domingo, março 14, 2010

Confira trechos da entrevista do governador Jaques Wagner concedida ao Jornal Correio: “Em política, tudo é possível.”

O governador Jaques Wagner, pré-candidato à reeleição em aliança liderada pelo PT, afirma que administrar ficou mais fácil depois do rompimento com o PMDB de Geddel. Ele também diz que a imprensa glamouriza a violência, mas revela que pesquisas mostram a segurança como um tema de muita preocupação dos eleitores em relação ao governo. Carioca, 58 anos, o governador visitou a Redação do CORREIO e conversou com o editor-chefe, Sergio Costa, o editor-executivo, Oscar Valporto, e o editor multimídia, Gustavo Acioli.

Eu pouco falo do passado. Quando falo é para mostrar ao cidadão a condição em que o Estado estava ou está. Fiz a campanha de 2006 propondo muito mais do que criticando. Meu governo tem duas grandes marcas. A primeira é a da democracia. Está consolidado um estilo diferenciado na capital, no interior e nas classes política e empresarial. Todos sabem que o grupo político que governava o Estado era muito mais concentrador e tinha um peso muito grande sobre a economia, a política e a sociedade baiana. Eu faço um jogo mais ao estilo do presidente Lula. Vou a todo lugar, independentemente se o prefeito é do DEM, do PT ou outro. Hoje se respira mais democracia no Estado.

Eu não estou escrevendo um livro de história. Estou escrevendo as páginas do futuro da Bahia. As pessoas que quiserem vir são bem-vindas. Mas esta questão não está resolvida. O PR do senador César Borges apoia o governo Lula. Eu faço parte de um projeto nacional e é bom que as forças que apoiam a ministra Dilma possam estar juntas nos estados. Com o PMDB isso não vai acontecer, mas com o PR pode ser. Quanto às origens do senador, havia um grupo político e uma figura referencial na Bahia, a do senador Antonio Carlos Magalhães. Com a derrota em 2006 e, depois, com a ausência física do senador, evidentemente que o jogo político mudou. Eu não tenho nenhum tipo de constrangimento. O Otto Alencar já está aqui, José Carlos Araújo está com a gente, assim como outros que migraram. A Bahia é assim.

O perfil da chapa é o do governador. Quem vem, vem para abraçar um projeto e uma metodologia diferente de fazer política. Eu não abro mão nem do projeto que eu estou conduzindo, nem do sistema que a gente está impondo. Queremos quem venha reforçá-los. Muitos amigos meus rangem os dentes. Política é paixão. Agora, quem quiser crescer na política tem que abrir as portas do seu projeto político para construir alianças e não para fortalecer seus adversários. Mas na nossa chapa só há duas vagas confirmadas: a minha e uma vaga do PP com o nome de Otto Alencar.

Fiz uma aposta no PMDB e não deu certo. Não acho que isso seja referencial para tudo.

Porque saí vitorioso. Na medida em que essa coisa não prosperou, exercitei ao máximo a paciência política porque acreditava no projeto. Se hoje existe entendimento do governo Lula com o PMDB nacional, modéstia à parte, fui um dos articuladores. O PMDB da Bahia resolveu ter carreira solo. Por quê? A resposta cabe a quem decidiu. Para mim, é página virada. Pelas pesquisas, o salto qualitativo do governo foi substantivo de setembro para cá. Havia uma tentativa de duplo comando. Ganhamos unidade política e administrativa. Eu gastava 30% do tempo tratando de problemas com o PMDB.

Em política, tudo é possível. Muita gente achava inusitado o PR do senador Cesar Borges vir para cá, assim como muita gente achava impossível o presidente Collor de Melo apoiar Lula. Eu não gosto de falar impossível. Se tiver segundo turno tem conversa. Eu não escolho adversário. Levo a vantagem de estar lincado num projeto nacional que, na Bahia, já é vencedor.

A popularidade do presidente Lula aqui é um dado de realidade. Mas eu discordo de muita gente que diz que Dilma não tem preparo para ser candidata por conta própria. É o contrário. Eu falei na abertura dos trabalhos da Assembleia que era um luxo o Brasil, com uma democracia tão recente, ver um embate com candidatos da categoria de Dilma e Serra. Tem a Marina Silva (PV) também, reclamaram que eu não a citei. São quadros da maior qualidade. Não tem nenhum aventureiro, nenhum louco, nenhum corrupto. Cada um tem um projeto político diferente e isso é bom para a democracia brasileira.

O aprofundamento do trabalho e do projeto político que o presidente Lula vem fazendo há sete anos é fundamental. Eu acredito neste projeto e na liderança dele, sem nenhuma idolatria. E a ministra Dilma também tem compromisso com este projeto.

Não tem vice escolhido. Vai depender de muita conversa. O PT quer ter mais um candidato na chapa. Eu já disse que não. O resto, o PDT quer, PCdoB quer, vai ser uma eleição boa.

A conversa desviou para a política mas, para não perder o fio, o senhor falou que seu governo tinha duas marcas e só falou uma, qual a segunda?

É a do social. Na área de saúde, da habitação, da educação, do acesso à água, a marca de fazer mais por quem mais precisa. As pessoas têm um reconhecimento disso. Vai ser o maior número de casas entregues em quatro anos, o maior número de leitos em UTI e normal, o maior número de ambulâncias, e por aí vai. É o resgate dessa área social.

Seus adversários dizem que o senhor não faz obras e sim inaugura as iniciadas na gestão anterior (de Paulo Souto).

Quem faz oposição tradicional tem que achar o que criticar. É um direito deles. Se acharem que meu governo é bom, fica mal para eles estarem na oposição. Fiz três hospitais: Santo Antônio de Jesus, Irecê e Juazeiro. Mais dois estão prestes a ficar prontos, o Hospital da Criança de Feira de Santana e o Geral de Salvador. Vou começar a fazer o hospital regional de Seabra. São quatro mil quilômetros de estradas totalmente refeitas e 10 mil de tapa-buracos, 50 mil casas entregues até o fim do ano. Eu tenho orgulho de dizer que nenhuma obra que foi iniciada pelo governador Paulo Souto ficou parada por mesquinharia da minha parte. Realmente, eu concluí tudo. Ia fazer o quê? Deixar parado? Mas também tem um monte de coisa nova: o hospital de Feira não foi ele que começou, o de Salvador também. O de Santo Antônio de Jesus foi o grupo dele que iniciou há 19 anos... Irecê e Juazeiro também. A Ford foi no governo César Borges. É lógico que eles (o grupo do senador ACM) trouxeram para cá. Eu trabalhei um ano para trazer a ampliação. Na hora da assinatura, disse publicamente: “Senador César Borges, que alegria, hein? O senhor trouxe e eu estou ampliando”.

Eu sempre trato bem aliados e adversários, mas o casamento não está nem no noivado. É só um flerte. O presidente Lula trata Ceará e Pernambuco melhor do que trata a Bahia? A amizade entre vocês prejudica o Estado? Não. O pessoal brinca muito com isso, já que quando se tem uma relação de muita amizade é ao amigo que você pede sacrifício. Mas ele é muito amigo do Cid (Gomes, PSB do Ceará) também e do Eduardo (Campos, PSB de Pernambuco).

Teremos a Ponte (para Itaparica) que vai entrar no PAC-2, a ferrovia Leste-Oeste, a Via Expressa Portuária, a nova pista do aeroporto, o financiamento do metrô, a Fonte Nova, o dinheiro da mobilidade urbana para a Copa, 45 UPAs (unidades de pronto atendimento), a Univasf, a Universidade do Recôncavo... Aplicando a tese que Lula defende, de dar primeiro aos mais necessitados, posso dizer que nós somos a maior economia do Nordeste, temos mais musculatura. É óbvio que o Piauí depende muito mais do orçamento federal. A Bahia já tem o seu lugar: tem que ser a locomotiva do Nordeste.

A pesquisa é para consumo interno, não é pra publicar em jornal. Mas o tema central, o mais candente, é o da segurança. É o que assusta mais. Na minha opinião, e não é uma cobrança, a imprensa escrita, TV e rádio dão muito ibope à violência, glamourizam muito.

Eu não estou responsabilizando vocês. A informação nunca deve ser sonegada. Só acho que glamourizam demais. Mídia impressa tem que ser livre. É paga, compra quem quer, quem gosta do jornal que está comprando. Detesto censura.

É um tema recorrente. Preocupa. Violência é uma coisa que choca. Mas as estatísticas mostram que não houve crescimento dos índices em 2009 em relação a 2008. E começamos o ano muito bem. O Carnaval foi um dos mais tranquilos. Tivemos 8% a menos de registros de ocorrências. Não acho que este seja um tema em que alguém tenha uma varinha de condão. Tem crime que não tem nada a ver (com política de segurança). É a loucura de um cara que mata o avô pra ficar com a previdência. A violência tem aspectos. É claro que o mais recorrente é o ligado ao tráfico e ao uso de drogas. O crack é uma peste social. Tem características endêmicas violentas pelo preço e pelo estrago que faz na cabeça da garotada. Está por trás das guerras de traficantes, é gente que vai roubar para comprar droga e acaba matando. Segurança é um trabalho de planejamento, com indicadores e metas. Estamos reaproximando as polícias civil e militar, elas são complementares e não antagônicas. Fizemos convênio com o FBI para modernizar equipamentos de investigação, digitalizamos as carteiras de identidade para evitar falsificações. Enfim, estamos abraçando as boas práticas. E com indicadores que eu considero positivos.

Ampliar o contingente. Não tenho capacidade ilimitada de contratação. Vamos aumentar a autoestima da tropa, que depois da greve de 2001 ficou muito balançada e estamos fazendo um trabalho interno para melhorar isso. O resto pra mim é modernização. Não vou simplificar dizendo que segurança é só a ponta da polícia. É também a ponta preventiva: saúde, educação, emprego. Pra mim é um dado de segurança a criação de mais de 14 mil empregos na Bahia. É isso que vai fazer as pessoas fugirem da violência.

O que está acontecendo é que em grandes conglomerados humanos, como Conquista, Feira, Porto Seguro e Ilhéus, o marginal chega e enxerga uma oportunidade maior para traficar e vender a porcaria dele. Não estamos descuidando. Eu cuido de um Estado do tamanho da França, com 14 milhões de pessoas, 417 cidades. Estou longe de pretender dizer que está 100% a questão da segurança, mas na área de segurança tudo o que você evita não aparece. Aparece quando morre uma pessoa, tem um assalto a banco, um fato negativo. É o mesmo na saúde. Você atende 100. Um que não consiga atendimento é a notícia, o reclame. Mas eu não reclamo. Não brigo com a população e não reclamo com a imprensa. Eu acho que vocês têm que ser controle de qualidade de governo. Vocês estão aí para isso. O que passa bem feito, passa batido. De vez em quando, vocês até dão uma reconhecida (risos). Mas essa obrigação, a de divulgar, é minha.


Carlos Augusto Carlos Augusto
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JOSIAS GOMES: “A RAÇA DO DEM ESTÁ ACABANDO”

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40 mil pedem troca de aposentadoria

Folha de S.Paulo

Uma onda de ações judiciais contra o INSS invadiu os tribunais do país para garantir aos aposentados que continuam trabalhando o direito de trocar de benefício. No ano passado, esse tipo de causa chegou a representar, só em São Paulo, mais de 40% dos processos distribuídos nas varas previdenciárias do Estado.

A troca de aposentadoria --chamada também de "desaposentação"-- permite a quem permaneceu trabalhando após se aposentar renunciar ao benefício que recebe para obter um novo de maior valor. Com a permanência na atividade, o aposentado continua contribuindo para a Previdência e consegue reduzir o impacto negativo do chamado fator previdenciário, mecanismo que reduz o valor dos benefícios de quem se aposenta mais cedo, premiando quem passa mais tempo no mercado.

Especialistas ouvidos pela reportagem estimam que 40 mil ações sobre o assunto já estejam em análise no Judiciário. O Ministério da Previdência calcula que há, hoje, 1,6 milhão de aposentados no mercado de trabalho contribuindo para o INSS. Em tese, esse é o universo de trabalhadores que poderiam pedir a troca de aposentadoria.

Revisão de 90 a 94 dá atrasados de até R$ 57 mil

Ana Magalhães
do Agora

Os segurados que se aposentaram com valores próximos ao teto do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) entre abril de 1990 e fevereiro de 1994 podem tentar na Justiça uma revisão que garante atrasados de até R$ 57 mil e aumento de 57% no valor do benefício.

A vantagem pode ser conquistada para o segurado que se aposentou depois de 1989, mas que poderia ter pedido o benefício até 1988.

A revisão deve-se ao fato de terem ocorrido mudanças no teto do INSS em 1989, quando o limite máximo de pagamentos previdenciários caiu de 20 para dez salários mínimos. Devido a essa mudança, quem poderia ter se aposentado até 1988, mas deixou para pedir o benefício depois disso, teve sua aposentadoria calculada pelas novas regras e acabou sendo prejudicado.

Fonte: Agora

Um desastre bem arquitetado - Governo Collor Poupança confiscada: desastre bem arquitetado que completa 20 anos

Protasio Nene/AE

Protasio Nene/AE / A ministra Zélia Cardoso de Mello, na confusa entrevista em que anunciou o Plano Collor: maior choque da história da economia nacional A ministra Zélia Cardoso de Mello, na confusa entrevista em que anunciou o Plano Collor: maior choque da história da economia nacional
Memória

Um desastre bem arquitetado

Vinte anos depois, confisco da poupança parece obra de lunáticos. Mas, para alguns economistas, ideia central do Plano Collor fazia sentido

Fernando Jasper - Colaboraram André Lückman e Rosana Félix

Economistas podem até se referir a ela usando termos como “empréstimo compulsório”, “enxugamento monetário” e “bloqueio de liquidez”. Mas, para a maioria dos brasileiros, a medida anunciada em 16 de março de 1990, um dia após a posse do presidente Fernando Collor, será sempre lembrada como “o confisco da poupança”. O bloqueio temporário das aplicações financeiras – que atingiu também contas correntes, investimentos em renda fixa e outros – completa 20 anos depois de amanhã, e provavelmente continuará sendo, por muitas décadas, a mais desastrada tentativa brasileira de derrotar a inflação. “Depois do Plano Collor, as pessoas passaram a ter mais medo dos pacotes anti-inflacionários do que da própria inflação”, resume o ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco.

A estratégia concebida pela equipe da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, minou a credibilidade das aplicações financeiras. A breve recessão esperada pelo governo transformou-se numa queda de 4,35% do Produto Interno Bruto (PIB), a mais violenta do país no século 20. E nem assim os preços se estabilizaram. A inflação, que naquele março atingiu o recorde histórico de 82,4%, recuou para 7,5% em maio, mas logo depois voltou aos dois dígitos.

Eleições de 1989

Bloqueio foi discutido por equipe de Lula

O mesmo trabalho acadêmico que serviu de base ao Plano Collor foi discutido pela equipe do então candidato Luiz Inácio Lula da Silva em 1989 – e é correto afirmar que a proposta poderia ter sido adotada ainda que Fernando Collor tivesse perdido a eleição. É o que afirma o professor da Unicamp Carlos Eduardo Carvalho, autor de uma tese de doutorado sobre o plano. Credibilidade não lhe falta: ele era o coordenador do programa de governo de Lula naquele ano.

Em vários artigos, Carvalho conta que a ideia do “bloqueio de liquidez” estava presente no texto “Crise e reforma monetária no Brasil”, dos economistas Luiz Gonzaga Belluzzo e Júlio Gomes de Almeida. Inicialmente, essa proposta circulou na equipe de Ulysses Guimarães, candidato derrotado no primeiro turno. Logo depois, foi levada pelo economista Antônio Kandir à assessoria econômica de Lula. E, em 16 de março de 1990, o mesmo Kandir estava na coletiva de anúncio do Plano Collor, ao lado de Zélia Cardoso de Mello, como membro de sua equipe.

Em sua tese, Carvalho defende que o plano não falhou na sua execução, e sim por ser “inaplicável”. Segundo ele, seria impossível reter recursos por tanto tempo sem paralisar o sistema de pagamentos e gerar uma grave crise bancária. (FJ)

“Meu pai tinha recém-comprado um apartamento na planta. O dinheiro para pagar boa parte das prestações estava na poupança, e ficou bloqueado. Hoje ele não quer nem ouvir falar no assunto”, conta o consultor financeiro Raphael Cordeiro. Para o advogado e bancário aposentado Wilson Mugnaini, o trauma foi outro. “A poupança era quase sagrada. Por isso, naquela época confusa, antes da posse do Collor, resolvi abrir cadernetas para mim e para meus três filhos. E, na condição de gerente do Banestado, orientei muitos clientes a fazerem o mesmo. Imagine como me senti quando elas foram bloqueadas.”

O objetivo central do plano era, assumidamente, travar a atividade econômica, ao menos por um tempo. Com o povo sem dinheiro para gastar, os preços parariam de subir e, em seguida, a economia se estabilizaria. “Na essência, um absurdo jurídico e econômico”, diz Gustavo Franco, um dos formuladores do Real – plano que, em 1994, derrotaria a inflação.

Muitos economistas, no entanto, avaliam que o bloqueio fazia sentido naquela época. “A inflação se autoalimentava, porque praticamente tudo era indexado, tinha correção monetária. Isso vinha de muitos anos, e todos os pacotes tinham falhado. Hoje, a ideia do bloqueio parece exótica, mas, para vencer aquela inércia inflacionária, era preciso uma pancada muito forte”, avalia Luiz Afonso Cerqueira, do conselho consultivo do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-PR).

O caos econômico não se resumia à hiperinflação. O país estava em moratória, sem acesso a crédito externo, e suas reservas cambiais eram de quase zero. “Algo muito drástico tinha que ser feito”, defende Eustáquio Reis, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). “E o plano foi muito bem arquitetado em sua tentativa de barrar a liquidez do sistema econômico, então absolutamente descontrolada.”

Se o plano era tão bom, o que falhou? A execução, respondem os economistas. “Os bancos ficaram absolutamente travados, e o Banco Central teve de socorrê-los, liberando crédito. E os bancos passaram a refinanciar clientes que tiveram dinheiro bloqueado, de certa forma liberando recursos que deveriam estar esterilizados”, diz Cerqueira.

Reis acrescenta as chamadas “torneirinhas”, canais por onde o dinheiro represado vazou. “Aposentados, pessoas com problemas de saúde e outras conseguiram o direito a sacar o dinheiro bloqueado. Estados e municípios foram autorizados a receber impostos por meio de transferências desse dinheiro. Sem contar a indústria de pequenas fraudes, em que pessoas e empresas repassavam direitos de saque umas às outras. Na prática o bloqueio acabou sendo muito menor que o planejado, limitando o cerco à inflação.”

Fonte: Gazeta do Povo

25 anos de tropeços e avanços

Redemocratização

Reginaldo Manente/AE

Reginaldo Manente/AE / Sarney durante a posse da Presidência, para a qual havia sido eleito Tancredo Neves Sarney durante a posse da Presidência, para a qual havia sido eleito Tancredo Neves
Desafios


Posse de José Sarney, em 15 de março de 1985, marcou a volta das liberdades civis e direitos sociais. Especialistas dizem que ainda há muito a fazer

Rhodrigo Deda, especial para a Gazeta do Povo

A posse de José Sarney na Presidência da República há 25 anos, em 15 de março de 1985, representou apenas o início do processo de redemocratização do país, que segue aos trancos até hoje. Apesar dos avanços – as liberdades civis terem sido restauradas e direitos sociais, ainda que de forma precária, assegurados – há uma série de temas que precisam ser enfrentados para que o Brasil concretize seu processo democrático. É necessário ampliar a participação e a cultura política dos cidadãos, tornar a estrutura dos partidos políticos mais aberta e transparente e incluir a população nos círculos decisórios do país. É o que apontam especialistas consultados pela Gazeta do Povo.

“Sempre é um avanço a substituição de uma ditadura por um governo civil”, afirma o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade de Campinas, Roberto Romano. “Aprendemos muito com a redemocratização, mas espero que aprendamos ainda mais.” Para aprimorar o regime, ele considera necessária uma reforma política ampla no país. “Há a necessidade de democratização dos partidos políticos. Eles continuam nas mãos das mesmas oligarquias que mandam há 40 anos.” Romano lembra que esses caciques regionais controlam os recursos partidários e indicam candidatos de forma absoluta, sem a participação das bases das legendas. “Sempre faço uma comparação com futebol. Quem manda são os cartolas; a torcida não apita no cenáculo.” Segundo ele, com partidos mais acessíveis, haverá a possibilidade de se discutir verdadeiramente a cidadania.

WPO/Governo de Minas Gerais

WPO/Governo de Minas Gerais / Telão mostra imagem de Tancredo Neves durante homenagem ao ex-presidente em Belo Horizonte, realizada no último dia 5 de março. Na ocasião foi inaugurado um centro administrativo do governo mineiro, batizado com o nome de Tancredo, que completaria o centenário neste ano Ampliar imagem

Telão mostra imagem de Tancredo Neves durante homenagem ao ex-presidente em Belo Horizonte, realizada no último dia 5 de março. Na ocasião foi inaugurado um centro administrativo do governo mineiro, batizado com o nome de Tancredo, que completaria o centenário neste ano

Histórico

Após o fracasso do movimento das Diretas Já – que reivindicou eleições presidenciais diretas entre 1983 e 1984 – as atenções do mundo político se voltaram para as eleições que seriam realizadas pelo Colégio Eleitoral, em 1985

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Balanço

Veja alguns pontos em que o Brasil apresentou melhoras e outros que ainda precisa enfrentar, após 25 anos de redemocratização.

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Posse de Sarney esfriou ânimos dos herdeiros das Diretas Já

A posse do primeiro presidente civil após o regime militar foi um momento frustrante para a grande parcela da população – principalmente aqueles que apoiaram as “Diretas Já” nos anos anteriores.

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O professor de Ciência Política Adriano Codato, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), considera essencial ampliar o controle social da sociedade sobre os representantes eleitos. “É preciso criar mecanismos de controle mais rigorosos sobre os representantes, com mais canais de informação e comunicação para que prestem contas e cumpram promessas eleitorais.” Codato afirma também que o Brasil precisa baratear os custos das eleições, o que contribuiria para reduzir a corrupção e a elitização da política. Ou seja: é preciso implementar mecanismos que deem igualdade de condições para as pessoas se candidatarem, assim como criar instrumentos que possibilitem a fiscalização dos eleitos.

Embora ainda haja muito que fazer, pode-se observar grandes avanços nos últimos 25 anos. Essa é a opinião de Marcelo Simas, coordenador do FGV Opinião, o núcleo de pesquisas da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getulio Vargas. “Tivemos um governador preso há pouco tempo. Isso é extremamente inédito”, afirma Simas. Segundo ele, há uma série de outros fatos que demonstram essas mudanças. “Empresários hoje são presos por sonegação fiscal. Parlamentares sofrem processos de cassação, as instituições estão funcionando cada vez mais e melhor.”

Resquícios

Para o diretor da organização não governamental Contas Abertas, Gil Castelo Branco, pode-se considerar como um resquício da ditadura militar a ausência de participação do cidadão. “Praticamente toda uma geração teve suas liberdades tolhidas, censuradas, o que até hoje deixa suas marcas.” Segundo ele, a democracia é muito recente e, aos poucos, deve se consolidar. Ele ressalta que já ocorreram turbulências graves no campo político, mas não houve retrocessos para novas formas de ditadura. “Tivemos o episódio do impeachment do (presidente Fer­nando) Collor”, exemplifica. Ele pondera que ainda há declarações e gestos que atentam contra a democracia, como as tentativas de querer ampliar o número de reeleições. “Mas estamos gradativamente consolidando o regime.”

Castelo Branco considera que um dos pontos que não foi atacado no período da ditadura e que perdura até hoje é a corrupção. “A ditadura não combateu a corrupção, como seus dirigentes diziam que iriam fazer.” Ele aponta como positivo uma alteração na mentalidade econômica dos dirigentes brasileiros pós-ditadura. “O pensamento da época centrava-se no dilema de que era preciso fazer o país crescer para, depois, distribuir o ‘bolo’. A ditadura foi um período de crescimento. Contudo, centrou-se em uma tese equivocada”, avalia Castelo Branco. “Já nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Lula a tese mudou. Percebeu-se que era possível crescer e tornar o país mais igual.”

Fonte: Gazeta Online

A chegada do “profeta”?

Lula chega a Jerusalém como novo mediador do conflito territorial; israelenses querem aproveitar popularidade do presidente

| Helena Carnieri, enviada especial

Haifa, Israel - A visita do presidente Lula a Is­­rael, que começa hoje e vai até ter­­ça-feira, deve ao mesmo tempo ir­­ritar e agradar os israelenses. En­­quan­­to alguns rechaçam a oferta bra­­­­sileira de mediar o conflito ét­­ni­­co e territorial do Oriente Mé­­dio, que consideram no mínimo es­­tranha, vindo de um país tão a­­­­lheio à discussão, outros estão en­­can­­tados com a popularidade e o jo­­go de cintura internacional de Lula.

O líder brasileiro chega ao Oriente Médio em um momento de novo foco de tensão entre israelenses e palestinos. Israel anunciou na terça-feira a expansão dos assentamentos judeus na Cisjordânia com a construção de 1.600 novas casas em Jerusalém Oriental.

Helena Carnieri/Gazeta do Povo

Helena Carnieri/Gazeta do Povo / A partir da esquerda, os jovens israelenses Tom, Masha e Gil, todos com 17 anos: expectativa de servir o Exército Ampliar imagem

A partir da esquerda, os jovens israelenses Tom, Masha e Gil, todos com 17 anos: expectativa de servir o Exército

Tradição

Exército tem jovens como “cartão de visita”

Helena Carnieri

Uma das ferramentas da diplomacia israelense no mundo são os soldados que o país envia todos os anos para outros países. Aqui, as Forças Armadas passam por fenômeno oposto ao que ocorre no Brasil: todos querem servir. Mesmo aqueles que poderiam ser liberados do serviço obrigatório, como filhos únicos ou cujo pai ou irmão morreram em serviço, com fre­­quência se alistam.

“Eu quero muito servir na infantaria e fazer incursões no Líbano”, diz Gil Cohen, enquanto conversa com colegas num parque de Haifa, aparentemente despreocupado com a previsão de que uma nova guerra contra países árabes ocorra dentro de dois anos.

A informação teria sido conseguida pelo Exército, ele conta. A impressão de que o garoto de 17 anos não tem ideia da periculosidade que tal evento teria é desfeita rapidamente. “A maturidade com que os soldados saem do Exército é um dos melhores fenômenos. Enquanto garotos americanos estão fazendo besteira na faculdade, nós vemos a guerra e sabemos o que é a vida”, diz.

Enquanto os garotos servem três anos, meninas servem dois. Há, claro, exceções na empolgação militar da juventude. Masha Gerber quer ser dançarina e espera ser liberada do serviço. “Talvez achem que não tenho o físico para servir”, diz. (HC)

A decisão israelense estremeceu a retomada de negociações de paz e provocou vários protestos na região. A comunidade internacional, incluindo Brasil, EUA, ONU e Europeia, fez duras críticas ao governo de Israel.

O cenário de tensão é intensificado com os choques entre manifestantes e policiais em Jerusalém, após o fechamento temporário do acesso à Cisjordânia.

Apesar de deixar claro nas entrelinhas seu posicionamento pró-palestino, o líder brasileiro também busca proveito nessa aproximação. Em entrevista a jornalistas israelenses em São Paulo, na última sexta-feira, afirmou ter chegado “a hora de trazer para a arena novos participantes que possam fazer avançar novas ideias”. O porta-voz da Presidên­­cia, Marcelo Baumbach, confirmou que o presidente deve pressionar pela criação de um Estado palestino e pelo diálogo com o Irã durante a visita. O jornal israelense Haaretz rotulou o presidente como “profeta do diálogo”.

“É claro que o Brasil quer al­­cançar mais espaço no mundo, e resolver o conflito do Oriente Médio seria uma ótima forma de alcançar essa posição”, julga a editora-chefe da revista Jerusalem Report, Eetta Prince-Gibson. “A proposta soa estranha, mas seria interessante ter essa outra perspectiva, afinal, já vimos o que os EUA e a Europa podem fazer e nada funcionou.”

Marketing nacional

A melhora na imagem brasileira na última década surge como “case de sucesso” para um país que, desde sua criação há 62 anos, aplica um enorme aparato de relações públicas destinado a tornar tragável sua política para a população palestina.

A mais nova iniciativa nesse sentido é uma campanha do Ministério de Israel para Diplo­­macia Pública e a Diáspora que envolve a caricaturização da cobertura jornalística de Israel (veja em www.masbirim.gov.il). Em um dos vídeos, um repórter de língua inglesa apresenta um camelo e explica que o animal é usado “como meio de transporte de pessoas e até munições no deserto onde os israelenses vi­­vem”. Em outro, uma repórter latina apresenta um churrasco israelense como uma forma de cocção primitiva. O narrador pergunta então se o espectador não está cansado da forma como Israel é retratado internacionalmente, e afirma ser possível mudar isso. Basta que cada israelense explique (“masbirim”) seu país pelo mundo afora. “É uma ideia interessante, porque todo israelense vai para o Exército e alguns passam anos fora do país”, diz a socióloga Yahel Kurlander, que serviu na Índia.

O detalhe é que, para funcionar, essa espécie de “divulgação-cidadã” precisa ser coordenada. “A população pode fazer estragos, se não souber identificar as contra-campanhas de outros países”, diz a empresária de comunicação virtual Paula Stern.

Como exemplo, ela cita a atuação do Exército israelense no resgate às vítimas do terremoto do Haiti, em janeiro. “Fomos os primeiros a aterrissar no país, apenas 15 horas após o tremor. Salvamos muitas vidas, mas agora a Síria iniciou uma campanha dizendo que Israel está lá para roubar órgãos”, reclama.

A imagem negativa é confirmada pelo diretor de uma escola para palestinos em Haifa, na costa israelense, Jalal Hassan. “Por causa de tudo que fizeram com eles, os judeus ficaram paranoicos. Veem o mundo todo como inimigos, especialmente nós. É como se usassem óculos o tempo todo para enxergar o que querem fazer de ruim com eles. Não é normal.”

A campanha de divulgação “viral” do governo israelense in­­clui ainda a formação de 70 grupos de trabalho para treinar os novos “embaixadores”, com destaque para atletas, homens de ne­­gócio, estudantes e acadêmicos.

Isso porque, além de reunir a elite formadora de opinião, é nas universidades mundo afora que israelenses como a jornalista Eet­­ta dizem receber mais hostilidade. “Me senti ameaçada em uma universidade do Rio de Janeiro. Como população, não estávamos preparados para a campanha de deslegitimação que vem ocorrendo contra o país desde o início da década”, enfatiza.

Alguns vão mais longe, como a professora de Comunicação da Uni­­versidade de Haifa, Sondra Ru­­bens­­tein. “Como eu poderia di­­­­zer que as relações públicas de Is­­rael vão bem quando há pessoas organizando manifestações universitárias em que falam apenas ex­­tre­­mistas palestinos?”, questiona. A maior falha da divulgação israelen­­se, segundo ela, está no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Em outras áreas, como cooperação para o desenvolvimento, o trabalho é considerado satisfatório. Um programa do Ministério de Relações Exteriores, por meio de sua agência para a cooperação com o desenvolvimento (Mashav), já treinou 200 mil jovens nas mais diferentes áreas, em cursos de curta duração que levam profissionais de países pobres a Israel para ver o país “de dentro”.

Fonte: Gazeta On Line

Credenciais ao candidato

Dora Kramer


Sinceridade, serenidade, crítica sem agressão, propostas no lugar de promessas, são as linhas gerais da campanha presidencial do governador de São Paulo, José Serra, que já estão delineadas e farão parte do discurso dele no ato oficial de lançamento da candidatura, previsto para o fim da primeira semana de abril em Brasília.

As datas mais prováveis são sexta-feira, 9, ou sábado, 10 de abril, dias considerados mais eficazes em termos de aproveitamento nos meios eletrônicos. A decisão de não fazer o ato no início da semana é porque logo depois do feriado da Semana Santa os convidados poderiam ter dificuldades de estar em Brasília.

Definida a agenda, a hora agora é de Serra preparar a transição administrativa do governo de São Paulo e pensar na melhor forma de se apresentar ao eleitorado com um esboço de seu programa de governo, onde o conceito de “Estado ativo” é o fio condutor.

Questões políticas ficam para depois. A organização das coligações estaduais será feita em abril e maio, mas a definição do candidato a vice-presidente pode só ocorrer perto da realização da convenção do partido, em junho.

Por enquanto, Serra não quer falar _ e gostaria muito que o partido também não falasse _ da questão Aécio Neves. No entendimento dele, a pressão é contraproducente.

Tanto para o êxito da formação da chapa tal como os tucanos consideram o ideal, quanto para a candidatura presidencial, pois fica a impressão de que a vitória depende do vice.

A matriz do discurso de Serra, e consequentemente de seu programa, no lançamento da candidatura é o pronunciamento feito na posse como governador de São Paulo, há três anos.

Na ocasião, José Serra disse que iria governar o estado “voltado para o Brasil”. Foram palavras nitidamente referidas no projeto futuro de voltar a se candidatar a presidente da República e que será retomado agora, no momento da concretização do plano.

José Serra apresenta-se como defensor do “ativismo governamental”, que define como um meio-termo entre “o poderoso Estado Nacional Desenvolvimenista do passado” e o “Estado da pasmaceira, avesso à produção”.

Até porque “aquele Estado ficou no passado, mas a questão nacional e a questão do desenvolvimento continuam no presente”.

“O objetivo de materializar as condições de uma plena cidadania exige políticas nacionais, exige ativismo governamental na procura do desenvolvimento e da maior igualdade social”.

Assistência social? Na visão de Serra, tais políticas são “justas e necessárias”, desde que o Estado se empenhe em promover o desenvolvimento para não transformar os pobres em uma “clientela cativa do assistencialismo”.

E o que falta para aumentar a capacidade produtiva e o emprego? Na opinião do candidato, capital há. O que não existe são oportunidades lucrativas de investimentos, “espantadas pela pior combinação de juros e câmbio do mundo, em meio a uma carga tributária sufocante”.

Serra prega a “necessidade de uma prática transformadora na política brasileira”, começando pelo repúdio ao “mote fatalista e reacionário de que a desonestidade é inerente à vida pública, que o poder necessariamente corrompe o homem. Não é assim, alguns homens corrompem o poder”.

Essa transformação implica o controle firme do Estado por ele próprio, “funcionando como um todo coerente sob o ponto de vista moral, da eficiência e das metas” sem aceitar a banalização do mal na política.

Um instrumento indispensável é o controle do Estado “por uma sociedade atuante, capaz de se defender dos abusos e de influir nas ações públicas”.

Sobre o papel da oposição Serra falava na perspectiva de opositor ao governo federal, mas mantém, como pretendente a presidente, a validade do conceito: “À oposição cabe, óbvio, se opor. A governabilidade é tarefa de quem obteve das urnas o mandato para governar. Quem é altivo na derrota não se sujeita. Quem é humilde na vitória não exige sujeição.”

Fonte: Gazeta do Povo

Uma viagem perigosa

Carlos Chagas

Embarcou o presidente Lula, ontem, para Israel e Palestina. É o primeiro governante brasileiro a viajar para o Oriente Médio, depois de D. Pedro II. Também visitará o Líbano.

Trata-se de um risco desnecessário, apesar de um gesto não propriamente de boa vizinhança, dada a distância que nos separa dessas duas nações, mas elogiável por parte do presidente de um país que emerge no cenário político internacional.

O risco? De desagradar as duas comunidades em choque, em vez de agradá-las. Em especial se praticar o improviso, senão nos pronunciamentos oficiais, ao menos nas entrevistas e comentários que certamente fará, provocado ou não. Alguém já disse, dois mil anos atrás, naquela região, ser impossível servir a dois senhores ao mesmo tempo. Nos tempos atuais, Israel e Palestina confrontam-se desde 1947, quando as Nações Unidas recomendaram a criação de dois estados no mesmo território, mas apenas um conseguiu formar-se.

Diante da Autoridade Palestina, o Lula não poderá deixar de manifestar-se pela criação do estado ainda inconcluso. Mas no parlamento israelense, como será recebida sua exortação?

Estaremos entrando gratuitamente num vespeiro que apenas o tempo, dependendo do destino, se encarregará de resolver. Para quê? Além de estarem acirradas as expectativas entre as comunidades israelita e árabe incrustadas no Brasil e convivendo em paz, fica óbvio que o presidente brasileiro não levará em sua bagagem uma varinha de condão destinada a realizar o milagre da convivência até hoje malogrado apesar das tentativas dos Estados Unidos, da Europa e da Ásia.

Nossas viagens presidenciais ao exterior tem, geralmente, objetivos econômicos e comerciais. Visam captar investimentos, sugerir parcerias e celebrar contratos variados, capazes de beneficiar as partes. O que poderá a Palestina oferecer-nos? E nós, àquela nação? Israel não se sentirá agastado com a interferência brasileira? Em suma, uma viagem perigosa.

EM VEZ DE INVESTIGAR…

O que faz o PT, em vez de investigar as denúncias que envolvem lambanças na Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo, atingindo o atual tesoureiro do partido, João Vaccari Neto? Simplesmente, quer punir o mensageiro que trouxe a má notícia, no caso, o promotor José Carlos Blat.

Os companheiros representaram na Justiça contra o representante do Ministério Público, acusando-o de parcial e injusto. Conseguiram, também, em aliança com o PMDB, impedir a convocação do promotor para uma audiência pública no Senado, quando teria oportunidade de explicar sua ação. Numa palavra, o PT quer abafar mais esse episódio com aparência de corrupção explícita.

A GRANDE FESTA

Acontecerá dia 29 a despedida de Dilma Rousseff da dobradinha há dois anos mantida com o presidente Lula, ou seja, da campanha eleitoral que ambos tem desenvolvido em viagens por todo o país. O PAC II será lançado com toda pompa e circunstância num dos maiores auditórios de Brasília, com direito à presença do Lula, do alto comando e das bases do PT, além de partidos aliados, ministros e curiosos. Uma festa para ninguém botar defeito, quando a candidata deixará a chefia da Casa Civil, ainda que apenas dia 2 de abril formalize sua desincompatibilização.

Cairá no vazio o estrilo da oposição, protestando porque o PAC I não foi concluído e, assim, desnecessário seria o seu seguinte.

ABSURDOS

Todos os boatos são válidos, nestes dias que nos separam do prazo fatal para ministros e governadores candidatos às eleições de outubro deixarem seus cargos. Os maiores absurdos ganham a mídia, a maioria com ares de verdade, lançados mas logo depois dissolvidos pela própria natureza das coisas.

O mais novo durou pouco, de quinta para sexta-feira, dando conta de que Dilma Rousseff, quer dizer, o presidente Lula, apoiaria a candidatura de Alberto Anastásia ao governo de Minas. Seria uma aliança esdrúxula com Aécio Neves, capaz de fulminar José Serra.

O governador mineiro fará tudo para eleger o sucessor, é claro, já que seu futuro dependerá dele. Mas levar o caos ao ninho dos tucanos, de jeito nenhum. Por isso mandou desmentir o despropósito, curioso apenas em saber sua origem. Não deve ter sido o PT, ávido de disputar o Palácio da Liberdade com candidato próprio…

Fonte: Tribuna da Imprensa

Concurso: Aeronáutica abre 493 vagas para formação de sargentos

Redação CORREIO

A Aeronáutica abriu concurso para 493 vagas no Estágio de Adaptação à Graduação de Sargentos. Os candidatos devemter ensino médio-técnico completo ou com previsão de conclusão do curso em dezembro de 2010. Podem participar candidatos de ambos os sexos.

A remuneração durante o curso é de um salário mínimo e chega a R$ 3 mil após a formação. As oportunidades serão divididas em duas turmas de estágio, sendo 247 vagas para a turma 1 e 246 para a turma 2. A idade máxima para inscrição é de 23 anos (os candidatos não podem completar 24 anos até 31 de dezembro de 2011).

As vagas são para as áreas técnicas de eletrônica (47 para cada turma), administração (90 para cada turma), enfermagem (5 para cada turma), laboratório (2 para cada turma), sistema de informação (57 para cada turma), eletricidade (16 para cada turma), música (13 para a turma 1 e 12 para a turma 2), pavimentação (4 para cada turma), radiologia (6 para cada turma) e topografia (7 para cada turma).


(Notícia publicada an edição impressa de 13/03/2010 do CORREIO)

Ernesto Simões Filho está na memória dos cachoeiranos

Juracy dos Anjos | A TARDE

Da cidade de Cachoeira, no Recôncavo, para a luta em defesa da Bahia, do bem público e do jornalismo sério e responsável. A trajetória de Ernesto Simões Filho, fundador do jornal A TARDE, é imortalizada por seus conterrâneos devido ao orgulho que ele tinha pela cidade natal e por sua árdua defesa em prol do que acreditava ser o mais correto para a nação. Não à toa, Simões Filho está inserido na memória dos cachoeiranos, e dos demais baianos, de maneira marcante.

No livro “A vida de Simões Filho”, escrito por Pedro Calmon, o jornalista e advogado, que também foi um expoente político, não esconde o amor que sentia por ter nascido no município heroico, palco das lutas pela Independência da Bahia e do Brasil. A declaração de amor à cidade, de onde saiu para dar continuidade aos estudos em Salvador, é feita em telegrama enviado, em dezembro de 1919, para o jurista, filósofo e político Rui Barbosa.

No texto, Simões Filho agradeceu a Rui pelo discurso feito em terra baiana: “Aproveito o ensejo para agradecer o telegrama com que Vossência me honrou, aumentando a minha ufania de cachoeirano, jubiloso de saber que os meus conterrâneos se têm mostrado dignos da honrosa escolha que Vossência conferiu à heroica cidade que me é berço”.

O escritor Walfrido Moraes, autor do livro “Simões Filho - O jornalista de combate e o tributo das multidões”, destaca que o cachoeirano ilustre herdou da cidade, que “lhe serviu de berço, a força cósmica do rio que viu nascer e que banhou tantas vezes a sua infância”. De acordo com a narração, o espírito de Ernesto Simões Filho “fora marcado, de maneira indeletável, pelos exemplos edificantes de heroísmo e bravura dos humildes como dos mais ilustres vultos da história do velho Recôncavo da Bahia na defesa dos sagrados e inalienáveis ideais de liberdade e de justiça”.
Fonte: A Tarde

Divulgada a lista de aprovados do concurso da Embasa

A TARDE On Line

A lista de aprovados no concurso para os níveis técnico e médio da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa) foi divulgada neste sábado (clique aqui para acessar o site). Os convocados deverão realizar as provas práticas de esforço e resistência física, além de direção veicular com operação de equipamentos pesados.

A relação dos candidatos aprovados está dividida por cargos e cidades. Os gabaritos com o resultado final das provas objetivas também foram divulgados.
Fonte: A Tarde
Lunaé Parracho | Ag. A TARDE
Ex-governador Waldir Pires reafirmou sua intenção de entrar na disputa ao senado pela Bahia
Rita Conrado


O apoio da militância petista à candidatura do ex-governador Waldir Pires ao Senado, na chapa do governador Jaques Wagner, foi evidenciada nesse sábado, 13, durante o evento de posse da nova diretoria estadual do Partido dos Trabalhadores, no Hotel Sol Barra. Aclamado pela maioria, o ex-governador reafirmou a sua disposição em participar da disputa, apesar dos discursos de Wagner e do presidente estadual do partido, Jonas Paulo, que defendem a ampliação do leque de alianças para eleger a ministra Dilma Rousseff à presidência da República e a reeleição do governador.

“Temos que escolher se vamos decidir pela chapa dos nossos sonhos ou por uma chapa que reúna os sonhos e o compromisso de dar continuidade ao nosso projeto político, vencendo as eleições”, assinalou Wagner, que ressaltou o papel do Partido Republicano (PR), do senador César Borges, um dos postulantes à vaga ao Senado federal, e do PDT durante o que chamou de “golpe” sofrido pelo PMDB, que rompeu com o PT no estado, lançando a candidatura do ministro Geddel Vieira Lima ao governo estadual.

Forças aliadas - “Não vou impor a minha vontade, mas acredito que a chapa que precisamos construir tem que a cara do nosso governo, com velhos e novos aliados”, afirmou Wagner, ressaltando que essa composição seria com um representante das forças aliadas e um representante das esquerdas. “Mas a esquerdas no sentido amplo, que não é só o PT”.

Convencimento - O presidente empossado nesse sábado, Jonas Paulo, ressaltou o trabalho de convencimento que está sendo feito com a militância, no sentido de fazer com que seja compreendida a importância de eleger a ministra Dilma Rousseff no primeiro turno. “Há um equilíbrio no triângulo São Paulo, Minas e Rio de Janeiro que vai ser quebrado pelo Nordeste, onde a Bahia tem o maior colégio eleitoral. Não se pode pensar a Bahia sem pensar o Brasil”, afirmou Jonas, ressaltando que o quadro político-eleitoral brasileiro ainda não está definido“.

”No plano nacional, há indefinição no PSB, no PMDB e não se tem certeza nem de que Serra será mesmo candidato, especialmente quando as pesquisas mostrarem a vantagem da ministra Dilma Rousseff“, destacou Jonas.

Discurso - Para o deputado Emiliano José, um dos articuladores da candidatura do ex-governador Waldir Pires ao Senado Federal, o discurso do governador não divergiu da vontade dos que defendem a presença de Waldir Pires na chapa de Wagner. ”Nunca se falou em descartar os aliados nem em deixar de fazer inflexões à centro-esquerda“, assinalou o deputado. ” O que queremos é que um dos nomes para a disputa das vagas ao Senado seja o do ex-governador Waldir Pires“, disse o deputado, cujo discurso corroborava com a de boa parte da militância presente, q ue usava no peito um adesivo com os dizeres Voto na esquerda para o Senado".

O ex-governador Waldir Pires, que por foi diversas vezes aplaudido, reafirmou a sua intenção de entrar na disputa. "Se o PT quiser, eu serei o candidato com muita alegria", afirmou, ressaltando ter tido uma conversa "franca" e "amiga" com o governador Jaques Wagner.

Presente ao encontro, o presidente nacional do partido, José Eduardo Dutra, falou da composição de chapa majoritária na Bahia, que poderia contemplar nomes dos ex-carlistas César Borges (PR) e Otto Alencar. ”Há alianças, com ex-adversários no plano nacional“, disse Dutra.

Fonte: A Tarde

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