sábado, março 19, 2011

Geddel nega indicação a cargo na Caixa

Lílian Machado

As especulações em torno de uma indicação a cargo federal, no segundo escalão do governo Dilma Rousseff (PT) continuam a rondar o seio político do PMDB estadual. Ontem, o nome do ex-ministro Geddel Vieira Lima, liderança do partido na Bahia voltou a ser dado como certo pela imprensa nacional para ocupar uma das vice-presidências da Caixa Econômica Federal.

No entanto, a possível confirmação de seu nome a frente da instituição foi veementemente negada pelo peemedebista, que deixou o cargo de ministro da Integração Nacional, do então governo Lula, ano passado para disputar o comando do governo baiano.

Em conversa com a Tribuna, Geddel, que aniversariou ontem disse estar muito “feliz” na iniciativa privada e alfinetou o novo partido, que segundo está sendo criado apenas para burlar a legislação.

Ao seu estilo “arrojado”, Geddel classificou a suposta indicação pela base do PMDB nacional como “uma especulação natural”. “Já saiu tanta coisa que nem ligo mais. Mas quero dizer que não fui convidado, nem estou postulando nada. Eu não escondo o jogo. Minha participação na política hoje tem sido através das viagens pelo interior e nas entrevistas que concedo a imprensa”, afirmou.

Entretanto, não descartou que a sigla esteja a costurar sua indicação em plano federal. “Sou um quadro do partido. O PMDB pode estar trabalhando. Quem tiver alguma coisa e quiser me chamar eu vou ver se aceito ou não”, frisou.

No entanto segundo Geddel, não está em seus planos sair da Bahia para outro estado que não seja Brasília, lugar que conhece bastante, devido a sua passagem na Câmara dos Deputados e Ministério.

“Lá acredito que eu possa ter mais visibilidade. O que é que eu vou fazer na Chesf do Rio de Janeiro”, questionou de forma hipotética, sinalizando ainda seu desejo de continuar seu trabalho pela Bahia.

Questionado sobre a criação do Partido Democrático Brasileiro (PDB), que deve ser comandado na Bahia pelo vice-governador Otto Alencar (PP), Geddel disse que não sente “credibilidade”.

“Essa é a crônica de um crime anunciado. Todo mundo sabe que esse partido só está sendo criado para burlar a lei.”, criticou para depois acrescentar “que na Bahia tem gente que troca mais de partido do que de cueca”.

O ex-ministro negou qualquer temor diante de uma possível debandada de prefeitos e deputados do PMDB para a nova sigla.
“Fica no PMDB quem quiser continuar militando pelo PMDB. Não quero ninguém no PMDB insatisfeito, nem por obrigação oportunista”, mandou recado.
Fonte: Tribuna da Bahia

Kassab sai do DEM e costura apoio em Salvador

Fernanda Chagas

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, comunicou de forma oficial sua desfiliação ao DEM e a criação de um novo partido, o polêmico PDB. O martelo foi batido ontem, após almoço com o vice-governador de São Paulo, Guilherme Afif Domingos, que, para a infelicidade dos dirigentes democratas, também decidiu seguir Kassab. O fato é que o anúncio do novo partido já tem data e hora marcadas: na próxima segunda-feira, na Assembleia Legislativa de São Paulo, às 12h.

Enquanto isso, o prefeito de São Paulo não perde tempo e busca aglutinar o máximo de apoio em torno do projeto, que vem com a promessa de agregar grandes lideranças. Este domingo, por exemplo, ele desembarca em solos soteropolitanos para participar de evento coordenado pelo vice-governador Otto Alencar – nome forte para presidir a legenda no estado – , às 9h, no Hotel Fiesta, que promete movimentar a política baiana. A verdade é que partidos de oposição, como o DEM, PMDB, PSDB e PR, embora tentem minimizar a preocupação, temem grande debandada no estado.

Conforme a Tribuna já havia antecipado, pelo menos seis deputados estaduais e outros quatro federais de variadas siglas já confirmaram a ida para o PDB. Na lista estão incluídos ainda prefeitos, ex-prefeitos e até mesmo vereadores. Entre os tidos como futuros dissidentes, é possível citar os democratas Gildásio Penedo, Rogério Andrade, Paulo Magalhães, José Nunes e Fernando Torres, que, inclusive, estaria sendo cotado para assumir o diretório do PDB em Feira de Santana, e deve levar a reboque o prefeito da cidade, Tarcízio Pimenta.

E não para por aí. No rol estariam ainda os deputados Adolfo Menezes (PRP) e Ângelo Coronel (PP), assim como José Carlos Araújo (PDT)e Edson Pimenta (PCdoB). Conversas dão conta ainda que três peemedebistas (Ivana Braga, Temóteo Brito e Alan Sanches) estariam inclinados a mudar de morada. A vereadora de Salvador, Andréa Mendonça (DEM), também foi convidada e deve mudar de partido também, já que estaria insatisfeita no DEM.

Com isso, de acordo com Otto, a expectativa não poderia ser outra em torno do evento. “Estamos sendo bastante procurados e posso assegurar que já existem as 110 assinaturas para dar entrada no registro da legenda, no fim do mês”, destacou, referindo-se ao número mínimo de integrantes exigido legalmente nos estados.

“O evento é a largada para a concretização de um grande projeto. Até o fim do mês, devemos dar entrada para criação da legenda”, reforçou, complementando que o mesmo manifesto ocorrerá em outras capitais como Manaus (dia 19), São Paulo (21) e (29) Brasília.
Otto reiterou ainda que existem mais de 300 prefeitos e ex-prefeitos interessados em mudar de partido.

PDB pode mudar de nome

Antes mesmo de ser criado, o novo partido do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, já sofrerá mudanças. A legenda, que seria chamada PDB (Partido Democrático Brasileiro), deve ser registrada como PSD (Partido Social Democrático).

O partido está em processo de criação por Kassab, dissidente do DEM. A confirmação veio do deputado federal Guilherme Campos (SP), aliado do prefeito paulistano, que acompanhará Kassab na nova legenda.

“Todo mundo já sabe a minha posição. Embora o aliado dê como certo que o nome escolhido será PSD, Kassab ainda não procurou seus advogados para informar a decisão.

O estatuto do novo partido já está pronto há mais de uma semana e segue com o nome da nova legenda em branco. A expectativa é de que a reunião de criação do novo partido ocorra até o fim do mês

Fonte: Tribuna da Bahia

Alucinados do PT 2011 repetem Brizola e a esquerda de Jango em 64

Pedro do Coutto

Reportagem – aliás excelente – de Gerson Camaroti e Dandara Tinoco, O Globo, edição de 17, focaliza movimento de (por sorte) um pequeno grupo de alucinados do PT tentando mobilizar setores partidários e populares contra a visita do presidente Barack Obama ao Brasil. Absurdo completo.

Os radicais de 2011 repetem o radicalismo de Leonel Brizola e da esquerda do antigo PTB em 64, que culminou com a total desestabilização do presidente João Goulart e sua queda pelo movimento militar de 64. Há 47, Brizola não compreendeu a dificuldade de Jango em controlar as correntes que aparentemente o apoiavam, mas na realidade empenhavam-se inconsequentemente pela superação de sua liderança.

Hoje, os alucinados petistas não conseguem entender que se encontram no governo e que todo sistema de poder possui suas contradições. Isso de modo geral. No caso de Barack Obama, em particular, não existe contradições alguma. Uma rematada loucura pensar o
contrário. Os dois repórteres de O Globo apresentaram os fatos, como compete ao jornalismo, e ouviram as partes.

O ministro Luiz Sergio, das Relações Institucionais, considerou um absurdo, para não dizer estupidez. Mas o coordenador do movimento contra Obama, Indalécio Vanderlei Silva, retorna ao passado e acentua a participação da Casa Branca no movimento que conduziu à ditadura militar. E faz a comparação impossível: Lindon Johnson e Barack Obama, os EUA de ontem, os Estados Unidos de hoje.

São completamente diferentes. A política externa de Washington em 64 era intervencionista e conservadora ao extremo. Basta citar o exemplo do Vietnam. Com Obama, não é intervencionista, tampouco conservadora. É reformista na medida do possível em volta dos interesses americanos estatais e privados. Obama deseja negociar.

A proposta relativa ao Pré-Sal é uma síntese de uma ótica moderna e de sua disposição conciliatória. Além disso, é fortemente voltada em favor dos regimes democráticos e não da hipótese de sua ruptura. Por isso, exatamente por isso, vem ao Brasil e vai ao Chile. Condenação aos crimes das ditaduras brasileiras e chilena. A frase parece equivocada em matéria de concordância. Não é.

De 64 a 85, em nosso país, o ciclo militar desenvolveu-se através de várias sucessões de generais. No Chile, a partir da morte de Salvador Allende, apenas um general – Pinochet – ocupou o poder. Este aspecto é essencial. Outro: Pinochet terminou condenado pela Justiça Internacional. Na Argentina, que Obama não incluiu em seu roteiro, o general presidente Rafael Videla foi condenado à prisão perpétua. Mas estas são outras questões.

O absurdo das posições radicais situa-se na contradição máxima de a falange encontrar-se no poder e agir como se fosse oposição. Impossível. Em 1964, depois de garantir a posse de Goulart em 61, Brizola não percebeu a fragilização de Jango, seu cunhado, atacado duramente por Carlos Lacerda, um demolidor dramático que não deixou herdeiros, e por ele próprio.

João Goulart não resistiu ao fogo cruzado. Desabou. Além disso, existia uma oposição fortemente organizada no país formada pelos famosos bacharéis da UDN, todos conservadores, por certo, mas de nível intelectual alto. Hoje na política brasileira só existem conservadores. Nem oposição ao governo existe mais. Lula, ao longo de seu mandato, a destroçou através da política salarial e da expansão do crédito. Os oposicionistas não conseguem reorganizar-se.

O fato de Obama vir ao Brasil encontrar-se com Dilma Rousseff e não ter vindo avistar-se com Lula decorre da mudança da política externa brasileira. Como poderia Barack Obama chegar aqui e falar com Lula sobre o Irã e a Venezuela? Como poderia aterrisar se Lula afirmou-se satisfeito com os problemas que envolviam a economia americana? Não há dois governos iguais entre si. O quadro mudou.

Fonte: Tribuna da Imprensa

No Brasil, os novos ricos são banqueiros. Não é surpresa. Com as taxas de juros mais elevadas do planeta, não se podia esperar outra coisa.

Tadeu Cordoba Borges

O domingo, 13 de março de 2011, pode ter sido pródigo para quem se dedica à pesquisa e reflexão sobre a economia brasileira. Dois luminares do colunismo, Carlos Chagas e Elio Gaspary, convergiram, abordando um mesmo assunto: a divulgação pela revista Forbes dos maiores bilionários do mundo, e, para surpresa dos jornalistas, entre os brasileiros há forte predominância de banqueiros.

Elio Gaspary comentou a lista completa e constatou a presença de 30 brasileiros com mais de US$ 1 bilhão, com treze no setor de extração e transformação e 15 do setor terciário de serviço bancário. Já Carlos Chagas deteve-se nos 100 primeiros, e na relação encontrou doze brasileiros, aí com uma brutal diferença: enquanto um atua no setor produtivo, onze atuam no mercado financeiro.

Conforme foi muito bem apontado por Carlos Chagas, “Deve ser preso como doido quem disser que é natural e justo, que faz parte das leis da economia, pertencendo o mundo aos vencedores das competições ou aos bafejados pelo berço”. Mas tudo isso aconteceu porque sementes foram plantadas, por semeadores escusos, já há mais de 60 anos. A fecundação das sementes ocorreu com o golpe militar de 1964.

Segundo aula do telecurso do segundo grau da Fundação Roberto Marinho, “a revolução foi patrocinada pelos latifundiários, porque havia uma ameaça de reforma agrária; pelos grandes empresários, porque havia uma ameaça de controle de preços; e pelos políticos conservadores, pelos militares, pela Igreja e pelo governo dos Estados Unidos, que inclusive enviou porta-aviões para a costa brasileira”.

O Brasil é o quinto maior do mundo em área quanto em população, sem falar na qualidade de ambos. Constitui natural ameaça à hegemonia econômica vigente. Seria interessante a eles a inversão da fórmula do sucesso: a prevalência do trabalho ante o capital. Foi o que ocorreu com toda sacanagem, sutileza e inteligência, pois houve toda uma estratégica, quase imperceptível e sorrateira, em favor do capital.

Após março de 64, grandes transformações se operaram no país: entre outras medidas, a criação do Banco Central do Brasil, pela lei 4.595, sancionada em 31 de dezembro de 1964, e a entrada no ar do TV Globo, em 25 de abril de 1965.

Tudo o que é decente dentro de um banco central, a SUMOC- Superintendência da Moeda e do Crédito, carteira do Banco do Brasil poderia perfeitamente fazer. Mas havia um senão: estava reservado à nova instituição um papel impatriótico que não cabia na honrosa história sesquicentenária do BB. Por isso a fundação de um organismo novo, que fosse aos poucos moldado para exercer a tirania do capital selvagem, a longo prazo.

Quanto à TV Globo, as pessoas mais bem informadas sabem que o grupo Time/Life perdeu algum tempo tentando negociar a implantação do projeto global sobre a maior televisão existente no país, a Tupi, proposta rechaçada por Assis Chateaubriand. Desconheço se houve tentativas junto a outras TVs existentes, mas na TV Globo o intento acabou desaguando na aquisição de outras emissoras, repleta de fraudes, inclusive por parte do poder público, conforme insistentes denúncias veiculadas pela Tribuna da Imprtensa sobre o caso da usurpação da Rádio e TV Paulista.

No período pós 64, verificamos duas fases distintas. Na primeira tivemos restrições públicas, com eleições indiretas, censura à imprensa, atos institucionais, enquanto no campo econômico tivemos liberdade inclusive para comemorar o “milagre brasileiro”. Na segunda fase houve a completa inversão dos valores: entrou a abertura política, com o fim da censura, eleições diretas para os governos estaduais, se contrapondo ao mergulho na década perdida. Mas no campo econômico procedeu-se à deformação do sistema financeiro com a criação do “open-market” e do “overnight”. Em decorrência destes mecanismos o sistema financeiro deixou de financiar atividades produtivas e, dizem alguns incautos, passou a financiar o Estado ou a dívida pública.

Na verdade criou-se um monstrengo, pois o Banco Central passou a remunerar a ociosidade do capital. Todo valor que “pernoitava” em conta de depósito à vista ensejava que fosse remunerado pelo Tesouro. Em favor dos banqueiros, criou-se uma sinistra forma de pedágio, em que um depositante qualquer confiava seus valores a uma instituição financeira, que aplicava no “overnight”, conta disso lesando o dono da conta corrente e também o Tesouro Nacional. E até mesmo a taxa de remuneração era fixada pelo BC.

Por estas razões, criou-se no Brasil uma figura exótica no mercado financeiro: o leilão de folha de pagamentos de entidades do setor público. A instituição financeira pagava vultosa importância para a folha estatal ser depositada em seu caixa, para depois sangrar o Tesouro no “overnight”, quando os valores pernoitavam nas contas. Institui-se assim um duto ligando o Tesouro ao bolso do banqueiro.

***

POR QUE OS JUROS SÃO ALTOS NO BRASIL?

Na verdade, qual é a verdadeira razão dos juros altos no Brasil? Desde que foi criado o mecanismo de “open-market” e “over-night” passamos, quase sempre, a liderar o ranking dos juros mais altos do mundo.

O mundo desenvolvido raríssimas vezes experimentou a prática de juros de dois dígitos. Aqui no Brasil o céu é o limite. Já chegamos ao absurdo da taxa de juros anualizada alcançar 6 dígitos. Isto aconteceu em fevereiro de 1990, véspera da posse de Collor de Melo. Naquele mês os juros variaram de 141.597,24% (01.02) a 790.799,15% (19.02), conforme site do Banco Central do Brasil.

Hoje no Brasil dizem que o aumento dos juros aplaca a inflação, e falam com uma convicção tão grande que impressionam. Vale então recomendar uma reflexão sobre a decorrência dos elevados juros de fevereiro/90: em março seguinte, com preços livres apenas na primeira quinzena, porque o Plano Collor promoveu congelamento de preços a partir de 15.03, tivemos a mais alta inflação de nossa história: mais de 84% (OITENTA E QUATRO POR CENTO). Em outras palavras, após a prática das mais altas de juros, convivemos com a maior taxa de inflação.

A revista inglesa The Economist, periodicamente (a primeira vez foi há mais de 20 anos), afirma que o Brasil é um país bêbado, não doente. Com razão, aliás. Certa feita Pedro Malan fazia uma preleção onde falava da dificuldade em ser ministro da Fazenda no Brasil. Presente no evento, o diplomata Rubem Barbosa não se conteve e interrompeu o ministro, afirmando: “Dificuldade passei eu, quando embaixador em Londres, tentando explicar atitudes que vocês tomam no Brasil, na contramão do resto do mundo”.

Luiz Carlos Mendonça de Barros registrou em artigo, que o ex-ministro Sergio Motta era absolutamente contrário à privatização das telecomunicações. Foi convencido ao ver a comparação dos números dos telefones do Brasil com outros países e ser informado que o país não tinha dinheiro para investir no setor. Deviam ter dito também que o país só tem dinheiro para pagar, desnecessariamente, os mais altos juros do mundo.

Ainda a respeito do sistema financeiro, é oportuno registrar episódio do depoimento do banqueiro Ronaldo Ganon, na CPI dos Precatórios. Ele foi único que abriu a boca e contou tudo o que sabia. A certa altura do depoimento, ele percebeu que os congressistas estavam atônitos e procurou tranquilizá-los, afirmando mais ou menos o seguinte: “Isto que lhes falei a respeito dos precatórios é apenas 10% do que ocorre no sistema financeiro”.

Quanto à imprensa, um pequeno registro é capaz de mostrar o “patriotismo” do segmento. Em 18 de janeiro de 2008, ocorreu o segundo capítulo da novela do subprime. Uma sexta-feira, véspera do feriadão de Martin Luther King, no momento em que os mercados do mundo já haviam fechado, o Governo Bush anunciou uma devolução de impostos da ordem de US$ 150 bilhões, abrangendo todos os contribuintes do país. Na falta de mais notícias em virtude do feriadão, os jornalões brasileiros procuraram se antecipar e proclamaram que, segundo analistas consultados (mas não nominados), os juros brasileiros não poderiam mais cair ao longo daquele ano, em virtude da crise norte-americana.

Na terça-feira, quando reabriu o mercado, o FED (Banco Central norte-americano) realizou reunião extraordinária e decidiu promover a maior baixa dos juros dos últimos 14 anos. Creio que está explicado porque no Brasil os banqueiros galgam a lista da Forbes, enquanto os demais cidadãos pagam a conta.

Ao encerrar, pergunto aos leitores da Tribuna: “Vocês já imaginaram o que pode acontecer com o Brasil se o governo deixar de gastar mais de 200 bilhões de reais em juros, se as taxas de juros baixarem para os mesmos níveis dos países desenvolvidos e se o governo privilegiar o trabalho perante o capital?”

Fonte: Tribuna da Imprensa

A volta do subdesenvolvimento

Carlos Chagas

Não é o partido inteiro, com certeza, mas grupos do PT dão mostras de querer os bônus mas não os ônus de ser governo. Andaram preparando, no Rio, manifestação de protesto diante da visita de Barack Obama ao Brasil, hoje e amanhã. Ainda bem que a presidente Dilma Rousseff e alguns companheiros do ministério desautorizaram e até tomaram providências para calar esses novos aloprados. Seria bom mandar investigar quantos deles ocupam cargos de DAS e sucedâneos na administração federal.

Barack Obama e o protecionismo ainda praticado pelos americanos não tem nada a ver com essa postura subdesenvolvida de parte do PT. A questão é de lógica: se o governo chefiado pelo partido recebe o presidente dos Estados Unidos com toda pompa e circunstância, se busca o apoio de Washington para incrementar trocas comerciais e prestígio internacional, como permitir que o visitante seja maltratado por liderados da presidente da República?�

Durante o governo Dutra veio ao Brasil o secretário de Estado Dean Acheson. A capital era no Rio e ao passar pela avenida Beira-Mar, defronte à sede da União Nacional dos Estudantes, o americano incomodou-se com uma faixa erguida pelos jovens, com os dizeres “Fora o Cão Acheson”. Mais tarde, Juscelino era o presidente, Eisenhower nos visitava e um pano preto cobria toda a fachada do prédio. Quando Richard Nixon, vice-presidente, chegou, a embaixada dos Estados Unidos foi apedrejada, também no Rio.

Vivíamos período de prevalência da política estudantil, não repetido com outros ilustres convidados, ainda que o general Ernesto Geisel tivesse manifestado sua idiossincrasia diante de Jimmy Carter ao proibir que os postes da Esplanada dos Ministérios ostentassem bandeiras americanas, como acontecia até com o ditador do Paraguai.

Será que voltamos aos tempos do complexo de inferioridade latina, caso um monte de desocupados levantem faixas de repúdio durante algum trajeto de Barack Obama pela antiga capital ou mesmo por Brasília? E ainda mais pelas mãos de petistas, ávidos de ter suas fotografias distribuídas pela mídia do mundo inteiro?

Se é para protestar contra a política ainda incômoda e dominadora dos Estados Unidos, e é, o foro mudou das ruas para os gabinetes do palácio do Planalto ou do Itamaraty. Com todo o respeito e até com sorrisos, ainda que com firmeza.

PRAÇA DE GUERRA�

Continuam Brasília e, especialmente, o Rio, transformados em praças de guerra. São mais de 200 agentes de segurança americanos espalhados pelas duas cidades, oriundos do Serviço Secreto, do FBI e da CIA. Todos fortemente armados, até com atiradores de elite ainda ontem empenhados em ocupar o alto de prédios da Cinelândia, onde Barack Obama deverá discursar amanhã, não propriamente para a multidão, impedida de circular, mas para convidados especiais. Prevenir sempre foi melhor do que remediar, mas, convenhamos, atentados a presidentes da República não fazem parte de nossa tradição, ao contrário da deles.

UMA ÚNICA REFORMA

Agosto ainda demora, mas os ex-alunos das Arcadas preparam-se para, no dia 11 daquele mês, marcarem a data com singular tomada de posição política. Vão oferecer ao país a sua contribuição para a reforma política, mas longe de um elenco de sugestões de mudanças nas instituições, apresentarão uma só: os poderes da União devem voltar a ser independentes, além de harmônicos.

Advogados de renome, ex-ministros de tribunais superiores, professores eméritos, parlamentares, juristas e constitucionalistas já começam a reunir-se para elaborar a proposta. Para eles, a grande reforma na legislação precisa começar pela separação de poderes.

Por exemplo: deputados e senadores, para se tornarem ministros do Executivo, precisariam renunciar aos mandatos. Da mesma forma, ao Executivo e ao Judiciário deveria ser proibido legislar. O Legislativo, de seu turno, estaria impedido de julgar. Pode ser um bom começo…

NÃO GOSTOU E CANCELOU

Busca-se a verdadeira razão de haver o ex-presidente Lula dado o dito pelo não dito e cancelado o encontro que teria, quinta-feira, com prefeitos do PT de todo o estado de São Paulo. A iniciativa da reunião parece haver sido dele, como forma de começar a preparar o partido para as eleições municipais do ano que vem, mas o cancelamento terá tido razões maiores do que o vazamento da iniciativa para a imprensa.

Há quem suponha alguns companheiros podendo aproveitar-se da oportunidade para sugerir a candidatura do Lula à prefeitura de São Paulo, hipótese que ele abomina e da qual nem quer ouvir falar. Certeza, mesmo, só se tem de que Brasília não interferiu um milímetro sequer na decisão de se deixar o encontro para as calendas.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Afinal, qual será o principal assunto das conversas entre Dilma Rousseff e Barack Obama?

Carlos Newton

Não há dúvida sobre a importância da visita de Barack Obama. O líder da nossa Matrix não costuma ficar viajando gratuitamente por aí. Mas o Brasil é um gigante emergente. Quinto maios país em extensão territorial e em população, em breve o sétimo em poder econômico, nada mal.

Mas qual será mesmo o tema principal dos encontros com a presidente Dilma Rousseff? Há quem aposte na crise dos povos árabes, na tragédia nuclear do Japão ou no sonho de o Brasil se tornar membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (onde já está como membro provisório e até se absteve de votar no caso da Líbia do companheiro Kadafi, como era chamado por Lula).

Nada disso. Os americanos não partilham suas políticas estratégicas com ninguém, e na atualidade o assunto mais importante para eles é justamente a crise dos povos árabes, quer dizer, a garantia de fornecimento de petróleo. Nesse particular, até o governo de Hugo Chávez é aceito como parceiro, porque, para os americanos, negócios são negócios, e ponto final. Por fim, o Conselho da ONU não tem a menor importância – o que importa é o poder de veto, e estamos conversados

Só existem dois assuntos importantes a serem conversados. A garantia do futuro fornecimento do petróleo do Pré-Sal aos Estados Unidos e a questão do etanol. Décadas depois da criação do Proálcool no Brasil (governo Geisel), os americanos enfim descobriram a importância do combustível renovável, produzem carros com motores flex e precisam desesperada e estrategicamente de etanol.

Ao contrário do que se pensa, o Brasil não é mais o maior produtor mundial de etanol. Há vários anos já foi ultrapassado pelos Estados Unidos. Com uma política protecionista e que subsidia e incentiva seus produtores, nossa Matrix colocou no mercado, proveniente de suas lavouras, 58 bilhões de litros, enquanto a Filial Brasil ficou nos 38 bilhões de litros.

Mas há uma grande diferença. Nos EUA, o etanol é basicamente extraído do milho com uma produtividade por hectare de quatro a cinco vezes menor do que a alcançada com a cana nas lavouras de São Paulo, as mais produtivas do mundo. Além do álcool custar mais caro, diminui a oferta de milho nos Estados Unidos, o preço do cereal sobe, aumentam também os preços da rações e outros derivados, o tiro sai pela culatra.

O Brasil não pode exportar etanol diretamente para lá, devido à sobretaxa alfandegária que protege os produtores da Matrix, criada pelo Parlamento americano no governo Ronald Reagan. Então, para vender etanol aos EUA, os usineiros aqui da Filial têm de enviar o produto para o Caribe, onde o navio faz escala, recebe uma nota fiscal de alguma empresa local, e depois segue para os States. Simples assim. Todo mundo sabe da mutreta, mas ninguém faz nada, interessa a todas as partes.

Agora, a Matrix não tem condições de elevar a produção, embora até já tenha experimentado plantar cana-de-açúcar ao invés de milho ou sorgo. Na Califórnia, há extensas plantações de cana, mas a necessidade deles é muito maior. A verdadeira salvação da lavoura americana será o etanol tupiniquim, porque o Brasil é o único país com possibilidades de elevar rapidamente a produção, beneficiado pelas condições climáticas e pela avançada tecnologia. Não é por mera coincidência que grandes grupos internacionais estejam comprando as maiores usinas brasileiras. Mas para acertar as coisas, primeiro Barack Obama terá de derrubar a sobretaxa no Congresso, que atinge, única e exclusivamente, a produção brasileira.

Parodiando Chico Buarque e Ruy Guerra: “Ah, essa terra ainda vai cumprir seu ideal, vai se tornar um imenso canavial”. Mas será preciso fazer vultosos investimentos com instalação de muitos tanques de estocagem e com uma adequada logística de transporte até os portos. O grande beneficiado poderia ser o Nordeste, se a tal transposição das águas do Rio São Francisco fosse mesmo para valer. Porém…

De resto, o que mais de importante pode ser conversado entre os presidentes Barack Obama e Dilma Rousseff? Para não dizer que não falei de flores, tratarão da venda de caças à FAB? Ora, o governante da nossa Matrix não costuma cuidar de pequenos negócios.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Fotos do dia

A ex-BBB Jaqueline Faria é a estrela do site Paparazzo desta semana Cachorros abandonados na praça Fortunato da Silveira, na zona leste Cães andam em praça no bairro de São Miguel Paulista
Manifestantes protestam contra a visita de Obama no Rio Líbios fazem orações perto de tanque abandonado na cidade de Benghazi Canteiro da rua Domingos de Morais é quebrado para obras das novas faixas

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Fuja do reajuste do remédio

Victor Amaro
do Agora

O preço dos remédios deve aumentar até 6,01% no próximo dia 31. Para fugir do reajuste, o consumidor tem pouco tempo para fazer sua cestinha de remédios de uso contínuo. A reportagem do Agora pesquisou os preços de dez medicamentos genéricos em quatro redes de farmácias da capital e nos sites. Confira acima o menor preço encontrado para os genéricos.

Entretanto, é necessário ficar atento às datas de validade de cada medicamento para não exagerar na compra e ficar com produtos vencidos em casa. Outra dica é pesquisar os preços e conhecer as políticas de descontos oferecidas em cada rede. A Droga Raia e a Onofre, por exemplo, oferecem cartões de fidelidade que dão descontos de até 90%. A Drogaria São Paulo e a Ultrafarma afirmam que os descontos já estão embutidos nos preços das lojas.

A autorização do reajuste das indústrias de remédios não significa que os preços subirão imediatamente ou que as farmácias vão aplicar os aumentos máximos permitidos. Com a concorrência, cada drogaria tem autonomia para repassar o aumento ao cliente, desde que respeite o reajuste máximo autorizado.

  • Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste sábado

Revisão dá atrasado a partir de 2006

Ana Magalhães
do Agora

Os segurados que recebiam um auxílio-doença entre 2006 e 2009 podem garantir, nos postos do INSS, os atrasados da nova revisão que está sendo paga nas agências. Os atrasados são as diferenças que não foram pagas nos cinco anos anteriores ao pedido de revisões de benefício.

A revisão que está sendo paga vale para quem teve benefícios por incapacidade concedidos entre 2001 e 2009. A correção está sendo feita porque, na hora de calcular o benefício dos segurados que tinham menos de 144 contribuições (12 anos), o órgão não descartou os 20% menores pagamentos.

A revisão garante um aumento médio de 8% e atrasados somente a partir de 2006 para pedidos feitos neste ano.

  • Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora neste sábado,

sexta-feira, março 18, 2011

Juiz determina que rádio não fale sobre ação contra prefeito na BA

Comentário do Blog:

Será que foi esta semente ao lado, implantada em Jeremoabo, que só agora está germinando no fértil terreno das cidades atrasadas do interior da Bahia? (Nome da perigosa semente: Censura a Liberdade de Expressão)














Juiz determina que rádio não fale sobre ação contra prefeito na BA


MATHEUS MAGENTA
DE SALVADOR

Um juiz eleitoral proibiu uma rádio da Bahia de divulgar informações sobre uma ação de impugnação de mandato contra o prefeito de Jaguari (a 393 km de Salvador).

A determinação do juiz Adrianno Espíndola Sandes é a de que os radialistas e locutores da Liderança FM "se abstenham de veicular, transmitir, divulgar e comentar andamento ou informações" sobre o caso, que envolve o prefeito Antônio Ferreira do Nascimento (PT).

Ainda segundo a decisão, tomada nesta terça-feira (15), a rádio pode responder pelo crime de desobediência, caso não cumpra a determinação. O crime tem como pena prevista detenção, de 15 dias a seis meses, e multa.

Segundo o radialista Everton Rocha, a rádio foi notificada depois que ele divulgou na semana passada que as partes envolvidas no processo foram intimadas pelo juiz.

Para Rocha, a rádio sofreu censura. "Eu me sinto amordaçado. A imprensa tem uma dificuldade muito grande de trabalhar no interior porque a política é muito forte e influente."

O radialista disse ter se reunido com o juiz para questionar a determinação e ouviu, como justificativa, o fato de que o processo tramita em segredo de Justiça.

A reportagem tentou entrar em contato com o magistrado e o prefeito, mas não obteve sucesso. A cidade possui 30 mil habitantes.

Fonte: Folha.com

Ministro do STF mantém suplente da coligação

Ao contrário das decisões mais recentes, Lewandowski mantém deputada do PT que entrou em vaga de eleito do PMDB. Ou seja: nem o Supremo se entende sobre a questão, que afeta a formação não só do Congresso mas também das Assembléias e Câmaras de vereadores

Mário Coelho

Na corrente contrária das decisões recentes, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, manteve nesta quinta-feira (17) a suplente de coligação Marina Santanna (PT-GO) no cargo de deputado federal. A decisão ocorreu após Lewandowski negar liminar a Wagner da Silva Guimarães (PMDB), que queria ser empossado como primeiro suplente do partido no lugar de Thiago Peixoto (PMDB-GO), licenciado desde 2 de março para assumir a Secretaria de Educação de Goiás.

Este é o sexto caso analisado pela corte com relação à posse de suplentes na Câmara. Até o momento, foram apresentados 14 mandados de segurança dentro do tema. No entanto, é o primeiro a manter o entendimento anterior, de que quem deve assumir é o melhor colocado dentro da coligação. Em dezembro do ano passado, o STF decidiu, por cinco votos a três, que os efeitos das alianças terminam após as eleições. Assim, para a corrente majoritária, o mandato pertence ao partido.

Quase metade dos suplentes tem mandato ameaçado

Eles foram eleitos, mas não serão deputados

Lewandowski manteve sua posição. No julgamento de dezembro, em que o PMDB pediu a suplência para a vaga deixada pela renúncia de Natan Donadon (PMDB-RO), ele foi um dos que afirmaram a necessidade de não mudar o atual sistema. Na visão do ministro, que também preside o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), qualquer alteração no sistema proporcional eleitoral brasileiro implica uma reforma política. Ele acrescentou que a competência para isso não é do Judiciário, e sim do Congresso.

Além disso, ele aponta que a resolução da fidelidade partidária, editada em 2007 pelo TSE e confirmada no ano seguinte pelo STF, não pode servir como base para a convocação de suplentes. Este foi o argumento usado pelo relator do primeiro caso, ministro Gilmar Mendes. Na época, acompanharam Mendes os ministros Marco Aurélio Mello, Cármen Lúcia, Joaquim Barbosa e Cezar Peluso. Já Carlos Ayres Britto e José Dias Toffoli acompanharam Lewandowski. Não votaram Ellen Gracie e Celso de Mello, além de Luiz Fux, cuja vaga na época estava desocupada.

Ao mudar o entendimento anterior, seguido há decadas pelo poder Legislativo, o Supremo criou uma confusão que só deve ser extinta quando todos os ministros se manifestarem sobre o tema - faltam três - e a matéria tiver uma decisão sem possibilidade de contestação. Um dos capítulos desta confusão ocorreu ontem. O suplente de deputado federal Humberto Souto (PPS-MG) reclamou no STF do descumprimento da decisão de assumir o lugar do titular do mandato, que é do mesmo partido. A reclamação foi apresentada logo após a Mesa Diretora da Câmara adiar a decisão sobre a posse dos suplentes por conta de um pedido de vista. Em fevereiro passado, a ministra Cármen Lúcia concedeu liminar garantindo a vaga ao candidato mineiro.

STF provoca confusão com suplentes

Na reclamação, Souto afirma que o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), está se recusando a cumprir a decisão de Cármen Lúcia. Segundo o suplente, a Casa foi comunicada da decisão em 8 de fevereiro. O trâmite adotado pela Mesa Diretora é que o corregedor deve ser acionado para elaborar um parecer. Abre-se prazo de defesa, caso outro parlamentar tenha assumido o cargo. Depois, a Mesa se reúne e decide pela posse do suplente do partido, não da coligação.

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Fonte: Congressoemfoco

Manchetes dos jornais: Filha de Roriz recebeu dinheiro sujo, diz delator de esquema

O ESTADO DE S. PAULO

Filha de Roriz recebeu dinheiro sujo, diz delator de esquema
Delator do esquema de corrupção no Distrito Federal, conhecido como "mensalão do DEM", Durval Barbosa afirmou ontem, em entrevista exclusiva ao Estado, que a origem do dinheiro entregue por ele à deputada Jaqueline Roriz (PMN-DF) é suja. "O dinheiro entregue a Jaqueline Roriz é oriundo das propinas dos contratos de informática do governo do Distrito Federal", disse ele, em conversa gravada. "O dinheiro é sujo, não tem outra denominação."
É a primeira declaração pública de Durval sobre o conteúdo da gravação, revelada pelo portal do Estado no dia 4 de março, em que ele repassa dinheiro vivo a Jaqueline Roriz e seu marido, Manoel Neto.
Por ser a principal fonte de informação da investigação do Ministério Público, Durval está sob proteção policial. A afirmação dele de que a origem dos recursos é o esquema corrupto no DF contradiz a defesa da deputada de que o dinheiro que surge nas imagens não passa de doação "não contabilizada" à sua campanha eleitoral em 2006, uma espécie de caixa dois.
Para o Ministério Público Federal, o importante é mostrar que o dinheiro recebido pela parlamentar é fruto de desvios dos cofres públicos. Em 2008, uma operação do Ministério Público com auxílio da Polícia Federal, chamada de "Megabyte", apontou fraudes envolvendo R$ 1,2 bilhão no setor de informática.
A versão de Durval Barbosa será repetida no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) que investigará a deputada e ratificada caso seja chamado a depor na Corregedoria e no Conselho de Ética da Câmara, que ontem recebeu representação do PSOL contra a parlamentar por quebra de decoro.
Pelo menos R$ 50 mil foram entregues a Jaqueline Roriz por Durval no vídeo revelado pelo Estado. Ele explicou à reportagem que a gravação com Jaqueline foi feita com intuito de mostrar a distribuição da propina dos contratos com o governo do Distrito Federal. "Como todos os outros vídeos", disse, referindo-se às outras gravações já reveladas nas quais aparecem, entre outros, o ex-governador José Roberto Arruda e os ex-deputados distritais Leonardo Prudente, Júnior Brunneli e Eurides Brito.
Segundo Durval, o dinheiro entregue a Jaqueline faz parte da propina dos contratos de informática de empresas com a Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), presidida por ele na gestão do ex-governador Joaquim Roriz, pai da deputada federal flagrada recebendo os recursos.
De acordo com as investigações em andamento, a Codeplan serviu para desviar recursos públicos, abastecer campanhas e enriquecer políticos do DF.

Cópias para juízes
O esquema de corrupção no governo do Distrito Federal, que levou à prisão e queda do ex-governador José Roberto Arruda (ex-DEM), seria conhecido de membros do Judiciário e do Ministério Público pelo menos três anos antes da deflagração da Operação Caixa de Pandora, que investigou a quadrilha em 2009. É o que revela trecho inédito de um vídeo, gravado em 2006 pelo ex-secretário de Relações Institucionais e delator do esquema, Durval Barbosa, obtido com exclusividade pelo Estado.
O vídeo, com 17 minutos, mostra conversa de Durval com a empresária Cristina Bonner, dona da TBA, empresa de informática suspeita de também fazer doações para o caixa de propina coletado pelo ex-secretário em troca de contratos com o governo. "Eu não sou burro!", diz Durval, exibindo sobre a mesa a coleção de vídeos que ele havia gravado com políticos recebendo propina em seu gabinete. Espantada e sem saber que também era filmada, Cristina o aconselha a guardar o material explosivo em local seguro: "Tira isso daqui!".
Mas Durval a tranquiliza: "Não! Isso aqui é cópia... (o original) tá lá no meu sobrinho, tá no Ministério Público. Tem cópia também lá com os desembargadores meus amigos. Isso aqui... tem cópia na família. Eu não sou burro!", reforça. Na sequência, enfático, ele explica as razões da cautela: "Eu vou responder por ladrão? Eu não sou ladrão!".
A fita faz parte da chamada "coleção da corrupção", uma videoteca com dezenas de gravações - 31 delas já divulgadas - feitas em sigilo por Durval Barbosa em 2006, no seu gabinete de presidente da estatal Codeplan. Ele disse à Polícia Federal, em 2009, depois de se tornar réu colaborador da Justiça, que as gravações eram "para proteção pessoal".

Lula vai trabalhar para evitar prévias em 2012
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer impedir prévias no PT para a escolha dos candidatos às prefeituras, em 2012. Preocupado com a montagem dos palanques municipais, principalmente em São Paulo, Lula já começou a conversar com dirigentes de partidos aliados do Planalto e avalia que o PT só deve lançar nomes próprios onde tiver reais condições de vencer sem se indispor com parceiros federais, como o PMDB.
"Eu vou andar muito, correr o País no ano que vem", disse Lula ao Estado. "Mas é importante a gente começar a pensar logo nas alianças que queremos fazer. Ninguém pode ficar dormindo no ponto."
A intenção do ex-presidente é reeditar nas grandes cidades, onde for possível, a coligação que elegeu Dilma Rousseff ao Planalto e lançar um nome novo do PT à Prefeitura de São Paulo. Além disso, há um "cinturão vermelho" na Grande São Paulo - formado por cidades como São Bernardo do Campo, no ABC, entre outras - que merecerá atenção especial de Lula.

Unesco sugere autorregulação da mídia
Estudos encomendados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) a três dos principais especialistas em comunicação no mundo concluíram que uma regulação da radiodifusão tem de fortalecer a liberdade de expressão, sustentáculo de todos os outros direitos. Os mesmos estudos sugeriram que os meios de comunicação devem se autorregular, através de uma agência independente, e não serem submetidos a controle governamental.
No fim de 2010, o então ministro da Comunicação Social, Franklin Martins, chegou a esboçar um anteprojeto de lei com a regulação dos meios de comunicação, mas ficaram dúvidas quanto à possibilidade de haver controle de conteúdo da mídia.

Obama usará País como exemplo para mundo árabe
Brasil e Chile serão apresentados pelo presidente dos EUA, Barack Obama, ao mundo árabe como exemplos de sucesso na transição democrática. Tanto em Brasília como em Santiago, entre os dias 19 e 21, Obama deverá insistir no tema como meio de convencer as lideranças do Oriente Médio e do Norte da África a acolher as demandas populares por um ambiente de democracia e respeito aos direitos civis.
"A presidente Dilma Rousseff representa, por si mesma, o sucesso da transição democrática brasileira", afirmou ontem Daniel Restrepo, conselheiro adjunto de Segurança Nacional da Casa Branca para Assuntos Hemisféricos, referindo-se a seu passado na guerrilha e sua prisão e tortura pelo regime militar brasileiro (1964-1985).
O tema entrará também na agenda de Obama com a presidente Dilma Rousseff, no dia 19, e com o chileno Sebastián Piñera. Mecanismos de cooperação com o mundo árabe nessa área deverão ser explorados especialmente pelo Itamaraty. O próprio chanceler Antônio Patriota adiantou o interesse brasileiro de cooperar no processo de transição democrática dos países árabes, em seu encontro de fevereiro com Hillary Clinton.

Investigação indica que Munhoz teria doado terreno a empreiteira
Na operação em que é acusado de ter favorecido a Brinquedos Estrela, quando exercia o mandato de prefeito de Itapira (SP), em 2002, o deputado Barros Munhoz (PSDB) também privilegiou a Construtora TLBT, segundo ação civil do Ministério Público Estadual. A investigação revela que Munhoz doou à empreiteira um terreno de 25,5 mil metros quadrados - avaliado na ocasião em R$ 245,7 mil -, por meio "procedimento licitatório direcionado".
A TLBT construiu o prédio industrial da Estrela que, por meio da Starcom Ltda. - capital social de R$ 5 mil -, recebeu repasses da gestão Munhoz no montante de R$ 11,8 milhões, a título de subvenção econômica. O então prefeito, hoje presidente da Assembleia Legislativa, também concedeu à Starcom isenção do IPTU e do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN) e das taxas municipais por dez anos.

Faltam remédios para pacientes de aids
Pacientes com HIV enfrentam desabastecimento de remédios. O atazanavir está em falta em alguns pontos do País, assim como saquinavir e didadosina. O Ministério da Saúde divulgou nota técnica com orientações para a substituição do atazanavir por outras drogas ou fracionamento da entrega. Médicos e pacientes se irritaram. "Isso traz um desgaste muito grande para quem está sob tratamento", diz presidente de ONG.

Radiação no Japão atinge nível extremo, alertam EUA
A crise nuclear japonesa se intensificou ontem com a ruptura de outro reator da usina nuclear de Fukushima, no nordeste do Japão, que aparentemente estava liberando vapor radioativo. Um dia após o governo ter dito que o vaso de contenção do reator 2 também tinha sido afetado, os danos no reator 3 pioraram as já perigosas condições na usina, afetada pelo terremoto da sexta-feira passada. A agência reguladora de energia nuclear dos EUA afirmou acreditar que os níveis de radiação na região de Fukushima são "extremamente altos", sugerindo que o Japão tem subestimado a gravidade da situação. Em discurso sem precedentes transmitido pela TV, o imperador Akihito se disse "profundamente preocupado".

O GLOBO

'Japão perdeu o controle’, dizem EUA, Europa e Rússia
A batalha travada pelo Japão para resfriar quatro reatores com sérios problemas no complexo de Fukushima Daiichi tomou ontem rumos dramáticos. Os níveis de radiação aumentaram, e o grupo de trabalhadores que tentam controlar a situação foi retirado, só retornando horas depois. Há danos no núcleo de três reatores, afirmou a AEIA, agência da ONU. O cenário fez com que chefes de agendas nucleares dos EUA, da Europa e da Rússia fossem unânimes no diagnóstico: o Japão perdeu o controle da situação: "Estamos em algum lugar entre um desastre e um desastre gigantesco", disse o chefe de Energia da UE. O imperador Akihito rompeu o silêncio e fez um discurso inédito pedindo que os japoneses não desistissem. Documentos vazados pelo WikiLeaks mostraram que a ONU temia falhas na indústria nuclear do Japão.

Ato contra Obama opõe PT a Dilma
O Palácio do Planalto não gostou da mobilização de setores do PT contra a visita do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e determinou que o partido enquadre os descontentes. A ordem foi abafar ações como a do secretário de Movimentos Populares do PT do Rio, Indalécio Wanderley Silva, que anunciou uma manifestação contra Obama num comunicado ao partido.
A ideia é evitar mobilizações que possam causar constrangimentos tanto em Brasília como no Rio, as duas cidades que serão visitadas por Obama.
- O PT não tem posição e nem discutiu esse assunto da visita do presidente Obama. Por isso, um debate como esse só com autorização do partido - desautorizou o ministro de Relações Institucionais, Luiz Sérgio.

Na praça, defesa da democracia
Em seu discurso no Rio, no próximo domingo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, destacará valores comuns aos dois países, como a busca por inclusão social e a democracia. Segundo assessores da Casa Branca, será um pronunciamento diretamente dirigido aos brasileiros. O principal discurso, com teor político, detalhando sua visão de governo para a América Latina, está reservado para sua visita ao Chile, para onde Obama viajará após sua passagem pelo Brasil.
- Temos muitos valores em comum com os brasileiros. Eles são uma democracia; um país diversificado; um país que busca a inclusão social. Muitos dos valores especialmente acolhidos pelos americanos são partilhados pelos brasileiros, e, por isso, acreditamos na possibilidade de ter uma parceria forte com o Brasil. O discurso do presidente será focado nisso - disse o assessor adjunto do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Ben Rhodes.

Agenda Brasil-EUA terá duas etapas
Debate de temas como petróleo continua em junho, quando Dilma vai aos EUA
Às vésperas do encontro entre os presidentes Dilma Rousseff e Barack Obama, Brasil e Estados Unidos ensaiam um processo de articulação inédita na História das relações bilaterais. O foco é a esfera econômica e comercial. Empresários e governos dos dois países trabalham em cinco áreas estratégicas: comércio; energia renovável; petróleo; produção e exportação de alimentos no mundo; e educação. A agenda é tão ampla que será discutida em duas etapas pelos dois presidentes: no próximo sábado e em junho deste ano, quando Dilma deverá visitar os EUA.
- A visita do presidente Obama acontece em um momento bastante favorável - diz o diretor de relações governamentais da Câmara Americana de Comércio, Eduardo Fonseca.
A ideia é estimular a maior participação de pequenas empresas: pelo menos metade das 16.820 firmas de pequeno porte dos EUA vende para o Brasil, o que garante àquele país US$5 bilhões por ano.
Na outra mão, o governo brasileiro acredita que, por meio do Sistema Geral de Preferências (SGP) americano - que permite a redução de tarifas de importação de países menos desenvolvidos -, as regiões mais pobres do país serão favorecidas nas vendas aos EUA. Hoje, 63% das exportações são do Sudeste.

Almoço no Itamaraty terá picanha e baião de dois
Em sua visita de menos de um dia a Brasília, o presidente Barack Obama provará sorvete de graviola e beberá vinho tinto brasileiro, provavelmente da marca Casa Valduga, do Rio Grande do Sul. Segundo o Itamaraty, essa é a marca em estoque comprada em licitação pelo Ministério das Relações Exteriores. O vinho e o sorvete serão servidos no almoço que Dilma oferecerá sábado.
O cardápio terá como prato principal picanha e baião de dois - arroz, feijão, linguiça e queijo coalho. Haverá a opção de legumes grelhados e frutas tropicais: mangas, maracujá, carambola e mamão papaya.
O salão do Itamaraty onde a refeição será servida terá decoração de flores. Foram convidadas cerca de 150 pessoas. Nos deslocamentos em Brasília, o comboio de Obama contará com batedores das Forças Armadas, carros da PF e de agentes do serviço secreto americano.

Escolha de Palocci para cuidar do clima é elogiada
A decisão da presidente Dilma Rousseff de escalar o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, para assumir o comando das ações e o debate no governo sobre mudanças climáticas foi bem recebida entre ambientalistas e políticos. Diante de divergências e rivalidades entre setores do governo sobre o tema, Dilma decidiu levar o assunto para o Planalto. O consenso é que o gesto deu prestígio e urgência ao tema. Insatisfações no governo com a medida não foram manifestadas, pelo menos publicamente.
- É próprio da função da Casa Civil coordenar temas prioritários do governo. E isso se soma à experiência e à capacidade do ministro Palocci em conciliar posições de governo - comentou o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), ex-presidente da Câmara.
- Foi uma decisão acertada transferir esse debate para a Casa Civil. O fato de Palocci assumir o debate é sinal de que o tema é relevante. Isso mostra que esse assunto passa a ser tratado como uma prioridade de Dilma, até porque vamos ter em 2012 a Rio+20 - reforçou o senador Lindberg Farias (PT-RJ).

CNI/Ibope: 72% são contra a volta da CPMF
A saúde pública vai muito mal no Brasil, mas não se deve criar novos impostos para melhorar esses serviços, porque o governo já dispõe de recursos suficientes. O problema é de gestão. As afirmações foram colhidas em pesquisa feita pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em dezembro e divulgada ontem. Para 81% dos entrevistados pelo Ibope, a baixa qualidade dos serviços de saúde é resultado da má utilização dos recursos públicos. E 72% foram categóricos: são contra a recriação da CPMF.
"A maioria dos brasileiros acredita que o governo já arrecada muito e não precisa aumentar os impostos para melhorar os serviços públicos", diz o estudo sobre a pesquisa "Retratos da sociedade brasileira: qualidade dos serviços públicos e tributação".

Eduardo Cunha perde espaço em comissão olímpica
Pode estar perto do fim o protagonismo do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no grupo formado na Câmara para elaborar as regras que vão flexibilizar exigências nas licitações de megaobras para a Copa de 2014 e as Olimpíadas no Rio. A escolha de Cunha não agradou ao governo. Ontem, o Palácio do Planalto articulou editar uma nova medida provisória para tratar especificamente do tema. Com isso, o governo tentará tirar Cunha desse processo de negociação no Congresso.
No final da tarde, o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, recebeu no seu gabinete no Palácio do Planalto o líder do governo, deputado Cândido Vaccarezza, e o líder do PSC, deputado Hugo Leal (RJ), integrante desse grupo. No Planalto, foi criticado o fato de o próprio Vaccarezza ter indicado Cunha para integrar o grupo - o que ocorreu pouco depois de a presidente Dilma Rousseff ter enfrentado a cúpula do PMDB para diminuir o poder do deputado fluminense em órgãos do governo, como Furnas.

Dinossauros: maior carnívoro é do Maranhão
Cientistas descobriram na Ilha do Cajual, no Maranhão, o maior dinossauro carnívoro do Brasil. Batizado de Oxalaia quilombensis, ele tinha o tamanho de um prédio de cinco andares.

FOLHA DE S. PAULO

Radiação está muito alta, diz chefe nuclear dos EUA
O chefe da comissão nuclear dos EUA, Gregory Jaczko, disse no Congresso crer que a radiação de Fukushima esteja "extremamente alta". Baseado em relatos, ele considera que o tanque do reator 4 não tem mais água para resfriar o urânio.
Os japoneses negam, mas a Embaixada dos EUA aconselhou a seus cidadãos evitar o raio de 80 km da usina.
A volta de parte dos técnicos que haviam deixado o local, porém, foi vista com pessimismo. Os "50 de Fukushima" viraram 180.
Em outro sinal de gravidade, o imperador Akihito foi a TV exortar os japoneses a não desistir diante das dificuldades. A última vez em que um imperador usou a mídia eletrônica para falar ao país numa crise foi em 1945, pós-bomba atômica.

Comboio decasségui
A família Sato desembarcou em Sendai para visitar parentes na sexta-feira, após longa maratona desde Curitiba (PR). Ainda estavam na estação de trem, quando a terra tremeu.
Os cinco dias seguintes foram de privação. Ontem, os sete retornaram com mais 20 brasileiros em dois micro-ônibus fretados pela embaixada. O grupo chegou à Grande Tóquio após oito horas de estrada.

Renata Lo Prete: Presidente nega que Mantega vá deixar governo
Incomodada com o noticiário sobre a fritura de Guido Mantega, Dilma Rousseff iniciou o dia de trabalho recebendo o ministro. Ao Painel ela disse: "Não vou aceitar nenhuma tentativa de diminuir a importância dele no meu governo".

Senado aprova mais rigor em direito familiar sobre herança
Um projeto aprovado ontem pelo Senado exclui do direito à herança os parentes e cônjuges que tiverem cometido crimes sexuais, abandono ou outras ofensas contra o dono do patrimônio.
Na prática, o texto amplia os casos de exclusão da herança, que praticamente não sofriam mudanças no Código Civil desde 1916.
A legislação em vigor já prevê que, entre outros casos, perdem o direito a herdar bens os parentes diretos que cometerem ou tentarem praticar homicídio contra o dono do patrimônio.
O projeto aprovado prevê a exclusão desse direito nos casos de atos que ofendam a integridade física ou a honra do proprietário dos bens, mesmo se tiver havido apenas uma tentativa -no caso da honra, pela lei atual, é preciso que o crime tenha sido consumado.
O texto também retira o direito de quem alterar ou furtar o testamento.

Exército retira celebração de data de início da ditadura
O Exército retirou do seu calendário oficial a comemoração do dia 31 de março, que marca o início da ditadura militar (1964-1985).
Até novembro do ano passado, a "data comemorativa" ainda constava do portal do Exército na internet.
Questionada pela Folha ontem, a assessoria de imprensa confirmou que o dia constava do calendário de comemorações, mas não soube informar o motivo da mudança no final do ano.
Segundo a assessoria, outras datas também foram retiradas, mas ela não soube exemplificar quais eram.

Unesco vê anomalia em concessões de rádio e TV
Estudo de agência da ONU sugere que se crie órgão regulador para o setor
Estudo da Unesco, agência da Organização das Nações Unidas para educação, ciência e cultura, recomenda que o Brasil tire do Congresso o poder de aprovar concessões de rádio e TV, o que exigiria mudança na Constituição.
Desde a reforma constitucional de 1988, a aprovação de novas concessões e a renovação das já existentes dependem de autorização da Câmara e do Senado.
"Deixar nas mãos do Legislativo o poder de outorgar concessões é anomalia que ameaça a democracia e põe em risco as garantias aos direitos humanos", diz o texto, que será divulgado hoje pelo representante da Unesco no Brasil, Vincent Defourny.
O estudo é assinado pelos consultores internacionais Toby Mendel e Eve Salomon.
O estudo sugere a criação de uma agência reguladora independente, sem vinculação com interesses políticos ou empresariais do setor, que, entre outras funções, aprovaria as concessões.
Outra recomendação da Unesco é criar "regras mais sólidas" sobre a concentração de propriedade dos meios de comunicação.
A legislação estabelece o teto de dez canais de TV e seis rádios FM por empresa e por acionista. Os limites acabam ultrapassados com o registro de concessões em nome de parentes de proprietários.

DEM alinhado com Aécio é "mito", diz novo presidente
Eleito anteontem presidente do DEM em meio a uma grave crise interna, o senador José Agripino Maia (RN), diz ser "mito" a informação de que a ala vitoriosa da legenda esteja alinhada à possível candidatura presidencial do senador Aécio Neves (PSDB-MG) em 2014.
"Criou-se um mito nesse sentido. Fui cumprimentado por telefone pelo [José] Serra e, pessoalmente, por Aécio. As minhas relações com o PSDB são excelentes. Mas o DEM está alinhado com seu próprio projeto, que pode até terminar com candidatura própria", afirmou ele, embora não tenha citado nomes.
O DEM (até 2007, PFL) só teve candidato à Presidência em 1989 (Aureliano Chaves ficou em nono lugar). Com exceção de 2002, quando não teve candidato, em todas as outras disputas presidenciais pós-redemocratização o partido foi o vice na chapa presidencial do PSDB.

Lula adia a reunião com PT e reclama de vazamento
O ex-presidente Lula adiou a reunião marcada para hoje com prefeitos do PT em São Paulo para discutir a estratégia do partido nas eleições municipais de 2012.
Ele ficou contrariado com o vazamento do encontro, cuja organização foi revelada ontem pela Folha.
Lula manifestou irritação com a notícia e determinou ao presidente regional da sigla, Edinho Silva, que avisasse os prefeitos do adiamento.

PT decide romper aliança com PSDB de MG em 2012
O PT de Minas descarta a renovação da aliança com o PSDB em Belo Horizonte em torno do atual prefeito da capital, Marcio Lacerda (PSB).
Desde a eleição de 2008, os três partidos formam uma coalizão no município -o vice-prefeito, Roberto Carvalho, é petista.
Na época, a aproximação de petistas e tucanos teve entre seus articuladores o então prefeito Fernando Pimentel (PT) e o então governador Aécio Neves (PSDB). Foi uma rara aliança entre os dois partidos no país.
Na campanha municipal do próximo ano, porém, o PT deve lançar um candidato próprio contra Lacerda.

TCE contrariou parecer ao aprovar contas de Munhoz
O Tribunal de Contas de São Paulo contrariou pareceres de sua área técnica e alertas do Ministério Público que apontaram irregularidades em licitações que levaram à abertura de ação de improbidade contra o presidente da Assembleia Legislativa, Barros Munhoz (PSDB).
Apesar de análise técnica do TCE, que considerou irregulares as licitações feitas por Barros Munhoz em sua gestão no município de Itapira (SP), o tribunal aprovou as contas da prefeitura e contratos firmados com a empresa Conservias, aberta em nome de laranjas.
A empresa é pivô da denúncia oferecida pelo Ministério Público à Justiça, na qual Barros Munhoz é acusado de participar do desvio de R$ 3,1 milhões da prefeitura à época em que era prefeito.
As licitações envolvendo a Conservias tiveram concorrência simulada, segundo o Ministério Público. A sócia da empresa, Joleide Ramos Lima, é dona de casa e afirmou à Folha que apenas "emprestou" sua assinatura para abrir a empresa.
Joleide também é dona de outra empresa que participou da licitação -e perdeu.
Barros Munhoz afirmou que a empresa cumpriu as exigências formais para participar das licitações e os serviços nelas previstos foram efetivamente realizados.

Novo ataque mata 5 no Bahrein e fere centenas
Novo ataque das forças de segurança bareinitas e sauditas contra manifestantes xiitas na praça Pérola, na capital Manama, deixou ao menos cinco mortos. Centenas de pessoas ficaram feridas. Um hospital chegou a ser invadido pelas tropas.
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, pró-xiitas, considerou o ataque "injustificável". O governo dos Estados Unidos, que tem a Arábia Saudita como aliada, rejeitou a ocupação e a repressão militar violenta no Bahrein.

CORREIO BRAZILIENSE

Procurador recrimina conduta de Durval
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, condenou a divulgação a “conta-gotas” de vídeos comprometedores com políticos brasilienses, a exemplo do flagrante da deputada federal Jaqueline Roriz recebendo dinheiro de forma ilícita. O chefe do Ministério Público Federal advertiu que pode suspender o benefício da delação premiada para Durval Barbosa se esse tipo de conduta permanecer. “Ele tem obrigação de entregar todo o material que ele tenha de uma só vez”, ressaltou. A subprocuradora Raquel Dodge disse estar perto de concluir a ação criminal contra o esquema de corrupção revelado pela Operação Caixa de Pandora, mas não estabeleceu prazo para apresentá-la. O Conselho de Ética instaurado ontem na Câmara dos Deputados recebeu a representação do PSol contra Jaqueline Roriz. A abertura de processo deverá ocorrer na próxima semana. O corregedor da Câmara, Eduardo da Fonte (PP-PE), pretende conduzir uma investigação ágil das denúncias que pesam contra a deputada federal.

Ameaça nuclear é “imprevisível”
A iminência de um acidente nuclear no Japão comparável a Chernobyl causou uma onda de alertas da ONU, da comunidade internacional e até da família real japonesa. Em raro pronunciamento pela televisão, o imperador Akihito, de 77 anos, classificou o incidente na usina de Fukushima de “imprevisível” e disse que o país atravessa uma crise sem precedentes. O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, avaliou a situação como “muito grave” e anunciou que irá ao Japão para contribuir pessoalmente com as tentativas de resfriamento dos reatores avariados pelo terremoto da semana passada. Equipes de prevenção mediram os níveis de radiação em moradores retirados da região de Fukushima.

Energia será tema de Dilma e de Obama
Operários trabalham no Planalto para tudo ficar pronto a tempo da visita do presidente dos EUA, no sábado. A agenda de discussões, no entanto, já ficou definida. Pré-sal e biocombustíveis estão na pauta.

Copa de 2014: CBF faz lobby na Câmara contra CPI
O presidente da entidade, Ricardo Teixeira, pressionou parlamentares a não apoiarem o pedido de investigação sobre os gastos com a organização do Mundial. O Palácio do Planalto estuda flexibilizar as regras das licitações para as obras do evento.

Sem proibição: Ministro vai bancar concursados da Anatel
Mesmo com a suspensão das contratações, definida pelo governo no corte de gastos do orçamento, o chefe da pasta das Comunicações, Paulo Bernardo, pediu autorização para convocar 71 aprovados na seleção feita pela agência em 2009.

VALOR ECONÔMICO

Dilma garante guerra à inflação
A presidente da República, Dilma Rousseff, foi afirmativa: "Não vou permitir que a inflação volte no Brasil. Não permitirei que a inflação, sob qualquer circunstância, volte". A declaração foi dada durante entrevista ao Valor, a primeira exclusiva a um jornal brasileiro, num momento em que as expectativas de inflação pioram e os mercados insinuam que o Banco Central não tem autonomia para agir. "Eu acredito num Banco Central extremamente profissional e autônomo. E este Banco Central será profissional e autônomo", garantiu a presidente.
Em conversa de cerca de duas horas, Dilma não poupou ênfase à guerra antiinflacionária: "Não negocio com a inflação. Em nenhum momento eu tergiverso com inflação. E não acredito que o Banco Central o faça", reiterou, com a ressalva de que o combate não será feito com o sacrifício do crescimento. 'Tenho certeza que o Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano", afirmou.

AGU aperta o cerco à compra de terras por estrangeiros
Em mais um passo para conter avanço de investidores estrangeiros sobre terras agricultáveis no Brasil, a Advocacia-Geral da União (AGU) enviou ofício ao Ministério da Fazenda orientando-o a criar regras, por meio de instruções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para impedir a aquisição de ações, por empresas estrangeiras, de companhias nacionais listadas na bolsa que detenham terras.
O documento foi enviado, de forma reservada e em caráter de urgência, ao ministro Guido Mantega. Por recomendação da AGU, a medida deve abranger todas as companhias de capital aberto detentoras de terras do país, segundo apurou o Valor.

Bancada ruralista define pauta polêmica para atuação no Congresso
A nova bancada ruralista, composta por 217 deputados e senadores, escolheu uma ampla variedade de bandeiras polêmicos para empunhar até o fim dos atuais mandatos, em 2015.
O relançamento da Frente Parlamentar da Agropecuária, comemorado ontem em almoço por 200 comensais, deixou claro que os parlamentares se sentem fortalecidos pela expressiva votação obtida por membros do "núcleo duro" e pelo reforço de nomes ainda mais ligados ao lobby do campo. "Temos força e objetivos", resume o presidente da frente, deputado Moreira Mendes (PPS-RO).
As propostas da renovada bancada ruralista incluem temas antigos e incômodos. E esbarram em outras bancadas influentes, como a sindical e a ambientalista. "Nosso programa é a síntese da nossa realidade. É o que aflige o produtor. Temos que encarar de frente", diz Mendes. "O Brasil precisa enfrentar essas discussões. Não vamos resolver tudo, ainda falta coisa. Mas é um começo".
Depois da reforma do Código Florestal, ainda em polêmica discussão no Congresso, a bancada se prepara para combater o que considera "farra" de criação de unidades de conservação e áreas indígenas. "Não sou nenhum radical, mas precisa ter critério. É grave. Um antropólogo vai lá e resolve que determinado lugar tinha índio, mesmo transposto, e precisa demarcar", critica Mendes.

Mudanças nas licitações
Grandes construtoras pressionam o governo contra proposta de mudança na Lei de Licitações que dificulta a inclusão de aditamentos aos contratos de obras para a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Cortes cancelam reunião da CTNBio
Pela primeira vez em seus 15 anos, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) deixou de realizar sua reunião mensal por falta de verba para custear as passagens e diárias de seus membros.

Pré-sal terá US$ 1 bilhão do Eximbank americano
O Eximbank dos Estados Unidos deverá anunciar durante a visita do presidente Barack Obama ao Brasil a concessão de até US$ 1 bilhão em financiamentos para projetos ligados à exploração de petróleo na camada pré-sal, numa confirmação do interesse americano em ter o país como um de seus principais fornecedores de combustível fóssil. No ano passado, o banco firmou com a Petrobras um protocolo que garante linhas de financiamento estimadas em até US$ 2 bilhões.
Os dois governos assinarão, ainda, um memorando de entendimento para cooperação em exploração de petróleo, que lança as bases para, no futuro, consolidar a posição brasileira como fornecedor aos EUA. A disposição de fazer do país um grande fornecedor de petróleo aos EUA foi comunicada pela própria presidente Dilma Rousseff a autoridades americanas, como revelou o Valor, no início do mês. Um outro programa de impacto está previsto entre os anúncios a serem feitos durante a visita de Obama: um acordo para desenvolver biocombustível para aviação, assunto acompanhado com interesse pela Embraer.

Desabastecimento ameaça Japão
O suprimento de gasolina e alimentos do Japão está se esgotando rapidamente, forçando não apenas os moradores do nordeste, assolado pelo terremoto, mas também de Tóquio a correr para comprar o que sobrou nas prateleiras cada vez mais vazias dos supermercados e lojas de conveniências.
"Fui ao supermercado comprar pão, macarrão instantâneo e enlatados, mas não tinha sobrado quase nada", disse Mieko Saiki, de 29 anos, funcionária de uma consultoria de Tóquio.
Fonte: Congressoemfoco

De volta ao poder jovem

“O “vírus” da democracia (mesmo a neoliberal) – a liberdade de reivindicar seus próprios direitos e escolher seus dirigentes – é mais poderoso e no melhor de todos os sentidos: as agitações populares que agora incendeiam quase todo o Oriente Médio são um excelente exemplo disso”


A “expropriação dos direitos” (do trabalhador, do consumidor, humanos) é uma das, senão a mais importante das proposições do neoliberalismo voraz que prossegue devorando o planeta. Tais políticas têm péssimas consequências a médio e longo prazo, consequências fatais aos governos que as aplicam. Contudo, o “vírus” da democracia (mesmo a neoliberal) – a liberdade de reivindicar seus próprios direitos e escolher seus dirigentes – é mais poderoso e no melhor de todos os sentidos: as agitações populares que agora incendeiam quase todo o Oriente Médio são um excelente exemplo disso.

Começou na América Latina, com a ascensão e consolidação de governos progressistas, legitimamente eleitos, no Brasil, Argentina, Bolívia, Venezuela, Equador: precisamente por ter sido o laboratório inicial das políticas neoliberais, a AL se tornou seu elo mais frágil. Este ano, nos Estados Unidos, os protestos – para o retorno à população dos direitos expropriados ao Estado pela “política de vudu” de governos rentistas – que começaram em Madison, Winsconsin, já se estendem por vários estados do país. Então, explodem as revoltas árabes: Egito, Líbia, Bahrein.

Em artigo para The Independent, o jornalista Robert Fisk comenta que o terremoto das últimas cinco semanas no Médio Oriente foi a experiência mais atordoante da história da região desde a queda do Império Otomano. Agora, botando tudo entre as aspas da ironia: “São inúmeras as potências árabes que alegam sempre ter almejado a democracia no Médio Oriente. O rei Bashar da Síria vai melhorar os salários dos funcionários públicos. O rei Bouteflika da Argélia apressou-se a declarar o fim do estado de emergência no país. O rei Harmad do Barhrein abriu as portas das suas prisões. O rei Bashir do Sudão afinal já não se vai recandidatar ao lugar de presidente. O rei Abdullah da Jordânia estuda a hipótese de uma monarquia constitucional. E a Al Qaeda tem-se mantido bastante mais silenciosa. Tivemos muitos mártires no mundo muçulmano, mas não há uma só bandeira islâmica à vista. Os jovens que querem pôr um fim ao tormento das ditaduras podem até ser muçulmanos, mas o espírito humano é maior do que o desejo de morrer. São fiéis, sim, mas primeiro vieram aqui derrubar Mubarak, enquanto os seguidores de Bin Laden ainda continuam a clamar em vídeos completamente fora de moda”.

Samir Amin, economista e intelectual egípcio de projeção mundial, em entrevista à Carta Maior, observa que a queda de Murabak não foi surpresa, afinal, anos de crescimento econômico elogiados pelo Banco Mundial só serviram a um grupo minúsculo de egípcios, além do que a repressão policial era crescente e brutal. “Tinha que explodir. E explodiu. E foi dos jovens politizados - “fora da esquerda tradicional” - a vanguarda da revolução que derrubou a ditadura egípcia.” Ele faz também uma leitura crítica do Fórum Social Mundial,” no qual os principais movimentos e lutas não estavam presentes.”

Era esperado, tinha que acontecer, afirma Amin, “porque o regime, por 15, 20 anos, fez crescer gigantescas desigualdades. O Banco Mundial vinha elogiando altas taxas de crescimento no Egito, de 5%. Mas esse crescimento foi parar nas mãos de menos de 1% da população do país. E a pauperização estava aumentando junto com essas altas taxas de crescimento. E isso não podia se manter sem um regime cada vez mais ditatorial. Como vocês tinham no Brasil, no tempo da ditadura. Uma ditadura muito brutal do Exército, com torturas e tudo mais. E tudo isso apoiado pelo Ocidente, pelos EUA, pelos europeus. Completamente e sem restrições. Mas isso tinha que explodir. E explodiu”.

No movimento egípcio existem alguns componentes importantes: é constituído por jovens altamente politizados, educados, semi-educados e com acesso aos meios de comunicação - internet e afins. Politizados à esquerda, mas fora dos partidos de esquerda tradicionais - no caso do Egito, de tradição comunista. Eles começaram o movimento e não são uma pequena organização, são um milhão. Quando convocaram a manifestação, três, quatro horas depois, em todo Egito, em todas as cidades, Cairo, Alexandria, 15 milhões de pessoas estavam na rua. O que significa que o chamado desses jovens teve enorme e imediato efeito em todos os níveis populares.

Ainda segundo Amin, estes jovens não são necessariamente críticos radicais do capitalismo, mas não aceitam esse capitalismo que leva à pauperização. Nos cartazes, lia-se "Banco Mundial e FMI vão para o Inferno", "EUA e aliados vão para o inferno, nós não os queremos", "Somos um país independente e queremos tomar nossas decisões. Se vocês gostam ou não, o problema é de vocês e não nosso."

E a estratégia dos EUA? Para ele, “Obama não é melhor que Bush, esqueçam isto. Obama é a continuação de Bush. A estratégia dos EUA é manter o sistema, com os militares por trás, fazer algumas concessões talvez de ordem democrática, e reforçar a aliança com a Irmandade Muçulmana, para com isso isolar a esquerda. É o anti-imperialismo ianque que une todos estes movimentos”.

Indo ao cerne da questão: os jovens do mundo inteiro cansaram de não ter futuro algum.

Porque as rebeliões, os levantes, estão sendo feitos por eles, pelos jovens entre vinte e trinta anos. E como o PIG é mundial, tais fatos não estão sendo divulgados com o destaque que deveriam. A respeito, assistam Zona Verde com Matt Damon, passando na tevê a cabo e, claro, se puderem, Inside Job (Trabalho Interno) , o documentário dirigido por Charles Ferguson, premiado com o Oscar deste ano, também com Matt Damon.

No mais, Obama vem aí.

*A escritora paulistana Márcia Denser publicou, entre outros, Tango fantasma (1977), O animal dos motéis (1981), Exercícios para o pecado (1984), Diana caçadora (1986), A ponte das estrelas (1990), Toda prosa (2002 - Esgotado), Caim (Record, 2006), Toda prosa II - obra escolhida (Record, 2008). É traduzida na Holanda, Bulgária, Hungria, Estados Unidos, Alemanha, Suíça, Argentina e Espanha (catalão e galaico-português). Dois de seus contos - "O vampiro da Alameda Casabranca" e "Hell's Angel" - foram incluídos nos Cem melhores contos brasileiros do século, organizado por Ítalo Moriconi, sendo que "Hell's Angel" está também entre os Cem melhores contos eróticos universais. Mestre em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, é pesquisadora de literatura e jornalista. Foi curadora de literatura, até outubro de 2010, da Biblioteca Sérgio Milliet em São Paulo.

Fonte: Congressoemfoco

Comissão do Senado aprova mandato de 5 anos e fim da reeleição

A Comissão da Reforma Política do Senado decidiu, na tarde desta quinta-feira, propor a manutenção do instituto do voto obrigatório e o fim da reeleição, com mandato de cinco anos para os executivos municipais, estaduais e federal.

As novas propostas se somam às definidas na última terça-feira, quando os membros da comissão manifestaram-se a favor de mudanças na suplência de senador e na data da posse dos chefes do Executivo. As informações são da Agência Senado.

Dos 15 integrantes da Comissão da Reforma Política, apenas três foram favoráveis à implementação do voto facultativo: os senadores Demóstenes Torres (DEM-GO), Itamar Franco (PPS-MG) e Francisco Dornelles (PP-RJ), presidente da comissão.

Demóstenes argumentou que, mesmo obrigado por lei a ir às urnas, o eleitor ainda assim só vota se quiser. Ele assinalou que a multa imposta como penalidade ao não comparecimento é irrisória e o juiz eleitoral quase sempre isenta o eleitor ausente do pagamento levando em conta a condição econômica do eleitor.

"Também não acredito nessa história de politização, pois o Estado de São Paulo, que é considerado o mais politizado do país, elegeu o Tiririca", afirmou.

Itamar defendeu o voto facultativo alegando que se trata do pleno direito de liberdade de expressão. Ele sugeriu que, em caso de não se chegar a um consenso sobre a matéria, que se faça uma consulta popular nas próximas eleições sobre a obrigatoriedade do voto.

Dornelles, por sua vez, disse acreditar que o voto obrigatório e o proporcional são os maiores responsáveis pela distorção do sistema político brasileiro.

O fim da reeleição e a instituição do mandato de cinco anos para prefeito, governador e presidente da República obteve quase a maioria dos votos. Apenas o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP) foi favorável à manutenção da reeleição. Para ele, "quanto mais eleição melhor" e, se o eleitor estiver feliz com a administração do governante, deve ter a opção de reconduzi-lo por mais um mandato.

O senador Luiz Henrique (PMDB-SC), por sua vez, disse que até concordaria em manter a reeleição, desde que o governante fosse obrigado a se desincompatibilizar do cargo para concorrer.
Fonte: Tribuna da Bahia

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