segunda-feira, setembro 13, 2010

Dez por cento dos deputados candidatos são réus

Sinal amarelo na hora de votar: dos 481 deputados federais que concorrem às eleições deste ano, 45 respondem a ações penais que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Eles são acusados de 73 diferentes processos

Cinco processos: Jader é um dos 45 deputados candidatos que respondem a ações penais no STF

Edson Sardinha e Thomaz Pires

Um em cada dez deputados federais que disputam as eleições deste ano é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), órgão responsável pelo julgamento de parlamentares e outras autoridades federais. Dos 481 deputados que buscam um novo mandato nas urnas em outubro, 45 respondem a ações penais. Também estão nessa situação quatro senadores. Esses 49 parlamentares são acusados, ao todo, em 73 processos por crimes como formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e contra a Lei de Licitações.

O levantamento do Congresso em Foco diz respeito apenas às ações penais, que são desdobramentos dos inquéritos (investigações preliminares) e que preocupam mais os congressistas, pois são elas que podem levar os réus à condenação. Nesses casos, o Supremo aceitou as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal por entender que há elementos da participação dos deputados e senadores em práticas criminosas. A inocência ou culpa de cada um deles só será definida após o julgamento de cada processo.

Veja a relação dos deputados e senadores candidatos réus

Desses 49 parlamentares réus, oito estão ameaçados pela Lei Complementar 135/10, a chamada Lei da Ficha Limpa, que veda a candidatura de políticos com condenação em órgão colegiado ou que renunciaram ao mandato para escapar do processo de cassação. São eles os deputados Pedro Henry (PP-MT), Paulo Maluf (PP-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Tatico (PTB-GO) e Natan Donadon (PMDB-RO), candidatos à reeleição; Ernandes Amorim (PTB-RO), que disputa vaga de deputado estadual; e Jader Barbalho (PMDB-PA) e Paulo Rocha (PT-PA), que concorrem ao Senado.

Maluf, Henry, Tatico, Ernandes e Donadon foram considerados culpados, em decisões tomadas em conjunto por magistrados, em outros processos e esferas da Justiça. Já Valdemar, Jader e Paulo Rocha correm o risco de ficar fora da disputa eleitoral por terem renunciado ao mandato às vésperas de se tornarem alvo de processo de cassação por quebra de decoro. Paulo Rocha, Valdemar e Pedro Henry são réus do processo do mensalão. Além deles, também concorrem nestas eleições outros dois deputados que respondem à Ação Penal 470: João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP).

O crime mais comum atribuído aos parlamentares candidatos que são réus é o de peculato: são 16 acusações de apropriação ou desvio de valores, bens móveis por funcionário público em razão do cargo que exerce. A pena prevista para esse tipo de crime é de dois a 12 anos de reclusão. Os crimes de responsabilidade (cometidos no exercício de outros cargos), com 11 ações penais, e contra a Lei de Licitações, com nove, vêm em seguida. Há ainda oito processos por lavagem de dinheiro e seis por falsidade ideológica e formação de quadrilha entre as denúncias mais comuns. Também há cinco processos por crime contra o sistema financeiro, três por apropriação indébita e corrupção eleitoral, dois por prevaricação e estelionato. Aparecem ainda, com uma ocorrência cada, denúncias por lesão corporal, falsificação de documento público e crime
contra o patrimônio.

Cinco cada um

De todos os candidatos réus no STF, Jader Barbalho, Lira Maia (DEM-PA) e Jackson Barreto (PTB-SE) são os que acumulam mais ações penais: cada um tem cinco. Emprego irregular de verba pública, peculato, crime contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, formação de quadrilha, estelionato, crime de lavagem e contra a administração em geral são as denúncias que recaem sobre Jader. Crimes de responsabilidade e contra a Lei de Licitações são as acusações contra Lira Maia, candidato à reeleição. Jackson Barreto, candidato a vice-governador em Sergipe, responde por peculato e crime contra a administração em geral.

A relação dos parlamentares réus representa 22 estados e 11 partidos políticos. São Paulo, com nove nomes, Pará, com cinco, Paraná e Minas Gerais, com quatro, são as unidades federativas com mais representantes na lista. O PMDB, com dez nomes, o PP, com sete, o PR e o DEM, com seis, e o PTB e o PT, com cinco, são as legendas com mais congressistas candidatos na mira do Supremo.

“Se lixando”

A maioria dos parlamentares réus candidatos trabalha para continuar no Congresso. Estão nessa situação 43 dos 49 processados. Entre eles, está o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), réu de duas ações penais, que se tornou célebre nesta legislatura por duas frases.

Ao assumir a presidência do Conselho de Ética, em maio de 2008, o gaúcho desdenhou dos processos a que responde na Justiça. “Serei absolvido em todos. Lá na minha terra, tem um ditado que diz que cão que não tem pulga, ou teve ou vai ter, mesmo que seja pequena”, afirmou Moraes. “Sou ético, sou firme, não me dobro e tenho sete mandatos.”

Meses depois, voltou a causar polêmica ao defender o arquivamento de uma denúncia no Conselho contra o deputado Edmar Moreira (PR-MG), acusado de usar a verba indenizatória com suas empresas de segurança. “Estou me lixando para a opinião pública", afirmou Moraes aos jornalistas. "Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege."

Sérgio Moraes é acusado de ter cometido crimes de responsabilidade no período em que foi prefeito de Santa Cruz do Sul. Numa das ações, o parecer da Procuradoria-Geral da República é pela condenação.

Prerrogativa de foro

A exemplo do que ocorre em outros países, deputados e senadores brasileiros têm prerrogativa de foro: eles só podem ser julgados pela mais alta corte do país. Caso não consigam se reeleger, seus processos voltaram à Justiça em seus respectivos estados.

Além dos que buscam voto pela reeleição, há quatro que pretendem mudar de Casa legislativa: o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no chamado “mensalão tucano mineiro”, tenta ser deputado; já Paulo Rocha, Jader Barbalho e Celso Russomanno (PP-SP) se articulam para o Senado. Estão de olho em outros cargos o senador Fernando Collor (PTB-AL), candidato a governador em Alagoas, e os deputados Rômulo Gouveia (PSDB-PB), Francisco Rodrigues (DEM-RR) e Jackson Barreto (PMDB-SE), candidatos a vice. Ernandes Amorim e Leandro Sampaio (PPS-RJ) são candidatos a deputado estadual. Caso perca a eleição, Collor ainda tem mais quatro anos de mandato.

A demora do Supremo em julgar ações contra parlamentares muitas vezes acaba beneficiando os réus. Há dez dias, o ministro Joaquim Barbosa reconheceu a extinção da punibilidade do deputado Paulo Maluf. O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo era acusado dos crimes de falsidade ideológica e de responsabilidade por fatos ocorridos em 1996, durante uma de suas passagens pela prefeitura paulistana. A decisão foi proferida no dia em que Maluf completou 79 anos. Como o Código Penal reduz à metade o prazo prescricional no caso de réus com mais de 70 anos, o relator constatou que o Estado perdeu o prazo para punir o acusado.

Maluf ainda responde a outras duas ações penais: uma por crimes contra o sistema financeiro e outra por formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro nacional, e lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores. A candidatura à reeleição do deputado está ameaçada pela Ficha Limpa. No último dia 23, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou que ele estava inelegível por causa de uma recente condenação por superfaturamento na compra de frangos quando era prefeito.

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As baixas de Neudo

A relação dos parlamentares processados candidatos sofreu uma baixa no final de agosto, quando o deputado Neudo Campos (PP-RR), campeão em número de ações penais em tramitação no Supremo, renunciou ao mandato. Com isso, as 21 investigações em curso contra ele foram remetidas à Justiça em Roraima.

O ex-governador tenta voltar ao comando do estado. A primeira passagem dele pelo governo estadual lhe rendeu as denúncias por peculato e formação de quadrilha, crimes de responsabilidade, contra a Lei de Licitações e eleitorais.

Em novembro de 2003, menos de um ano após deixar o governo, Neudo foi preso, juntamente com outras 40 pessoas, acusado de comandar um esquema de fraude na folha de pagamento do estado. O grupo, desarticulado pela Operação Praga do Egito (também conhecida como Gafanhoto), da Polícia Federal (PF), desviou mais de R$ 230 milhões dos cofres públicos, de acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

O ex-deputado não retornou os contatos feitos pela reportagem. Mas, em entrevista concedida ao site há dois anos, Neudo rebateu as 17 investigações que estavam em curso, naquela época, contra ele. De lá pra cá, virou alvo de outras três. O ex-governador disse que os processos foram desdobrados apenas para prejudicá-lo e que nunca soube de desvios de recursos em sua administração.

“O mundo se voltou contra mim. Minha esperança é o Supremo. Tenho certeza de que serei absolvido. Meu advogado diz que, à luz do que se encontra, é impossível me condenarem”, declarou, na ocasião. Neudo disse que, quando voltar ao governo de Roraima, fará tudo diferente: “Não vou assinar um convênio. Vou fazer uma auditoria rigorosa”, garantiu.

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Fonte: Congressoemfoco

Nas revistas: Saída de Quércia pode embolar disputa no Senado

ISTOÉ

Campanhas na UTI

Em vez de se concentrar na análise da biografia e na plataforma política dos aspirantes ao Senado, os eleitores paulistas passaram a debater a saúde dos candidatos. Na segunda-feira 6, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) renunciou à disputa porque está com câncer. O peemedebista vem sendo tratado no Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, mesmo hospital em que o senador Romeu Tuma (PTB) foi internado na UTI para cuidar de uma afonia. Os correligionários de Tuma, no entanto, garantem que ele não desistirá da campanha. Ainda que o petebista tenha forças para continuar no páreo, apenas o espólio de Quércia – 23% das intenções de voto, de acordo com o Ibope – é grande o suficiente para fazer os adversários se engalfinharem.

O cantor e vereador Netinho de Paula (PCdoB) ameaçou entrar com recurso na Justiça para que o tempo de tevê e rádio de Quércia não seja repassado integralmente a Aloysio Nunes (PSDB), como deseja o PMDB. Analistas ouvidos por ISTOÉ dizem que a ausência de Quércia pode embolar a disputa ao Senado. Nesse caso, Netinho sairia prejudicado. Uma pesquisa feita pelo Ibope, no início de setembro, mostra Marta Suplicy (PT) em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto. Netinho aparece atrás da petista, com 26%, tecnicamente empatado com Quércia. “O perfil dos eleitores do Quércia é parecido com o dos eleitores do Tuma e do Aloysio. São pessoas mais velhas e mais conservadoras”, afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Instituto de Pesquisas Datafolha. “Se ficar claro que Quércia apoia o Aloysio, é provável que muitos votos migrem para ele.” Na sondagem feita pelo Ibope, Tuma e Aloysio seguem colados – com 13% e 12%, respectivamente.

Ataque inútil

No comando da campanha de José Serra (PSDB) houve uma discreta comemoração na terça-feira 7, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o horário eleitoral reservado ao PT para fazer uma espécie de manifesto em defesa da ex-ministra Dilma Rousseff sobre os vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal. Os tucanos chegaram a avaliar que os ataques promovidos nas últimas semanas, responsabilizando o PT e a candidata Dilma pela quebra dos sigilos fiscais de familiares de Serra e de líderes do PSDB, estavam surtindo algum efeito eleitoral. “Se eles colocaram o presidente para defender a candidata, é porque o ataque está funcionando”, disse um deputado do PSDB, que trabalha no comando da campanha tucana. A animação durou pouco. No dia seguinte, os serristas receberam o resultado de pesquisas internas mostrando que Dilma continuava a crescer. Perdia alguns poucos votos apenas em São Paulo.

No QG de Dilma, desde o início da semana, a análise era bem outra. A entrada de Lula no programa eleitoral era encarada como uma tentativa de avançar ainda mais em busca da vitória no primeiro turno. Os levantamentos eleitorais que se seguiram confirmaram que aquela que seria a bala de prata da campanha tucana, capaz de ferir de morte a candidatura de Dilma, não passou de um tiro de festim. No embalo do crescimento econômico e beneficiada pelo alto grau de satisfação popular com o governo, Dilma não só mantém folgada dianteira nas pesquisas de opinião como ainda é apontada como favorita para liquidar a fatura no primeiro turno. As pesquisas revelam que a maioria da população já decidiu como e por que vai votar. No dia 3 de outubro, não estará decidindo sobre responsabilidades de quebra de sigilo. O que está em jogo para o eleitor é o governo que ele vai levar ao poder. E aí a opção pela continuação da administração atual vem sendo acachapante.

Um manual para os eleitos

O Brasil tem motivos para comemorar. Um retrato do País recém-divulgado reflete uma coleção de avanços socioeconômicos, a começar pelo pouco impacto da turbulência econômica internacional no cotidiano brasileiro. “Apesar da crise no mundo, a renda per capita do brasileiro cresceu 2,04%”, diz o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas. “Mais do que isso, a renda dos 40% mais pobres aumentou 3,15%, contra 1,09% dos 10% mais ricos.” A façanha diz respeito ao desempenho da economia nacional entre setembro de 2008 e o mesmo mês do ano seguinte, objeto da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD). Enquanto o mundo enfrentava instabilidades de todos os gêneros, o Brasil conseguiu manter a trajetória favorável de seus principais indicadores. Nesse percurso, conviveu, porém, com ritmos distintos. O Brasil que depende do setor privado avança de forma mais rápida do que aquele vinculado exclusivamente à máquina do Estado. Realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pesquisa aponta resultados tão contundentes que deveria servir como referencial para aqueles que saírem das próximas eleições com a missão de administrar os Estados e o País.

Na sequência da queda da desigualdade social e do aumento da renda, houve uma explosão do consumo e do acesso a serviços. O setor privado cumpriu a sua parte. Não faltou produto no mercado. Mais de dois milhões de domicílios passaram a ter telefone – móvel ou fixo – em 2009. Numa edição que incorpora entre as novidades a investigação do uso de celular e internet, a PNAD revelou ainda que o uso da telefonia móvel aumentou quatro vezes em cinco anos. No mesmo período, o acesso à internet quase dobrou. Entre os mais de 20 milhões de residências brasileiras com computador, 16 milhões usam a rede mundial. Além de mais equipadas em termos de informática, as casas brasileiras ficaram mais confortáveis, por causa do aumento do consumo de geladeiras, máquinas de lavar, televisões e aparelhos de DVD. A posse de carros e motos também aumentou em todo o País.

Sem conexão

Inspirada na campanha do presidente americano, Barack Obama, a candidata Marina Silva, do PV, apostava em levantar muito dinheiro pela internet. Obama recebeu doações de mais de três milhões de eleitores, com uma arrecadação que atingiu US$ 500 milhões. Primeira candidata da história da política brasileira a tentar arrecadar dinheiro no mundo virtual, Marina não conseguiu convencer as pessoas físicas que acessam seu site. No último balanço da campanha, entregue ao Tribunal Superior Eleitoral na sexta-feira 3, o PV informou ter arrecadado R$ 74 mil. Longe de atingir as metas traçadas inicialmente, Marina empacou em um dígito nas pesquisas de opinião e enfrenta dificuldades para financiar os candidatos do PV nos Estados com as doações de pessoas físicas. “Nos Estados Unidos há uma cultura de contribuição individual e isso pegou na internet. Mas no Brasil não existe essa cultura, por isso ocorreu esse fiasco na campanha da Marina”, diz Antônio Queiroz, do Diap. Nem mesmo a candidata líder nas pesquisas teve bom desempenho nessa seara. Dilma Rousseff chegou a montar quiosques em seus comícios, mas foram poucos eleitores que entraram no site da petista. Na segunda-feira 6, Dilma arrecadou apenas R$ 500 nos computadores instalados em Valparaíso (DF), onde fazia comício.

Indecisão carioca

As eleições para o Senado no Rio de Janeiro sempre foram disputadas palmo a palmo. Em 2006, por exemplo, Francisco Dornelles (PP) ultrapassou Jandira Feghali (PCdoB) na última semana de campanha. Esse quadro está se repetindo agora. O carioca, pelo visto, já tem sua preferida para a Presidência da República, que é Dilma Rousseff (PT) e já escolheu seu candidato para governar o Estado: o atual governador Sérgio Cabral (PMDB). Mas ainda não se definiu na eleição para o Senado. Nos últimos dias, foi registrado o forte avanço do ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT) e do deputado estadual Jorge Picciani (PMDB). A última pesquisa Ibope mostrou um crescimento de 4 pontos percentuais de Lindberg, que ostenta agora 28% de apoio, emparelhando com o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), com 30%, e o senador Marcelo Crivella (PRB), com 34%. Picciani, por sua vez, chegou a 22%, o dobro do início da campanha. “Mantidas as condições atuais, podemos ter os quatro candidatos tecnicamente empatados”, diz o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais, Geraldo Tadeu Monteiro.

ÉPOCA

Outro governador preso

Na sexta-feira, a Polícia Federal prendeu 18 suspeitos de desviar aproximadamente R$ 300 milhões de programas federais para a melhoria da educação. A operação, desencadeada em quatro Estados, foi batizada como Operação Mãos Limpas. Na lista de políticos, empresários e servidores públicos presos estão algumas das principais autoridades do Amapá: o governador Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, o ex-governador Waldez Góes (PDT), que disputa uma vaga no Senado, o secretário de Segurança Pública, delegado federal Aldo Alves Ferreira, e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro José Júlio Miranda. Dias é o segundo governador no exercício do cargo preso por corrupção no Brasil. O primeiro foi José Roberto Arruda (ex-DEM), do Distrito Federal, que em fevereiro trocou a residência oficial por uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília, a mesma cela reservada sexta-feira para o governador Dias.

De acordo com a Polícia Federal, as licitações eram fraudadas para que vencessem empresas escolhidas pelos acusados. A Secretaria de Educação do Amapá, por exemplo, firmou contrato emergencial com uma firma de vigilância por três anos, com pagamentos mensais superiores a R$ 2,5 milhões. Segundo a PF, há evidências de que parte do dinheiro era repassada, como propina, para as autoridades envolvidas no esquema.

Mudança na reta final

O ex-governador Orestes Quércia, em campanha no bairro da Liberdade, na capital, em agosto. A partir de agora, só tratamento. A desistência do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) da eleição para o Senado criou aquilo que, no jargão da política, costuma ser chamado de “fato novo”: algo imprevisível, capaz de mudar o curso natural da disputa.

Quércia, de acordo com as pesquisas, estava na terceira posição, tecnicamente empatado com Netinho de Paula (PCdoB), o segundo colocado. Como há duas vagas, suas chances eram grandes, principalmente por causa do apoio do tucano Geraldo Alckmin, o líder na disputa pelo governo. No dia 6, porém, Quércia, de 72 anos, anunciou ser vítima de um câncer de próstata e preferiu se dedicar apenas ao tratamento da doença, que já teria atingido outros órgãos. Numa estratégia arrojada, ele não indicou um substituto, mas declarou apoio ao tucano Aloysio Nunes Ferreira. Em São Paulo, diferentemente do que ocorre em âmbito nacional, peemedebistas estão com os tucanos, contra o PT.

ÉPOCA Debate: Como o Estado deve atuar na economia?

Equipamento de perfuração da Petrobras no Rio de Janeiro. O governo criou outra estatal para atuar no setor, a Pré-Sal. Todo dia, esteja em casa, no trabalho ou se divertindo, o brasileiro anda aos esbarrões com um sócio grandalhão. O cidadão tem com o sócio um contrato: entrega a ele parte substancial do dinheiro que ganha e, em troca, espera que seja limpo o caminho para buscar a prosperidade. O sócio deveria garantir muita facilidade para o cidadão comprar, vender, poupar, planejar, investir, empreender, negociar, contratar. Atualmente, porém, em diversas situações o brasileiro não pode contar com a ajuda desse sócio – o Estado, uma organização formada por cerca de 540 mil funcionários, divididos por uma infinidade de repartições, departamentos, secretarias e autarquias, cujo dirigente máximo é o presidente da República.

O relacionamento entre o cidadão e seu sócio indesejado é conflituoso. Interessa a todo governante que o Estado seja o mais poderoso possível e que sofra um mínimo de cobranças; ao cidadão interessa o oposto: que o Estado seja tão frugal quanto possa, ao cobrar impostos, e extremamente eficiente, ao retirar os entraves do caminho para a prosperidade individual. Por isso, uma das difíceis opiniões que todo eleitor precisa formar é sobre o papel e o peso do Estado no desenvolvimento econômico. Esse será o tema do quinto encontro da série ÉPOCA Debate, na segunda-feira (13/9), na sede da Editora Globo (que publica ÉPOCA).

O pedigree petista do contador

O contador Antonio Carlos Atella Ferreira gosta de dizer, em tom de galhofa, que se filiou ao Partido dos Trabalhadores graças a uma combinação de bebida e paquera. De acordo com seus relatos, em 2003, ele participava de uma festa de petistas de Mauá, na Grande São Paulo, quando se encantou por uma moça que tinha a incumbência de engrossar as fileiras do partido. Na tentativa de conquistar a militante, Atella diz que assinou sua ficha de filiação e, de tão embriagado, teria errado até a grafia do próprio sobrenome: escreveu Atelka, em vez de Atella.

A versão descompromissada do contador que usou procurações falsas para acessar dados fiscais sigilosos da filha e do genro do candidato tucano à Presidência, José Serra, coincide com a versão do PT paulista. De acordo com o Diretório Estadual do partido, a filiação de Atella não fora aceita justamente por esse erro de grafia. Tal versão, porém, não durou dois dias. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo reafirmou que Atella se filiou ao PT em 20 de outubro de 2003 e, desde então, nunca pediu desfiliação.

A peneira da Receita

De um computador colocado sobre uma mesa de canto, numa sala no piso superior da agência em Mauá, São Paulo, saiu uma das maiores crises da história da Receita Federal. A máquina era usada pela auxiliar de informática Adeildda Ferreira Leão dos Santos. Há quase três meses, Adeildda é uma das investigadas pela sindicância interna que apura o vazamento de dados sigilosos de personalidades ligadas ao PSDB. Documentos da sindicância examinados na semana passada revelam que no computador dela foram feitos 2.949 acessos a dados de contribuintes entre agosto e dezembro do ano passado. Sozinha, Adeildda teria sido responsável por 24,3% de todos os acessos da agência.
Foi de lá que brotaram os dados fiscais sigilosos de seis personagens ligados ao PSDB e ao candidato à Presidência José Serra. Só no dia 8 de outubro, foram cinco: Veronica Serra, filha de Serra, Eduardo Jorge Caldas Pereira, o vice-presidente do PSDB, Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de Serra, Gregório Marin Preciado, empresário aparentado de Serra, e Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro. Na semana passada, surgiu mais um. Os dados fiscais do empresário Alexandre Bourgeois, casado com Veronica, também foram devassados pela máquina de A-deildda. A consulta foi entre 10h43 e 10h46 do dia 16 de outubro de 2009.

Afinal, quem vai governar?

A escolha pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva do nome de Dilma Rousseff como candidata do governo ao Palácio do Planalto despertou dúvidas desde que foi revelada, há pouco mais de dois anos. Desconhecida do público e sem intimidade com o mundo político, Dilma entrou na corrida eleitoral guiada por Lula, dono de uma popularidade próxima a 80%. Lula traçou a estratégia de alianças federais e estaduais, indicou os principais integrantes do comando de campanha e desafiou a legislação eleitoral para tornar sua pupila conhecida. A evidente ascendência de Lula sobre Dilma produziu a suspeita de que, se eleita, ela continuaria dependente da atuação política do ex-chefe. Os movimentos feitos nas últimas semanas reforçaram a impressão de que, mesmo fora do Planalto, Lula exercerá forte influência em um eventual governo Dilma.

Na terça-feira, feriado de 7 de setembro, o programa de Dilma no rádio e na TV exibiu um veemente depoimento de Lula, bem no estilo peça de campanha. Em dois minutos e 15 segundos de aparição, Lula acusou o candidato do PSDB, José Serra, de “baixaria” na disputa e de pertencer à “turma do contra”. “Tentar atingir com mentiras e calúnias uma mulher da qualidade de Dilma é praticar um crime contra o Brasil e, em especial, contra a mulher brasileira”, afirmou Lula em horário nobre para milhões de eleitores. Sua presença ostensiva no programa eleitoral foi uma resposta às denúncias de violação do sigilo fiscal de personalidades próximas a Serra.


VEJA

Exclusivo: o polvo no poder

Propina dentro do Palácio do Planalto
Sob legenda: "Corrupção – Erenice: filho lobista"

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Fonte: Congressoemfoco

“Rouba um pouquinho, mas divide com nós”

Empregada doméstica moradora do Paranoá, no DF, Cleunice diz que só existe uma diferença entre os políticos: há que os roubam e não fazem, e os que roubam mas fazem

Edson Sardinha

Cleunice Pereira é uma legítima trabalhadora brasileira. Empregada doméstica, 48 anos, moradora do Paranoá, cidade do Distrito Federal localizada a 28 quilômetros de Brasília, vive as mesmas dificuldades que todo cidadão de baixa renda deste país. Com o dinheiro ganhado honestamente, supera sacrifícios para manter a educação dos filhos de 17 e 18 anos. Talvez por essa identificação, Cleunice compartilha da mesma incredulidade que a maioria da população tem em relação aos políticos brasileiros. Ela é um exemplo concreto de que o tipo de político corrupto mas fazedor de obras infelizmente continua fazendo sucesso entre o eleitorado brasileiro.

Na visão dela, só há uma coisa que distingue um representante do povo do outro: é que uns roubam e não fazem; e outros roubam, mas fazem. Para ela, os políticos podem continuar roubando, mas desde que dividam com a população. Mas não é de dinheiro que a empregada doméstica fala: é de recursos para infraestrutura, saúde e educação.

Cleunice Pereira foi uma das nove pessoas que aceitaram o desafio da TV Congresso em Foco de fazer uma pergunta aos presidenciáveis. Não se limitou a perguntar, nem fugiu dos questionamentos feitos pela reportagem, como este: “Mas a senhora aceita que candidato roube? A senhora acha isso perdoável?”

“Isso aí eu não vou perdoar, porque todos eles roubam. Não posso fazer nada, né? Todos eles roubam. Então, rouba um pouquinho pra você, mas divide com a gente. Divide com a saúde pública, com tudo, amigo, contribui com a universidade, com esses meninos que estão aí começando a vida agora”.

“Nós tivemos candidatos bons aqui dentro de Brasília, bons, tipo Roriz [Joaquim Roriz, ex-governador]. Se ele pegou, é porque dividiu com os pobres. Esses candidatos que estão entrando aqui dentro eles não dividem com nós nem um pouquinho. Não quero que divide [sic] com nós assim dinheiro, dinheiro, não. Quero que divide com nós estrutura, creche, saúde, que nós não temos. Faça alguma coisa por nós. O tanto que eles roubam ali, mas divide. Façam alguma coisa.”


O que preocupa o brasileiro - Cleonice Pereira


Distância enorme

A distância que separa o Paranoá do Plano Piloto é mais que geográfica. A renda média per capita na região administrativa é de 1,2 salário mínimo; um quinto da registrada em Brasília, que é de 6,8 mínimos. Para se ter uma ideia do fosso, na região mais nobre da capital federal, o Lago Sul, essa renda per capita chega a 10,8 salários mínimos, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, de 2004.

É nesse cenário de abismo social que Cleunice explicita sua total descrença em relação às instituições e aos políticos brasileiros. O lugar onde ela vive há mais de 30 anos aparecia com o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no quesito renda, entre as 19 regiões administrativas que existiam no Distrito Federal na época, segundo a pesquisa mais recente e completa sobre as condições de vida no Distrito Federal. Com um índice de 0,612, o Paranoá só ficava à frente, na época, do Recanto das Emas. O IDH-renda no Plano Piloto, naquele ano, era de 0,948.

De lá pra cá, o Paranoá deixou de abrigar o Itapoã, a maior favela de Brasília, com 50 mil habitantes. Em 2005, durante o último governo Joaquim Roriz (PSC), destacado por Cleunice, o Itapoã virou um
Fonte: Congressoemfoco

Governador em exercício do Amapá suspende pagamentos

Renata Camargo

O governador em exercício do Amapá, Dôglas Evangelista Ramos, anunciou neste sábado (11) que irá suspender o pagamento de todos os fornecedores do estado. Segundo Ramos, a decisão foi tomada por “cautela”. “A primeira providência foi essa. A partir de terça-feira só vamos pagar o que for necessário”, disse Ramos, segundo o G1.

Presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, Ramos assumiu o governo do estado após a prisão do governador, Pedro Paulo Dias (PP), preso na operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, deflagrada ontem (10). Dias é acusado de desviar verbas públicas. Na operação foram presas 18 pessoas, entre elas estão também o ex-governador Waldez Góes (PDT) e o presidente do Tribunal de Contas do estado, José Júlio de Miranda Coelho.

PF prende atual e ex-governador do Amapá

Ramos anunciou que deve ficar no cargo por apenas cinco dias, que é o prazo da prisão temporária do governador. A orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo ele, é colocar pessoas de sua confiança na área financeira do governo. Na coletiva à imprensa na manhã de hoje, Ramos enfatizou que pretende trazer tranqüilidade para a população do estado.

O governador em exercício disse ainda que, ao menos por enquanto, não fará mudanças profundas na estrutura do governo. Ele afirmou que não irá destituir secretários dos cargos, mesmo aqueles que foram chamados a depor na polícia. “Se eu afastá-los hoje, daqui a pouco o governador volta e põe de volta”, declarou.

Em Macapá, capital do Amapá, manifestantes participam nesta manhã de um ato política em defesa do governador preso do Amapá e do ex-governador Waldez Góes. O protesto ocorre em frente à residência oficial do governador, no centro da cidade. Os manifestantes gritam palavras a favor dos acusados e protestam com bandeiras e carro de som.
Fonte: Congressoemfoco

Vox Populi: Dilma abre 30 pontos de vantagem

A presidenciável do PT, Dilma Rousseff, foi a única candidata que cresceu na medição do tracking Vox Populi/Band/iG deste domingo (12). A candidata tinha 52% da preferência do eleitorado e atingiu 53% das intenções de voto.

O candidato José Serra (PSDB), se manteve no patamar de 23% constatado na medição de sábado (11). A candidata do PV, Marina Silva, também se manteve com 9% da preferência.

Com o resultado da medição de hoje (12), Dilma abriu 30 pontos percentuais de diferença em relação ao tucano José Serra. Com esse patamar, a candidata do PT venceria as eleições ainda no primeiro turno.

NA ESPONTÂNEA, DILMA 44%

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos ao eleitor, Dilma também subiu de 43% para 44%, enquanto Serra e Marina se mantiveram com 18% e 7%, respectivamente.

A cada dia, o instituto realiza 500 novas entrevistas. A amostra consolidada com 2000 entrevistas, portanto, só é totalmente renovada após quatro dias. O levantamento foi registrado junto ao TSE sob o nº 27.428/10. (Fonte: portal iG).
# posted by Oldack Miranda/Bahia de Fato

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De bem com a vida

Divulgação DivulgaçãoJanaína Nunes

Patrícia Sousa (na foto ao lado), 20 anos, é uma das gatas do site The Girl. Nascida em Araras, a modelo faz faculdade de administração e sonha em ser reconhecida profissionalmente. Paty adora dançar e sair com as amigas. Para manter o corpão, ela malha bastante durante a semana. A fofa diz ser uma garota determinada e de bem com a vida. "Adoro estar cercada de pessoas queridas. Só tenho preguiça de gente chata", afirma. E quem não tem, né, gata?

Veja mais fotos de Patrícia Sousa

Fonte: Agora

Tribunal garante a revisão do FGTS

Gisele Lobato
do Agora

A suspensão do julgamento sobre a revisão da poupança pelo STF (Supremo Tribunal Federal) não afetou os processos que pedem o pagamento das perdas do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) durante os planos econômicos Verão (1989) e Collor 1 (1990). O STJ (Superior Tribunal de Justiça) reconhece o direito à revisão da grana depositada em todos os processos que chegam hoje ao tribunal.

De acordo com a Justiça, o Verão rende uma correção de 16,64% sobre o saldo no final de janeiro de 1989. Já o Collor 1 paga uma revisão de 44,8% para quem tinha grana depositada em abril de 1990.

Os processos que tramitam no Judiciário são de trabalhadores que não aceitaram o acordo do governo, oferecido até 2003, para pagar a correção. O Instituto FGTS Fácil diz que, na época, cerca de 5 milhões optaram por continuar na Justiça. A Caixa Econômica Federal, que é a gestora do FGTS, afirma que existem hoje 200 mil processos que pedem revisão do fundo.

Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora

OAB pede punição por quebra de sigilo fiscal

Agência Estado

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou hoje a divulgação de uma nota oficial em repúdio à quebra de sigilo fiscal e financeiro de contribuintes. Segundo a nota, a entidade classifica as violações como "práticas inconstitucionais, ilegais e ilegítimas" e exige das autoridades responsáveis providências urgentes para punir seus autores. O documento foi assinado pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante.

Os 81 conselheiros federais da entidade decidiram também que a OAB vai promover uma campanha em todo o País em defesa do direito à privacidade do cidadão. De acordo com o texto divulgado, a invasão da intimidade e da vida privada "constitui odiosa afronta aos princípios constitucionais básicos, sobretudo aos direitos e garantias fundamentais, comprometendo, assim, os pilares da segurança jurídica e da própria democracia."

Fonte: Gazeta do Povo

Escândalos marcam debate entre presidenciáveis

Moacyr Lopes Júnior/Folhapress

Moacyr Lopes Júnior/Folhapress / Presidenciáveis se preparam: primeiro encontro após denúncias Presidenciáveis se preparam: primeiro encontro após denúncias
Clima quente


Denúncia de lobby na Casa Civil e a violação dos sigilos de dados fiscais levaram o tucano José Serra a partir para o ataque contra Dilma Rousseff em encontro realizado pela Rede TV!

13/09/2010 | 00:02 | Cristina Rios

O suposto envolvimento da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, ex-braço-direito de Dilma Rousseff (PT), em um esquema de lobby para cobrar propina de empresários interessados em fazer negócios com o governo federal e o escândalo de quebra de sigilos fiscais de tucanos e da filha de José Serra (PSDB) centralizaram o debate realizado na noite de ontem pela Rede TV! em parceria com o jornal Folha de S. Paulo. Além de Serra e Dilma, o encontro teve as participações dos presidenciáveis Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSol).

Quando perguntada se colocaria a “mão no fogo” por Erenice Guerra, Dilma disse que tem “até hoje a maior e a melhor impressão da ministra”. A petista disse que a acusação publicada pela revista Veja deste fim de semana se refere ao filho de Erenice (Israel Guerra) e deve ser apurada de maneira rigorosa. Dilma afirmou que não vai aceitar ser julgada. Para ela, esse assunto é do governo e não da candidatura. “Não concordo, não vou aceitar que me julguem pelo filho de uma ex-assessora. Trata-se de uma obra eleitoreira e sistemática contra a minha pessoa”, afirmou.

O debate de ontem foi o primeiro encontro entre os candidatos à Presidência desde os escândalos de quebra de sigilo fiscal pela Receita Federal e do caso Erenice. Dilma e Serra trocaram acusações duras. A petista acusou o tucano de querer ganhar a eleição “no tapetão”. Serra disse que o governo federal persegue oponentes. “O PT usa a democracia de usar o aparato legal para proteger os companheiros e perseguir adversários”, disse o tucano. “A Casa Civil é um foco de problemas de corrupção.”

Análise

André Gonçalves, correspondente em Brasília.

Serra volta à “oposição”. Agora é tarde

Foi preciso aproximar-se da derrota ainda no primeiro turno e ter a filha vitimada por um escândalo de espionagem para José Serra (PSDB) se olhar no espelho e lembrar que é o candidato da oposição. Parece tarde.

Ontem, ele tentou nitidamente recuperar o tempo perdido nos dois debates anteriores, realizados pela Bandeirantes e pelo portal UOL. Se antes o “Zé” se apresentava como o candidato com currículo compatível ao do “Lula da Silva”, agora ele só quer ser o oposto de Dilma.

O tucano usou todas as forças para colocar a adversária na parede. Perguntou sobre a destrambelhada relação do governo com o Irã e surfou nas perguntas sobre a quebra de sigilo fiscal promovida por militantes petistas contra pessoas ligadas ao PSDB.

O problema, para ele, é que Dilma está mais treinada do que nunca. Mesmo com problemas na voz e um nítido cansaço, ela conseguiu fugir da pancadaria – muitas vezes exagerando no corpo mole, é verdade.

A ex-ministra também foi claramente privilegiada pelo formato do debate. Engessado, o espaço permitiu respostas em apenas 1m30s, tempo irrisório para formular qualquer raciocínio mais complexo.

Encontros como o realizado pela RedeTV!/Folha só reforçam a tese de que as campanhas dos presidenciáveis até aceitam debater, desde que isso acrescente pouco ou quase nada para o eleitor. Em resumo, é como jogar em um campo moldado para beneficiar aquele que não quer perder.

A questão é que Dilma precisava levar uma goleada em rede nacional para ser ameaçada. Privilegiada pelas regras e bem treinada pelos marqueteiros, ela pode até não ter se saído esplêndida (afinal, enfrentar três rivais não é moleza), mas isso não deve significar qualquer grande prejuízo eleitoral.

O fato é que, mesmo que Dilma tenha perdido, isso não significa que Serra, agora “homem da oposição”, tenha vencido.

Receita

Sobre a quebra de sigilos de dados fiscais, Dilma disse que que “é preciso investigar doa a quem doer o vazamento da Receita Federal”. A candidata do PT, no entanto, afirmou que as denúncias estão sendo usadas politicamente. “Discordo dessa espécie de malabarismo de vincular esse vazamento à minha campanha. Em setembro e outubro do ano passado, quando houve irregularidades, não havia campanha. Além disso, os vazadores não são só do PT.” A petista disse que, em um eventual governo seu, fará com que os responsáveis por vazamentos sejam punidos.

Serra descartou o uso político da quebra do sigilo para ganhar pontos na eleição. “O que eu deveria fazer, agradecer por ter invadido os dados da minha filha, do meu genro?”, questionou. “É um assunto importante para democracia.”

Outro temas, como o apoio do Brasil ao Irã e o meio ambiente, também foram abordados no debate. No último bloco, em que candidatos respondiam a perguntas de candidatos, o representante do PSol questionou o tucano sobre a política econômica e Serra disse que, se eleito, irá reduzir a taxa de juros. Perguntada por Dilma sobre suas propostas para a redução da pobreza no campo, Marina Silva defendeu a agricultura familiar e políticas de investimento para aumentar a produtividade no campo.

No primeiro bloco do debate, os candidatos tinham de mencionar o principal sucesso e o principal fracasso do atual governo. Dilma evitou falar sobre os fracassos e enalteceu a distribuição de renda, os ganhos sociais e a geração de empregos do governo Lula. Serra, por outro lado, apontou os escândalos do mensalão, o dossiê dos aloprados e as violações dos sigilos da Receita Federal. Ele também criticou a falta de investimentos em setores como saneamento, saúde e educação.

Plínio de Arruda Sampaio criticou o Bolsa Família por ser, segundo ele, uma solução paliativa. “Só resolve o problema de hoje. E a Dilma já disse que vai restringir gastos, ela já deu o toque”, afirmou. Marina Silva, afirmou que nos últimos 16 anos houve um grande retrocesso na política. “Avançamos no social e na economia, mas na política retrocedemos”, disse.

Fonte: Gazeta do Povo

O governo Wagner é marcado pela incapacidade gerencial e factóides

Osvaldo Lyra e Paulo Roberto Sampaio

Em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de votos desde o início da campanha eleitoral, o candidato do PMDB ao governo do Estado, Geddel Vieira Lima, descarta possuir uma “carta na manga” que o permita virar o jogo e ir ao segundo turno, mas está confiante em chegar lá. Nesta entrevista concedida na sede da Tribuna da Bahia - a segunda com os candidatos ao governo estadual -, o candidato fala em otimismo e diz que acredita ser possível passar Souto e ir ao segundo turno. Para ele, o sentimento das ruas e o contato com a população mostram outro cenário, que difere das pesquisas de intenção de votos (que, inclusive, ele não contesta).

Geddel diz que uma das principais armas que possui nesta campanha é a verdade dos fatos. Ele citou obras como o Porto Sul, “que não tem licença”, e a Ferrovia Oeste-Leste, “que não avançou”, como exemplos “da sensação de factóide, da incapacidade gerencial de fazer as coisas acontecerem” do atual governo. Estabelecendo um comparativo entre ele e o atual governador, Geddel diz que possui estilos diferentes, tanto de gerir como de encarar a política. Ex-integrante do governo estadual e peça-chave na vitória do PT em 2006, Geddel diz que, do ponto de vista político, o maior erro do governador foi não ter visto o PMDB como o seu parceiro principal.

O rompimento com os petistas, na visão do candidato, se deu por uma série de fatores, entre eles a quebra de acordo na eleição de João Henrique, em 2008, e o fato de o governador ter esvaziado o PMDB no seu governo. Em outro momento da entrevista, Geddel admitiu ter aberto mão do conforto de uma candidatura ao Senado na chapa de Wagner por não existir mais confiança entre eles. O peemedebista evita falar sobre a participação em um eventual governo Dilma, caso não seja eleito, deixando o assunto nas mãos do PMDB. Geddel diz também que o apoio declarado do presidente Lula a Wagner não abalou, mas “evidentemente que surpreendeu. Não era esse o entendimento e as tratativas que foram feitas em nível nacional”.

Ele minimizou o esvaziamento do palanque duplo pregado por Dilma e diz que o governador não soube usar positivamente da amizade com o presidente da República. Sobre os principais problemas do estado, leia-se segurança pública, saúde e educação, o candidato diz que falta prioridade e capacidade de gestão. Ele alfineta ainda o ex-aliado ao afirmar que a candidatura do PT no estado está “escorada” na popularidade de Lula e no momento econômico positivo do país. Questionado se o prefeito João Henrique tem contribuído com sua candidatura, já que foi o principal responsável pela vitória do prefeito, em 2008, Geddel disse apenas que João poderia fazer mais.

Tribuna da Bahia: A eleição se aproxima e os números apontam sua estagnação na intenção de votos. O que será feito para reverter essa situação?
Geddel Vieira Lima -
Nada diferente do que fiz até agora. Continuarei preso à verdade, falando o que eu acredito, falando de propostas, fazendo a crítica substantiva a ações de governo, mostrando que temos um projeto capaz de fazer com que a Bahia avance com mais rapidez no seu desenvolvimento econômico, na busca por justiça social, conversando com as pessoas e esperando a manifestação popular do dia 3.

Tribuna - Acredita que terá condições de passar Paulo Souto, que está hoje em segundo nas pesquisas, e chegar ao segundo turno?
Geddel -
Evidentemente que todo trabalho nosso é nessa direção. Eu estou muito otimista em função do que eu estou vendo nas minhas caminhadas nas ruas de Salvador e nas andanças pelo interior, por mais que as pesquisas de opinião apontem numa direção diferente. Mas eu me sustento na ideia de que se pesquisa de opinião, a essa altura do campeonato, decidisse eleição, o governador da Bahia era Paulo Souto e o prefeito de Salvador era Antonio Imbassahy. Portanto, vamos aguardar o que é que vai sair das urnas.

Tribuna - O que o senhor tem sentido no dia a dia e tem notado nas pessoas, principalmente nas suas andanças no interior?
Geddel -
Carinho, esperança no olhar das pessoas, gestos de apoio e solidariedade, tudo aquilo que quem tem a experiência que eu tenho identifica como uma candidatura que não está no sentimento das urnas no patamar que algumas das pesquisas colocam. Eu estou otimista com o que estou vendo, apesar de não brigar contra números, eu sou um sujeito muito pragmático nessas questões.

Tribuna - Que diferencial o senhor tenta estabelecer sobre os outros candidatos?
Geddel -
Não é um diferencial que eu tento estabelecer, é a verdade dos fatos. Basta você ver a atual administração que você vai ver uma série de projetos que se coloca como se tivesse iniciado, mas não passa do papel. O Porto Sul não tem licença; a Ferrovia Oeste-Leste não avançou; o aeroporto de Conquista, nada; segunda pista de Salvador, absolutamente nada; reforma e investimento dos portos da Bahia, em quatro anos, quase nada; e uma séria de projetos estruturantes, como a ponte Salvador-Itaparica, que fica sempre essa sensação do factóide, da incapacidade gerencial de fazer as coisas acontecerem. O meu lado, em três anos de governo, projetos tidos como absolutamente difíceis de viabilizar estão aí. Veja, por exemplo, a questão da transposição das águas do São Francisco. Eu acho que este talvez seja o projeto que estabelece melhor essa diferença de estilo.

Tribuna – Diferença de estilo entre o senhor e o governador?
Geddel -
Deixa eu lhe lembrar uma coisa: o atual governador era ministro da articulação política quando o presidente Lula quis fazer a obra da transposição no primeiro momento. O bispo da Igreja Católica (Dom Flávio Cappio) entrou em greve de fome. Designado para resolver o impasse, o então ministro lá foi dialogar com o padre. O que ocorreu? Acabou a greve de fome, mas a obra não foi adiante. Passa o tempo e eu sou ministro da Integração Nacional, o presidente da Republica manifesta o desejo de fazer a mesma obra. Tomo todas as providências, vou buscar licença ambiental, licitação, conversa com todos. Eis que o mesmo bispo faz uma greve de fome. Eu sou designado para resolver o problema. O que aconteceu? A greve de fome acabou, mas a obra está para ser inaugurada agora no final do ano. Acho este um estilo de quem tem vontade de fazer, enfrenta os problemas, não tem medo da crítica e entende que o diálogo é necessário; a busca de consenso não implica e não inibe o fato de você ter que, em determinado momento, fazer o enfrentamento quando necessário.

Tribuna - O PMDB construiu o governo junto com o governador Jaques Wagner. Qual o maior erro e o maior acerto do governador ao longo desse período?
Geddel -
Do ponto de vista político, talvez o maior erro tenha sido ele não ter visto o PMDB como o seu parceiro principal. E o maior exemplo disso foi na eleição municipal. O prefeito João Henrique veio para o PMDB em comum acordo com Wagner. Por avaliação de pesquisas, ele optou por lançar um candidato próprio, rompendo uma aliança que havia em Salvador e criando um clima de desconfiança nessas relações. Esse mesmo episódio se multiplicou no interior do estado. Além disso, em determinado momento, é sempre bom lembrar que quem buscou aproximação com setores da oposição, como Antonio Imbassahy para prefeito, que não estaria no projeto de 2010, foram eles. Quem buscou aproximar-se de ex-carlistas no interior e na capital, em nome da governabilidade, foram eles. Quem, no primeiro momento da formação do governo, deu a EBDA ao Emerson Leal, carlista histórico, foram eles. Quem buscou o afastamento do PMDB foram eles. E do ponto de vista administrativo, ficou patente que resolvia reduzir o orçamento da Secretaria de Infraestrutura, retirando obras, como a Via Expressa, que estava a cargo da Secretaria de Infraestrutura, para outra secretaria, esvaziando as secretarias do PMDB. Nós fizemos tudo às claras, inclusive, entregando ao governador um documento onde mostrávamos rumos que poderiam ser seguidos no futuro e que poderia ter sido a base para a retomada de um diálogo. A resposta que tivemos pelos jornais foi que o governador não tinha tido tempo de ler.

Tribuna - Há quem diga que o senhor se precipitou ao romper com o PT e lançar candidatura própria, quando uma vitória sua ao Senado era dada como certa. Houve um erro de estratégia?
Geddel -
Havia sido quebrada a relação de confiança. E eu, em nome do conforto de uma candidatura a deputado federal ou de um suposto conforto de uma candidatura a senador, não poderia continuar olhando e ao lado daquilo que eu não confiava mais, não acreditava mais. Que marca de político seria eu que, em nome de conveniências, continuasse ao lado do que eu não acreditava? Além do mais, as bases do nosso partido, chamadas a se manifestar nos encontros regionais, se manifestaram amplamente favoráveis ao lançamento de uma alternativa política para a Bahia. Portanto, não há arrependimento. A vida, com vitórias ou com derrotas, ela é um ousar. E eu não me arrependo nunca de ousar. Eu me arrependeria se não ousasse.

Tribuna - O senhor mantém ao longo da campanha uma linha propositiva, mas mudou o discurso e passou a bater menos no atual governo. Alguma coisa mudou para o senhor ter ficado mais brando?
Geddel -
Não, pelo contrário. A política tem determinados momentos em que surgem algumas verdades absolutas. É politicamente incorreto criticar. Você criticar, hoje bater. Eu tinha uma divergência frontal com o ex-senador Antonio Carlos Magalhães, porque ele não criticava; ele fazia ataques pessoais, ele caluniava, ele mentia. E eu não abro mão do direito de criticar. Fazer a crítica substantiva é o que eu tenho feito. Se eu não tivesse críticas a apresentar à atual gestão, eu estaria apoiando. Então, eu tenho feito críticas substantivas e procurado apresentar propostas substantivas. Ver o que faríamos diferente, de que forma faríamos diferente. Isso para mim tem sido muito claro, o papel da nossa coligação.

Tribuna - O senhor tem o receio de que o calor da disputa inviabilize sua participação num eventual governo Dilma?
Geddel -
Eu sou filiado ao PMDB. Primeiro, eu estou lutando para ganhar a eleição. Segundo, eu sou filiado ao PMDB. As minhas indicações, a minha participação na vida pública, ela é feita através do PMDB.

Tribuna - Apesar do seu otimismo, integrantes da sua coligação dizem que falta fôlego à sua campanha, inclusive apoios de material de divulgação. Está tendo algum problema, sobretudo no interior?
Geddel -
Você que está contando uma novidade. A você que disseram isso. A mim, nenhum integrante da coligação se queixou.

Tribuna - Sua campanha possui um nível de profissionalismo e uma estrutura de causar inveja a muita gente. Por que não conseguiu deslanchar e superar Paulo?
Geddel -
Que bom que você reconheça isso nessa sua pergunta. A sua pergunta já desmente a queixa que lhe fizeram anteriormente. Se você afirma que possui um grau de profissionalismo muito grande, a pergunta anterior está eivada de fofocas de quem não teve sucessos nas suas pretensões e quer supostamente atribuir a onda dos seus fracassos. Vamos esperar o resultado das eleições. Eu volto a lhe dizer: se pesquisa de opinião resolvesse eleição, o governador era Pulo Souto. Para que fazer eleição, se pesquisa de opinião já diz quem vai ser primeiro, segundo e terceiro. Vamos aguardar.

Tribuna - O senhor tem enfrentado algum tipo de problema ou de resistência ao longo da campanha, seja com lideranças políticas ou com a própria população?
Geddel -
Nada que não seja absolutamente natural dentro de um processo eleitoral.

Tribuna - O apoio declarado do presidente Lula à candidatura do governador Jaques Wagner chegou a abalar o PMDB baiano?
Geddel –
Abalar não, mas evidentemente que surpreendeu. Não era esse o entendimento e as tratativas que foram feitas em nível nacional. Mas acho que é um caminho natural o presidente da República, em determinado momento, manifestar apoio a um candidato do seu partido. Eu fico imaginando o padrão de pressão sentimental que o presidente da República não deve ter recebido. Como eu sou um sentimental, eu respeito essas decisões sustentadas no sentimentalismo.

Tribuna - A candidata Dilma possui dois palanques aqui na Bahia, mas tem priorizado apenas Wagner e seus candidatos ao Senado. De que forma o senhor encara isso?
Geddel –
Eu encaro com naturalidade, mas essa pergunta deve ser feita à ministra Dilma. A ministra Dilma teve aqui na nossa convenção e declarou claramente que tinha uma posição de absoluta equidade entre os dois candidatos. Eu volto a lhe dizer: eu encaro essas questões da política com absoluta naturalidade, eu sou um homem que acho que a vida é como ela é.

Tribuna - O que o senhor faria diferente na gestão do governo do estado. O que é que Geddel Vieira Lima propõe?
Geddel –
Está estabelecido tudo isso no meu programa de governo, de que forma proponho. Agora, o que eu faria? Eu teria uma atitude diferente. Eu acho que um estado como a Bahia tem que ser governado. É muito importante ser amigo do presidente e da presidenta, mas o governador tem que entender que o grande amigo do governador da Bahia tem que ser a Bahia, tem que ser baiano. Em nome dele, em nome do povo da Bahia que você tem que se posicionar. O governador de Pernambuco (Eduardo Campos), por exemplo, não é do mesmo partido do presidente Lula, não é seu amigo há 30 anos, mas fez uma administração exemplar que o coloca em patamares de quase 80% das intenções de voto. O governador do Ceará (Cid Gomes) da mesma forma. Portanto, eu faria muita coisa diferente do ponto de vista da gestão.

Tribuna - O que o senhor atacaria como prioridade no seu governo?
Geddel –
A questão da segurança pública, a saúde e a educação continua sendo uma clara prioridade no estado. Você veja agora, que apesar de toda a propaganda que o atual governo tem feito, por exemplo, aos padrões de alfabetização, fica demonstrado claramente através da pesquisa do IBGE que não é bem assim. Os números, como a gente sempre demonstrou, não eram aqueles anunciados pelo governo, aqueles eram números falaciosos e fantasiosos. Para a gente, educação teria que ser investimento brutal no estado nos quatro anos de governo, com pré-escola, creche, ensino fundamental, em qualificação de professores através de treinamento permanente para superar esse flagelo que a Bahia tem de ser o estado com o maior número de professores sem curso superior (são cerca de cem mil professores), remunerar melhor o professor do ensino médio, qualificar as escolas. Estabelecer a meta de transformar 50% do ensino fundamental e do ensino médio no ensino profissionalizante, aproveitando as vocações regionais.

“A eleição será definida em dois turnos”

Tribuna – E a saúde?
Geddel -
A saúde! Não adianta apenas você anunciar a construção de novos hospitais; você tem que botar para funcionar o que existe. O que o cidadão quer é saúde de qualidade, remédio bem distribuído, onde ele precisa. Para isso, a nossa ideia é criar um plano de cargos e salários para os profissionais da área médica, fazer concurso público, é colocar um médico no interior, de maneira que o programa saúde da família, hoje a estratégia do Programa de Saúde da Família funcione bem, não está funcionando, temos questionado. Fazer com que a regulação seja descentralizada, gerenciar melhor os outros. E no caso da segurança pública, sobretudo atitude. Eu disse ontem numa sabatina de que considero um equívoco, já foi do governo anterior e é desse, você trazer um alienígena para comandar a segurança pública; é insistir no projeto do controle das nossas divisas; gerir melhor o controle da segurança pública...

Tribuna - O que tem que ser feito na questão da segurança para que as pessoas voltem a ter um pouco mais de tranquilidade?
Geddel -
Isso que ia falar. Gerir, gestão. Você não pode achar que está boa uma gestão em que o governo atual diz que foi o governo que mais alugou motocicleta e carro e ao mesmo tempo um jornal de grande circulação estava na sua primeira página que 400 motocicletas estavam paradas à chuva e ao sol por falta de motociclistas e emplacamento. Isso é gestão. Isso é falta de gestão! Você não pode admitir que, ainda hoje, prefeituras que estão num estado pré-falimentar sejam responsáveis pelo abastecimento de viaturas de policia e pela manutenção de delegacias. Você não pode compreender que, em quatro anos, você não tenha construído uma nova delegacia em Salvador. Você não pode admitir que o subúrbio ferroviário, onde habitam 600 mil baianos, tenha apenas uma delegacia de policia! Você não pode admitir que a ideia da inteligência não obrigue você a não manter policiais em áreas reconhecidamente violentas na capital, permitindo toque de recolher ou controle de áreas intensas na capital do estado ou em outros municípios por causa de bandidos. Dinheiro para isso tem. Agora, resta ter uma nova atitude, também. Segurança pública, no padrão seguro, é um problema do governador do estado. A responsabilidade tem que vir a ele. Eu acho que, entre outras coisas, atitude e implantação de projetos que permitam você fazer da segurança pública uma prioridade do orçamento e não apenas no discurso. É inaceitável, sem nenhum desmentido, levantamentos mostrarem que você executou mais o orçamento da propaganda do que o orçamento da segurança pública de investimentos.

Tribuna – O momento positivo do país, aliado à popularidade do presidente Lula, vai ter um efeito muito grande nessa eleição?
Geddel -
Só isso sustenta a candidatura do atual governador. Basta você ver os números. Se você considerar como verdadeiras, e vamos considerar para efeito de argumentação, que ele tem 48%, compare isso com Pernambuco, com o Ceará, e com outros governadores à reeleição que você vai ver que só isso sustenta a candidatura. Não é por outra razão que não há proposta, não há projetos e não há ideias. É tome Lula, é tome Lula, é tome Lula, é tome Lula, é tome Lula...

Tribuna – O senhor foi decisivo para a reeleição do prefeito João Henrique. Ele tem retribuído à altura o apoio que você deu para reconduzi-lo ao Palácio Tome de Souza?
Geddel -
Olha, responder que sim ou que não um assunto desses, fica muito um juízo de valor pessoal. Eu posso lhe dizer que eu faria mais... Alias, eu fiz mais!

Tribuna – O senhor acredita que isso pode repercutir na sua candidatura?
Geddel -
Não, cada eleição é uma eleição. Eu não tenho queixa do processo eleitoral. Eu continuo achando, pelo o que eu tenho visto nas ruas, que algumas surpresas podem acontecer. Agora, entre achar e acontecer, nós temos que aguardar, não há outro mecanismo. A essa hora da eleição de 2006, Paulo Souto tinha 52%, Jaques Wagner tinha 16%. Em cinco dias a eleição virou. A eleição de João Henrique, se você fizer aí uma pesquisa na internet, vai mostrar que virou nos dez dias finais. Vamos aguardar, só tem pressa quem não tem tempo para esperar.

Tribuna - Alguma coisa está sendo gestada nesta fase final do processo eleitoral?
Geddel -
Não tenho essa informação, tenho esse sentimento, de rua, que me permite lhe dizer, com absoluta convicção que, o que eu vejo nos números, e não estou contra eles brigando, não é aquilo que eu sinto nas ruas. Se esse sentimento vai ou não se confirmar, nós temos que aguardar mais 26 dias. Eu não tenho como prever. Por enquanto, o que há são números, que colocam o atual governador como favorito, o candidato Paulo Souto ainda como o segundo colocado, e eu em terceiro colocado. Eu não discuto números; eu não me permito combater números. Agora, eu lhe digo que, como político, levo em conta também sentimento de ruas que a experiência me deu. Eu estou motivado pelo sentimento que tenho percebido às ruas onde por elas sou recebido. Agora, se isso vai se confirmar ou não, se vai prevalecer o que está nas pesquisas ou no meu sentimento, aí é aguardar 3 de outubro.

Tribuna - O que o senhor faria diferente na gestão de uma cidade como Salvador?
Geddel -
Eu faria muitas coisas diferentes, mas eu não sou o prefeito de Salvador. Acho que isso não é hora para eu comentar esse tipo de assunto.

Tribuna - Qual a mensagem que o senhor quer deixar para o eleitor?
Geddel -
De otimismo. Primeiro o meu ponto de vista é de otimismo, de fé no futuro, de que estou fazendo o meu papel de democrata, disputando a eleição, levando minhas ideias, levando as posições do meu partido, discutindo a Bahia com seriedade e com amor à causa pública. E, segundo, que reflitam. Eu acho que, a eleição que tem dois turnos, como essa da Bahia, onde você não desponta um amor incandescente por um candidato, a oportunidade de vê-la decidida em dois turnos é interessante. Você pode tirar um debate mais cara a cara, o tempo de televisão é mais, onde as diferenças e as divergências poderão saltar sem muitas influências externas. Portanto, a mensagem que eu deixo é o desejo de que esta eleição, efetivamente, possa ser definida em dois turnos.

Tribuna - Num eventual segundo turno, Geddel não indo, como ficaria?
Geddel -
Eu só discuto segundo turno na possibilidade de Geddel ir com outro candidato, que eu prefiro até que seja Wagner.

Tribuna - O senhor percebe que o estado vem sendo preparado para sediar a Copa do Mundo, ou somente a construção de um estádio vai bastar?
Geddel -
Vamos ser claros aqui. Quando a gente falar ‘a Bahia vai sediar uma Copa do Mundo’... A Bahia, com muito otimismo, vai sediar quantos jogos? Dois ou três? Dois ou três jogos... Portanto, a importância da Copa do Mundo para a Bahia, para um estado como a Bahia, é que o governo tenha a capacidade de entendê-la como alavancadora de investimento pós-Copa do Mundo. Outro, falar da Copa do Mundo, dois jogos na Bahia, a construção de um estádio e achar que isso vai mudar a parte do estado... Nós temos aí, talvez, a Copa do Mundo como instrumento para alavancar a rede hoteleira, qualificar a mão de obra, investir em infraestrutura, resolvendo esse problema dos portos, estradas, mobilidade urbana... para pós-Copa.

Colaborou: Evandro Matos
Fonte: Tribuna da Bahia

A baixaria pela presidência da Câmara

Tendo sido “escolhido” para vice de Dona Dilma já vitoriosa, o fator negativo representado por Michel Temer seria compensado pela ausência no cargo mais importante da Câmara. Livres dele, começou a concorrência.

Pela ala adesista do PMDB, a pior de todas, “pularam” na frente, três “puros sangues” desse exibicionismo fulgurante e sempre vencedor, perdão, quando se trata de cargos proporcionais, facilmente acumulados. Também são “conquistáveis” cargos majoritários, embora com um pouco mais de dinheiro e dificuldade.

Esses três, Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, nem se arriscam a essas disputas. E quando se lançam, é derrota certa, como está acontecendo na Bahia, onde Wagner se reelege sem campanha.

***

PS – Então tentam a presidência da Câmara, os três sempre aliados na “conquista” de tudo, embora tenham que se dividir.

PS2 – Eduardo Alves, com mais de 10 mandatos de deputado, para governador foi derrotado pela ex-mulher. Cunha, o maior lobista, vetado pelo Planalto-Alvorada.

PS3 – Geddel, apoiado por Lula, (de quem dizia horrores), não pode presidir a Câmara, fulminado na Bahia. Não existe alguém com perfil mais apurado?

Helio Fernandes |Tribuna da Imprensa

Que saudades do Itamar…

Carlos Chagas

Mais do que nunca, a hora é de saudosismo explícito. Que saudades do Itamar, aquele que à primeira denúncia de irregularidades e trapalhadas em seu pano de fundo, em poucas horas demitia ministros, altos assessores e auxiliares de todo nível, supostamente implicados em acusações. Deixava a porta aberta para o retorno, recomendando que fossem defender-se como cidadãos comuns e, provada inocência, retornariam com tapete vermelho.

Aconteceu até com seu chefe da Casa Civil, o todo-poderoso Henrique Hargreaves, que por sinal voltou, meses depois de uma acusação falsa. Muitos outros, porém, tomaram o rumo do esquecimento, restando a lembrança de um presidente da República inflexível na defesa da coisa pública. Itamar Franco inscreveu-se na galeria daqueles governantes que, ao assumir, trocaram a complacência pela ética.

No correr dos oito anos da administração Lula não tem sido assim. Em muitos casos os suspeitos acabaram defenestrados, sempre pela evidência de suas participações em ilícitos maiores e menores, jamais pela iniciativa do chefe. A prática do primeiro-companheiro tem sido invariavelmente de abrir as asas e abrigar pelo tempo que for possível seus bons e maus colaboradores. Baseia-se no simples fato de terem sido escolhidos para trabalhar com ele. Imagina-os imunes às tentações do uso do poder apenas por supô-los dignos de sua escolha.

É só mais um, esse caso do fim-de-semana envolvendo denúncias contra a chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, e um de seus filhos, acusados de lobby, tráfico de influência e intermediação de contratos públicos em troca de propina.

Jamais se poderá considerá-los culpados antes de completa elucidação dos fatos. Pode tratar-se de calúnia, baixa manobra eleitoral, erro ou engano, mas na medida em que a sucessora de Dilma Rousseff permanecer no cargo, quaisquer provas de culpabilidade atingirão na moleira o presidente da República. Engrossarão o rol onde se encontram José Dirceu, Antônio Palocci, Luiz Gushiken, José Genoíno, Delúbio Soares, os demais mensaleiros, mais os aloprados de São Paulo e quantos outros?

Vale repetir, que saudades do Itamar…

As balas de prata

Ao defender publicamente Erenice Guerra das acusações de tráfico de influência e penduricalhos, Dilma Rousseff valeu-se de imagem que precisa ser explicitada. A candidata afirmou que seus adversários estão procurando “balas de prata”. Pelo que revela a memória dos tempos da infância, balas de prata eram a única forma de abater lobisomens, assim como estacas de madeira no coração derrotavam vampiros.

Teria sido melhor para Dilma ficar na primeira parte de suas declarações, quando desvinculou-se da denúncia contra sua substituta, dizendo tratar-se de assunto governamental, não tendo como fazer juízos de valor. Afinal, não é por ser amiga de Erenice que ela se obriga a avalizar seu comportamento. Em especial porque depois de haver-lhe transmitido a chefia da Casa Civil, encontraram-se apenas duas vezes, de passagem. Além de conhecer “muito pouco” o filho dela.

A pergunta que se faz é se, eleita, a ex-ministra manterá as características do Lula, de jamais tomar a iniciativa de afastar auxiliares acusados de irregularidades, ou se retomará a estratégia oposta aplicada por Itamar Franco. Pelo que se conhece de sua personalidade, não permitirá que amizades obstruam o dever maior de todo governante. Nem que admitam supostos lobisomens transitando pelo palácio do Planalto.

Preocupações superdimensionadas

As pesquisas mais recentes revelam o crescimento dos candidatos ligados ao presidente Lula que disputam o Senado. Não necessariamente todos do PT, mas de partidos afins. Pelo jeito, depois de esboçada a vitória de Dilma Rousseff na presidência da República, concentra-se o primeiro-companheiro na conquista de maioria entre os senadores, cuja instabilidade prejudicou sua administração até menos do que ele pensa. Porque derrotas, mesmo, daquelas fundamentais, o governo sofreu apenas uma, a revogação da CPMF. A impressão é de que o Lula agastou-se mais com os virulentos pronunciamentos de seus adversários senadores do que propriamente com seus votos. Alguma coisa que beira as raias do particular, sobrepujando o público.

Mesmo assim, pesquisas são pesquisas. Três oposicionistas que disputam a reeleição encontram-se na alça de mira do presidente da República, que tudo tem feito e mais fará para derrotá-los: Tasso Jereissatti, do PSDB do Ceará, José Agripino, do DEM do Rio Grande do Norte, e Arthur Virgílio, do PSDB do Amazonas. Os três vão muito bem de perspectivas, considerando-se vitoriosos se as eleições fossem hoje. Acresce que o PMDB, agora integrado por inteiro no governo e na candidatura Dilma, será sempre uma garantia de sólida maioria governamental, exceção, talvez, de Pedro Simon, Jarbas Vasconcelos e Roberto Requião, refratários ao alinhamento automático.

Estratégia questionada

Em casa onde não tem pão, todos brigam e ninguém tem razão, diz o ditado popular. Coisa parecida acontece no ninho dos tucanos. José Serra custou a botar sua candidatura na rua, esperou demasiadamente uma resposta de Aécio Neves para ser seu vice, engoliu um índio desconhecido como imposição do DEM e começou a campanha voltado para o futuro, sem ficar batendo no governo Lula como pretendiam alguns de seus assessores. Como foi caindo nas pesquisas, aceitou conselhos para aumentar o diapasão de críticas e denúncias contra o presidente e a candidata adversária. Só essa mudança parece não estar dando certo. Na maioria do eleitorado caem no vazio as diatribes e as acusações contra a atual administração. Como estamos a três semanas das eleições, há quem insista para Serra mudar novamente de estratégia. Pode não dar certo essa política de biruta de aeroporto.

Fonte: Tribuna da Imprensa

domingo, setembro 12, 2010

Mino: Serra é o bode expiatório dos ex-donos do poder

Mino: Serra morreu na UDN

O Conversa Afiada reproduz notável – como sempre – artigo de fundo do Mino na Carta, por sugestao do amigo navegante Rafael:

“O bode expiatório”


Postado Por Mino Carta

Em 10 de setembro de 2010

Bom pai José Serra é. Mas basta isso para ser candidato à Presidência da República? Espantado, ouço estranhas, surpreendentes conversas pelos locais das horas felizes, os mesmos onde, até há pouco, pouquíssimo tempo, Serra era apontado como o aspirante “preparado”, concorrente, imbatível contra Dilma, “a guerrilheira” sem experiência eleitoral.


Dramaticamente despreparada. Pois o tucano, conforme as falas que me cercam, começa a ganhar as inconfundíveis feições de bode expiatório. De certa forma, um Dunga da política.

Os cavalheiros e suas damas faiscantes de berloques e pedrarias buscam uma explicação para o desastre que se esboça. É com melancolia que tomam seu vinho de rótulo retumbante, a girar o copo em curtas evoluções aprendidas não sem fadiga psicossomática nos últimos anos. Aplicados discípulos do up-to-date, substituíram o uísque que os acompanhava horas a fio até ao jantar, enquanto, na hora do almoço, surgem de gravata amarela nos restaurantes finos e caríssimos. Salvo raras e honrosas exceções, entraram na parada com a certeza da vitória. Seria o seu próprio triunfo, por sobre os escombros de Lula e do lulismo, perdão, de Lulla e do lullismo. Se a Seleção Canarinho perde, é por vontade divina, ou porque o técnico errou. E se perde o candidato Serra, de quem a culpa?


Não faltam os técnicos, ou seja, os marqueteiros, uma corte de especialistas não se sabe com exatidão em que matéria, tidos, porém, como indispensáveis nas nossas paragens. Às vezes me pego a imaginar Roosevelt ou Churchill, ou mesmo Zapatero e a senhora Merkel, que invocam a presença de peritos à sua volta para instruí-los como diretor de teatro faz com seus atores.


Os marqueteiros nativos são iguais à mítica fênix. Imortais, reaparecem sempre porque sempre perdoados. Vai sobrar para o próprio Serra, não ficou à altura das esperanças. Caiu em incertezas e confusões que seus eleitores cativos, tão fiéis, tão dedicados, não imaginavam. Não mereciam. Já está em elaboração a listagem dos erros do candidato tucano. Demorou demais para anunciar a candidatura. Não soube cativar Aécio. Imprimiu à campanha direções diversas e até opostas. Etc. etc.


Não é que a mídia não tenha colaborado para a vitória tucana. Formidável mídia, de tucanagem ampla, geral e irrestrita. Um instituto de pesquisas, o Datafolha, também participou do esforço. Surgiu ainda a denúncia, também apelidada de dossiê, a lembrar histórias de aloprados e mensalões. E nada? Culpa do Serra, dirão os senhores e suas damas. E me vejo, de improviso, a me compadecer, sinceramente, do futuro, iminente derrotado, em quem reconheci, e reconheço, muitas qualidades.


O erro de Serra foi ter caído na esparrela urdida por Lula, a do plebiscito inescapável, sem perceber, além da força dos adversários, a mudança que o ex-metalúrgico guindado à Presidência acarretou para o País, acima e além de alguns bons e inegáveis resultados alcançados por seu governo. A situação, precipitada em grande parte pela identificação entre a maioria e seu presidente plebeu, digamos assim, acabou por empurrar Serra para a direita como nesta página foi observado inúmeras vezes. O ex-presidente da UNE, perseguido pela ditadura, tornou-se representante de um partido fadado a ocupar o mesmo espaço outrora preenchido pela UDN velha de guerra.


Sublinhei também que Serra nunca recomendou “esqueçam o que eu disse”. Mesmo assim, na alternância contraditória das rotas da sua campanha, o candidato tucano amiúde, e lamentavelmente, permitiu-se tons udenistas adequados à exposição de ideias idem. Vivêssemos outro tempo, nada disso importaria, está claro. Empenhada em assustar a minoria privilegiada, a mídia nativa teve êxito em 1989, 1994 e 1998, contra o espantalho do Sapo Barbudo. Faz oito anos, contudo, que os argumentos da chamada elite não logram os resultados de antanho, mas Serra e os seus eleitores não se deram conta disso até hoje.


Esta incapacidade de compreender um Brasil diverso daquele sonhado, esta ignorância, é que confere um toque patético à derrota da minoria privilegiada, dos herdeiros e cultores de um passado que os fez donos do poder. Não são mais, a despeito da descoberta do vinho servido em taças, como dizem os maîtres.


Clique aqui para ler: “Ninguém jamais violou tanto quanto a filha do Serra”.

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