segunda-feira, julho 12, 2021

Violentos protestos nas ruas e crise da Covid mostram que regime cubano está derretendo

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Manifestantes se afastam de soldados que bloqueiam estrada durante protesto em Havana contra o governo

Polícia reprime as manifestações, cada vez mais violentas

Sylvia Colombo
Folha

“Já não gritamos mais ‘pátria ou morte’ [slogan da revolução de 1959], mas ‘pátria e vida'”, cantaram os manifestantes que saíram às ruas em diversas cidades de Cuba e em Miami, nos EUA, no último domingo (11), para protestar contra o regime. As palavras são parte de uma canção de um grupo de artistas: Yotuel Romero, Descemer Bueno, El Osorbo e El Funky.

Lançada em 16 de fevereiro, ela tem servido como motor dos protestos, até então pouco volumosos e pontuais, que vinham ocorrendo nos últimos meses.

É GRAVE A CRISE – Mas apenas uma música não levaria multidões às ruas se a situação em Cuba não fosse tão grave. O país viu o PIB encolher 11% no ano passado. A ilha, que \importa mais de 70% do que consome, tem sofrido com a escassez de alimentos e remédios devido ao fechamento das fronteiras provocado pela pandemia de Covid.

Posts em redes sociais que mostram longas filas para comprar os itens são comuns. A falta de comida é tão grande que o regime cubano impôs condições para permitir que camponeses matem vacas ou bois para consumo próprio. No pedido ao Estado pelo direito de matar o animal, é preciso declarar quanto leite a vaca já produziu e quantos quilos tem o boi.

FLUXO DE DÓLARES – A falta de voos internacionais também interrompeu as remessas em dólares que cubanos radicados no exterior, principalmente nos EUA, enviam para as suas famílias. Segundo dados oficiais, 65% delas recebiam ajuda de parentes. Há, também, o agravamento da situação sanitária devido à pandemia de coronavírus e à falta de estrutura hospitalar para atender toda a população.

Ainda que Cuba tenha medicina de ponta e esteja fabricando vacinas, o sistema hospitalar da ilha não tem dado conta de atender tantos casos. As manifestações ocorreram um dia após o regime ter negado um pedido de dissidentes para que se criasse um “corredor humanitário”, viabilizando a chegada de remédios.

APOIO DO EXTERIOR – O governo recusou a solicitação. Por meio de um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores reconheceu a gravidade da situação sanitária, mas afirmou que está fazendo uma campanha e recebendo apoios do exterior. Em uma postagem nas redes sociais, o chanceler Bruno Rodríguez afirmou que “Cuba recebeu doações de insumos médicos de 20 países, e outras 12 estão em processo de envio”.

No dia em que aconteceram as manifestações em massa, as maiores no país em décadas, Cuba registrou um novo recorde diário de infecções e mortes por Covid, com 6.923 casos de um total de 238.491, além de 47 mortes em 24 horas, somando, ao todo, desde o início da crise sanitária, 1.537 mortes. Essas cifras, porém, segundo opositores, não refletem a situação real dos hospitais, que estariam colapsados.

CULPA DO EMBARGO – No campo político, o líder do regime, Miguel Díaz-Canel, assumiu recentemente também a liderança do Partido Comunista Cubano. A situação macroeconômica que enfrenta, porém, é mais difícil que a de seu antecessor, Raúl Castro. Na gestão do irmão de Fidel Castro, líder histórico do país, houve a tentativa de abrir parte da economia à iniciativa privada e um ensaio de aproximação com os EUA.

A crise, no entanto, congelou a capacidade de consumo dos cubanos. Já a tímida reconciliação com Washington foi revertida por Donald Trump e ainda não foi retomada pelo sucessor, Joe Biden. Assim, o regime segue culpando o embargo imposto à ilha como responsável pela falta de alimentos à população.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sem apoio da Rússia da Venezuela e do Brasil, que também estão em crise, o regime cubano não tem a menor viabilidade. Sem democracia, não há solução. Para a ilha, a saída é o socialismo democrático, abrindo Cuba ao turismo que enriquecerá o belíssimo país(C.N.)

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