terça-feira, julho 08, 2025

O Legado em Ruínas: Vereadores de Jeremoabo Deviam Focar na Reconstrução, Não em Datas

                                      A Fazenda Despedaçada

A fazenda despedaçada

A fazeda despedaçada


site Meus Sertões recebeu 100 fotos e seis vídeos curtos, enviados pelo artesão, músico e responsável por projetos de manifestações culturais do Departamento de Cultura de Jeremoabo Flávio Luiz Silva Passos, 51 anos. Este material mostra o abandono da fazenda Caritá, lugar onde Cícero Dantas Martins, o Barão de Jeremoabo nasceu e passou a infância. Ali também foi instalado um dos primeiros engenhos de açúcar da Bahia.

Flávio diz que seu objetivo é lutar pela recuperação da fazenda e do engenho, visando que o local se transforme em ponto de visitação de alunos da comunidade e atração turística, onde se possa apreciar trilhas, serras e nascentes existentes na propriedade. No entanto, não tem conseguido obter apoio das instituições estadual e federal de preservação do patrimônio artístico e cultural.

Antes de falarmos do jogo de empurra que impede a preservação, vamos falar um pouco do Barão e da propriedade. Cícero Dantas Martins ganhou o título de barão por ser o responsável pela implantação da indústria açucareira na região. Político, foi deputado e senador e está sepultado com a mulher na Igreja de Bom Conselho, na cidade que tem o seu nome.

A fazenda onde o Barão nasceu está em uma área de caatinga preservada, que possuiu fontes de água e árvores bicentenárias. Do antigo engenho, restam equipamentos que eram movidos por escravos e bois. A fazenda de Cícero foi vendida, posteriormente, para o coronel João Sá, pecuarista, latifundiário, deputado estadual e ex-prefeito de Jeremoabo.

A área da fazenda foi requerida à Agência Nacional de Mineração por uma empresa multinacional para exploração de manganês, segundo o canal Folha Serrana, no You Tube. A principal aplicação do minério é na fabricação de ligas metálicas e baterias. Impasses com o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e o Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) atrasaram a liberação, mas recentemente os processos foram acelerados.

Flávio, que é neto de uma prima de João Sá, diz que a exploração ocorrerá a partir do Riacho dos Porcos, um pouco distante da sede da fazenda e das ruínas do engenho. Ele tentará também fazer com que a multinacional recupere as instalações. Enquanto isso, não ocorre, existe dificuldade para que o local seja tombado.

De acordo com o diretor de Preservação do Ipac-BA (Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia) Roberto Pelegrino não há verba para o tombamento. Ele ressalta que a preservação deve ser feita pelos proprietários. No entanto, há uma divergência quanto a quem a fazenda pertence.

Caso não seja resolvida a questão, segundo Pelegrino, as prefeituras de Jeremoabo e do Sítio do Quinto podem tomar providências juntas ou separadamente. A atuação do Ipac está limitada a orientar comunidades e agentes públicos a se inscrever em editais do governo estadual, onde têm alguma chance em obter verbas para pequenas obras de restauração.

A situação de abandono da fazenda é de conhecimento do governo estadual e da secretaria de Cultura desde 1999, pelo menos. À época foi lançado o “Inventário de Proteção do Acervo Cultural da Bahia – Monumentos e Sítios das Mesorregiões Nordeste, Vale Sanfranciscano e Extremo Oeste Baiano”.

O inventariante classifica a sede da fazenda como “casa rural de relevante interesse arquitetônico (…) provavelmente anterior a meados do século XVIII (18)” e ressalta que sua planta lembra o “antigo domus romanos”. Por fim, assinala que a falta de uso continuado deixou o imóvel muito estragado e dominado por morcegos e cupins.

Quanto ao engenho, também tratado como de relevante interesse arquitetônico, assinala que ele conserva a almanjarra e o forno com quatro tachos.

O grupo de Jeremoabo não conseguiu acesso ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). No entanto, as notícias que vêm de Brasília são as piores possíveis. O governo federal anunciou esta semana o corte de 72% das verbas para preservação de patrimônio e memória em todo o país, o que resultará na paralisação de obras em andamento e a falta de investimento em novas iniciativas. Outro fato lamentável são as nomeações políticas para a direção do Instituto, aprovadas pelo atual presidente do Brasil.

A Fazenda Caritá corre um sério perigo.

Jornalista, editor, professor e consultor, 61 anos. Suas reportagens ganharam prêmios de direitos humanos e de jornalismo investigativo.

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paulo@meussertoes.com.br 

Nota da Redação deste Blog -- 
O Legado em Ruínas: Vereadores de Jeremoabo Deviam Focar na Reconstrução, Não em Datas

Enquanto Jeremoabo se vê envolvida em uma desgastante e infrutífera discussão sobre a mudança da data de sua emancipação política, uma questão de valor inestimável se desintegra em silêncio: a Residência do Barão de Jeremoabo na Fazenda Caritá. Os vereadores e seus coadjuvantes, ao invés de perderem tempo e gastarem o dinheiro do contribuinte com assuntos inócuos e inoportunos, deveriam canalizar seus esforços para auxiliar o prefeito na recuperação desse imóvel de interesse cultural e histórico fundamental para Jeremoabo, para a Bahia e para o Brasil.

A casa do Barão de Jeremoabo na Fazenda Caritá não é apenas um prédio antigo; ela é uma peça viva da História do Brasil, com raízes profundas que remontam ao período imperial. É o berço de Cícero Dantas Martins, figura cuja influência permeou a política e a sociedade da época, sendo inclusive referenciado em obras literárias e históricas de renome. Abandonar esse patrimônio à própria sorte, enquanto se polemiza sobre datas já estabelecidas, revela uma desconexão preocupante com as verdadeiras prioridades do município.

É crucial que os vereadores de Jeremoabo se espelhem em atitudes e bons exemplos que de fato valorizam a cultura e a memória. O Museu do Nordeste Barão de Jeremoabo, localizado na Fazenda Santo Antônio do Camuciatá, em Itapicuru, Bahia, é um paradigma a ser seguido. Ocupando o antigo sobrado do Barão, construído em 1894, esse museu não só preserva o prédio, mas também abriga um rico acervo histórico e cultural, transformando um imóvel em um centro de conhecimento e identidade.

A recuperação do Casarão da Fazenda Caritá seria um ato concreto de valorização da história, gerando turismo cultural, educação e orgulho para a comunidade. Seria um investimento no futuro, ancorado no respeito ao passado, ao invés de um gasto estéril em debates que só servem para dividir e desviar o foco do essencial. Jeremoabo merece que seus representantes atuem com a visão de construir e preservar, e não de destruir ou distorcer sua rica herança.

A Luta Pelo Casarão da Fazenda Caritá: Um Tesouro Histórico de Jeremoabo em Busca de Reconhecimento

Estudantes da Faculdade Ages realizaram uma visita de campo à Fazenda Caritá, antiga casa do Barão de Jeremoabo, para documentar in loco e pesquisar a história de Jeremoabo que se revela entre as ruínas.


A Luta Pelo Casarão da Fazenda Caritá: Um Tesouro Histórico de Jeremoabo em Busca de Reconhecimento

O Casarão da Fazenda Caritá, outrora imponente residência do Barão de Jeremoabo, Cícero Dantas Martins, emerge como um símbolo do patrimônio histórico e cultural que, apesar das ruínas impostas pelo tempo e pelo abandono, clama por reconhecimento e preservação. Sua relevância transcende as fronteiras municipais, e o esforço para sua recuperação envolve diversas esferas do poder público e da academia.

A jornada para a valorização desse tesouro começou com a administração do prefeito Tista de Deda, que iniciou os trâmites para a regularização do imóvel. Paralelamente, o deputado Jacó intensificou essa luta ao apresentar o Projeto de Lei 23.398/2019 na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA). O objetivo é que o Estado da Bahia reconheça o Casarão da Fazenda Caritá como patrimônio cultural imaterial, um passo crucial para sua preservação.

Para justificar a proposta, o parlamentar fundamenta-se em um texto do professor Roberto Ventura, renomado estudioso de teoria literária da Universidade de São Paulo (USP) e autor do livro "Estilo Tropical". Ventura salienta a importância histórica do prédio, que, embora em ruínas, carrega um peso significativo na literatura e na história do Brasil.

O Barão de Jeremoabo, Cícero Dantas Martins (nascido em 1838 na própria Fazenda Caritá e agraciado com o título de barão por D. Pedro II), é uma figura que ecoa em obras de gigantes da literatura. No romance "A Guerra do Fim do Mundo", Mario Vargas Llosa criou o Barão de Canabrava, figura inspirada diretamente na liderança baiana de Jeremoabo. Sua influência também é sentida nas entrelinhas de "Os Sertões", de Euclides da Cunha, onde o ensaio histórico de 1902 denuncia o massacre de Canudos. A citação de uma carta do barão ao Jornal de Notícias, em 1897, defendendo-se de acusações de monarquismo e aliança com Conselheiro, ilustra sua relevância histórica.

Outros registros, descritos na justificativa do projeto, solidificam a posição do barão na literatura e na história: como chefe da vasta região de Itapicuru e Jeremoabo, estendendo seu prestígio até Inhambupe. Segundo o folclorista Câmara Cascudo, ele teceu uma imensa rede de influência que cobria léguas e léguas, abrangendo engenhos, fazendas, sítios e povoados.

A Questão da Desapropriação e o Valor Patrimonial

Uma nota da Redação esclarece um ponto crucial sobre a propriedade da Fazenda Caritá: embora o INCRA tenha realizado a desapropriação do terreno da Fazenda Caritá em 07.07.2005 (conforme registro no Cartório de Jeremoabo, Livro 2-Q, fls 68, matrícula 01-3029.2.0003959'35 de 06.11.2006), é imperativo entender que um prédio histórico não pode ser desapropriado pelo INCRA para fins de reforma agrária.

A missão do INCRA foca na desapropriação de imóveis rurais que não cumprem sua função social, visando a reforma agrária. Edificações de valor histórico e cultural, como o Casarão da Fazenda Caritá, enquadram-se em categorias de proteção patrimonial e não são alvo desse tipo de desapropriação.

Portanto, a quem quer que pertença o terreno da Fazenda Caritá, seja ao Sítio do Quinto (município desmembrado de Jeremoabo) ou a Jeremoabo, a realidade inquestionável é que o Casarão da Antiga Residência do Barão de Jeremoabo é um patrimônio Cultural e Histórico. Sua preservação transcende questões de divisa territorial e propriedade, sendo um dever para com a memória do estado e do país. A luta para que este casarão seja devidamente reconhecido e restaurado é uma batalha pela preservação da própria identidade de Jeremoabo e do sertão baiano.


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No Museu e Arquivo Histórico do Itapicuru-Bahia, documentos e registros valiosos preservam a memória. Eles nos ajudam a entender a trajetória e as transformações dessa cidade e de todo o nosso estado ao longo dos anos, honrando a história do Barão de Jeremoabo, que é intrinsecamente a história do seu povo.

Jeremoabo e a História: Quando o "Sapateiro" Extrapola as "Chinelas"

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Nota da Redação Deste Blog -  Jeremoabo e a História: Quando o "Sapateiro" Extrapola as "Chinelas"

Caro José Mário Varjão, sua exaustiva pesquisa intitulada "Emancipação Política de Jeremoabo – transição entre Vila e Cidade. Fundamentos da Constituição de 1824" não é para contadores de anedotas ou para quem se baseia no "ouvi dizer". É um trabalho para aqueles que compreendem o Direito Constitucional e Administrativo, para que, com consciência e sem aventuras, tenham a certeza de que Jeremoabo foi emancipada em 6 de julho de 1925. Contra fatos, não há argumentos, nem mesmo distorcendo os acontecimentos.

Diante da persistente "psicose" de tentar, a todo custo, mudar a data de emancipação de Jeremoabo, somos lembrados do sábio ditado popular: "Sapateiro, não vá além de suas chinelas". A origem dessa expressão, que remonta ao pintor Apeles e ao sapateiro que se aventurou a criticar além do que conhecia, serve como um poderoso lembrete. O sentido é claro: não se deve dar pitaco em assuntos que não se conhece. Se você é sapateiro, não aja como crítico de arte. Se você é analista de mercado, mantenha-se em sua área de expertise.

Essa máxima, tão prezada em contextos como o dos Alcoólicos Anônimos (A.A.), onde serve como um lema para manter o foco no objetivo primordial e evitar a dispersão, aplica-se perfeitamente à situação atual de Jeremoabo. O sucesso reside em fazer uma única coisa bem-feita, em vez de muitas com má qualidade. Em nosso cotidiano pessoal e coletivo, buscar esse lema nos ajuda a manter o foco nos objetivos que realmente importam.

A tendência de muitos é "dizer sim para tudo, abraçar o mundo", o que frequentemente leva à sobrecarga, à angústia e, por fim, à frustração. No cenário atual de Jeremoabo, essa compulsão por "mexer em tudo" sem o devido conhecimento e sem as prerrogativas legais e históricas, assemelha-se a essa tendência de assumir compromissos em excesso, cobrando resultados de onde não se pode entregar e querendo ser o que está além da capacidade.

Os fatos, os documentos oficiais e a própria história de Jeremoabo, evidenciados por pesquisas como a sua, José Mário, e por fontes como o IBGE e a Assembleia Legislativa da Bahia, são irrefutáveis. Tentar reescrever uma data tão simbólica sem o respaldo de uma pesquisa séria e sem a devida compreensão das nuances legais e históricas da época é como o sapateiro que, após consertar um pé, resolve criticar a anatomia inteira do quadro.

Jeremoabo precisa de seriedade, de responsabilidade e de respeito à sua história. Que aqueles que se aventuram a debater essa mudança de data reflitam sobre a sabedoria do ditado e reconheçam que, em assuntos de tamanha complexidade e importância histórica, é fundamental que o "sapateiro" se atenha às suas "chinelas".

Jeremoabo: A Emancipação Ignorada e a Ruína da Memória


Jeremoabo: A Emancipação Ignorada e a Ruína da Memória

A história de Jeremoabo, no sertão baiano, é rica e complexa, profundamente entrelaçada com os grandes movimentos políticos e sociais do Brasil Império. Contudo, essa riqueza tem sido, lamentavelmente, negligenciada e até mesmo ameaçada por um preocupante descaso com seu patrimônio e sua verdade histórica. A pesquisa exaustiva sobre os anais da época confirma que a emancipação política de Jeremoabo, com sua elevação de julgado a vila e município, se consolidou em 6 de julho de 1925, conforme o decreto legislativo da Regência em nome de D. Pedro II. Este marco, que desmembrou Jeremoabo da vila de Itapicurú, não foi apenas um ato administrativo, mas o reconhecimento de uma região de crescente importância.

A Fazenda Caritá: Palco de Decisões Imperiais

No cerne dessa história está a Fazenda Caritá, que emerge das fontes como um verdadeiro epicentro de decisões políticas e sociais que reverberaram por toda a Bahia e pelo Império. Não se tratava de uma mera propriedade rural; a Caritá era, desde a década de 1820, um ponto estratégico, tendo servido inclusive como quartel durante a crucial Guerra da Independência. Foi nesse cenário histórico que, em 28 de junho de 1838, nasceu Cícero Dantas Martins, o futuro Barão de Jeremoabo, cuja vida seria intrinsecamente ligada à fazenda e à história da região.

A documentação consultada, incluindo relatos da época, como o do sexto vigário de Jeremoabo, Januário José de Souza Pereira, descreve uma freguesia em formação, com uma população escassa mas em constante crescimento, fruto do processo de povoamento do rio São Francisco e dos sertões adjacentes desde o século XVII. A Caritá, situada próxima ao rio Vaza Barris, era parte integrante desse tecido social e geográfico.

O Descaso com o Patrimônio e a Tentativa de Apagar a História

É com profunda consternação que se constata o abandono da Fazenda Caritá. A residência do Barão de Jeremoabo, um local que testemunhou eventos tão cruciais para a formação do município e do próprio país, foi deixada à mercê do tempo, transformando-se em ruínas. As autoridades de Jeremoabo, ao longo dos anos, falharam em preservar e valorizar essa joia histórica, um reflexo de uma desconexão com suas próprias origens.

Essa negligência não é um problema do passado distante. Ela se manifesta de forma ainda mais alarmante na atualidade, com a persistente intenção de desconsiderar e até mesmo "jogar na lata do lixo" o restante da história de Jeremoabo, culminando na tentativa de alterar a data de sua emancipação política. Tal movimento não é apenas um erro factual; é um atentado à memória coletiva e à identidade de um povo. A data de 6 de julho de 1925 não é apenas um número no calendário, mas o registro de um processo histórico que merece ser respeitado e perpetuado.

A Infância na Caritá e a Formação de Cícero Dantas Martins

A vida na Fazenda Caritá, conforme os relatos, era marcada por uma austeridade e respeitabilidade típicas da época. Cícero Dantas Martins e seus irmãos foram criados em um ambiente onde o temor aos pais e a obediência às determinações paternas eram pilares. A descrição da rotina, das brincadeiras infantis às ocupações das irmãs – como crochê e confecção de rendas, sempre sob a supervisão de escravas de confiança –, oferece um vislumbre da vida social e dos costumes dos senhores de engenho no sertão baiano do século XIX. A educação em casa, a reclusão das moças e a rigidez nas refeições e na capela da casa-grande pintam um quadro vívido de uma época e de uma sociedade que moldaram figuras como o Barão de Jeremoabo.

Um Apelo à Preservação da Memória

A história de Jeremoabo, com sua emancipação em 6 de julho de 2025 e o papel central da Fazenda Caritá, é um patrimônio inestimável que não pode ser apagado ou distorcido. É um apelo urgente às autoridades e à comunidade para que reconheçam a importância de preservar esses marcos, não apenas como ruínas ou datas, mas como testemunhos vivos de sua identidade e de sua contribuição para a história do Brasil. A memória é a base sobre a qual se constrói o futuro, e ignorá-la é condenar uma comunidade a perder suas raízes e seu senso de pertencimento. 

Fonte: https://www.familysearch.org/pt/memories/memory/30531216


Nova variante da Covid-19 tem primeiros casos confirmados no Brasil

 

Nova variante da Covid-19 tem primeiros casos confirmados no Brasil

Por Redação

Nova variante da Covid-19 tem primeiros casos confirmados no Brasil
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Os primeiros casos da nova variante da Covid-19, denominada XFG, foram registrados no Brasil na última sexta-feira (4). A doença foi notificada no Ceará entre os dias 25 e 31 de maio e divulgada por autoridades de saúde do estado. 

 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o país agora se junta a outros 38 países. De acordo com a Folha de S. Paulo, o Ministério da Saúde informou que, além dos seis casos no Ceará, outros dois ocorreram em São Paulo. No entanto, ainda não houve registros de óbitos.

 

Sequenciamentos genômicos da doença estão sendo monitorados de forma contínua no Brasil. Em outras partes do mundo, a OMS já havia comunicado sobre o possível avanço da nova variante.

 

Conforme a publicação, no Sudeste Asiático, a proporção de casos atribuídos à XFG subiu de 17,3% para 68,7%, especialmente na Índia, onde a variante se tornou predominante durante a primavera. Já nas Américas, a taxa passou de 7,8% para 26,5%

Ministros do STF minimizam post de Trump sobre Bolsonaro e descartam resposta

 Foto: Felipe Sampaio/Arquivo/STF

Plenário do STF08 de julho de 2025 | 06:51

Ministros do STF minimizam post de Trump sobre Bolsonaro e descartam resposta

brasil

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) minimizaram as críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao julgamento de Jair Bolsonaro (PL) no caso da trama golpista. A avaliação é de que as declarações fazem parte de uma narrativa política e não merecem reação institucional da corte.

Ainda, afirmam que não houve nenhuma medida concreta contra o Brasil ou os ministros. Para os magistrados, portanto, a resposta deve ser dada pela política ou pela diplomacia. Ou seja, pelo presidente (PT) ou pelo Itamaraty —algo que o petista fez pouco depois da mensagem de Trump.

Nesta segunda-feira (7), Trump afirmou que o Brasil está fazendo uma “coisa horrível” no tratamento dado ao ex-presidente. O americano também disse que a corte persegue Bolsonaro.

“Eu tenho assistido, assim como o mundo, enquanto eles não fazem nada além de persegui-lo, dia após dia, noite após noite, mês após mês, ano após ano. Ele não é culpado de nada, exceto por ter lutado pelo povo”, afirmou Trump em um post na Truth Social.

A publicação do presidente americano também não tem poder, segundo a análise de ministros ouvidos pela Folha, de interferir no processo por tentativa de golpe de Estado contra Bolsonaro. Dessa forma, os magistrados afirmam se tratar de “barulho”.

A manifestação de Trump seria abusiva, na avaliação de um ministro ouvido sob reserva, mas teria efeito apenas simbólico. A declaração poderia, inclusive, “aumentar a antipatia” em relação a Bolsonaro e piorar sua situação, nas palavras desse mesmo integrante da corte.

Em outros momentos, o governo americano já fez ameaças de sanções. Em maio, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou que o país restringiria a entrada de “funcionários estrangeiros e pessoas cúmplices na censura de americanos” e que o ministro Alexandre de Moraes poderia ser punido.

O relator da trama golpista tem sido alvo de pressões por parte do governo americano. Em fevereiro, já sob Donald Trump, o Departamento de Estado divulgou uma mensagem com referências explícitas à determinação do magistrado para bloquear a plataforma de vídeos Rumble, usada por influenciadores de direita.

Lula já reagiu. Em nota, o petista afirmou não aceitar interferências nas políticas internas do Brasil. “A defesa da democracia no Brasil é um tema que compete aos brasileiros. Somos um país soberano”.

Há uma avaliação de integrantes do governo de que nos momentos em que o presidente se coloca de frente ao governo dos EUA, a repercussão é positiva para ele.

Pouco depois, durante uma entrevista coletiva após a cúpula do Brics, Lula foi perguntado sobre a publicação de Trump, mas disse ter “coisa mais importante para comentar”.

Outra resposta foi dada por Gleisi Hoffmann (Relações Institucionais). Na mesma linha da defesa da soberania do Estado brasileiro, a ministra também recorreu à tática da comparação da postura do governo Lula com a do ex-presidente Bolsonaro na relação com os Estados Unidos.

“O tempo em que o Brasil foi subserviente aos EUA foi o tempo de Bolsonaro, que batia continência para sua bandeira e não defendia os interesses nacionais”, disse.

A mensagem de Trump ocorre em meio à pressão e expectativa de bolsonaristas para que os Estados Unidos apliquem uma sanção a Moraes. A articulação conta com pessoas próximas ao presidente dos EUA, como o ex-assessor de Trump Jason Miller.

Se, no geral, os ministros têm optado pelo silêncio ou por reduzir esses episódios, em fevereiro, no entanto, depois da escalada da ofensiva de políticos dos EUA contra ele, Moraes fez comentários no plenário do STF. Sem mencionar os Estados Unidos, o ministro defendeu a soberania do Brasil e afirmou que o país deixou de ser colônia em 1822.

Moraes também citou a defesa feita pelo colega Flávio Dino por meio de redes sociais. Dino escreveu que os ministros do Supremo, ao tomarem posse, juram defender a Constituição e os princípios de autodeterminação dos povos, não intervenção e igualdade entre os Estados —incisos do artigo 4º da Constituição Federal.

Flávio Dino escreveu ainda que Moraes permanecerá proferindo palestras no Brasil e no exterior. “E se quiser passar lindas férias, pode ir para Carolina, no Maranhão. Não vai sentir falta de outros lugares com o mesmo nome”, afirmou Dino, em referência aos estados homônimos dos Estados Unidos.

Ana Pompeu e Catia Seabra/FolhapressPolitica Livre

Lula teve uma reação infantil ao responder a artigo da “The Economist”


Dois homens brancos de terno diante de um painel azul. Um deles, de barba e cabelo grisalho, acena com o braço esquerdo

Lula pediu ao Chanceler que respondesse às críticas 

Elio Gaspari
O Globo

Lula 3.0 reagiu a um artigo da revista The Economist com uma carta do chanceler Mauro Vieira falando bem de Lula, na qual afirmou que sua “autoridade moral” é “indiscutível”. Indiscutível não é, tanto que a revista discutiu-a.

Cartas desse tipo são coisas de jecas e quase sempre são sopradas pelo Palácio do Planalto, afagando o ego dos presidentes. (Uma seleta das cartas de chanceleres e embaixadores brasileiros defendendo a ditadura fazem vergonha ao Itamaraty.)

ERA PIOR – A reação epistolar mostra que Lula 3.0 acalmou-se em relação ao Lula 1.0. Em 2004 ele reagiu a um artigo do correspondente do The New York Times, Larry Rohter, cancelando seu visto de permanência no Brasil. Salvou-o do vexame o ministro Márcio Thomaz Bastos, que estava na Suíça e apagou o incêndio ao retornar a Brasília.

Enquanto o Brasil procura um caminho para controlar a circulação de notícias falsas nas redes, um curioso listou a relação de Pindorama com a propagação de fake news.

O Brasil fica na América, continente batizado por um cartógrafo alemão em homenagem ao Américo Vespúcio. Como se sabe, quem primeiro chegou ao Novo Mundo foi Cristovão Colombo, em 1492. Vespúcio só passou por aqui nove anos depois.

MUITO CRIATIVO – Enquanto Colombo acreditava que tinha chegado à Índia, Vespúcio percebeu a massa continental da América do Sul.

Esbaldou-se com a narrativa de suas passagens pela chamada Terra dos Papagaios, a partir de 1501. Descreveu a costa do Brasil em cartas que viraram um livro, o “Mundus Novus”, traduzido em pelo menos sete idiomas com cerca de 60 edições. Inventou (ou alguém inventou em seu nome) que viu leões, ursos e gigantes. Disse que por aqui as pessoas viviam até 150 anos.

Naquele paraíso terrestre do navegador florentino, os nativos “não fazem nenhuma troca ou comércio para comprar ou vender, bastando-lhes o que a natureza oferece: desprezam ouro, pedras preciosas, joias que na Europa consideramos riquezas”.

TRUMP SAI DE CENA – No início de junho, de caso pensado ou não, o presidente americano Donald Trump pôs sua marca na diplomacia internacional. Abruptamente, ele deixou a reunião dos chefes de Estado do G7, no Canadá, e voltou para Washington, onde precisava cuidar da vida.

O G7 reúne os Estados Unidos, Inglaterra, França, Alemanha, Itália, Japão e a União Europeia. Suas reuniões ecoam as conferências de Yalta e Potsdam, de 1945, quando os Três Grandes —Franklin Roosevelt (EUA), Winston Churchill (Inglaterra) e Stalin (União Soviética)— redesenharam o mapa da Europa.

Passou o tempo, os Três são sete e as reuniões de chefes de Estado viraram arroz de festa, dando aos governantes agendas irrelevantes, jantares e fotografias.

IRRELEVÂNCIAS – Pior: aqui e ali realizam-se reuniões da cúpula disso ou daquilo. Na semana passada reuniram-se em Buenos Aires os chefes de Estado do Mercosul. Mal ela terminou, começou no Rio a reunião de cúpula dos Brics.

Deveria reunir os chefes de Estado de 28 países, entre os quais estariam a China, Rússia, Egito, México e Turquia. Os governantes desses países e mais uns dez anunciaram que não viriam à reunião. Como Trump, têm mais o que fazer.

O teatrinho das reuniões de cúpula pode estar saindo da moda.

Nem Trump tem direito de se meter no Brasil, nem Lula na Argentina…


Lula responde Trump após defesa a BolsonaroEliane Cantanhêde
Estadão

Quem atira a primeira pedra? Se o presidente dos EUA, Donald Trump, está errado – e está – ao chamar os processos contra Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal de “perseguição” e “caça às bruxas”, o que dizer do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que visitou Cristina Kirchner e tirou foto com o cartaz “Cristina libre” em plena Buenos Aires?

Trump, que se sente imperador dos EUA e age como dono do mundo, ficou mal humorado com a reunião do Brics no Rio de Janeiro e ameaçou impor tarefas adicionais a países que se alinharem com o bloco, que tem China, Rússia e agora Irã. De quebra, se meteu também com a Justiça brasileira, ao defender Bolsonaro e dizer que ele, o ex-presidente, só queria o bem do povo brasileiro (?). Julgou, absolveu e anunciou sua sentença ao mundo.

LULA REAGIU – O STF – onde o principal alvo de trumpistas e bolsonaristas é Alexandre de Moraes — ficou calado, não reagiu, mas Lula pegou em armas e disparou pelas redes que “o Brasil tem soberania” e “não aceitamos interferência ou tutela de quem quer que seja”.

Tem toda razão, mas deixou uma dúvida: e se Javier Milei respondesse no mesmo tom à visita, ao cartaz e à decisão de Lula que, como Trump, julgou, absolveu e anunciou sua sentença ao mundo ou, ao menos, à América Latina?

Os dois ex-presidentes fazem oposição aos atuais mandatários, a diferença está nos processos pelos quais Bolsonaro pode ser condenado e Cristina Kirchner, presa em casa, de tornozeleira eletrônica, já foi. Ela sucumbiu diante de uma enxurrada de provas de corrupção, o que remete aos dissabores do próprio Lula com a Lava Jato.

AUTODEFESA – Já Bolsonaro foi indiciado pela PF e denunciado pela PGR, também por uma enxurrada de provas, mas por tramar um golpe de Estado para evitar a posse do presidente eleito, inclusive com prisão ou até a morte de Lula, o que remete a Trump atiçando criminosos a invadirem o Capitólio após a derrota contra José Biden.

Ao defenderem Kirchner e Bolsonaro, Lula e Trump estariam se autodefendendo?

Nem Trump tem o direito de se meter em assuntos internos do Brasil, nem Lula nos da Argentina. São posições voluntariosas, arrogantes, contrárias a regras internacionais básicas e à política de boa convivência entre países. E no pior momento.

O mundo está de pernas para o ar, com guerras, conflitos e autocratas por toda parte e Trump brincando de embaralhar o comércio e desprezar a civilidade, dentro e fora dos EUA, sob a impotência de ONU, OMC e do multilateralismo que os EUA construíram e agora se empenham em destruir.

Será que Trump não tem mais o que fazer e o que se preocupar do que com a prestação de contas à Justiça de um presidente derrotado ao tentar a reeleição no Brasil? E Lula, não estaria melhor e sendo mais útil trabalhando pelo equilíbrio fiscal, uma relação produtiva com o Congresso e a aprovação de projetos de interesse nacional, do que confraternizando com uma condenada por corrupção, em outro país?

“Eles contra Nós”

 em 7 jul, 2025 3:40

 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

    “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

A política brasileira vive uma cruzada ruidosa entre o governo e o Congresso Nacional, travestida de embate ideológico, mas que, na essência, esconde algo mais antigo e perverso: a manutenção de privilégios de poucos às custas do sacrifício de muitos. O discurso do “nós contra eles” ressurge como uma sombra sobre o país, mas precisa ser desmascarado. O “nós”, neste caso, não é o governo. Tampouco é o Congresso. O verdadeiro “nós” é o povo — espremido entre os delírios retóricos e os interesses ocultos. O ator Pedro Cardoso disse com precisão: o mais honesto seria dizer “eles contra nós”.

 O que se vê no Congresso é um teatro de compaixão cínica. Deputados e senadores fazem discursos inflamados em nome do povo, mas votam sistematicamente para proteger os super-ricos — especialmente os rentistas — da obrigação de pagar impostos sobre lucros e dividendos. Defendem com unhas e dentes os interesses do topo da pirâmide, enquanto barram a ampliação de direitos e reduzem benefícios dos mais pobres. A elite parlamentar brasileira tornou-se uma espécie de corte feudal do século XXI — senhores de engenho modernos, zelando por suas sesmarias no mercado financeiro.

Lembra, em essência, a figura de Pôncio Pilatos, governador romano que lavou as mãos diante da injustiça cometida contra Jesus, fingindo imparcialidade, enquanto cedia à pressão dos poderosos. Assim age boa parte do Congresso atual: simula neutralidade, posa de moderador, mas atua sistematicamente contra os interesses da maioria. Há nisso uma duplicidade inquietante, uma farsa política que, como todo bom personagem trágico, acabará revelando o seu avesso.

Não se trata mais de disputa entre Poderes. Trata-se de resistência à ideia de um país mais justo. Um país onde milionários também contribuam. Onde os direitos sociais deixem de ser tratados como esmolas, e passem a ser reconhecidos como o que são: direitos. O Congresso age como se não houvesse povo lá fora. E o povo assiste, cansado, a essa pantomima onde os donos da riqueza encenam bondade enquanto fortalecem os grilhões da desigualdade.

 Enquanto isso, o “nós” sangra. Sangra nos hospitais públicos precários, nas escolas sucateadas, nos transportes indignos, nos alimentos cada vez mais caros. O “nós” não tem lobby, mas tem fome. O “nós” não tem offshores, mas tem dívidas. O “nós” só queria respirar. Mas tudo o que recebe é um Congresso que, sob a máscara da democracia, escolheu ser o adversário.

Contra nós.

 

Feriado Devido ao feriado desta terça-feira, 8, da Emancipação Política de Sergipe, o blog só retorna a ser atualizado na quarta-feira, 9.

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