Publicado em 21 de agosto de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Nani (nanihumor.com)
Merval Pereira
O Globo
O presidente Bolsonaro “ameaça” discursar no dia 7 de setembro e, como é descontrolado, vai botar fogo nessa crise. Com uma multidão pedindo a saída de ministros do Supremo, voto impresso, e outras coisas, não terá palavras sóbrias; não vai dar certo.
Bolsonaro vai querer mostrar que o povo está do lado dele e será difícil se controlar. A ação da Polícia Federal contra Sergio Reis e Ottoni de Paula é uma demonstração clara de que não dá para brincar.
TOTAL INCONSEQUÊNCIA – Não é possível incentivar revolução, invasão do Supremo e quebra-quebra no Congresso e ficar por isso mesmo. Mas grave mesmo é quando o presidente da República toma essa atitude, demonstrando total inconsequência, sem avaliar o que pode acontecer a partir daí. Ou até avalia, mas acredita que a arruaça vai favorecê-lo. Esse é o perigo, quando o presidente da República chega a esse ponto.
No meio da confusão, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, está tendo um papel importante nesse momento conturbado da política. Com seu jeito mineiro, marca posição e procura acalmar a situação.
Mas pode entrar na lista de adversários de Bolsonaro, já que seu nome foi lançado à corrida presidencial pelo ex-ministro Gilberto Kassab. Assim, cada passo que ele der poderá ser tomado como atitude contrária ao presidente.
TERCEIRA VIA – Está se colocando como político sensato, habilidoso, que quer o diálogo, o que é uma opção importante para quem quer se viabilizar como terceira via. Na discussão política partidária, o Senado está tomando posições importantes, como ficar contra as coligações. Acredito que não haverá espaço por lá para votar a reforma eleitoral já aprovada na Câmara. Não tem sentido fazer mudança numa reforma já feita em 2017 e que precisa ser aprovada rapidamente, sem o debate necessário.
2022 será a primeira experiência da reforma de 2017 em eleições para o Congresso. Não tem sentido mudar mais uma vez antes de ela acontecer.