por Antonio Arles
O advento da imprensa, no século XV, é considerado, por muitos historiadores, como fator dos mais relevantes para construção da modernidade. No início, a nova técnica de reprodução dos manuscritos se restringiu a obras religiosas, mas logo a nova técnica foi utilizada para reproduzir livros não-religiosos e, em tempos de Reforma Protestante, a técnica foi utilizada pelos reformistas para propagar suas idéias. Logo, a Igreja Católica reagiu às novas formas de interpretar as escrituras e, através de censura, reprimiu a livre manifestação do pensamento através da imprensa. A criação do Index (Lista dos livros proibidos) foi a ferramenta utilizada para tentar controlar a difusão de idéias no chamado "Mundo Cristão".
Podemos encontrar o recurso aos métodos de censura em vários momentos da História. Tais métodos tiveram em comum ter sido adotados, sempre, por regimes autoritários, onde o controle das "idéias" foi ferramenta fundamental para manutenção do poder.
No Brasil, os métodos de censura foram utilizados pela Ditadura Militar para calar as divergências; no século XX, a revolta das massas passa a ser o maior temor dos regimes autoritários. Controlar a imprensa se torna fator ainda mais vital para que se possa exercer, de forma "satisfatória", o controle social.
Uma análise mais detalhada do período permite verificar que alguns órgãos de imprensa, mesmo sofrendo censura por parte do Estado, não se manifestam contra esta prática e, algumas vezes, até recorrem às práticas supracitadas dentro dos próprios órgãos. Por opção política, alguns órgãos de imprensa, que ajudaram a tornar possível o Golpe de 1964, mantiveram-se fiéis aos militares e contibuíram para o fortalecimento e manutenção da Ditadura.
Nos anos 1980, as lutas travadas pelos contrários à Ditadura ganharam força. A "maquiagem" feita pelo Estado e por seus seguidores não surtia mais efeito. A Ditadura foi derrubada e começou a se tentar construir a democracia.
Antes, porém, houve tentativas de impedir o processo. Mais uma vez, alguns órgãos de imprensa tentaram impedir que o clamor das massas fosse ouvido. A campanha das "Diretas Já", que reivindicava eleições diretas para os cargos eletivos executivos, teve suas manifestações "confundidas" por estes órgãos com "comemorações pelo aniversário da Cidade de São Paulo".
Mas, enfim, o processo que levaria à democracia era irreversível. Para não perder poder, mesmo os órgãos de imprensa mais alinhados com o regime ditatorial se disseram a favor da transição para a democracia. Mas, nem tanto...
A censura continuou a ser praticada dentro dos mesmos órgãos de imprensa outrora alinhados aos ideais autoritários. Esse processo de "censura interna" vem se fortalecendo a cada dia, as opções políticas dos "mandatários" daquelas empresas de comunicação continuam a determinar o que pode e o que não pode ser notíciado. A prática de calar divergências e "perseguir" opositores do "sistema" continua da mesma forma que nos tempos da Ditadura. Só que, agora, com um elemento novo: os "mandatários" dessas empresas utilizam-se do que sempre foram contra, a supressão do direito à liberdade de expressão, para atacar os seus opositores, classificando estes como autoritários e favoráveis à prática da censura todas as vezes em que estes se colocam contra o direcionamento e as práticas ilegais cometidas por suas empresas.
Mas, nos últimos anos, uma nova "técnica" tornou possível o contraponto ao que dizem os donos do poder. A internet se tornou ferramenta importante para a difusão de idéias sem os "filtros" do passado. Milhares de pessoas se informam e entram em contato umas com as outras utilizando-se desta ferramenta. O nosso Movimento "nasceu" das formas de contato propiciadas por esta nova ferramenta de comunicação, informação e entretenimento.
No entanto, não podemos nos iludir. A internet ainda "gatinha" em nosso País. Grande parte dos que têm acesso a essa ferramenta não se informam por esse meio. Precisamos ir às ruas mostrar que existimos e clamar por uma mídia cada vez mais plural, que informe e que deixe para cada um a responsabilidade de formar sua própria opinião. Além disso, precisamos ficar atentos para qualquer tentativa dos "autoritários" de desqualificar nossas intenções e suprimir nossos direitos.
Antonio Arles, estudante de História da USP, é 1º Secretário do Movimento dos Sem-Mídia Escrito por Eduardo Guimarães
Fonte: http://edu.guim.blog.uol.com.br/
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