sábado, maio 25, 2019

Além dos R$ 64,5 mil do hospital, Queiroz pagou aos médicos R$ 69 mil em dinheiro

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Irresponsavelmente, Queiroz deu mostras de enriquecimento ilícito
Chico Otávio e Gustavo SchmittO Globo
Advogado diz que gastos de R$ 133,58 mil estão dentro da capacidade financeira do ex-motorista e de sua família, de cerca de meio milhão de reais ao ano
O ex-motorista do senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) Fabrício Queiroz , além de pagar em espécie R$ 64,58 mil pela cirurgia ao hospital israelita Albert Einstein , desembolsou outros R$ 60 mil para pagar à equipe médica e R$ 9 mil ao oncologista em dinheiro vivo. Ao todo, Queiroz arcou com R$ 133,58 mil em dinheiro pelo procedimento médico, segundo o advogado dele, Paulo Klien.
“VALOR RAZOÁVEL” – De acordo com Klein, os gastos estão dentro da capacidade financeira de Queiroz e de sua família, que ganham cerca de meio milhão de reais ao ano.
“De toda forma está dentro de um valor razoável e dentro da renda dele e da família, uma vez que dentro de sua capacidade financeira e com recursos próprios e lícitos, considerando que eles ganham R$ 500 mil ao ano”, disse o advogado, ao garantir que Queiroz está disposto a prestar todas as informações pedidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro dentro do critério de transparência.
Queiroz foi internado na unidade em janeiro, quando retirou um câncer no cólon. O pagamento foi feito em 14 de fevereiro. Desde que o assessor de Flávio recebeu alta do hospital, nunca se soube o valor das despesas pagas pelo procedimento médico.
EM DINHEIRO VIVO – Na nota fiscal eletrônica (confira abaixo), à qual O Globo teve acesso, a Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Hospital Albert Einstein informa que Queiroz ficou internado de 30 de dezembro de 2018 a 8 de janeiro de 2019. O tipo de internação foi “clínica médica”.
O ex-motorista alegou que o montante quitado em dinheiro vivo estava guardado em sua casa para amortizar o financiamento de um apartamento na Taquara, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. O dinheiro foi entregue à tesouraria do hospital pela mulher de Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar.
Na nota fiscal, o valor total da despesa é de R$ 86 mil. Lá, consta um desconto de R$ 16 mil, o equivalente a 20% dos custos hospitalares.  Queiroz sustenta que conseguiu o abatimento e que o total da despesa ficou por R$ 70 mil. Outros R$ 5,42 mil foram quitados por meio de cartão de crédito, conforme consta na fatura.
QUEBRA DE SIGILO – No dia 13, a Justiça do Rio autorizou a quebra do sigilo bancário e fiscal de Fabrício Queiroz e outras 87 pessoas. Além do afastamento de sigilo de Flávio e seu ex-assessor Queiroz, também terão suas informações bancárias averiguadas a mulher de Flávio, Fernanda Bolsonaro, a empresa de ambos, Bolsotini Chocolates e Café Ltda, as duas filhas de Queiroz, Nathalia e Evelyn, e a mulher do ex-assessor.
No sábado, a defesa de Queiroz entrou com um habeas corpus para anular as quebras de sigilo bancário e fiscal na investigação, sob o argumento de que a decisão judicial não tinha “embasamento legal”.  O advogado de Queiroz, o criminalista Paulo Klein acusa o Ministério Público de ter burlado a Justiça ao omitir que o hoje senador Flávio Bolsonaro, na época dos fatos deputado estadual, era um dos investigados, para evitar que ele se valesse do foro especial por prerrogativa de função.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Caramba! O motorista e amigo de Flávio Bolsonaro é um cara que esbanja dinheiro vivo. Mas está foragido, junto com a mulher e as duas filhas. O advogado diz que eles têm renda anual de meio milhão de reais (mais de R$ 42 mil mensais), o que significa confessar enriquecimento ilícito, e garante que Queiroz está disposto a prestar todas as informações pedidas pelo Ministério Público do Rio de Janeiro, o que é uma grande Piada do Ano, porque o ex-assessor já deixou de comparecer a quatro convocações do MP. (C.N.)

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