quarta-feira, dezembro 31, 2025

Retrospectixa 2025: Danos Moraes

 

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Arte: Marcelo Chello

Eu sei que você pensou que a Tixa tinha te abandonado. Jamais!!!!!! Só umas mini-férias sem aviso prévio, porque da última vez que avisamos que íamos tirar férias, aconteceu o 8 de janeiro. Aff. Mas eis que estamos aqui com nossa retrospectixa, que está quente, fervendo, já pronta para entrar em 2026. Quer sentir o drama do que foi 2025, que não acaba nem quando termina? Só vem!!!!

1. O ano do Xandão

Se 2025 teve um dono, o nome dele é Xandão, também conhecido como Alexandre de Moraes. Ele passou o ano distribuindo condenações pesadas para o povo do 8 de janeiro, numa escalada que começou com os 14 anos de prisão da moça do batom (que depois virou prisão domiciliar) e terminou com 27 anos de cadeia para Jair Bolsonaro.

Sob sua liderança, o Supremo tornou Bolsonaro réu, condenado e preso. Também sob sua batuta, uma meia dúzia de generais foi condenada por tentativa de golpe. Tudo coisa inédita na história da República. Sua atuação rendeu até um tiro curto de Donald Trump, que colocou Xandão na Magnitsky por causa de Bolsonaro e depois, num passe de química, retirou o supremo ministro da Magnitsky por causa do Lula.

Antevendo que não teria nada para fazer em 2026, Xandão já tratou de se tornar o xerife geral do inquérito do crime organizado (que agora está na Faria Lima e no Congresso).

Mas, já no finzinho de 2025, o roteiro virou.

Xandão se viu no meio do escândalo do Banco Master, revelado por Malu Gaspar. A esposa de Xandão tinha um contrato de R$ 129 milhões com o banco, algo como R$ 3,6 milhões por mês, em vigor desde 2024. Ninguém negou o contrato e, mais rápido que o Flash, o procurador quase amigo geral da República (não é amigo de todo mundo) já descartou que o contrato seja ilícito.

A história fica ainda mais quente quando surge a informação de que Xandão teria ligado para Galípolo, no Banco Central, para dar aquele “empurrãozinho” na aprovação da operação do Master com o BRB. Mais um scandal assinado por Malu Gaspar (que, vale lembrar, é uma das jornalistas mais sérias deste país, digam o que disserem). E, claro, que na guerra das redes os ataques foram todos pra cima da jornalista. (Nossa, a gente nunca viu isso, né?)

Xandão nega tudo. (Ah, vá. Alguém realmente esperava outra coisa?)
Mas a nota de negação não explicou, no mínimo, uma questão importante: por que um ministro do Supremo liga para o presidente do Banco Central fora da agenda, sem transparência alguma? A gente está errado em achar ruim que a esposa de um ministro supremo, que decide tudo sobre o país, tenha um contrato milionário com um banqueiro?

Nesse ritmo, quero meu bilhão na Mega da Virada, BRASEW.

E, pra coroar o plot twist do roteiro do Xandão, o caso Master caiu nas mãos de Dias Toffoli, que prontamente decretou sigilo absoluto sobre a investigação. Si-GI-LO-AB-SO-LU-TO. E engana-se quem acha que só o Xandão está interessado no assunto. Outros supremos e uma penca de políticos estão nervosos com os arquivos de Daniel Vorcaro, o tal banqueiro Master. (Inclusive o Davi.)

Nessa esteira, Toffoli chegou a marcar uma acareação entre o pessoal do banco acusado de falcatruas e o diretor do BC que fiscalizou a instituição. O que queria Toffoli? Reverter a liquidação? Era para acontecer em pleno 30 de dezembro, mas Toffoli voltou atrás e deixou que a Polícia Federal decida se precisa acarear alguém.

Só sei que, se 2025 foi o ano do supremo Xandão, ele termina do jeito mais brasileiro possível: com danos Moraes para tudo quanto é lado.

2. A fuga das galinhas (com todo respeito)

Este foi o ano das fugas espetaculosas (pelo visto, anda fácil fugir).

Dudu Bolsonaro foi para os States e ficou prometendo voltar ao Brasil somente quando Xandão fosse punido (pelo visto, vai ficar por lá). Virou réu no Supremo, não conseguiu impedir a prisão do pai, perdeu o mandato e o amor do Trump.

Alexandre Ramagem, agora ex-deputado, como bom ex-chefe da Agência de Inteligência, fugiu sem ser notado. Mesmo condenado, a Justiça só descobriu que ele fugiu um mês depois, quando já vivia livre, leve e solto nos States.

Carla “Carabina” Zambelli queimou a largada e revelou sua fuga antes do tempo, quando ainda estava em solo americano. Sua prisão foi decretada imediatamente; ela fugiu para a Itália, onde tem cidadania, mas foi presa por lá mesmo. Ela foi condenada no caso do hacker de Araraquara que entrou no sistema do Conselho Nacional de Justiça e forjou um mandado de prisão contra Xandão.

Silvinei Vasquez foi ainda mais ousado. O ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, que foi condenado por tentar segurar os eleitores do Nordeste para beneficiar Bolsonaro nas eleições, resolveu fugir com os cachorros. Se desfez da tornozeleira eletrônica e, ao chegar ao Paraguai, apresentou um documento para dizer que tinha câncer no cérebro e, por isso, não podia falar. Fez isso porque criou uma identidade falsa, como se gringo fosse, mas como não tinha sotaque, inventou o laudo fake. Foi preso antes de embarcar.

Jair Bolsonaro estava em prisão domiciliar, mas eis que tentou tirar a tornozeleira com uma solda quente (não ligou pro Silvinei, deu nisso). Xandão o mandou para a prisão de verdade. Mas prisão de ex-presidente tem direito a ar-condicionado e banheiro separado do quarto.

3. The Family

“Entrego o que há de mais importante na vida de um pai: o próprio filho.” Nossa, que Messias!

Ninguém acreditou que Flavitcho fosse o ungido para ser o próximo candidato a presidente, aí rolou a tal cartinha em meio às festas de fim de ano. Bolsonaro havia deixado a prisão para entrar na sala de cirurgia enquanto Flavitcho lia a missiva. E é isso, BRASEW. Sai Tarcísio, entra Flávio Bolsonaro, e a Michelle Bolsonaro que lute.

E não podemos esquecer que, meses antes, Tarcísio tinha se lançado candidato a presidente, fingindo que não estava se lançando, mas com direito a slogan e tudo mais: 40 anos em 4. Tudo armado junto com o Centrão, que estava em peso no evento. Sim, este é o ano em que o Centrão tentou se livrar do Bolsonaro (mas não dos votos bolsonaristas, claro).

Só sei que a anistia não rolou e Bolsonaro teve que se contentar com uma dosimetria, ou seja, uma possível redução de pena (que ainda precisa ser sancionada ou vetada por Lula).

Mas o fato é que a torcida organizada do bolsonarismo foi mais engajada neste ano para discutir o pé direito da Havaianas do que a prisão de Bolsonaro.

A propósito, sabe qual foi a primeira capa do éNoite de 2025? O lançamento da candidatura de Gusttavo Lima. Sim. Acreditem que foi isso! (Durou dois meses.)

4. A química de Lula

Quando 2025 começou, ninguém conseguia ver Lula como um candidato forte para 2026. Nem ele, porque vivia dizendo que talvez não fosse candidato. Era crise da tentativa de taxar o Pix, era picanha cara, era o preço dos alimentos nas alturas, era a escalada do roubo do dinheiro dos aposentados, era promessa de campanha da isenção do Imposto de Renda na gaveta, era a insatisfação geral da República. Eram os índices de reprovação superando os de aprovação. (E olha que o Lula se deu ao trabalho de nem reconhecer a vitória de Maduro na Venezuela.)

Mas a Family gosta de dar uns presentes para Lula e criou a crise do tarifaço com Donald Trump. Presentão. Esqueceram que, se tem uma coisa que Lula sabe fazer, é negociar. E eis que, de repente, não mais que de repente, pintou a química com Trump, intermediada por Joesley “Jojo” Batista.

Lula também começou seu trabalho para ganhar os líderes do Congresso. Davi Alcolumbre, nossa estrela mor do Senado, não se cansou de viajar com o presidente e levou a exploração do petróleo da Foz do Amazonas. No fim, eles aparentemente se tretaram por causa do Messias (o indicado ao Supremo), mas há controvérsias. Arthurzito Lira levou a fama pela isenção do Imposto de Renda e otrascositasmas. E Huguito Motta levou até um ministério de última hora como agrado, porque definitivamente não foi um ano bom para o atual dono da Câmara frigorífica.

Mas o quente mesmo do governo foram as operações da Polícia Federal. Foi PCC, foi Banco Master e um monte de políticos do Centrão com rabo preso. Inclusive a estrela Davi Alcolumbre.

5. O Congresso empaca

O orçamento “não tão secreto” continuou mudando de nome, mas o cheiro continuou o mesmo. O ano começou com o supremo Dino tentando acabar com a festa das emendas e terminou com Dino dando novas decisões porque a festa das emendas não se acabou. A Polícia Federal bateu na porta da ex-secretária de Lira que liberava os recursos.

O Congresso passou os seis primeiros meses praticamente de recesso. Nada relevante foi aprovado.

Lira seguiu mandando no pedaço, virando relator da isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil e tentando blindar o Congresso com a “PEC da Blindagem”. Sim, BRASEW, os deputados aprovaram um projeto em que simplesmente polícia nenhuma poderia investigar congressistas.

Seu pupilo, Hugo Motta, assumiu a Câmara e, em menos de um ano, já ficou mal na foto com todo mundo (inclusive por aprovar a tal PEC da Blindagem).

Huguito também deixou que os bolsonaristas paralisassem a Câmara ao sequestrar a mesa diretora e depois passou um papelão subindo na mesa e tendo que esperar os bolsonaristas saírem de sua cadeira.

E foi assim, com a imagem abalada, que Huguito viu no Felca a oportunidade de salvar alguma coisa e aprovou o ECA digital para proteger crianças e adolescentes de criminosos nas redes. Projeto que já estava há séculos no seu escaninho e ele já poderia ter feito andar.

6. Rolês nada aleatórios

🔥 Pegou fogo na COP. Mas a COP aconteceu, foi em Belém, e saíram de lá falando, pela enésima vez, em reduzir consumo de petróleo (mesmo com o Brasil aprovando a exploração do petróleo na Foz do Amazonas dias antes e o Congresso mandando ver na lei da Devastação, que mudou o processo de licenciamento ambiental).

🗑️ A Operação Overclean (o Rei do Lixo) foi o pesadelo do União Brasil e colocou Arthur Lira sob investigação.

💸 PCC na Faria Lima: o crime organizado resolveu investir no mercado financeiro, provando que a “segurança pública” virou caso de corretora de valores.

🚓 No Rio, uma operação policial matou mais de 100 pessoas em uma caçada ao Comando Vermelho. Os candidatos bolsonaristas logo abraçaram o “bandido bom é bandido morto”. Eleições 2026 vai ser a eleição da segurança pública?

🧓 Fraude do INSS: uma quadrilha tão grande que deve invadir o noticiário de 2026, com senadores e o “Lulinha” na mira da oposição.

🎰 CPI das Bets: com a influencer Virgínia Fonseca e Ciro Nogueira explicando o “rolê do Tigrinho”, a CPI terminou daquele jeitinho clássico: em pizza.

🧟 Ressuscitaram: Joesley Batista voltou a Brasília, aos Estados Unidos e à Venezuela, e Aécio Neves ressurgiu das cinzas — porque, no Brasil, o plot twist é eterno.

🚔 Alerj em chamas: o presidente da ALERJ foi preso por vazar operações para o contraventor TH Joias, num rolo que envolveu até prisão de desembargador.

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Um Feliz 2026!

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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