Mônica Bergamo
Folha
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu em defesa do economista Aloizio Mercadante (PT-SP), recém-indicado por ele para presidir o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e criticado por setores do mercado financeiro e até mesmo entre economistas e políticos aliados.
Na terça (13), a Bolsa de Valores caiu 1,71% depois de Lula anunciar Mercadante no comando do banco. Um dia depois, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei mudando a regra de quarentena para que dirigentes políticos possam assumir a direção de empresas estatais.
NOVAS RESSALVAS – A alteração foi entendida como feita sob medida para que Mercadante possa assumir o BNDES, o que gerou novas ressalvas à indicação.
Lula mostrou contrariedade com as seguidas críticas a Mercadante. Em conversas com aliados, disse que ele está sendo “perseguido”, e que “estão colocando na conta do Mercadante” coisas que não são da responsabilidade do economista, como a mudança na lei das estatais.
No entendimento de Lula, o futuro presidente do BNDES poderia assumir o comando do banco sem a mudança na regra, já que não ocupava cargo na direção do PT. O presidente eleito afirma que sequer sabia que as alterações na lei seriam feitas pela Câmara.
COMETEU ERROS – Lula aceita as análises de que Mercadante foi inábil e cometeu equívocos no período em que foi ministro de Dilma Rousseff (PT), comandando em sequência as pastas de Ciência e Tecnologia, Educação e Casa Civil, e sendo considerado homem forte do governo dela.
Mas diz que ele “mudou” e que agora mostra uma habilidade muito maior para exercer o poder em postos-chave do governo, como o BNDES.
Mercadante se afastou de Lula já no primeiro mandato de Dilma Rousseff, que assumiu a Presidência em 2011. Na disputa de bastidores entre os que defendiam que ela concorresse à reeleição e os que preferiam a volta de Lula, o economista ficou do lado da então presidente. Depois que Lula saiu da prisão, no entanto, os dois se reaproximaram.
PROGRAMA DE GOVERNO – Mercadante não tem cargo de direção no partido. Há muitos anos preside a Fundação Perseu Abramo, centro de estudos vinculado ao PT, e nesta condição coordenou a formulação do programa de governo de Lula.
Ao divulgar a escolha dele para o BNDES, o presidente eleito afirmou que o Brasil precisa de alguém que “pense em desenvolvimento, que pense em reindustrializar esse país, em alguém que pense em inovação tecnológica”. E disse que as privatizações iriam “acabar”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Lula está correto ao indicar Mercadante para o BNDES. O economista conhece bem o banco e sabe da importância que tem para alavancar a economia, como aconteceu na gestão de seu amigo Carlos Lessa, que foi demitido por fazer críticas à política adotada pelo então ministro Antonio Palocci, que nada entendia de gestão econômica, mas sabia muito bem como meter a mão no dinheiro, desde os tempos em que foi prefeito de Ribeirão Preto. (C.N.)