
Charge do Pataxó (Arquivo do Google)
Pedro do Coutto
Na edição da Folha de São Paulo desta sexta-feira, Ricardo Della Coletta publica reportagem sobre as afirmações feitas por Jair Bolsonaro na última quinta-feira aos seus apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.
Durante a fala transmitida por um site bolsonarista, o presidente da República disse textualmente que as eleições do próximo ano serão limpas: “ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”, afirmou. O absurdo causa perplexidade, embora se trate de atitude repetida, pois se não houver eleições quem ocupará o poder? Ele próprio, Jair Bolsonaro.
IMPERADOR – Ao dizer isso, o presidente se autoproclama imperador do Brasil. Não há outra interpretação. Bolsonaro sabe bem que o projeto do voto impresso será rejeitado pela Câmara e nem irá ao Senado. Portanto, já joga com a hipótese de fraude na urna eletrônica, colocando uma situação impossível. Como poderia haver fraude por parte da oposição quando o governo é que tem as engrenagens de fiscalização do pleito ?
Ele envereda pelo caminho do golpe, contando com o apoio de parte das Forças Armadas porque já verificou que a sua posição eleitoral não é nada boa. Bolsonaro busca fortemente encontrar um pretexto para justificar a sua derrota como consequência de uma fraude. Como aliás procedeu o ex-presidente Donald Trump nos Estados Unidos. Aliás, Bolsonaro na ocasião, sem base alguma, afirmou que houve fraude nos Estados Unidos.
Portanto, o universo político brasileiro deve se preparar para uma investida fora das urnas, voltada para torpedear a democracia e bloquear a transmissão do poder em decorrência do voto livre. Bolsonaro, no fundo, já demonstrou isso várias vezes, e tenta se perpetuar no poder, transformando-se em imperador.
INFLAÇÃO – O IBGE, segundo informa Leonardo Vieceli, Folha de São Paulo de ontem, na pesquisa que realizou para classificar a inflação no mês de junho, só encontrou um acréscimo de 0,5%, apesar do reajuste da energia elétrica, da gasolina, do óleo diesel e do gás de cozinha. Entretanto, assinala que de junho de 2020 a junho de 2021, o índice inflacionário atingiu 8,3%, muito acima da previsão inicial do governo e do sempre otimista em relação às finanças públicas, o ministro Paulo Guedes.
Guedes, aliás, na quinta-feira, preocupado com a reação de 120 empresas contrárias à reforma do Imposto de Renda, foi a São Paulo e informou que fará mudanças no projeto original do governo. Entretanto, na reunião que convocou, grandes nomes da indústria não compareceram.
Verificou-se portanto uma reação do meio empresarial que se preocupa com a retração econômica e com a hipótese de uma taxação maior no Imposto de Renda. Guedes deve ter se equivocado ao aceitar de sua equipe um projeto dessa ordem, pois ele é um defensor do liberalismo que tem como uma de suas vertentes a mão de tigre do mercado.
DATAFOLHA – Na noite de ontem, sexta-feira, o jornalista César Tralli, na GloboNews, anunciou os números da nova pesquisa do Datafolha sobre as tendências para sucessão de 2022 se as eleições fossem hoje. Num cenário total, Lula, no primeiro turno, obteria 46% dos votos contra 24% de Bolsonaro e 8% de Ciro Gomes.
Os outros nomes pesquisados apresentaram tendências mínimas. Comentarei a pesquisa mais amplamente na edição de amanhã, mas chamo a atenção para um detalhe; o quadro revelado para o segundo turno: Lula 58%, Bolsonaro 31% e uma autêntica surpresa, se o páreo fosse entre Ciro Gomes e Bolsonaro, Ciro venceria por larga margem.