sexta-feira, julho 04, 2025

Inquérito no STF que mira bolsonaristas será mantido porque fatos se multiplicaram, diz Barroso

 Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/Divulgação

Luís Roberto Barroso04 de julho de 2025 | 06:48

Inquérito no STF que mira bolsonaristas será mantido porque fatos se multiplicaram, diz Barroso

brasil

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Luís Roberto Barroso, confirmou que o tribunal decidiu manter aberto o inquérito das milícias digitais, que mira o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados.

“O problema são os fatos que se multiplicam e, portanto, levaram à prorrogação. Descobriram-se coisas novas”, declarou. A Folha revelou em junho que o inquérito seria mantido em 2026.

Barroso afirmou nesta quinta-feira (3) ao C-Level Entrevista, videocast semanal da Folha, que havia acertado com o ministro Alexandre de Moraes o encerramento do inquérito, mas os planos mudaram porque novas revelações teriam levado à necessidade de mais apurações. Segundo o ministro, o que provoca tensão atualmente não é a investigação, mas o julgamento da trama golpista.

Na entrevista, o presidente do STF declarou que não cabe discutir anistia para acusados da trama golpista antes de uma eventual condenação.

“Em linha de princípio, anistia é uma competência do Congresso Nacional”, disse ele, ressaltando que o STF poderia vir a analisar alguma medida eventualmente aprovada pelo Parlamento. Alguns colegas do ministro veem uma anistia como inconstitucional.

Barroso comentou ainda o que seria um excesso de judicialização, que leva questões políticas com frequência ao Supremo. Ele disse considerar “razoável” uma discussão para limitar o acesso de partidos menores ao tribunal, “para dar mais representatividade a essas demandas”.

O ministro concedeu a entrevista de Portugal, onde participa do Fórum de Lisboa, conhecido como “Gilmarpalooza”.

Ele disse haver uma “percepção equivocada” sobre a atuação de ministros em eventos com a participação de empresários. “Quando eu converso com os indígenas ou os quilombolas, não tem nenhum problema. Quando eu converso com empresários, as pessoas levantam todo tipo de suspeitas.”

Inquérito das milícias digitais
O ministro Alexandre [de Moraes] e eu havíamos conversado e tínhamos a ideia de que o inquérito pudesse terminar no final do ano passado ou no início desse. O problema são os fatos, que se multiplicam e portanto levaram efetivamente à provocação [do Supremo].

Julgamento da trama golpista
O grande problema, que cria ainda um ambiente menos pacificado no país, [é] o julgamento de uma suposta tentativa de golpe, que, se tiver ocorrido, se as provas confirmarem, a gente tem que julgar mesmo, porque é preciso encerrar esses ciclos da história brasileira em que quem perdia dava golpe.

Anistia pelo 8 de Janeiro
Em relação ao 8 de Janeiro, eu mesmo apoiei a modificação da legislação para reduzirem-se as penas e quase todos serem soltos. Na votação, eu votei vencido. Não acumulei [condenações pelos crimes de] golpe de Estado com abolição violenta do Estado de Direito. Eu dei penas menores dos que as que prevaleceram. E agora há um projeto sendo discutido no Congresso para fazer prevalecer esse entendimento.

Anistia na trama golpista
Eu não gosto de especular sobre o que não aconteceu. O único comentário que eu faria, em tese, é que a anistia geralmente vem depois que existe alguma punição. Anistia antes da punição eu acho que não tem precedente.

Portanto, essa discussão, se a anistia é legítima ou não, deve ser uma discussão pós-eventual condenação. Antes de eventual condenação, eu acho que essa não é uma discussão própria.

O Supremo, ao contrário até do que se difunde, costuma ser deferente para com as escolhas políticas do Congresso Nacional, inclusive a anistia política que se deu a torturadores e representantes da ditadura, embora seja um tema polêmico, o Supremo validou na ocasião, considerando que era uma decisão política legítima do Congresso Nacional.

Eu não estou antecipando um julgamento sobre eventual futura anistia, porque depende muito de outras circunstâncias, mas em linha de princípio a anistia é uma competência do Congresso Nacional.

Gilmarpalooza e proximidade com empresários
Eu recebo os representantes dos quilombolas, e ainda recentemente fui no Quilombo dos Palmares, assim como fui a Xapuri, no Acre, assim como fui a Humaitá, na Amazônia, assim como fui a Altamira, fui a Rio Branco, fui a Porto Velho. Isso não é notícia. Quando eu venho a Lisboa, é notícia.

Existe um grande preconceito no Brasil contra a livre iniciativa, porque, quando eu converso com os indígenas ou com os quilombolas, não tem nenhum problema. Quando eu converso com empresários, as pessoas levantam todo tipo de suspeitas. E os empresários são concorrentes entre si, não é homogeneidade. Eu acho que é uma percepção injusta do que acontece.

Imagem do STF
Houve um aumento expressivo da judicialização no Brasil de uma maneira geral, tanto no Supremo como nas instâncias inferiores. O Judiciário passou a ser um poder mais relevante na vida brasileira, que desagrada mais gente e que, portanto, virou alvo de mais críticas e de mais insatisfações.

Parte das críticas são justas, e a gente precisa melhorar. E outras são injustas e vêm como consequência de uma certa má vontade dos interesses que são contrariados.

Mas a gente julga questões que contrapõem agronegócio e comunidades indígenas. Um dos dois lados vai ficar insatisfeito. A gente julga questões tributárias, o governo ou o contribuinte fica insatisfeito. Todo mundo vocaliza a sua insatisfação.

Eu não me impressiono muito com pesquisas de opinião pública que criticam o Judiciário, porque a importância de um tribunal não pode ser aferida mesmo em pesquisas de opinião pública. A gente interpreta a Constituição e com frequência desagrada muita gente.

Responsabilidade das big techs
Eu considero que [o resultado do julgamento do Marco Civil da Internet] é, talvez, é o melhor tratamento jurídico que há desse tema no mundo.

Acesso de partidos ao Supremo
Você tem uma quantidade imensa de atores que podem provocar o Supremo, o que inclui todos os partidos políticos, inclui a Mesa da Câmara, a Mesa do Senado, o presidente da República, o procurador-geral da República, todas as entidades de classe de âmbito nacional, todas as confederações sindicais e a Ordem dos Advogados do Brasil […] Acho que há em tramitação uma proposta que limita, em relação aos partidos políticos, um mínimo de representantes no Congresso. Isso me parece razoável para dar talvez mais representatividade a essas demandas.

Permanência no Supremo
Olha, eu estou tão feliz no Supremo. Saiu uma notícia de que eu iria para alguma embaixada. Não é correta essa notícia. Eu não tenho nenhuma pretensão de ir para uma embaixada. Eu tenho cumprido o meu papel no Supremo da melhor forma que eu posso.

Não pretendo ir para nenhuma embaixada e posso ficar [no STF] até os 75 anos. Estou longe disso.

Quando a minha mulher estava viva e estava doente, eu realmente compartilhei com pessoas amigas que eu pensava em me aposentar depois da presidência para aproveitar a vida que ela tinha. Infelizmente, ela foi embora e essa motivação eu já não tenho. Então, não sei. Eu posso ficar até os 75 anos, vamos ver.

Adriana Fernandes, Bruno Boghossian e Julianna Sofia/FolhapressPolitica Livre

Congresso segue aprovando projetos que elevam gastos enquanto cobra cortes do governo

 Foto: Kayo Magalhães/Arquivo/Câmra

Plenário da Câmara04 de julho de 2025 | 07:35

Congresso segue aprovando projetos que elevam gastos enquanto cobra cortes do governo

brasil

Em uma semana marcada por cobranças do Congresso para que o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) corte gastos, deputados e senadores agiram na direção contrária ao seu próprio discurso e aprovaram projetos que elevam as despesas e renúncias fiscais da União.

Uma das iniciativas equipara à deficiência a fibromialgia (que causa dor crônica generalizada, sem causa inflamatória aparente) e a síndrome de dor regional complexa. A classificação abre caminho para que pessoas com essas condições tenham acesso ao BPC (Benefício de Prestação Continuada), benefício no valor de um salário mínimo (R$ 1.518) pago a idosos e pessoas com deficiência de baixa renda.

O BPC é hoje uma das principais fontes de preocupação do governo, devido ao aumento no número de beneficiários. Nos 12 meses até maio, o governo gastou R$ 121,5 bilhões com o programa, 12% a mais do que nos 12 meses anteriores, já descontada a inflação do período. O Executivo inclusive propôs no ano passado uma série de apertos nas regras de concessão, boa parte delas rejeitada pelo Legislativo.

Os indivíduos diagnosticados com as doenças agora classificadas como deficiência também terão direito a outros benefícios com impacto nas contas públicas, como isenção de IR (Imposto de Renda) sobre rendimentos e de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) na compra de veículos. Também poderão disputar vagas em concursos públicos por meio de cotas.

O projeto foi votado pelo Senado na quarta-feira (2) e segue agora para sanção de Lula, uma vez que já havia sido aprovado na Câmara. Dentro do governo, sua aprovação gerou consternação, por se dar justamente no momento em que o próprio Congresso cobra corte de gastos.

Apesar do discurso dos parlamentares, nas últimas semanas eles demonstraram inclinação distinta também em outros projetos.

Na última quarta, a CFT (Comissão de Finanças e Tributação) da Câmara aprovou um projeto que fixa em R$ 3.036 o piso salarial para trabalhadores de limpeza urbana e ainda garante aposentadoria especial para a categoria —ou seja, eles podem se aposentar mais cedo e com regras mais benevolentes, com impacto nas contas da Previdência Social.

Além disso, o piso pressiona o caixa dos municípios —muitos deles, em dificuldades financeiras. A CNM (Confederação Nacional de Municípios) estima um impacto entre R$ 4,9 bilhões e R$ 5,9 bilhões ao ano. Diante da fatura, o temor é que as prefeituras pressionem a União por algum tipo de ajuda, caso o projeto avance no Congresso. O texto ainda precisa passar por outras comissões e pelo plenário da Câmara.

O Senado também mantém na pauta um projeto que pode gerar uma fatura extra de mais de R$ 40 bilhões ao ano para o governo federal. Ele fixa em R$ 13,6 mil o piso salarial de médicos e cirurgiões dentistas para 20 horas semanais de trabalho. Além de garantir o valor mínimo aos profissionais federais, o texto ainda manda a União pagar uma complementação a estados e municípios para garantir que os funcionários desses entes recebam a mesma remuneração.

A proposta tramita na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos). Em junho, a base aliada precisou articular um pedido de vista para evitar o avanço da iniciativa. O governo conseguiu segurar, mas o texto segue na pauta da comissão —e no radar de preocupações do Executivo.

Um integrante da equipe econômica diz que a investida do Congresso para elevar despesas e renúncias fiscais “está ficando incontrolável”. Segundo esse interlocutor, num cenário como este, não há revisão de gastos que seja suficiente para equilibrar o Orçamento.

Nos últimos dias, os atritos entre Executivo e Legislativo escalaram após a derrubada do decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O governo decidiu recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para restabelecer o aumento do imposto, o que abriu uma nova crise com o Parlamento.

No decorrer do impasse, os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), defenderam cortes de gastos em diferentes ocasiões, mantra repetido por parlamentares do centrão e também da oposição.

Durante os trabalhos legislativos, porém, projetos com repercussão fiscal são votados até mesmo sem estimativa de impacto, apesar de a própria Constituição exigir que propostas que criem ou alterem despesa obrigatória ou renúncia de receitas sejam acompanhadas desses cálculos.

No caso da proposta da fibromialgia, os relatórios que embasaram a votação no plenário do Senado destacam os aspectos médicos da condição e seus efeitos sobre a pessoa —como dores, insônia, problemas de memória e concentração, ansiedade e depressão. Não fizeram menção, contudo, ao impacto orçamentário do projeto.

Na Câmara, a proposta passou pelas comissões de Saúde, de Seguridade Social e de Constituição e Justiça. O texto chegou a ser encaminhado à CFT, mas a comissão concluiu que a proposta não resultava em aumento de despesas ou renúncias, “não cabendo pronunciamento quanto à adequação financeira e orçamentária”.

Sem mais obstáculos, os deputados aprovaram o texto no plenário em setembro do ano passado, com ampla maioria: 450 votos a favor e apenas um contra, com duas abstenções. No Senado, a votação foi simbólica, sem a contagem individual de votos.

O texto aprovado define que a equiparação à deficiência dependerá de uma avaliação biopsicossocial, prevê a criação de um programa nacional de acompanhamento clínico e a criação de um cadastro. Um técnico do governo afirma que já existe hoje grande judicialização de pessoas com esse diagnóstico que buscam o benefício. A avaliação no Executivo é que o texto flexibiliza as condições de acesso e vai impactar, sim, o Orçamento.

O relator do texto no Senado, o petista Fabiano Contarato (ES), defende que a proposta reconhece a doença como uma condição que exige atenção do Estado e que atenderá 7 milhões de pessoas.

Apesar de a mudança na lei abrir caminho para o acesso ao BPC e a benefícios tributários, Contarato diz que Câmara e Senado concluíram pela ausência de impacto orçamentário.

Idiana Tomazelli e Fernanda Brigatti/Folhapress
Politica Livre

Polícia Civil prende suspeito de ataque hacker que desviou quase R$ 1 bilhão

 Foto: Leonardo Sá/Arquivo/Agência Senado

Sede do Banco Central do Brasil04 de julho de 2025 | 08:51

Polícia Civil prende suspeito de ataque hacker que desviou quase R$ 1 bilhão

economia

A Polícia Civil prendeu nesta sexta-feira, 4, um suspeito pelo ataque hacker ao sistema da C&M Software que atende o Banco Central. Ele seria funcionário de uma empresa terceirizada do BC e deu acesso, por sua máquina, ao sistema sigiloso do banco aos hackers que efetuaram o ataque.

O suspeito teria confirmado à polícia que entregou a senha de acesso para terceiros, que cometeram a fraude.

Os serviços da companhia haviam sido suspensos pelo BC após um ataque hacker afetar suas infraestruturas e prejudicar pelo menos seis instituições financeiras. O ataque, um dos maiores já registrados no sistema financeiro do País, resultou em um desvio de ao menos R$ 800 milhões na última terça-feira, dia 1º.

A C&M afirmou ter sido vítima de uma “ação criminosa externa”, originada a partir da violação do ambiente de um cliente, cujas credenciais de integração foram indevidamente utilizadas. “Não houve invasão direta aos sistemas da CMSW. Os sistemas críticos seguem íntegros e operacionais”, diz a empresa.

Segundo a prestadora de serviços, o ataque foi executado a partir de uma simulação fraudulenta de integração, em que um terceiro usou as credenciais legítimas de um cliente para acessar os serviços como se fosse uma instituição financeira autorizada.

A C&M é uma multinacional que interliga algumas instituições financeiras ao Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB), inclusive o Pix. Na quinta-feira, 3, a empresa obteve autorização do Banco Central para retomar parcialmente a prestação de serviços.

A ação criminosa prejudicou pelo menos seis instituições financeiras, como a BMP, a Credsystem e o Banco Paulista.

O BC, a Polícia Federal e a Polícia Civil de São Paulo investigam o crime.

A lista oficial das instituições financeiras afetadas não foi divulgada pelo BC, mas o Estadão confirmou que entre elas estão a BMP e a Credsystem. O Banco Paulista também confirmou que foi uma das instituições afetadas pelo ataque.

A BMP é uma instituição financeira autorizada e regulamentada pelo BC desde 2009, que atua com operações de crédito e na prestação de serviços financeiros. Já a Credsystem existe desde 1996 e oferece soluções financeiras para o varejo, com foco em classes econômicas emergentes.

Pepita Ortega/Estadão ConteúdoPolitica Livre

A conta chegou, e não é só de luz

 em 4 jul, 2025 3:38

 Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

    “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

  

O brasileiro vai começar a sentir no bolso, a partir deste mês, o impacto do aumento da tarifa de energia. O reajuste não é obra do acaso, tampouco resultado da variação climática. É consequência direta da privatização das elétricas, um processo vendido como solução mágica para os problemas do setor pelo Governo Bolsonaro, mas que agora revela sua face mais perversa: a lógica do lucro acima do interesse público.

Não fosse suficiente entregar ativos estratégicos ao capital privado, o Congresso ainda deu sua cota de colaboração ao enterrar, sem pudor, medidas provisórias do governo Lula que tentavam conter o impacto da tarifa sobre o consumidor comum.

Os que hoje bradam por responsabilidade fiscal são os mesmos que, ao privatizar o setor elétrico, repassaram à população a conta de um modelo que favorece o mercado e penaliza o cidadão.
A derrota das MPs do setor, orquestrada por um Centrão com apetite insaciável e memória curta, escancarou o desprezo de parte do Legislativo pela estabilidade social.

No embate entre os interesses da coletividade e os do lobby empresarial, venceram os de sempre. O brasileiro, mais uma vez, paga a conta — agora, com juros, encargos e bandeira vermelha. ‎

 

 

 

 

 

 

 

Absurdo! Prefeitura de São Cristóvão está mudando ruas no Bairro Jabotiana antes da decisão dos limites territoriais com Aracaju ter transitada e julgada Moradores da Rua Antônio José dos Santos, conjunto Santa Lúcia no Bairro Jabotiana, estão indignados porque a prefeitura de São Cristóvão não esperou a decisão dos limites territoriais com Aracaju e resolveu mudar os nomes das ruas através de legislação municipal. Na aprovação da lei disse que a rua “está sem denominação.” No caso desta rua desde 2009 tem a lei número 3.732 de 20 de agosto de 2009. E aí prefeita Emília? Vai acionar a Emurb para retornar ao que sempre foi enquanto espera a decisão definitiva?

 Prestação de contas A secretária de Estado da Fazenda, Sarah Tarsila, compareceu à Assembleia Legislativa para apresentar o balanço das finanças do governo no primeiro quadrimestre deste ano. Segundo ela, a Receita Total do Estado alcançou R$ 6,49 bilhões, registrando um crescimento nominal de 25,9% em relação ao mesmo período do ano passado. Ela também falou que as despesas orçamentárias somaram R$ 5,4 bilhões, um aumento de 22,5%, e justificou que esse aumento é reflexo do crescimento das despesas com pessoal, da amortização de dívidas com instituições financeiras e da ampliação dos investimentos.

Prestação de contas II A secretária fez questão de ressaltar que as finanças do Estado estão equilibradas, mas pediu atenção devido o Estado ser bastante dependente das transferências feitas pela União. “O governo tem feito um trabalho intenso para atrair novas empresas, melhorar o ambiente de negócios e aumentar sua arrecadação própria como forma de reduzir essa dependência, mas é algo que leva tempo. Equilíbrio não significa liberdade para aumentar despesas de forma descontrolada”, reforçou a secretária.

https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/a-conta-chegou-e-nao-e-so-de-luz/

Ricos x Pobres: para combater a pobreza é preciso desconcentrar a renda

 

Ricos x Pobres: para combater a pobreza é preciso desconcentrar a renda
A disputa entre ricos e pobres voltou ao debate nacional quando, ao reagir à interferência indevida do Congresso, o governo Lula ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) para manter o decreto do IOF e veio a público, em entrevistas e posts nas redes sociais, argumentando que este é um imposto que atinge principalmente os mais ricos (verdade) e a melhor opção para cumprir o arcabouço fiscal sem cortar gastos sociais (discutível). 

Em entrevistas, o presidente Lula endureceu o tom contra o Congresso, centrando o discurso no direito constitucional do governo de alterar a alíquota do IOF, o que evoluiu para apelo por “justiça tributária” nas falas de ministros como Fernando Haddad e Rui Costa. Nas redes sociais, a militância encabeçada pelo deputado Guilherme Boulos puxou o mote dos ricos x pobres ao lado da tag #CongressoInimigodoPovo.

A movimentação escalou com a divulgação da foto de Lula exibindo um cartaz pedindo a taxação dos super ricos durante as comemorações da Independência da Bahia, repostada nas redes de petistas e membros do governo, inclusive na do presidente. Ato contínuo, a imprensa passou a acusar o governo de usar a tática do “nós contra eles”, de “antecipar a disputa eleitoral” e de fomentar a “polarização”.

Para além das colunas, onde cabem opiniões e análises, a crítica foi incorporada como viés no noticiário, com reportagens explicando o caso como se a intenção do Congresso fosse apenas barrar o aumento da carga tributária “já excessiva” – e não proteger determinados setores, chantagear pela liberação das emendas parlamentares (sob escrutínio do ministro do STF, Flávio Dino) e enfraquecer o governo eleitoralmente.  

Como todos sabem, não há como entregar resultados – fator determinante da popularidade de um governo e, portanto, de seu capital político para as eleições –, com o orçamento monopolizado pelo Congresso, corroído por isenções e subsídios fiscais e sugado por super salários. Distorções que os parlamentares não pretendem corrigir, muito pelo contrário, o que não mereceu destaque no noticiário.  

A direita obviamente se aproveitou das lacunas de informação e seguiu espalhando fake news – cansei de explicar nas redes e para pessoas do meu cotidiano que o IOF não afeta o pix, por exemplo. Já o Congresso posou de vítima e acusou o governo de radicalização e de romper o diálogo, como se isso tivesse acontecido de forma unilateral, o que também foi engolido sem questionamento pela imprensa. 

Não consigo imaginar outra saída para o governo conseguir executar seus projetos sem buscar mobilizar a população – ao menos aquela parcela que historicamente vota no PT – através de sua bandeira mais duradoura: a de um governo que tem os mais pobres como prioridade.
 E aí, não tem como escapar – não há como reduzir a desigualdade sem distribuir renda em um país em que 1% da população tem rendimento médio mensal 39,2 vezes maior do que os 40% mais pobres.
O atual modelo de desenvolvimento global, do qual o Congresso e a imprensa são árduos defensores, tem concentrado riqueza na mesma medida em que aprofunda a pobreza, como comprovou um relatório divulgado pela Oxfam, ONG internacional especializada no estudo das desigualdades, coincidentemente no mesmo dia em que o Congresso derrubou o decreto do IOF. 

De acordo com o documento, nos últimos dez anos o 1% da população que compõe a elite global acumulou 33,9 trilhões de dólares, enquanto quase metade do mundo (3,7 bilhões de pessoas) vive na pobreza. Mais: o valor concentrado nas mãos dos super ricos seria suficiente para acabar com a pobreza 22 vezes – informação que viralizou nas redes sociais. É esse o placar da disputa entre ricos e pobres. 

Como disse o diretor executivo da Oxfam, Amitabh Behar, não há como falar em pobres sem falar em ricos. “Essa concentração de riqueza está sufocando os esforços para acabar com a pobreza”, explicou. Ou seja, estamos enxugando gelo.

A taxação dos super ricos é uma das propostas da Oxfam para reduzir a desigualdade, o que, aliás, tem o apoio de boa parte da população mundial: uma pesquisa realizada por essa ONG em parceria com o Greenpeace em 13 países – entre eles Brasil, Estados Unidos, África do Sul e França – mostrou que 9 em cada 10 entrevistados apoiam a taxação dos mais ricos para financiar serviços públicos – outra recomendação da Oxfam para reduzir a desigualdade – e ações contra as mudanças climáticas, que já afetam desproporcionalmente os mais pobres. 

Se quiser contribuir para o debate democrático, a imprensa tem que enfrentar com clareza a questão ricos x pobres e cobrar do governo e do Congresso mais iniciativas em direção à igualdade, em vez de fingir que os ricos não têm responsabilidade sobre a pobreza ou circunscrever a questão à disputa eleitoral. 

Até o momento, com honrosas exceções, também o jornalismo está perdendo o jogo.


Marina Amaral
Diretora Executiva da Agência Pública
marina@apublica.org 

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