terça-feira, maio 16, 2006

Vencedor de leilão da Varig não herdará dívidas, diz juiz

Primeira Leitura


Quatorze grupos nacionais, além de empresas aéreas internacionais e fundos de investimentos participaram nesta segunda-feira da primeira reunião entre a Justiça e interessados em comprar a Varig, cujo leilão da parte operacional deve ocorrer no início de julho. Depois da reunião, o juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Rio, que cuida do processo de recuperação judicial da empresa, anunciou que o vencedor do leilão não herdará as dívidas fiscais e levará como parte dos ativos os hotrans (horários de transporte dos vôos). Em comunicado à imprensa, a Justiça informou que, diante das novas circunstâncias, antes se especulava que o comprador levaria as dívidas fiscais, o BNDES vai prorrogar por 48 horas o prazo que vencia nesta segunda-feira para a concessão do empréstimo-ponte. Segundo uma fonte que participou do encontro fechado à imprensa, entre os grupos brasileiros estavam as aéreas TAM, Gol, BRA, WebJet e OceanAir. Ainda segundo a mesma fonte, pelo menos oito grupos, sendo cinco empresas e três fundos de investimento, demonstraram interesse em fazer o empréstimo-ponte do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no valor de até US$ 160 milhões, para repassar à Varig e receber depois do leilão com juros. A empresa precisa desse montante para se manter em operação até a realização do leilão.

Álcool só é mais vantajoso que gasolina em apenas 3 Estados

Primeira Leitura

O litro do álcool registrou nova queda no preço na última semana, de acordo com pesquisa da ANP (Agência Nacional de Petróleo) divulgada nesta segunda-feira. No entanto, a vantagem em abastecer com o combustível em relação a gasolina foi retomada em apenas três Estados. São Paulo, Paraná e Goiás são os três Estados em que o álcool fica abaixo de 70% do valor da gasolina, em média. Nos outros 24, ainda sai mais barato utilizar a gasolina. Em São Paulo, a relação é mais vantajosa, 60% do valor da gasolina. Nos outros dois o álcool custa 68%. Os cálculos foram feitos pelo Cepea-USP (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) que recomenda ao motorista não abastecer o veículo flexfuel com álcool sempre que o preço do litro superar 70% do valor da gasolina. O percentual reflete o menor rendimento do álcool, que faz o veículo rodar menos quilômetros que a gasolina com um mesmo volume de combustível. O preço do álcool hidratado, vendido direto na bomba, teve redução de 4,38% na última semana e chegou à média de R$ 1,813 no país. em São Paulo, o combustível teve queda mais acentuada, de 7,22%, e chegou à média de R$ 1,478. Nos últimos dois meses, com o início antecipado da safra de cana, os preços do álcool hidratado nas usinas paulistas caíram 31,1%, segundo o Cepea. De R$ 1,241 na semana de 6 a 19 de março, o preço do litro, sem impostos, passou para R$ 0,855 na última.

Bolsa-Família deve investir em qualificação, diz especialista

Por: Primeira Leitura


No Valor: "O Bolsa-Família, programa social de maior amplitude do governo Luiz Inácio Lula da Silva, está deixando de atender 10 milhões de pobres com renda per capita inferior a 1/4 do salário mínimo e não pode ser visto como um programa de transferência de renda permanente. As críticas foram feitas ontem por Roberto Cavalcanti de Albuquerque, diretor técnico do Instituto Nacional de Altos Estudos (Inae). Para Albuquerque, o Bolsa-Família tem de ter seu foco direcionado aos realmente pobres e precisa ser mais eficiente na capacitação das pessoas atendidas, com o objetivo de inseri-las economicamente na sociedade. Um dos pontos ressaltados por Albuquerque é o de que o governo poderia investir mais na qualificação das pessoas para o mercado de trabalho. 'A educação-qualificação deveria ser a primeira prioridade, podendo ser ampliada da educação básica de crianças e adolescentes para a escola supletiva eficiente para os adultos jovens', diz Albuquerque em seu estudo Vez e Voz aos Pobres, apresentado ontem na 18ª edição do Fórum Nacional. Segundo ele, o país vive hoje um paradoxo. Tem 35 milhões de excluídos da economia, ao mesmo tempo em que convive com um cenário de inclusão eleitoral: cerca de 94% da população com mais de 16 anos está apta a votar. Albuquerque mostra que houve redução da pobreza de 1970 a 2004 - de 61,1 milhões (68% da população) para 34,7 milhões de pobres (20% da população). A despeito dessa redução, a desigualdade de renda persiste. Enrique Iglesias, ex-presidente do BID, alertou: 'A desigualdade social é uma ameaça à estabilidade.' "

segunda-feira, maio 15, 2006

Parreira convoca a lista de jogadores do Brasil para a Copa do Mundo

Por: Futeboltotal


O técnico Carlos Alberto Parreira anunciou os 23 jogadores que tentarão na Alemanha a conquista do hexacampeonato. A delegação do Brasil viaja neste domingo para Weggis, na Suíça, para um período de preparação até o dia 4 de junho. A estréia do Brasil na Copa do Mundo da Alemanha será no dia 13 de junho contra a Croácia, em Berlim.
Confira a lista completa:
Dida (1) - Reserva em 2002, o goleiro do Milan disputará na Alemanha a sua segunda Copa do Mundo. Foi o titular na Copa das Confederações de 2005.
Convocações:135
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Rogério Ceni (12)- Participou também da campanha do pentacampeonato em 2002. Goleiro do São Paulo, vai disputar a sua segunda Copa do Mundo.
Convocações:38
Jogos:16
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Julio Cesar (22) - O goleiro do Internazionale vai disputar a sua primeira Copa do Mundo. Foi titular na conquista da Copa América de 2004.
Convocações:34
Jogos:11
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Cafu (2) - Capitão da Seleção Brasileira nas Copas de 98 e 2002, tetracampeão do mundo em 94, o lateral do Milan vai disputar o seu quarto Mundial, é o jogador com mais partidas na Seleção e é recordista em participações em finais.
Convocações:182
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Cicinho (13) - Titular na conquista da Copa das Confederações de 2005, o lateral do Real Madrid vai disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:14
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Roberto Carlos (6)- Pentacampeão do mundo em 2002, foi vice em 1998. O lateral-esquerdo do Real Madrid vai disputar a terceira Copa do Mundo.
Convocações:143
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Gilberto (16) - Lateral-esquerdo do Hertha Berlim, campeão da Copa das Confederações de 2005, vai disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:18
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Lúcio (3) - Zagueiro titular na conquista do pentacampeonato em 2002. Jogador do Bayern de Munique, vai disputar a segunda Copa do Mundo.
Convocações:66
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Juan (4) - Zagueiro do Bayer Leverkusen, vai disputar a primeira Copa do Mundo. Titular na conquista da Copa América de 2004.
Convocações:63
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Luisão (14) - Zagueiro do Benfica, também vai participar da primeira Copa do Mundo. Foi campeão da Copa América de 2004.
Convocações:40
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Cris (15) - Campeão da Copa América de 2004, o zagueiro do Paris Saint-Germain vai disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:37
Jogos:17
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Emerson (5) - Disputou a Copa do Mundo de 1998, foi cortado por contusão da Copa de 2002. Jogador do Juventus, via disputar a sua terceira Copa do Mundo.
Convocações:96
Jogos:72
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Gilberto Silva (17) - Titular na conquista do pentacampeonato em 2002, jogador do Arsenal, vai disputar a segunda Copa do Mundo.
Convocações:51
Jogos:38
Gols:3
Edmílson (18) - Titular na conquista do pentacampeonato em 2002, jogador do Barcelona, vai disputar também a segunda Copa do Mundo.
Convocações:53
Jogos:36
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Kaká (8) - Participou da campanha do pentacampeonato em 2002. Destaque na conquista da Copa das Confederações de 2005, vai disputar a segunda Copa do Mundo.
Convocações:48
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Juninho Pernambucano(19) - Participou da campanha da conquista da Copa das Confederações de 2005, jogador do Paris Saint-Germain, vai disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:53
Jogos:38
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Zé Roberto (11) - Participou da Copa do Mundo de 1998. Campeão da Copa das Confederações de 2005, vai disputar a segunda Copa do Mundo.
Convocações:118
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Gols:5
Ronaldinho Gaúcho (10) - Pentacampeão do mundo em 2002, destaque da conquista da Copa das Confederações de 2005, vai disputar a segunda Copa do Mundo.
Convocações:80
Jogos:65
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Ricardinho (20) - Participou da campanha da conquista do pentacampeonato, jogador do Corinthians, vai disputar a segunda Copa do Mundo.
Convocações:28
Jogos:18
Gols:1
Ronaldo (9) - Bicampeão do mundo (94 e 2002), vice-campeão em 98, artilheiro da Copa do Mundo de 2002, atacante do Real Madrid, vai disputar a quarta Copa do Mundo.
Convocações:122
Jogos:97
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Robinho (23) - Jogador do Real Madrid, campeão da Copa das Confederações, vai disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:22
Jogos:18
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Adriano (7) - Campeão, artilheiro e melhor jogador da Copa das Confederações de 2005, artilheiro e campeão da Copa América de 2004, via disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:45
Jogos:33
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Fred (21) - Jogador do Paris Saint-Germain, vai disputar a primeira Copa do Mundo.
Convocações:4
Jogos:3
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População pagará a conta da TV digital

Por: Adital

Adital - O custo da transição para a TV Digital pode causar uma nova crise no setor de mídia, como a ocorrida com os investimentos para a implantação das redes de TV a cabo nos anos 90. É o que revela o relatório final do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre, entregue pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpqD) ao governo federal. O Fórum Nacional de Democratização da Comunicação (FNDC) informa que este relatório está aliado a uma análise do modelo de financiamento da radiodifusão e aos valores médios para acesso à Internet no Brasil.
Para a população, a transição pode custar R$ 287 bilhões ao longo de 15 anos. Gastos iniciais para as emissoras podem chegar a R$ 5,5 bilhões nos primeiros cinco anos e o bolo publicitário é insuficiente para financiar os novos investimentos

Segundo o FNDC, As estimativas do CPqD apresentadas no documento revelam que a população pagará a maior parte da conta da transição do modelo analógico da radiodifusão de sons e imagens para o digital. Fixando os custos com a compra da unidade receptora-decodificadora (decodificador acoplado ao televisor) e da antena digital em R$ 400, a transição para os brasileiros só com os novos equipamentos seria de R$ 18 bilhões ao longo de 15 anos, que é tempo mínimo previsto para o encerramento das transmissões analógicas. Estes valores aumentam se a opção pelo canal de interatividade também for financiada pela população a uma mensalidade de R$ 15, ou R$ 180 por ano.

Outro custo que faz parte da equação são os R$ 203,44 que cada um dos domicílios brasileiros com aparelho receptor pagou no ano passado para ver televisão, sob a forma de custos de mídia repassados para os preços finais de produtos, serviços e tributos.Somando tudo isso, e levando-se em consideração a existência de 46,7 milhões de domicílios com TV no Brasil (91% dos lares brasileiros conforme o IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), ao longo de 15 anos, a transição pode custar ao bolso da população R$ 286 bilhões. Some-se a isso os valores com a aquisição de terminais portáteis e móveis de TV digital, bem como o custo para o acesso sem-fio, e a estimativa ultrapassa a casa dos R$ 300 bilhões.

Na ponta das emissoras, a maior parte dos investimentos deverá se dar na rede de transmissão e retransmissão. É aqui que se encontra o maior obstáculo para a entrada de novas instituições e mesmo das geradoras educativas e dos canais básicos de utilização gratuita previstos pela lei do cabo (canais comunitários, educativo-culturais, legislativos, universitários). Outro impedimento deverá se dar para muitas prefeituras e câmaras de vereadores do interior do Brasil que hoje bancam a estrutura da retransmissora de uma rede comercial ou estatal no município por falta da presença das mesmas.

Conforme o CPqD, 8% da população brasileira (7% dos domicílios e 24,5% do total de municípios) não está coberta pelos canais de freqüência de caráter primário (as geradoras principais), sendo atendidas pelo poder público e com canal secundário (não protegido de interferências). Os custos de captação da geradora (equipamentos instalados no estúdio) não foram estimados pelo estudo do CPqD.

Com base nestas referências, o CPqD estima em R$ 4,37 bilhões os custos para a transição das emissoras privadas e em R$ 1,25 bilhão para as emissoras públicas. Ou seja, um total de R$ 5,62 bilhões. Em uma das três simulações de modelos econômicos feitas pelo centro de pesquisas para o caso das geradoras, o custo médio anual de implantação para todas as emissoras privadas é de R$ 800 milhões durante cinco anos. Para as emissoras públicas, chega-se a uma média de R$ 215 milhões ao longo de três anos.

ATITUDE PRESIDENCIAL

Por: Dora Kramer

Se a crise política e os escândalos de corrupção não atingiram de maneira definitiva a imagem pessoal do presidente Luiz Inácio da Silva, a mesma segurança o mundo político não tem em relação aos efeitos que a crise da Bolívia pode provocar.
Entre os especialistas em estratégia eleitoral e pesquisas de opinião, ninguém sabe ao certo se Lula sairá enfraquecido ou se poderá acabar até fortalecido por sua condução no episódio.
A contar pelo cenário de perdas políticas no terreno internacional, resultantes da atitude entre perplexa e hesitante do governo brasileiro frente aos repetidos desaforos de Evo Morales, a hipótese do fortalecimento parece absurda.
Em princípio, o caso tem tudo para render prejuízos ao presidente. Não necessariamente no tocante a resultados eleitorais. Mas parece quase impossível que a percepção popular a respeito do desempenho de Lula como chefe de Estado, defensor dos interesses da Nação, não seja afetada negativamente.
Essa primeira e genericamente disseminada impressão pode vir a se revelar a expressão da verdade nas próximas pesquisas. "Ou não", pondera o sociólogo e consultor na área de comunicação política Antonio Lavareda Filho.
Lavareda trabalha há anos com o PFL, fez análises periódicas para o governo Fernando Henrique Cardoso e continua prestando serviços ao PSDB.
Se fosse hoje antecipar o quadro de perdas e ganhos para seus clientes da oposição, o sociólogo diria que é cedo para registrarem a patinada inicial do governo brasileiro na conta das vitórias políticas dos adversários de Lula.
"Primeiro, porque prejuízo concreto mesmo só haveria se houvesse também um malefício direto à população, como aumento de preço ou falta de gás e isso o presidente já garantiu que não ocorrerá."
Antonio Lavareda lembra que a crise de energia no governo Fernando Henrique Cardoso só se transformou num problema político/eleitoral para o presidente porque houve o racionamento. "Se não fosse o apagão, o debate ficaria restrito às questões da matriz energética, não haveria a materialização da crise."
Em segundo lugar, Antonio Lavareda não descarta a possibilidade de Lula "zerar o jogo". E com a ajuda do próprio Evo Morales.
"Lula tem se mantido como a grande mão estendida à Bolívia. Foi um grande eleitor de Morales e, quando se mantém cauteloso na reação, na verdade ele está evitando se auto-incriminar. Não pode assumir que não foi cauteloso, para dizer o mínimo, ao abrir o Palácio do Planalto como palanque do candidato que depois viria a se voltar contra o Brasil."
Lavareda supõe que, mesmo recuando um pouco no tom, Evo Morales vá se manter no exercício das bravatas nacionalistas até julho para conseguir apoio ao seu plano de eleger 70% dos integrantes da Assembléia Constituinte. E até lá, acredita o sociólogo, Lula vai ficar em estado de amena ambigüidade "para ajudar o amigo e para não reconhecer que fez bobagem".
Depois disso, ele acha que a situação se inverte. "Será a vez de Evo Morales ajudar o amigo Lula ressaltando a importância de o Brasil ser conduzido por um presidente sensível aos problemas da América Latina, o único capaz de administrar com competência problemas delicados e evitar que eles desestabilizem as relações na região."
Nesta hipótese, Lula sairia aos olhos da população como um exímio gerente de crises políticas.
Esse cenário favorável não é necessariamente, diz Lavareda, uma expressão fiel da realidade futura. Mas, segundo ele, os dados à disposição autorizam concluir que Lula trabalha com este quadro: diante do inevitável, tenta uma saída estratégica, ajudando Morales na sua política interna agora na esperança de ser ajudado por ele mais à frente.
E o sentimento de indignação nacional com a humilhação internacional?
"Este se revolve nos campos da Alemanha, no futebol, onde o brasileiro trata de seus problemas com a auto-estima."
Dois outros especialistas em pesquisas, Marcos Coimbra, do Vox Populi, e Ricardo Guedes, do Sensus, na semana passada também faziam a análise de que os ocasionais prejuízos da crise da Bolívia guardam relação direta com as conseqüências do caso sobre o dia-a-dia da população.
Mas ambos avaliam que se o presidente for percebido como um chefe de nação inepto na defesa dos interesses nacionais, isso pode sim vir a ter efeito eleitoral negativo.
Todos concordam que é cedo para um diagnóstico preciso. Até porque as pesquisas de opinião realizadas por encomenda de políticos nos Estados não registraram alterações nos índices de popularidade do presidente da República nos últimos dias.
(*) Fonte: O Estado de São Paulo 14/5.

RESPOSTA DA VEJA A LULA

"1) O presidente Lula não leu e não gostou do que não leu. Ainda assim reagiu intempestivamente à reportagem de "Veja". Insultou jornalistas e a publicação, uma atitude imprópria para um presidente da República. É imperioso ler antes de criticar.
2) "Veja" chegou ao posto de mais respeitada e lida revista brasileira e quarta revista semanal de informação do mundo pela qualidade de suas reportagens.
3) Houvesse o presidente Lula lido a reportagem, teria percebido que se trata de um trabalho de investigação jornalística sobre as atividades do banqueiro Daniel Dantas, com o qual seu governo mantém uma relação tão conflituosa quanto incestuosa -relação que vem sendo objeto de reportagens de diversos veículos de comunicação.
4) O presidente disse que o autor da reportagem poderia ser chamado de "bandido e malfeitor". Disso Lula entende. Nada menos do que quarenta de seus companheiros mais próximos foram descritos pelo procurador-geral da República como integrantes de uma "quadrilha".
5) A reportagem em questão é fruto de seis meses de investigação. A divulgação do resultado do trabalho de apuração, como a própria reportagem ressalta, foi feita justamente para evitar o uso das supostas contas como elemento de chantagem.
6) A revista, em sua reportagem, não afirma que a conta bancária atribuída ao presidente Lula é verdadeira. Também não diz que é falsa, por não dispor de meios suficientes para fazê-lo
7) Para concluir, "Veja" reafirma seu compromisso com os leitores e com o Brasil de prosseguir em sua tarefa de fiscalizar o poder em todas as suas esferas, a fim de impedir que "sofisticadas organizações criminosas", para usar das palavras do procurador-geral da República, continuem a corroer a democracia brasileira.
Eurípedes Alcântara
Diretor de Redação
Fonte: Argumento

ESTADO DE GUERRA – por Plínio Zabeu

As ações criminosas do PCC e correlatos já eram esperadas desde muitos anos. Depois do episódio do Carandirú, onde morreram apenas 111 presos, graças à invasão da polícia, pois se esta não tivesse agido em tempo teriam sido mais de 2000 os mortos, os bandidos passaram à condição de vítimas. . Infelizmente nem a imprensa, nem a sociedade como um todo, nem as autoridades entenderam o papel heróico de nossos policiais. Chegaram a condenar o coronel comandante a mais de 600 anos de cadeia. Felizmente prevaleceu o bom senso e tal julgamento foi anulado. Desde então surgiram cada vez mais fortes, os chamados grupos de "Defensores dos direitos humanos". Direitos que sempre têm sido apenas dos bandidos. O Judiciário, por sua vez, vem colocando tais elementos sempre naquela condição de vítimas e não como culpados. Hoje, se fosse possível todos os presos contratarem advogados competentes e caros, em pouco tempo ninguém mais estaria preso. Isso porque a Justiça brasileira decidiu que só pode ser preso quem for julgado em última instância, o que significa pelo menos 20 anos de espera. De modo que, se aplicadas corretamente as leis brasileiras nem precisaria de organizações criminosas. Nem de cadeias. Nem de policiais. No Brasil, prevalece o direito dos criminosos, dos políticos corruptos, enfim tudo o que de pior exista. Ao cidadão honesto cabe apenas pagar impostos escorchantes e cada vez com menos direitos. As ações dos bandidos são apenas o começo. Muito mais virá pela frente. E nossos heróicos policiais serão candidatos a vítimas já que não contam com nenhum apoio por parte do governo ou da Justiça. Ai daquele que se atreva a agredir, apenas com um pescoção, qualquer desses bandidos. Será julgado e condenado porque prevalece o direito dos bandidos. Quanta saudade do tempo em que os bandidos tinham medo da polícia! Hoje a situação é totalmente invertida. Que faz um preso condenado e cumprindo pena há mais de 15 anos e dando ordens seguidas, via celular ou advogados, ou familiares ou policiais corruptos? Transferem-se presos. Anunciam medidas de contenção. Mas não é permitido aos policiais combaterem com as mesmas armas. Se bandido pode matar, por quê policial não pode? Ou se muda tudo ou ninguém mais poderá ter sossego neste rico-pobre país.
Plínio Zabeu - Americana SP
E-mail: pz@vivax.com.br
Fonte: Argumento

POLICIAIS MORREM, MAS O ALVO SOMOS NÓS – por Gilberto Dimenstein (*)

O que está em jogo é saber até que ponto o crime organizado consegue pressionar as autoridades e evitar punições. Não se tem notícia de um ataque, comandado por delinquentes, tão forte contra forças policiais em toda a história do Estado de São Paulo --o que só revela como a marginalidade social vai criando áreas necrosadas na sociedade brasileira, da qual o principal reflexo é a violência.Há dezenas de policiais mortos e feridos, mas, de fato, o alvo é toda a sociedade. O dia em que o poder público ceder à chantagem dessas organizações, estará em risco toda a segurança de uma comunidade, gerando a percepção de que ninguém conseguirá impor a ordem.
Daí que, nesse momento, ao invés de tentar proveito eleitoral (Lula está usando a tragédia como palanque para alfinetar Alckmin e prometer a redenção social), partidos, sindicatos, empresários, intelectuais, educadores, ongs, devem se perfilar para que, dentro da lei, a chantagem não vença.
Infelizmente, são cenas como essas que despertam as pessoas para que melhorem as instituições e, mais ainda, que se faça do investimento em educação o melhor mecanismo contra geração de marginais.
(*) Fonte: Folha de São Paulo 14/5

PIADA BRASIL

Por: Adriana Vandoni

O jornalista Sérgio Porto criou na década de 50/60, com o pseudônimo de Stanislaw Ponte Preta, o FEBEAPÁ (Festival de Besteiras que Assola o País). Era um arquivo das besteiras praticadas pelos políticos brasileiros. Naquela época Stanislaw já dizia que no Brasil as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer. E não é que é assim até hoje? Nunca se viu, como hoje, tantas besteiras feitas e desfeitas, faladas e desfaladas, praticadas, assumidas e absolvidas. A impressão é que o Brasil está passando por um processo de expurgação.Chegamos a um ponto em que duvidam até das denúncias comprovadas, não acreditamos nas investigações e desconfiamos dos julgamentos. Bem, os veredictos a esta altura são meras peças para os anais do Congresso Nacional ou do Ministério Público, ou da Polícia Federal ou de qualquer veículo de comunicação que se interesse em manter um arquivo de fatos brasileiros.Até quando vamos suportar essa situação? É bem verdade que o crime é uma invenção da sociedade, isto é, a sociedade determina o que é certo ou errado. Dentro da visão de um infrator ele pode acreditar que não está, de fato, cometendo uma transgressão, restando apenas convencer seus julgadores de que não houve crime, logo, não há culpado. Tudo depende do ponto de vista. Básico e límpido. Aliás, José Cavalcanti, deputado federal pela UDN da Paraíba até 1963, quando foi cassado, disse certa vez que: o homem de responsabilidade política não mente, inventa a verdade. Portanto!Nossa classe política é fantástica, ela está em constante processo de auto-superação. Uma parte não viu nada, outra não escutou e outra não falou. Se falou, esqueceu. Silvinho “land Rover” que o diga. Triste mesmo é ter memória num país de desmemoriados. Ser imbecil é muito mais fácil, vamos nos imbecilizar para suportar.De nada vai adiantar ficarmos como boiótas indignados. Chego apensar que é melhor acabarmos achando graça, porque o Brasil de hoje está muito mais divertido que antes. Em qual época existiu um Garotinho fazendo greve de fome por terem descoberto que seu financiador mora dentro de um presídio? É uma piada. É a banalização da corrupção. Não existe, nisso eu acredito, que haja um só programa ou ação governamental na qual não se encontre ao menos um indício de desvio de dinheiro público.Até quando vamos suportar essa situação? Como dizia o Barão de Itararé: Ou restaure-se a moralidade ou locupletemos-nos todos!Adriana Vandoni é economista, especialista em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ e articulista de A Gazeta. Blog: www.argumento.bigblogger.com.br E-mail: avandoni@uol.com.br

Congresso Nacional: imenso e incompetente

Por: Antônio Augusto Mayer dos Santos, advogado especialista em Direito Eleitoral


A recente alteração promovida no texto da Lei Eleitoral comprova e acentua, salvo as justas e necessárias exceções, que o Congresso Nacional é um imenso e incompetente agrupamento humano. As exceções ficam por conta dos poucos parlamentares lúcidos, combativos e vocacionados para a árdua e responsável tarefa de apresentar e votar leis em prol do corpo eleitoral que os elege e remunera. Especificamente com relação às pálidas e inconsistentes alterações determinadas pela Lei Federal 11.300, que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais 15 dias antes da eleição e também a distribuição de brindes mas sabe-se lá porque motivo não fixou o objetivo e bem elaborado conceito jurídico de “caixa-dois” constante no Substitutivo do Projeto Bornhausen, elas correspondem a uma perfumaria inútil. Menos mal que o Executivo vetou a proibição das cenas externas que o projeto apresentava. Manter tal excrescência seria involuir aos termos da Lei Falcão.O nó da questão envolvendo as campanhas eleitorais do Brasil está assentado num tríplice engenho legal: sistema de financiamento, prestação de contas e possibilidade de cassação do mandato parlamentar obtido pela via espúria da sonegação. Enquanto estas situações não forem tratadas objetivamente, de nada adiante impedir doação de lixa de unha, cesta básica ou coisa similar pois a troca do voto continuará intensa. O TSE que o diga. Basta uma leitura na sua jurisprudência mais recente. A rigor, o sistema jurídico atual é incapaz de punir candidatos eleitos por “caixa-dois”. Salvo, é claro, se o eleitor acredita em “quebra de decoro”. Os violadores confessos do painel do Senado de 2001 que o digam... Ademais, se a intenção era dar uma resposta para este pleito geral que se aproxima, a incompetência fica explícita pois conforme recentemente frisou o Ministro Marco Aurélio, “está na Constituição, em bom vernáculo, que qualquer modificação normativa do processo eleitoral deve se fazer com antecedência mínima de uma ano”. Este, aliás, foi o entendimento que prevaleceu por maioria tanto no TSE como no STF para impedir a derrubada da Verticalização. De duas, uma: ou os Congressistas burlam a Justiça Eleitoral ao apresentar o Registro afirmando que são alfabetizados ou não pretenderam gerar efeitos imediatos e diretos contra as suas próprias campanhas eleitorais, na iminência de começar. Assim, se efetivamente quisessem promover alguma alteração visando dar credibilidade ao processo eleitoral deste ano por conta das lições extraídas a partir dos intermináveis escândalos, a maioria dos 594 congressistas do maior Parlamento do mundo poderia ter derrubado a exigência da anualidade do texto constitucional. Para esta tarefa, bastava o debate e a votação da Proposta de Emenda Constitucional 446/05 que, aliás, tem parecer favorável do relator. Como não o fizeram (a PEC está parada desde 15 de dezembro do ano passado), remeteram os efeitos da “nova” lei para a próxima eleição. Com isto, além da nova e evidente frustração generalizada que o país assiste, fica a necessidade de uma reflexão inadiável em torno de um tema que não tem sido abordado objetivamente: a necessidade de redução do Congresso Nacional a patamares mais razoáveis, seja por razões de economia de dinheiro público, seja por conta da evidente inoperância que o atual significa ou, principalmente, em vista dos resultados sociais que não produz.
Fonte: DiegoCasagrande

PCC ataca bancos e incendeia mais de 60 ônibus

Por: FAUSTO SALVADOs atentados atribuídos ao PCC (Primeiro Comando da Capital) --que começaram na sexta-feira (12) com ataques contra policiais e guardas civis, provocando mais de 60 mortes-- diversificaram os alvos nas últimas horas. Entre a noite de domingo (14) e a madrugada desta segunda-feira, criminosos incendiaram 61 ônibus na Grande SP e atingiram pelo menos dez agências bancárias.Os ataques contra a polícia, porém, não foram deixados de lado. Em Cangaíba (zona leste), criminosos atiraram contra a casa de um capitão da PM e atearam fogo ao carro na garagem.No final da noite de domingo, o delegado Godofredo Bittencourt e o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, já haviam comentado que atacar bancos era a nova estratégia do PCC para tentar demonstrar força. "A bronca deles não é somente contra os atos da polícia, existe uma insatisfação social. Estão fazendo esses ataques [aos bancos] para criar desequilibrio social e econômico. Pode, daqui para frente, ter um cunho político", disse Bittencourt.Os criminosos atiraram contra um Banco do Brasil da rua Bom Pastor, no Ipiranga (zona sul), outro Banco do Brasil na rua São Silvestre, em Heliópolis (zona sul), duas agências (do Bradesco e da Caixa Econômica Federal) na avenida São João Clímaco (zona sul) e um Banco do Brasil na avenida Campanela, em São Miguel (zona leste).Em outras agências, os criminosos preferiram provocar incêndios utilizando coquetéis molotov. A tática foi usada em um Itaú na avenida Francisco Morato, na Vila Sônia (zona oeste), e em outro Itaú instalado na rua do Tesouro, no centro de Taboão da Serra (Grande São Paulo). Outra agência do mesmo banco foi incendiada na alameda Vicente Pizon, na Vila Olímpia (bairro nobre na zona sul de São Paulo). Na mesma rua, os criminosos atacaram uma prédio comercial e ainda tentaram atingir uma testemunha, sem sucesso. Um coquetel molotov foi atirado num Unibanco da avenida Nazaré, no Ipiranga, mas o vigia conseguiu deter o princípio de incêndio com um extintor. Uma agência do HSBC foi incendiada na estrada de Itapecerica, no Capão Redondo (zona sul).ÔnibusOs bombeiros registraram 61 ônibus incendiados na Grande São Paulo: 42 na capital (a maioria na zona sul), 14 no ABC (a maior parte em Diadema), três em Guarulhos e dois em Osasco, entre a tarde de domingo e a madrugada de segunda. Duas empresas de ônibus da zona sul recolheram as frotas mais cedo por causa dos ataques. Em Campinas (95 km a noroeste da capital) e Hortolândia (105 km), os ataques queimaram cinco ônibus entre 20h40 e 0h15.As ações são uma resposta à decisão do governo estadual de isolar líderes da facção. Na quinta-feira (11), 765 presos foram transferidos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), com a intenção de coibir ações promovidas pela facção.No dia seguinte, oito líderes foram levados para a sede do Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), em Santana (zona norte de São Paulo). Entre eles estava o líder da facção, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. No sábado, ele foi levado para a penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo), considerada a mais segura do país. Na unidade, ele ficará sob o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado), mais rigoroso.Com Folha de S.Paulo e Agência FolhaORI FILHOda Folha Online

domingo, maio 14, 2006

A vitória sobre a fome

Por: Célia Chaim e Eliane Lobato (ISTOÉ Online)


Sem ajuda do governo, voluntários fazem comque 56 milhões de brasileiros consigam comer
Carolyne, dois anos, é filha de Monalisa, 17. Mas não são apenas esses nomes nobres que elas carregam com orgulho. Ela, a mãe, representa centenas e centenas de mulheres que moram numa das maiores favelas de São Paulo, a Paraisópolis, na zona sul da cidade, com 50 mil habitantes. Ali é fato: ninguém passa fome, embora saiba bem o que é isso. A comida vem graças à União dos Moradores da Paraisópolis, entidade mantida por doações generosas. Na hora do almoço, crianças e idosos fazem fila na porta do refeitório. Terça-feira 9 o cardápio era arroz, feijão, macarrão e lingüiça, aguardado pelas crianças com água na boca. Tudo o que recebem vem exclusivamente de doações. Se alguma autoridade esteve por lá, foi passagem relâmpago, suficiente para deixar promessas não cumpridas. “Neste ano eles vêm porque terá eleição, mas nós não acreditamos mais”, diz a voluntária Graça, moradora do bairro. Com comida, escolas, creches, esportes e até aulas de inglês, além de muitos voluntários, Paraisópolis chegou a um nível em que dispensa a demagogia de políticos e a ajuda do governo.

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Na promessa: Lula anunciou na posse que acabaria com a fome no País. Fez mais do que os antecessores, masnão cumpriu a meta
O Brasil produz alimentos com abundância. E tem recursos naturais de sobra para resolver rapidamente as carências alimentares de todos os seus habitantes. Por tudo isso, é incrível que 56 milhões de pessoas no País encontrem, de alguma maneira, dificuldade para comer todo dia. Só conseguem trocar o prato de farinha com água por outro com arroz, feijão e “mistura” (carnes e legumes) porque uma corrente de pessoas e instituições civis, sem esperar e muito menos receber auxílio do governo, ajuda essa pobre massa. Esses socorridos vivem na faixa da indigência, com renda mensal individual inferior a R$ 79. Um valor insuficiente até mesmo para comprar alimentos com o mínimo de calorias para manter de pé, com dignidade, uma pessoa o mês inteiro. O presidente Lula fez mais do que seus antecessores no combate à fome. Apesar disso, chega ao final de seu mandato sem cumprir a promessa feita na posse: “No meu governo todos os brasileiros vão tomar café da manhã, almoçar e jantar.” A verdadeira revolução que ele faria – e não fez – não está totalmente perdida graças a esses grupos não governamentais que, patrocinados por empresas privadas, combatem a fome em várias frentes, da música ao esporte, da educação à tecnologia.


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Carência: milhões vivemcom menos de R$ 79 por mês. Por isso, falta dinheiro para comprar até ascalorias necessárias

Oberlan Motta, 53 anos, distribui quentinhas para moradores de rua no subúrbio do Rio de Janeiro. Na terça-feira 9, reconheceu um antigo companheiro de escola entre os miseráveis que esperavam na fila. Ambos estudaram na Escola Técnica de Niterói e se emocionaram com o reencontro. Motta é um dos 400 voluntários fixos da entidade Movimento de Amor ao Próximo (MAP), que nasceu há mais de duas décadas para distribuir alimentos, roupas e remédios para moradores de rua. A organização é ecumênica, mas a maioria dos voluntários é kardecista. Não recebe verba pública, só doações. Atua em bairros de subúrbio do Rio, como Ilha do Governador, Rocha Miranda, Manguinhos e Jacarepaguá. Hoje, distribuem dez mil quentinhas por mês. A comida é servida acompanhada de talheres de plástico e água. “Eles pedem muita água, principalmente as crianças que cheiram cola. Ficam ressecadas e precisam de líquido”, diz.
Motta costuma ouvir dos amigos que é um louco por fazer caridade “para esses vagabundos!” E responde: “Sou louco sim, espero morrer louco. Se tivesse mais malucos como eu, não teríamos tanta violência no mundo.” E os “loucos” se multiplicam em associações e entidades. A dona-de-casa carioca Delclemir Ferraz Dias, 54 anos, é uma. Ela é um dos pilares do comitê Fraternidade Sol, ligado à ONG Ação da Cidadania Contra a Fome, a Miséria e Pela Vida. Assim como Motta, partiu para a ação no combate à fome. “Não aceitamos políticos. Nosso trabalho é todo feito graças à boa vontade de pessoas comuns que querem ajudar”, diz ela. Del, como é conhecida, distribui sopa para moradores de rua. Seu “ponto” é na praça Cruz Vermelha, no centro do Rio. “Temos 40 famílias cadastradas para receber, o ano todo, cestas básicas. E distribuímos cerca de 100 caixinhas de sopa por noite”, explica.

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Panelas cheias: as cozinheirasIvaneide, Adalgisa e Maria numafavela de São Paulo: comidapara crianças todos os dias
As caixas a que ela se refere são embalagens de leite recolhidas por voluntários, recicladas e reaproveitadas como recipiente para a sopa. Del trabalha como poucos voluntários e recebe doações de restaurantes como o Cheio de Vida, o mais assíduo, doador há cinco anos. Ela diz que sua ação “não é apenas dar comida”. E explica: “É um meio de não só matar a fome, mas também conversar, dar uma ajuda, tentar encontrar empregos, dar apoio moral, mostrar que tem alguém preocupado com eles, que não estão sozinhos.” Segundo ela, há “pessoas boas” nas ruas. “Muitos são viciados sim, mas o álcool é uma fuga. Eles foram abandonados pela família, pelo Estado... Beber é uma maneira de esquecer.”
Entre os voluntários do comitê de Del está o jovem Rafael Bteshe, 22 anos, carioca, morador de Ipanema. Filho de pais médicos, é estudante de artes plásticas da UFRJ e integra a banda Ruah. Ele ajuda a distribuir sopa duas vezes por semana. “Acho que é o mínimo que posso fazer.” Morador de rua, Luiz Francisco da Silva, 52 anos, nasceu em Macaé, interior do Rio de Janeiro, e vive abandonado nas ruas da capital. “Tô desempregado há anos”, justifica. Ex-marceneiro e ajudante de camelô, hoje ele vive como “catador de latinhas” para reciclagem. “Ontem, catei dois quilos de latinhas, vendi por R$ 5,80, deu para almoçar”, diz. Luiz não tem planos para o futuro. Seus projetos mais longos são estar vivo e assistir aos jogos da Copa no telão que será instalado na Central do Brasil, no Rio. “Se o Brasil ganhar a Copa, as coisas vão melhorar”, acredita.
Esperar dádivas que virão com o futebol é bobagem. Com a música, a Associação Meninos do Morumbi, de São Paulo, resgatou da fome, da pobreza aguda e da violência mais de quatro mil crianças e adolescentes pobres de toda a região – Campo Limpo, Paraisópolis, Vila Sonia, Real Parque, Jardim Jaqueline, Morumbi pobre (existe sim e é grande), Caxingui e os municípios de Taboão da Serra e Embu. O show do grupo é o produto das oficinas de canto, dança e percussão. Integram o repertório músicas folclóricas do Brasil e da África, do universo pop, dos cultos brasileiros e composições próprias. A banda fez em torno de 500 shows no Brasil e na Europa (Inglaterra e França) desde 1996. Eles se apresentaram em grandes teatros e festivais no Brasil e no Exterior, como o Teatro Municipal, Sala São Paulo e no nobre Royal Festival Hall, em Londres. Gravaram CDs com grandes nomes da música brasileira e internacional. É na associação que eles, dia a dia, recuperam sua cidadania. Eles se orgulham do que fazem – o que seria impossível se Flávio Pimenta não tivesse criado a associação.
Os Meninos do Morumbi se mantêm em pé porque comem o ideal para arrebentar nos instrumentos musicais (de 2.000 a 2.500 calorias diárias). Diz a medicina que não dá para tapear o estômago: 100 calorias abaixo desse patamar por dia e já se vive com uma fome crônica e se é vítima das conseqüências que a subnutrição traz à saúde, como o fraco desenvolvimento físico e intelectual do indivíduo. O recado final, da Food and Agriculture Organization, a FAO, das Nações Unidas, é direto: “É hora de os países descobrirem porque milhões de pessoas passam fome em um mundo que produz alimentos mais do que suficientes para cada homem, mulher e criança.” Poucas questões são tão adequadas ao Brasil como essa.

O contrabando do urânio brasileiro

Por: Rodrigo Rangel – Enviado especiala Macapá e Porto Grande (AP) (ISTOÉ Online)


Investigação secreta da Polícia Federaldesvenda quadrilha que extrai e enviamaterial radioativo para fora do País
Por Rodrigo Rangel – Enviado especiala Macapá e Porto Grande (AP)
Em julho de 2004, a PolíciaFederal apreendeu no interiordo Amapá, na caçamba de uma caminhonete, 18 sacas de ummineral granulado escuro muito mais pesado do que aparentava ser. O material, examinado depois nos laboratórios da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), era um composto de urânio e tório, minérios altamente radioativos que abundam em jazidas encravadas no extremo Norte brasileiro. Estava ali o fio da meada para a descoberta de uma das mais obscuras máfias em atuação no País, com braços internacionais e especializada na extração clandestina e na comercialização ilegal de urânio. Nas duas últimas semanas, ISTOÉ avançou nesse explosivo terreno. Conheceu a realidade das minas onde garimpeiros põem suas vidas em risco, expostos à radiação, e desvendou uma investigação que, até aqui, vinha sendo tratada como segredo de Estado. São centenas de horas de gravações telefônicas feitas pela polícia que revelam por dentro o funcionamento da máfia, desde a extração do minério nos garimpos situados em plena selva amazônica até as negociatas encabeçadas por quadrilhas que exportam o urânio para clientes tão misteriosos quanto elas próprias – e, muitas vezes, com o respaldo de autoridades constituídas e políticos. Além de brasileiros, estão sob a mira das polícias irlandesa, russa e alemã supostos integrantes de uma conexão que, segundo os investigadores, estaria levando o minério para países da Europa, Ásia e África, em particular a Rússia e a Coréia do Norte. O Palácio do Planalto já recebeu o alerta de que, daqui, o urânio pode estar indo parar, também, nas mãos do terrorismo internacional.
No rastreamento da teia de relações mantidas pelos traficantes, a polícia chegouao nome de Haytham Abdul Rahman Khalaf, libanês apontado como o elo com o grupo extremista islâmico Hamas. Na ponta brasileira da trama, até agora a Polícia Federal já identificou três grupos especializados no tráfico de urânio. Todos com base em Macapá. O principal deles tem como testa-de-ferro o empresário JoãoLuís Pulgatti, dono de um pool de empresas de mineração que consegue autorização oficial para pesquisar jazidas de ouro, mas que, na prática, explora e negocia minério radioativo. Por trás de Pulgatti está John Young, 58 anos, irlandês naturalizado canadense que diz representar no Brasil os interesses de uma companhia internacional de mineração. A partir de 2004, Young passou a sersócio das empresas de Pulgatti. De olho nas jazidas e com dólares para investir, a parceria do estrangeiro com o brasileiro avançou. Em agosto do ano passado, o canadense destacou um geólogo para visitar minas no Amapá. Queria comprar uma área de mil hectares que, segundo as conversas grampeadas pela polícia, guarda nada menos que 50 mil toneladas de minério radioativo. Provavelmente de tório e urânio. “Pode mandar o seu pessoal lá checar, trazer amostras e analisar”, diz o dono da área a Pulgatti, encarregado de cuidar das negociações. Pelas terras, o grupo pagaria US$ 1,2 milhão. As escutas revelam que, fora os planos para ampliar a exploração direta de urânio, a dupla tem toda uma estrutura para comprar minério radioativo. Espalha garimpeiros em lugares estratégicos e tem preferência na compra do que for encontrado. Segundo a polícia, outro grupo especializado na aquisição de urânio é encabeçado por Robson André de Abreu, dono de madeireiras, de uma mineradora e de um conhecido restaurante de Macapá. A exemplo de Pulgatti, ele possui uma rede de fornecedores de urânio. O terceiro “grupo criminoso”, como escrevem os agentes nos relatórios secretos obtidos por ISTOÉ, é chefiado por um homem até agora identificado apenas como Nogueira. Ao longo da investigação, os policiais descobriram que o negócio é infinitamente maior que aqueles 600 quilos apreendidos há quase dois anos. Nas escutas, surgem negociações de até dez toneladas.
A máfia do urânio também tem um braço no poder público. Os grampos da Polícia Federal registraram conversas em que o geólogo José Guimarães Cavalcante, braço direito de João Pulgatti, revela o auxílio de um senador da República para desencravar no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM), em Brasília, um processo em que se buscava autorização para pesquisa de minério. O senador em questão é Papaléo Paes, do PSDB do Amapá. “Ele (um advogado de nome Luís Carlos) ia falar amanhã com o Papaléo pra pedir pra ele ver se segunda-feira ele vai logo lá falar com o diretor-geral (do DNPM), porque assim ele manda publicar isso”, diz Guimarães a um interlocutor, de nome Édson. Mais adiante, ele festeja: “O caminho do doutor Papaléo foi exatamente os orixás que abriram para solucionar o meu problema.” Também conhecido como Zé do Mapa, José Guimarães já foi diretor do distrito do DNPM no Amapá. Acabou afastado após investigação da própria Polícia Federal. Ao mesmo tempo que ocupava o cargo, ele era dono de garimpos no Estado. O atual diretor do distrito, João Batista Picanço Neto, é outro que foi sugado para dentro da investigação. Ele aparece falando com um dos sócios de Pulgatti. Dá orientações sobre como aprovar processos de lavra e indica o funcionário que pode resolver o problema. O interlocutor acolhe a orientação e evidencia a existência de algo suspeito no ar. “Vou procurá-lo pessoalmente. Isso não se fala por telefone”, diz. A investigação envolve até o procurador da República, que estava encarregado de acompanhar o caso. José Cardoso, um dos representantes do Ministério Público Federal no Amapá, passou a ser investigado depois de ter sido citado nas conversas grampeadas. Numa delas, um homem não identificado diz que ele o ajudaria a resolver em Brasília uma pendência burocrática no DNPM. “O dr. José Cardoso levou meu processo em mãos para Brasília e me garantiu que ele mesmo ia falar com o diretor-geral”, afirma o homem em conversa com o sócio de uma das empresas investigadas. Além de ter aparecido nos grampos, Cardoso tem algo mais a explicar. Até o mês passado, José Guimarães, o ex-diretor do DNPM pilhado no contrabando de urânio, trabalhava como funcionário de seu gabinete. Como passou a ser alvo, o procurador foi afastado do inquérito. Há, ainda, outras autoridades e políticos na mira da polícia. Entre eles, um deputado estadual, Jorge Salomão (PFL), e um ex-deputado federal, Sérgio Barcellos.

Código Da Vinci, o filme

Por: Ivan Claudio (ISTOÉ Online)


Chega a 500 cinemas do País a obrapolêmica estrelada por Tom Hanksque envolve a vida de Jesus Cristo,a Igreja Católica e o Opus Dei numatrama de suspense, crime e mistério
O Brasil possui 2.045 salas de cinema. A conta é exata. Na sexta-feira 19, de cada quatro salas, pelo menos uma estará exibindo O código Da Vinci (The Da Vinci code, Estados Unidos, 2006). É o filme mais aguardado dos últimos anos. Desde o início das filmagens, pouca coisa foi revelada da adaptação cinematográfica do polêmico best seller homônimo do americano Dan Brown. O sigilo, bem apropriado ao lado investigativo da história, cheia de enigmas, códigos, decifrações e descobertas, foi uma estratégia da Sony Pictures, dona dos US$ 125 milhões da produção. O filme também se cerca de boatos e protestos, sendo que as últimas manifestações foram muito bem-vindas ao diretor Ron Howard, que mirou na Igreja Católica e, sobretudo, em sua ala mais conservadora, representada pela organização Opus Dei. Portanto, é com aura de mistério e uma expectativa alimentada por 46 milhões de leitores (só no Brasil são 1,2 milhão) que O código Da Vinci chega às telas, sem sequer passar pelo teste da crítica – ou seja, depois de abrir o Festival de Cannes, o thriller histórico-teológico aterrissa direto em mais de 500 salas do País.
Expectativa: Audrey Tautou e Tom Hanks diante de A última ceia, de Da Vinci, e o diretor Ron Howard com a equipe em Paris
É irrelevante discutir se o filme é ou nãouma boa adaptação do romance, se estamos diante de um fenômeno de marketing que explodiu no exato momento do anúncio das filmagens em 2004. Primeiro, com a escolha de Tom Hanks para viver Robert Langdon, o professor de semiótica de Harvard, protagonista da história. Depois, com todos os problemas gerados pela proibição de se filmar na Inglaterra na Abadia de Westminster. A seguir, vieram as negociações bem-sucedidas para se conseguir filmar no Museu do Louvre, em Paris. O próprio presidente da França, Jacques Chirac, reuniu-se com Howard pedindo que, em troca da cessão do museu, o papel da criptógrafa francesa Sophie Neveu, que auxilia Langdon nas investigações, fosse dado a uma “atriz amiga de sua filha”. Quem venceu a disputa foi a atriz francesa Audrey Tautou.
É em razão de um assassinato acontecido na Grande Galeria do Louvre que Langdon é procurado pela polícia e a sua difícil missão é tentar decifrar ocenário do crime, a poucos passos da tela de Mona Lisa, pintada por Leonardo da Vinci. Lá estava o cadáver do curador do museu, Jacques Saunière (Jean-Pierre Marielle), que antes de morrer se postou com as pernas e os braços abertos em V, como em O homem vitruviano, do mesmo Da Vinci (outros trabalhos do italiano, como a Madona das rochas e A última ceia, terão papel importante nas investigações). Por trás desse crime estão dois personagens ligados ao Opus Dei: o monge albino Silas (Paul Bettany) e o Bispo Aringarosa (Alfred Molina). Se existe alguém que ainda não saiba o enredo de O código Da Vinci, após o sucesso estrondoso do livro, é o monge Silas quem mata, a mando de Aringarosa, o curador do museu – que vem a ser o Grão-Mestre do Priorado de Sião. Ele o faz para preservar um dos maiores segredos da Igreja, o fato de Jesus Cristo ser supostamente pai de uma filha com Maria Madalena.
Enigma: Sophie (Audrey Tautou) eo curador do Louvre assassinado
Retratado como um psicótico, Silas se pune com chicotadas e usa um instrumento de tortura, o cilício (aro de metal feito de pontas cortantes) encravado nas coxas como forma de penitência. “Não é exatamente o que eu descreveria como uma roupa confortável”, diz o ator Bettany – que obviamente utilizou um modelo flexível que não penetrava nas pernas. De todos os personagens da história, Silas é o mais excomungado pelos protestos religiosos. A instituição americana Organização Nacional pelo Albinismo e Hipopigmentação (Noah) anunciou que fará manifestações nas portas dos cinemas. O Opus Dei adotou uma estratégia apelidada de Operação Limonada. “Se tem um limão, faça uma limonada. Uma declaração de guerra só interessa ao marketing do filme”, disse o porta-voz da organização, Marc Carroggio. O Opus Dei já havia pedido à Sony Pictures que colocasse nos créditos a ressalva de que se trata de uma história fictícia, mas a empresa não se comprometeu a atender ao pedido: “Não temos intenção de revelar nenhum aspecto do filme antes da estréia”, disse a ISTOÉ Jim Kennedy, porta-voz da Sony. É nesse clima de mistério, portanto, que os espectadores formarão filas nos cinemas.
Preocupada com a mensagem negativa, a Igreja calculou o prejuízo e considera que o público potencial a ser atingido pela heresia fica em torno de 800 milhões de pessoas. Embora não peça um boicote, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, cardeal Geraldo Majella Agnelo, condenou a “maneira leviana e desrespeitosa” com que estão sendo tratadas convicções tão sagradas para os cristãos. O editor Geraldo Jordão Pereira, da Sextante, que teve a sorte de comprar os direitos de publicação do livro por US$ 12 mil, espera que a estréia do filme dê uma nova alavancada nas vendas. Ele não revela o seu lucro, mas diz: “Pela primeira vez na vida, com 50 anos de carreira editorial, coloquei algum dinheiro no bolso.” E tenta relativizar a polêmica passada do livro e a polêmica presente do filme: “Trata-se de uma ficção.” O professor de teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Fernando Altemeyer, tenta não levar Dan Brown muito a sério. “Ele está a milhões de anos-luz da seriedade teológica. O seu Jesus não tem nada a ver com o de Nazaré, o seu Opus Dei não coincide com o real, Da Vinci não pertencia a nenhuma organização secreta”, diz ele. Certo ou errado, não importa. É certo que o filme vem com a marca de estrondoso sucesso de público.

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