Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Em política, continua valendo a máxima de que não há espaços vazios. Se alguma instituição, partido, até um grupo ou mesmo um indivíduo se omite, logo será substituído. Amanhã o Supremo Tribunal Federal deverá pronunciar-se pela fidelidade partidária, que o Congresso enrola há décadas, sem decidir. Salvo engano, ficará estabelecido que quem trocar de partido perde o mandato. Consagra-se a tese de que os mandatos pertencem aos partidos, mais do que aos mandatários.
Algumas dúvidas nascerão do pronunciamento da mais alta corte nacional de justiça: poderão as novas regras retroagir e fazer com que deixem de ser deputados e senadores os parlamentares que nos últimos meses trocaram de legenda?
O chamado Bom Direito diz que não, mas há, no Supremo, quem acredite que sim. Outro esclarecimento necessita ser feito: e quem for expulso do partido, deixa o mandato? Não seria dar aos caciques o poder desmedido de livrar-se do índio que cria problemas ou pensa diferente? De qualquer forma, a decisão parece inevitável: trocou, dançou. Ponto para o Supremo Tribunal Federal, vaias para o Congresso...
Jantares indigestos
Estão previstos para hoje dois jantares onde o cardápio será fator de menor importância. No Alvorada, o presidente Lula receberá os líderes dos partidos da base governista para tentar reforçar os laços de lealdade parlamentar, com ênfase para a prorrogação da CPMF. É claro que como compensação deverão ser reafirmadas as promessas de nomeação de apadrinhados para cargos no Executivo, bem como anunciadas novas liberações de verbas para as emendas individuais ao orçamento. Na prática, nem os líderes poderão garantir a aprovação da emenda constitucional da CPMF e nem o presidente Lula assinará os atos de nomeação e liberação.
Haverá, no máximo, a expectativa de entendimento, coisa que em política jamais significou cheque em branco. O outro jantar será na residência de um dos dez senadores rebeldes do PMDB, senão para celebrar a rejeição da medida provisória do Mangabeira Unger, semana passada, ao menos para deixar clara a disposição de rebeldia, caso as promessas repetidas na refeição paralela continuem apenas promessas.
Seria bom os comensais de lá e de cá pouparem seus estômagos, comendo pouco, falando menos ainda e ouvindo muito. As relações entre o governo e o Congresso continuam tensas, marcadas pela desconfiança. Tem gente, dos dois lados, imaginando se não valeria a pena cancelar os dois jantares, até com a desculpa de que o feijão queimou...
O ovo e as estrelas
Diz a sabedoria popular constituir-se uma temeridade contar com o ovo enquanto na barriga da galinha. Celebrou-se nos últimos dias um festival de presunção, arrogância e ilusão por conta da perspectiva de a seleção feminina de futebol sagrar-se campeã do mundo, da copa disputada na China. Do que mais se falava era da cor da sexta estrela a ser bordada daqui por diante na camisa dos jogadores e jogadoras nacionais. Seria rosa, vermelha ou azul?
Enalteceu-se a Marta, como craque capaz de superar Ronaldinhos e Kakás dentro das quatro linhas. Já se planejava a vinda das meninas a Brasília, recebidas pelo presidente Lula e desfilando em carro dos bombeiros.
Domingo, a decepção: venceu a Alemanha, com direito do Brasil perder um pênalti, ironicamente cobrado pela Marta. A lição deveria estender-se para a política. Será o governo Lula, mesmo, o maior desde a República ou até o Descobrimento? Nossa economia anda tão sólida a ponto de não sofrer um revés monumental? As massas estão mesmo deixando de ser miseráveis? Deve cuidar-se Lula quando for bater o pênalti nas eleições municipais do próximo ano e, em especial, na sucessão de 2010.
Impasses
Continuam os impasses nas preliminares da sucessão paulistana. Nem PT nem PSDB conseguem dar um passo no rumo da seleção de seus candidatos a prefeito. Entre os companheiros, faltam nomes de envergadura para vencer a eleição, desde que Marta Suplicy declinou da honraria. No ninho dos tucanos sobram candidatos, de Geraldo Alckmin a Gilberto Kassab, este do DEM, mas preferido do governador José Serra. É bom que se cuidem os caciques dos dois partidos.
Correndo por fora, mas carregados pela, digamos, peculiar simpatia do eleitor da capital, surgem Paulo Maluf e Clodovil Hernández. E quem disser que não têm chance, deve cursar o primeiro ano primário de política. Aproxima-se o fim do ano, quando as forças conflitantes deveriam estar prontas para iniciar a campanha a partir de janeiro. Bebe água limpa quem chega primeiro na fonte, diz o velho provérbio árabe.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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