sexta-feira, junho 24, 2022

Pastores agiam no MEC como “organização criminosa sofisticada”, diz a Polícia Federal

Publicado em 23 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Prisão de Milton Ribeiro: quem são os pastores alvo da operação da PF | A  Gazeta

Gilmar Santos e Arilton Moura são pastores lombrosianos

Rayssa Motta, Pepita Ortega, Fausto Macedo e Júlia Affonso
Estadão

Ao pedir a prisão do ex-ministro Milton Ribeiro, a Polícia Federal (PF) citou uma “organização criminosa” que, segundo os investigadores, se “infiltrou” no Ministério da Educação (MEC). Os policiais federais descreveram “camadas de atuação” usadas para controlar a pasta.

De acordo com a PF, o ex-ministro seria responsável por “conferir o prestígio da administração pública federal à atuação” dos pastores Gilmar Santos e Arilton Moura, “conferindo aos mesmos honrarias e destaque na atuação pública da pasta, até mesmo, internamente, nas dependências da sede do Ministério da Educação, e, sobretudo, nos eventos onde os pastores faziam parte do dispositivo cerimonial”, diz a Polícia Federal.

SAQUEANDO O ERÁRIO – O objetivo, segundo a investigação, seria “promover a própria imagem e explorar economicamente o serviço público”.

A manifestação dá destaque para a nomeação do advogado Luciano Musse como gerente de projetos da Secretaria Executiva do MEC. A PF diz que a escolha demonstra a “sofisticação da atuação agressiva da ORCRIM (organização criminosa)” e seu “desprezo à probidade administrativa e fé pública”. Ele foi citado pelo prefeito de Jaupaci (GO), Laerte Duarte, como “assessor” do pastor Arilton.

Outro trecho aponta como intermediário de propinas o ex-assessor da Prefeitura de Goiânia, Helder Diego da Silva Bartolomeu, que é genro do pastor Arilton Moura. Os investigadores dizem que a conta dele foi usada para receber vantagens indevidas.

ACESSO PAGO – A representação da Polícia Federal resultou na Operação Acesso Pago, que prendeu ontem o ex-ministro e os pastores. Eles conseguiram, no entanto, um habeas corpus junto ao Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1), em Brasília, para aguardar a conclusão das investigações em liberdade.

Quando o gabinete paralelo de pastores no Ministério da Educação veio a público, revelado pelo Estadão, a Controladoria-Geral da União (CGU) abriu uma investigação preliminar.

Algumas movimentações bancárias chamaram atenção dos auditores: depósitos de R$ 20 mil na conta de Luciano Musse e transferências de R$ 30 mil para Helder Bartolomeu. Os pagamentos teriam sido feito em parcelas por Danilo Felipe Franco a pedido do pastor Arilton.

AMPLA INVESTIGAÇÃO – Ao encontrar os depósitos, a CGU acionou a Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF). “No decurso da Investigação Preliminar Sumária também foi identificada a prática de atos suspeitos por pessoas que não se submetem à competência correcional da Controladoria-Geral da União”, informou o órgão.

A PF também coloca sob suspeita um depósito de R$ 50 mil na conta de Myriam Ribeiro, mulher do ex-ministro. Como mostrou o Estadão, a defesa do casal alegou que o valor seria oriundo da venda de um carro e teria sido repassado por familiares do pastor Arilton Moura que compraram o veículo.

Os policiais federais dizem que o relatório entregue pela Controladoria, somado aos achados da investigação, “demonstram, documentalmente, o recebimento de vantagem solicitada pelos investigados”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Se o famoso criminalista italiano Cesare Lombroso conhecesse os dois pastores do MEC, daria urros de satisfação. O semblante deles já evidencia tudo. Qualquer um poderia prendê-los sem saber os que eles estavam fazendo, e os dois pastores nem reclamariam, porque saberiam muito bem o motivo de serem presos. Repare bem a fotografia. (C.N.)

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