terça-feira, outubro 01, 2024

Ao atacar Israel, o Irã agora corre o risco de enfrentar também os Estados Unidos

Publicado em 1 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

Irã ameaça dar 'resposta esmagadora' a Israel, caso país revide contra ataque de mísseis | O Tempo

Irã ataca Israel lançando cerca de 180 mísseis à noite

Igor Gielow
Folha

O violento ataque que despedaçou a cúpula do Hezbollah, a começar pelo homem que tornou o grupo fundamentalista libanês numa potência regional, é uma vitória tática indiscutível para Israel e uma redenção parcial para Binyamin Netanyahu. Há quase um ano, o premiê viu sua política de tentar dividir os palestinos estrangulando a Autoridade Nacional na Cisjordânia e abrindo cofres seus e do Qatar para o Hamas render o mais horrendo ataque a Israel na história.

Agora, pode falar com certa hipérbole, mas não sem motivos, que está conduzindo o Oriente Médio a uma nova configuração. Em vez da reconciliação buscada há 30 anos por Ytzhak Rabin, a paz de Netanyahu é forjada a fogo.

GANHOU PONTOS – O premiê continua sendo uma figura amplamente odiada, em especial por seu fracasso na questão dos reféns. Mas ganhou pontos, não menos por causa da percepção de que o Hezbollah teria de ser confrontado alguma hora.

Isso não torna esses ganhos permanentes, por óbvio. Em termos puramente militares, Israel parece extremamente cauteloso em relação à sua invasão do Líbano. Há motivos históricos para isso, dado que é um filme antigo que se vê nas telas de celular hoje.

Em 1978, Tel Aviv invadiu o sul do Líbano até a o rio Litani para expulsar as forças da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) que de lá operavam ataques contra Israel. Alguém falou Hezbollah? Pois então, o grupo xiita nem era nascido e a questão já estava colocada.

MILÍCIAS CRISTÃS – Bem-sucedido, apesar de reveses como um massacre de represália perto de Tel Aviv, o governo israelense acabou saindo e deixando a segurança na mão de um aliado, o Exército do Sul do Líbano, formado por milícias cristãs que lutavam na guerra civil do país árabe.

O cenário, como se vê, era mais matizado ainda do que agora, mas alguns elementos subsistem. A Unifil, a impotente força da ONU para o sul libanês, foi formada naquele ano para em tese estabilizar a região.

Quatro anos depois, ainda atrás de Yasser Arafat e os seus, Israel atacou novamente, chegando desta vez até Beirute. Entre idas e vindas, ficou 18 anos em solo libanês, vendo nascer no processo o Hezbollah por meio do Irã, que em 1979 virou uma república fundamentalista islâmica e passou a exportar seu modelo.

MODIFICAÇÃO – O grupo, formado em 1982 no vale do Bekaa pelos minoritários xiitas libaneses com a mão do Irã por trás, era um grupo lateral nessa história até a chegada de Hassan Nasrallah ao poder, cortesia do assassinato de seu antecessor por um míssil israelense em 1992.

O fracasso do acordo de retirada israelense em 2000, com o Hezbollah tornando o sul libanês numa base de lançamento de mísseis e foguetes contra Israel, ajudou a formar o quadro atual. No meio do caminho, em 2006, a guerra entre os rivais encerrada em empate levantou a moral dos extremistas.

Com o ataque do Hamas falhando em levar a uma operação frontal no norte pelo Hezbollah, surgiram dúvidas acerca das capacidades e da disposição dos libaneses. O pé no freio, ironicamente, estava em Teerã, que comanda a rede de rivais de Israel e dos EUA na região.

MORTE DO SUCESSOR – Enfraquecida por crises social e econômica, a teocracia viu o sucessor presumido do líder supremo, o presidente Ebrahim Raisi, morrer num estranho acidente de helicóptero em abril.

Isso explica o dilema do Irã, que foi encurralado pela velocidade com que Israel apertou o torniquete no pescoço do seu maior ativo regional.

Ao sair da retórica e voltar a atacar Israel com mísseis na noite desta terça-feira (1º), o Irã agora arrisca-se a ver o peso de Tel Aviv e de Washington combinados contra si — no mínimo, perderiam seu precioso programa nuclear.

Em apenas um ano, Israel conseguiu “apagar” Gaza do mapa do Oriente


Satélites mostram que Gaza foi 'apagada' do mapa em um ano

Pode-se dizer que Gaza praticamente toda virou pó

Jamil Chade
Do UOL

Praticamente um ano depois da eclosão do conflito entre o Hamas e Israel, um levantamento realizado pela ONU usando satélites revela uma destruição generalizada de Gaza, a aniquilação de 90% dos ativos agrícolas, a queda de 81% no PIB do local e o fechamento de oito de cada dez empresas. “A velocidade e a escala da matança e da destruição em Gaza são diferentes de tudo o que aconteceu em meus anos como secretário-geral”, afirmou António Guterres, chefe da ONU há uma década. Mais de 40 mil pessoas morreram, enquanto outros 100 mil foram feridos.

Os informes estão sendo publicados enquanto o mundo caminha para marcar um ano dos ataques do Hamas de 7 de outubro e que deram início a uma operação sem precedentes por parte de Israel.

INFORME DA ONU – No total, 66% de edifícios foram danificados na Faixa de Gaza e representam um total de 163.778 estruturas. “Isso inclui 52.564 estruturas que foram destruídas, 18.913 gravemente danificadas, 35.591 estruturas possivelmente danificadas e 56.710 moderadamente afetadas”, indicou o informe da ONU. A análise tem como base as imagens de satélite de altíssima resolução coletadas em 3 e 6 de setembro de 2024.

A região mais afetada em geral é a província de Gaza, com 46.370 estruturas atingidas. A Cidade de Gaza foi notavelmente afetada, com 36.611 estruturas destruídas.

O Centro de Satélites das Nações Unidas (Unosat), em colaboração com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), também divulgou dados que revelam a destruição no campo. “Aproximadamente 68% dos campos de cultivo permanentes na Faixa de Gaza apresentaram um declínio significativo em termos de saúde e densidade em setembro de 2024”, afirmou.

FALTA APOIO – “As análises baseadas em imagens de satélite realizadas pela Unosat documentam a destruição generalizada e destacam a necessidade de apoio da população afetada”, alertou o informe.

Nikhil Seth, diretor executivo do departamento da ONU, destaca que as imagens apresentam “análises objetivas” e “têm sido vitais para os esforços de resposta humanitária e para melhorar a compreensão da comunidade global sobre o impacto do conflito na infraestrutura civil.

De acordo com a ONU, a destruição não é só física. O impacto combinado da operação militar em Gaza e suas repercussões na Cisjordânia provocaram um “choque sem paralelo” sobre a economia palestina.

SEM PRODUZIR – “No início de 2024, entre 80% e 96% dos ativos agrícolas de Gaza – incluindo sistemas de irrigação, fazendas de gado, pomares, maquinário e instalações de armazenamento – haviam sido dizimados, prejudicando a capacidade de produção de alimentos da região e piorando os já altos níveis de insegurança alimentar”, alertou a entidade.

A destruição também atingiu duramente o setor privado, com 82% das empresas danificadas ou destruídas. “Os danos à base produtiva continuaram a se agravar à medida que a operação militar persiste”, diz.

Como resultado, o Produto Interno Bruto (PIB) de Gaza despencou 81% no último trimestre de 2023, levando a uma contração de 22% em todo o ano. Em meados de 2024, a economia de Gaza havia encolhido para menos de um sexto de seu nível de 2022.

O Eleitor de Jeremoabo Clama por um Debate Ético e Propositivo


 Por analogia da mesma forma que o Presidente Lula que também é do PT foi descondenado, o candidato a prefeito Tista de Deda também foi DESCONDENADO., ficando livre para disputar qualquer cargo público..


Esse meu comentário traz uma crítica contundente à situação política de Jeremoabo, especialmente em relação a um candidato que, apesar de ser réu em vários processos de improbidade administrativa, parece estar recebendo apoio indevido e desproporcional de figuras políticas importantes, como o governador da Bahia. Simplesmente expresso indignação, classificando a candidatura como uma "piada mal contada" e uma afronta à inteligência do povo.

Esse tipo de situação, em que a ética política é questionada, aponta para a fragilidade das instituições democráticas quando figuras públicas, ao invés de promoverem o bem comum e respeitarem os processos legais e morais, optam por alianças e conchavos que colocam em xeque os valores republicanos. O apoio a candidatos com histórico duvidoso gera desconfiança na população, que se sente traída por aqueles que deveriam zelar pelo bem-estar e progresso de todos.

A crítica também se estende ao uso inadequado das redes sociais para atacar opositores ao invés de debater ideias e propostas concretas, o que reflete um esvaziamento da política em favor do personalismo e do uso de estratégias de intimidação. O que está em jogo aqui é a credibilidade das lideranças políticas e o respeito ao processo eleitoral, que deveria ser conduzido de forma ética, justa e, acima de tudo, em benefício da população.

O eleitor de Jeremoabo, como em qualquer democracia madura, espera um bom combate político, pautado em propostas e na ética. O povo quer ver debates construtivos, onde as ideias e soluções para os problemas da cidade sejam o foco, e não ataques pessoais ou práticas de intimidação. A população merece respeito, e espera que os candidatos mostrem compromisso com o desenvolvimento da cidade, apresentando projetos viáveis e um comportamento exemplar. Afinal, é através de um debate saudável e respeitoso que se constrói uma verdadeira democracia.

Por fim, o texto ressalta a responsabilidade do governador em manter uma postura republicana e democrática, ajudando a todos os candidatos, independentemente de seu partido, uma vez que sua função é governar para todos os cidadãos baianos, e não para interesses particulares ou partidários. A confiança no processo democrático só pode ser restaurada quando há uma real separação entre interesses pessoais e o compromisso com a coletividade.

Artigo: A Crise Política em Jeremoabo: O Abandono do Candidato do PT pelos Próprios Correligionários

 A eleição municipal em Jeremoabo, Bahia, ganhou contornos dramáticos com o episódio que envolve o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fábio da Farmácia. Em um cenário político conturbado, ele parece estar enfrentando um isolamento crescente, sendo abandonado tanto pelo governador do estado, também do PT, quanto pelo ex-governador e Chefe da Casa Civil da Presidência da República, ambos figuras de destaque dentro do partido. A situação lança uma sombra sobre a viabilidade de sua candidatura e sobre o que realmente representa sua proposta de "mudança" para o município.

O Debate e o Ausente

Recentemente, a ausência do candidato Tista de Deda no debate municipal acendeu ainda mais as especulações sobre a fragilidade da campanha de Fábio da Farmácia. A questão central que emerge é: debater o quê e com quem, se o candidato que deveria representar o PT no município parece estar sem apoio das figuras mais importantes do partido no estado?

Fábio da Farmácia, atual vice-prefeito de Jeremoabo, busca se apresentar como o candidato da renovação e mudança. No entanto, ele não consegue esconder a realidade de que, mesmo dentro do seu próprio partido, há sinais claros de rejeição. Tanto o governador do estado quanto o ex-governador não demonstram apoio à sua candidatura. Essa falta de respaldo por parte das lideranças do PT levanta uma dúvida importante: como pode um candidato buscar liderar uma cidade sem o apoio dos próprios líderes que deveriam fortalecê-lo?

O Passado Compromete o Futuro

Fábio da Farmácia, ao longo da atual gestão do prefeito Deri do Paloma, esteve presente em diversas ações e atividades governamentais. Vídeos circulam pelas redes sociais mostrando sua ativa participação ao lado de Deri em obras, eventos e promessas de governo. A pergunta que os eleitores de Jeremoabo se fazem é: se ele foi parte integrante da administração atual, por que somente agora, às vésperas da eleição, ele decide se distanciar e adotar um discurso de mudança?

A rejeição ao apoio do governador e do ex-governador pode ser vista como reflexo dessa dualidade. Para as lideranças do PT, Fábio talvez não seja visto como o candidato capaz de representar uma verdadeira renovação ou de consolidar os princípios defendidos pelo partido. Ele, que nunca havia se manifestado publicamente contra a gestão de Deri, agora tenta se colocar como uma alternativa, mas carrega consigo o peso de anos de conivência e omissão.

O Peso da História e a Sabedoria Popular

Na entrevista concedida à emissora de rádio Barris, Fábio da Farmácia trouxe à tona a narrativa de que Jeremoabo tem sido comandada por duas famílias: a de Tista de Deda e a de Deri do Paloma. De fato, ambos foram eleitos democraticamente, mas a tentativa de Fábio de se distanciar dessas figuras soa contraditória quando se analisam os anos em que ele esteve ao lado do prefeito Deri. Sua participação ativa em diversas decisões e a falta de críticas públicas à administração reforçam a ideia de que sua candidatura carece de autenticidade.

Além disso, o discurso de Fábio a respeito dos problemas da cidade – como o hospital que não funciona, a educação deficiente e as estradas precárias – vem tarde demais. Como vice-prefeito, ele teve oportunidades e canais, como a Câmara Municipal e a mídia local, para se manifestar e propor soluções. Porém, sua inércia durante o mandato coloca em xeque sua capacidade de liderança e de promover as mudanças que agora promete.

A Escolha do Eleitor

O eleitorado de Jeremoabo, ciente dos acontecimentos e com acesso a informações sobre o passado e o presente das lideranças políticas da cidade, parece cada vez mais cético em relação à candidatura de Fábio da Farmácia. A rejeição do próprio partido, somada à sua participação no governo anterior sem quaisquer críticas, deixa claro que sua promessa de mudança não é convincente.

No dia 6, os eleitores de Jeremoabo farão sua escolha não apenas com base no que ouvem, mas no que viram ao longo dos últimos anos. O candidato do PT, que não conta com o apoio das lideranças estaduais e federais do próprio partido, enfrenta um desafio quase insuperável. E, como diz o ditado, "contra fatos não há argumentos". A população terá a oportunidade de decidir o futuro da cidade com base na razão e na história que cada candidato carrega consigo.

A eleição em Jeremoabo será um momento de reflexão e decisão importante, em que a população terá que escolher não apenas um nome, mas um projeto real de desenvolvimento para o município. Fábio da Farmácia, por ora, parece ser mais uma peça isolada em um tabuleiro político do que uma verdadeira liderança capaz de trazer as transformações que Jeremoabo tanto precisa.


A Queda do Candidato do PT em Jeremoabo: Isolado Pelos Próprios Aliados



 




ELEIÇÕES 2024: DEBATE COM OS CANDIDATOS A PREFEITO DE JEREMOABO

Maquiavel e a autonomia da política


O intelectual Nicolau Maquiavel tratou principalmente sobre política na obra “O príncipe”, descrevendo como o governante deveria agir e quais virtudes deveria ter a fim de se manter no poder e aumentar suas conquistas.

Maquiavel ensinou como o governante deveria agir e quais virtudes deveria ter a fim de se manter no poder e aumentar suas conquistas

Maquiavel ensinou como o governante deveria agir e quais virtudes deveria ter a fim de se manter no poder e aumentar suas conquistas 



"Nicolau Maquiavel, nascido na segunda metade do século XV, em Florença, na Itália, trata-se de um dos principais intelectuais do período chamado Renascimento, inaugurando o pensamento político moderno. Ao escrever sua obra mais famosa, “O Príncipe”, o contexto político da Península Itálica estava conturbado, marcado por uma constante instabilidade, uma vez que eram muitas as disputas políticas pelo controle e manutenção dos domínios territoriais das cidades e estados.


Conhecer sua trajetória como figura pública e intelectual é muito importante para que as circunstâncias nas quais este pensador pensou e escreveu tal obra sejam compreendidas. Maquiavel ingressou na carreira diplomática em um período em que Florença vivia uma República após a destituição dos Médici do poder. Contudo, com a retomada dessa dinastia, Maquiavel foi exilado, momento em que se dedicou à produção de “O Príncipe”. Esta sua obra seria, na verdade, uma espécie de manual político para governantes que almejassem não apenas se manter no poder, mas ampliar suas conquistas. Em suas páginas, o governante poderia aprender como planejar e meditar sobre seus atos para manter a estabilidade do Estado, do governo, uma vez que Maquiavel conta sucessos e fracassos de vários reis para ilustrar seus conselhos e opiniões. Além disso, para autores especializados em sua vida e obra, Nicolau Maquiavel teria escrito esse livro como uma tentativa de reaproximação do governo Médici, embora não tenha logrado êxito num primeiro momento.


Outro fator fundamental para se estudar o pensamento maquiaveliano é o pano de fundo da Europa naquele período, do ponto de vista das ideologias e do pensamento humano. Ao final da Idade Média, retomava-se uma visão antropocêntrica do mundo (que considera o homem como medida de todas as coisas) presente outrora no pensamento das civilizações mais antigas como a Grécia, a qual permitiu o despontar de uma outra ideia política, que não apenas aquela predominante no período medieval. Em outras palavras, a retomada do humanismo iria propor na política a “liberdade republicana contra o poder teológico-político de papas e imperadores”, como afirma Marilena Chauí (2008). Isso significaria a retomada do humanismo cívico, o que pressupõe a construção de um diálogo político entre uma burguesia em ascensão desejosa por poder e uma realeza detentora da coroa. É preciso lembrar que a formação do Estado moderno se deu pela convergência de interesses entre reis e a burguesia, marcando-se um momento importante para o desenvolvimento das práticas comerciais e do capitalismo na Europa. Assim, Maquiavel assistia em seu tempo um maior questionamento do poder absoluto dos reis ou de alguma dinastia, como os Médici em Florência, uma vez que nascia uma elite burguesa com seus próprios interesses, com a exacerbação da ideia de liberdade individual. Questionava-se o poder teocêntrico e desejava-se a existência de um príncipe que, detentor das qualidades necessárias, isto é, da virtú, poderia garantir a estabilidade e defesa de sua cidade contra outras vizinhas."

"Dessa forma, considerando esse cenário, Maquiavel produziu sua obra com vistas à questão da legitimidade e exercício do poder pelo governante, pelo príncipe. A legitimação do poder seria algo fundamental para a questão da conquista e preservação do Estado, cabendo ao bom rei (ou bom príncipe) ser dotado de virtú e fortuna, sabendo como bem articulá-las. Enquanto a virtú dizia respeito às habilidades ou virtudes necessárias ao governante, a fortuna tratava-se da sorte, do acaso, da condição dada pelas circunstâncias da vida. Para Maquiavel “...quando um príncipe deixa tudo por conta da sorte, ele se arruína logo que ela muda. Feliz é o príncipe que ajusta seu modo de proceder aos tempos, e é infeliz aquele cujo proceder não se ajusta aos tempos.” (MAQUIAVEL, 2002, p. 264). Conforme afirma Francisco Welffort (2001) sobre Maquiavel, “a atividade política, tal como arquitetara, era uma prática do homem livre de freios extraterrenos, do homem sujeito da história. Esta prática exigia virtú, o domínio sobre a fortuna”. (WELFFORT, 2001, p. 21).


Contudo, a forma como a virtú seria colocada em prática em nome do bom governo deveria passar ao largo dos valores cristãos, da moral social vigente, dada a incompatibilidade entre esses valores e a política segundo Maquiavel. Para Maquiavel, “não cabe nesta imagem a ideia da virtude cristã que prega uma bondade angelical alcançada pela libertação das tentações terrenas, sempre à espera de recompensas no céu. Ao contrário, o poder, a honra e a glória, típicas tentações mundanas, são bens perseguidos e valorizados. O homem de virtú pode consegui-los e por eles luta” (WELFFORT, 2006, pg. 22). Assim, essa interpretação maquiaveliana da esfera política foi que permitiu surgir ideia de que “os fins justificam os meios”, embora não se possa atribuir literalmente essa frase a Maquiavel. Além disso, fez surgir no imaginário e no senso comum a ideia de que Maquiavel seria alguém articuloso e sem escrúpulo, dando origem à expressão “maquiavélico” para designar algo ou alguém dotado de certa maldade, frio e calculista.


Maquiavel não era imoral (embora seu livro tenha sido proibido pela Igreja), mas colocava a ação política (construída pela soma da virtú e da fortuna) em primeiro plano, como uma área de ação autônoma levando a um rompimento com a moral social. A conduta moral e a ideia de virtude como valor para bem viver na sociedade não poderiam ser limitadores da prática política. O que se deve pensar é que o objetivo maior da política seria manter a estabilidade social e do governo a todo custo, uma vez que o contexto europeu era de guerras e disputas. Nas palavras de Welffort (2001), Maquiavel é incisivo: há vícios que são virtudes, não devendo temer o príncipe que deseje se manter no poder, nem esconder seus defeitos, se isso for indispensável para salvar o Estado. “Um príncipe não deve, portanto, importar-se por ser considerado cruel se isso for necessário para manter os seus súditos unidos e com fé. Com raras exceções, um príncipe tido como cruel é mais piedoso do que os que por muita clemência deixam acontecer desordens que podem resultar em assassinatos e rapinagem, porque essas consequências prejudicam todo um povo, ao passo que as execuções que provêm desse príncipe ofendem apenas alguns indivíduos” (MAQUIAVEL, 2002, p. 208). Dessa forma, a soberania do príncipe dependeria de sua prudência e coragem para romper com a conduta social vigente, a qual seria incapaz de mudar a natureza dos defeitos humanos.


Assim, a originalidade de Maquiavel estaria em grande parte na forma como lidou com essa questão moral e política, trazendo uma outra visão ao exercício do poder outrora sacralizado por valores defendidos pela Igreja. Considerado um dos pais da Ciência Política, sua obra, já no século XVI, tratava de questões que ainda hoje se fazem importantes, a exemplo da legitimação do poder, principalmente se considerarmos as características do solo arenoso que é a vida política.


Paulo Silvino Ribeiro

Colaborador Brasil Escola"


Veja mais sobre "Maquiavel e a autonomia da política" em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/ciencia-politica-maquiavel.htm



Ataques israelenses provocam fuga em massa do Líbano para a Síria

Publicado em 1 de outubro de 2024 por Tribuna da Internet

A guerra não poupa inocentes, mulheres ou crianças

Pedro do Coutto

O conflito no Oriente Médio está assumindo um caráter de catástrofe diante da pressão e do temor da ofensiva de Israel. Cerca de 100 mil pessoas, 80% delas sírias, fugiram do Líbano para a Síria devido aos ataques israelenses, número que dobrou em dois dias. A reversão desse fluxo, uma vez que a Síria enfrenta uma guerra civil há 13 anos que já deslocou mais de 12 milhões de pessoas, expõe o desespero dessas pessoas à medida que o conflito entre Israel e o Hezbollah se intensifica, com a morte do líder do movimento xiita, Hassan Nasrallah, na última sexta-feira, marcando uma escalada sem precedentes.

Até sexta-feira, 30 mil pessoas haviam cruzado para a Síria, de acordo com a agência da ONU. A maioria são mulheres e crianças. As pessoas em fuga fogem dos bombardeios e chegam à Síria exaustas, traumatizadas e precisando desesperadamente de ajuda. Israel ampliou seus ataques nos últimos dias para incluir o Líbano e a Faixa de Gaza, tendo como alvo o Hezbollah, aliado regional do Irã.

REDUTO – Na sexta-feira, um ataque israelense contra a região sul de Beirute, um dos redutos do Hezbollah, matou Nasrallah. O bombardeio atingiu prédios residenciais sob os quais funcionava o quartel-general do movimento xiita. Foram mais de 80 bombas em poucos minutos, segundo informou o New York Times. O corpo de Nasrallah foi recuperado no domingo.

Os ataques israelenses tampouco pouparam civis e na última semana os bombardeios mataram mais de 700 pessoas no Líbano, incluindo 14 paramédicos em um período de dois dias, de acordo com o Ministério da Saúde do Líbano. Nesta segunda, um ataque de drone atingiu um prédio no centro de Beirute, com um grupo armado palestino dizendo que havia matado três de seus membros. O Ministério da Saúde libanês também relatou o ataque, o primeiro no centro da capital libanesa, dizendo que matou quatro pessoas e feriu outras quatro.

Uma situação de pânico que está abalando a humanidade. Israel, segundo Netanyahu, dará sequência aos bombardeiros. O mundo, mais uma vez, corre o risco de um conflito generalizado, pois  o Irã anuncia apoio ao Hezbollah, o que causará uma nova etapa da guerra que poderá ocorrer. O risco já se estende pelo Oriente Médio e não dá sinais de que os conflitos possam ser suscitados pela intervenção das grandes potências. Netanyahu rejeitou as propostas dos Estados Unidos de uma trégua na região. A humanidade se curva diante da ignorância e a violência de mais uma guerra.

Brasil tem 100 dias secos consecutivos por ano, alta de 25% em 6 décadas

segunda-feira, 30/09/2024 - 19h20

Por Folhapress

Brasil tem 100 dias secos consecutivos por ano, alta de 25% em 6 décadas

O Brasil teve uma média de 100 dias secos consecutivos por ano de 2011 a 2020. São 20 dias de seca a mais na comparação com o período que vai de 1961 a 1990, o que representa um aumento de 25%.
 

É o que mostra um estudo do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) feito a pedido do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, divulgado no início deste mês. Considera-se dia seco, para fins do estudo, todo período de 24h com precipitação abaixo de 1mm de chuva.
 

A pesquisa utilizou dados de 11.473 pluviômetros espalhados pelo país para calcular os volumes de chuva e os períodos de seca ao longo das décadas. Além disso, usou também as informações de temperatura coletados por 1.252 estações meteorológicas.
 

Com isso, o Inpe fez análises sobre as temperaturas máximas, as ondas de calor e os índices de precipitação no Brasil. Os resultados mostram que o aumento da estiagem foi acompanhado por outras mudanças que tornaram o clima mais extremo no país.
 

A quantidade de dias por ano com ondas de calor, por exemplo, passou de 7 para 52 em três décadas. Já as temperaturas máximas aumentaram em até 3°C em 60 anos. A região Sul teve um aumento de 30% na precipitação média anual.
 

Tanto os dados de dias consecutivos secos quanto a precipitação máxima em cinco dias servem para determinar a ocorrência de extremos climáticos, que aumentaram no período estudado.
 

Os período secos foram mais longos no Centro-Oeste, no Nordeste e em parte do Sudeste -especialmente o norte de Minas Gerais- na década passada, mostra o estudo. Algumas dessas áreas tiveram média de 80 dias consecutivos sem chuva na década de 1960.
 

Mapa e gráficos elaborados pelo Inpe mostram aumento nas médias de dias secos consecutivos no Centro-Oeste e Nordeste Reprodução/Inpe A imagem apresenta um mapa do Brasil, com uma representação de dados em cores que variam do vermelho ao amarelo, indicando diferentes intensidades ou categorias. A emissão de gases do efeito estufa explica os períodos de seca mais longos, segundo nota publicada pelo Inpe. O pesquisador Lincoln Alves, responsável da pesquisa, afirmou que o aumento já era esperado, segundo projeções do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) -órgão criado no âmbito da ONU (Organização das Nações Unidas) para fornecer informações científicas sobre as mudanças climáticas no mundo.
 

"O cenário reitera a necessidade de acelerar a ação climática, com ação de medidas em escala para a redução de emissões de gases de efeito estufa e para a adaptação à mudança do clima", diz a nota do Inpe sobre o estudo. "Para Alves, o Brasil sendo um país tropical com setores estratégicos, como agricultura e energia, com alta dependência do clima, precisa urgentemente investir em soluções como a captação e armazenamento de água, a adoção de culturas mais resistentes à seca e ao calor, e a promoção de tecnologias sustentáveis para a irrigação."
 

O pesquisador também falou sobre a necessidade de reflorestamento de ecossistemas degradados. "A observação das últimas seis décadas de dados, que foram coletados pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), permitiu reconhecer o quanto o clima já mudou", diz o instituto.
 

Queimadas foram mais rápidas que socorro
 

Como mostrou a Folha de S.Paulo, os 13 boletins divulgados desde o final de junho pelo Ministério do Meio Ambiente sobre a crise das queimadas mostram que a escalada do fogo no pantanal, amazônia e cerrado ocorreu em velocidade bem superior ao incremento no combate aos incêndios feito pelos governos federal, estaduais e municipais.
 

Segundo os documentos, de julho até agora o acumulado da área queimada no pantanal triplicou de tamanho, chegando a 2 milhões de hectares -13,4% do bioma.
 

Na amazônia, a área queimada mais que dobrou neste mês de setembro -11,7 milhões de hectares, ou 2,8% do bioma. O cerrado já teve 12,3 milhões de hectares queimados em 2024, o que representa 6,2% de sua área total, com aumento de quase 40% só nos últimos 15 dias.
 

O governo Lula cortou 18% dos recursos destinados à transição energética, de acordo com relatório do Inesc (Instituto de Estudos Socioeconômicos).

STF anula condenação de cientistas que desmentiram nutricionista sobre diabetes nas redes sociais

segunda-feira, 30/09/2024 - 19h40

Por Redação

STF anula condenação de cientistas que desmentiram nutricionista sobre diabetes nas redes sociais
Foto: Reprodução / Redes Sociais

O Supremo Tribunal Federal (STF) anulou, nesta segunda-feira (30), a condenação de duas cientistas, processadas por danos morais, após desmentirem um nutricionista nas redes sociais. Na ocasião, o nutricionista afirmou que a diabetes era causada por vermes e foi desmentida pela bióloga Ana Bonassa e a farmacêutica Laura Marise.

 

Na ocasião, as cientistas foram processadas por expor o nutricionista que espalhou a informação falsa. A sentença da juíza Larissa Boni Valieris, da 1ª Vara do Juizado Especial Cível de São Paulo, exigiu que ambas apagassem a publicação em que esclareciam as causas da doença sob pena de multa R$ 100 por dia de descumprimento, além de R$ 1.000 pelos danos morais. 

 

A Justiça paulista entendeu que elas submeteram o nutricionista a uma situação de "vergonha e tristeza" por compartilharem o perfil público dele no Instagram. Na decisão desta segunda, o Ministro Dias Toffoli suspendeu os efeitos da condenação e eventuais multas.

 

Informações do Uol apontam que o autor da desinformação vendia uma suposta solução contra a diabetes. Segundo Ana e Laura, responsáveis pelo canal NuncaVi1Cientista, o perfil vendia "protocolos para desparasitação" como se fossem a cura da doença.

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