domingo, julho 06, 2025

Decisão do Supremo que visa driblar arcabouço surte efeito contrário e reduz limite de gasto

 oto: Fellipe Sampaio/STF/Arquivo

Plenário do Supremo Tribunal Federal06 de julho de 2025 | 16:15

Decisão do Supremo que visa driblar arcabouço surte efeito contrário e reduz limite de gasto

economia

A decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de retirar do arcabouço fiscal os gastos do Judiciário financiados com receitas próprias surtiu efeito contrário ao esperado e reduziu o limite que os órgãos têm para suas despesas em 2025.

A atualização dos números foi feita pelo Ministério do Planejamento e Orçamento em relatório publicado em 22 de maio. Por enquanto, o diagnóstico é que a decisão já tirou um espaço de R$ 87,3 milhões do Judiciário.

O corte pode ser ainda maior, de quase R$ 1,5 bilhão, caso as custas judiciais também sejam consideradas receitas próprias e, com isso, os gastos bancados por elas fiquem igualmente excluídos.

Esse ponto específico é alvo de um novo julgamento, iniciado em 27 de junho e que ainda está em curso.

A União entrou com uma espécie de recurso para esclarecer uma dúvida sobre a classificação das custas. O relator, ministro Alexandre de Moraes, rejeitou o pedido, disse que não há controvérsia e reafirmou que elas são receitas próprias —portanto, devem ficar fora do arcabouço.

Os demais ministros têm até 5 de agosto para votar na ação, analisada no plenário virtual da Corte. Se eles seguirem o voto do relator, o Judiciário precisará reduzir suas despesas em R$ 1,465 bilhão neste ano, segundo os cálculos do Planejamento.

O efeito colateral inesperado decorre da interpretação do Executivo sobre a decisão do STF. A Corte atendeu a um pedido da AMB (Associação de Magistrados Brasileiros) para que o Judiciário tivesse o mesmo tratamento de universidades, institutos federais e instituições de ciência e tecnologia, que podem usar receitas próprias para financiar gastos fora do arcabouço desde a origem da regra, aprovada em 2023.

No caso do Judiciário, porém, essas despesas entraram na base de cálculo do limite, que é corrigido ano a ano pela inflação mais um ganho real de até 2,5%. Por isso, a simples exclusão dos valores geraria um benefício duplo: o teto ficaria inflado, e ainda haveria espaço extra para gastar fora do limite.

A equipe econômica adotou o entendimento de que, dada a decisão do STF, é preciso recalcular o espaço do Judiciário pelas regras do arcabouço. A lógica é: sempre que uma despesa é incluída ou excluída da norma, é preciso voltar à origem (neste caso, o ano de 2023), rever a base de cálculo e então atualizar os valores dos anos seguintes.

O mesmo procedimento foi empregado em outras ocasiões, tanto sob o teto de gastos criado no governo Michel Temer (MDB) quanto sob o arcabouço fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um desses casos, o próprio Judiciário foi beneficiado: reclamou da exclusão indevida de uma despesa e conseguiu não só um limite maior, mas também a restituição do dinheiro não gasto nos anos anteriores.

Ao aplicar a mesma lógica agora, há uma redução dos limites porque o montante das despesas excepcionalizadas era maior em 2023 do que o valor previsto no Orçamento de 2025.

Há dois anos, as receitas próprias do Judiciário somaram R$ 52,5 milhões. Hoje, são estimadas em R$ 30,5 milhões. O mesmo ocorre quanto à inclusão das custas: a arrecadação ficou em R$ 1,12 bilhão em 2023, e agora deve ficar em R$ 1,04 bilhão.

O governo considera ter justificativas técnicas e jurídicas para recalcular os limites do Judiciário, mas, diante do resultado negativo, o temor agora é que o Supremo resolva propor alguma solução alternativa para afastar o prejuízo. Esse seria o pior cenário sob o ponto de vista da equipe econômica, pois ampliaria as despesas totais do governo num momento de aperto nas contas e elevação da dívida pública.

No mérito, a equipe econômica nunca foi a favor da exclusão das despesas, pois a medida abre brecha para outras decisões semelhantes. Além disso, apesar do desfecho atual ser desfavorável ao Judiciário, eventual aumento das receitas próprias pode minimizar o corte ou até mesmo permitir maior volume de gastos.

Segundo os cálculos do Planejamento, no cenário de menor perda, as mais afetadas serão Justiça do Distrito Federal e Territórios (R$ 51,8 milhões), Justiça do Trabalho (R$ 25,3 milhões) e Justiça Militar (R$ 10,3 milhões). Os demais ficaram com o mesmo espaço ou terão ganhos marginais.

Ao considerar as custas, os prejuízos mais significativos seriam sentidos por Justiça do Trabalho (R$ 767,2 milhões), Justiça Federal (R$ 325,2 milhões) e Justiça Eleitoral (R$ 176,1 milhões), mas todos ficariam com limites menores, à exceção do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).

A reportagem procurou todos os órgãos do Judiciário para saber como eles se ajustarão aos novos limites.

O TST (Tribunal Superior do Trabalho) disse que os valores ainda não são definitivos e podem mudar, dado o julgamento ainda pendente no STF. “Até lá, serão mantidas as despesas dentro dos limites atuais, acompanhando o processo para futuras revisões”, afirmou.

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) afirmou que não poderia se posicionar “diante de um cenário de probabilidades” e que é necessário aguardar o julgamento definitivo da ação. Na mesma linha, o CJF (Conselho da Justiça Federal) disse que, no momento, eventuais ações dependem do julgamento dos embargos de declaração.

O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) afirmou que a ação ainda está em curso e que o órgão “não se pronuncia sobre questões hipotéticas”.

A direção geral do STM (Superior Tribunal Militar) informou que, caso haja recálculo de seu limite, “possivelmente serão reavaliadas as despesas discricionárias relativas à ação Processamento de Causas e Gestão Administrativa, em especial referentes a serviços de engenharia e novas contratações que estavam previstas no Plano de Contratações Anual”.

O TJDFT (Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios) afirmou que, caso a ação seja julgada procedente em definitivo e o órgão receba seus recursos próprios, os valores serão usados em questões estruturais, como aperfeiçoamento do parque tecnológico e despesas do plano de transformação digital. “Se o tribunal não receber o novo limite, a equipe técnica irá fazer o ajuste orçamentário com previsão até o final do ano”.

O STF não respondeu. O CNJ não quis se manifestar.

Idiana Tomazelli/FolhapressPolitica Livre

Município de Jeremoabo

 

Município de Jeremoabo

O município de Jeremoabo, situado no semiárido da Bahia, carrega uma história que remonta ao século XVII. Inicialmente habitada por indígenas dos grupos tupinambás, a região foi colonizada por pecuaristas ligados à Casa da Torre, propriedade de Garcia d’Ávila. O nome “Jeremoabo”, originado do tupi, significa “plantação de abóbora”.

A missão de Geremoabo, fundada em 1660 pelos padres Jacob Roland e João de Barros, teve um papel central na catequese e proteção dos indígenas. Conflitos entre os missionários e a Casa da Torre resultaram na destruição e reconstrução do aldeamento, com intervenção do governo colonial e da Igreja Católica. Em 1718, Geremoabo tornou-se freguesia, e, em 1831, foi elevada à categoria de vila. Em 1925, adquiriu o status de cidade.

Geografia e aspectos ambientais

Jeremoabo ocupa uma área de 4.267,488 km² e faz fronteira com municípios como Canudos, Paulo Afonso e Rodelas. O relevo é marcado por altitudes baixas, incluindo o Raso da Catarina, e a sede municipal está a 272 metros acima do nível do mar. O clima semiárido é caracterizado por temperaturas médias de 24,6°C e precipitação anual de 453 mm.

O principal curso d’água da região é o rio Vaza-Barris, e a vegetação predominante é a Caatinga. Dados do Instituto Nacional de Meteorologia mostram extremos climáticos, como a menor temperatura de 13,5°C e a maior de 40,3°C, registradas nos últimos anos.

Evolução demográfica e mudanças territoriais

A população estimada em 2024 é de 39.501 habitantes, segundo o IBGE. Desde 1970, a urbanização do município cresceu significativamente, passando de 13% para 40% em 1996. O território de Jeremoabo também sofreu alterações, com desmembramentos que originaram os municípios de Glória, Santa Brígida, Coronel João Sá, Pedro Alexandre e Sítio do Quinto.

Resumo extenso

Jeremoabo, localizado no semiárido da Bahia, destaca-se por sua história, geografia e transformações territoriais. Com raízes indígenas e colonização ligada à pecuária, o município possui um rico passado, incluindo conflitos entre missionários e latifundiários. Elevado a cidade em 1925, Jeremoabo enfrentou desmembramentos territoriais e desafios ambientais, como o clima semiárido. Atualmente, com uma população de 39.501 habitantes, a urbanização da cidade aumentou expressivamente. O rio Vaza-Barris, a Caatinga e o Raso da Catarina marcam seu território, enquanto registros meteorológicos recentes apontam variações climáticas significativas.

Lide

Jeremoabo, município do semiárido baiano, possui 39.501 habitantes e uma história marcada pela ocupação indígena, colonização e conflitos no século XVII. Com geografia influenciada pelo Raso da Catarina e pelo rio Vaza-Barris, a cidade, elevada em 1925, experimentou aumento na urbanização e mudanças territoriais ao longo dos anos.

https://jornalgrandebahia.com.br/tag/jeremoabo/

Jeremoabo Celebra 6 de Julho: A Emancipação que a Elevou à Cidade

 

Nota da redação deste Blog -  Jeremoabo Celebra 6 de Julho: A Emancipação que a Elevou à Cidade

Hoje, 6 de julho, Jeremoabo amanheceu em festa para comemorar mais um aniversário de sua emancipação política. O prefeito Tista de Deda liderou as celebrações em frente à sede da prefeitura, com a presença de banda de música e desfiles, marcando uma data de grande significado para a história do município.

Conforme o entendimento da Prefeitura Municipal de Jeremoabo, a emancipação política da cidade ocorreu em 6 de julho de 1925, data em que o município foi elevado à condição de cidade. Este marco é amplamente reconhecido e celebrado anualmente, representando um ponto de virada na autonomia e no desenvolvimento de Jeremoabo.

É importante notar que a trajetória de autonomia de Jeremoabo é mais longa. Sua história como vila autônoma começou em 25 de outubro de 1831, quando foi elevada à categoria de vila, conforme registros históricos. Isso significa que o município já possuía autonomia política e administrativa desde 1831. Contudo, o 6 de julho de 1925 é a data que celebra a sua transformação e elevação ao status de cidade.

Para aqueles que ainda possuem dúvidas sobre o dia da emancipação política de Jeremoabo, e desejam fugir de "achismos" ou "informações para boi dormir", a recomendação é buscar fontes acadêmicas e de pesquisa séria. Uma leitura fundamental é o estudo "EMANCIPAÇÃO POLÍTICO-ADMINISTRATIVA DE MUNICÍPIOS NO BRASIL", de João Carlos Magalhães, disponível através do link: https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/Capitulo1_30.pdf. Este trabalho oferece um aprofundamento sobre os critérios e marcos das emancipações municipais no Brasil, contribuindo para uma compreensão mais sólida da história de Jeremoabo.

A celebração de hoje reforça a importância de manter viva a memória e a história do município, valorizando os marcos que o tornaram a Jeremoabo que conhecemos hoje.


Você gostaria de saber mais sobre as comemorações ou sobre a história de Jeremoabo?

ABRA O LINK A SEGUIR, E TOME CONHECIMNENTO DE CONTEUDO OFICIAL:

https://portalantigo.ipea.gov.br/agencia/images/stories/PDFs/livros/Capitulo1_30.pdf

A Sabedoria de Tista de Deda: Jeremoabo Preserva Sua História e Dignidade

A Sabedoria de Tista de Deda: Jeremoabo Preserva Sua História e Dignidade

Em meio à polêmica proposta de alteração da data de emancipação política de Jeremoabo, a voz da razão e do bom senso prevaleceu. Felizmente, o prefeito Tista de Deda não embarcou na "canoa furada" de mudar a data oficial do município, o 6 de julho. Sua decisão, pautada pela sensatez, reflete um profundo respeito pela história e pela identidade de Jeremoabo.

Ao agir categoricamente com o coração e, principalmente, com a razão, o prefeito Tista de Deda honrou não apenas aqueles que, com dignidade e suor, trabalharam pelo engrandecimento da cidade, mas também a memória de seus antecessores, incluindo seu próprio pai, o falecido prefeito José Lourenço (Deda). Essa postura demonstra um compromisso genuíno com o legado construído por gerações.

A história de Jeremoabo, como a de qualquer município, é forjada com suor, sangue e lágrimas. Ela é resultado de eventos concretos, de leis promulgadas, de desafios superados e de conquistas que moldaram a comunidade ao longo do tempo. Não pode ser reescrita ou alterada em uma simples reunião de Câmara de Vereadores, sem as devidas legalidades e, o que é mais importante, sem o respaldo da pesquisa histórica séria e do consenso popular.

Tista de Deda, ao manter a data consolidada, reafirma seu compromisso em dar a Jeremoabo o que ela realmente merece: respeito, dignidade e a conservação de sua verdadeira história. Sua liderança, marcada pela sabedoria e pela responsabilidade, garante que as raízes do município permaneçam intactas, fortalecendo a identidade de seu povo e assegurando que as futuras gerações possam se orgulhar de um passado que não foi arbitrariamente modificado. Jeremoabo agradece a sensatez que preserva sua essência.

‘Nós contra eles’ é ruim e não vai fazer país crescer de forma estrutural, diz Campos Neto

 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

O ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto06 de julho de 2025 | 09:01

‘Nós contra eles’ é ruim e não vai fazer país crescer de forma estrutural, diz Campos Neto

economia

Na primeira entrevista após completar o período de quarentena, o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto afirma que qualquer decisão sobre as contas públicas no país atualmente cai na polarização política entre ricos e pobres.

“O discurso de ‘nós contra eles’ é ruim para todo mundo. Não é o que vai fazer o país crescer de forma estrutural. Precisamos unir todo mundo, o empresário, o empregado, o governo”, disse ao jornal Folha de S.Paulo um dia antes de assumir o cargo de vice-chairman e chefe global de políticas públicas do Nubank, em 1º de julho.

Campos Neto reagiu a críticas do ministro Fernando Haddad (Fazenda) de que teria deixado uma herança de alta de juros para o sucessor no BC, Gabriel Galípolo. “É triste quando a narrativa é mais importante do que a busca de uma solução estrutural.”

Ele nega que vá contribuir para uma eventual candidatura presidencial do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Mesmo fugindo das especulações, Campos Neto diz que enxerga um movimento à direita na América Latina. “As ideologias de esquerda têm uma obsessão com igualdade e não com a diminuição da pobreza”.

Após a quarentena, como recebeu a crítica recente de Haddad de que a última alta de juros foi uma herança deixada pelo sr. para Gabriel Galípolo?

Tenho o hábito de não fazer crítica a pessoas e sim a ideias. Como já tinha um presidente que convivia entre a gente, decidi que, a partir de algum momento, quando fosse chegando perto da minha saída, o peso dele fosse sendo maior nas decisões. Ele veio a público e corroborou isso.

A história mostrou que é uma narrativa política infundada. Acho triste que se priorize a construção de uma narrativa em vez de se procurar uma solução estrutural para o problema. Empobrece o debate. Estive com Galípolo agora na Suiça. Voltei no avião com ele.

Como avalia o trabalho dele à frente do BC?

Não tenho nenhum reparo a fazer. Eles têm atuado de forma técnica, comunicado com transparência. Está fazendo um trabalho irretocável. Só que o problema não está no lado monetário, está no lado fiscal. O BC é um pouco passageiro desse momento fiscal, onde tem uma incerteza, uma guerra de narrativas. Inseriu-se um elemento político dentro do debate fiscal, que eu acho que está muito forte hoje.

Que elemento político é esse?

Qualquer decisão hoje do fiscal também cai na polarização política, na disputa entre ricos e pobres. A esquerda teve várias ideias boas em relação a programas no passado. A direita também teve várias ideias boas. Agora, existe uma falta de credibilidade em relação à ancoragem fiscal. Para melhorar a expectativa do fiscal não é somente o que se vai fazer, mas também o que se comunica. A perspectiva da convergência através do canal de credibilidade é o mais importante

Qual seria a estratégia acertada?

O Brasil tem uma dívida muito alta. Sem reverter, poderemos ter movimentos moderados de queda ou de alta, mas a âncora está no fiscal. Estamos num momento em que, mesmo quando se arrecada muito mais, não se consegue produzir superávits. Sem ter condições de cair muito os juros, vamos para um déficit nominal que fica preso em uma faixa ao redor de 8%. Como não conseguimos gerar um primário positivo, nossa dívida vai crescer em torno de 3 a 5 pontos porcentuais ao ano. Como nossa dívida já é a maior do mundo emergente, este crescimento é muito grave. Precisamos de um plano ambicioso.

O governo tem adotado medidas.

O que estamos fazendo não é equalização e sim aumento de carga e não temos como aumentar mais. Diminuir isenção tributária, eu concordo. Eliminar isenção em títulos de renda fixa, concordo desde que se abaixe do resto, para equalizar. Aumentar imposto em dividendo e reduzir Imposto de Renda da Pessoa Jurídica também vejo com bons olhos. Eliminar vantagem tributária em investimentos de longo prazo não é positivo porque o funding, a liquidez de longo prazo, é importante para projetos estruturantes.

Quando os juros vão começar a cair de forma consistente?

Para mim, o importante não é se vai cair 1 ou 1,5 [ponto]. A gente precisa ter uma interpretação do mercado de que o governo é sério. Precisa de medidas fiscais. Falei no passado que o governo, se quisesse trabalhar com juros mais baixos, precisava gerar um choque positivo de credibilidade no fiscal. Mais recentemente, disse: vai ter um choque positivo no fiscal, independente do governo, porque a gente não tem condições de avançar muito com nenhum tipo de política pública, não tem mais espaço de arrecadação. O choque fiscal vai acontecer sim ou sim. Vai ser feito de qualquer forma. Quanto mais cedo, melhor.

Como vê o debate fiscal torno do decreto do IOF?

Não é verdade que seja um imposto para os ricos. Essa não resiste a uma conta simples do aumento no custo para uma operação de crédito pequena. Impacta toda a cadeia e encarece e distorce o processo produtivo. Eu, particularmente, acho o IOF um imposto muito ruim. Agora, tem algumas outras coisas que não fazem mais sentido. Por exemplo, eu gostaria de ter uma isonomia entre os títulos. Tem LCI, LCA. Por que tem uns que são isentos e outros não?

O sr. defende o fim da isenção?

Se for aumento da carga tributária, o Brasil não suporta mais. É preciso entender que, em vez de sempre adotar um discurso de que as empresas têm que pagar mais, precisamos ter uma base tributária que seja boa o suficiente para estimular o investimento privado, porque público a gente não tem. Às vezes, vejo um empresário que faz uma crítica ao Bolsa Família, aí ele apanha…

O sr. está falando do “rei do ovo”, o empresário Ricardo Faria, que disse que há viciados no Bolsa Família?

Não quero falar de pessoas. Vários empresários falam a mesma coisa, que tem vários estados no Brasil que têm mais gente que ganha Bolsa Família do que trabalhador de carteira assinada. Ninguém está estimulando que não tenha o programa. A grande pergunta [é]: será que o Bolsa Família está gerando informalidade? Existem evidências. O discurso de “nós contra eles” é ruim para todo mundo. Não é o que vai fazer o país crescer de forma estrutural. Precisamos unir todo mundo, o empresário, o empregado, o governo.

O governo dobrou a aposta nesse discurso. Qual a sua avaliação?

Gerar divisão na sociedade é muito ruim. Temos que gerar construção. Saiu um estudo recente dizendo que o Brasil é o maior país na América Latina que teve mais milionários que foram morar em outro país. Tem empresa fazendo listagem em Bolsa fora. Empresas que estão fechando o capital no Brasil, abrindo o capital fora. Em vez de reclamar que o empresário foi morar fora, temos que dizer: “Vem cá, como faço para manter manter você aqui dentro?”. Precisamos reverter isso e passar uma mensagem para as pessoas de que o empresário é importante.

O sr. está indo para o Nubank. O que achou da proposta de Haddad de aumentar a tributação dos bancos digitais?

O importante não é brigar sobre uma medida. Se está aumentando IOF, imposto de banco, tudo isso encarece crédito. Não se pode dizer que o encarecimento do crédito é para o andar de cima. Importante dizer que a partir de agora serei uma pessoa do mundo privado.

Pretende colaborar numa eventual candidatura do governador Tarcísio à Presidência? Especula-se que seria ministro da Fazenda num eventual governo dele.

Eu? Acabei de entrar no Nubank. Nos últimos dois anos, falaram que eu ia fazer todo tipo de coisa, ser senador, governador, ministro, morar fora, que não me preocupava com o Brasil —o que, aliás, não é verdade. Sempre disse a mesma coisa. Minha área de interesse é finanças e tecnologia. Tarcísio tem dito repetidamente que vai ser candidato a governador. Só para a gente encerrar essa especulação, porque vou para o mundo privado. A resposta já está dada.

Como vê o ambiente político atual na região?

Tenho percebido que, na América Latina, a gente está vendo o movimento um pouco mais à direita. Tem algo sintomático dos regimes de esquerda no mundo, que está sendo questionado. Acredito fortemente no axioma que diz que, quando o governo cresce, a liberdade da sociedade diminui. As ideologias de esquerda têm uma obsessão com igualdade e não com diminuição da pobreza. Como a igualdade não é um fenômeno natural, o governo se vende como necessário para corrigir este erro.

Esse processo de crescimento é feito com dívida e impostos nas empresas. Diminui o investimento privado e, por consequência, atrofia a capacidade de aumentar a oferta de bens e serviços no futuro. No fim, estimula a demanda de curto prazo com transferências de renda e paga a conta com investimento futuro. Ficamos com um Estado maior, setor privado atrofiado, dívida insustentável, inflação estrutural mais alta, juros altos e baixa produtividade. O jogo acaba quando a injeção pública de recursos faz mais mal do que bem e fica claro que todos vão terminar em uma situação pior.

Há uma briga sobre quem é o pai do Pix? É o ex-presidente [do BC] Ilan Goldfajn?

É o filho bonito, né? Quase a totalidade do desenho, planejamento e implementação foi feita a partir de 2019. O pai do Pix é o BC.

O sr. recebeu muitas críticas de que demorou a agir contra as operações arriscadas do banco Master…

Não teria feito diferente. O BC foi reativo no caso do FGC [Fundo Garantidor de Crédito] e agiu de forma técnica. Todas as mudanças são propostas pela diretoria encarregada, que faz uma ampla análise de impacto. Confio plenamente no trabalho técnico da equipe. Tínhamos a tarefa de olhar uma coisa que estava acontecendo, mas tinha que olhar o todo também.

Politica Livre

Especialistas divergem sobre o IOF: Decisão de Moraes é derrota de Lula?

Publicado em 5 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Moraes diz que Big Techs intimidaram o Congresso Nacional

Ninguém sabe o que se passa na cabeça de Moraes

Deu na CNN

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender os atos do Executivo e do Legislativo sobre o aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e convocar uma audiência de conciliação é vista como uma derrota para o governo, segundo especialistas ouvidos pela CNN.

Pela decisão de Moraes, a audiência deve acontecer no dia 15 de julho. O magistrado deu um prazo de cinco dias para que o governo esclareça os motivos para ter decidido aumentar o IOF e as razões pelas quais o Congresso derrubou a elevação do tributo.

DESAGRADO TOTAL – Como apurou a CNN, a resolução definida desagrada aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e membros da oposição. Na outra ponta, para o advogado constitucionalista André Marsiglia, a expectativa do governo Lula foi frustrada.

“O governo esperava apoio imediato, e a decisão pela conciliação, no mínimo, adia esse desejo e frustra o Executivo. No entanto, entendo que Moraes esteja apenas querendo construir uma imagem de moderação para, adiante, votar com o governo”, afirma Marsiglia. “Tem sido nesse sentido a jurisprudência recente da Corte.”

Na avaliação de Marco Antônio Teixeira, professor de Ciência Política da Fundação Getulio Vargas em São Paulo (FGV-SP), “a decisão do Supremo reforça algo que é a importância de fazer política”.

MELHOR CAMINHO – “É óbvio que o governo esperava uma decisão positiva, mas a atitude do Supremo é o melhor caminho para o país neste momento. Podemos dizer que o jogo volta ao zero a zero. Foi uma decisão conciliatória, positiva, que coloca a judicialização em outro patamar”, analisa.

Membros do governo da oposição se manifestaram após a decisão sobre o IOF ter sido expedida. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), verbalizou nas redes sociais que o Poder Executivo foi o “grande derrotado”.

Já o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que a medida é “ótima para o país.” E o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), disse que a resolução tomada por Moraes está em sintonia com o desejo da Casa Legislativa.

SEM VENCEDORES – Segundo o cientista político Elias Tavares, não há vencedores. “O governo precisará justificar melhor sua proposta. O Congresso, que demonstrou força política, agora também terá que se comprometer com a construção de uma saída”, opina. “E o STF, ao assumir esse papel de mediador, acerta desde que saiba recuar assim que a política voltar a funcionar”, prossegue.

Para Tavares, a decisão não é uma derrota “completa”, mas expõe o governo federal. “Mostra que a União perdeu força para sustentar uma medida que ela estava tentando impor sem apoio político. Penso que o STF evitou um prejuízo ainda maior ao suspender tudo”, acrescenta.

De acordo com Cristiano Noronha, vice-presidente da Arko Advice, embora a deliberação do ministro do Supremo ainda não possa ser vista como uma derrota ao governo Lula, é preciso estar atento ao que sugere o voto de Moraes.

DEPENDE DA DECISÃO – “O voto dele aponta que, se o governo teve apenas uma motivação arrecadatória, isso significaria um desvio de finalidade no decreto. Por isso, o decreto pode ser considerado inconstitucional. Ainda assim, o governo pode encontrar fontes, a partir desse diálogo, para fechar as contas neste ano. Tudo depende muito da decisão que será encaminhada”, completou Noronha.

Já Graziella Testa, doutora em Ciência Política pela USP (Universidade de São Paulo) e professora da FGV (Faculdade Getúlio Vargas), não enxerga a decisão como uma anulação ao Executivo — mas admite que foi um meio encontrado para “acalmar” a relação entre os Poderes.

“Na verdade, me parece que a via judiciária foi a solução encontrada para acalmar a relação entre Congresso e Executivo. Ainda que eu entenda que a estratégia de comunicação do governo e apoiadores possa ser eticamente questionável, parece ter afetado a decisão do Congresso de voltar à mesa de negociação”, afirmou Testa à CNN.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O problema maior é que ninguém sabe o que passa pela cabeça de Moraes. Como não há obstáculos capilares, as ideias circulam numa velocidade absurda e ninguém consegue acompanhar. (C.N.)


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