quinta-feira, junho 23, 2022

Comissão detalha pressão de Trump para desacreditar eleição




Testemunhas revelam esquema do ex-presidente para tentar reverter derrota eleitoral. Autoridades tiveram seus endereços divulgados e sofreram ameaças de apoiadores de Trump.

A comissão da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos que investiga a invasão do Capitólio de 6 de janeiro de 2021 detalhou nesta terça-feira (21/06) como o ex-presidente americano Donald Trump pressionou autoridades estaduais e locais para tentar reverter a derrota nas eleições de 2020.

Durante a quarta audiência do mês, o painel que investiga o ataque examinou como Trump se concentrou em alguns estados decisivos, instando diretamente as autoridades a retirarem a certificação da vitória de Joe Biden ou a encontrar votos adicionais para si mesmo.

Testemunhas afirmaram que o ex-presidente ignorou alertas de membros do próprio Partido Republicano que lhe disseram várias vezes que reverter os resultados violaria leis estaduais e a Constituição dos EUA.

Essas ações faziam parte de um esquema maior que também envolveu dezenas de processos e pressão sobre funcionários do Departamento de Justiça e sobre o então vice-presidente, Mike Pence, para rejeitar o triunfo eleitoral de Biden no evento de confirmação no Congresso, que foi marcado para 6 de janeiro de 2021.

Como resultado da persistência de Trump, apoiadores do ex-presidente ameaçaram funcionários eleitorais de forma violenta, odiosa e às vezes racista.

"Pressionar servidores públicos para que traíssem o seu juramento era uma parte fundamental da cartilha", afirmou o presidente da comissão de investigação, Bennie Thompson. "Um punhado de funcionários eleitorais em vários estados importantes ficou entre Donald Trump e a derrubada da democracia americana", acrescentou.

As audiências da comissão feitas em junho ocorrem após mais de um ano de investigação e mais de mil depoimentos. Os detalhes apresentados nesta terça-feira vêm depois de a comissão se concentrar na pressão sofrida por Pence para interferir na certificação dos resultados pelo Congresso.

'Incitados por Trump, manifestantes invadiram o Capitólio'

"Hoje mostraremos que o que aconteceu com Pence não foi uma parte isolada no plano de Trump para invalidar a eleição", destacou Thompson.

Enxurrada de telefonemas

Nesta terça-feira, funcionários públicos que foram pressionados por Trump por fazerem o seu trabalho ou receberam ameaças de apoiadores do ex-presidente depois de alegações falsas sobre o resultado das eleições prestaram depoimentos.

O presidente republicano da Câmara do Arizona, Rusty Bowers, revelou telefonemas de Trump e aliados com pedidos para que ele cancelasse a certificação de eleitores legítimos do Arizona e os substituísse. Ele contou que pediu repetidamente aos advogados de Trump para que mostrassem evidências de fraude eleitoral generalizada, mas que eles nunca apresentaram prova alguma.

Bowers afirmou que o advogado da campanha de Trump Rudy Giuliani chegou a admitir não ter nenhuma evidência, mas "muitas teorias".

Outras autoridades estaduais contaram histórias semelhantes em depoimentos gravados em vídeo. O presidente da Câmara na Pensilvânia, Bryan Cutler, também afirmou ter recebido repetidos telefonemas de Giuliani e de outros assessores de Trump, mas que se recusou a atender aos pedidos.

Foco na Geórgia

A pressão exercida por Trump foi mais intensa na Geórgia, reduto até então do Partido Republicano e onde Biden venceu. O secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, e seu vice, Gabe Sterling, testemunharam que se tornaram dois dos principais alvos do ex-presidente por se recusarem a ceder à pressão.

A comissão reproduziu o áudio de um telefonema no qual Trump pedia às autoridades locais que "encontrassem 11.780" votos que poderiam mudar o rumo da eleição no estado e impedir o triunfo de Biden.

Agência Brasil

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