sexta-feira, dezembro 05, 2025

Senado soma 99 pedidos de impeachment contra ministros do STF nos últimos cinco anos

 

Senado soma 99 pedidos de impeachment contra ministros do STF nos últimos cinco anos

Decisão de Gilmar Mendes que blinda integrantes da corte volta a tensionar relação com o Legislativo

Por Isadora Albernaz/Folhapress

04/12/2025 às 20:45

Foto: Rosinei Coutinho/STF

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O ministro Alexandre de Moraes é o principal alvo dos requerimentos para ser afastado do cargo

O Senado acumula 99 pedidos de abertura de processo de impeachment contra ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) desde 2020, quando decisões da corte sobre o enfrentamento à Covid-19 e o inquérito das fake news tensionaram a relação entre Legislativo e Judiciário.

O ministro Alexandre de Moraes é o principal alvo dos requerimentos para ser afastado do cargo. São 56 pedidos de impeachment contra ele. Da atual composição da corte, o decano, Gilmar Mendes, está em segundo lugar na lista, com 12. Ex-ministro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Dino aparece em terceiro lugar (8).

Gilmar é o protagonista da última tensão entre STF e Congresso. Na quarta-feira (3), em uma decisão que ajuda a blindar seus colegas, ele suspendeu trechos da Lei do Impeachment que tratam justamente do afastamento de ministros.

A decisão liminar (provisória) causou forte reação no Legislativo. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), chegou no mesmo dia a falar em mudar a Constituição em resposta à medida de Gilmar.

Até então, qualquer cidadão poderia ingressar com um pedido de impeachment. É o que define a Lei do Impeachment, que prevê os crimes de responsabilidade.

O inciso II do artigo 52 da Constituição Federal diz que cabe ao Senado julgar ministros do STF quanto a crimes de responsabilidade. Cabe ao chefe do Senado – hoje, Alcolumbre– decidir se dará prosseguimento ou não à solicitação.

O mecanismo do pedido de impeachment tem sido usado por senadores e deputados da oposição, em sua maioria bolsonaristas, como forma de pressionar o Legislativo e a opinião pública contra decisões que eles consideram injustas ou parciais. Uma das principais queixas é a prerrogativa dos magistrados de impor decisões individuais (monocráticas).

Entre os casos recentes de insatisfação de congressistas bolsonaristas, por exemplo, estão as decisões de Alexandre de Moraes à frente da relatoria da trama golpista, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) à prisão.

Levantamento do jornal Folha de S.Paulo com dados do Senado também mostram que nenhum dos atuais magistrados do Supremo se livrou das investidas de congressistas e de cidadãos. Os indicados por Bolsonaro, Kassio Nunes Marques e André Mendonça, foram menos visados. Têm apenas 2 e 1 pedidos de impeachment.

Entre aqueles que já não estão mais no STF, Luís Roberto Barroso, que decidiu antecipar sua aposentadoria compulsória e deixou a corte neste ano, tem 22 pedidos de impeachment. Também foram feitas solicitações visando Ricardo Lewandowski (hoje ministro da Justiça e Segurança), Rosa Weber, Marco Aurélio de Mello e Celso de Mello.

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