Vasconcello Quadros e Alexandra Bicca
Brasília, Rio e São Paulo. Um megaesquema de fraude na importação e distribuição de equipamentos de alta tecnologia para redes corporativas de internet e telecomunicações operado por uma multinacional líder nesse segmento no mercado mundial, a Cisco System, dos Estados Unidos, foi desarticulado ontem pela Polícia Federal e Receita Federal.
Segundo estimativa dos dois órgãos, nos últimos cinco anos a Cisco e outra multinacional, a Mude, comandaram um esquema que sonegou mais de R$ 1,5 bilhão em multas e tributos de importação que deveriam ter sido recolhidos aos cofres públicos.
A Operação Persona - uma referência à máscara usada para ocultar o rosto de foliões em festas e bailes de carnaval - resultou na prisão de 40 pessoas, entre elas o presidente da multinacional, Pedro Ripper, o ex-presidente Carlos Alberto Carnevalli, os dirigentes da Mude, Moacir Álvaro Sampaio e Hélio Pedreira, seis auditores da Receita Federal, executivos e funcionários das empresas.
Entre agentes e delegados, a Polícia Federal mobilizou 650 policiais para cumprir 93 mandados de busca e apreensão nos escritórios das empresas em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Dos 44 mandados de prisão temporária, apenas quatro não foram cumpridos.
A Polícia Federal pediu também o apoio da polícia americana para localizar e prender outros cinco executivos das duas empresas, que trabalham nos Estados Unidos. Foram apreendidos nesses locais US$ 10 milhões em mercadorias nos endereços da Cisco e outros R$ 45 milhões de mercadorias junto à Mude - maior distribuidora dos produtos importados ilegalmente -, US$ 290 mil, R$ 240 mil em espécie e 18 automóveis de luxo.
Segundo organograma montado pela Polícia Federal, a Cisco e a Mude ocupavam o topo da organização, tanto no esquema de importação dos produtos nos Estados Unidos quanto na distribuição das mercadorias - basicamente hardware e software - nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia.
Os nomes das empresas não apareciam porque trabalhavam fraudando documentos ou arregimentando laranjas em cujos nomes eram montadas as operações de empresas offshore sediadas em paraísos fiscais como Bahamas, Ilhas Virgens Britânicas e Panamá.
Uma das táticas era arregimentar pessoas de baixa renda no Brasil, que apareciam como importadores, para reduzir impostos ou multas. Assim que a mercadoria chegava ao Brasil, elas mudavam de dono e, no final, os lucros voltavam para a Cisco e Mude.
Uma dessas empresas, segundo a polícia, é a Ingram Micro, cujo presidente, Carlos Negri Ferreira, também foi preso ontem.
Os mandados de prisão, busca e apreensão foram cumpridos simultaneamente em São Paulo, Bahia e Rio de Janeiro. As importações que deveriam ser encaminhadas para o pólo tecnológico de Ilhéus, na Bahia, chegavam ao porto da capital baiana e eram encaminhados diretamente para os pólos de São Paulo. De acordo com a delegada federal Érica Tatiana Nogueira, responsável pelas investigações, o esquema todo envolvia mais de 30 empresas. Pelo menos 15 delas atuavam simplesmente como fachada na emissão de notas fiscais falsas ou na elaboração de pedidos de importação irregular.
As investigações que levaram executivos para a prisão iniciaram-se há cerca de dois anos e surgiram por meio de denúncia de um ex-funcionário da filial da empresa americana no Brasil. Ainda está sendo apurada a participação de outras empresas suspeitas de comprar os produtos que entravam com preços subfaturados no mercado nacional. Também correrá investigação em parceria com a polícia dos Estados Unidos para chegar até os dirigentes da multinacional naquele país.
- Já pedimos colaboração dos Estados Unidos para dar continuidade às nossas investigações - informou a delegada Érika.
Segundo o coordenador de Inteligência da Receita Federal, Gerson Schaan, o esquema consistia basicamente em operações simuladas de compra e venda para blindar as duas empresas multinacionais, cujos nomes passavam ao largo dos contro les americanos e brasileiros. Schaan explica que as empresas brasileiras faziam contato direto com a multinacional. O pedido era feito ao escritório importador da multinacional que ficava no Brasil, e empresa americana enviava as mercadorias com descontos que variavam entre 40 e 70% do valor final.
- O que impressionou foi o envolvimento de multinacional que é a beneficiária final do esquema. Ela conseguiu colocar no mercado brasileiro produtos a um preço muito inferior do que deveria ser praticado - afirmou Schaan.
O escritório importador da empresa no Brasil e as empresas compradoras agiam sabendo que tudo era fraudulento.
Fonte: JB Online
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