domingo, abril 06, 2025

Ministério Público pede fim de ação criminal movida por Deolane Bezerra após ser acusada de tráfico; entenda

 

Ministério Público pede fim de ação criminal movida por Deolane Bezerra após ser acusada de tráfico; entenda
Foto: Instagram

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra está com uma nova dor de cabeça na Justiça. Desta vez, o Ministério Público do Rio de Janeiro se pronunciou sobre a ação criminal apresentada pela blogueira contra o influenciador Rafael Murmura por calúnia e difamação, após ser associada a organizações criminosas, roubos e tráfico de drogas.

 

De acordo com a colunista Fábia Oliveira, do site Metrópoles, o MP entende que Deolane perdeu o direito de dar continuidade à ação devido à decadência, isto é, um prazo legal de seis meses para regularizar a queixa, após tomar conhecimento do suposto crime.

 

No caso de Deolane, a blogueira foi informada pela promotora responsável pelo caso que o prazo expiraria no dia 1º de fevereiro de 2025, no entanto, a defesa de Deolane só fez as alterações processuais no 17 de fevereiro, 16 dias depois do prazo.

 

Vale Lembrar que Murmura foi condenado a pagar R$ 15 mil em indenizações para Deolane Bezerra por conta das mesmas acusações. 

 

Segundo a publicação, caso o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aceite o entendimento do MP, a ação de Deolane será arquivada, e o influenciador não poderá ser responsabilizado criminalmente pelas acusações.

Motta prioriza bastidores, desfaz ‘trator’ de Lira e comanda menos da metade das sessões

 Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Arquivo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)06 de abril de 2025 | 08:00

Motta prioriza bastidores, desfaz ‘trator’ de Lira e comanda menos da metade das sessões

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Mais afeito às costuras de bastidores do que à atividade no plenário, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), presidiu menos da metade das sessões em dois meses no novo cargo. Das 23 reuniões deliberativas realizadas nesse período, ele participou de apenas 10.

Aliados argumentam que Motta se dedicou a reorganizar a Casa e resolver os impasses sobre o Orçamento. Junto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), ele articulou um acordo com o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), no final de fevereiro para dar transparência às emendas parlamentares e divulgar de forma individualizada o autor de cada indicação.

A falta de uma agenda mais robusta no plenário, contudo, abriu caminho para que o projeto de anistia aos acusados dos ataques de 8 de janeiro tenha se tornado a pauta central da Câmara desde fevereiro, na opinião de deputados de esquerda, centro e oposição ouvidos pela reportagem.

O PL e o ex-presidente Jair Bolsonaro fazem pressão diária para que o texto seja votado no plenário. Na última semana, o partido tentou obstruir a pauta para forçar Motta a se decidir sobre o tema.

Para dois líderes partidários, a falta de projetos polêmicos ou de maior impacto fez com que a Câmara se concentrasse em discutir a anistia e deixasse de pautar o debate na sociedade. A atuação de Motta no tema, inclusive, demonstraria a forma com que o novo presidente deve conduzir a Câmara nos próximos dois anos.

O presidente da Casa tem evitado antecipar o que fará com o projeto da anistia e, diante da pressão dos bolsonaristas, fez uma articulação nos bastidores para que os líderes partidários não assinassem o requerimento de urgência para o tema. Com isso, o PL terá de coletar no varejo as assinaturas e todo o processo será mais lento.

Desde que o deputado paraibano substituiu o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), 62 projetos foram votados no plenário. Metade eram acordos internacionais, que não costumam causar debates e geralmente são analisados às quintas-feiras, dia de menor atividade no Congresso.

Além disso, a Câmara priorizou projetos de consenso, como a proteção de crianças e adolescentes contra violência patrimonial (a Lei Larissa Manoela) e o projeto da reciprocidade de regras ambientais e comerciais nas relações do Brasil com outros países, que uniu a bancada ruralista ao governo Lula (PT).

O próprio Motta tem buscado explorar o tom de conciliação em seus discursos. Na última semana, num recado velado ao PL, no dia em que a Casa aprovou o projeto da reciprocidade, ele afirmou: “Este episódio entre os EUA e o Brasil deve nos ensinar definitivamente que, nas horas mais importantes, não existe Brasil de esquerda ou Brasil de direita”.

A pauta mais simples se expressa até na ausência do presidente em muitas sessões de plenário: das 133 horas e 44 minutos desde fevereiro, Motta presidiu os debates durante apenas 10 horas e 8 minutos.

O presidente da Casa teria começado a corrigir a falta de uma agenda mais robusta de projetos com a criação de comissões especiais para os projetos de ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, do Plano Nacional de Educação e da regulamentação da inteligência artificial. Serão instalados colegiados específicos para discutir cada tema.

Essa é uma diferença em relação a Lira. O ex-presidente era avesso às comissões especiais e preferia criar grupos de trabalho para debater os projetos, modelo que não está previsto no regimento e que permitia que ele escolhesse sozinho os deputados que participavam das discussões, incluindo presidente e relator. Foi o que fez, por exemplo, com a reforma tributária.

Embora os dois sejam aliados, Motta procurou, de forma discreta, desconstruir em seus dois primeiros meses os ritos que fizeram com que Lira fosse acusado por deputados de esquerda e de direita de “tratorar” o plenário –o que o ex-presidente da Câmara sempre negou, com o argumento de que tudo era combinado com líderes dos partidos.

Entre as mudanças em relação a seu antecessor, estabeleceu que a pauta do plenário seja decidida em reuniões às quintas-feiras e que os pareceres sobre os projetos sejam divulgados na semana anterior à votação. No fim da gestão de Lira, era comum que a pauta só se tornasse conhecida minutos antes do início das votações.

Além disso, o novo presidente determinou que, às quartas-feiras, entre 16h e 20h, as sessões exijam a presença dos deputados em plenário. Desde a pandemia, era autorizado que eles votassem exclusivamente pelo celular, o que fazia com que muitos não acompanhassem as sessões e sequer estivessem em Brasília.

Embora tenha adotado a prática de convocar todos os líderes, Motta tem um grupo mais próximo, o que vem causando críticas nos bastidores. As principais decisões são compartilhadas com os líderes do PP, Luizinho Teixeira (RJ), e do MDB, Isnaldo Bulhões (AL), além de Lira e do presidente do PP, o senador Ciro Nogueira (PI).

Motta também consulta um rol mais amplo de líderes, que representam os maiores partidos, como PT, PL, PSD e União Brasil, para assuntos sobre a pauta. Há queixas, porém, de que as decisões são tomadas junto com a “santíssima trindade” (Luizinho, Isnaldo e Lira) e chegam prontas para a ratificação dos demais.

Aliados de Motta dizem que ainda é incerto como ele conseguirá manter o equilíbrio de uma Casa polarizada e pressionada, sobretudo em pautas bolsonaristas. Com o STF, ele conseguiu pacificar a relação após o acordo das emendas.

Com o governo Lula, ele tem buscado uma relação mais próxima do que Lira –que chegou a insultar o então ministro responsável pela articulação política, Alexandre Padilha (PT). Ele também tem participado de eventos com o petista, como a viagem ao Japão e ao Vietnã, acompanhado de ministros.

Outra prática que o novo presidente reverteu de seu antecessor foi permitir a volta das comissões mistas com o Senado para votar as medidas provisórias. As MPs têm força de lei a partir de sua publicação, mas o governo tinha dificuldades em usá-las desde uma briga entre Lira e Rodrigo Pacheco (PSD), ex-presidente do Senado, que levou à derrubada de várias delas.

Alguns líderes avaliam que Motta ainda demonstra certa fragilidade, sobretudo diante de bolsonaristas. Seus aliados defendem, contudo, que o presidente tem pulso e é mais habilidoso do que Lira. Aos 35 anos, o deputado é o mais jovem da história a comandar a Casa.

Em uma das sessões do plenário que deixou de presidir, quando fazia reuniões em seu gabinete, Motta foi chamado às pressas ao auditório. Ele voltou à cadeira para dizer que não é frouxo e que será mais combativo que o antecessor.

Os deputados, que pouco antes estavam inviabilizando o debate com tumulto, aplaudiram a declaração de Motta.

Procurado por meio de sua assessoria, Motta não quis se manifestar sobre os dois primeiros meses de gestão.

Raphael Di Cunto/Marianna Holanda/Folhapress

‘Guerra do batom’ se torna pivô de projeto de anistia a golpistas do 8/1 e expõe o STF como alvo

 Foto: Reprodução/Processo judicial

A baiana Débora Rodrigues dos Santos picha a estátua da Justiça, na praça dos Três Poderes, com a frase 'perdeu, mané'06 de abril de 2025 | 09:00

‘Guerra do batom’ se torna pivô de projeto de anistia a golpistas do 8/1 e expõe o STF como alvo

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Em um vídeo publicado nas redes sociais, a ex-primeira dama Michelle Bolsonaro (PL) convocou a militância bolsonarista para o ato a favor da anistia aos golpistas que invadiram a sede dos três Poderes em 8 de janeiro de 2023.

Uma música épica serviu de trilha sonora para o texto, recitado à maneira de um jogral por apoiadoras do ex-presidente. Todas vestiam camisa branca com o dizer “Anistia Já!”, escrito com batom, e incentivavam que as mulheres fossem à avenida Paulista, neste domingo (6), empunhando sua maquiagem.

Era uma referência ao caso de Débora Rodrigues dos Santos, acusada de cinco crimes: tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, dano ao patrimônio tombado, dano qualificado com violência e associação criminosa armada.

Ela ficou conhecida por ter pichado a estátua diante do STF (Supremo Tribunal Federal) durante os ataques golpistas e virou símbolo da defesa de anistia pela oposição no Congresso. Para especialistas, seu caso reflete também a maneira como o Judiciário virou um alvo político na história recente do país.

“A razão da anistia é deixar essa história que a esquerda insiste em resgatar para trás. O governo Lula é atrapalhado, falar em tentativa de golpe é cortina de fumaça para a falta de liderança do PT”, diz a deputada federal Rosana Valle (PL-SP), que participou do vídeo.

“Os bolsonaristas estão usando Débora para ter uma comoção, são milhares de mulheres presas no país. Não pode haver anistia, porque a impunidade deixa um recado de que é possível dar golpe”, diz a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP).

Nascida em Irecê, na Bahia, Débora, de 39 anos, mora em Paulínia (SP), a 117 km da capital paulista. Ela é casada, tem dois filhos —um de 11 anos e outro de 8— e concluiu um curso, há quase duas décadas, para trabalhar como cabeleireira. Em depoimento à Polícia Federal, disse ter pagado R$ 50 do próprio bolso para viajar de ônibus do interior paulista até o Distrito Federal.

Ela ficou um dia acampada em frente à sede do Quartel-General do Exército e, no dia da invasão, caminhou oito quilômetros até a praça dos Três Poderes. Chegando lá, disse ter avistado um homem tentando pichar a estátua do STF com o dizer “perdeu, mané” e resolveu ajudá-lo, relata a denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República).

Naquele contexto, a frase “perdeu, mané” fazia referência à fala do ministro do STF, Luís Roberto Barroso, dita a bolsonaristas que o hostilizaram, durante uma viagem a Nova York, logo depois das eleições presidenciais de 2022.

A cabeleireira passou dois anos presa em Rio Claro, no interior paulista, e chegou a enviar uma carta, pedindo desculpas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, que negou à sua defesa nove pedidos de liberdade provisória.

O ministro ainda votou pela condenação dela a 14 anos de prisão, com uma multa de R$ 50 mil. O ministro Flávio Dino acompanhou o voto, e Luiz Fux pediu vistas, suspendendo o julgamento no último dia 24.

No dia 28, Moraes decidiu por conceder prisão domiciliar a Débora. Bolsonaro viu, na decisão do ministro, um “recuo tático”, acreditando ser desmedida a pena de 14 anos de prisão.

Paulo Ramiro, professor de sociologia da ESPM (Escola Superior de Marketing e Propaganda), diz que a ação da cabeleireira não é só uma pintura em um monumento: tem peso simbólico, antes das consequências políticas e jurídicas.

“É uma afronta aos Poderes instituídos e uma tentativa de passar por cima das leis”, diz ele, lembrando a importância da escultura “A Justiça”, criada em 1961 pelo artista plástico mineiro Alfredo Ceschiatti. A obra reproduz a deusa romana Justiça, que corresponde, na tradição da mitologia grega, a Dice. Estilizada, a escultura tem os olhos vendados, numa representação da imparcialidade do Judiciário.

Segundo Ramiro, a atitude de Débora se inscreve no contexto do neopopulismo, ascendente na América Latina. Essa forma de exercer o poder, diz o pesquisador, transmite aos apoiadores a crença de que as instituições não têm legitimidade para exercer as suas funções. Ramiro diz que, na origem do problema, a pichação da estátua significa uma politização do Judiciário.

Ele afirma que Bolsonaro atacou o STF ao longo de seu mandato porque a corte precisou se expor para julgar temas sobre os quais o Legislativo evita debater, como as pautas de comportamento, caras à militância do ex-presidente. “Diante de um Congresso pouco atuante, o STF se politiza”, afirma Ramiro.

Nesse desequilíbrio entre os Poderes, a democracia brasileira se fragiliza, tornando-se mais suscetível a arroubos autoritários. Professor de ciências políticas da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Paulo Henrique Cassimiro concorda que a politização do Judiciário tem sido um problema para a democracia brasileira.

“A frase de Barroso já é um equívoco. Ele não tinha de falar aquilo, mesmo hostilizado”, diz, acrescentando que o caso da cabeleireira será usado por bolsonaristas para votar o projeto sobre a anistia.

“Ao isolar o caso de uma tentativa de golpe, é mais fácil fazer parecer que há um exagero na pena dela”, afirma o pesquisador. “Os militares de 1964 nunca foram responsabilizados por seus atos. Não anistiar os golpistas de 2022 pode marcar um ponto de virada para a democracia”.

No início da última semana, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do PL na Câmara, disse avaliar a candidatura de Débora nas eleições de 2026, como um símbolo da luta por liberdade de expressão.

Do outro lado, a esquerda também passou a explorar a simbologia do batom. Em um evento realizado para lembrar a data do golpe militar, petistas passaram a defender a mobilização popular nas ruas, sugerindo a apropriação da maquiagem pela militância feminina.

Ecoando a fala de José Dirceu e José Genoino, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, líder do grupo Prerrogativas, que é alinhado ao governo Lula, afirmou que o batom deveria simbolizar a situação de milhares de mulheres, encarceradas no “sistema penitenciário medieval” do país.

Para Gabriela Zancaner Bandeira de Mello, professora de direito constitucional da PUC-SP, a politização do Judiciário sempre existiu, embora o STF tenha precisado atuar em temas que o Congresso poderia legislar. “Não acho que seja grande a pena de 14 anos para Débora”, diz Bandeira de Mello.

A especialista tampouco pensa que Moraes entrou em contradição ao conceder a prisão domiciliar para a acusada. Para ela, o ministro reconhece que a ré não pode ser penalizada pela demora do julgamento.

“Não se deve ter anistia. A nossa democracia ainda não está consolidada. Passamos por dois impeachments e uma tentativa de golpe de Estado”, afirma.

Gustavo Zeitel/Folhapress

Motta será alvo de ataques em ato pró-anistia de Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo

 Foto: Mário Agra/Câmara dos Deputados/Arquivo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB)06 de abril de 2025 | 09:40

Motta será alvo de ataques em ato pró-anistia de Bolsonaro na avenida Paulista, em São Paulo

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), será alvo de ataques de bolsonaristas neste domingo (6) no ato pró-anistia aos réus do 8/1, que beneficia também Jair Bolsonaro.

“Vamos centrar fogo nele e no [ministro do STF] Alexandre de Moraes”, afirma o pastor Silas Malafaia, que organiza a manifestação.

Ele diz que recebeu informes de parlamentares que dizem que o maior empecilho hoje à anistia tem nome e sobrenome: Hugo Motta. O presidente da Câmara teria pedido para os líderes dos partidos do Centrão não assinarem o pedido para que o projeto fosse votado em regime de urgência.

“Vamos botar para rachar em cima”, segue o religioso. “O povo é o poder, e quando o povo pressiona, ninguém resiste”.

Malafaia afirma que Hugo Motta tem influência sobre os líderes partidários “porque é o presidente da Câmara que distribui as emendas [com recursos do orçamento] para eles”.

O ato da avenida Paulista está sendo considerado crucial para que a anistia avance. Sete governadores confirmaram presença.

Ele vai mostrar se Bolsonaro ainda mantém força para mobilizar multidões, como fazia quando estava na Presidência da República.

A manifestação pró-anistia no Rio de Janeiro, em março, levantou dúvidas sobre essa capacidade.

O Monitor do Debate Político no Meio Digital, ligado à USP, estimou que 18,3 mil pessoas participavam do ato em seu ápice.

A PM do Rio de Janeiro, comandada pelo governador Cláudio Castro, aliado de Bolsonaro, divulgou que 400 mil se reuniram em torno do ex-presidente. O número foi colocado em dúvida inclusive nas análises que o núcleo mais duro de apoio ao ex-presidente fez da manifestação.

Segundo o Datafolha, o ato atraiu 30 mil pessoas.

Mônica Bergamo/Folhapress

Bolsonaro não tem na direita a mesma fidelidade que a esquerda dedica a Lula

Publicado em 5 de abril de 2025 por Tribuna da Internet

Um homem em um evento público, com expressão séria, segurando o queixo com a mão. Ele está vestido com um terno escuro e uma gravata azul clara. Ao fundo, há outras pessoas e uma estrutura arquitetônica com linhas horizontais.

Jair Bolsonaro tem muito motivos para estar preocupado

Dora Kramer
Folha

Não é de uma hora para outra que se vai da luz à sombra. No caso do ex-presidente, contudo, começam a ser notados os sinais de que pode até não querer “passar o bastão” em vida física, mas na política o cajado já lhe foge às mãos.

Quanto mais se firma a evidência de uma condenação que lhe acrescente anos de inelegibilidade aos oito aplicados pela Justiça Eleitoral e à perda dos direitos políticos, maior é a desenvoltura dos seus ainda aliados no engajamento à sua substituição como candidato.

O STF mal iniciara o julgamento da tentativa de golpe de Estado e atos correlatos quando três fidelíssimos integrantes do entorno do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) admitiram concorrer ao Palácio dos Bandeirantes em 2026.

SUAS CREDENCIAIS – No espaço de dois dias, Gilberto Kassab (PSD), secretário de Governo, o prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB), e o presidente da Assembleia Legislativa, André do Prado (PL), apresentaram suas credenciais. Claro, “caso” Tarcísio desista da reeleição e decida disputar a Presidência.

A julgar pela inflexão da carruagem, parece que pode mesmo vir a ser o caso.

Réu cujas ações serão esmiuçadas nos próximos meses, Bolsonaro não tem o mesmo valor, de resto em via de desidratação desde o fim da Presidência.

VIÉS DE BAIXA – Ao fim da fase em que as peças eleitorais se mexem e iniciado o período em que se encaixam, daqui a mais ou menos um ano, valerá ainda menos, ante a condenação quase certa.

E não adianta pensar na repetição da estratégia de Lula em 2018. Por vários motivos: Bolsonaro não tem o mesmo capital político do petista, não domina sozinho o campo da direita emergente nem conta com a contrapartida da lealdade, porque não soube dedicá-la a vários dos seus, jogados ao mar ao menor sinal de aproximação dos tubarões.

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TCM aponta má gestão em Jeremoabo

Matéria completa: portaldafeira.com.br https://www.portaldafeira.com.br/noticia/153979/tcm-aponta-ma-gestao-em-jeremoabo                  ht...

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