quinta-feira, dezembro 15, 2022

Haddad parece querer uma administração plural no Ministério da Fazenda

Publicado em 15 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Haddad referiu-se a uma assessoria técnica que pretende criar

Pedro do Coutto

Numa entrevista ontem em Brasília, no Centro Cultural do Banco do Brasil, o futuro ministro Fernando Haddad falou sobre as suas metas principais na Fazenda e, pelo tom que imprimiu às suas palavras, a mim pareceu que ele deseja uma administração à base de equipe, blindando-se assim para o enfrentamento de problemas essencialmente complexos e peculiares à pasta.

Falou com a sinceridade e a gentileza que sempre o caracterizam, revelando nomes de sua equipe e se referindo a uma assessoria técnica que pretende criar para exatamente  exercer o controle das contas públicas, firmando uma nova âncora fiscal e  também estabelecer uma conjugação de esforços com o Banco Central.

RESPEITO AO MANDATO – Hadda já que anunciou que o governo Lula respeitará o mandato de Roberto Campos Neto e a autonomia do Bacen até 2024, quando termina o período de dois anos para o atual dirigente.

Assim, politicamente, ficou afastada a integração de Henrique Meirelles à equipe do governo Lula da Silva, acredito. No O Globo, matéria de Sergio Rôxo, Manuel Ventura, Vitor da Costa, João Sorima Neto e Ivan Martinez-Vargas, focaliza amplamente a entrevista de Fernando Haddad.

IMPOSTO DE RENDA – Os desafios que ele tem pela frente, que a meu ver parece querer dividir com uma equipe de elite, não são poucos. Um deles, o Imposto de Renda, com a nova tabela de isenções e também a correção dos pagamentos antecipados que em quatro anos perderam para a inflação do IBGE na escala de 25%.

Mas há outros problemas no caminho. Veremos como serão enfrentados com o novo modelo de administração que deverá ser posto em prática. Aliás, Sergio Rôxo e Alice Cravo, O Globo desta quarta-feira, focalizam a posição do presidente eleito, Lula da Silva, a respeito do IR.

FIM DA PRIVATIZAÇÃO – Reportagem de Matheus Vargas, Renato Machado e Vitória Azevedo, Folha de S. Paulo, reproduz declarações do próprio presidente eleito, Lula da Silva, quando anunciou que a privatização vai acabar, o que se refere à Petrobras, ao Banco do Brasil e também à Caixa Econômica Federal.

Lula anunciou também a nomeação de Aloizio Mercadante para o BNDES. A questão da privatização sempre foi mal colocada pelos seus adeptos. Na realidade, Petrobras, Eletrobras, que foi privatizada desastrosamente, e Banco do Brasil, sempre foram privatizados. Os adeptos do modelo defendem a privatização do comando das empresas, fazendo com que o Estado participe em minoria acionária.

Para privatizar a Petrobras através de Furnas, o governo teve que emitir R$ 189 milhões em debêntures para quitar dívidas da construção da Usina de Santo Antonio com a Odebrecht e a Andrade Gutierrez. Surpreendente é o fato que do capital da Santo Antônio e Energia, Furnas participa com 39%, e a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, juntas, com 37%. Logo a dívida existente era de todos e não somente de Furnas.

SILÊNCIO –  Realmente, Lula tem razão quando, de acordo com reportagem de Vitória Azevedo, Renato Machado e Matheus Vargas, Folha de S. Paulo, condena o silêncio de Bolsonaro no caso do incêndio de automóveis e ônibus em Brasília, e na tentativa de invasão da sede da Polícia Federal.

O futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou que tão logo assuma o cargo em janeiro, atuará para responsabilizar criminalmente os autores e participantes dos atentados. O silêncio do atual governo não tem cabimento, pois estava em jogo o patrimônio público e particular, além da segurança da capital do país.

PT CONTRA TEBET -Bianca Gomes, O Globo de ontem, publica excelente reportagem colocando em destaque o absurdo veto do PT à nomeação de Simone Tebet para ministra do Desenvolvimento Social. Competência não falta a Tebet, desenvolta, firme e lógica.

Sua presença acrescentará – espero – muito ao novo governo Lula da Silva. As razões apresentadas são falsas. Dizem setores do PT que o cargo a colocaria em grande destaque até para a sucessão de 2026.  Uma justificava que tenta ocultar verdadeiras intenções. Estas, mais voltadas para os recursos financeiros do programa do que para o desempenho brilhante da senadora.


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