terça-feira, dezembro 15, 2020

O fantasma de Lula elegeu Bolsonaro em 2018 e continua atormentando muitos eleitores


O fantasma de Sarney assusta Temer

Charge do Ivan Cabral (Arquivo Google0

Pedro do Coutto

Um fantasma chamado Lula da Silva garantiu a vitória de Jair Bolsonaro na urnas de 2018 e, passados dois anos, continua a ser responsável pelos 37% da opinião pública que ainda acreditam em desempenho satisfatório de Bolsonaro à frente do Palácio do Planalto. A meu ver, é a explicação pelos números registrados na pesquisa do Datafolha, publicada nesta segunda-feira pela Folha de São Paulo e comentada pelo jornalista Igor Gielow.

O levantamento pode ser visto sob várias lentes e diversas leituras, como por exemplo a melhoria da posição de Jair Bolsonaro no Nordeste, sustentada em boa parte pelo auxílio emergencial que começou com 600 reais e vai acabar este mês já reduzido para 300 reais. Pode ser que o governo termine prorrogando-o por mais tempo. Pode ser que seja na escala de 300 reais. Vamos ver.

CONTRADIÇÕES – Enquanto isso, vale a pena iluminar alguns dados revelados pelo Datafolha. O principal deles é o de que 53% dos entrevistados informaram que não acreditam nas palavras divulgadas por Bolsonaro. Ora, se não acreditam em Bolsonaro mas consideram seu governo ótimo e bom, aí vai a principal aparente contradição da pesquisa.

Se 53% não acreditam no presidente, a continuação lógica desse pensamento choca-se com o índice de popularidade do presidente, sendo que 17% só acreditam em parte.

A seguir o Datafolha encontrou outra contradição: 55% acham que  ao longo dos dois anos ele (Bolsonaro) fez menos do que anunciou na campanha. Apenas 17% acham que ele fez mais do que prometeu e a parcela restante de 22 pontos inclui os que consideram que ele ficou entre uma coisa e outra.

MENTIR NA CAMPANHA – Trata-se de um problema que se eterniza no Brasil: a divergência entre o candidato e o presidente. Nas campanhas eleitorais todos os candidatos acenam com promessas de melhorar a renda do trabalho e a vida de homens e mulheres, portanto significa melhorar a vida da população.

Muitas promessas são sonho de uma noite de verão por vários problemas, especialmente a falta de recursos públicos, decorrente dos sistemas de corrupção.

Como dizia o presidente Juscelino Kubitschek, política, sobretudo, é esperança, e os eleitores encontram-se inevitavelmente em busca dessa esperança.

RUIM E PÉSSIMA – A taxa dos que classificam a administração federal de ruim e péssima é de 32%. Logo, confrontados 32% de reprovação com os 37% de aprovação, o coeficiente é favorável ao atual presidente da República, apesar dos erros e dos absurdos que ele diz quase que diariamente.

O exemplo da vacinação não é suficiente para refletir na sua imagem, embora desgastada mas na escala de 37 pontos. Não foi suficiente sua ruptura com o general Hamilton Mourão. Também não foI suficiente a reunião ministerial de 22 de abril, cujo desenrolar ficará na história como o episódio mais incrível do exercício do poder e também pelo baixo nível dos argumentos e despautérios.

Para finalizar, só encontro uma explicação. O contraste entre Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Lula e o PT foram os grandes eleitores de Bolsonaro e Hamilton Mourão. O fantasma do ex-presidente causa pânico na população brasileira. E continua causando.

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