quarta-feira, agosto 18, 2021

Bolsonaro e Braga precisam desesperadamente de outra justificativa para o golpe


Bolsonaro e Braga Netto

Barroso esvaziou a justificativa de Bolsonaro e Braga Netto

Carlos Newton

Os veteranos no jornalismo político brasileiro pensavam que já tinham visto de tudo, num país em que é comum os presidentes não terminarem seus mandatos. Mas aqui do lado de baixo do Equador a realidade política é sempre mais criativa do que a ficção, a ponto de conseguir desestimular os roteiristas da premiada série “House of Cards”.

A desculpa para pôr fim à atração foi um escândalo sexual envolvendo o artista principal Kevin Spacey, mas era uma bobagem em comparação ao presidente Lula da Silva, que criou um alto cargo federal para satisfazer a amante Rosemary Noronha, contratou também a filha dela, que ninguém sabe se é filha dele, e levou a segunda-dama pelo mundo, em 34 tórridas viagens de lua-de-mel no luxuoso AeroLula, uma espécie de motel ambulante do governo brasileiro, cujo avião auxiliar acabou envolvido em tráfico internacional de drogas, quem aguenta comparação com a política brasileira?

MAIS UM EXEMPLO – Nesta terça-feira, dia 17, tivemos mais um exemplo da insuperável criatividade da política brasileira, com a sensacional jogada do ministro Luís Roberto Barroso, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, um tipo de colegiado jurídico que só existe no Brasil.

Assim, exatamente quando o país mergulhava nas trevas da preparação de mais um golpe militar, com “The Guardian” comparando o Brasil às repúblicas de bananas e “The New York Times” apreensivo com a desestabilização institucional, o ministro Barroso, que é professor de Direito, deu uma aula ao vivo para ensinar como a inteligência vence a boçalidade.

Simplesmente enfrentou o ministro da Defesa, Braga Netto, e lhe pediu a indicação de um especialista das Forças Armadas para integrar a Comissão de Transparência das Eleições. Com isso, levou o general às cordas, como se diz na linguagem do boxe, sem conseguir esboçar reação.

BEIJOU A LONA – De guarda baixa, exaurido pela surpresa, Braga Netto não teve como se recuperar. Aceitou o nocaute e beijou a lona, para se despedir do golpe que sonhava dar junto com o presidente Jair Bolsonaro.

Utilizando essa delicada estratégia de luta, o estilista Barroso conseguiu desfazer a única alegação que Bolsonaro e Braga julgavam possuir para justificar o golpe de estado. É óbvio que, com um especialista militar em informática integrando a comissão eleitoral do TSE, os rebelados Bolsonaro e Braga não poderão mais denunciar que houve fraude e melar a eleição.

Ou seja, um simples tapa de luva de pelica conseguiu esvaziar o golpe militar programado para um dos mais importantes países do mundo – quinto em extensão territorial, sexto em população e nono em economia, vejam que não somos de se jogar fora.

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P.S.
 – Mas que ninguém se iluda. Daqui em diante, o capitão e o general vão se dedicar de corpo e alma para encontrar uma nova justificativa para o golpe. Portanto, todo cuidado é pouco. Devemos tratá-los como se fossem Napoleões de hospício, até que recebam alta e voltem para suas vidas vazias. (C.N.)

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