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Mensagens mostram que Ibaneis ignorou alertas de sobre atos golpistas
Pedro do Coutto
A revelação das conversas pelos telefones celulares do governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha com o senador Rodrigo Pacheco, com a ministra Rosa Weber e com o ministro da Justiça, Flávio Dino, confirma tacitamente, mas de forma bastante ampla, a conspiração que serviu de base para a invasão de Brasília no dia 8 de janeiro e as depredações praticadas por apoiadores fanáticos de Jair Bolsonaro, utilizados como massa de manobra para que ocorresse um golpe de Estado contra o governo Lula. Basta examinar o conteúdo das comunicações ocorridas.
No dia 7 de janeiro, um sábado, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, comunicou-se com Ibaneis e disse estar informado sobre a preparação de um ato violento a ocorrer em Brasília. O governador disse não ter essa informação e que tudo estaria tranquilo, sendo pacífica a manifestação programada para o domingo. Mas omitiu que haviam sido contratados quase cem ônibus para transportar pessoas para a capital.
CONTATO – Quando as agressões começaram,a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Rosa Weber, procurou contato com o governador e depois de vários esforços conseguiu falar, ouvindo como resposta que a Polícia Militar estava nas ruas e que qualquer movimento seria reprimido. O que não era verdade.
Ibaneis Rocha foi também alertado por Flávio Dino e ignorou a situação. O governador mentiu e ele próprio tentou se justificar com o presidente Lula que não aceitou as suas desculpas. As revelações foram divulgadas na noite de quarta-feira pela GloboNews e objeto de reportagem de Aguirre Talento, Daniel Gullino, Marianna Muniz e Eduardo Gonçalves, O Globo desta sexta-feira, mostrando que os entendimentos dramáticos do governador omisso ou conivente sobre a situação que ameaçava Brasília profundamente.
As confissões são por ação tácita. Primeiro, ele vinha sendo contestado pela nomeação do ex-ministro Anderson Torres para secretário de Segurança de Brasília. Torres viajou para Orlando onde foi se encontrar com Bolsonaro. Deixou em seu lugar Fernando Oliveira. A Polícia Militar teve uma inação que acarretou que fossem presos três de seus comandantes. O governador não tomou providências sequer depois das invasões terem evoluído para depredações. Não houve comunicação efetiva e a sombra na qual se tentou ocultar o governador não parece tê-lo deixado em situação favorável.
VERSÃO – De outro lado, a situação também se complica para o ex-ministro Anderson Torres que apresentou uma versão que se encontrava de férias nos Estados Unidos e que lá ele verificou que seu celular havia sido clonado. Depois, forneceu como versão que perdeu o aparelho. Mas isso não adianta, pois as comunicações feitas por ele encontram-se na nuvem que envolve todos os telefones celulares.
Não é possível, informa o especialista Filipe Campello, apagar o que foi dito pelo telefone da chamada nuvem onde se encontram todos os diálogos travados por esse tipo de comunicação. Torres deve saber disso pois é delegado da Polícia Federal, mas certamente conta com um sentimento corporativista que possa livrá-lo do que ele próprio falou antes da tentativa de golpe contra a democracia e contra o presidente Lula da Silva.
Como se constata, Pacheco, Rosa Weber e Flávio Dino se transformaram em testemunhas de acusação do governador de Brasília, fato inédito na história do país. O bolsonarismo depois de 8 de janeiro perdeu força, pois em sã consciência ninguém pode apoiar depredações.
BANCO CENTRAL – Num texto publicado no O Globo de ontem, Bernardo Mello Franco focaliza a situação no governo de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Como já escrevi sobre o assunto, Lula não dirigiu ataques à autonomia ao BC, mas a Roberto Campos Neto. E, na próxima reunião do Copom, o governo já deverá estar representado pelo ministro Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento.
Assim, Campos Neto já admite mudar o cálculo da inflação para este ano, ridiculamente previsto por ele em apenas 3,7%. No mês de janeiro, o IBGE mantendo o seu esforço para conter a inflação, encontrou para janeiro uma taxa de 0,53%. Como? Em janeiro subiram os aluguéis, os alimentos, os transportes, entre outros. Bernardo Mello Franco lembra que uma das razões da hostilidade de Lula para com Roberto Campos Neto está no fato dele ter votado em outubro vestido de amarelo