segunda-feira, outubro 15, 2007

Heloísa Helena: não há óleo de peroba suficiente para a "cara de pau" do governo

Heloísa Helena faz falta no senado em tempos de Renan


De passagem por Cuiabá esta semana, onde participou da 6ª Conferência Estadual de Saúde, a presidente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) e ex-senadora, Heloísa Helena falou com exclusividade ao site Preto no Branco, sobre o cenário político atual e sobre os escândalos que afetam diretamente o estado de Mato Grosso: o "fantasma" Pagot no Dnit e a possível representação do PSOL contra o deputado federal licenciado Carlos Bezerra. Heloísa Helena se tornou o símbolo da luta contra as injustiças sociais e uma das parlamentares mais combativas que o País já teve. Sozinha, enfrentou a fúria de um partido poderoso que ajudou a fundar, o PT, e afrontou o poder federal criando seu próprio partido, o PSOL, para se contrapor “à prática corrupta que eles levaram para o governo”. Tem a coragem de poucos: dizer o que pensa sem temer as conseqüências. Ao Senado dava credibilidade. Teria facilmente sido reeleita senadora no ano passado, mas para fortalecer o PSOL foi candidata à presidência, mesmo sabendo que não tinha chances de vencer. Mas obteve uma expressiva votação, 8.001.092 votos (7,9% do eleitorado). Mesmo afastada do parlamento, Heloísa não fica alheia às atividades do Congresso. Foi uma das primeiras vozes a pedir punição ao presidente do Senado, Renan Calheiros, quando este foi acusado de usar lobistas para pagar suas contas. Heloísa Helena tem 44 anos, é enfermeira de formação, mãe coruja de dois filhos - Sacha de 23 anos e Iam com 20 anos. Em tempos de Renan faz muito falta no e ao Senado. PnB - Desde que a senhora deixou o Congresso, quais as atividades a que tem se dedicado? Heloisa Helena - Desde o início de 2007, eu me divido entre dar aulas na Universidade Federal de Alagoas (20 horas por semana), de forma respeitosa e disciplinada, e nos outros dias viajo pelo Brasil, trabalhando em prol da estruturação do PSOL para as eleições municipais, e dialogando com diferentes entidades da sociedade civil sobre as alternativas para o Brasil, sobre os diferentes problemas que afligem a população (saúde/educação/moradia). PnB - Falando em saúde, como à senhora avalia o projeto do governo de prorrogar a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até 2011? Heloisa Helena - Eu lamento que o governo esteja propagando a prorrogação do imposto como a panacéia para resolver todos os problemas sociais do país. Não há óleo de peroba suficiente sendo produzido no Brasil para lustrar tanta cara de pau. Embora o imposto do cheque seja um mecanismo para a identificação de lavagem de dinheiro, jamais poderá ser aceita como forma de aumento na carga tributária, penalizando principalmente os mais pobres, a classe média e o setor produtivo. Enquanto que os investidores na bolsa de valores nem CPMF pagam. O mesmo governo que propõe a prorrogação da CPMF é o mesmo que propõe a prorrogação da desvinculação da receita da União, que autoriza a saquear mais 20% dos recursos da CPMF para jogar no superávit, concentrando cada vez mais riquezas no capital financeiro e dos banqueiros. É por essas e outras que é inaceitável a prorrogação da CPMF. PnB - O PSOL entrou com uma representação contra o presidente do Senado Renan Callheiros no Conselho de Ética. Como a senhora avalia a permanência de Renan no Senado? Heloísa Helena - Como se já não fosse alarmante para a sociedade de um modo geral a impunidade das peças íntimas do vestuário masculino, do pagamento de mana do publicitário presidencial Marcos Valério, via paraíso fiscal, dos mensaleiros, sanguessugas e outras questões mais, nós assistimos agora a vergonha explícita do balcão dos negócios sujos montado no Congresso Nacional para acobertar e agir em conluio para impedir cassação de Renan Calheiros. Tudo está devidamente provado - tráfico de influência; intermediação dos interesses privados; exploração de prestígio; corrupção ativa; enriquecimento ilícito e formação de quadrilha – portanto é inaceitável ver o mesmo país que estabelece legislações tão severas para as pessoas pobres, estabelecer o manto maldito da impunidade para Renan, Lula e outros delinqüentes. Apesar da vergonha da absolvição da primeira representação, nós continuamos acreditando que através da pressão legítima, independente, do jornalismo investigativo e das forças vivas dos movimentos da sociedade, a justiça será feita. PnB - - O PSOL também deve entrar com uma representação contra o deputado estadual Carlos Bezerra (PMDB-MT) e o senador Romero Jucá (PMDB-RR), porque ambos foram acusados pelo advogado Bruno Lins de participarem de um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro nos órgãos chefiados pelo PMDB, dentre eles o INSS? Heloísa Helena - Há indícios relevantes de crimes da administração pública patrocinados por esses parlamentares. Nós já solicitamos todos os documentos dos processos contra eles e estamos analisando os documentos com o objetivo de identificarmos se PSOL entrará ou não com uma nova representação. O partido só está tendo cautela, para evitar que novas representações possam ser utilizadas como mecanismos de protecionismo e de acobertamento do próprio Renan Calheiros. PnB - Qual é a sua opinião sobre a nomeação de Luiz Antônio Pagot ao cargo de diretor geral do Dnit – Departamento Nacional de Infra-estrutura Terrestre? Heloísa Helena - Nós recebemos várias denúncias gravíssimas contra o Pagot, mas infelizmente o Senado vivencia um processo de aprofundamento da sua desmoralização pública, em que nem procedimentos investigatórios possibilitam as condições cabíveis aos parlamentares e outras personalidades políticas que estão sendo identificadas como partícipes de crimes contra a administração pública. Essas pessoas acabam sendo indicadas pela jogatina oficial do Palácio do Planalto. Nós entendemos que era de fundamental importância que os procedimentos investigatórios fossem devidamente concluídos antes de inocentar previamente e fazer a nomeação de Pagot para um cargo tão importante como o Dnit. PnB - - Qual é a sua avaliação a respeito das políticas ambientas que vem sendo praticadas pela atual gestão de governo no estado de Mato Grosso? Heloísa Helena - Toda monocultura além de promover gravíssimos impactos ambientais, além de patrocinar a precarização nas relações de trabalho, é uma definição inconseqüente e burra economicamente. Nenhuma monocultura seja da cana de açúcar no meu estado, da soja em Mato Grosso, ou de qualquer outra, ela é irracional do ponto de vista de preservação do meio ambiente. Ela é injusta diante da precarização das relações de trabalho. PnB - - O PSOL está organizando para o próximo dia 24 uma marcha rumo à Brasília onde será levantada a bandeira: “Fora todos os corruptos em defesa dos direitos dos trabalhadores!” Como será realizado este movimento? Heloísa Helena - Nós estamos trabalhando muito, mas com muitas dificuldades, pois o PSOL humildemente reconhece que é um partido pequeno. Não é um partido nanico, porque tem partido grande que é nanico moral, mas sabemos que a nossa estrutura é limitada, embora tenhamos lutadoras e lutadores com garra como militantes. É muito difícil enfrentarmos uma conjuntura extremamente adversa, num país de condições continentais, com mais de 5.560 municípios. Como nós não estamos em conluio com gangues partidárias, bandos políticos, sindicatos comprados ou estruturas governamentais corruptas, é claro que não temos a estrutura necessária para levar um número suficiente de pessoas a Brasília que possam de alguma forma expressar a indignação do povo brasileiro. Embora seja um ato realizado pelo PSOL, não é da exclusividade do partido. Independente de qualquer convicção ideológica, nós convidamos todas as pessoas que são contra atual política econômica reacionária, concentradora de riquezas e propagadora de pobreza para aderirem à causa. PnB - - Qual é o seu projeto político para os próximos anos? Há alguma possibilidade de termos Heloísa Helena nas eleições municipais de Maceió em 2008? Heloísa Helena - Se houvesse já uma definição eu não faria nenhum mistério. Somente no próximo ano será definido se eu participarei das eleições de 2008 ou se o meu nome será disponibilizado para 2010, seja para uma nova candidatura presidencial, seja para tentar a voltar ao Senado ou para o governo de Alagoas. Se houver qualquer possibilidade de eu participar das eleições de 2008, já adianto que não disputarei a prefeitura de Maceió, porque caso eu chegue a ganhar, considero inaceitável, desrespeitoso e desqualificado deixar o executivo com um ano e 4 meses de mandato.
Luana Braga PnBOnline
Fonte: site Preto no Branco

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