Publicado em 24 de junho de 2022 por Tribuna da Internet
Victor Correia
Correio Braziliense
O ex-governador do Ceará e pré-candidato ao Planalto Ciro Gomes (PDT) afirmou, nesta sexta-feira (24/6), que a notícia-crime apresentada pelas Forças Armadas e pelo Ministério da Defesa após sua fala sobre a Amazônia é uma “ação política”, sugerindo que os militares obedecem “ordens de seu comandante supremo”, o presidente Jair Bolsonaro (PL).
“Fui surpreendido por uma nota agressiva e intempestiva do comando das Forças Armadas, que, além de descontextualizar o que afirmei em entrevista à CBN, ameaça-me com notícia-crime, equivocadamente baseada nos artigos 286 do Código Penal e 219 do Código Penal Militar”, disse o presidenciável em nota divulgada nas suas redes sociais.
POLITIZAÇÃO – “A nota, que mais uma vez explicita o grau de politização do atual comando das Forças Armadas, tenta distorcer a crítica que fiz ao notório descontrole que impera, em áreas da Amazônia, onde uma ‘holding do crime’ age impunemente”, complementou Ciro.
O Ministério da Defesa e as Forças Armadas apresentaram essa notícia-crime contra o ex-governador na noite de ontem (23/6), pedindo apuração sobre falas de Ciro em relação ao assassinato do jornalista britânico Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, na região amazônica.
O presidenciável afirmou, em entrevista à rádio CBN na terça-feira (21/6), que o narcotráfico na região é “claramente protegido pelas autoridades brasileiras”, inclusive pelas Forças Armadas.
DIZEM OS MILITARES – A nota divulgada pelos militares diz que as falas de Ciro foram irresponsáveis.
“Não é admissível, em um estado democrático, que sejam feitas acusações infundadas de crime, sem a necessária identificação da autoria por parte do acusador e sem a devida apresentação de provas, ainda mais quando dirigidas a Instituições perenes do Estado brasileiro”, continua ainda o texto.
Por sua vez, Ciro defendeu-se nesta sexta-feira dizendo que “em nenhum momento disse que as Forças Armadas, enquanto instituições de estado, estariam envolvidas com essa holding criminosa. Afirmei – e reafirmo – que frente à desenvoltura com que um tipo de estado paralelo age na área, é impossível não imaginar que alguns membros das forças de segurança possam estar sendo coniventes por dolo ou omissão”.
ELOGIO AOS MILITARES – O ex-governador ressaltou ainda que não confunde a ação de alguns membros das Forças Armadas com as ações da instituição, e que disse, na mesma entrevista, que os militares são parte fundamental de seu Plano Nacional de Desenvolvimento.
“Não me surpreende que a iniciativa desta ação política contra mim – e contra a minha pré-candidatura – parta de um ministro da Defesa que, possivelmente obedecendo ordens de seu comandante supremo, vem se notabilizando por tentativas de interferência no processo político”, afirmou Ciro, citando ainda ofício enviado pelo ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na segunda-feira (20/6) dizendo que encaminhará nomes de técnicos militares para representarem as Forças Armadas na fiscalização das urnas eletrônicas em outubro.
“Pergunto: qual competência constitucional ou legal dá autoridade a ele para indicar nomes para fiscalizar urnas eletrônicas? Indicação de militares para esta finalidade é típico desvio de função e finalidade. É caso, a meu ver, de improbidade administrativa por violação aos princípios da administração pública. Isto, sim, é claramente passível de punição legal”, disse o ex-ministro.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Nem tanto ao mar nem tanto à terra. Ciro Gomes foi infeliz na sua colocação, por ter falado genericamente em Forças Armadas, quando deveria ter se referido à possível conivência de integrantes das forças de segurança, inclusive das Forças Armadas. Aliás, todos sabem que a incontinência verbal é um dos maiores defeitos do candidato do PDT. (C.N.)