PF prende cinco pessoas na Bahia envolvidas na extração e exportação ilegal de madeira de lei rara
Ciro Brigham
Cinco pessoas foram presas na Bahia pela Polícia Federal durante a Operação Wood Stock, deflagrada ontem simultaneamente em seis estados e no Distrito Federal por 400 agentes. A ação capitaneada pela Delegacia de Crimes contra o Meio Ambiente e o Patrimônio Histórico (Delemaph) da PF em Minas Gerais desbaratou uma quadrilha de extração e exportação ilegal de jacarandá-da-bahia (Dalbergia nigra) – madeira de lei rara e conhecida por ser usada na fabricação de instrumentos musicais. Segundo a polícia, a quantidade de madeira necessária para fabricar apenas um violão é vendida nos Estados Unidos por até U$800 (cerca de R$1.440).
Dos 73 mandados de busca e apreensão de provas expedidos pela 9ª Vara Federal Criminal em Belo Horizonte, 13 foram para cumprimento em municípios baianos. A Superintendência Regional de Salvador comandou as ações em Lauro de Freitas (região metropolitana), Ruy Barbosa e Mundo Novo (centro-norte do estado). A PF de Ilhéus ficou encarregada pelas buscas nas regiões sul (Camacã) e extremo sul (Eunápolis, Itamaraju, Itagimirim e Itabela). Já as ações no município de Formosa do Rio Preto, no oeste, foram realizadas pela Polícia Federal do Piauí.
Ao todo foram expedidos 25 mandados de prisão. Na Bahia, 44 agentes participaram da caça a oito suspeitos e conseguiram prender cinco. Três deles estavam, até ontem à noite, custodiados na sede da Polícia Federal em Salvador, com previsão de transferência para Belo Horizonte (MG) ainda hoje. Os outros dois detidos permanecem à disposição das investigações nas delegacias de Camacã e Formosa do Rio Preto, onde já foram ouvidos.
O empresário Rodrigo Pereira Moreira, preso ontem pela manhã em Belo Horizonte, é apontado como chefe da organização. Brasileiro com cidadania americana e residência nos dois países, ele exportava madeira para diversos países, entre eles Canadá, Japão Estados Unidos, onde um suspeito de receptação está sendo procurado no estado de Massachusetts.
Em comunicado oficial, a PF informou que “as investigações, que começaram há cinco meses, revelaram que a madeira era extraída principalmente do sul do estado da Bahia e enviada de forma fraudulenta a Espírito Santo e Minas Gerais para seu processamento e exportação”. A maior parte do jacarandá exportado pela quadrilha era extraído sem documentação legal em áreas de mata atlântica. O envio, feito pelos Correios ou em contêineres, tinha a conivência de agentes públicos que liberavam cargas irregulares e avisavam os madeireiros sobre as fiscalizações e blitze da polícia ambiental.
Fonte: Correio da Bahia
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