domingo, outubro 14, 2007

Celular para cidades pequenas e pobres

Thaís Costa
A Nokia-Siemens desenhou um modelo de negócio de telefonia celular que se presta ao atendimento de populações pobres em cidades pequenas e espalhadas pelo Brasil adentro. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) contabiliza cerca de 2.100 municípios sem sinal de telefonia celular no território nacional. Eles não atraem o interesse de nenhuma das operadoras móveis — Vivo, Oi, Brasil Telecom, Claro, TIM, Sercomtel e CTBC — por não oferecerem condições de retorno financeiro ao investimento de capital necessário.
A idéia da Nokia-Siemens tem abrangência internacional e já está sendo testada na Índia, onde as condições sócio-econômicas são similares às brasileiras. Denominado "Village Connection", o projeto corresponde à visão de responsabilidade social adotada à época da fusão das duas fabricantes de redes, no ano passado. — Para colocá-la em prática, é preciso um banco de fomento — no Brasil poderia ser o BNDES, um empreendedor do lugarejo e a operadora celular — afirmou o presidente da Nokia-Siemens América Latina, Armando Almeida.
A estação radiobase desenvolvida especialmente para este fim é muito simplificada e, ao contrário das tradicionais, não carece nem de ar condicionado. Custa uma fração (não informada) do valor da estação em uso atualmente nas cidades grandes e pode ser instalada na torre da igreja, por exemplo, evitando custos de edificação.
— Operar a antena é como operar um microcomputador. Num único cômodo o empresário-operador acomoda a antena e faz manutenção dos sistemas de rádio para transmissão e recepção do sinal de voz GSM, tudo muito simplificado — disse o diretor de tecnologia da Nokia-Siemens, Mário Baungarten.
O esquema é modular e pode ser duplicado se houver necessidade. Em média, uma antena tem capacidade para atingir cinco mil pessoas.
— Mas há lugarejos com menos de 500 moradores que seriam incluídos — comentou.
O trabalho do empresário local seria representar a operadora, como um terceirizado, repassando a ela uma parcela da renda obtida junto à população local. O capital inicial ficaria a cargo do banco de fomento, e o financiamento seria dirigido ao microempresário.
— A operadora não teria outro envolvimento no negócio senão o de oferecer o sinal e receber o pagamento por ele.
O projeto Village Connection possibilita o atendimento com telefonia celular aos 2 bilhões de pessoas que estão fora do mercado mundial de consumo. Segundo estudos das grandes multinacionais do setor, até 2005 foram atendidos os 2 bilhões de usuários iniciais, com US$ 20 a US$ 40 para gastar em celular.
O terceiro bilhão se esgota em 2007 e gasta de US$ 4 a US$ 40 por mês. O quarto bilhão vai a 2010 gastando apenas US$ 2 a US$ 4 por mês. O quinto bilhão, por fim, terá celular entre 2011 e 2015 se modelos especiais forem adotados.
Fonte: JB Online

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