sábado, maio 25, 2019

Reação a ameaça mostra que Guedes não é insubstituível e parece ser vaidoso demais


Guedes se considera mais importante do que o próprio Bolsonaro
Daniela LimaFolha/Painel
Foi como Narciso no espelho d’água. Não causou repique nem no mercado nem na cúpula da política a ameaça de Paulo Guedes (Economia) de deixar a equipe de Jair Bolsonaro caso a reforma da Previdência fracasse. Gestores de investimentos e deputados apontaram o mesmo motivo para a falta de reação: ninguém é insubstituível. Operadores dizem estar mais preocupados com a entrega efetiva do que com o nome que levará a proposta adiante. No Congresso, a fala foi lida como um recado ao Planalto, mas eivado de vaidade.
O ministro disse em entrevista à revista Veja que, se a reforma for muito reduzida pelo Parlamento, deixará o governo. Analistas lembraram que essa não é primeira vez que Guedes sinaliza desapego ao cargo —e que ninguém acredita que ele vá sair agora.
RECADO ERRADO – Um desses observadores lembra que mais relevante do que a permanência do ministro é o comprometimento de Bolsonaro com as novas regras de aposentadoria.
Deputados que vinham pedindo uma intervenção de Guedes na articulação política para criar um ambiente de cessar-fogo e fazer deslanchar a reforma acham que ele errou na forma do recado. Ao colocar pressão usando o próprio peso político, dizem, deixou claro que pode estar se sentindo maior do que a causa que representa.
O presidente da comissão que analisa a reforma, Marcelo Ramos (PR-AM), resumiu a impressão do Congresso: “No Brasil, as pessoas têm mania de se colocarem acima das instituições”.
LIVRE, LEVE E SOLTO –  Alexandre Frota (SP), deputado do PSL que se tornou uma espécie de guardião da reforma dentro do partido do presidente, saiu em defesa de Guedes. Disse que o ministro é “um cara sincero, que acredita na proposta que apresentou”. “Se ele ficar insatisfeito com o resultado, tem o direito de sair”, observou Frota, lamentando: “Paulo Guedes, Sergio Moro e Santos Cruz são o tripé do governo. Bolsonaro perderia muito sem eles”,
Com os líderes do PSL em choque, Frota tem ampliado a interlocução com nomes de partidos hoje descontentes com sua bancada, como Arthur Lira (PP-AL) e Elmar Nascimento (DEM-BA).
DEIXA DISSO – Depois de uma semana marcada pelo embate no Congresso, integrantes de diferentes alas do PSL passaram a pregar que os colegas diminuam a artilharia virtual contra parlamentares em nome da reforma.
Em grupos de simpatizantes do partido no Nordeste, por exemplo, a fotografia de um dos líderes do centrão circula com a inscrição “câncer do Congresso”.
TENDÊNCIA  – Um analista que se debruçou sobre os dados da nova pesquisa da XP Investimentos sobre a avaliação do governo Bolsonaro chamou atenção para um dado: desde janeiro, o percentual de eleitores que responsabiliza o presidente pela atual situação da economia não para de subir. Passou de 3% para 10%.
Por fim, governadores reunidos nesta sexta (24), no Recife, relataram ao líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE), mudanças no texto da MP do Saneamento das quais não abrem mão. Eles defendem prazo de quatro anos para a revisão de contratos em andamento e a possibilidade de uma renovação sem licitação.

Na reunião com os governadores, Bolsonaro sinalizou concordar que estados acessem o Fundo Constitucional do Nordeste para investimentos em obras.

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