quarta-feira, julho 07, 2021

Em mais uma confusão do governo sobre vacinas, aumentam as sombras das suspeitas


Depoimento de servidora tornou imagem do governo mais vulnerável

Pedro do Coutto

O depoimento, ontem, da funcionária Regina Célia, encarregada do parecer a respeito da aquisição da vacina Covaxin, foi marcado por uma confusão sobre as datas envolvendo a proposta tanto no valor de compra quanto no valor de venda. A exposição que se alongou por várias horas, mostrou claramente um imbróglio absoluto no Ministério da Saúde, tendo a interferência de um grupo de atores, deixando também no ar  a hipótese da existência de uma proposta de comissão para titulares de cargos comissionados.

As datas das propostas e dos pareceres chocam-se entre si e demonstram um impulso turbinado por interesses que culminaram com um valor muito acima dos preços médios de todos os demais produtores da vacina anti-Covid, numa dança em que a empresa indiana passava a ocupar o primeiro lugar na preferência de aquisição.

CONTRADIÇÕES –  A confusão tornou ainda mais vulnerável a imagem do governo Bolsonaro, dando a certeza de que, de fato, o presidente da República não tinha conhecimento de nada e se encontrava numa desorientação que se tornou característica dos seus atos. Aliás, as contradições atingem também o texto constitucional no capítulo em que trata dos casos de impeachment.

Contradição levantada também ontem na Folha de São Paulo, pelo colunista Hélio Schwartsman, o artigo 86 da Carta Magna, parágrafo 4º, determina uma condição e outro parágrafo assinala o contrário, ou seja, a impossibilidade ao que se refere à votação necessária para que o chefe do Executivo possa responder ao processo relativo à omissão ou à intenção. Não é só a Constituição que incorpora contradições. Muitas leis brasileiras também, sobretudo porque quando uma medida legal substitui uma outra, no artigo final surge permanentemente a expressão “revogam-se as disposições em contrário”.

ESCAPISMO –  Há muitos anos, em 1963, numa entrevista a mim concedida no Correio da Manhã, o professor Miguel de Ulhoa Cintra chamou a atenção para o desfiladeiro que a expressão clássica pode ocultar. Isso porque o texto impõe, por si próprio, uma análise de quais são as disposições em contrário. O legislador interessado, e são tantos, em determinada redação, encontra uma estrada de escapismo. Por isso, digo eu, a legislação brasileira apresenta lacunas sobre lacunas.

Tem-se a impressão de que a necessidade é não somente da vacinação contra a Covid-19, como também de uma vacinação para o próprio Brasil voltada para imunizar as negociações a preços flagrantemente absurdos e comprometedores. Uma outra vacina deve ser aplicada, como citou Cristina Serra, Folha de São Paulo, contra o autoritarismo de Bolsonaro e o apelo a um golpe voltado para torpedear tanto o STF quanto o Congresso Nacional.

GASOLINA, DIESEL E GÁS  – A Direção da Petrobras ocupada pelo general Joaquim Silva e Luna estabeleceu um aumento bastante sensível para a gasolina, o óleo diesel e o gás de botijão. No governo Bolsonaro, o preço do gás de cozinha subiu 66%, a gasolina subiu 48% e o óleo diesel subiu 45%. Problema, portanto, para o IBGE e para a Fundação Getúlio Vargas que terão que levar em conta tanto esses preços quanto o reflexo deles no custo de vida e na inflação do país. 

Inclusive porque o repasse final das majorações recairá como sempre na cabeça de todos nós, consumidores. Na Petrobras, reportagem de Bruno Rosa, no O Globo, e Nicola Pamplona, Folha de São Paulo, o general Silva e Luna manteve a mesma política colocada em prática por Roberto Castello Branco, que por este motivo foi exonerado por interferência direta de Jair Bolsonaro.

A política, portanto, não mudou e continua se baseando nos preços internacionais do petróleo, na oscilação do dólar e no mercado internacional. Mas, assinalo, o que os consumidores brasileiros têm com o preço do petróleo no mercado brasileiro, com as oscilações flutuantes da taxa de câmbio ou com o câmbio internacional?

INFLUÊNCIA – O Brasil produz, refina e consome dois milhões de barris de petróleo por dia. A influência do dólar só se aplica nas exportações brasileiras de petróleo bruto e nas importações por produtos refinados em parques que o nosso país não possui. Mas esta diferença não é grande. Afinal de contas, citar o dólar por quê?

Ele tanto reflete as importações brasileiras quanto as exportações feitas pelo país. Não há justificativa para a dolarização da Petrobras, a menos que se considere a receita da Petrobras e o seu desempenho em relação aos acionistas. Mesmo assim, a Petrobras teria que levar em conta o aspecto social do nosso país.

BOLSONARO, UM DEMOLIDOR – Em um artigo muito bom, no O Globo de ontem, Merval Pereira focaliza e ilumina um aspecto que impulsiona os movimentos do presidente Jair Bolsonaro. São sempre no sentido de demolir alguma coisa que ele identifica pelo caminho. Após dois anos de sua posse, não há uma política construtiva, um ato voltado para o desenvolvimento econômico e também social, e não existe até hoje um projeto de governo.

Merval Pereira lembra que Bolsoanro, no fundo, ao fazer acordo com o Centrão, tenta efetivamente desmoralizar o parlamento na medida em que adota a prática de uma política de troca de interesses por ele próprio condenada quando percorria a estrada de sua candidatura ao Planalto.

O impulso demolidor e contraditório está atingindo duramente a população brasileira. De outro lado, ele rejeita definições científicas sobre a importância das vacinas e os laudos contra o uso da cloroquina. Merval Pereira acrescenta ainda que Bolsoanro se omite diante do escândalo arquitetado sobre a aquisição de 400 milhões de doses da Astrazeneca por um preço pelo menos 30% superior ao do mercado.  

DIGITALIZAÇÃO E ANITTA –  Numa entrevista a Isabela Bolzani, Folha de São Paulo, David Vélez, presidente do Nubank, que inclui fundos de investimentos do bilionário Warren Buffett, afirmou que o jogo financeiro no Brasil está só começando. O fundador do Nubank destaca a incorporação de Anitta em seu conselho de administração,

O próximo passo, com base em 40 milhões de clientes no Brasil, na Colômbia e no México, será progressivamente ampliar os serviços bancários digitais. Diz ele que pessoas que não tem histórico financeiro poderão adicionar limite no cartão e usá-lo como se fosse cartão de crédito. Admiro muito a sensualidade e a personalidade de Anitta que a levou e a mantém no absoluto sucesso alcançado. Mas não acredito que a digitalização em alta velocidade possa produzir por si crescimento econômico e muito menos redistribuição de renda.

Ao contrário, vamos aplaudir e concentrar nossa atenção no corpo extremamente sensual da cantora. Entretanto, não creio que o apelo sexual que os seus movimentos criam possam alavancar avanços econômicos. Prefiro vê-la dançando e fascinando os que, assim como eu, a admiram.


terça-feira, julho 06, 2021

ACM Neto dispara na frente como candidato ao governo da Bahia

Se a eleição fosse hoje, ele derrotaria com folga o candidato do PT e se elegeria no primeiro turno

atualizado 06/07/2021 7:31

ACM Neto@acmnetooficial/Reprodução/Instagram

Enfim, uma boa notícia para o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, presidente nacional do DEM, partido em convulsão desde que perdeu para o PSD do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab os passes de Rodrigo Maia, ex-presidente da Câmara, e de Eduardo Paes, prefeito do Rio; sem falar do passe de Rodrigo Garcia, que trocou o DEM pelo PSDB para disputar o governo de São Paulo.

Uma pesquisa aplicada pelo Instituto Paraná para consumo interno da campanha de ACM Neto ao governo mostra que, se a eleição fosse hoje, ele derrotaria Jaques Wagner, candidato do PT, por 50% a 22%, elegendo-se no primeiro turno. Wagner é senador, governou a Bahia duas vezes, elegeu e reelegeu Rui Costa (PT) governador. Na Bahia, Lula ganha disparado de Jair Bolsonaro para presidente.

Se dependesse de Fátima, mulher de Wagner e amiga de longa data de Lula, seu marido continuaria no Senado por mais quatro anos, como a lei lhe assegura. Mas não depende dela, depende de Lula, que precisa de um palanque forte na Bahia.

https://www.metropoles.com/

Nota da redação deste Blog -  

Em pesquisa e disco voador, crê quem quer


UMA PESQUISA bem elaborada tem o seu valor científico, isso é indiscutível. Não brigo com pesquisa, nem discuto sua licitude sem dados. Mas também deve ser analisada como um parâmetro eleitoral limitado, porque o seu resultado reflete tão somente o momento em que foi feita. (Por )

https://acreagora.com/

  

Coaf aponta depósitos do dono da Precisa para ex-diretor da Petros, que é réu na Lava-Jato


Audiência pública para tomada de depoimentos. Depoente do dia, ex-presidente do Conselho Administrativo da Sete Brasil Participações S/A, Newton Carneiro da Cunha

Carneiro da Cunha recebeu uma propina de R$ 500 mil

Paulo Cappelli, Leandro Prazeres e Aguirre Talento
O Globo

Relatório do Coaf, órgão de combate à lavagem de dinheiro, enviado à CPI da Covid, revela movimentações consideradas atípicas envolvendo Francisco Maximiano, dono da farmacêutica Precisa, que assinou um contrato de R$ 1,6 bilhão sob suspeita para fornecer a vacina indiana Covaxin ao Ministério da Saúde.

O documento sigiloso, obtido pelo GLOBO, aponta que empresas controladas por Maxiamiano teriam repassado mais de meio milhão de reais para Newton Carneiro da Cunha, ex-diretor da Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras, e réu na Operação Lava-Jato.

PRESTAÇÃO DE “SERVIÇOS” – A defesa de Francisco Maximiano disse que manteve uma “relação privada, de prestação de serviços” com Newton Carneiro da Cunha, mas não explicou que serviços seriam esses. Procurada, a defesa de Newton Carneiro da Cunha disse que entrou em contato com o ex-diretor da Petros, mas que ele ainda não havia se manifestado sobre o assunto.

Em um relatório de 16 páginas, o Coaf mapeou negócios e pessoas ligadas a Maximiano. Dentre as operações que chamaram atenção do órgão de combate à lavagem de dinheiro, estão repasses feitos pelas empresas Precisa e 6 M Participações, de Maximiano, para Newton Carneiro da Cunha no valor total de R$ 514 mil. O documento, que analisou transações realizadas entre outubro de 2015 e dezembro de 2020, não especificou a data exata da operação considerada atípica.

Alvo da Operação Lava-Jato, Newton Carneiro da Cunha chegou a ser preso em 2018 por suspeita de fraude no fundo de pensão dos funcionários da Petrobras (Petros).

FOLHAS CORRIDAS – Cunha foi denunciado e virou réu por supostamente integrar uma organização criminosa que desviou dinheiro da construção da sede da Petrobras em Salvador. Maximiano, por sua vez, já foi alvo de investigação por suspeitas de irregularidades no fundo de pensão dos Correios (Postalis).

Além de dono da Precisa, Maximiano é sócio da Global Gestão em Saúde, que, em 2015, firmou um contrato de R$ 549 milhões com a Petrobras para fornecer remédios a funcionários da estatal. A Petrobras, porém, rescindiu o acordo por entender que o programa de medicamentos continha falhas. Em janeiro deste ano, a empresa multou a Global em R$ 2,3 milhões e a proibiu a de firmar novos contratos.

Uma investigação do Ministério Público Federal de São Paulo havia detectado indícios de irregularidades na relação entre Maximiano e Newton Carneiro.

GLOBAL SAÚDE – Em depoimento em delação premiada, o ex-vereador petista Alexandre Romano afirma que Maximiano buscou Carneiro para tentar vender à Petrobras esse programa de medicamentos da Global Saúde, contrato que posteriormente foi rescindido devido às falhas detectadas pela estatal.

O relatório do Coaf também detectou que a Precisa Medicamentos fez transações financeiras no valor total de R$ 43 milhões no período entre 17 de fevereiro e 14 de junho deste ano. O volume chamou atenção do órgão porque, dos R$ 18,7 milhões recebidos no período, a maior parte (R$ 14 milhões) veio de outras empresas que também pertencem a Maximiano. Isso, de acordo com o relatório, dificulta a identificação da real origem dos recursos que entraram na empresa.

NO CASO COVAXIN – Maximiano ganhou notoriedade após uma de suas empresas, a Precisa, assinar em 25 de fevereiro deste ano um contrato de R$ 1,6 bilhão com o Ministério da Saúde como intermediadora da vacina indiana Covaxin. A aquisição do imunizante, considerado o mais caro, entrou na mira da CPI da Covid após virem à tona denúncias de suspeitas de irregularidades — e foi suspenso pelo governo Bolsonaro. O acordo previa o fornecimento de 20 milhões de doses.

Por conta da suspeita de irregularidades na aquisição da Covaxin, Maximiano chegou a ser convocado para depor na CPI da Covid. Após a Polícia Federal instaurar um inquérito para apurar o caso, o empresário, porém, conseguiu no Supremo Tribunal Federal (STF) o direito a permanecer em silêncio na comissão parlamentar para não se autoincriminar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Newton Carneiro da Cunha é figura carimbada na corrução. Foi presidente da empresa Sete Brasil, uma empresa de papel que se dizia fabricante de sondas de perfuração, criada para extrair recursos da Petrobras, mediante corrupção generalizada na Era do PT. É impressionante que ainda esteja livre, leve e solto, como diria Nelson Motta. (C.N.)

 

Simone Tebet mostra que documento usado pelo governo para rebater as denúncias foi falsificado


Senadora desmoralizou o governo exibindo as fraudes

Julia Affonso
Estadão

A senadora Simone Tebet (MDB-MS) afirmou nesta terça-feira, 6, acreditar que houve falsificação no documento usado pelo governo de Jair Bolsonaro para rebater denúncia de irregularidades na compra da vacina indiana Covaxin. À Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, Tebet identificou 24 erros na chamada “invoice” (uma fatura com os dados do pagamento) apresentada pelo ministro Onyx Lorenzoni, no dia 23 de junho, quando ameaçou processar os denunciantes.

Com uma imagem do documento, Tebet apontou erros de grafia, de inglês e falta de informações na nota fiscal que teria sido enviada pela Precisa Medicamentos ao Ministério da Saúde, para a compra da Covaxin, em março deste ano. “Tem clara comprovação de falsidade de documento privado. Nós estamos falando de falsidade ideológica formulada por alguém”, disse a senadora.

FRAUDE GROTESCA – Entre os erros apontados por Tebet estão marca e o logotipo da empresa desenquadrados –“não estão alinhados em alguns pontos, como se fosse uma montagem”–; erros de inglês, como “prince” (príncipe) no lugar de “price” (preço); “airpor” e não “airport” (aeroporto); mistura de português e inglês, o que a senadora chamou de “portinglês”; diferença no número de doses de vacinas de um campo para o outro; falta de dados bancários e assinaturas/autorizações.

O documento foi divulgado pela primeira vez pelo servidor do Ministério da Saúde, Luis Ricardo Miranda, e seu irmão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), como prova de que havia irregularidade na compra da Covaxin.

PAGAMENTO ANTECIPADO – Na versão apresentada pelos dois, a “invoice” previa pagamento antecipado de R$ 45 milhões por 3 milhões de doses da Covaxin, o que não estava previsto no contrato fechado entre Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, intermediadora do negócio. Pelo acordo, o pagamento só deverá ser feito após o Brasil receber a vacina, o que ainda não ocorreu.

Outro ponto levantado pelos irmãos é de que a empresa destinatária do pagamento é a Madison Biotech, uma offshore sediada em Cingapura que não consta no contrato. Segundo a Precisa, a empresa é ligada ao laboratório indiano Bharat Biothec, fabricante da Covaxin.

VERSÃO DO PLANALTO – No dia 23 de junho, Onyx e o assessor da Casa Civil e ex-secretário-executivo da Saúde, coronel Élcio Franco, fizeram um pronunciamento no Palácio do Planalto no qual acusaram o servidor do Ministério da Saúde e seu irmão deputado de forjarem o documento para sugerir irregularidades. Segundo Franco e Lorenzoni, o governo havia recebido duas versões da nota fiscal, mas nenhuma delas correspondia à que havia sido apresentada pelos irmãos Miranda.

O documento apresentado pelos irmãos, no entanto, é o que consta no sistema do Ministério da Saúde.

“Como é que ninguém visualiza um documento fajuto como este, documento apresentado pelo Onyx e pelo Elcio, fotografado por nós e pela imprensa?”, disse a senadora.

HÁ ERROS DEMAIS – Durante a sessão da CPI, a senadora questionou se a Madison teria produzido um documento “com tantos erros de inglês”. “São tantos os erros apontados – ‘of’ que não é comum, tem normalmente apóstrofe; o nome do aeroporto corrigido errado; Brasil com “z”; e aeroporto em português”, apontou.

Segundo ela, o erro mais grave foi em relação ao número de doses. A quantidade expressa na nota fiscal era diferente em dois campos do documento. “As doses ali eles colocam que são 300 mil caixas com 16 ampolas cada, cada ampola dá para uma dose. Se eu for multiplicar por isso, o que o Brasil teria que receber é 4,8 milhões de doses e não 3 milhões, como está aqui”, afirmou. “É um documento que diz que ora o Brasil vai receber 4,8 milhões de doses da vacina, que ora vai receber 3 milhões de doses.”

CONTRATO FECHADO – O Ministério da Saúde fechou contrato de compra de 20 milhões de doses do imunizante em 25 de fevereiro deste ano pelo valor total de R$ 1,6 bilhão. Cada dose vai custar US$ 15, o maior valor dentre os imunizantes adquiridos pela Pasta.

Procurados pela reportagem para explicar os erros apontados pela senadora, Onyx e o Ministério da Saúde não responderam aos questionamentos.

Contrato da Covaxin só passou a ser fiscalizado após a denúncia dos irmãos Miranda


Uma mulher de óculos e máscara, gesticulando à mesa. Diante dela, uma tela de um notebook e um vidro de álcool em gel

Promovida duas vezes por Barros, ela não viu nada errado

Renato Machado e Raquel Lopes
Folha

Os senadores que integram da CPI da Covid enxergaram novos indícios de falhas na aquisição da vacina indiana Covaxin, após depoimento da servidora do Ministério da Saúde que atua como fiscal do contrato, Regina Célia Silva Oliveira, admitir que o processo ficou sem fiscalização por cerca de um mês.

A servidora também afirmou que não viu nada “atípico” no processo da Covaxin e que não cabia a ela corrigir falhas no chamado invoice, a fatura para o pagamento pelas doses.

HOUVE OMISSÃO – Ela foi convocada para explicar por que deu prosseguimento ao processo de compra da Covaxin do laboratório indiano Bharat Biotech, intermediado pela brasileira Precisa Medicamentos, mesmo após indícios de irregularidades. O contrato foi suspenso apenas no dia 29 de junho.

Em sua fala, Regina Célia afirmou que sua nomeação para o cargo de fiscal desse contrato saiu apenas no dia 22 de março deste ano. Ou seja, deu-se quase um mês após a assinatura do contrato, no dia 25 de fevereiro.

Além disso, a nomeação aconteceu após o descumprimento de duas etapas de entrega de vacinas. E também aconteceu dois dias após o deputado Luis Miranda (DEM-DF) ter alertado o presidente Jair Bolsonaro de irregularidades no processo, segundo informou o parlamentar ao colegiado.

SEM FISCALIZAÇÃO – “O contrato foi assinado em fevereiro. Portanto ficou um mês sem fiscal. Teve um mês sem fiscal esse contrato”, disse o vice-presidente da CPI, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

Esse vácuo temporal também foi explorado pelo relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL). “Foi designada para fiscalizar o contrato depois do descumprimento”, disse o relator.

“Veja só, o contrato foi assinado dia 25 de fevereiro. As primeiras doses precisavam chegar ao Brasil com 20 dias após a assinatura. Portanto, é 17 de março. As doses tinham que estar no Brasil no dia 17 de março. Ela foi nomeada fiscal no dia 22 de março. Como é que, depois de descumprido o contrato, ela autoriza?”, questionou Simone Tebet (MDB-MS).

RELATÓRIO TARDIO – Os senadores também questionaram o fato de que Regina Célia ter dito que emitiu um relatório no dia 23 de junho apontando o descumprimento total do contrato. A servidora disse que submeteu o documento para a Secretaria de Vigilância em Saúde do ministério para que avaliassem a pertinência da continuidade da contratação.

Os membros da comissão afirmam que a data do relatório se deu de maneira extremamente tardia, beneficiando a empresa.“E você não cumpriu em 17 de março. Depois, 27 de março: não cumpriu. Aí, quando é que a servidora encaminha um relatório dizendo que eles não estavam cumprindo?”, questionou retoricamente o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM)

“O seu relatório foi feito em junho, depois do escândalo, depois da Comissão Parlamentar de Inquérito [apontar irregularidades]”, completou Renan.

LIGADA A BARROS – A comissão acredita que Regina Célia seja uma pessoa ligada ao líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros (PP-PR). A servidora, no entanto, negou ter sido beneficiada por indicação política e mesmo conhecer Barros. “Não o conheço. Eu sei quem é porque é uma figura pública, mas eu não o conheço”, disse.

Posteriormente, no entanto, a servidora de carreira reconheceu que foi comissionada por duas vezes quando Ricardo Barros era ministro da Saúde.

Regina Célia também disse que não caberia a ela tomar providências por eventuais problemas no chamado invoice, a fatura.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A esculhambação do setor de compras bilionárias do Ministério era de tal ordem que só faltou os roedores civis e militares gritarem “Barata voa!” para sumir com o dinheiro. (C.N.)


Presidente da CPI faz apelo para que Bolsonaro esclareça denúncia de Miranda sobre Covaxin

Publicado em 6 de julho de 2021 por Tribuna da Internet

Osmar Aziz espera que Bolsonaro diga logo o que aconteceu

Adriana Mendes e André de Souza
O Globo

O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), fez um apelo ao presidente Jair Bolsonaro nesta terça-feira  para que declare se ele realmente recebeu os documentos sobre a compra da  vacina Covaxin durante o encontro com o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e seu irmão, o servidor Luis Ricardo Miranda. Segundo Aziz, só o presidente pode esclarecer a dúvida da sociedade brasileira.

— Vamos fazer um apelo ao Excelentíssimo senhor presidente Jair Messias Bolsonaro, que aquele pessoal que vai no cercadinho, pergunte: presidente o senhor recebeu ou não recebeu esse invoice (nota fiscal) — disse Aziz, sugerindo também que o presidente pode responder em uma live.

13 DIAS CALADO — Se não, a gente vai estar aqui ouvindo pessoas e as pessoas (..) só quem pode responder isso de fato e até hoje não respondeu — justificou o presidente da CPI.

— Qual o crime dos invoices? — questionou então o senador Marcos Rogério (DEM-RO), enquanto o relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), destacava que são 13 dias em que o presidente não fala sobre o assunto.

— Ele (Bolsonaro) disse ou não disse aos irmãos Miranda que isso era coisa do  líder do governo, Ricardo Barros ? — indagou Calheiros. Uma discussão tomou conta da sessão, e o presidente interrompeu a fala de Rogério e de Renan. — As intenções estão muito claras — concluiu Aziz.

OUVIR BARROS – Bolsonaro cobrou ontem que a CPI da Covid ouça o líder do governo na Câmara. O deputado Luís Miranda disse aos senadores que o próprio Bolsonaro atribuiu irregularidades na compra da vacina indiana a um “rolo” de Ricardo Barros.

Já o líder do governo negou que tenha envolvimento com a compra do imunizante e entrou no Supremo para forçar o depoimento na CPI.

Jeremoabo 96 anos de glórias e inglórias!!!

 



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Jeremoabo, 96 anos inglórios.
Por: José Mário Varjão
Por volta deb1690, Jeremoabo já tinha posto policial, fato que marca sua importância para os Poderes da época, já que abrangia a região de Lagarto, Itabaiana em Sergipe, Monte Santo, Euclides da Cunha e Juazeiro, margeando o Rio São Francisco até região próxima a Propriá/SE. Dimensão territorial equivalente ao estado de Sergipe. Inicialmente, domínio dos Garcia d'Ávila, com forte influência da Igreja. A igreja de São João Batista, (a primeira), construída em 1724, através de um processo (licitatório forjado), foi condenada e posteriormente demolida, sendo reconstruída em 1754, permanecendo a mesma, até dias atuais. Apesar dos desmembramentos, Jeremoabo ainda é um dos maiores municípios da região, contendo mais de 4.500 km2.
A sua grandeza histórica não tem servido para estruturar o seu progresso, vivemos forte influência da era Lampião e família Carvalho Sá, de lá para cá, é válido afirmar que politicamente, sempre foi governado por um mesmo grupo político, tendo em alguns curtos períodos, sido governado por um dissidente do mesmo grupo, fato é que continuamos na mesmice, enquanto isso, nossa JEREMOABO afunda administrativamente mais uma vez.
ISTO É O QUE NOS SOBROU DE JEREMOABO, UMA CIDADE CONDENADA A REGREDIR ADMINISTRATIVAMENTE.




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