terça-feira, abril 13, 2021

Com ataque ao STF, CPI e passeatas pedindo ditadura, o governo desaba e só um milagre salva Bolsonaro

Publicado em 13 de abril de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Aroeira (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Ao receber a ligação do senador Jorge Kajuru neste domingo, o presidente da República, Jair Bolsonaro, pediu que ele estendesse a CPI da Saúde para governadores e prefeitos, uma vez que não quer ser culpado sozinho.

O telefonema foi gravado pelo senador e, na mesma noite, o Fantástico divulgou o fato. A edição de ontem, de O Globo, reportagem de Eliane Oliveira e Bruno Goés, destaca o diálogo. Além de pedir a extensão da CPI, Bolsonaro atacou o STF propondo o impeachment do ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal. Kajuru divulgou o conteúdo do telefonema.

PERPLEXIDADE – O fato foi recebido com perplexidade, sobretudo porque inacreditavelmente, conforme revelou o jornal da GloboNews ontem à tarde, o presidente também ameaçou agredir Randolfe Rodrigues, autor do requerimento de criação da CPI da Covid-19. Jair Bolsonaro, a meu ver, está desorientado.  

É importante destacar que, com o seu conhecimento, passeatas ocorridas neste domingo na Avenida Paulista, na Praia de Copacabana, na Esplanada de Brasília, defenderam a implantação de uma ditadura militar, com ele no comando. Faixas apontavam o comunismo no país e militantes afirmavam estar com Deus e em defesa da liberdade cristã. A ditadura militar seria contra o Congresso e contra a Corte Suprema.

Se a crise já estava com temperatura elevadíssima, agora então subiu ainda mais, atingindo um perigoso limite. A ruptura pode ocorrer ainda esta semana. O presidente da República a cada dia revela mais que não tem condições de governar.  

VAGA NO STF – Thiago Prado, no O Globo, informa que Bolsonaro optou por André Mendonça para a vaga no STF que será aberta em julho com a aposentadoria do ministro Marco Aurélio Mello. Mas a Corte reage e não vê clima para aceitar Mendonça.

Por esse motivo, ministros entraram em contato com Rodrigo Pacheco para que o Senado, se a indicação vier a se confirmar, rejeite o nome do atual advogado-geral da União. O desentendimento entre os Poderes aprofunda-se.

RENDA DAS FAMÍLIAS – O Estado de São Paulo, através de reportagem de Fabrício Castro e Eduardo Rodrigues, destaca que segundo dados do Banco Central, o comprometimento da renda das famílias brasileiras com dívidas alcançou 31,1%, pico da série histórica, e que esse fato está influindo na queda da renda, o que reflete a perda do poder de compra ameaçando assim a economia nacional que vem sendo objeto de afirmações inverídicas do ministro da Economia.

E agora Paulo Guedes ? Não há resposta, pois o poder de consumo só pode baixar e não subir em razão do congelamento dos salários. Todos esses fatos formam uma cadeia que está levando a uma situação insuportável, inclusive no que se refere à corrupção. Paulo Guedes fixou em R$ 16 bilhões a privatização da Eletrobras. Já escrevi sobre isso ontem.

REMÉDIO SEM EFICÁCIA – Mas hoje, lendo Vinicius Sassine, Folha de São Paulo, vejo que o Ministério da Saúde gastou R $125 milhões com a compra de Tamiflu, remédio que não tem eficácia  contra à Covid-19. Além da impropriedade, Sassine aponta que o preço cobrado foi 33% maior que o de mercado.

Sem dúvida, o governo ingressou em um espiral e é quase impossível voltar à tona com o redemoinho que o próprio Bolsonaro criou. Todos se lembram da reunião ministerial de 22 de abril de 2020. Falta pouco para completar um ano.

LEGISLATIVO TOMA INICIATIVA –  Na tarde de ontem, no jornal das 16h, a GloboNews informou que o senador Rodrigo Pacheco e o deputado Arthur Lira, presidentes do Senado e da Câmara, conversaram ao telefone com o secretário-geral ONU, e que pediram a ele a antecipação de entregas de vacinas contra a Covid-19 ao Brasil.

Pacheco disse que reforçou ao secretário-geral o pedido para que o Brasil se torne prioridade na entrega de vacinas. Esta notícia é absolutamente incrível: o Legislativo substituindo o Executivo numa tarefa que cabe ao governo realizar.  

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