
Charge do Amarildo (Arquivo Google)
Luisa Purchio
Veja
Divulgado em 26 de janeiro pelo Banco Central em coletiva de imprensa, o erro de cálculo no total de 14,5 bilhões de reais no mercado de câmbio contratado entre outubro de 2021 a dezembro de 2022 tem pouco impacto no mercado de câmbio e na confiança da instituição, porém na análise de especialistas poderia causar abalos se persistisse.
“É sempre ruim porque adiciona incerteza sobre uma variável que o mercado acompanha, tendo efeitos negativos sobre o mercado de câmbio. Se esse tipo de erro persistir, a volatilidade do mercado tende a aumentar”, diz João Mauricio Rosal, economista-chefe da Guide Investimentos.
FALHA DE COMPILAÇÃO – Nas estatísticas do BC, o erro ocorreu em alguns códigos do mercado de câmbio criados por uma resolução do BC e que entraram em vigor em outubro de 2021. “Por uma falha de compilação desses novos códigos, um deles não foi incluído” disse Rocha na coletiva.
O equívoco afetou o fluxo cambial nos últimos três meses de 2021, fazendo com que o valor total em importações aumentasse de 215,4 bilhões de dólares para 217,2 bilhões de dólares.
Já em 2022 todos os meses foram afetados, aumentando as importações de 238,1 bilhões de dólares para 250,9 bilhões de dólares, levando o mercado de câmbio a fechar em déficit de 3,2 bilhões de dólares no ano passado.
CÂMBIO E BALANÇO – O fluxo cambial é diferente do balanço comercial, que compila o total de compra e venda de produtos para o mercado internacional. Já o fechamento cambial é uma liberdade que o exportador tem de escolher se o dinheiro arrecadado com as vendas ficará fora ou dentro do país, de acordo com o que lhe for mais interessante do ponto de vista de valorização ou desvalorização do dólar em relação ao real.
“O balanço comercial teve no ano passado superávit, enquanto o fechamento cambial teve déficit. Isso significa que quem estava exportando não quis trazer o dólar com medo da desvalorização do real”, diz Simão Davi Silber, professor de economia da USP e pesquisador da FIPE, lembrando do impacto que as eleições presidenciais tiveram sobre a volatilidade cambial em 2022.
RECEIO DE CRISE – “As eleições, com os precatórios do Guedes e do Bolsonaro, deixaram os exportadores com medo de trazer os dólares para o Brasil e perder dinheiro, e efetivamente o real trocou de patamar. Já o importador faz o raciocínio contrário, ele tem de pagar em dólar então quanto mais cedo fizesse isso, mais barato ele pagava”, explica Silber.
Também para Silvio Campos Neto, sócio da Tendências, do ponto de vista de avaliação de mercado o erro de cálculo não é muito relevante.
“A única implicação de análise que vejo é a percepção de que o fluxo não foi positivo como na primeira informação. Mas o saldo negativo de 3 bilhões não é tão significativo porque o erro foi no fluxo comercial e não mexe com o fluxo financeiro, o que poderia sugerir um menor interesse de investidores em ativos brasileiros”, assinala o especialista.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Enviada pelo sempre atento comentarista Batista Filho, a matéria é importante e as explicações do Banco Central, por óbvio, estão sendo usadas pelos petistas para atacar o presidente do BC. No entender dos especialistas do mercado, porém, a retificação de dados é coisa normal e demonstra a seriedade de quem reconhece o erro involuntário. No caso dos governos do PT ocorreu o contrário. Houve erro proposital pela equipe de Guido Mantega, que desde o governo Lula praticava as chamadas maquiagens fiscais, que depois passaram a ser conhecidas como pedaladas e causaram o impeachment de Dilma Rousseff. No início, ela desprezava as acusações e até comprou uma bicicleta para passear todo dia de manhã e ironizar as pedaladas. Hoje, deve se arrepender muito de tanta idiotice que fez. (C.N.)