quinta-feira, setembro 02, 2021

Bolsonaro sanciona Lei de Segurança Nacional com veto à punição por difundir fake news

Publicado em 2 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

 (crédito: Miguel SCHINCARIOL / AFP)

Bolsonaro protegeu seus aliados que propagam as fake news

Cristiane Noberto
Correio Braziliense

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) preferiu não comprar briga com o Congresso e sancionou, com vetos, na noite de quarta (1º/9) a Lei que revoga a Lei de Segurança Nacional (LSN). A legislação, que foi editada em 1983, ainda durante a Ditadura Militar, foi usada mais de 70 vezes para investigar opositores do presidente brasileiro. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (2/9).

Um dos vetos principais é o de “comunicação enganosa em massa” ou fake news, porque o artigo poderia atingir aliados da base governista que estão sendo investigados no Supremo Tribunal Federal (STF).

FAKE NEWS LIVRE – Punível com pena de reclusão de um a cinco anos mais multa, o artigo que legislava sobre as fake news foi retirado da lei. Como justificativa, Bolsonaro afirmou não haver clareza sobre quem seria punido e ainda questionou se haveria tribunal próprio para julgamento da questão.

Um dos artigos permitia que partidos políticos movessem ações contra crimes previstos na lei, caso o Ministério Público não cumprisse o prazo estabelecido. Bolsonaro justifica o veto alegando que o dispositivo passa para a esfera penal um debate político.

Segundo o presidente, seria difícil caracterizar protestos pacíficos antes ou durante a ação. O dispositivo foi retirado para “evitar insegurança jurídica”.

MILITARES. TAMBÉM – Militares que cometessem crimes previstos na legislação teriam as penas aumentadas em 50%. O artigo foi vetado sob justificativa de ferir o princípio da proporcionalidade, pois os militares seriam mais punidos que outros agentes.

A pena para quem cometesse violência grave ou com armas de fogo seria aumentada em 1/3 e quando o réu é funcionário público. Bolsonaro argumentou que o cargo ocupado não justifica o aumento da pena.

Agora o Congresso vai decidir se mantém ou derruba os vetos.


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