sexta-feira, agosto 20, 2021

Bolsonaro, por ação tácita, finge que aceita, mas rejeita diálogo com senadores e com o STF

Publicado em 20 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro pensa (?) que a sua única defesa são os ataques desmedidos

Pedro do Coutto

Reportagem de Mariana Muniz e Dimitrius Dantas, O Globo de ontem, coloca em destaque mais uma investida do presidente Jair Bolsonaro contra ministros do Supremo e também contra um apelo ao diálogo formalizado por Rodrigo Pacheco, presidente do Senado Federal.

Bolsonaro rejeitou também a iniciativa no mesmo sentido do senador Ciro Nogueira, ministro chefe de sua Casa Civil. O presidente da República demonstrou, inclusive por linguagem grosseira, o distanciamento que efetivamente deseja manter com o quadro constitucional brasileiro e até com as urnas de 2022.

EXTENSÃO DO PLANALTO – Falando em uma igreja evangélica em Manaus, embora pareça incrível, Jair Bolsonaro disse que  “um ou outro ministro” do STF atrapalha o Executivo, mas que esse quadro aos poucos vai mudando em decorrência de nomeações que forem sendo feitas. Nomeações, diga-se de passagem, que ele somente poderá fazer enquanto for presidente da República. A tradução da frase é a de que para ele, Bolsonaro, o Supremo é uma extensão do Palácio do Planalto e não um poder independente em si próprio.

Analisando-se bem a expressão, conclui-se que o presidente da República cometeu um dos seus maiores absurdos: considerou a Corte Suprema como uma bancada partidária inspirada por sentimentos religiosos, evangélicos e conservadores. A repercussão deverá ser bastante ampla, tanto no país quanto no exterior.

Bolsonaro joga e não desiste da radicalização. Ele sabe, conforme as pesquisas do Datafolha e da XP Investimentos assinalam, que se o voto fosse hoje,  estaria inevitavelmente derrotado nas urnas de amanhã.

O ONTEM E O AMANHà–  Foi um excelente artigo de Miriam Leitão publicado no O Globo desta quinta-feira sobre afirmações negacionistas que não se limitam ao desafio da pandemia, mas também ao confronto com o passado desprezando os registros que formam a história moderna e a memória dos brasileiros e brasileiras.

O general Braga Netto negou a ditadura de 1964 a 1985. Colidiu com os fatos que estão aí registrados para sempre, não mais se baseando apenas em relatos, mas em documentos oficiais. Entre eles, o da Constituição de 1988 que devolveu o direito de voto e restaurou a democracia brasileira.

Tanto houve ditadura no país que o presidente João Figueiredo, em 1979, assinou a Lei de Anistia para todos os envolvidos no maremoto político que atingiu o país por duas décadas. Episódios que culminaram com mortes como as de Vladimir Herzog e Stuart Angel são testemunhas do que aconteceu. Negar os fatos representa uma confissão, uma vez que somente se oculta aquilo que nos leva a um sentimento de culpa.

INTERNET – Reportagem de Paula Soprana, Folha de S. Paulo de quinta-feira, revela que a internet está presente em 83% das residências do país e é objeto de acesso de 64% das classes D e E, exatamente as de menor renda mensal e de condições de moradia precárias em áreas de risco pela insegurança do tráfico e pelas milícias da desordem urbana.

A mim surpreende a taxa de 64%, sobretudo porque existem custos mensais inerentes ao consumo de energia e relativos ao pagamento de tarifas pela navegação dos que podemos chamar de oceanos do espaço. Os dados dão margem a diversos outros estudos em consequência. Um deles a respeito de até que ponto o acesso à internet contribui para a capacidade de análise dos acontecimentos e dos episódios que marcam desdobramentos e mutações relativas  ao hábito e ao impulso de pensar.

Porque se informações injetadas artificialmente fossem capazes de orientar a percepção humana todos os nossos pensamentos deveriam ser unificados. Como graças a Deus isso não acontece, verificamos que não é por aí o caminho da verdade. Interpretações são sempre sujeitas às mudanças tanto das épocas quanto dos dias que se sucedem numa escala felizmente incessante.

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