam seus mandatos.

Aécio não é um grande orador. Seu estilo é empolado. Antiquado. Destoa um bocado do seu jeitão de playboy. Fica parecendo quase um caso de dublagem mal feita: puseram a voz de Tancredo, na imagem que ficou de um velhinho de quase 80 anos, no neto bem mais novo. Mais, porém, do que a forma de Aécio dizer as coisas, ou mesmo do conteúdo do que disse, está o que Aécio representa. Ele foi o que sobrou incólume de uma oposição que, após a eleição do ano passado, ficou completamente desmantelada. O que pareceu ter ficado claro durante o discurso foi uma sensação, da parte dos oposicionistas, de que ou se agarram a Aécio ou não terão outra bóia à disposição. José Serra vai ter que se conformar.

O discurso demarca algumas diferenças. Foi um discurso crítico, duro, de oposição. Mas sem o histrionismo e a agressividade que demonstrava, por exemplo, o ex-senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) na oposição ao governo Lula. E, principalmente, numa linha bem diversa da que levou José Serra a dar com os burros n’água na eleição de 2010. Diante da popularidade do governo Lula, Serra adotou uma estratégia de tentar se descolar do governo Fernando Henrique Cardoso para evitar que o debate se marcasse pela comparação entre os dois. Acabou criando uma coisa esquizofrênica para o eleitor: se não representava as ideias anteriores, se não queria discutir as ideias atuais, por que razão o eleitor trocaria de rumo para votar nele? Aécio procurou construir a tese de que os avanços obtidos pelo país são fruto de um processo em que os antecessores de Lula também tiveram papel importante. E, nesse ponto, teve o auxílio luxuoso do ex-presidente e hoje senador Itamar Franco (PPS-MG), que fez o Plano Real e conduziu o Brasil à estabilidade econômica.

E lembrou de algo que não deve ser algo muito confortável para o PT: o fato de que, em momentos cruciais do passado, como no caso mesmo do Plano Real e em outros ainda mais graves (não votou em Tancredo Neves, não assinou a Constituição, ajudou a depor Fernando Collor mas não quis participar do governo Itamar Franco), o PT omitiu-se ou ficou do lado oposto. Por, nesses momentos, pensar mais em si mesmo – por cálculo eleitoral – do que no país, na visão de Aécio.

Se Aécio encontrará um eixo para se opor ao governo de forma consistente, capaz de realmente conduzi-lo, como ele deseja, à condição de candidato competitivo à Presidência em 2014, ainda é bem cedo para dizer. Mas o interesse pelo discurso, tanto do governo quanto da oposição, mostra que ele vai se tornando mesmo a única alternativa de que a oposição dispõe.

Aécio faz seu primeiro discurso como senador num cenário nunca visto antes de desmantelo das oposições. É impressionante como a vitória de Dilma desnorteou essas forças políticas. Eles realmente não se prepararam – ainda que muito antes das eleições isso já fosse algo absolutamente concreto – para a hipótese de perderem novamente. No PSDB, Serra ainda não compreende que seu tempo passou e cria as dificuldades que pode para a consolidação de Aécio como a próxima aposta. O DEM desmancha-se. Mesmo o PV parece não compreender bem o papel que lhe caberá no cenário político após o surpreendente desempenho de Marina Silva nas eleições, e divide-se.

Já usei aqui uma vez uma imagem da minha amiga Denise Rothenburg, jornalista do Correio Braziliense, de que gosto muito. Ela diz que desconfia que nenhum político do DEM tenha alguma vez tirado carteira de motorista, já que a vida inteira tiveram carro oficial e chofer. A derrota com Serra parece ter levado boa parte do DEM ao desespero de se ver diante da terrível hipótese de passar mais oito anos longe do poder. Não há outra explicação para a criação do PSD de Gilberto Kassab e a sua lista de adesões. Um partido que nasce com a pretensão confessa de não ser nada exatamente para poder ser tudo o que eventualmente pintar. Que se orgulha em dizer que não é de direita nem de esquerda para poder se encaixar em qualquer configuração que couber no futuro. Afinal, aderir sempre parece ser um caminho mais fácil do que se apresentar como alternativa. Que o diga o PMDB.

*É o editor-executivo do Congresso em Foco. Formado em Jornalismo pela Universidade de Brasília em 1986, Rudolfo Lago atua como jornalista especializado em política desde 1987. Com passagens pelos principais jornais e revistas do país, foi editor de Política do jornal Correio Braziliense, editor-assistente da revista Veja e editor especial da revista IstoÉ, entre outras funções. Vencedor de quatro prêmios de jornalismo, incluindo o Prêmio Esso, em 2000, com equipe do Correio Braziliense, pela série de reportagens que resultaram na cassação do senador Luiz Estevão

Outros textos do colunista Rudolfo Lago*

Fonte: Congressoemfoco

Íntegra do 1º discurso de Aécio no Senado em 2011

Fábio Góis

Tendo sido iniciado às 15h40 desta quarta-feira (6), o primeiro discurso (leia a íntegra abaixo) do senador Aécio Neves (PSDB-MG) nesta legislatura está longe do fim, considerados os apartes diversos que se seguem em plenário. Às 17h58, ainda havia 12 oradores inscritos para falar em plenário.

Leia mais:
Aécio diz que PT prioriza mais partido do que país

No momento mais incisivo do pronunciamento, Aécio disse que o PT prioriza o próprio partido e deixa o Brasil em segundo plano. “Sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do partido, o PT escolheu o PT. Por isso, não é estranho a nós que setores do partido tentem, agora, convencer a todos de que os seus interesses são, na verdade, os interesses da Nação”, provocou o senador, que recebeu a pronta investida de petistas presentes ao discurso.

A sessão não deliberativa, que deixou de lado a pauta de votações, ainda está longe de acabar.

Confira o discurso registrado no Senado:

“Senhor presidente José Sarney, senhoras e senhores senadores, senhoras e senhores parlamentares federais e estaduais, que vêm aqui hoje de várias partes do País, senhores prefeitos, senhoras e senhores, ocupo hoje a tribuna do Senado Federal para examinar de forma mais profunda a conjuntura e os grandes desafios do País nesse meu reencontro com o Parlamento Nacional.

Chego a esta Casa, senhores parlamentares, por delegação dos mineiros. Retomo aqui o trabalho que, por 16 anos, desenvolvi no Legislativo, onde tive a honra de receber importantes missões, entre elas a de presidir a Câmara dos Deputados. Trago desse período lembranças de vigorosas iniciativas pela valorização Parlamento. Destaco, entre elas, a limitação das medidas provisórias e a aprovação do “pacote ético”, que acabou com a imunidade parlamentar para crimes comuns, criou o Conselho de Ética e institucionalizou o princípio da legislação participativa.

É com a mesma convicção democrática, com o mesmo respeito ao Congresso e com a mesma disposição para o trabalho que chego a esta Casa. Os que ainda não me conhecem bem e esperam encontrar em mim ataques pessoais no exercício da oposição vão se decepcionar. Não confundo agressividade com firmeza. Não confundo adversário com inimigo. Os que ainda não me conhecem bem e acham que vão encontrar em mim tolerância diante dos erros praticados pelo Governo também vão se decepcionar. Não confundo o direito à defesa e ao contraditório com complacência e compadrio.

Estarei onde sempre estive, senhor presidente, como homem do diálogo, que não foge às suas responsabilidades e convicções, que não teme o enfrentamento do debate nem as oportunidades de convergência em torno dos reais interesses do Brasil. Farei a política que sempre fiz, aquela que entende que, neste campo, brigam as ideias e não os homens. Saúdo, inicialmente, esta Casa, através dos grandes brasileiros que por aqui passaram e também através de todos os parlamentares que hoje aqui honram a delegação que receberam, respeitando a sagrada autonomia do Parlamento. Parlamentares que reconhecem ter apenas um senhor: o povo brasileiro. E apenas um senhora: a sua própria consciência.

Senhores senadores, senhoras senadoras, a memória e o conhecimento da própria história são patrimônios preciosos de uma nação. Mais do que isso, formam a matéria prima essencial e insubstituível à construção do futuro. A consciência do que fomos e do que somos é que nos permite, todos os dias, moldar os contornos do que seremos, ou do que poderíamos vir a ser. O Brasil de hoje é resultado de uma vigorosa construção coletiva, que, desde os primeiros sopros da nacionalidade, vem ganhando dimensão, substância e densidade.

Ao contrário do que alguns nos querem fazer crer o País não nasceu ontem. Ele é fruto dos erros e dos acertos de várias gerações de brasileiros, de diferentes governos e líderes, e também de diversas circunstâncias históricas e econômicas. Juntos, nós brasileiros percorremos os caminhos que nos trouxeram até aqui. Mas é importante e justo que nos lembremos, sempre, que não chegamos até aqui percorrendo os mesmos caminhos. Não podemos e não devemos nos esquecer das grandes diferenças que marcam a visão de País das forças políticas presentes na vida nacional das últimas décadas. Porque, por mais que queiram, os partidos não se definem pelo discurso que fazem nem pelas causas que dizem defender.

Um partido se define pelas ações que pratica e pela forma como responde aos desafios da realidade. Em 1985, quando o Brasil se via diante da oportunidade histórica de sepultar o autoritarismo e reingressar no mundo democrático, nós estávamos ao lado do povo brasileiro e do Presidente Tancredo Neves. Os nossos adversários, não. Permanecemos ao lado do Presidente José Sarney, naqueles primeiros e difíceis anos de consolidação da nova ordem democrática. Os nossos adversários, não.

Mais à frente, em um momento especialmente delicado da nossa história, quando foi preciso convergir para apoiar a governabilidade e o grande Presidente Itamar Franco, que hoje nos honra aqui no Senado Federal, nós estávamos lá. Os nossos adversários, não. Recusaram, mais uma vez, a convocação da história. Para enfrentar a grave desorganização da vida econômica do País e a hiperinflação que penalizava, de forma especial, os mais pobres, o governo Itamar criou o Plano Real. Nesse momento, o Brasil precisou de nós, e, mais uma vez, nós estávamos lá. Os nossos adversários, não.

Sob a liderança do Presidente Fernando Henrique, aprovamos a Lei de Responsabilidade Fiscal para proteger o País dos desmandos dos maus administradores. Nossos adversários votaram contra e chegaram ao extremo de ir à Justiça contra essa saneadora medida, importante marco da moralidade administrativa do Brasil. Para suportar as crises econômicas internacionais e salvaguardar o sistema financeiro nacional, estruturamos o Proer, sob as incompreensões e o ataque cerrado dos nossos adversários, os mesmos que o utilizaram para ultrapassar o inferno da crise de 2009 e que o apresentam, agora, como exemplo de boa governança ao mundo. Estruturamos, senhoras e senhores, os primeiros programas federais de transferência de renda da nossa história.

A partir de sucessos locais, como o do Prefeito Grama, em Campinas, e do Governador Marconi Perillo, com os cartões, em Goiás, criamos o Bolsa Escola, o Bolsa Alimentação e o Auxílio Gás, que, depois, serviram de base para, ampliados e concentrados, se transformarem no emblemático Bolsa Família. Quando os fundamos, nossos adversários também não estavam lá e, ironicamente, nos criticaram por estarmos criando políticas assistencialistas de perpetuação da dependência e não de superação da pobreza.

Senhoras e senhores, as mudanças estruturais do governo Fernando Henrique, entre elas as privatizações, definiram a nova face contemporânea do Brasil. A democratização do acesso à telefonia celular talvez seja o melhor exemplo do acerto das medidas corajosamente tomadas, porque, meus amigos, meus pares nesta Casa, é disso que é feito um bom governo: de decisões e não apenas de circunstâncias.

Senhoras e senhores, faço essas rápidas considerações apenas para confirmar o que continuamos a ver hoje: sempre que precisou escolher entre os interesses do Brasil e a conveniência do Partido, o PT escolheu o PT. Por isso, não é estranho a nós que setores do partido tentem, agora, convencer a todos de que os seus interesses são, na verdade, os interesses da Nação. Nem sempre são.

Não é interesse do País, por exemplo, a subordinação das agências reguladoras ao governo central, gestadas que foram para terem independência técnica e, pelo País, atuarem livres de pressões políticas. Não é interesse do País que o Poder Federal patrocine o grave aparelhamento e o inchaço do Estado brasileiro, como nunca antes se viu na nossa história. Da mesma forma, não posso crer que seja, senhoras e senhores, interesse do País que o governismo avance sobre empresas privadas, com o objetivo de atrelá-las às suas conveniências, como se faz, agora, sem nenhum constrangimento, com a maior empresa privada do Brasil, a Vale, criando perigosíssimo precedente.

Senhoras e senhores, não sou, como todos sabem, daqueles cegos pela paixão política, que não se permite enxergar méritos no adversário. Reconheço avanços do Governo do Presidente Lula. A manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores é, a meu ver, o primeiro e o mais importante mérito da administração petista. E é necessário reconhecer que o adensamento e ampliação das políticas sociais foram fundamentais para que o Brasil avançasse mais. Acredito que, mais adiante, por mais que isso desagrade a alguns, a independência dos historiadores considerará os Governos Itamar, Fernando Henrique e Lula um só período da história do Brasil, de estabilidade com crescimento.

Senhoras e senhores, não ocupo esta tribuna para fazer uma análise dos primeiros meses do Governo da Presidente Dilma Rousseff. O processo de governança instalado à frente do País, com suas falhas, equívocos, mas também virtudes, não conta apenas alguns poucos meses. Pontua-se, de forma concreta, o início do nono ano de um mesmo governo, quase uma década. Ainda que seja nítido e louvável o esforço da senhora presidente em impor personalidade própria ao seu governo, que eu respeito, tem prevalecido a lógica dominante em todo esse período e suas heranças. Não há ruptura entre o velho e o novo, mas o continuísmo das graves contradições dos últimos anos.

O Brasil cor-de-rosa vendido competentemente pela propaganda política, apoiada por farta e difusa propaganda oficial, não se confirma na realidade. E nós vivemos, senhoras e senhores, no Brasil real. Por isso, senhoras e senhores, cessadas as paixões da disputa eleitoral, o Brasil precisa, neste momento, de um choque de realidade. Um choque de realidade que nos permita compreender corretamente a situação do País hoje, e essencial, que nos permita também compreendê-la dentro do mundo que nos cerca. Escondido sob o biombo eleitoral montado, o desarranjo fiscal, tantas vezes por nós denunciado, exige agora um ajuste de grande monta que penalizará investimentos anunciados com pompa e circunstância.

E não é bom para um partido inaugurar uma nova fase de governo sob a égide do não cumprimento de compromissos assumidos com a população. É consenso, senhoras a senhores, que o Brasil convive com o grave risco de desindustrialização de importantes setores da nossa economia. A participação de produtos manufaturados na nossa pauta exportadora, que era de 61%, no ano de 2000, recuou para 40%, no ano de 2010.

Vemos, infelizmente, renascer, da farra da gastança descontrolada dos últimos anos, e em especial do ano eleitoral, a crônica e grave doença da inflação. E não há razão para otimismo, senhoras e senhores, quando comparamos a nossa situação com a de outros países. Estudo feito a partir do relatório de competitividade do Fórum Econômico Mundial mostra que, comparado a outros 20 países com os quais concorremos, o Brasil ficou apenas em 17ª colocação no quesito qualidade geral da infraestrutura. Empatamos com a Colômbia.

No item qualidade da infraestrutura portuária, o Brasil teve o pior desempenho. Fomos os lanternas do grupo. A qualidade das estradas brasileiras, por onde trafega mais da metade das cargas do País supera apenas a da Rússia. Ficamos na penúltima colocação. Enquanto isso, em 2010, a nossa carga tributária atingiu a marca de 35% do PIB. Impressiona também, caros amigos, saber que, apesar de todos os avanços que, reconheço, existiram nos últimos anos, a carga tributária das famílias com renda mensal de até dois salários mínimos passou, segundo o Ipea, de 48,5%, em 2004, para 53,9% da renda no ano de 2008.

E lamentavelmente repete-se agora o que se viu nos últimos anos: não há espaço e dedicação real à discussão do essencial. As reformas constitucionais continuam à espera de decisão política para que sejam debatidas e aprovadas. Senhoras e senhores parlamentares, a população brasileira nos delegou a honrosa tarefa de exercer oposição ao atual Governo. Repito o que tem dito o Governador Geraldo Alckmin: “Ser oposição é tão patriótico quanto ser governo”.

Aproveito este momento para fazer minha homenagem aos companheiros do PSDB, do DEM e do PPS pela coragem e coerência com que têm honrado no Parlamento a delegação recebida nas urnas. Hoje, cerca de metade da população vive em Estados governados pela oposição. No plano nacional tivemos a confiança de cerca de 44 milhões de brasileiros que caminharam ao nosso lado e optaram pela experiência e competência de José Serra, que aqui nos honra com sua presença, para liderar o País.

Esses números, por si sós, demonstram a dimensão política e a responsabilidade das oposições no País. Acredito, no entanto, que o tamanho da oposição será equivalente à nossa capacidade de interpretar e defender os valores e expectativas da nossa gente. Como oposição, é nosso dever atuar com firmeza e lealdade em três diferentes e complementares frentes. Uma, que define a nossa postura perante o Governo. Outra, que nos remete ao nosso compromisso inalienável com o resgate da Federação. E a terceira frente, a que nos permitirá uma aproximação ainda maior com os brasileiros. Em relação ao Governo, temos como obrigações básicas: fiscalizar com rigor; apontar o descumprimento de compromissos assumidos com a população; denunciar desvios, erros e omissões; e cobrar ações que sejam realmente importantes para o País. O segundo eixo de atuação que defendo é o compromisso de resgatarmos o princípio da Federação no Brasil.

Aqui peço licença para fazer uma manifestação de apreço aos inúmeros Prefeitos municipais de Minas e de outras partes do País, que vêm travando, há anos, inglória luta para sensibilizar o Governo Federal, o Parlamento e a opinião pública acerca da difícil realidade das administrações locais. Hoje, suportamos uma das mais graves concentrações de impostos, recursos e poder de decisão na esfera da União de toda a nossa história.

Esta é uma realidade que avança dia após dia e compromete o equilíbrio federativo. Meus amigos, como terceiro eixo de ação, acredito que a nossa aproximação ainda maior com os vários setores da vida nacional vai ocorrer a partir da coragem que tivermos para assumirmos e partilharmos as indagações e as indignações do nosso tempo: assumirmos e partilharmos os sonhos e as utopias da nossa geração. Nesse sentido, peço licença para trazer aos senhores trechos daquele que considero o mais importante documento político produzido nos últimos tempos no Brasil. Trata-se do Manifesto em Defesa da Democracia, que tem entre seus signatários brasileiros da dimensão de Hélio Bicudo e Dom Paulo Evaristo Arns. Manifesto que não pertence a um partido, mas ao Brasil e aos brasileiros.

Diz ele em alguns trechos: “É um insulto à República que o Poder Legislativo seja tratado como mera extensão do Executivo...”, como denuncia todos os dias o Senador Itamar Franco. Continua o manifesto: “O poder conquistado nas urnas ou a popularidade de um líder não lhe conferem licença para ignorar a Constituição e as leis...” “É intolerável”, continua, “assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político...”

Esse documento, senhoras e senhores, a meu ver, reflete a alma e o coração de tantos de nós e, ao fazer isso, nos traz a dimensão maior da política. Precisamos, Senhoras e Senhores, romper a inércia. A ausência de iniciativas concretas do Governo em torno das grandes reformas não pode ser justificativa para deixarmos de fazer o que ode ser feito hoje. E o que é nosso dever fazer hoje.

Começo por aquela que, defendida inicialmente pelo nosso companheiro José Serra, foi acolhida e transformada em compromisso pela Presidente Dilma Rousseff, na campanha presidencial, e que, por isso mesmo, pode significar uma inédita convergência em torno de um dos nossos mais legítimos interesses nacionais.

Refiro-me à redução de tributos cobrados em setores estratégicos da nossa economia, no caso a redução a zero das alíquotas de PIS e Cofins das empresas de saneamento. Podemos somar forças e apoiar iniciativas como a do ilustre Senador Dornelles, que defende proposta semelhante para capitalizar as empresas de água e esgoto e fomentar novos investimentos em saneamento em todas as regiões do Brasil.

É também compromisso assumido pela Presidente – e bandeira defendida pela oposição – a extensão da mesma iniciativa à área de energia elétrica. Se o Governo Federal seguisse o exemplo do Governo de Minas e de outros Estados que concedem isenção total de ICMS às famílias de baixo consumo, as contas de luz dessas famílias poderiam chegar a ser 20% mais baratas!

Por outro lado, não há, Senhoras e Senhores, justificativa para que permaneçamos passiveis diante das reconhecidas dificuldades de execução orçamentária em áreas fundamentais ao País. Segundo o Contas Abertas, por razões as mais diversas, nos últimos oito anos o Ministério dos Transportes não executou parte expressiva do orçamento que dispunha para investir. Para enfrentar esse e outros problemas, trago uma proposta que, sei, parecerá, para muitos, ousada. Estarei propondo a transferência gradual dos recursos e da gestão as rodovias federais para a competência dos Estados. Isso poderia ser iniciado com a imediata transferência dos recursos da Cide para os Estados e Municípios.

Meus amigos, do ponto de vista dos interesses da Federação, proponho ainda que 70% dos recursos do Fundo Nacional de Segurança e do Fundo Penitenciário, sempre contingenciados, sejam distribuídos mensalmente, de forma republicana, proporcionalmente à população de cada Estado. Sabemos todos que a Federação brasileira vive um processo de esfacelamento. O mal é conhecido.

Do ponto de vista tributário, vivemos grave injustiça federativa. Nesse sentido, proponho adotarmos mecanismos que protejam a participação na receita dos Estados, especialmente das regiões mais pobres, e das prefeituras, sobretudo as do interior e de pequeno porte. Estou encaminhando iniciativa capaz de recompor gradualmente o tamanho da fatia que o FPE e o FPM tinham no bolo tributário, impedindo que as isenções tributárias dadas pelo Governo Federal continuem a alcançar a parcela dos Estados e Municípios que já foi, repito, de 27% em 2002 e hoje é de apenas 19,4%.

No campo da geração de empregos, defendo a revisão da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa, criando o Simples Trabalhista, universalizando o direito de opção pelo Simples Nacional e estendendo os benefícios do Empreendedor Individual para as micro e pequenas empresas. No meu entendimento, meu pessoal entendimento, decisões como essas, atendem muito mais às justas demandas do setor do que a criação de mais cargos públicos e de novas estruturas burocráticas.

Precisamos, insisto, buscar a equação que nos permita progressivamente desonerar as microempresas, mas também as exportações, os investimentos, a produção e a folha salarial. Senhoras e Senhores, reafirmo meu compromisso com outros grandes desafios do país. Não faltará a mim e, estou certo, a outros líderes da oposição, disposição para discutir com o governo medidas efetivas e corajosas que nos permitam superar os sempre prioritários desafios da qualidade da educação e da saúde pública no Brasil.

Assim como estaremos presentes na defesa de medidas que permitam que a questão ambiental possa alcançar um novo patamar de discussão e permear todas as áreas de ação do setor público. Senhoras e Senhores, acredito que devemos organizar o exercício da oposição em torno de três valores. São eles: coragem, responsabilidade e ética. Coragem para resistir à tentação da demagogia e do oportunismo.

Responsabilidade, porque não podemos cobrar do governo responsabilidade se nós não a tivermos para oferecer ao Brasil; e ética, não só a ética que move as denúncias, não só a ética que cobra a transparência e a verdade, mas uma ética mais ampla, íntima, capaz de orientar nossas posições, nossas ações e compromissos, todos os dias.

Acredito, senhoras e senhores senadores, que estamos vencendo um ciclo. Hoje, o Brasil não acredita mais no discurso que tenta apontar uma falsa contradição entre responsabilidade administrativa de um lado e conquistas sociais de outro. Em 2002, quando criamos a expressão “choque de gestão” – e fomos muito criticados por nossos adversários – tínhamos como objetivo afirmar que não pode haver avanço social permanente, sem responsabilidade administrativa. Os emblemáticos avanços de Minas Gerais comprovam a tese.

Hoje, para o bem do Brasil, podemos visitar, país afora, uma densa agenda de gestão pública, muitas delas introduzidas por vários companheiros que hoje estão aqui nesta Casa, como o Ilustre Governador Eduardo Braga, Governador Blairo, dentre tantos outros. Portanto, há hoje uma agenda empreendida por uma nova geração de líderes e gestores brasileiros de diferentes partidos que nos apontam caminhos para a transformação que nos exige a população.

Mas há muito a ser feito – para concluir, senhor presidente. Nos apresentamos hoje, sem batalhas próprias, prontos para iniciar um denso debate sobre os grandes desafios que nos esperam. É nosso dever contribuir para que a travessia iniciada – e empreendida por muitas mãos – avance na direção do pleno desenvolvimento. Essa é a grande tarefa inconclusa. E se há um erro que juntos não podemos cometer é nos perdermos na grandiloqüência do discurso oficial, como se tivéssemos alcançado o nosso ponto de chegada.

Não alcançamos. Estamos longe dele, apenas no início da jornada. Há grandes desafios a serem enfrentados e vencidos que não pertencem apenas ao governo ou às oposições, mas ao país inteiro. E aqui, afinal, não posso deixar de lembrar Minas, a história de Minas e as lições que nos legaram os homens e as mulheres de Minas. Elas nos dizem que cada geração tem o seu compromisso com a história. Elas nos dizem que a pátria é honrosa tarefa diária, coletiva e compartilhada. Não a realizaremos sob o signo do confronto irracional, nem tampouco da complacência.

A oposição que defendo não é a de uma coligação, senhor presidente, de partidos contra o Estado ou o país, mas a da lucidez da razão republicana contra os erros e omissões do poder público. Convoca-nos, neste momento, à responsabilidade para fazer o que precisa ser feito. Ou o faremos ou continuaremos colecionando sonhos irrealizados. Não temos, Senhoras e Senhores, senhor presidente, esse direito. Precisamos estar, todos, à altura dos sonhos de cada um dos brasileiros. E nós, da oposição, estejam certos, estaremos. Muito obrigado!”

Fonte: Congressoemfoco

Mensalão só será julgado em 2050


Política

Mensalão só será julgado em 2050
Publicada: 07/04/2011 00:33| Atualizada: 06/04/2011 23:41

O ex-presidente Lula previu o julgamento do caso do mensalão apenas por volta de 2050, se o relatório final da Polícia Federal vier a ser incorporado nos autos do processo por decisão do Supremo Tribunal Federal. A questão está nas mãos do ministro do STF Joaquim Barbosa, relator do caso. Lula afirmou não ter lido o texto por não ser “advogado” e indicou suas dúvidas sobre a continuidade desse processo.

“Não tem relatório final do mensalão. Tem uma peça que dizem que foi o relatório produzido pela Polícia Federal. Mas não se sabe se o ministro Joaquim vai receber ou não, se aquilo vai entrar nos autos do processo”, afirmou o ex-presidente. “Se entrar, todos os advogados de defesa vão pedir prazo para julgar. Então, vai ser julgado em 2050. Não sei se isso vai acontecer”, completou, depois de proferir palestra remunerada no Fórum de Líderes do Setor Público, promovido pela Microsoft em Washington.

Embora Lula tenha levantado dúvidas sobre a legitimidade do documento, o relatório da PF concluiu ter realmente existido o esquema de desvio de dinheiro público para o pagamento de políticos intermediado por empresas do publicitário Marcos Valério. Desde 2005, quando o escândalo veio à tona, o então presidente Lula vinha negando sua existência.
Fonte: Tribuna da Bahia

Supremo mantém piso salarial nacional para professores

Valor atual é de R$ 1.187,97 para 40 horas semanais. Lei foi questionada por cinco estados, RS, SC, PR, MS e CE

06/04/2011 | 20:22 | G1/ Globo.com

O Supremo Tribunal Federal (STF) manteve nesta quarta-feira (6), por 8 votos a 1, a lei que criou o piso nacional de salário do professor, fixado em R$ 1.187,97 para este ano. A decisão considerou como piso a remuneração básica, sem acréscimos pagos de forma diversa pelos estados.

Promulgada em 17 de julho de 2008, a norma estabelece que nenhum professor da rede pública pode receber menos que o piso nacional para uma carga horária de até 40 horas semanais.

A lei do piso foi questionada na ação por governadores de cinco estados – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Mato Grosso do Sul e Ceará. Entre os argumentos da ação estão custos exagerados que podem ultrapassar o que é estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e fim da autonomia dos estados e municípios.

O valor do piso foi calculado em função do reajuste do valor do custo-aluno Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) deste ano.

O relator do caso ministro Joaquim Barbosa defendeu que o piso se refere ao salário básico, sem vantagens ou benefícios, afirmou que não observa risco a autonomia dos estados.

Fonte: Gazeta do Povo

Piloto de Dilma leva amiga em voo e afeta segurança

O episódio abriu uma crise no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança da presidente

07/04/2011 | 08:18 | Agência Estado

O comandante do avião da Presidência da República, coronel Geraldo Corrêa de Lyra Júnior, infiltrou uma amiga nos voos de ida e volta que levaram Dilma Rousseff para descansar em Natal (RN) no carnaval. O episódio abriu uma crise no Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança da presidente. O coronel botou no avião presidencial a professora de educação física Amanda Correa Patriarca, irmã de Angélica Patriarca, comissária da mesma aeronave.

Para a reportagem, Amanda disse que o coronel ajudou a colocá-la no avião de última hora porque ele é “amigo” de sua família. Ela afirmou que a presidente Dilma Rousseff não sabia de sua presença. Todos viajaram a Natal e ficaram na cidade a passeio entre 4 e 8 de março.

A presença de uma estranha alojada de improviso no avião presidencial, sem a ciência de Dilma, foi considerada internamente um risco às regras no aparato de segurança e uma ousadia ao rigor militar. Na quarta-feira (6), questionado pela reportagem, o GSI entrou numa operação com o Palácio do Planalto para evitar expor o episódio.

Na avaliação interna do Palácio do Planalto, a atitude do comandante do avião poderia colocar em xeque a autoridade de Dilma já que, teoricamente, somente ela teria a prerrogativa de convidar passageiros para seu voo.

A reportagem procurou na quarta-feira o GSI para se manifestar oficialmente sobre o episódio. A assessoria do órgão repassou o caso para a Presidência da República. A assessoria do Planalto, oficialmente, disse, numa breve nota, que somente autoridades dos Três Poderes têm autorização para solicitar ao Grupo de Transporte Especial (GTE), comandado pelo coronel Lyra Júnior, a presença de passageiros. Ou seja, ele não poderia ter colocado uma amiga no voo presidencial. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Gazeta do Povo

A reforma política para nada

Carlos Chagas

A imagem é velha, já utilizada por nós, mas merece ser repetida. Senadores e deputados integrantes das comissões especiais da reforma política mais parecem os Cavaleiros de Granada de que falava Cervantes: “Alta madrugada, brandindo lança e espada, saíram em louca disparada. Para que? Para nada”…

Decidiram os senadores recomendar o voto para deputado apenas nas legendas partidárias, proibindo que o eleitor escolha pessoalmente o seu candidato. Os caciques se encarregarão de elaborar as listas dos pretendentes e a ordem de apresentação de cada um. Também optaram, os senadores, pelo financiamento público das campanhas, quer dizer, o governo destinará aos partidos recursos públicos para seus candidatos percorrerem os estados fazendo comícios, gastando em propaganda e em despesas de seus escritórios eleitorais.

A comissão da Câmara ainda não se pronunciou mas a tendência no Senado parece a de prestigiar exclusivamente as cúpulas dos partidos. Porque serão elas a elaborar as listas, evidentemente colocando-se nos primeiros lugares e elegendo-se sem fazer força. Mais ainda, caberá às direções partidárias receber os recursos do governo e destiná-los a seus candidatos, na proporção que bem entenderem.

Salta aos olhos que essas duas propostas não serão aprovadas pelos chamados grotões, ou seja, as maiorias silenciosas de deputados e senadores que pouco aparecem na mídia mas constituem o poder decisório nas duas casas. As cúpulas fazem espuma na defesa de seus interesses, mas o rumo e o ritmo da corrente é dado pela massa alijada dos grandes debates. São eles que decidem, votando os projetos.

VOLTA AO PASSADO

De duas, uma: ou a Polícia Federal exorbitou, promovendo escutas telefônicas clandestinas, sem autorização judicial, ou o Superior Tribunal de Justiça anda regredindo aos tempos anteriores à invenção do telefone. Fica inexplicável a decisão dessa corte, esta semana, de não aceitar gravações como prova em processos destinados a apurar atos de corrupção. Quem se beneficia são os corruptos, caso anuladas as peças processuais baseadas na escuta mundialmente aceita em todos os tribunais, desde que, vale repetir, autorizada por um juiz.

DINHEIRO MOLE

Ontem em Washington, amanhã em Acapulco, terça-feira que vem em Londres. Três palestras a 200 mil dólares cada uma renderão ao ex-presidente Lula 600 mil dólares. Somando-se o que já ganhou e, especialmente, o que vai ganhar, a conclusão é de que vale à pena ser ex-presidente da República, em especial tendo sido torneiro-mecânico e líder de expressão mundial. Ótimo para ele, ruim para os antecessores. Fernando Henrique não recebe 20 mil por palestra. José Sarney, Itamar Franco e Fernando Collor, nem isso.

Continuando as coisas como vão nos próximos quatro anos, logo o Lula integrará a relação dos dez brasileiros mais ricos. Se estiver mesmo a fim de retornar ao poder, poderá criar uma Fundação com o seu nome, destinada a minorar as agruras dos menos favorecidos e combater a miséria e a pobreza. Será o primeiro caso de um governo paralelo aplaudido pelo governo de fato. Dilma Rousseff deve estar exultante.

DINHEIRO SUADO

Agora que está valendo o novo salário mínimo de 545 reais, já se dizem arrependidos muitos dos deputados e senadores que votaram a favor da proposta do governo. Menos porque as nomeações prometidas para o segundo escalão vem saindo a conta-gotas, quando saem, mais por uma espécie de dor de consciência. Afinal, de janeiro para cá, a cesta básica aumentou consideravelmente nas principais capitais, os transportes públicos elevaram-se acima da inflação e dos remédios nem se fala.

Fica impossível aplicar a Constituição, que determina dever o salário mínimo bastar para o trabalhador e sua família arcarem com despesas de alimentação, habitação, transporte, vestuário, educação, saúde e até lazer.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Com uma oposição débil e vacilante, o Brasil pode estar caminhando para um regime de partido único, no pior estilo mexicano. Mas tudo dependerá de Lula.

Carlos Newton

Nos últimos meses, jornais e revistas do Brasil e do exterior têm especulado sobre a realidade política do Brasil, que mediante o fenômeno Lula parece conduzir para uma situação de partido único, como aconteceu no México, de 1929 a 2000, no primado do PRI, o Partido Institucional Revolucionário.

Esta é a opinião do cientista político Bolívar Lamounier, ao advertir que o Brasil realmente está correndo o risco de se tornar um país de partido único, dominado por uma coalizão de governo único, tese partilhada por grande número de analistas, em função do enfraquecimento da oposição.

A revista norte-americana Newsweek, em artigo sobre as eleições no país, já assinalou que “o popular presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez tudo o que a lei permitia, e até um pouco mais (já que foi multado algumas vezes), para destacar sua protegida, a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT)”. E acrescentou: “O resultado é o surgimento de um fenômeno político, poucas vezes visto na política vulcânica da América Latina, de um governo praticamente hegemônico”.

È curioso constatar que essa caminhada para o partido único ocorre paradoxalmente quando o país enfrenta uma verdadeira inflação partidária, que parece interminável. A relação oficial do Tribunal Superior Eleitoral registra a existência de 27 legendas funcionando e recebendo generosos recursos públicos do Fundo Partidário.

Mas já aparecem outros 33 partidos em processo de organização a nível nacional, dos quais nove legendas já conseguiram registro em Tribunais Regionais Eleitorais, mas ainda estão pleiteando o registro nacional. Uma dessas siglas, curiosamente, é a velha UDN, União Democrática Nacional.

Outra legenda em formação tenta reviver o Partido Social Democrático (PSD), que até o mês passado era denominado Partido Democrático Brasileiro (PDB), liderado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, que pretendia usá-lo como trampolim jurídico e burlar a lei, desfiliando-se ao DEM, entrando no PDB, para depois, numa terceira etapa, fundi-lo ao PSB e aderir ao governo Dilma Rousseff. Mas a manobra ficou tão acintosa e ridícula, que agora parece que a criação do PSD será mesmo para valer, e ninguém mais sabe se vai apoiar o governo, ficar contra ou pousar em cima do muro.

E a nova UDN, o que será? Nada. Ambos (PSD e UDN) são pastiches, como o atual PTB, nada a ver com o antigo partido criado por Vargas. São meras tentativas de recriar o passado, mas como farsa, jamais como realidade.

No meio dessa abundância partidária e eleitoral, há também o Partido Militar Brasileiro e o Partido Novo (PN), que teve o estatuto publicado no “Diário Oficial da União” no dia 17 de fevereiro, e pode ser chamado também como Partido dos Empresários. Pelo visto, só falta o Partido dos Banqueiros, mas estes nem precisam de legenda, pois já mandam no Brasil e no mundo.

Por fim, existem também outras 15 organizações políticas consideradas partidos sem registro, que se aliam a outras legendas, como a influente UDR (União Democrática Ruralista), o esfuziante PBM (Partido Brasileiro da Maconha) e os ultrarrevolucionários PCML (Partido Comunista Marxista-Leninista) e a LBI (Liga Bolchevique Internacional).

Com tantas legendas, literalmente para “dar e vender”, a ameaça do partido único de fato existe no Brasil, sobretudo devido à flagrante fraqueza e timidez da oposição, que não tem líderes nem consistência. O senador tucano Aécio Neves e o democrata José Agripino até que têm se esforçado, mas não conseguem repercussão, embora não falte assunto, pois a corrupção e a negligência com os recursos públicos há tempos se tornaram rotina na vida política, englobando os três Poderes. Ontem, Aecio estreou na tribuna do Senado, criticando o PT, mas a repercussão junto ao eleitorado é mínima.

Como diz Caetano Veloso, são Podres Poderes. Ninguém sabe qual é o pior, se o Executivo, o Legislativo ou o Judiciário. Aliás, nunca antes neste país a podridão dominou tanto, nos três Poderes e nos três níveis administrativos: municipal, estadual e federal.

No caso do governo federal, temos um partido de trabalhadores que realmente está sustentado por uma base integrada pelo que há de pior na política: José Sarney, Romero Jucá, Eduardo Cunha, João Paulo Cunha, Edson Lobão, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, Waldemar Costa Neto, Ivo Cassol, Gim Argello, Newton Cardoso, Paulo Maluf , Zequinha Sarney, Jader Barbalho (que já vem aí) e companhia ilimitada, digamos assim, porque não se trata de uma sociedade anônima de corruptos, mas de uma formação de quadrilha totalmente declarada.

E aparecem sempre novos valores, como o governador Agnelo Queiroz (PT), envolvido em denúncias de Caixa 2 de campanha, e os ministros Carlos Lupi (PDT) e Orlando Silva (PCdoB), que usam verbas públicas para beneficiar correligionários. E já íamos esquecendo do octogenário ministro Pedro Novais (PMDB), aquele que pagou a festa no motel com recursos da Câmara.

Mas a oposição não aproveita essa realidade que salta à vista de qualquer observador. Nota-se claramente que o fenômeno Lula esmagou a oposição. É um sinal dos tempos. Se acontecessem tantas trapalhadas em qualquer outro governo, seria facilmente derrubado. Imagine-se, por exemplo, Juscelino Kubitschek criando um mensalão ou mandando injetar recursos públicos num banco falido como o PanAmericano, de Silvio Santos? Não se seguraria uma semana.

Mas a consolidação de um regime de partido único, que seria um desastre sem precedentes para este país, depende Lula. Se ele for o candidato do PT em 2014, é uma realidade. Se for a presidente Dilma, é outra realidade. Se os dois ainda estiverem unidos, é uma realidade. Se até lá os dois tiverem rompido e Dilma enfrentar Lula nas urnas, filiada a outro partido, é outra realidade. Traduzindo: tudo depende de Lula. Para a oposição, ele ainda é uma esfinge, dizendo: “Decifra-me ou te devoro”.

Fonte: Tribuna da Imprensa

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Aécio critica Dilma e bate boca com bancada petista

Folha de S.Paulo

Potencial candidato do PSDB à Presidência, o senador Aécio Neves (MG) provocou ontem a reação da base governista ao afirmar que, em seus primeiros meses, a administração Dilma Rousseff repete "falhas e equívocos" do governo Lula. "Não há ruptura entre o velho e o novo."

O ex-governador de Minas fomentou a ira petista ao apontar a "manutenção dos fundamentos da política econômica implantada pelos governos anteriores como maior mérito da administração petista."

Em resposta, petistas, acusaram o PSDB de renegar o legado de Fernando Henrique Cardoso. O ex-governador José Serra fez careta quando Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que, nas campanhas, ele se afastou do governo FHC.

Disputando com Aécio o comando do PSDB, Serra surpreendeu o senador ao chegar a Brasília. A presença dele foi tida como tentativa de impedir que Aécio monopolizasse a cena. "Foi uma agradável surpresa", disse Aécio.

Fonte: Agora

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