terça-feira, agosto 05, 2025

Oposição fala em “ditadura declarada” após Moraes prender Bolsonaro


Gilmar Fraga: a democracia... | GZH

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Ana Carolina Curvello
Gazeta do Povo

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de decretar nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) gerou reação de parlamentares aliados nas redes sociais. Para líderes do PL e da oposição, trata-se de um avanço autoritário e uma tentativa de retirá-lo do processo eleitoral de 2026.

A prisão de Bolsonaro, um dia após manifestações nacionais pelo impeachment de Moraes, gera um novo capítulo de tensão entre o Judiciário e o núcleo político do entorno de Bolsonaro, com parlamentares acusando o STF de interferência eleitoral e censura prévia. Até o momento, a defesa do ex-presidente não se manifestou oficialmente.

JUSTIFICATIVAS FRACAS – Moraes justificou sua decisão em um suposto descumprimento de medidas cautelares por parte do ex-mandatário que, desde o dia 18 de julho, usa tornozeleira eletrônica e está proibido de utilizar suas redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.

Para o ministro, Bolsonaro, ao mandar recado a manifestantes deste domingo (3) por chamada de vídeo, feriu as medidas cautelares.

O ministro Moraes também citou que imagens do ex-presidente assistindo às manifestações foram publicadas nas redes sociais por seus filhos, e isso estaria proibido entre as restrições que estabeleceu a Bolsonaro.

DITADURA DECLARADA – O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), ressaltou que se trata de uma “ditadura declarada”.

“Bolsonaro preso em casa por ordem de Moraes. […] Tentaram matá-lo. Perseguiram sua família. Proibiram-no de falar. Agora o trancam dentro da própria casa, como um criminoso. […] Isso não é justiça, é vingança política!”, escreveu na rede X. Na sequência, o parlamentar pediu o impeachment de Moraes e disse que “eleição sem Bolsonaro é golpe”.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) ironizou os fundamentos da decisão: “Prisão domiciliar decretada de Jair Bolsonaro por Moraes. Motivo: corrupção? Rachadinha? Desvio de bilhões? Roubou o INSS? Não. Seus filhos postaram conteúdo dele nas redes sociais. Que várzea!”.

VAZA TOGA – Já Marcel van Hattem (Novo-RS) chamou atenção para a coincidência entre a medida e a revelação de novas mensagens da “Vaza Toga” sobre a atuação do ministro do STF no inquérito do 8 de janeiro:

“Absurda prisão domiciliar de Bolsonaro no dia em que sai nova matéria da Vaza Toga sobre os abusos de Moraes no 8 de Janeiro. Claro que não é coincidência!”, escreveu em suas redes sociais.

Para a líder da Minoria na Câmara, Caroline de Toni (PL-SC), a prisão domiciliar de Bolsonaro reforça “o fim do disfarce”. “Depois de tudo que veio à tona hoje, das mensagens vazadas escancarando a existência de uma justiça paralela, operando à margem da lei para perseguir adversários políticos, vem a prova cabal: Alexandre de Moraes decreta a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, sob uma justificativa absurda e autoritária”, escreveu no X.

SEM CRIME – A deputada ainda ressaltou que a decisão ocorre “sem julgamento, sem direito à defesa, sem crime. A “prova” seria um vídeo postado nas redes do filho, com uma fala de apoio à liberdade. Isso basta, segundo o ministro, para manter um ex-presidente em cárcere.”

“É por esse tipo de injustiça que o povo voltou às ruas. E não vai parar”, destacou Caroline de Toni.

O senador Ciro Nogueira (PP-PI) classificou o episódio como um “dia triste” para ele e “dezenas de milhões de brasileiros”. “A prisão domiciliar do presidente Bolsonaro, antes mesmo do julgamento, é um fato jurídico com que ninguém pode concordar. Ainda acredito que a Justiça irá prevalecer no final”, disse.

SEM DEMOCRACIA – Já o líder da Oposição na Câmara, deputado Luciano Zucco (PL-RS), afirmou que “o Brasil não é mais uma democracia”. Segundo ele, a prisão domiciliar de Bolsonaro – sem nenhuma condenação – “é uma injustiça e um grave ataque ao Estado de Direito”.

“Uma manobra autoritária para calar opositores e consolidar o projeto de poder em curso no país. Hoje é com Bolsonaro, amanhã pode ser comigo, ou com qualquer cidadão que critique o governo ou o Judiciário”, disse o líder, acrescentando:

“Não podemos aceitar isso calados. É hora de fazer valer a voz de milhões de brasileiros”.

ADVOGADOS REAGEM – O Movimento Advogados de Direita classificou a determinação de Moraes sobre a prisão domiciliar de Bolsonaro como um “alarmante episódio de perseguição judicial”.

“O ministro Alexandre de Moraes acaba de decretar a prisão domiciliar de Jair Bolsonaro, sob a alegação de descumprimento de medida cautelar. O “crime”? Aparecer em vídeo publicado por terceiros, enquanto recebia uma ligação do filho, Flávio Bolsonaro, durante as manifestações populares de 3 de agosto. A ordem de prisão não se baseia em ação direta de Bolsonaro nas redes, mas em conteúdo divulgado por terceiros, num evento público, onde foi apenas destinatário de uma ligação telefônica”, diz o Movimento, acentuando:

“Trata-se de um novo e alarmante episódio de perseguição judicial, sem contraditório, sem flagrante, sem proporcionalidade”, afirmou o grupo no X.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Até inventarem Moraes como jurista, o Brasil vivia numa democracia e não percebia. Com ele liderando o Supremo, a gente logo constata que era feliz e nem sabia. Eu quero meu país de volta, onde uma cabeleireira que pintou de batom uma estátua seja Piada do Ano, sem ser chamada de terrorista e sem pegar 13 anos de cadeia e ter de pagar multa milionária. Afinal, que país é esse? (C.N.)

Não tem Magnitsky, não tem tarifaço! Moraes triplica a aposta e decreta a prisão de Jair Bolsonaro

 

Por INFORME JB
redacaodojornaldobrasil@gmail.com

Publicado em 04/08/2025 às 18:14

Alterado em 04/08/2025 às 21:32

Bolsonaro não pode sair de casa, tampouco se queixar a Trump por telefone ou internet Foto: reprodução



O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), não tomou conhecimento das sanções do presidente Donald Trump, e decretou nesta segunda-feira (4) a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Moraes também determinou a realização de busca e apreensão na casa do ex-presidente, em Brasília. O ministro também estabeleceu novas medidas contra Bolsonaro. Dessa forma, o ex-presidente está proibido de receber visitas, exceto dos advogados. Além disso, ele está proibido de usar celulares, inclusive de terceiros.

A medida foi determinada após o descumprimento da medida cautelar que impedia o ex-presidente de usar as redes sociais de terceiros.

Ontem (3), durante os atos de apoio realizados em todo o país, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) publicou um vídeo em suas redes sociais com a manifestação do ex-presidente.

No mês passado, Moraes determinou diversas medidas cautelares contra Bolsonaro, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e restrição ao uso de redes sociais, incluindo perfis de terceiros.

Em sua decisão, o ministro destacou que Flávio Bolsonaro e outros dois filhos do ex-presidente, Carlos e Eduardo, publicaram em suas redes sociais postagens de agradecimento de Bolsonaro aos apoiadores que compareceram aos atos realizados ontem. Dessa forma, segundo Moraes, houve descumprimento das restrições determinadas anteriormente.

"Não há dúvidas de que houve o descumprimento da medida cautelar imposta a Jair Bolsonaro, pois o réu produziu material para publicação nas redes sociais de seus três filhos e de todos os seus seguidores e apoiadores políticos, com claro conteúdo de incentivo e instigação a ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e apoio, ostensivo, à intervenção estrangeira no Poder Judiciário brasileiro", afirmou.

As medidas cautelares foram determinadas no inquérito no qual o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), filho do ex-presidente, é investigado pela sua atuação junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo. Em março deste ano, Eduardo pediu licença do mandato parlamentar e foi morar nos Estados Unidos, sob a alegação de perseguição política.

Nesse processo, o ex-presidente é investigado por mandar recursos, via pix, para bancar a estadia de seu filho no exterior. Bolsonaro também é réu na ação penal da trama golpista no Supremo. O julgamento deve ocorrer em setembro. (com Agência Brasil)

REPORTAGEM EM ATUALIZAÇÃO

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 Nas redes sociais:

(em tempo real)


 












Carlos Bolsonaro passa mal após prisão domiciliar do pai e é atendido em hospital no Rio

 Foto: Renan Olaz/Câmara Municipal do Rio de Janeiro/Arquivo

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL)04 de agosto de 2025 | 23:15

Carlos Bolsonaro passa mal após prisão domiciliar do pai e é atendido em hospital no Rio

brasil

O vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) passou mal nesta segunda-feira (4) ao receber a informação da prisão domiciliar do seu pai, ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Segundo relatos, o vereador está sendo atendido por um cardiologista, em um hospital na Barra da Tijuca nesta noite.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinou nesta segunda a prisão domiciliar de Bolsonaro, por entender que o ex-presidente descumpriu determinação anterior ao aparecer em vídeos exibidos por apoiadores durante manifestações no domingo (3).

Bolsonaro estava proibido de usar redes sociais, mesmo que intermédio de outras pessoas. A decisão o torna o quarto ocupante do cargo máximo do país a ser preso desde a redemocratização —antes dele, já tiveram o mesmo destino Fernando Collor, Lula (PT) e Michel Temer (MDB).

Moraes proibiu visitas na prisão domiciliar, a não ser de advogados e de pessoas autorizadas nos autos, e vetou o uso de celulares, diretamente ou por meio de outras pessoas. O ministro do STF afirmou ainda que o descumprimento da prisão domiciliar resultará na decretação de prisão preventiva.

Carlos Bolsonaro participou da manifestação em Florianópolis (SC), estado onde deve se lançar ao Senado no próximo ano. Seu irmão Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estava no Rio de Janeiro.

Durante manifestação no Rio de Janeiro, Flávio fez uma ligação com o pai, transmitida durante o ato.

No telefonema, o ex-presidente se limitou a dizer: “obrigado a todos. É pela nossa liberdade, nosso futuro, nosso Brasil. Sempre estaremos juntos”.

O senador chegou a publicar o vídeo nas redes sociais, mas depois o apagou. Ele disse à reportagem, antes da decisão de Moraes, que o fez por orientação dos advogados de seu pai.

Flávio disse entender que não havia qualquer problema na publicação, mas optou por seguir orientação da defesa e falou em insegurança jurídica.

“Na minha opinião, não havia problema, já que ele faz apenas uma saudação. Não falou de processo, que é a vedação da cautelar. Mas os advogados dele estavam em dúvida e pediram para retirar”, afirmou à reportagem.

“É uma insegurança jurídica sem precedentes na história do Brasil. Essa censura prévia é completamente inconstitucional e arbitrária”, completou.

A ausência de Bolsonaro na manifestação se deveu às medidas cautelares que tinham sido impostas a ele por Moraes. O magistrado apontou risco de fuga, em meio à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto a autoridades dos EUA.

Proibido de usar redes sociais, o ex-presidente acompanhou as manifestações de sua casa, em Brasília, com alguns poucos auxiliares.

Marianna Holanda/FolhapressPolitica Livre

Ações de filhos de Bolsonaro e Nikolas motivam ordem de Moraes sobre prisão domiciliar

Foto: Reprodução
Participação por telefone de Bolsonaro (PL) nas manifestações de domingo (3) foi decisiva para Alexandre de Moraes determinar a prisão domiciliar04 de agosto de 2025 | 22:02

Ações de filhos de Bolsonaro e Nikolas motivam ordem de Moraes sobre prisão domiciliar

brasil

A participação por telefone de Jair Bolsonaro (PL) nas manifestações, que ocorreram no domingo (3), foi decisiva para o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes determinar a prisão domiciliar do ex-presidente.

Em sua decisão, o ministro elencou uma série de postagens dos filhos de Bolsonaro e citou a ligação em vídeo com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) como provas de que o ex-presidente burlou as medidas cautelares que lhe haviam sido impostas. Nikolas participava do protesto bolsonarista na avenida Paulista, em São Paulo.

“O réu atendeu ligação por chamada de vídeo do Deputado Federal, NIKOLAS FERREIRA, oportunidade em que o parlamentar utilizou JAIR MESSIAS BOLSONARO para impulsionar as mensagens proferidas na manifestação na TENTATIVA DE COAGIR o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E OBSTRUIR A JUSTIÇA e com amplo conhecimento das medidas cautelares impostas […]”, diz um trecho da decisão de Moraes.

As medidas cautelares impostas no fim de julho proibiam Bolsonaro de usar suas redes sociais ou as de terceiros, de fazer contato com embaixadores e diplomatas, e de ter contato com pessoas investigadas. Também ficou determinado que Bolsonaro teria de usar tornozeleira eletrônica, tendo também de respeitar horários de recolhimento domiciliar.

Em sua decisão, Moraes mostra de que maneira Bolsonaro burlou a proibição de usar as redes sociais, anexando uma série de postagens dos filhos. Numa delas, do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-presidente aparece sentado numa cadeira, com camisa de time e tornozeleira à mostra, enquanto se dirige à multidão, na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. “Palavras de Bolsonaro em Copacabana. A legenda é com vocês”, dizia a legenda.

O ministro do STF ressaltou que Flávio apagou a postagem logo depois, em “um claro intuito de omitir o descumprimento das medidas cautelares praticado por seu pai.” Também Flávio publicou uma foto em que agradeceu, em inglês, a ajuda dos Estados Unidos. Para Moraes, o senador manifestou apoio às sanções econômicas do governo americano.

Na decisão do ministro, há ainda uma postagem do vereador Carlos Bolsonaro (PL) incitando que seu público também siga a conta de seu pai. Segundo Moraes, os filhos de Bolsonaro protagonizaram uma ação coordenada para atacar o STF.

“A participação dissimulada de JAIR MESSIAS BOLSONARO preparando material pré fabricado para divulgação nas manifestações e redes sociais, demonstrou claramente que manteve conduta ilícita de tentar coagir o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL e obstruir a JUSTIÇA, em flagrante desrespeito as medidas cautelares anteriormente impostas”, afirma outro trecho da decisão.

Moraes proibiu visitas na prisão domiciliar, a não ser de advogados e de pessoas autorizadas nos autos, e vetou o uso de celulares, diretamente ou por meio de outras pessoas. O ministro do STF afirmou ainda que o descumprimento da prisão domiciliar resultará na decretação de prisão preventiva. Em nota no início da noite desta segunda, a Polícia Federal informou ter cumprido, no fim desta tarde, o mandado de prisão domiciliar e de busca e apreensão de telefones celulares.

Nas páginas iniciais do decreto, Moraes relembrou que havia pedido esclarecimentos à defesa de Bolsonaro sobre o descumprimento de medidas cautelares. O ministro lembrou o episódio em que o ex-presidente foi a público exibir a tornozeleira eletrônica e reafirmou que, em nenhum momento, o proibiu de conceder entrevistas.

A decisão o torna o quarto ocupante do cargo máximo do país a ser preso desde a redemocratização —antes dele, já tiveram o mesmo destino Fernando Collor, Lula (PT) e Michel Temer (MDB). “Como diversas vezes salientei na presidência do TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL, A JUSTIÇA É CEGA, MAS NÃO É TOLA!!!!”, escreveu Moraes no decreto da prisão domiciliar de Bolsonaro.

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Gustavo Zeitel/Folhapress 

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