quinta-feira, fevereiro 04, 2021

Após dissolver Lava Jato, Aras diz que força-tarefa só mudou de nome


Após dissolver Lava Jato, Aras diz que força-tarefa só mudou de nome
Foto: Lucas Arraz / Bahia Notícias

Após articular a dissolução do grupo que atuava na Lava Jato no Paraná desde 2014, o procurador-geral da República, Augusto Aras, classificou nesta quarta-feira (3) a medida como uma mudança de nome.

 

A equipe de procuradores foi dissolvida na segunda-feira (1º), mas alguns de seus integrantes migraram para o grupo de atuação especial de combate ao crime organizado (Gaeco) do Ministério Público Federal para dar continuidade às investigações da operação, de acordo com a Folha de São Paulo. 

 

A medida é um marco no embate da equipe do Paraná com Aras, que entrou em rota de colisão com o grupo em 2020. Também é simbólica por representar o fim de uma equipe que chegou a ser decisiva nos rumos da política nacional, mas que perdeu relevância e credibilidade nos últimos anos.

 

"Quem disse que foi posto fim à Lava-Jato? Isso não é verdade", afirmou Aras ao deixar a sessão de abertura dos trabalhos do Congresso Nacional.

 

"A verdade é que os Gaecos institucionalizam as atividades das forças-tarefas, que não tinham nenhuma institucionalidade. As forças-tarefas continuam no modelo institucional de Lava Jato, onde os membros são os mesmos, com garantias, inclusive, de mandato de biênio, onde existem projetos de início, meio e fim", disse o chefe da PGR (Procuradoria-Geral da República).

 

Os Gaecos são referências em combate ao crime organizado nos Ministérios Públicos estaduais e foram criados em 2013. Procuradores, no entanto, afirmam que sem a exclusividade que era proporcionada pelas forças-tarefas, se perde capacidade de investigação, ainda mais em casos complexos como a Lava Jato.

 

"Apenas se trocou o nome de uma força-tarefa para o Gaeco, que absorve a força-tarefa. Ou seja, tudo continua igual", disse Aras, referindo-se não só a Curitiba como também ao Rio de Janeiro. Em 2020, Aras manteve uma troca pública de críticas com procuradores da operação e chegou a afirmar em um evento virtual que era necessário que "o lavajatismo" não perdurasse no país.

 

O procurador-geral disse que, apenas em Curitiba, há 35 cargos comissionados ocupados por indicados pelos procuradores."Só isso revela que Curitiba, sozinha, com 35 servidores, procuradores e toda uma expertise, materiais e perícias mantem não só o que já tinha antes, como acresceu a sua capacidade de trabalho", argumentou Aras.

 

Com a mudança, quatro ex-integrantes da força-tarefa parananese se juntam aos cinco membros do Gaeco no estado, formando um grupo de nove procuradores designados até agosto de 2022. Destes, cinco continuarão atuando na Operação Lava Jato, mas apenas quatro não terão que cumprir obrigações em duas lotações de origem.

 

Sucessor de Deltan Dallagnol na coordeação do grupo, Alessandro Oliveira é um dos que continuarão no caso. Entre os que já integravam a força-tarefa, estão os procuradores Roberson Pozzobon, Laura Tessler e Luciana Cardoso Bogo.

 

Outros dez membros da força-tarefa poderão atuar no caso até 1º de outubro de 2021, mas de forma eventual ou em procedimentos específicos. "Mudaram-se alguns nomes, continuam alguns poucos nomes do passado, mas os procuradores não são estrelas. Procuradores são iguais, admitidos por concurso público e todos devem ter, presumivelmente, as mesmas capacidades de combater a corrupção", disse Aras.

 

O procurador-geral da República afirmou que a mudança garantirá institucionalidade, acabando com o personalismo. "Com a institucionalidade nós vamos evitar quaisquer condutas que possam haver, expor o próprio membro, a instituição, a sociedade e o Estado, na medida em que a institucionalidade promove segurança jurídica", disse Aras.

 


O PGR disse ainda que, se a institucionalidade tivesse sido alcançada antes, teria sido evitada "uma série de desconfortos". Indagado pelos jornalistas se estava referindo-se às mensagens trocadas entre procuradores da Lava Jato e o ex-juiz Sergio Moro, Aras confirmou.

 

"Basicamente isso aí que você acabou de falar. Com institucionalidade você não tem lugar para ação fora da Constituição e das leis do país. Com a institucionalidade você tem segurança jurídica, só isso", afirmou. Na segunda-feira (1º), ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu o sigilo das conversas. O conteúdo de novos diálogos foi incluído no processo pela defesa do ex-presidente Lula. O material tem, ao todo, 50 páginas. Parte dele é inédita.

 

Uma outra parte dos diálogos já tinha vindo a público na semana passada e revelava Moro orientando os procuradores sobre como apresentar a denúncia contra o petista no caso do tríplex do Guarujá.

Bahia Notícias

Sapeaçu e SAJ: Polícia Federal prende chefe de agência do INSS em ação contra fraudes


Sapeaçu e SAJ: Polícia Federal prende chefe de agência do INSS em ação contra fraudes
Foto: Reprodução / Leitor BN WhatsApp

O chefe da agência do INSS de Sapeaçu, no Recôncavo, foi preso em uma ação que cumpre ainda mais dez mandados de busca e apreensão na cidade e em Santo Antônio de Jesus nesta quinta-feira (4). Denominada de Operação Palha Grande, a operação da Polícia Federal visa desarticular um esquema de fraudes em prejuízo da Previdência Social  liderado pelo chefe da agência em Sapeaçu. Desde a tarde desta quarta-feira (3), veículos da PF foram vistos em Santo Antônio de Jesus.

 

Segundo a PF, a estimativa é que o prejuízo causado supere R$ 2 milhões obtidos na concessão de 132 benefícios com constatação de fraude. No entanto, o valor pode ser maior. Além da prisão, o chefe da agência do INSS em Sapeaçu fica afastado das funções por tempo indeterminado. Ele também fica proibido de acessar a qualquer agência do INSS. Ainda segundo a PF, a apuração começou a partir da confirmação de reiteradas fraudes na concessão de benefícios previdenciários na APS de Sapeaçu, em favor de supostos segurados especiais rurais do INSS. As fraudes abrangiam a concessão de benefícios de aposentadoria por idade, pensão por morte e salário maternidade.

 

As evidências indicam que o próprio chefe da agência do INSS concedia os benefícios, mesmo em desacordo com a legislação. As investigações apontam também que o acusado praticava tais condutas em favor de clientes de ao menos dois grupos de intermediários com atuação na região, sendo um deles ligado ao Sindicato de Trabalhadores Rurais de Santo Antônio de Jesus/BA.

 

Há indícios de que esses despachantes/intermediários, em retribuição às fraudes implementadas, repassavam valores ao servidor público. A ação é feita em conjunto com a Secretaria Especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, integrantes da força-tarefa previdenciária.

Bahia Notícias

Afastamento de investigados na Faroeste foi pedido pelo MPF para manter ordem pública


por Cláudia Cardozo

Afastamento de investigados na Faroeste foi pedido pelo MPF para manter ordem pública
Foto: Max Haack / Ag. Haack / Bahia Notícias | TJ-BA

O afastamento por mais um ano dos desembargadores e magistrados do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) investigados na Operação Faroeste foi solicitado pelo Ministério Público Federal (MPF). De acordo com a petição assinada pela subprocuradora-Geral da República, Lindôra Araújo, o afastamento dos magistrados expiraria nesta sexta-feira (5). Ela diz que o afastamento é necessário para o bom andamento das investigações e preservação da ordem pública.

 

O afastamento por mais um ano foi acatada pelo ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e é válida para os desembargadores Gesivaldo Britto, Maria do Socorro, José Olegário e Maria da Graça Osório Pimentel Leal, além dos juízes Sérgio Humberto de Quadros Sampaio e Marivalda Moutinho e o servidor Antônio Roque. A ação penal contra os réus foi recebida pela Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no dia 6 de maio de 2020 (veja aqui). 


Desde a deflagração da Operação Faroeste, em novembro de 2019, o MPF já ofereceu seis ações penais contra os investigados e outras estão em fase de maturação. O órgão trabalha em seis linhas de investigação autônomas, cada uma trazendo os respectivos envolvidos e a dinâmica delitiva. O MPF indica que os réus, “não satisfeitos com a multiplicação jurídica das terras na região de Coaceral, moldaram idêntica investida na região de Estrondo, que somadas devem ultrapassar 800.000 hectares”. 

 

No dia 9 de dezembro do ano passado, todas as testemunhas arroladas pelo Ministério Público foram ouvidas em uma audiência que iniciou às 9h da manhã e terminou às 0h30 do dia 10 de dezembro. Na próxima terça-feira (9), serão ouvidas as testemunhas de defesa.

Bahia Notícias

Faroeste: PF avalia acervo de obras e joias de Maria do Socorro em mais de R$ 1,4 milhão

Bahia Notícias

por Cláudia Cardozo

Faroeste: PF avalia acervo de obras e joias de Maria do Socorro em mais de R$ 1,4 milhão
Foto: Jefferson Peixoto / Ag Haack / Bahia Notícias

O acervo de obras da desembargadora Maria do Socorro, presa nas investigações da Operação Faroeste, foi avaliado pela Polícia Federal em mais de R$ 1,4 milhão. O acervo encontrado na casa da ex-presidente do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) é digna de museu, segundo o Ministério Público Federal (veja aqui). 

 

Na avaliação feita pela PF, ficou constatado que as joias ostentadas pela desembargadora chegam ao montante de R$ 692 mil. Já as obras de arte foram avaliadas em R$ 713 mil. Nenhuma das obras ou joias foi declarada no Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) da magistrada, o que indica que a aquisição de tais bens era “uma das suas vias de lavagem de ativos”.

 

Durante uma perícia nos aparelhos eletrônicos da desembargadora, foram encontrados imagens  em um celular de escultura em madeira idênticas às encontradas na casa de Socorro. As imagens foram localizadas em uma conversa no Whatsapp com o “quase-cônsul” da Guiné Bissau, Adailton Maturino. O MPF não descarta a possibilidade das peças serem as mesmas das fotografias. As obras foram apreendidas na 3ª fase da Operação Faroeste, deflagrada em 29 de novembro de 2019, quando Maria do Socorro foi presa, por fazer contato com servidores do gabinete no TJ-BA, numa demonstração de tentativa de destruição de provas. Durante a operação, foram apreendidas 57 obras de arte. A maior escultura de madeira nobre foi avaliada em R$ 6 mil, já a menor peça, em R$ 3,1 mil e podem ser do mesmo artista.

STF rejeita indicação de Bia Kicis para CCJ; Arthur Lira trabalha outro nome para cargo


STF rejeita indicação de Bia Kicis para CCJ; Arthur Lira trabalha outro nome para cargo
Deputada é investigada no inquérito das fake news | Foto: Agência Brasil

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), tenta contornar a repercussão negativa da indicação da deputada federal Bia Kicis (PSL) para a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Segundo o site O Antagonista, Lira avisou ao PSL que, caso a sigla não coloque outro nome, vai conduzir a deputada Margarete Coelho para o comando do colegiado.

 

O receio de Lira é que a condução de Bia acirre os ânimos com o Supremo Tribunal Federal. O temor não é infundado, já que, conforme o jornal O Estado de S. Paulo, ministros da Corte reprovaram a escolha da parlamentar para a CCJ. O recado, inclusive, já teria sido passado ao presidente da Câmara.

 

Lira disse aos deputados do PSL que o partido quebrou o acordo sobre a indicação para a CCJ. O PSL teria a primazia na indicação, porém o cargo deveria ser ocupado por um deputado considerado mais moderado. A ala bolsonarista do partido, do outro lado, quer manter a indicação de Bia Kicis.

Bahia Notícias

Faroeste: PF descobre que juiz usava 'laranja' que vive em extrema pobreza

por Cláudia Cardozo

Faroeste: PF descobre que juiz usava 'laranja' que vive em extrema pobreza
Foto: Divulgação

O juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio usava um analfabeto como laranja para receber vantagens ilícitas dos membros da organização criminosa investigada na Operação Faroeste. O juiz baiano está preso desde novembro de 2019, por determinação do ministro Og Fernandes. Em dezembro de 2020, o Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão preventiva de Ronilson Pires, apontado naquela ocasião  como operador do magistrado.

 

Segundo as investigações do MPF, o juiz utilizava contas bancárias em nome do operador para impedir o rastreio “da lucrativa tarefa criminosa de venda de decisões”. Em diálogos interceptados pelo órgão, se ouviu o juiz pedir que os valores fossem depositados na conta de Ronilson, o qual teve cartão apreendido na busca e apreensão realizada pela Polícia Federal. A quebra de sigilo bancário revelou que Ronilson recebeu R$ 1,2 milhão em transferências bancárias das contas de outros dois investigados: Ricardo Augusto Tres e Walter Yukio Horita.

 

Durante a realização da Operação Faroeste no dia 14 de dezembro do ano passado, foi descoberto que Ronilson não passa de “um pobre laranja, utilizado na escalada criminosa” do juiz Sérgio Humberto, juntamente, com Gilcy de Castro Dourado Junior, para “dissimular a origem das vantagens indevidas percebidas”. Na operação, se descobriu que Ronilson reside em uma casa muito humilde, com apenas dois quartos, uma sala e uma cozinha, com poucos móveis. Na casa, residem cinco pessoas e a família vive “em situação de extrema pobreza”.

 
Foto: Petição MPF

 

Ronilson contou para a equipe do MPF que trabalha para Gilcy Junior fazendo de tudo, ajudando no posto de combustível, na casa de ração Central Rural e em uma fazenda. Contou que Junior é seu primo e há muito tempo tem uma relação muito próxima. Disse que seus documentos ficam com Junior, pois às vezes precisa fazer alguma coisa e isso o facilita, e que tem medo de perdê-los. Contou que Junior lhe paga R$ 600 por mês e abastece sua moto, que é muito velha. Também falou que às vezes ganha cesta básica para ajudar em casa. Sabe que Júnior é “o braço direito” de um juiz que trabalha em Barreiras, e que, com frequência, recebe alguns papéis para assinar. Contou que não sabe ler o que está escrito, mas que confia em Junior.

 

Afirmou que só tem uma conta bancária e que foi aberta por esse primo para receber o auxílio-emergencial, mas que nunca recebeu nenhuma parcela, pois a esposa de Junior está guardando o dinheiro para comprar uns bichos para criar. A equipe da operação observou que Ronilson sabe apenas escrever o nome, e não soube colocar a data nos mandados, mesmo sendo orientado. “A percepção da equipe é que Ronilson não tem noção que seus dados foram usados como laranja pela Orcrim”, diz o MPF.

 

A esposa de Gilcy de Castro Junior é Lidiane Oliveira Maciel. Quando o juiz Sérgio Humberto de Quadros Sampaio foi preso, a Polícia Federal encontrou em sua garagem um veículo  Hyundai/Tucson registrado em nome de Lidiane. Para o MPF, é possível que, durante a prisão do juiz, pequenos saques tenham sido realizados da conta de Ronilson para benefício da esposa de Gilcy de Castro Junior. Na residência do casal foram encontrados documentos importantes para a investigação criminal. Gilcy acompanhava de perto os processos objetos da investigação e teria elaborado minutas de pareceres ministeriais.

Bahia NotíciaS

Nelson Rodrigues tinha um encontro marcado com Shakespeare na eternidade da arte


Resultado de imagem para nelson rodrigues frasesPedro do Coutto

Quarenta anos depois de sua morte a eternidade da obra de Nelson Rodrigues cada vez mais alcança maior presença no cenário da dramaturgia. Agora, por exemplo, vários romances e peças de sua autoria vão se transformar em nova edição pela Harper Collins, após extensa pesquisa de sua produção.

Nelson Gobbi na edição de O Globo de quarta-feira publicou reportagem sobre a iniciativa. Importante. Tem como base tanto obras literárias quanto peças teatrais.

DESEJO DE NELSON – A editora da Harper Collins disse que a seleção dos textos será feita para atualizá-los em alguns pontos. Lembro que num almoço tradicional de sábado na casa de Marcelo Soares de Moura, eu estava presente com Beline Cunha, Mário Saladini e Salim Simão, com Nelson Rodrigues falando sobre sua obra. Disse que iria deixar em testamento que “tem a mãe na zona o filho da puta que alterar qualquer parte do que eu escrevi”.

Não sei se ele concretizou essa vontade. De qualquer forma deixo registrado neste artigo.

Certa vez, ele escreveu no Globo que Marcelo Soares de Moura, Salim Simão, José Lino Grunewald e eu éramos seus “irmãos íntimos”. Nos encontrávamos sempre no Maracanã. Marcelo, Belini e eu, torcedores do Fluminense. Salim Simão era um exaltado botafoguense.

URUBU DE PÉ – Certa vez no meio da semana em que jogavam Flamengo e Botafogo, Nelson escreveu na coluna ‘À sombra das chuteiras imortais” que Salim lhe dissera que “domingo não ia ficar nem um urubu de pé”. A afirmação foi racista, mas a torcida rubronegra assumiu a cor da pele; levou para o Maracanã um urubu e quando o time entrou em campo a torcida gritou em coro: “É urubu, é urubu, é urubu”, assumindo a raça. Foi um belo episódio contra o racismo.

A obra de Nelson é intensa e extensa, tão impressionista quanto impressionante. Inclusive, para mim, a maior de suas peças é “O vestido de noiva”, de 1941, magistralmente dirigida por Ziembinsky, dividida em três planos. A realidade, o subconsciente e o delírio do desespero de quem sentiu-se alvo da morte. Para mim, é tão importante essa peça quanto o “Cidadão Kane” de Orson Welles. Por coincidência, o teatro e o filme foram produzidos no mesmo ano.

Falei no encontro com Shakespeare. O volume das obras se equivalem. Mas a diferença fundamental é que os personagens de Nelson são pessoas comuns, do povo, do cotidiano e os de Skakespeare eram príncipes, imperadores, generais, caso de Otelo, intelectuais como Romeu e enigmáticos como Hamlet.

UMA PEÇA ASSASSINADA – É um pouco esquecida sua passagem pelo Correio da Manhã onde iniciou suas memórias. Mas Roberto Marinho o levou para O Globo, jornal em que escrevia a coluna À Sombra das Chuteiras Imortais. Nelson orgulhava-se sempre quando dizia que ele era o único autor que quase teve uma peça assassinada. Foi “Perdoa-me por me traíres, no Theatro Municipal, 1956, quando o vereador Wilson Leite Passos sacou o revólver no meio da confusão que começou no primeiro ato da peça.

O passar do tempo mostrou e cada dia está demonstrando que a realidade choca imensamente mais do que a poesia dramática do meu saudoso amigo, autor de tantas obras de arte.

Armação para permitir candidatura de Lula em 2022 só depende do voto de Nunes Marques

 

Indicado de Bolsonaro ao STF, Kassio suspende trecho da Ficha Limpa; movimentos veem desmonte da lei - 20/12/2020 - Poder - Folha

O processo mais importante está nas mãos de Nunes Marques

Carlos Newton

É impressionante e até comovente o esforço do ministro Ricardo Lewandowski para tentar a anulação dos processos contra Lula da Silva, para que o líder petista possa ser candidato a presidente em 2022. É um exemplo ao vivo de que a gratidão é um sentimento nobre e que deve ser exercido a todo custo, inclusive acima da lei e da ordem.

Lewandowski é um daqueles casos de advogados que acabam entrando na magistratura sem jamais terem presidido um julgamento. Nas mãos do destino (e de Orestes Quércia) virou juiz do Tribunal de Alçada e acabou no Supremo, escolhido pelo presidente Lula, com quem tinha relações de amizade em São Bernardo do Campo.

ATO DE NOBREZA? – A gratidão realmente pode ser um ato de nobreza, mas no Brasil já houve tempo em que todo juiz se considerava impedido de julgar processo que envolvesse advogado ou pessoa amiga, de sua família ou com a qual mantivesse relações. Mas isso é coisa do passado. No Brasil de hoje os juízes podem se considerar vice-reis, acima da lei e da ordem, jamais se julgam suspeitos, e nada, rigorosamente nada lhes acontece.

O ato de nobreza de Lewandowski é o penúltimo capítulo de uma novela capciosa para dar um final feliz a Lula, anulando todos os processos contra ele, como se fosse realmente o homem mais honesto sobre a face da Terra, como se a corrupção na Petrobras e nas empreiteiras não tivesse ocorrido e como se nunca antes, neste país, tivesse existido um político de tamanha honradez.

A armação, muito bem orquestrada, parte do princípio de que o então juiz Sérgio Moro teria sido parcial e entrado em conluio com procuradores para criar provas contra Lula.

TODOS CONTRA MORO – A imprensa e a web estão poluídas de artigos, teses e reportagens criticando Moro, com base em conversas gravadas ilegalmente entre ele e o procurador-chefe da Lava-Jato, Deltan Dallagnol.

O servil Lewandowski acaba de liberar à defesa de Lula 50 laudas de transcrições, que tive paciência de ler, uma a uma. Em nenhuma dessas páginas consegui identificar a mais remota prova de conluio.

O que se vê, nas conversas, são dois operadores do Direito tratando de assuntos de trabalho, dentro das normas do Código de Processo Civil, pois magistrado e representante do Ministério Público trabalham juntos na luta contra a criminalidade e têm o chamado “dever de cooperação”,

Art. 6º. Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.

MODELO INTERNACIONAL – No Direito Penal, o Brasil adotou do modelo europeu e norte-americano o princípio da cooperação entre a polícia, o ministério público e o juiz. Em qualquer seriado americano, tipo “Law and Order”, o promotor e os policiais trabalham juntos e o magistrado coopera com as investigações, autorizando diligências, quebrando sigilos bancários e fiscais, liberando gravações, legitimando buscas e apreensões, e tudo isso na fase inicial das investigações, algo que ainda não se vê no Brasil, onde os juízes continuam cheios de “preocupações” com a privacidade de criminosos.

Pense bem. Como a Lava Jato poderia enfrentar e vencer o maior esquema mundial de corrupção se não houvesse cooperação entre o juiz, o Ministério Público e a Polícia Federal?

ALGUNS EXCESSOS – É claro que houve um excesso de aproximação entre Dallagnol e Moro, mas eles trabalhavam juntos contra o crime desde o caso Banestado, quando foram derrotados pela habilidade e experiência dos maiores advogados do país. E os dois souberam usar os erros do passado para conseguir as condenações no futuro.

Mas Lula jamais foi vítima de parcialidade nos julgamentos em Curitiba, que foram e continuam sendo confirmados em tribunais superiores. Nesta semana, por exemplo, Lula foi novamente derrotado, por unanimidade, com a Quinta Turma do STJ recusando as gravações de Moro e Dallagnol como provas .

NA SEGUNDA TURMA – Esse habeas corpus de Lula, que alega a parcialidade de Moro sem nenhuma prova material, está na Segunda Turma do Supremo, num empate de 2 a 2. Os ministros Ricardo Lewandowski e Gilmar Mendes, ambos amigos de Lula, fazem o papel de madres-superioras, alegando que Moro teria incorrido em pecado. Porém, Edson Fachin e Cármen Lúcia, que lutam contra a corrupção, não pensam assim.

Falta o capítulo final da novela .O processo será decidido pelo neoministro Nunes Marques. Circulam três hipóteses para o voto dele: 1) votaria 100% a favor de Lula, anulando o processo do Guarujá; 2) acompanharia a tese alternativa, anulando só o processo do Guarujá, mas mantendo Lula sem direitos políticos, devido à condenação de Atibaia; 3) pediria vista para ir enrolando.

###
P.S. – Ninguém sabe o que há na mente de um fraudador de currículos como Nunes Marques (ele gosta de ser chamado assim, acha que dá mais respeitabilidade…). Vamos aguardar o que sairá dessa cabeça medíocre. E vida que segue, como diria nosso amigo João Saldanha. (C.N.)

Vaiado pela oposição no Senado e chamado de genocida, Bolsonaro rebate: “Nos encontramos em 22”


Bolsonaro participou da abertura dos trabalhos legislativos de 2021

Deu na Folha

O presidente Jair Bolsoanro (sem partido) foi hostilizado na tarde desta quarta-feira, dia 3, ao participar da solenidade de abertura dos trabalhos legislativos de 2021. Ele foi chamado por parlamentares da oposição de “fascista” e “genocida”. Em resposta, aliados puxaram coro de “mito”. Foi necessária a intervenção do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), para acalmar os ânimos.

“Vamos dar uma oportunidade à pacificação deste país, uma delas é que respeitando a manifestação de pensamento possamos respeitar as instituições deste país. Vamos dar mais uma oportunidade para que possamos iniciar uma nova fase de consenso, de respeito à divergência”, disse Pacheco.

MENSAGEM  – Antes de começar seu discurso, que foi lido, Bolsonaro lembrou que foi por 28 anos deputado, mas que nunca desrespeitou autoridades que ali estiveram. E arrematou: “Nos encontramos em 22”, em alusão ao ano da próxima eleição presidencial. Foi a primeira vez que Bolsonaro foi ao Congresso pessoalmente levar a mensagem desde que assumiu a Presidência da República.

Nos anos anteriores, Bolsonaro enviou o então ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para fazer a leitura da mensagem. Em 2019, o presidente não compareceu porque se recuperava de uma cirurgia para reconstrução do trânsito intestinal. No ano passado, recuperava-se de uma vasectomia.

 

No ritmo atual, Brasil leva mais de quatro anos para vacinar a população contra a Covid


WhatsApp Image 2021-02-01 at 21.12.20 (1).jpeg

A incompetência do governo está transparecendo nos números

Letícia Fontes e Rafaela Mansur
O Tempo

Se mantiver o ritmo atual de vacinação contra a Covid-19, o Brasil pode levar mais de 4 anos para imunizar toda a população contra a doença. Em Minas Gerais, vai demorar ainda mais – 5 anos e 2 meses. De acordo com o Canal Vacina Minas, do governo do Estado, até segunda-feira, 15 dias após o início das aplicações, 167.827 pessoas haviam recebido a primeira dose da vacina, uma média de 11.188 por dia. Com essa velocidade, todos os 21,2 milhões de mineiros — incluindo os menores de 18 anos, que, por enquanto, estão fora do plano de imunização — só estariam protegidos em 2026.

Em Belo Horizonte, a perspectiva é um pouco melhor: a aplicação dos imunizantes seria concluída daqui a um ano e dez meses, considerando o ritmo atual. O cenário preocupa especialistas, uma vez que a celeridade do processo é essencial para o controle da pandemia.

VACINAR 90% – De acordo com o imunologista Anthony Fauci, líder da força-tarefa americana de resposta à pandemia, para controlar o número de casos e mortes pela Covid-19, é preciso vacinar pelo menos 90% da população.

No Brasil, até segunda-feira, apenas 0,98% dos habitantes foram imunizados, segundo o banco de dados do Our World in Data, o que corresponde a 2,08 milhões de pessoas. Para imunizar toda a população, seriam necessários mais de quatro anos.

Até mesmo no maior Estado do país, o processo é lento: mantido o ritmo atual, São Paulo levaria quatro anos e sete meses para vacinar os mais de 46,2 milhões de habitantes. Até a tarde de segunda-feira, 442.224 haviam sido imunizadas.

BAIXO DESEMPENHO – Para especialistas, o número de vacinados está bem aquém da capacidade do sistema de saúde. Na avaliação da professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e pesquisadora do Centro de Tecnologia de Vacinas (CT Vacinas), Ana Paula Fernandes, as consecutivas falhas do Ministério da Saúde, a falta de planejamento e as falhas de comunicação entre União e municípios são alguns dos fatores que contribuem para o atraso.

“O Brasil tem condição de acelerar esse processo. Em termos de disponibilidade de logística e mobilização, nós somos referências no mundo, a questão é a desorganização do governo. A lição que fica é que não dá para repetir futuramente os erros de agora. Nós temos capacidade para produzir e desenvolver uma vacina no Brasil e agora poderíamos estar protegendo nossa população e exportando, como a China e a Índia. Estamos pagando caro pela falta de investimentos”, afirma.

PERDA DE VIDAS – O infectologista Leandro Curi diz que cada dia sem vacina significa milhares de mortes a mais. “Infelizmente, a vacinação no Brasil deixou de ser saúde e virou guerra, disputa política. A ciência produziu em um ano várias vacinas, um recorde histórico, quem não conseguiu se organizar e acompanhar foram os governos”, avalia o especialista, destacando a importância de todos se vacinarem.

“O importante é: quando chegar sua vez na fila de vacinação, vacine-se, não importa com qual (imunizante). Vacina é um pacto social”, conclui.

Na última semana, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, informou em entrevista a O Tempo que as negociações com o laboratório americano Covaxx para a aquisição de uma nova vacina contra a Covid-19 têm avançado, mas não há prazos estabelecidos.

50 MILHÕES DE DOSES – A intenção é que o governo mineiro compre 50 milhões de doses e as disponibilize ao Ministério da Saúde. Amaral afirmou, ainda, que, caso não haja atraso no repasse de doses pela pasta federal, todas as 275 mil pessoas pertencentes aos primeiros grupos prioritários do Estado devem ser vacinadas até maio.

Neste mês, o governador Romeu Zema (Novo) chegou a dizer que a imunização dos mineiros pode demorar até um ano.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, o governador está otimista demais. Antes de dar declarações, Romeu Zema deveria, mineiramente, consultar as estatísticas. (C.N.)

Em destaque

TCM aponta má gestão em Jeremoabo

Matéria completa: portaldafeira.com.br https://www.portaldafeira.com.br/noticia/153979/tcm-aponta-ma-gestao-em-jeremoabo                  ht...

Mais visitadas