quarta-feira, abril 14, 2021

Militares deram força para eleger Bolsonaro e agora vão assistir ao impeachment dele


DITADURA NO DNA – Contra o Vento

Charge do Duke (Jornal O Tempo)

Carlos Newton

Com o passar do tempo e as consequentes inconfidências provocadas pela vaidade dos participantes, vai ficando cada vez mais claro que os militares foram decisivos para eleger Jair Bolsonaro, depois ajudaram-no a montar seu governo, foram beneficiados com generosos aumentos salariais e preservação de privilégios previdenciários, mas agora, quando está comprovado que deu tudo errado e o presidente paramilitar é um estrupício, a cúpula das Forças Armadas simplesmente tenta se livrar da responsabilidade.

Pode-se dizer, sem medo de errar, que Bolsonaro não conseguiria vencer a eleição se não houvesse o atentado a faca e se os militares não tivessem apoiado abertamente sua candidatura, levando muitos civis a também votar nele.

DEU TUDO ERRADO – Desde o início, ficou evidente que o governo não daria certo, devido à interferência dos três filhos trapalhões e do ridículo guru virginiano Olavo de Carvalho. O temperamento de Bolsonaro também não ajudava, porque ele se transformou num misto de vaidade e ignorância. Meteu na cabeça que era comandante-em-chefe da Forças Armadas para o que der e vier, sem entender que isso só ocorre em situações especiais, previstas na Constituição.

Essas contradições não tinham grande peso nos Altos-Comandos, porque o presidente agradou aos militares o máximo que podia, mantendo seus privilégios previdenciários, elevando soldos e gratificações, autorizando renovação de equipamentos, um verdadeiro festival, além de contratar cerca de 6 mil oficiais da ativa e da reserva, dobrando seus salários generosamente.

Agora, não há mais benesses a receber e os militares enfim se compenetraram de que Bolsonaro não tem a menor condição de ser presidente.

“FICARÁ ENTRE NÓS” – Não adianta tentar fugir da responsabilidade. No início do governo, ao dar posse ao ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, Bolsonaro se dirigiu ao comandante do Exército e agradeceu: “General Villas Bôas, o que já conversamos ficará entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui”.

Villa Bôas realmente foi decisivo para eleger Bolsonaro. Em 3 de abril de 2018, véspera do julgamento do habeas corpus para soltar Lula da Silva, o comandante publicou em sua conta no Twitter: “Nessa situação que vive o Brasil, resta perguntar às instituições e ao povo quem realmente está pensando no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais?”

Depois, em entrevista à Folha, confirmou que pretendia “intervir” caso o Supremo concedesse o recurso. “Temos a preocupação com a estabilidade, porque o agravamento da situação depois cai no nosso colo. É melhor prevenir do que remediar”, justificou.

OLHAR DE PAISAGEM – A crise não é só a pandemia. O país vive em caos permanente, por causa do governo Bolsonaro, e os generais fazem cara de paisagem, como se diz hoje em dia.

Fingem que nada têm a ver com os dramas nacionais, deixam a Petrobras ser fatiada criminosamente, todos os problemas são apenas dos civis, porque os militares se tornaram mais uma classe privilegiada, que vem se somar aos magistrados, parlamentares e membros da elite da nomenklatura. O resto que se dane.

Agora, o pesadelo vai acabar. A decisão da ministra Cármen Lúcia, nesta terça-feira, levará o Supremo a votar a abertura de processo contra Bolsonaro, por genocídio de indígenas. Se o pedido for aprovado, o procurador-geral Augusto Aras terá de concretizar a denúncia e Bolsonaro será processado pelo Supremo, que o afastará do cargo por 180 dias, conforme está determinado na Constituição.

###
P.S. – É claro que os “juristas” do Planalto vão apresentar outra interpretação, alegando que o afastamento do presidente terá de ser autorizado pela Câmara, mas o Supremo logo esclarecerá o assunto. O vice Hamilton Mourão nem precisa encomendar o terno da posse, porque não haverá cerimônia, a
 transmissão é automática.. (C.N.)

Em destaque

Energia cara e desgaste político: a inflação volta ao centro do jogo eleitoral

Publicado em 3 de maio de 2026 por Tribuna da Internet Facebook Twitter WhatsApp Email Charge do Duke (Correio Braziliense) Pedro do Coutto ...

Mais visitadas