Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Para coagir testemunha, Onyx exibiu documento falsificado
Paulo Cappelli, Natália Portinari e Julia Lindner
O Globo
Mirando no Planalto, a CPI da Covid está se preparando para colher o depoimento do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni. Para senadores da oposição, o aliado do presidente Bolsonaro é suspeito de coagir uma testemunha-chave para a comissão, o servidor Luis Ricardo Miranda, do Ministério da Saúde. Em entrevista ao GLOBO, ele denunciou indícios de irregularidades no processo de importação da vacina indiana Covaxin.
Onyx acusou o funcionário público e o seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), de terem forjado um documento que, na verdade, existia e se encontrava no sistema do governo federal. O relator da CPI da Covid, Renan Calheiros (MDB-AL), pediu a convocação de Onyx para explicar o episódio — Aziz já acenou positivamente.
FLÁVIO BOLSONARO – Em outra frente, a CPI está olhando com lupa a relação entre o senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ) e o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, que fechou um contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde para fornecer vacinas Covaxin. Aliados do primogênito do presidente, como uma servidora do Planalto e advogados, estão mira do colegiado, que analisa ainda movimentações financeiras a partir das quebras de sigilos bancários.
Flávio chegou a intermediar um encontro de Maximiano com representantes do BNDES para tratar da possibilidade de empréstimo para uma outra companhia do empresário, conforme revelou a revista “Veja”. O senador afirma que, na ocasião, Maximiano apresentou uma proposta para instalação de fibra ótica no Nordeste.
Flávio negou qualquer relação com as negociações em torno da Covaxin e afirmou que Renan tem em seu gabinete um organograma com sua foto e a de pessoas com as quais se relaciona para lhes acusar seja do que for.
GABINETE DO ÓDIO – A CPI da Covid também esquadrinha a atuação do chamado “gabinete do ódio”, grupo que reúne assessores do Planalto responsáveis pela comunicação do presidente, suspeitos de disseminar notícias falsas, inclusive na pandemia. Esses auxiliares e outras cinco pessoas ligadas a Carlos e Eduardo, filhos de Bolsonaro, tiveram os sigilos telefônico e telemático quebrados pela comissão.
Procurados pelo GLOBO, Onyx, Eduardo e Carlos Bolsonaro Ramos e Braga Netto não se manifestaram. A assessoria de Flavio Bolsonaro compartilhou vídeos divulgados anteriormente nas redes sociais nos quais o senador nega ter qualquer relação comercial ou financeira com o empresário Francisco Maximiano, da Precisa.