Fernando Exman e Rivadavia Severo
Brasília. Detentor de boas relações com a oposição, o senador Tião Viana (PT-AC) tem a chance de se cacifar a fim de permanecer no comando do Congresso. Se isso acontecer, PT e PMDB - principais pilares da coalizão governista - passarão a disputar a cadeira mais poderosa do Legislativo. Maior bancada do Senado, o PMDB tem a seu favor a tradição segundo a qual o partido com mais representantes tem o direito de indicar o presidente da Casa. O nome do petista, no entanto, é bem recebido pelos oposicionistas.
- O Tião é um homem confiável - ressalta o senador Heráclito Fortes (DEM-PI). - Todo mundo o respeita.
Primeiro vice-presidente do Senado, Tião Viana assumirá por 45 dias, a partir de segunda-feira, a presidência da Casa no lugar de Renan Calheiros (PMDB-AL). Depois de cinco meses, o parlamentar alagoano decidiu afastar-se do cargo enquanto é investigado por suposta quebra de decoro. Renan, que enfrenta no Conselho de Ética quatro processos, ficou fragilizado quando foi abandonado nos últimos dias por petistas e pela sua tropa de choque. Senadores governistas e da oposição acreditam que Renan não reúne as condições políticas necessárias para voltar a ocupar a presidência do Congresso.
Tião Viana é considerado um elo entre o governo e a oposição. Durante a CPI dos Bingos, por exemplo, foi uma das principais pontes entre o Executivo, DEM e PSDB. A comissão investigou, por exemplo, o ex-ministro da Fazenda e deputado federal Antonio Palocci (PT-SP). Com a saída de Renan, o senador petista pode ajudar a pacificar o Senado. Não à toa, tão logo o presidente da Casa anunciou o afastamento, Viana adotou um discurso apaziguador. Declarou que terá um comportamento imparcial, firme e ético. Assegurou ainda que ocupará a presidência do Senado com "responsabilidade política".
Além da provável resistência da bancada peemedebista, o maior obstáculo a ser enfrentado por Tião Viana será a oposição dos demais partidos à hegemonia do PT no poder. Afinal, quem dá as cartas no Executivo é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na Câmara, o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) ocupa a presidência.
O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), ressalta que ainda não foram iniciadas as conversações de quem será o próximo presidente da Casa. Pondera, entretanto, que o PMDB tem o direito de permanecer com o cargo. Em fevereiro, Agripino disputou com Renan a presidência do Congresso.
- Tem que ser um nome do maior partido que tenha um consenso da Casa - acrescenta Agripino Maia.
O problema do PMDB é que o partido terá dificuldades para escolher um nome que conquiste o apoio de todas as alas do Senado para suceder Renan. Para o Palácio do Planalto, o ideal seria que José Sarney (PMDB-AP) ou Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, assumissem o posto. Os dois são grandes aliados de Lula, mas receberiam o veto do PSDB. Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) teria o apoio da oposição, mas não da bancada governista. A atuação do senador na CPI dos Bingos, na qual foi relator, irritou o Palácio do Planalto.
Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), um crítico do governo Lula, contaria com os votos de DEM e PSDB, mas também com a resistência dos aliados. Outro nome que foi cotado durante a crise para substituir Renan foi Gerson Camata (PMDB-ES).
O governo quer adiar o debate. Acredita que a emersão do assunto pode atrapalhar a tramitação dos projetos de seu interesse na Casa, principalmente a proposta de emenda constitucional (PEC) que prorroga até 2011 a cobrança da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). O imposto renderá aos cofres públicos cerca de R$ 40 bilhões ano que vem.
- Essa discussão não está em pauta nem ajuda agora - desconversa o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). - Temos que esperar os processos (que Renan enfrenta).
Fonte: JB Online
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