segunda-feira, dezembro 22, 2025

Cannabis medicinal: os EUA dão o passo que o Brasil adia

 


Cannabis medicinal: os EUA dão o passo que o Brasil adia

Por Michele Farran*

 

A recente decisão do governo dos Estados Unidos de reclassificar a cannabis em nível federal, reconhecendo oficialmente seu uso medicinal, marca um dos movimentos mais relevantes da história recente do setor. A medida, aprovada durante o governo Donald Trump, não significa a legalização total da planta, mas representa um avanço concreto ao reconhecer seu potencial terapêutico e reduzir barreiras históricas que limitavam pesquisas, investimentos e acesso de pacientes.

 

Na prática, a reclassificação abre espaço para um aumento significativo de estudos científicos, desenvolvimento de novos medicamentos e maior preparo da comunidade médica americana para prescrever cannabis medicinal com base em evidências. Trata-se de um passo institucional importante, que reposiciona a planta dentro do sistema de saúde e estimula um olhar mais técnico, menos ideológico e mais centrado no paciente.

 

Esse movimento nos Estados Unidos também tem impacto global. Quando uma das maiores potências do mundo avança em sua legislação, outros países naturalmente passam a observar com mais atenção os resultados práticos dessa mudança. É uma oportunidade de aprendizado: entender o que funciona, o que precisa ser ajustado e quais modelos regulatórios realmente ampliam o acesso com segurança, respeitando as particularidades culturais e sociais de cada nação.

 

No Brasil, onde o acesso à cannabis medicinal ainda é marcado por entraves regulatórios, burocracia e desinformação, esse cenário internacional serve como referência importante. A experiência americana pode ajudar a orientar decisões futuras, mostrando como a regulamentação pode beneficiar pacientes, famílias e o próprio sistema de saúde — especialmente em casos clínicos mais delicados, nos quais a cannabis já demonstra resultados relevantes.

 

A reclassificação da cannabis nos EUA não é apenas um gesto simbólico. É um sinal claro de que o mundo caminha para uma abordagem mais madura, científica e responsável sobre o tema. Observar esse processo de perto é essencial para que o Brasil avance com mais segurança, ampliando pesquisas, formando médicos capacitados e, principalmente, garantindo que pacientes tenham acesso a tratamentos que podem transformar suas vidas.

 

*Michele Farran é empresária e fundadora da Cannabis Company, primeira farmácia do Brasil exclusiva para cannabis medicinal e com produtos à pronta-entrega.

Em destaque

PF indicia suplente de Davi Alcolumbre após investigação sobre fraudes milionárias no Dnit

Publicado em 22 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Breno foi flagrado deixando agência de banco Patrik ...

Mais visitadas