terça-feira, setembro 28, 2021

Temer repete Bolsonaro e diz que “militares não querem jamais repetir o golpe de 1964”

Publicado em 28 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Temer no Roda Viva, a tese do golpe, o PT e o Dia da Marmota - UOL Notícias

Temer confirma que jamais foi amigo de Jair Bolsonaro

Deu em O Globo

O ex-presidente Michel Temer (MDB) disse que os militares não querem “jamais” repetir o golpe de 1964 e que, embora façam parte do governo do presidente Jair Bolsonaro, não tem interesse de se envolver em uma ruptura institucional. A declaração foi feita em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, na noite desta segunda-feira,

Temer afirmou que não há “conveniência” para impeachment do presidente, mas que, se fosse “amigo” do presidente, diria para ele não se candidatar. Ainda segundo ele, o excesso de candidaturas do centro político, neste momento, enfraquece a oportunidade de vitória da terceira via.

NOVO GOLPE? – Antes do programa, o presidente Jair Bolsonaro disse que as Forças Armadas não cumprirão eventuais ‘ordens absurdas’ suas ou de outros governos. Indagado, Temer respondeu.

“Eu tive muita convivência com os militares. O que posso dizer é que eles são rigorosamente cumpridores da Constituição Federal. O segundo ponto é que eles não querem jamais repetir (o golpe de) 1964. Eles não têm o menor interesse em fazer isso” — afirmou o ex-presidente.

Temer minimizou a presença de militares no governo de Jair Bolsonaro e comparou com o seu governo, onde havia muitos advogados, segundo ele.

FUNÇÃO CIVIL — “É mais ou menos natural. Não significa que os militares tomaram o poder neste momento, significa que estão cumprindo uma função civil. Acho que quem entrar vai levar suas pessoas de confiança e modificar esse quadro”— afirmou.

Articulador da Carta à Nação, documento em que Bolsonaro recua dos ataques feitos ao Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 7 de setembro, Temer disse não ter intimidade com o presidente, mas que se fosse um amigo não o aconselharia a tentar uma reeleição.

“Eu diria que não convém você se candidatar. Mas como não tenho nenhuma intimidade, seria uma ousadia sem conta dizer  que não se candidate”  — disse ele.

DANDO RISADAS – Ao comentar o jantar em que foi filmado dando risada de um imitador de Bolsonaro, Temer disse que o humorista fez imitações de outras pessoas, inclusive dele, e que ligou para o presidente para contar o que ocorreu.

Ainda sobre a eleição do ano que vem, o ex-presidente fez ressalvas sobre a chamada “terceira via”. Para ele, a grande quantidade de pré-candidatos vai enfraquecer o voto e manter a polarização entre Bolsonaro e Lula (PT).

“Eu verifico que alguns que estão sendo cogitados serão candidatos de qualquer maneira. Eu vejo o candidato lá do Ceará (Ciro Gomes), ele é candidato, não tem essa história. No PSDB, quem foi eleito, escolhido na prévia, seguramente será candidato. E tem outros dois ou três que se lançam como pré-candidatos ou candidatos. Isso vai atonizar o voto da chamada terceira via e manter a polarização” — disse.

OUTRAS AFIRMAÇÕES – Ao longo da entrevista, Temer defendeu as urnas eletrônicas, criticou as emendas de relator, disse que não se arrepende de ter votado em Bolsonaro porque ele não criticou seu governo e ainda afirmou que não atuou pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).

Segundo Temer, a CPI da Covid pode apurar responsabilidades do presidente em relação às mortes causadas pela pandemia no Brasil, e que o Ministério Público, de posse dessas informações, pode pedir o afastamento de Bolsonaro. Os pedidos que estão na Câmara, segundo ele, não devem prosperar porque já estão há tempos esperando análise.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Conforme revelamos aqui, com absoluta exclusividade, Temer nunca foi amigo de Bolsonaro quando eram deputados, pelo contrário, não têm a menor intimidade. O que aconteceu, na realidade, é que Bolsonaro recebeu ordem do Alto Comando do Exército para humildemente procurar o ex-presidente e dar um jeito de se desculpar junto ao ministro Alexandre de Moraes. Como general de verdade manda em capitão de mentira, Bolsonaro abaixou a crista e enfiou a viola no saco, como de dizia antigamente, portando-se um comandante-em-chefe desmoralizado, que não tem mais artigo 142 e tem de trabalhar dentro das quatro linhas. Apenas isso. Se não tivesse obedecido, hoje quem estaria na Presidência seria o vice Hamilton Mourão. (C.N.)


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