sexta-feira, fevereiro 10, 2023

Lula não é contra Banco Central independente, mas quer a saída de Roberto Campos Neto


Campos Neto errou indo votar com a camisa amarela na eleição

Pedro do Coutto

O presidente Lula da Silva não é contra o Banco Central independente, mas deseja a saída de Roberto Capo Neto da Presidência. É o que ficou revelado indiretamente pela excelente reportagem de Alice Cravo, Renan Monteiro, Geralda Doca, Vítor da Costa e Lauriberto Pompeu na edição de ontem de O Globo. A matéria focaliza amplamente o tema e inclui declarações do ministro Alexandre Padilha, da Secretaria de Relações Institucionais, de que o presidente da República não se refere ao caso pessoal de Roberto Campos Neto.

“Nós reafirmamos que não existe qualquer discussão dentro do governo de mudança da lei atual do Banco Central, até porque a lei estabelece como objetivos do BC o fomento ao pleno emprego, suavizar qualquer flutuação econômica, garantindo a estabilidade econômica e bom funcionamento e eficiência do sistema financeiro. Não existe nenhuma iniciativa do governo, nenhuma discussão dentro do governo de mudança da lei atual do BC e nenhuma pressão sobre qualquer mandato de qualquer diretor”, afirmou.

REAÇÃO – Constata-se que Padilha tocou apenas em metade da questão. A outra metade é a reação de parlamentares do governo, a exemplo do senador Randolfe Rodrigues e do deputado Paulinho da Força, que fazem fortes restrições à atuação de Campos Neto, principalmente ao que se refere à fixação dos juros da Selic em 13,75% ao ano. Esses juros, conforme tenho dito, incidem sobre a dívida interna do Brasil que já atinge a escala entre R$ 5,8 trilhões a R$ 6 trilhões.

De outro lado, o caso do conflito entre Lula da Silva e Campos Neto foi focalizado no programa Em Pauta da GloboNews na noite de quarta-feira, quando a jornalista Mônica Waldvogel lembrou que Roberto Campos Neto nas eleições de outubro cometeu um grave erro político, indo votar com a camisa amarela da campanha de Bolsonaro. Talvez, acentua  Mônica Waldvogel, ele pensou que Bolsonaro venceria o pleito. Mas, ocupando o cargo de presidente do BC, Campos Neto não deveria ter assumido tal posição, votando com a roupa da campanha do ex-presidente.

A incompatibilidade criou um problema grave. Alexandre Padilha negou que tenha havido um processo de fritura do presidente do Bacen. Mas a realidade mostra o conflito entre Lula e o presidente do Banco Central. Não creio que o presidente da República poderá recuar de sua posição.

GANÂNCIA FINANCEIRA –  Fatos como os que ocorreram com a privatização da Eletrobras do governo Bolsonaro e o endividamento das Lojas Americanas, que supera R$ 40 bilhões em dívidas, acentuam o caráter alucinógeno da ganância financeira que não respeita limites sequer da lógica empresarial seja ela aplicada ao setor público ou setor privado.

O presidente Lula, nos jornais de quarta-feira, revelou por exemplo que a privatização da Eletrobras estabeleceu que o Tesouro Nacional, embora possuindo 40% das ações da nova holding, só tem direito a 10% dos cargos de Direção. Um absurdo completo que colide com a Lei das Sociedades Anônimas.

REMUNERAÇÃO – De outro lado, estabeleceu-se que a remuneração dos diretores subisse de R$ 60 mil para R$ 360 mil por mês. Determinou ainda que no caso de compra das ações pelo governo, o seu preço seria três vezes superior à cotação das próprias ações na Bovespa. Isso significa um absurdo completo. Por qual motivo o governo para adquirir ações de uma empresa tem que pagar mais do que pagariam pessoas físicas ou jurídicas?

Quanto às Lojas Americanas, uma dívida de R$ 40 bilhões para a empresa que se acumulou por pelo menos 10 anos, chama atenção para um absurdo que aconteceu na rede de lojas. Três bilionários controladores da Americanas não perceberam que os balanços estavam equivocados. Na Folha de S. Paulo de ontem, numa entrevista a Renato Carvalho, o presidente do Banco Itaú, MIlton Maluhy Filho, recomendou de forma geral às empresas brasileiras que reduzam suas dívidas, pois o mercado encontra-se retraído, vendendo menos do que seria esperado e com isso a rentabilidade do capital se encolhe bastante.


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