segunda-feira, julho 12, 2021

O desastre chamado Bolsonaro esquece que, ao ameaçar as eleições, atinge deputados e senadores

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Descendo a ladeira, Bolsonaro sobrevive de ameaças e repetições

Pedro do Coutto

Efetivamente existe na Presidência da República do Brasil um desastre chamado Jair Bolsonaro, que repete a todo o instante erros políticos, equívocos administrativos, omissões em série e até ameaças às eleições e, portanto ao regime democrático, esquecendo que a sombra que levanta sobre o desfecho de 2022, envolve os mandatos dos senadores, deputados federais, estaduais e os governadores que também em outubro do próximo ano enfrentarão o julgamento das urnas populares.

A ameaça partiu de um absurdo, como todos sabem. Caso o voto impresso não for aprovado pelo Congresso, na profecia de Bolsonaro, não haverá eleições. Em tal hipótese dramática, os parlamentares não poderiam se reeleger, perspectiva que atingiria os governadores e os oposicionistas que lutam para substituí-los na estrada democrática.

IMPEACHMENT – As ações sem sentido se acumularam de tal forma que, revela o Datafolha, pela primeira vez, a maioria dos eleitores e eleitoras manifestaram-se a favor do impeachment do presidente da República: 54% defendem a abertura de processo pela Câmara contra 42% que rejeitam o afastamento de Bolsonaro.

O quadro se inverteu em relação à pesquisa anterior realizada em maio.  A maioria que era contrária ao impedimento agora passou a ser a favor e, na minha opinião, a diferença do sim contra o não se ampliará na medida em que se estreita o campo de manobra e de ação equivocada do Planalto.

Vale lembrar que a aceitação do processo pela Câmara, na qual se acumulam 123 pedidos de impedimento, causará o afastamento do presidente da República por quatro meses. O quórum para iniciar o processo ainda não atingiu o sinal verde, mas a simples intenção derruba ainda mais os muros de proteção de um governo que saiu vitorioso das urnas, mas que no exercício do poder desmoronou completamente. Na Folha de São Paulo a reportagem sobre o impeachment é de Igor Gielow. No O Globo saiu sem assinatura.

INCAPAZ DE LIDERAR – Ocorre que o Datafolha em outra pesquisa acentuou o fato já absorvido pela opinião pública de que Bolsonaro é incapaz de liderar o país. Para 63%, ele não possui tal capacidade, e para 34% ele possui essa condição. Acontece que há um aspecto importante do levantamento do Datafolha. No mês de maio, 52% achavam que ele era capaz. Verifica-se assim que no prazo de um pouco mais de um mês houve uma perda de 18 pontos em sua aprovação.

Ao lado desse movimento negativo dos índices surge uma outra revelação, destaca a Folha de São Paulo: 55% dos eleitores e eleitoras nunca confiam nas declarações de Bolsonaro, enquanto 15% confiam sempre e 28% às vezes confiam e outras não. Esse mapa fecha as perspectivas sobre o Palácio do Planalto, levando o presidente a uma esfera extremamente crítica.

WEINTRAUB – Reportagem de Guilherme Caetano, O Globo, redigida em Washington, onde Abraham Weintraub ocupa um cargo no qual o governo o colocou quando foi demitido do Ministério da Educação. O ex-ministro afirmou que pretende disputar o governo de São Paulo nas urnas de outubro de 2022, tendo como base pequenas legendas e, ao mesmo tempo, frisou fora da área de influência da família Bolsonaro.

Absurdo completo. Weintraub foi o ministro que na reunião ministerial de 22 de abril de 2020 atacou em bloco todos os ministros do Supremo Tribunal Federal, afirmando que eram vagabundos, concluindo por uma assertiva alucinada ao dizer que Jair Bolsonaro deveria colocá-los na cadeia. Entre as legendas cogitadas por Weintraub figura a do Partido Trabalhista Cristão, tendo como principal articulador Victor Metta, seu ex-assessor no Ministério da Educação.
Sobrepreço

SOBREPREÇO – Quando se pensa que se chegou a um limite de absurdos, sempre surge mais um. É o que revela Felipe Frazão, no Estado de São Paulo de domingo, apontando o sobrepreço cobrado pela empresa FBM Farma, selecionada para fornecer diluentes a imunizantes da Pfizer contra a Covid-19.

Não houve licitação, problema para o ministro Marcelo Queiroga, sobretudo porque a FBM Farma, revela Frazão, foi multada e advertida por práticas semelhantes por 75 vezes, o que chamou a atenção da Controladoria Geral da União que identificou uma série de falhas e focalizou o histórico de problemas da fornecedora. Um sobrepreço de R$ 2,5 milhões. Mais um lance de uma sequência que parece ser interminável.

SELEÇÃO BRASILEIRA – Como na bela canção de Andrew Lloyd Webber e letras de Tim Rice, “Não chores por mim Argentina”, focalizo que o esquema de Tite, com a retenção demasiada da bola nos pés de Neymar e o desempenho do time brasileiro em seu conjunto, a rigor, não deve sequer ser lamentado pela torcida porque tal resultado negativo é uma consequência do esquema adotado e que insiste em movimentos geométricos e a utilização de espaços que, no fundo, travam a seleção de ouro.

A seleção brasileira, na noite de sábado, tornou-se a maior adversária de si mesma. O meio campo brasileiro, o que vem ocorrendo desde a Copa da Rússia, não se entende e nem tem criatividade, fazendo com que a partida fique mais lenta. A lentidão, por seu turno, facilita a marcação e como os passos trocados são curtos, não havendo lançamentos à distância, exceto os tiros de meta do goleiro, os jogadores ficam mais expostos à violência de adversários.

Na noite de sábado a Argentina bateu muito, mas o Brasil também. Não é por aí. A partida do Maracanã, Estádio Mário Filho, palco de tantas vitórias, tornou-se o cenário  de uma derrota difícil de suportar. Tite precisa reformular a sua visão de jogo e abandonar a complicação de um esporte fantástico que tem como essência a descomplicação.

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