segunda-feira, fevereiro 08, 2021

Pessoas com sintomas gripais em Aracaju devem procurar unidades de saúde referência em Covid-19

 

De acordo com a SMS, há unidades básicas de saúde direcionadas a esse tipo de ocorrência.


Por G1 SE

Sintomas gripais — Foto: GETTY IMAGES/Arquivo


Sintomas gripais — Foto: GETTY IMAGES/Arquivo


Em caso de sintomas de síndromes gripais ou suspeita de Covid-19, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) orienta que o paciente busque uma das Unidades Básicas de Saúde (UBSs), direcionadas para serem referência a esse tipo de ocorrência:


Todos os dias, das 7h às 18h:

  • UBS Dr. Onésimo Pinto ( Bairro Jardim Centenário)
  • UBS Ministro Costa Cavalcante ( Bairro Inácio Barbosa)
  • UBS José Machado de Souza ( Bairro Santos Dumont)
  • UBS Geraldo Magela ( Bairro Orlando Dantas)

️️Nessas unidades, o usuário com sintomas passa por avaliação médica e, em seguida, é feita a notificação e o teste RT-PCR. Usuários que não apresentam sintomas suspeitos de Covid-19 e necessitam de atendimento na Atenção Primária, podem buscar a Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua região.

Para casos mais graves, o município segue ofertando atendimento exclusivo 24h nos contêineres instalados nas áreas externas das Unidades de Pronto Atendimento Fernando Franco e Nestor Piva.

https://g1.globo.com/

Caravelas: Dono de paredão é preso após diversas denúncias sobre volume de som


Caravelas: Dono de paredão é preso após diversas denúncias sobre volume de som
Foto: Reprodução / Teixeira Hoje

Após várias denúncias, o dono de um carro que tinha um som no estilo “paredão” foi preso em Caravelas, no Extremo Sul baiano. Segundo o Teixeira Hoje, o caso ocorreu no distrito de Jurema. Assim que foi avisada, uma guarnição do Pelotão de Emprego Tático Operacional (PETO), da 88ª Companhia Independente de Alcobaça (CIPM), se deslocou para o local.

 

Ao chegar no distrito, os agentes fizeram a abordagem ao infrator e determinaram que o som fosse desligado. Na ocorrência, os policiais encontraram no veículo, um Volkswagen Golf, placa OKU-8981, um revólver calibre 32, de numeração raspada e municiado com seis cartuchos intactos. O proprietário do carro foi levado para a 8ª Coordenadoria de Polícia do Interior (Coorpin/Teixeira de Freitas).

 

Ele vai responder por perturbação ao sossego e posse ilegal de arma de fogo.

Bahia Notícias

Membros do MDB querem ocupar espaço deixado pelo DEM em oposição a Bolsonaro


Membros do MDB querem ocupar espaço deixado pelo DEM em oposição a Bolsonaro
Foto: Sérgio Lima/ Poder 360

Com o DEM fora da liderança de uma frente ampla de oposição ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), em 2022, membros do MDB começaram a defender que o partido ocupe esse espaço vago. Eles avaliam que esse é o principal legado da eleição na Câmara e que até agora não foi ocupado.

 

Segundo a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, na cúpula da sigla, a avaliação é de que qualquer articulação deve ocorrer no campo de centro. Ou seja, sem a participação das esquerdas.

Bahia Notícias

OAB-BA pede correição do CNJ no TJ-BA por juízes não atenderem advogados


por Cláudia Cardozo

OAB-BA pede correição do CNJ no TJ-BA por juízes não atenderem advogados
Foto: Cláudia Cardozo / Bahia Notícias

 

A Ordem dos Advogados do Brasil - Seção Bahia (OAB-BA) vai pedir ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) uma correição específica no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) por não atendimento de advogados por magistrados. A deliberação foi aprovada pelo Conselho Pleno na última sexta-feira (5). 

 

Segundo o presidente da OAB-BA, Fabrício Castro, a entidade tem agora provas para demonstrar ao CNJ que a advocacia não está sendo atendida por magistrados. “A prova do não atendimento era sempre a mais difícil. Mas, com a pandemia, a prova nos  foi dada. Todos os tribunais têm normas para garantir o atendimento dos advogados. É dever do magistrado atender a advocacia”, afirma o presidente da OAB-BA. A correição poderá ser feita pelo CNJ analisando e-mails, e se houve resposta por parte dos juízes e servidores. A conselheira Maíra Vidal exemplificou ainda que, no âmbito do segundo grau, dos 61 desembargadores, 25 gabinetes não disponibilizam e-mails para atendimento, o que dificulta o exercício da advocacia. 

 

Para embasar o pedido, a Comissão de Prerrogativas reunirá todas as reclamações de advogados por não atendimento, além de apresentar todos os ofícios que foram encaminhados para o TJ-BA e para Corregedoria pedindo providências e as respostas que foram dadas para a instituição. 

Bahia Notícias

Salvador prorroga suspensão de aulas presenciais e prefeito prevê pressão no sistema


por Bruno Luiz / Jade Coelho

Salvador prorroga suspensão de aulas presenciais e prefeito prevê pressão no sistema
Foto: Bruno Concha/Secom

O decreto municipal que proibe a realização de aulas presenciais nas esculas de Salvador foi prorrogado mais uma vez pela gestão soteropolitana. O prefeito da capital, Bruno Reis (DEM), anunciou nesta segunda-feira (8) que as atividades presenciais nas escolas ficam suspensas até 23 de fevereiro. 

 

A volta às aulas tem sido altamente cobrada aos gestores por pais de alunos, instituições de ensino e prestadores de serviços relacionados, como os motoristas de transporte escolar. Por outro lado, a entidade representativa dos professores, a APLB Sindicato, condiciona o retorno presencial à vacinação de professores contra a Covid-19 (leia mais aqui).

 

Salvador está com as aulas suspensas desde março de 2020. A prefeitura da capital se antecipou até mesmo ao governo do estado para decretar a medida quando surgiram os primeiros casos de Covid-19 na cidade. Em toda a Bahia o decreto de suspensão das aulas ocorreu em seguida. 

 

Na sexta-feira (5) a juíza Juliana de Castro Madeira Campos, da 6ª Vara da Fazenda Pública de Salvador, determinou a retomada das atividades escolares presenciais na Bahia, com prazo até o dia 1º de março para o retorno. Segundo a magistrada, a suspensão das aulas viola o princípio constitucional da razoabilidade (lembre aqui).

 

Também na semana passada o prefeito Bruno Reis e outros gestores municipais se reuniram com o governador da Bahia, Rui Costa (PT), para definir um protocolo e a estratégia para retorno das aulas (leia aqui).

 

O governo do estado defende que seja feito um protocolo único para toda a Bahia. De acordo com Bruno, devem ocorrer pelo menos mais três reuniões com o governo para discutir os protocolos para retomada.

 

Sobre a decisão judicial, o prefeito de Salvador acredita que os ânimos serão pacificados a partir da estratégia da prefeitura e do governo do estado de incluírem o Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a Defensoria Pública e o Ministério Público na discussão sobre o retorno das aulas. 

 

"Quando nós adotamos estratégia de na segunda-feira conversar com Tribunal de Justiça, Ministério Público e Defensoria é até para evitar liminares. Acho que a partir dessa nossa conversa, quando participarem da definição, as medidas judiciais que ocorreram de forma isolada o TJ vai pacificar entendimento", disse Bruno. 

 

O prefeito ainda comentou que preocupada a getsão municipal a situação das escolas particulares. Ele fez um alerta para o risco de fechamento de unidades de educação médias e pequenas, e que isso traria impacto para a prefeitura, já que a demanda dessas escolas teria que ser absorvida pela rede municipal e estadual.

 

Bruno ainda ressaltou que a prefeitura não teria recursos financeiros para absorver essa pressão. 

Bahia Notícias

Informação a Sérgio Moro e Merval Pereira: os diamantes são eternos, a corrupção, também


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Charge do João Bosco (O Liberal)

Pedro do Coutto

O Globo, edição de domingo, publicou artigo de Merval Pereira sobre as articulações que flutuam no cenário político para esvaziar a operação Lava Jato e proporcionar uma nova perspectiva para corruptos e corruptores que saquearam o Brasil a partir de 2003 e  que pelos últimos lances nem tão ocultos voltam-se para assegurar a própria impunidade.

Ao mesmo tempo, o governo Bolsonaro está assistindo os efeitos da iniciativa da Procuradoria-Geral da República que na verdade decretou o fim da operação Lava Jato. E o próprio passo é inocentar Lula e todos os corruptos.

GUERRA DA IMPUNIDADE – Firmemente, Merval Pereira expôs as articulações do Centrão e de parte do Supremo Tribunal Federal para assegurar a impunidade dos personagens.

O jornalista de O Globo escreveu um verdadeiro ensaio iluminando a face ainda oculta da corrupção brasileira. Incrível. A rede de atuação é profunda e articulada. O objetivo é claro – não só tentar destruir o trabalho extraordinário de Sérgio Moro e da Lava Jato, como também amordaçar o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), porque o acesso a esse órgão bloqueia os depósitos tanto na rede bancária brasileira quanto no sistema internacional. Em síntese, tornava claro o volume dos depósitos inclusive os que não podem explicar sua existência.

A existência da Lava Jato e do COAF não interessa a grupos de parlamentares, a ministros, a dirigentes de empresas estatais e a empresários que aparecem como autores dos depósitos sombrios.

MAIS IMPUNIDADE – Reportagem de Bruno Goes e Natália Portinari, também em O Globo, revela a elaboração de grupos na Câmara Federal no sentido de afrouxar a legislação contra a improbidade e a lavagem de dinheiro. Um escândalo.

Inclusive o repórter Bernardo Caran, na Folha, acentua que grupos de deputados e senadores estão concluindo projeto para que o governo não cobre 242,6 bilhões de reais em dívidas tributárias de empresas. Alegam que há necessidade de um novo prazo para que possa efetuar o pagamento. Essas dívidas foram resultado de quase dois anos, portanto no atual governo.

Para finalizar, Lauro Jardim no seu espaço de ontem no Globo, diz que a venda da Oi móvel para Tim, Vivo e Claro está prevista em 16,5 milhões de reais. Pergunto a Guedes: não é possível que a Eletrobrás tenha seu preço de venda fixado em 16,5 bilhões de reais. A resposta é importante, porque não há comparação entre a Oi e a Eletrobras.

O título que dei a este artigo, os leitores já perceberam, inspira-se no livro de Ian Fleming autor do personagem 007, “Os diamantes são eternos”. Aqui no Brasil, o que parece eterno é a impunidade da corrupção.

crimes fiscais da TV Globo permanece criminosamente “desaparecido”


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Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Carlos Newton

Como sou o único jornalista que cobre o importantíssimo processo por crimes fiscais da TV Globo, cumpro o doloroso dever de voltar ao assunto, para que a Polícia Federal, o Ministério Públicos e a Justiça Federal não sigam o exemplo do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e fiquem sentados em cima dos autos. Aliás, aqui no Brasil a gente sempre corre esse risco, lembram do Geraldo Brindeiro, engavetador-geral da República?

O fato concreto é que o Inquérito Policial nº 5096780-78.2019.4.02.5101/RJ está parado há mais de um ano no trajeto entre a Corregedoria da Polícia Federal no Rio de Janeiro e a Procuradoria-Geral da República.

EMPRESAS FANTASMAS – Os investigados são os empresários/irmãos Roberto Irineu, João Roberto e José Roberto Marinho, junto com o advogado Eduardo Duarte, que abriu em São Paulo um escritório especializado em fabricar empresas fantasmas, especialmente sociedades anônimas, que foram usadas pela família Marinho na estranha e propositadamente confusa contabilidade da TV Globo.

A notícia-crime foi apresentada em julho de 2019. Conforme já noticiado diversas vezes aqui na TI, sempre com absoluta exclusividade, o juiz da 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, buscando a celeridade investigativa, determinou que o inquérito deveria tramitar diretamente entre o Ministério Público Federal (autor) e a Polícia Federal.

Por razões desconhecidas, mais de um ano depois, ao que parece o inquérito ainda não foi instaurado e nem se sabe se investigações preparatórias ou finais tenham sido solicitadas pela Procuradoria-Geral da República no Rio de Janeiro.

PEDIDO AO JUIZ – Inconformado com o flagrante e ilegal engavetamento do tenebroso inquérito contra uma das maiores empresas do país, o advogado paulista Luiz Nogueira enviou petição ao juiz Gustavo Pontes Mazzocchi, da 2ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, requerendo intervenção do juízo para prosseguimento do inquérito sobre crimes fiscais.

“De concreto, a Polícia Federal do Rio, por meio da Corregedoria, informa que os autos estão desde setembro de 2020 com o Exmo. Sr. Procurador Paulo Henrique Brito, mas o mesmo, por ofício, questiona a informação e diz que não pediu providências porque o inquérito ainda se encontra na Superintendência da Polícia Federal”.

Na petição assinalou o advogado que inquéritos mais complexos do que esse, instaurados mais recentemente, já estão em fase final, ignorando-se o motivo dessa lentidão no caso da TV Globo, considerando-se que há mais de um ano a Procuradoria de São Paulo emitiu parecer acerca dos ilícitos cometidos.

SEM EXPLICAÇÃO – Parece incrível, mas posso garantir que tudo isso é verdade. No ano passado, estive diversas vezes na Corregedoria da Polícia Federal e na 2ª Vara Federal, sem conseguir saber o paradeiro do inquérito, e escrevi aqui na TI sobre o imbróglio. Mas agora temos informações oficiais:

1) A PF informa que já enviou dois expedientes ao procurador Paulo Brito, em setembro e em dezembro.

2)  E o procurador responde o seguinte: “Segundo consta no sistema único do MPF, os autos do processo no 5096780 78.2019.4.02.5101/RJ se encontram na Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, desde 22/09/2020. Logo, para que esta Procuradoria da República possa analisar o feito, será necessário que o procedimento seja devidamente devolvido a este parquet federal, via e-proc, para as providências cabíveis”.

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P.S. – Um dos dois está mentindo, e o juiz federal Gustavo Pontes Mazzocchi terá de desvendar esse inusitado mistério que depõe contra a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República. E então iremos saber se todos são iguais perante a lei.   (C.N.)

Nas entrelinhas, a volta do Lula lá, que só depende da Segunda Turma do Supremo


Charge do Lézio Jr. (Diário da Região)

Luiz Carlos Azedo
Correio Braziliense

Setores do governo consideram uma disputa com Lula o cenário ideal para a reeleição de Bolsonaro; na oposição, muitos veem Lula como a melhor opção para derrotar o atual presidente.

A quebra de sigilo das conversas privadas entre o então juiz federal Sergio Moro e os procuradores da Lava-Jato é tóxica, porque mostra que, supostamente, na instrução do processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no caso do triplex de Guarujá e outras investigações, teria havido conluio entre o Ministério Público e a Justiça.

RELAÇÃO PROMÍSCUA – Advogados criminalistas sabem que essa relação promíscua entre a acusação e o juiz é muito mais frequente do que a sociedade imagina, mas, nem por isso, deixa de ser um vício de origem nos processos. Quando são comprovadas, obviamente, geram nulidades nos tribunais.

A decisão de tornar públicas as conversas foi do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski, notoriamente ligado a Lula, que o indicou para a Corte, porém, o teor das conversas geraram espanto e perplexidade.

Como já era de se esperar, os advogados de Lula querem usar o material para derrubar a condenação do petista, com o argumento de sempre: Moro teria atuado de forma parcial nos processos e orientou as ações do Ministério Público, com objetivo de remover o ex-presidente da República da disputa eleitoral de 2018. A anulação do processo, porém, não é assim tão fácil.

DEFESA DE MORO – Uma preliminar será a discussão sobre a competência de Lewandowski para atuar nesse caso. Os advogados de Moro argumentam que caberia ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo, decidir sobre a matéria. Alegam que o fato de Lewandowski ser relator do caso que deu acesso a Lula aos acordos de leniência firmado pela Odebrecht não justifica a liminar em favor da quebra de sigilo.

Moro questiona a veracidade das mensagens atribuídas a ele, ou seja, sustenta que essas provas são ilícitas. Alega que podem ter sido adulteradas ou forjadas antes da Operação Spoofing da Polícia Federal, que apreendeu as gravações. De fato, não existe ainda comprovação da veracidade das gravações.

“As perícias ali realizadas apenas confirmam que as mensagens foram objeto de busca e apreensão nos computadores dos hackers, mas não há demonstração de que não foram corrompidas após terem sido roubadas dos celulares dos procuradores da República”, diz a ação.

EM NADA INFLUEM – Segundo Moro, as mensagens não permitem concluir que Lula não é culpado dos crimes pelos quais foi condenado nem que o Ministério Público ou o juiz sonegaram provas da inocência do ex-presidente. O ex-magistrado tenta justificar as conversas com os procuradores como uma interação normal entre juiz, procuradores e advogados.

“O juiz perguntar ao procurador se ele tem elementos para denunciar é meramente um cuidado retórico para advertir ao Ministério Público de que não deve oferecer acusações levianas, isso para proteger o acusado e não para prejudicá-lo”, alega a defesa de Moro.

As 50 páginas de transcrições seriam mais do que constrangedoras para o ex-ministro da Justiça, porque, supostamente, deixam evidentes suas intenções de apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro. Após as eleições, Moro aceitou o convite de Bolsonaro para integrar sua equipe ministerial.

JULGAMENTO POLÍTICO – Como Lula acabou excluído do processo eleitoral, em razão da condenação, é óbvio que o caso da quebra de sigilo por Lewandowski chegará ao plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) com ares de julgamento político, e não criminal.

Não vou entrar no mérito da Operação Lava-Jato, apenas recomendo os livros dos colegas Vladimir Neto (Lava-Jato), Malu Gaspar (A Organização) e Letícia Duarte (Vaza Jato). A delação premiada da Odebrecht foi uma bomba de fragmentação que atingiu todo o sistema político, aprofundando a crise de representação dos partidos e levantando uma onda antissistema que levou Bolsonaro ao poder.

Promoveu um grande expurgo político, mas a roda girou, e os sobreviventes, agora, montaram uma operação de cerco e aniquilamento da Lava-Jato, na qual o presidente Bolsonaro vem tendo um papel muito importante. A anulação da condenação de Lula seria o coroamento desse processo.

HÁ CONTROVÉRSIAS – Nos bastidores de Brasília, sabe-se que há setores do governo que consideram uma disputa eleitoral com Lula o cenário ideal para a reeleição de Bolsonaro; na oposição, muitos veem a situação com sinal trocado: a melhor opção para derrotá-lo. Outros acreditam que Bolsonaro prepara um golpe.

A anulação da condenação seria uma espécie de nova “Macedada”. Em 1936, José Macedo Soares, ministro da Justiça, decidiu libertar 300 comunistas presos em razão da chamada Intentona de 1935. Sem essa “anistia”, a fraude do Plano Cohen (supostas diretrizes da Internacional Comunista para uma nova insurreição no Brasil), que serviu de pretexto para o golpe do Estado Novo, em 1937, teria menos credibilidade ainda.

O documento foi forjado pelo então major Mourão Filho, que mais tarde, como general, seria um dos líderes do golpe militar de 1964.

Após tomar a presidência da Câmara, Centrão já busca ocupar alguns espaços dos militares


20/05/2020

Charge do Miguel (Jornal do Comércio/PE)

Felipe Frazão
Estadão

A vitória nas eleições do Congresso impulsionou o apetite do Centrão por espaços no governo do presidente Jair Bolsonaro, que agora terá um novo esteio para blindar seu mandato. O bloco de partidos da chamada “velha política”, atacada por Bolsonaro na campanha eleitoral, busca dividir protagonismo político com os generais na Esplanada dos Ministérios e voltar aos cargos de seus redutos tradicionais na máquina pública.

A lista de alvos de cobiça da nova base do governo é cirúrgica e conhecida. O grupo mira as pastas da Saúde, chefiada pelo general Eduardo Pazuello, e de Minas e Energia, comandada pelo almirante Bento Albuquerque, e setores da Infraestrutura, de Tarcísio Gomes. Esses ministérios têm órgãos vinculados espalhados pelo País, chefiados também por militares. Outras pastas na mesa de apostas são Cidadania e Desenvolvimento Regional, ambos controlados por políticos de carreira.

FORRA DO APAGÃO – A pasta de Minas e Energia pode voltar à órbita do Senado, sendo oferecida a aliados pelo senador Davi Alcolumbre (DEM-AP), empoderado pelo Palácio do Planalto e um dos responsáveis pela vitória do governo. Ele sondou o senador Nelsinho Trad (PSD-MS) para o cargo. Bento Albuquerque também foi questionado por causa do prolongado apagão no Amapá no ano passado. Alcolumbre atribui ao apagão a derrota do irmão Josiel, que disputava a prefeitura de Macapá.

Dentro do ministério do almirante Bento, o Centrão mira especialmente os cargos da Itaipu Binacional. A empresa binacional é presidida pelo ex-ministro da Defesa Joaquim Luna e Silva. Oficiais do Exército ocupam postos estratégicos. Na Infraestrutura, o alvo dos aliados do governo é o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), presidido pelo general Antônio Leite dos Santos Filho.

RECRIAR PASTAS? – Para conter o assédio do Centrão, Bolsonaro chegou a reconhecer a possibilidade de recriar pastas como Cultura, Esporte e Pesca. Mas depois recuou. Esses ministérios já não teriam uma disputa de espaços tão direta com militares, nem são considerados de primeira linha. “Quem está correndo atrás de ministério da Cultura, do Esporte e da Pesca?”, desdenhou Ricardo Barros (Progressistas-PR), líder do governo na Câmara, um dos expoentes do bloco que forma agora a base do governo.

Na semana passada, o Estadão revelou pressão de Barros para “enquadrar” a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ex-ministro da Saúde, ele negou intenção de retornar ao cargo. A agência reguladora é presidida pelo contra-almirante Antônio Barra Torres, mas uma mudança no comando é considerada remota, porque ele exerce mandato de cinco anos, com respaldo de Bolsonaro.

PAZUELLO NA MIRA – Ricardo Barros descarta uma reforma ampla e a substituição de Eduardo Pazuello do comando da Saúde, apesar da cobiça de seu partido. Setores do Progressistas, porém, deixam claro o interesse de voltar ao ministério. Bolsonaro tenta dar sobrevida ao general do Exército. A obediência do militar a suas orientações chegou a ponto da pasta recomendar tratamentos de cura sem comprovação científica no combate à covid-19. Agora, o ministro é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) pela gestão na pandemia. Ele é o único da ativa oficial a permanecer como ministro, fato que contraria o Alto Comando do Exército.

CRÍTICAS À TRAIÇÃO – O ingresso do Centrão no primeiro escalão de Bolsonaro constrange os militares, afirmam oficiais da ativa e da reserva, ciosos da imagem das Forças Armadas.

“O que está acontecendo agora é mais uma traição às promessas de campanha, mais uma que vai para o ralo. A política do toma lá, da cá é agora praticada de maneira aberta e escancarada. Considero um fato grave e se eu estivesse no governo ficaria muito constrangido e certamente estaria pensando em abandonar o barco”, diz o general Francisco Mamede de Brito Filho, da reserva do Exército.

O general de Exército Maynard de Santa Rosa, ex-secretário de Assuntos Estratégicos de Bolsonaro, afirma que não considera saudável rotular um arranjo político inteiro como corrupto. Reconhece, porém, que existe esse preconceito com o bloco entre os militares.

“Só vai ter problema se o Centrão confirmar o preconceito”, afirma. “O que acontece fora do Exército não necessariamente influi na tropa, a não ser que haja interesses afetando os dois lados. O que pode afetar é a imagem na opinião pública.”

6 MIL CARGOS – A chegada do Centrão pode reduzir a presença militar, mas lembram que os partidos já ocuparam “silenciosamente” grande parte dos cargos de segundo escalão. Os militares tinham 6 mil em funções civis, segundo levantamento do Tribunal de Contas da União do ano passado.

Os oficiais dizem que o governo estava “emparedado” e foi forçado a buscar amparo político, na base do fisiologismo. Também lembram que não será o primeiro governo a se aliar ao Centrão, apesar das promessas do presidente de não ceder, e que o bloco pode dar sustentação à agenda de campanha.

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