terça-feira, julho 13, 2021

Eurocopa “sem máscara” provoca um contágio maior em homens e ameaça o Reino Unido

Publicado em 12 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Torcedores assistem ao aquecimento antes do jogo da semifinal da Euro entre a Inglaterra e a Dinamarca, no Estádio de Wembley

Reino Unido decidiu abandonar máscaras no próximo dia 19 

Deu na BBC News

Com 50% da população vacinada contra covid, no próximo dia 19 Inglaterra dá fim a uso de máscaras e ao distanciamento. Dados da universidade Imperial College London indicam que o avanço da Inglaterra na Eurocopa pode explicar o aumento mais rápido das infecções entre homens do que entre mulheres nas últimas duas semanas. “Pode ser que assistir futebol esteja resultando em homens tendo mais atividades sociais do que o normal”, disse o autor do estudo, professor Steven Riley.

O estudo React, que testou mais de 47 mil voluntários em toda a Inglaterra entre 24 de junho e 5 de julho, confirma uma “terceira onda substancial de infecções”. E, segundo a pesquisa, os homens tinham 30% mais probabilidade do que as mulheres de que seu teste desse positivo para covid.

POUCAS MORTES – No entanto, a pesquisa aponta que as infecções não se traduziram em um grande número de pessoas hospitalizadas ou de mortes. Além disso, homens e mulheres vacinados tinham muito menos probabilidade do que outros de contrair o vírus.

“Apesar do sucesso do programa de vacinação, ainda estamos vendo um rápido crescimento das infecções, especialmente entre os mais jovens. No entanto, é encorajador ver uma prevalência de infecção mais baixa em pessoas que receberam as duas doses da vacina”, disse o diretor do programa React, professor Paul Elliott, da Escola de Saúde Pública do Imperial College.

Quase dois terços dos adultos (64%) receberam as duas doses da vacina contra a covid e as autoridades têm feito campanha para que as pessoas que não tomaram a primeira ou a segunda dose busquem se vacinar assim que possível.

VARIANTE DELTA – Em julho, os casos de coronavírus no Reino Unido subiram para mais de 30 mil/dia pela primeira vez desde janeiro, segundo os números oficiais. Na quarta-feira, foram mais de 32,5 mil casos confirmados.

Com a retirada de mais medidas de distanciamento, a previsão é que o forte aumento continue. O próprio governo já falou em um aumento de casos que pode chegar a 100 mil por dia, à medida que as restrições forem suspensas.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que é “certamente verdade” que houve uma “onda de casos por causa da variante Delta” do vírus. “Mas os cientistas também estão absolutamente certos de que cortamos a ligação entre a infecção e as doenças graves e a morte”, disse ele.

AINDA HÁ RISCOS – Na segunda-feira passada, no entanto, o principal conselheiro científico do governo, Patrick Vallance, tinha sido mais cauteloso, dizendo que as vacinas “enfraqueceram o vínculo entre os casos e as hospitalizações – mas é um vínculo enfraquecido, não um vínculo completamente rompido”.

A Associação Médica Britânica (BMA, na sigla em inglês) defendeu nos últimos dias que algumas medidas devem ser mantidas em vigor após 19 de julho. A entidade pede o uso contínuo de máscaras e novos padrões de ventilação.

Segundo ela, é fundamental proteger o sistema público de saúde (NHS), a saúde e a educação em meio ao que chama de um aumento alarmante de casos.

CAOS E CONFUSÃO – A oposição ao governo critica a medida de Boris Johnson. O líder do partido trabalhista, Keir Starmer, disse que o primeiro-ministro está levando o país a um “verão de caos e confusão”, ao comentar os planos de flexibilizar as últimas medidas de distanciamento. Ele defendeu que o Reino Unido deveria fazer a abertura “de uma forma controlada”, com uso de máscaras.

Na Organização Mundial da Saúde (OMS), o diretor de emergências, Mike Ryan, disse que os países devem agir com extrema cautela ao reabrir suas economias após restrições necessárias devido à covid para “não perder os ganhos que obtiveram”.

Quanto à teoria da imunidade do rebanho, Ryan disse que o argumento de que seria melhor infectar mais pessoas era moralmente vazio e epidemiologicamente estúpido.

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