quarta-feira, fevereiro 02, 2022

Lira consegue afastar juiz de AL por alegado interesse excessivo em julgá-lo




O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), acusou um juiz de “excessivo interesse” em julgá-lo e conseguiu o afastamento do magistrado de uma das ações de improbidade a que responde na Justiça de Alagoas.

O Tribunal de Justiça do estado considerou suspeito o juiz Alberto Jorge Correia de Barros Lima, da 17ª Vara Cível de Maceió, e determinou a anulação de atos do processo de improbidade. A decisão ocorreu em julho e ainda há recurso do magistrado pendente.

A suspeição de um juiz ocorre quando a Justiça entende que ele praticou atos que representem uma quebra da imparcialidade necessária para o julgamento.

O exemplo mais famoso desse tipo de situação no Brasil ocorreu em decisão do Supremo Tribunal Federal em 2021 que considerou o ex-juiz Sergio Moro suspeito para julgar o ex-presidente Lula (PT) na Operação Lava Jato. Os casos relacionados ao petista foram anulados em razão disso.

No caso de Alagoas, a defesa de Lira afirma que há um histórico de hostilidade do magistrado contra o atual presidente da Câmara.

O juiz era o responsável por julgar processo contra Lira decorrente da Operação Taturana, que foi deflagrada em 2007 para apurar desvios na Assembleia Legislativa alagoana.

A defesa de Lira citou três fatos em sua manifestação inicial.

Em primeiro lugar, disse que Lira não foi devidamente informado sobre uma audiência relativa ao caso e que, posteriormente, o juiz determinou que poderia haver condução coercitiva caso não houvesse o comparecimento.

Para os advogados do deputado, esse tipo de ordem poderia configurar abuso de autoridade.

O segundo ponto levantado pela defesa foi um episódio ocorrido em 2014, quando o magistrado rejeitou apelação de Lira contra condenação de improbidade, também da Operação Taturana, citando a perda de prazo pela defesa para o recurso.

Se efetivada, essa medida faria o deputado perder seus direitos políticos.

Na ocasião, a defesa recorreu, afirmando que havia um erro na contagem do prazo, e o próprio magistrado reviu a decisão. Lira à época fez críticas na imprensa local contra o juiz, falando em “falha grave”.

Por fim, os advogados do presidente da Câmara sustentaram que, em voto, o magistrado havia feito afirmações com “juízo de valor negativo” sobre o parlamentar, “o que seria uma clara demonstração de que nutre um sentimento negativo em seu desfavor”.

Na época dessas declarações, Alberto Jorge Correia de Barros Lima ocupava uma cadeira no Tribunal Regional Eleitoral alagoano.

“Não se trata de insurgência contra o conteúdo de decisão judicial, mas tão somente a pretensão de ver reconhecida a clara quebra de imparcialidade e da isenção, ante a sequência de atos”, escreveu a defesa.

Experiente, o juiz é doutor em direito pela Universidade Federal de Pernambuco, professor da Federal de Alagoas e da Escola Superior da Magistratura do estado. Também tem trabalhos publicados na área de direito constitucional penal.

O relator do pedido no TJ de Alagoas, desembargador Otávio Leão Praxedes, recebeu a solicitação de Lira e determinou em abril do ano passado a suspensão do processo até que o mérito do pedido fosse julgado.

Essa ação trata da compra, com dinheiro público, de uma caminhonete Pajero para um deputado estadual. Lira foi deputado estadual de 1999 a 2011 e integrou a Mesa Diretora da Assembleia antes de se eleger para o Congresso.

No julgamento no TJ, ocorrido em julho, os desembargadores concordaram com o pedido do presidente da Câmara.

O procedimento está sob segredo de Justiça. Mas ementa publicada no Diário Oficial afirma que os desembargadores concordaram que houve “excessivo interesse em julgar o excipiente [réu]”, como em situação em que o juiz interpôs recurso perante à corte sem a intermediação de advogado.

Ficou determinada a nulidade de atos praticados em relação ao réu a partir de outubro de 2020.

Procurados, os advogados que representam o magistrado no procedimento disseram que não comentariam o assunto.

A reportagem também contatou a defesa de Arthur Lira, que também citou o sigilo sobre o caso e afirmou que não poderia se manifestar.

O relator do caso no TJ, desembargador Praxedes, disse que não pode falar sobre a perspectiva de julgamento de recursos relativos à decisão de afastamento do magistrado porque o trâmite ocorre em segredo de Justiça.

O presidente da Câmara já foi condenado em primeira instância em um outro processo sobre a compra de automóvel com dinheiro da Assembleia, mas recorreu da decisão.

Também em decorrência da Operação Taturana, ele foi condenado à perda da função pública em ação de improbidade sobre empréstimos pessoais pagos com dinheiro da Assembleia.

O caso está agora no Superior Tribunal de Justiça e pode ser anulado devido a mudança na Lei de Improbidade aprovada no ano passado, em projeto de lei que o teve como fiador.

Na esfera penal, Lira também foi acusado de crimes pelo escândalo na Assembleia. Ele tem negado as acusações decorrentes da operação e afirmado que houve nulidades durante as investigações.

FolhaPress / Daynews

Bolsonaro come farofa, enquanto a oposição articula alianças




O que era para ser um bom lance de marketing político, mostrando Bolsonaro como um homem popular, virou um exemplo de falta de asseio e educação

Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Em busca de mais popularidade, o presidente Jair Bolsonaro produziu uma imagem bizarra no fim de semana, durante um de seus passeios de moto: um vídeo comendo asa de frango com farofa numa barraca de rua de Brasília, o que não seria nada demais durante uma campanha eleitoral, não fosse o fato de se lambuzar com a farinha muito mais do que uma criança o faria. Essa imagem não combina com a liturgia do cargo de presidente da República, nem para a maioria dos seus eleitores. Sem trocadilho, o ministro Fábio Faria (Comunicações) foi o autor do registro, que depois apagou, mas já era tarde: o vídeo viralizou no Twitter, provocando forte reação negativa. O que era para ser um bom lance de marketing político, mostrando Bolsonaro como um homem popular, virou um exemplo de falta de asseio e educação.

Para se recuperar da pisada de bola, em solenidade no polo Gaslub Itaboraí, ontem, Bolsonaro atacou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: “O mesmo cara que quase quebrou o Brasil de vez e deixou um prejuízo de quase R$ 1 trilhão à Petrobras quer voltar à cena do crime. Se aquele bando, aquela quadrilha voltar, não vai ser só a Petrobras que eles vão roubar, vai ser a nossa liberdade. É inadmissível achar que aquele bandido vai resolver os problemas do país (…).” Na mesma ocasião, disse que José Dirceu será ministro da Casa Civil e Dilma Rousseff, da Defesa, se Lula for eleito. Em resposta, Dirceu declarou à imprensa que não pretende ocupar nenhum cargo no governo, sua prioridade é cuidar dos processos judiciais aos quais responde. Dilma Rousseff não se manifestou.

Lula voltou a sinalizar que pretende formar a sua chapa com o ex-governador tucano Geraldo Alckmin na vice. “Eu tenho de ser o candidato de um movimento que ultrapasse as fronteiras do PT. De um movimento que quer redemocratizar o país de verdade; que quer restabelecer os direitos do povo trabalhador; que quer restabelecer o acesso à educação, à creche, ao ensino universitário; que quer tratar a saúde e a educação como investimento e não como gasto”, disse o ex-presidente da República, durante um seminário do PT, com a participação de parlamentares da legenda. Na mesma linha, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega anunciou que não será o ministro da Fazenda de um eventual governo petista. Lula se movimenta para tecer alianças ao centro e esvaziar as articulações para a formação de uma terceira via.

Terceira via

Quem ainda fala em terceira via é o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que propõe uma convergência de forças reunindo Sergio Moro (Podemos), Alessandro Viera (Cidadania), Simone Tebet (MDB) e Rodrigo Pacheco (PSD), porém, exclui Ciro Gomes (PDT). O tucano enfrenta forte dissidência interna no PSDB, inclusive em São Paulo, ao mesmo tempo em que aposta todas as fichas numa federação com o Cidadania para romper a inércia de sua candidatura, que não decola. Entretanto, há forte resistência ao governador paulista na legenda comandada por Roberto Freire, que defende a federação com o PSDB.

Rio de Janeiro, Paraná, Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Paraíba, Distrito Federal, Goiás, Pará e Acre são estados onde a aliança do Cidadania com os tucanos não dá liga. Doria está sendo ensanduichado em São Paulo por Lula e Bolsonaro. Sua âncora política é o Palácio dos Bandeirantes, do qual terá de se afastar para disputar a Presidência e passar o cargo ao vice-governador Rodrigo Garcia. Cresce a pressão para que Doria antecipe sua saída do governo paulista para fazer campanha pelo país, mesmo correndo risco de se cristianizado pelos aliados paulistas.

Sergio Moro sentiu o desgaste do primeiro grande ataque especulativo à sua candidatura, em razão da quebra de sigilo do processo do Tribunal de Contas da União (TCU), que investiga seu contrato de consultoria com o escritório norte-americano Alvarez & Marsal, para o qual Moro prestou serviços por 10 meses, tendo a empresa recebido cerca de R$ 42,5 milhões. O ex-juiz revelou que recebeu um salário bruto de US$ 45 mil no período em que trabalhou para a consultoria americana. O valor total recebido e convertido é de R$ 3,65 milhões. O ex-ministro desafiou Lula e Bolsonaro a revelar seus ganhos e, ontem, praticamente pôs um ponto final nas especulações de que migraria do Podemos para o União Brasil, o partido que resultou da fusão entre o PSL e o DEM, no qual disporia de muito mais recursos para a campanha.

Quem se beneficiou dessa polêmica foi o ex-ministro Ciro Gomes, que havia sido atropelado por Moro nas pesquisas, mas conseguiu se recuperar e está em empate técnico com o ex-juiz. Ambos buscam uma federação para chamar de sua e, também, conversam com o Cidadania. Quem está em vias de ficar sem candidato é o PSD de Gilberto Kassab, uma vez que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MG), que nunca vestiu o figurino de pré-candidato para valer, já comunicou aos amigos que pretende jogar a toalha. Diante disso, Kassab mira os dissidentes do PSDB, especialmente o governador gaúcho, Eduardo Leite, que perdeu as prévias para João Doria. Ou seja, muita água está rolando.

Correio Braziliense

Vacinas contra covid: 2 potenciais avanços para tentar finalmente acabar com a pandemia




Com suas novas variantes, a covid está sempre à frente dos esforços científicos para acabar com a pandemia, algo que os cientistas tentarão reverter com duas novas armas

Por Atahualpa Amerise 

Apenas dez vacinas compõem hoje o seleto clube de fórmulas aprovadas para uso emergencial contra a covid-19 pela Organização Mundial da Saúde (OMS), às quais se somam 20 imunizantes autorizados localmente em diversos países.

No entanto, o número de vacinas candidatas em desenvolvimento clínico é muito maior: 170 em 69 nações, além de 194 em desenvolvimento pré-clínico, segundo dados da OMS.

Dois anos se passaram desde que o impacto global da pandemia forçou a concepção de novas vacinas contra um vírus até então desconhecido, o Sars-CoV-2.

Os imunizantes reduziram significativamente o número de internações, uma conquista importante, mas insuficiente para se aproximar do objetivo de acabar com a pandemia de uma vez por todas.

Hoje, os laboratórios têm uma melhor compreensão do vírus e de suas mutações, como as variantes delta e ômicron, essa última com uma composição muito mais distante do original em Wuhan.

Então, estamos em condições de criar a fórmula definitiva que acabe com o vírus de uma vez por todas ou normalize a convivência com ele?

Os cientistas estão investigando essa possibilidade.

Confira abaixo dois avanços promissores, segundo a OMS e especialistas, nos laboratórios onde são preparadas as próximas vacinas contra a covid-19.

1. A via intranasal, barreira impenetrável para o vírus?

O objetivo mais ambicioso da comunidade científica é alcançar a imunidade esterilizante, ou seja, não apenas proteger as pessoas contra doenças graves ou morte, mas também impedir que sejam infectadas.

E uma das formas de conseguir isso pode ser administrar a vacina pelo nariz.

'Mais complexas de preparar, vacinas intranasais atuarão localmente no sistema respiratório'

"Agora há muitos infectados, mas graças às vacinas, poucos acabam no hospital. O que falta então para impedir as infecções? Ter uma vacina que previna a infecção e que possa ser administrada via intranasal", diz Amílcar Pérez Riverol, pesquisador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), à BBC News Mundo, o serviço de notícias em espanhol da BBC.

Enquanto as vacinas intramusculares desencadeiam uma resposta generalizada do sistema imunológico, as vacinas intranasais atuam localmente no nariz, pulmões e estômago. Com isso, impõem ao vírus uma barreira difícil de ser superada.

O especialista indica que, quando inseridas nas narinas, induzem uma resposta protetora na via de entrada do vírus, ativando a secreção de anticorpos da imunoglobina A (IgA).

Em um artigo publicado na revista científica Science em agosto passado, os pesquisadores Frances E. Lund e Troy D. Randall, da Universidade do Alabama (EUA) especificam que os imunizantes intranasais "fornecem duas camadas de proteção adicional: a IgA da vacina e as células B e T de memória que vivem na mucosa respiratória".

Essas células de memória permanecem no corpo por muito tempo após o desaparecimento da infecção, mas não esquecem os vírus ou bactérias que combateram e, caso se deparem com esses patógenos novamente, os reconhecem e os atacam.

Os pesquisadores explicam que, mesmo que uma variante do vírus supere a primeira barreira e uma infecção ocorra, as células B e T de memória respondem mais rapidamente à familiarização com o antígeno, o que "impede a replicação viral e reduz a propagação e transmissão".

Outra vantagem oferecida pelas vacinas nasais é o tempo, já que as intramusculares precisam de duas a três semanas para "atualizar" o sistema imunológico ao seu mais alto grau de proteção.

Atualmente, existem oito projetos de vacina intranasal covid-19 reconhecidos pela OMS.

A mais avançada nesse campo é a da multinacional indiana de biotecnologia Bharat Biotech, cujo imunizante já está na fase 2/3 de testes em humanos, ao contrário dos demais projetos, que estão em estágios iniciais.

Entre eles, destaca-se o liderado pelos cientistas Akiko Iwasaki e Benjamin Goldman-Israelow, da Universidade de Yale (EUA), que conseguiram imunizar camundongos com sucesso contra vírus respiratórios como o coronavírus.

"Os resultados em modelos pré-clínicos são promissores. Acreditamos que funcionará com as variantes que estão circulando atualmente, bem como com variantes futuras", diz Goldman-Israelow à BBC New Mundo.

Mas nem tudo são rosas.

Especialistas alertam que resultados favoráveis em camundongos não garantem a mesma resposta em humanos. Além disso, hoje apenas duas vacinas administradas pelo nariz são comercializadas globalmente, FluMist/Fluenz e Nasovac, ambas para gripe, comprovando a dificuldade de desenvolver esse tipo de medicamento.

Um desafio complicado que também é assumido pela equipe liderada pelo virologista Luis Enjuanes, do Centro Superior de Pesquisa Científica da Espanha (CSIC).

Enjuanes explica à BBC News Mundo que seu imunizante mostra uma importante vantagem qualitativa "em contraste com outras vacinas baseadas em mRNA, que não se multiplicam e se autoamplificam".

"Nosso RNA carrega a informação para se replicar, aumentando o número de moléculas que injetamos e multiplicando cada uma, amplificando-a mais de mil vezes, o que torna a resposta imune mais forte e duradoura", diz.

Laboratórios na Rússia (com uma variante do Sputnik V), Hong Kong, Reino Unido (AstraZeneca) ou Cuba também estão trabalhando em vacinas intranasais.

Não se sabe, por enquanto, quando a primeira delas começará a ser administrada à população. Os laboratórios evitam anunciar datas aproximadas.

"Não vejo nenhuma aprovação antes do segundo semestre de 2022", diz Pérez Riverol.

2. Uma 'supervacina' que ataca todos os coronavírus

'Pfizer iniciou estudos clínicos para uma nova vacina adaptada à ômicron'

A Pfizer iniciou estudos clínicos para uma nova vacina adaptada à ômicron.

Mas se aprendemos alguma coisa na pandemia, é que não importa a rapidez com que criamos e distribuímos uma vacina contra a covid-19: pode haver uma variante nova e mais rápida que nos pegue desprevenidos e limite os efeitos das injeções.

Além disso, o Sars-CoV-2 é o mais famoso, mas não o único coronavírus. Nas últimas décadas, outras variantes perigosas causaram surtos significativos, como as que causam Sars (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e Mers (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).

Isso poderia acabar com uma fórmula definitiva que ataca todas as variantes: a conhecida como vacina pan-coronavírus.

"Não vamos correr atrás da próxima variante." O principal conselheiro médico da Casa Branca, Anthony Fauci, posicionou-se assim no dia 12 de janeiro a favor de uma futura vacina que nos permita prevenir e combater não só o vírus da covid-19 mas também outros parecidos que possam surgir nos próximos anos.

'Conselheiro médico-chefe da Casa Branca, Anthony Fauci, aposta na criação de vacinas contra o coronavírus'

"A importância de desenvolver uma vacina pan-coronavírus, ou seja, que seja eficaz contra todas as variantes do Sars-CoV-2 e, finalmente, contra todos os coronavírus, tornou-se ainda mais aparente", diz Fauci a um comitê do Senado dos EUA.

Fazer essas vacinas, explica Pérez-Riverol, é um processo muito complexo, e uma das formas que está sendo investigada consiste em anexar as proteínas S do vírus a nanopartículas.

As proteínas S são fundamentais para que o vírus se ligue à célula humana, por isso parte das vacinas atuais consiste em implantar modificações inofensivas nessas proteínas na superfície das células para induzir a resposta imune.

"Se você usar uma nanopartícula e combiná-la com proteínas S de diferentes variantes do Sars-Cov-2 com ampla diversidade antigênica, quem a receber será imunizado contra uma grande diversidade de variantes do coronavírus. Portanto, o sistema imunológico estará mais preparado para responder não só às variantes existentes, mas futuras", explica.

Nessa área, destaca-se o projeto do Instituto de Pesquisa do Exército Walter Reed (WRAIR, na sigla em inglês), nos EUA, que está trabalhando em uma vacina chamada SpFN à base de nanopartículas de ferritina, proteína que armazena e transporta ferro e que, aderida às células humanas, pode impedir a replicação do vírus.

Esse imunizante passou na fase 1 de testes em humanos em dezembro de 2021 com resultados positivos contra várias variantes, incluindo a ômicron, e sua eficácia e segurança serão testadas nas fases 2 e 3 nos próximos meses, anunciou Kayvon Modjarrad, diretor de doenças infecciosas da WRAIR.

O SpFN usa uma proteína em forma de bola de futebol de 24 lados, que permite aos cientistas ligar as espículas de várias cepas de coronavírus em diferentes faces da proteína, acrescentou Modjarrad em entrevista ao site de notícias especializado Defense One dos EUA.

A iniciativa Pan-Corona, fruto de uma colaboração entre China e Cuba, também se destaca nessa linha.

Com sede na cidade de Yongzhou (na província central chinesa de Hunan) e liderado por cientistas cubanos, o projeto busca criar uma vacina que induza a resposta de anticorpos no corpo humano a partir da combinação de fragmentos de vírus já conhecidos.

Cientistas que trabalham nesses projetos também não se atreveram a anunciar datas estimadas, por isso não se sabe quando as primeiras "supervacinas" que nos protegem contra variantes atuais e futuras poderão estar disponíveis.

A OMS, de qualquer forma, espera que os dois avanços mencionados sejam seguidos por novos e importantes progressos no campo das novas vacinas contra a covid.

"Só porque há mais vacinas no mercado não significa que devemos parar de progredir em pesquisa e desenvolvimento. Temos que continuar procurando por melhores opções", disse a cientista-chefe da OMS Soumya Swaminathan à Reuters em uma entrevista recente.

BBC Brasil

Prisões por corrupção chegam ao mais baixo nível em 14 anos no governo Bolsonaro




Em queda desde 2019, quando o presidente Jair Bolsonaro (PL) assumiu o cargo, as prisões por corrupção realizadas pela Polícia Federal chegaram, em 2021, ao menor patamar dos últimos 14 anos. Foram 143 prisões entre janeiro e setembro, uma redução de 44% em comparação ao mesmo período de 2020. A PF não informou dados estatísticos dos últimos três meses de 2021.

Os números foram obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) pela agência Fiquem Sabendo, especializada na obtenção de dados de órgãos públicos, junto à Coordenação de Repressão à Corrupção (CRC) da Polícia Federal. O levantamento considera todas as prisões - preventivas, temporárias e flagrantes - feitas a partir de inquéritos conduzidos pela CRC desde 2008, quando os números passaram a ser consolidados internamente.

A unidade tem competência para investigar, além dos crimes de corrupção, delitos como peculato, organização criminosa, fraude à licitação, tráfico de influência e outros. Também tem sob seu guarda-chuva o Serviço de Inquéritos Especiais, um dos setores mais sensíveis da corporação, que cuida de investigações contra políticos e autoridades com foro no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Desde 2020, a PF baixou uma diretriz que deu autonomia para todos os braços tocarem investigações que envolvam indícios de corrupção, sem necessidade de remeter os inquéritos a delegacias especializadas. Na prática, a norma abriu caminho para descentralizar as apurações. É o caso, por exemplo, dos inquéritos sobre fraudes no auxílio emergencial, que explodiram nos dois últimos anos de pandemia. Eles ficaram a cargo da área Fazendária e não da Coordenação de Repressão à Corrupção.

As prisões por corrupção decretadas em apurações conduzidas fora da CRC não estão contabilizadas no levantamento agência Fiquem Sabendo. Isso porque a PF não organiza os dados estatísticos de detenções por tipo penal específico e sim por setor.

Investigado sob suspeita de tentar interferir politicamente na Polícia Federal, Bolsonaro trocou o chefe da corporação em abril do ano passado. Ao assumir o cargo, Paulo Maiurino promoveu uma série de mudanças na cúpula da instituição. A reforma para montar sua equipe alcançou a Coordenadoria-Geral de Repressão à Corrupção: o delegado Isalino Giacomet foi escalado para substituir Thiago Delabary, que participou de apurações importantes, incluindo a que pegou o ex-presidente Michel Temer (MDB) na esteira da Lava Jato. O inquérito contra o emedebista acabou arquivado.

As prisões por corrupção vêm caindo desde 2019. Considerando apenas os meses de janeiro a setembro de cada ano para efeito de comparação, já que a Polícia Federal não informou as estatísticas dos últimos três meses de 2021, foram 327 prisões no período em 2019. No ano inteiro, o número foi de 464 presos. Em 2020, o total entre janeiro e setembro baixou para 256 e, considerando os 12 meses, houve 381 prisões.

Na lanterna, o ano de 2021 coincide com o esvaziamento da Lava Jato, até sua extinção total. O procurador-geral da República, Augusto Aras, encerrou o trabalho das forças-tarefas em um esforço de remodelação do Ministério Público Federal (MPF). Os grupos mobilizados no Rio de Janeiro, em São Paulo e no Paraná, berço da operação, nasceram de uma iniciativa conjunta do próprio MPF e da Polícia Federal, em um trabalho que se estendeu por mais de 80 fases.

No auge da operação, em 2016, quando a Polícia Federal deflagrou mais de 15 etapas ostensivas derivadas diretamente da Lava Jato, 59 pessoas foram presas por corrupção ou crimes relacionados só nessas ações. O ano conserva a segunda posição na série histórica com 367 prisões entre janeiro e setembro e 525 no total, atrás apenas de 2018, que contabiliza 422 presos no intervalo e 653 prisões no ano.

As prisões solicitadas pela Polícia Federal dependem de autorização judicial, de modo que não é possível atribuir a queda nas detenções, única e diretamente, a uma eventual diminuição no volume de pedidos formalizados pela corporação. Isso porque o Judiciário é um dos filtros para a expedição dos mandados. Cabe ao magistrado responsável por acompanhar o inquérito decidir se autoriza ou não a prisão dos investigados. Em março de 2020, quando estourava a pandemia, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) expediu uma recomendação que fixou a 'máxima excepcionalidade de novas ordens de prisão preventiva' como medida para evitar a disseminação da covid-19.

Ao Estadão, o delegado federal Luiz Flávio Zampronha, que comanda a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado (Dicor), setor ao qual a Coordenação de Repressão à Corrupção está subordinada, afirma que a queda no número de prisões não é indicativo de encolhimento nos esforços de combate à corrupção.

"A prisão não é um elemento indicativo de eficácia ou eficiência na produção de provas. Ela tem mais relação com a própria aplicação da pena e punição, o que está a cargo do Poder Judiciário, porque o nosso papel não é punir. Pena é uma punição ou uma prevenção para evitar a continuidade de um crime. Nós temos alguns tipos penais em que é mais fácil justificar o pedido de prisão, por conta da gravidade. É o caso da pornografia infantil, de um abusador que precisa ser tirado de circulação, por exemplo. Para a corrupção, é mais [importante] a produção de prova", defende.

Em 2021, a Polícia Federal abriu 539 operações contra a corrupção, o maior volume dos últimos quatro anos. Em 2020, foram 654 ações; em 2019, 535 operações; e, em 2018, 392 ações.

"Não houve, nos últimos anos, uma diminuição no número de operações, uma diminuição na atuação da Polícia Federal no combate à corrupção. E, muito menos, houve uma orientação para os delegados não pedirem prisões. Isso não tem como. Cada delegado tem autonomia para, se tiver elementos, pedir a prisão", segue o delegado. "Não existe nenhum tipo de desmobilização da área de combate à corrupção. Pelo contrário, a gente trouxe mais efetivo e está estruturando as delegacias especializadas."

Entre outros fatores, Zampronha atribui a retração nas prisões ao que avalia como uma mudança recente na metodologia das operações. Segundo o delegado, responsável por liderar as investigações do mensalão e da Operação Spoofing, a cronologia dos inquéritos tem sido alterada pela tecnologia. Ele explica que as etapas ostensivas vêm sendo abertas mais cedo, em um estágio em que dificilmente há elementos para pedir a prisão dos investigados. O objetivo é garantir acesso a conversas criptografadas nos aplicativos de mensagem, que só podem ser obtidas com a apreensão dos celulares.

"Até um tempo atrás, as deflagrações ficavam mais pro final da investigação. Você apurava, levantava provas e, no final, pedia busca e apreensão e a prisão. Hoje em dia, com os aplicativos de mensagem, a gente antecipa as buscas para ter acesso ao celular e às mensagens, mas nesta etapa ainda não há elementos de prova para pedir a prisão. Em alguns casos, a gente antecipa a operação para buscar acesso aos aparelhos e depois relata o inquérito com base no que foi produzido, sem pedir a prisão. Os requisitos para abertura da operação são diferentes dos requisitos para pedir a prisão de um investigado", explica.

Estadão / Dinheiro Rural

EUA pedem reunião de emergência do Conselho de Segurança sobre Coreia do Norte




Os Estados Unidos convocaram para quinta-feira uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU sobre a Coreia do Norte, que lançou no domingo o seu míssil mais poderoso desde 2017, disseram hoje fontes diplomáticas.

O encontro deve ser realizado à porta fechada. Cabe à Rússia, atual presidente do Conselho de Segurança para o mês de fevereiro, ratificar a sua organização.

Pyongyang confirmou na segunda-feira ter lançado o seu míssil mais poderoso desde 2017, um balístico Hwasong-12 de alcance intermédio.

Pouco antes, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, denunciou em comunicado um lançamento de um míssil que "rompe com a moratória anunciada em 2018" pela Coreia do Norte para este tipo de dispositivo.

Este teste balístico representa "uma clara violação das resoluções do Conselho de Segurança", acrescentou.

O lançamento do míssil da Coreia do Norte no domingo encerra um mês de testes massivos e aumenta os receios de uma retoma dos testes de mísseis nucleares e intercontinentais por Pyongyang.

Em 2017, o Conselho de Segurança da ONU decidiu três vezes, por unanimidade, impor novas e pesadas sanções económicas à Coreia do Norte pelos testes nucleares e de mísseis.

As sanções afetam em particular as importações de petróleo do país e as exportações de carvão, ferro, têxteis e pescas.

A Coreia do Norte confirmou no domingo o lançamento-teste de um míssil balístico de alcance intermédio capaz de atingir o território norte-americano de Guam.

A agência de notícias oficial central coreana avançou que o teste de domingo do míssil Hwasong-12 visa avaliar seletivamente o míssil que está a ser produzido e implantado, e verificar a sua precisão.

Segundo a mesma fonte, a câmara instalada na ogiva do míssil captou uma imagem da Terra vista do espaço, e a Academia de Ciências da Defesa confirmou a precisão, segurança e eficácia da operação do sistema de armamento.

A Coreia do Norte disse que o míssil foi lançado para a água, na costa leste, e num ângulo alto, para evitar que sobrevoasse outros países, não tendo revelado mais detalhes.

O exército sul-coreano e o Ministério da Defesa japonês tinham dito no domingo que o projétil lançado no mar pelos norte-coreanos era um míssil balístico de alcance intermédio, violando novamente as resoluções estabelecidas pelas Nações Unidas.

Este foi o sétimo teste realizado este mês, reafirmando a intenção da Coreia do Norte em reforçar as defesas nacionais, enquanto ocorre uma escalada de tensão na região da península coreana.

De acordo com a avaliação do Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul (JCS), o lançamento ocorreu às 07:52 de domingo (22:52 de sábado em Lisboa) na fronteira com a China e tratou-se de um modelo de médio alcance (IRBM).

O projétil percorreu 800 quilómetros a leste em direção ao Mar do Japão, chamado de Mar do Leste nas duas Coreias, e teria atingido uma altitude máxima de 2.000 quilómetros sem entrar nas águas da zona económica exclusiva do Japão ou provocar danos, segundo o Governo japonês.

O Presidente sul-coreano, Moon Jae-in, apressou-se a convocar no domingo, pela primeira vez em um ano, uma reunião do Conselho de Segurança Nacional do seu país.

Moon declarou aos meios de comunicação locais que este último lançamento da Coreia do Norte é um "desafio à desnuclearização da península coreana, à paz e à estabilidade, e aos esforços diplomáticos da comunidade internacional, bem como um ato que viola a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

Por sua vez, o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida, convocou também uma reunião do seu Conselho de Segurança para hoje e em declarações à imprensa afirmou que "condena veementemente" este novo lançamento, que "viola as resoluções das Nações Unidas".

O exército dos Estados Unidos também pediu a Pyongyang que se abstenha de atos "desestabilizadores", de acordo com um comunicado emitido pelo Comando do Indo-Pacífico citado pela agência de notícias japonesa Kyodo.

Jornal de Notícias (PT)

Membros da CPI da Covid criticam relatório da PF sobre Bolsonaro




O presidente Jair Bolsonaro não seria obrigado a comunicar eventuais irregularidades, segundo relatório da PF

Documento da Polícia Federal enviado para o STF conclui que o presidente não prevaricou, mas senadores não concordam e querem convocar delegado e ministro

Por Raphael Felice 

A Polícia Federal concluiu que o presidente Jair Bolsonaro (PL) não cometeu crime de prevaricação no caso das negociações para a compra da vacina indiana Covaxin. O relatório final das apurações foi enviado, ontem (31/01), à ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), relatora do caso. A conclusão dos investigadores provocou críticas de integrantes da CPI da Covid e do denunciante, o deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

"Não há correspondência, relação de adequação, entre os fatos e o crime de prevaricação atribuído ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro. O juízo de tipicidade, neste caso, sequer pôde ultrapassar o contorno da tipicidade formal. Não há materialidade. Não há crime", enfatiza um trecho do documento.

Apesar de não apontar crime do chefe do Executivo, o documento assinado pelo delegado William Tito Schuman Marinho tampouco desmente a versão dos irmãos Miranda (leia Memória).

"Não há dúvidas, igualmente, de que o deputado federal Luis Miranda e o servidor público Luis Ricardo, na ocasião, levaram ao conhecimento do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, informações que, na visão deles, indicariam a ocorrência de irregularidades", consta no documento.

No entanto, concluiu-se a inexistência de crime de prevaricação, porque, segundo o delegado, comunicar eventuais irregularidades não faz parte do "dever legal", ou atribuição de um presidente da República.

"Ausente o dever funcional do presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, de comunicar eventuais irregularidades de que tenha tido conhecimento — e das quais não faça parte como coautor ou partícipe — aos órgãos de investigação, como a Polícia Federal, ou de fiscalização, não está presente o ato de ofício, elemento constitutivo objetivo imprescindível para caracterizar o tipo penal incriminador", frisa Marinho. Ele definiu a conduta como algo "próximo de uma ausência do cumprimento de um dever cívico, mas não um desvio de um dever funcional (lê-se legal)".

A conclusão da PF foi recebida com críticas de congressistas, em especial de ex-integrantes da CPI da Covid. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi vice-presidente da comissão, avisou: "Não bastasse desmoralizar as instituições, agora Bolsonaro esculhamba a Polícia Federal. Precisamos tirar esse maloqueiro da Presidência este ano! Vamos pedir a convocação do ministro da Justiça e do diretor da PF para prestar esclarecimentos no Senado".

Para o senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE), Bolsonaro cometeu, sim, crime de prevaricação. Delegado de polícia, o parlamentar frisou que o documento tem pouca relevância jurídica. O que deve ser levado é o conteúdo coletado nas investigações, conforme destacou.

"No trabalho policial, o que importa são os fatos identificados. A opinião do delegado sobre o caso não é relevante, posso falar com propriedade. Ou seja, Bolsonaro teve acesso à informação de crime e não tomou providências. Quem vai avaliar se é ou não prevaricação é a Justiça, após manifestação do Ministério Público", disse.

O senador Renan Calheiros (MDB-AL), que foi relator da CPI, definiu como "estranha" a posição do delegado William Tito Schuman Marinho, uma vez que o próprio investigador afirmou que o presidente soube das supostas irregularidades.

"Posição estranha do delegado. Ele confirma a existência do fato, mas enfatiza, na sequência, que não é atribuição do presidente tornar público o crime. É dever, sim, de qualquer um e mais ainda do presidente. A CPI confirmou a prevaricação no detalhe. As conversas com os irmãos Miranda não foram negadas nem pelo Bolsonaro, pelo contrário", ressaltou.

Autor da denúncia, o deputado Luis Miranda também reprovou a conclusão: "A PF confirma 100% do depoimento do deputado Luis Miranda, porém, apesar de saber das irregularidades, o presidente da República não teria cometido crime ao não fazer nada a respeito das denúncias! Vocês concordam com essa decisão? Sempre defendi e continuarei defendendo a PF, mas discordo dessa vez!", postou nas redes sociais.
 
Aliados comemoram

Por sua vez, aliados do governo que integraram a CPI comemoraram o relatório da PF.

O senador Jorginho Mello (PL-SC), por exemplo, mencionou o fato nas redes sociais. "Como já prevíamos, o relatório final da PF, encaminhado hoje (ontem) ao STF, concluiu que não foi identificado crime de prevaricação do presidente Jair Bolsonaro no caso das vacinas da Covaxin", escreveu.

Já o senador Marcos Rogério (DEM-RO), que ganhou destaque entre os bolsonaristas pela defesa ferrenha do governo na comissão, disse que a PF trouxe à tona o que "todo mundo sabia, menos o G7".

"Lá na CPI, trataram isso como um grande escândalo, que Bolsonaro teria prevaricado. Acusações vazias e sem provas, apenas para atacar a imagem do presidente dentro do jogo pré-eleitoral", criticou. 

Correio Braziliense / Estado de Minas

Orbán a Putin: nenhum dirigente europeu quer guerra




Visita do primeiro-ministro da Hungria à Rússia causou desconforto à UE e à oposição húngara, por temores de que possa ser considerada como apoio a Moscou na escalada de tensões com a Ucrânia.

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, disse nesta terça-feira (01/02), durante visita ao presidente russo, Vladimir Putin, que "nenhum dirigente europeu quer a guerra", "Somos a favor de acordos pacíficos", afirmou no início do encontro, numa alusão às tensões em torno da Ucrânia.

A viagem foi criticada por países da União Europeia (UE) e pela oposição húngara, que chegou a pedir seu cancelamento, por temores de que o encontro pudesse ser visto como uma forma de apoio à Rússia, em meio às tensões com a Ucrânia.

"Esta é nossa 13ª reunião. Isso é uma raridade. Praticamente todos que eram meus colegas na UE não são mais", disse Orbán, que está desde 2010 no poder.

Ao contrário de outros países da região, como Polônia, os Estados do Báltico, Romênia e Bulgária, nas últimas semanas a Hungria não manifestou apoio decidido à Ucrânia no seu conflito fronteiriço com Moscou.

Recentemente, o chefe da diplomacia húngara, Péter Szijjártó, assegurou que o país não apoiará Kiev enquanto prosseguir a discriminação da minoria magiar na Ucrânia, calculada em cerca de 150 mil integrantes.

O Ocidente teme uma guerra entre Rússia e Ucrânia desde que Moscou estacionou cerca de 100 mil soldados próximo à fronteira ucraniana. Os EUA prometeram fortes sanções à Russia, convocaram uma  reunião do Conselho de Segurança da ONU e se comprometeram enviar tropas a aliados da Otan no Leste Europeu. 

A Rússia nega qualquer plano de invasão, mas exige que a Ucrânia não seja autorizada a ingressar na Otan, além de uma série de outras garantias de segurança.

Eleições em abril

O encontro com Putin ocorre a três meses da realização de eleições legislativas na Hungria, nas quais Orbán enfrentará um candidato único da oposição. De acordo com a imprensa, o objetivo do premiê é reforçar a cooperação econômica com a Rússia antes do pleito.

Ele disse que não tem planos de deixar o poder e que espera vencer a eleição, a qual deverá ser sua disputa mais difícil, desde que assumiu o cargo.

Na segunda-feira, o Kremlin elogiou a independência do dirigente húngaro em termos de opções diplomáticas. "Devemos sublinhar a posição independente da Hungria na hora de satisfazer os seus próprios interesses e eleger os seus parceiros", indicou o porta-voz presidencial, Dmitri Peskov. 

Nesta terça-feira, Putin elogiou Orbán pelo seu empenho "em favor dos interesses da Hungria e da Federação Russa", mas assegurou que Moscou vai manter contatos estreitos "com quem for eleito primeiro-ministro" da Hungria. Orbán respondeu garantindo que pretende vencer as eleições e "cooperar com a Rússia durante muitos anos". 

Antes, Orbán declarara que pretendia aumentar as importações de gás da Rússia, durante a viagem, num momento em que alguns países da Europa acusam Moscou de orquestrar uma crise de energia para pressionar em favor de seus interesses. Grande parte da Europa é dependente do gás russo.

"Gostaria de atingir a meta de aumentar o volume de fornecedores durante nossa reunião de hoje", disse Orbán a Putin no início das negociações.

Desconforto com a Polônia

Especula-se também que a visita de Orbán à Rússia seja desconfortável para aliados da Hungria na União Europeia, principalmente para a Polônia. Varsóvia e Budapeste se uniram para enfrentar Bruxelas em questões como o Estado de Direito, mas os dois não compartilham o mesmo posicionamento sobre a Ucrânia.

Nesta terça-feira, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, visitou Kiev para conversar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que nos últimos dias tenta acalmar a nação diante de temores de uma invasão iminente.

Zelensky assinou um decreto expandindo o exército do país em 100 mil soldados, elevando o contingente total para 350 mil, nos próximos três anos, além de aumentar os salários militares.

Segundo o chefe de Estado ucraniano, no entanto, a decisão não foi tomada "por causa de uma guerra": "Este decreto é para que haja paz em breve e mais adiante." Zelensky também celebrou uma nova aliança política com a Polônia e o Reino Unido. 

Deutsche Welle

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