Por: Estadão
A Polícia de São Paulo tem 72 horas para divulgar a lista integral com o nome dos 109 mortos em confrontos com policiais desde a noite de sexta-feira, dia 12, segundo determinou portaria do Ministério Público Estadual
Filipe Araújo/AE
Parente de uma das 12 vítimas não identificadas faz vigília em frente ao IML
Áudios
Entrevista de Pedro Giberti à Eldorado AM
SÃO PAULO - A Polícia de São Paulo tem 72 horas para divulgar a lista integral com o nome dos 109 mortos em confrontos com policiais desde a noite de sexta-feira, dia 12, segundo determinou portaria do Ministério Público Estadual. O Instituto Médico Legal também foi requisitado a apresentar, em cinco dias, os laudos periciais relativos a estas mortes.
O pedido, feito nesta segunda-feira, 22, pelo Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial, tem o objetivo de apurar eventuais abusos de poder das polícias Civil e Militar, no controle da onda de violência "desencadeada por criminosos integrantes do Primeiro Comando da Capital", segundo o texto da portaria.
O MP deu um prazo de três dias para que o Delegado Geral da Polícia envie cópias dos boletins de ocorrência sobre as 109 mortes, assim como a lista com os nomes das vítimas. A polícia terá ainda cinco dias para enviar cópias das Portarias de instauração de inquérito sobre as ocorrências.
O Comandante Geral da Polícia Militar terá 72 horas para enviar cópias dos talões de ocorrência sobre as mortes, bem como a lista de mortos. O MP deu cinco dias para que a PM apresente cópias das portarias de instauração de inquéritos policiais militares relativos aos fatos.
Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, foram registrados 229 ataques, que deixaram 109 pessoas mortas, além de 41 policiais e agentes penitenciários, e quatro civis. Somando-se a este número os 18 mortos em rebeliões em presídios paulistas, a crise na segurança deixou, ao todo, pelo menos 172 mortos.
Até o momento, não foram reveladas as identidades das vítimas dos confrontos. Na semana passada, em meio a boatos de que entre os mortos haveria inocentes, o governador Claudio Lembo prometeu que, em breve, a lista seria revelada.
Nesta manhã, em entrevista à Rádio Eldorado AM, o subdefensor Pedro Giberti, da Defensoria Pública do Estado de São Paulo, disse que, se entre os mortos pela polícia houver alguma inocente, as famílias serão procuradas e indenizadas. Permanecem no IML da capital, sem que possam ser reclamados pelas famílias, os corpos ainda não identificados de 12 das 109 pessoas mortas pela polícia
terça-feira, maio 23, 2006
Oposição se irrita com críticas
Por: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - A oposição se irritou com as queixas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a Lei Eleitoral. Ontem, Lula lamentou que o dinheiro fique "mofando" nos cofres federais por causa da proibição das transferências de recursos a estados e municípios a partir de 30 de junho. O líder da minoria no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), protestou contra as reclamações públicas de Lula contra a legislação que trata os repasses de verbas como cooptação.
Ele não tem dúvidas de que é o presidente quem está usando a Lei eleitoral para justificar o que não foi feito por incompetência administrativa, especialmente agora, quando às vésperas das eleições. "Mas não convence", adverte o líder, para quem a execução orçamentária tem sido "uma lástima" e isto não se deve apenas a determinação do governo de produzir um superávit nas contas públicas. "Um dos graves problemas desse governo é a humilhação por que passam vários ministérios de devolver dinheiro ao Tesouro por incapacidade gastá-lo, executando o orçamento", critica Dias.
"É inacreditável que Lula tenha a coragem de falar com tamanho cinismo, quando temos provas evidentes de um novo 'valerioduto' no Ministério das Cidades, onde já há um escândalo de R$ 1 bilhão para a 'compra' de prefeituras", disse o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
ACM afirmou que além de continuar "liberando recursos escandalosamente", o governo ainda está pedindo a aprovação de créditos em valores maiores do que os repasses previstos no Orçamento para estados e municípios. "Vou denunciar o ministério das Cidades, que Lula deu ao PP do ministro do Severino (Cavalcanti, ex-presidente da Câmara)", disse ACM, revelando-se disposto a encaminhar sua denúncia ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Tribunal Superior Eleitoral TSE.
Ele está especialmente irritado por conta de um pedido de crédito extraordinário de R$ 878 milhões ao Ministério das Cidades, aprovado pela Câmara na última quarta-feira, depois de passar pelo crivo dos senadores. ACM faz uma varredura nos projetos do ministério e estranhou o fato de o valor dos projetos em municípios diversos ser sempre o mesmo: R$ 292 mil.
"Ainda estou conferindo documentos e já encontrei projetos diferentes para 27 cidades, envolvendo esta mesma quantia. Devem ser projetos de fachada", suspeita ACM. Ele garante estar convencido de que os repasses federais estão sendo usados para tentar cooptar prefeitos de partidos da oposição.
BRASÍLIA - A oposição se irritou com as queixas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva contra a Lei Eleitoral. Ontem, Lula lamentou que o dinheiro fique "mofando" nos cofres federais por causa da proibição das transferências de recursos a estados e municípios a partir de 30 de junho. O líder da minoria no Senado, Álvaro Dias (PSDB-PR), protestou contra as reclamações públicas de Lula contra a legislação que trata os repasses de verbas como cooptação.
Ele não tem dúvidas de que é o presidente quem está usando a Lei eleitoral para justificar o que não foi feito por incompetência administrativa, especialmente agora, quando às vésperas das eleições. "Mas não convence", adverte o líder, para quem a execução orçamentária tem sido "uma lástima" e isto não se deve apenas a determinação do governo de produzir um superávit nas contas públicas. "Um dos graves problemas desse governo é a humilhação por que passam vários ministérios de devolver dinheiro ao Tesouro por incapacidade gastá-lo, executando o orçamento", critica Dias.
"É inacreditável que Lula tenha a coragem de falar com tamanho cinismo, quando temos provas evidentes de um novo 'valerioduto' no Ministério das Cidades, onde já há um escândalo de R$ 1 bilhão para a 'compra' de prefeituras", disse o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
ACM afirmou que além de continuar "liberando recursos escandalosamente", o governo ainda está pedindo a aprovação de créditos em valores maiores do que os repasses previstos no Orçamento para estados e municípios. "Vou denunciar o ministério das Cidades, que Lula deu ao PP do ministro do Severino (Cavalcanti, ex-presidente da Câmara)", disse ACM, revelando-se disposto a encaminhar sua denúncia ao Tribunal de Contas da União (TCU) e ao Tribunal Superior Eleitoral TSE.
Ele está especialmente irritado por conta de um pedido de crédito extraordinário de R$ 878 milhões ao Ministério das Cidades, aprovado pela Câmara na última quarta-feira, depois de passar pelo crivo dos senadores. ACM faz uma varredura nos projetos do ministério e estranhou o fato de o valor dos projetos em municípios diversos ser sempre o mesmo: R$ 292 mil.
"Ainda estou conferindo documentos e já encontrei projetos diferentes para 27 cidades, envolvendo esta mesma quantia. Devem ser projetos de fachada", suspeita ACM. Ele garante estar convencido de que os repasses federais estão sendo usados para tentar cooptar prefeitos de partidos da oposição.
Vannuchi, Genro... exibições explícitas de oportunismo
Por: Rui Nogueira (Primeira Leitura)
Instalou-se em parte da mídia e do debate parlamentar aquilo que alguns jornalistas e políticos já apelidaram de um “empurra-empurra entre PSDB e PT” sobre a crise da segurança pública em São Paulo – em todo país, a rigor. Trata-se de mais uma vitória do princípio petista do empate cínico sobre o signo do já manjado “somos todos iguais”. Reduzir o bom debate a um “empurra-empurra” torna tudo mais fácil, mais rasteiro.
Essa linha de raciocínio evita que se apresentem os números, os orçamentos, que se detalhem as responsabilidades circunstâncias e as responsabilidades estruturais. Abre-se, assim, uma planície para o cinismo sem limites liderado pelo presidente da República, secundado pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e suplantado pela ignorância indômita do secretário Paulo de Tarso Vannuchi, dos Direitos Humanos.
Entusiasmado com a prosa destrambelhada do governador Cláudio Lembo (PFL), aquela que responsabiliza o descaso social da “elite branca” pela violência em São Paulo, Vannuchi chafurdou no lamaçal pensante corrente e deu a contribuição dele à baixaria sociológica reinante. Ele disse, na Folha de S.Paulo desta segunda-feira, que o elitismo brasileiro “tem suas raízes no nosso passado colonial escravista” e revelou preocupação com “toda a simbologia que há no episódio Daslu”. Assim, do quase nada, eis a Daslu no debate!
O ministro Vannuchi podia ter parado por ali, assim, como quem cria uma situação apenas provocadora, apenas propositalmente maldosa. Que nada! Ele “sociologou” em cima, querendo demonstrar a solidez do pensamento, e mandou ver sobre as lojas Daslu, em São Paulo, exibindo toda a desqualificação mental possível: “Primeiro, aquele monumento faraônico de exaltação de um luxo que funciona como uma espécie de insulto aos miseráveis que vivem do lado e a presença do ex-governador [Geraldo Alckmin] em festas da Daslu. Em seguida, o envolvimento da Daslu em práticas que estão ainda em investigação, mas com fortes indícios de graves sonegações fiscais. Isso é o retrato de uma certa elite brasileira”.
Esse homem, mestre em ciência política pela USP, amigo de Lula, ex-presidente do Instituto Cidadania (um dos braços financeiros do petismo travestido de ONG social), ex-assessor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo (SP) e secretário-executivo do comitê central da campanha de Lula à Presidência, em 2002, é secretário com status de ministro da República Federativa do Brasil. Ele é mestre em ciência política, mas não se dispõe a fazer um raciocínio, tão ligeiro quanto o da Daslu, sobre o exemplo edificante do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, condestável da ética nacional, no Planalto, a exaltação à faraônica corrupção patrocinada pelo mensalão e o insulto que a “quadrilha” petista perpetrou no poder.
A intimidade de Alckmin com a Daslu é tão republicana que a empresária foi investigada e responde, dentro da lei, ao que o Estado de Direito quiser saber dela. É da vida democrática, que estabelece as regras do direito de acusação e de defesa. Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT que acendia charutos na boca de Lula, nunca teve suas propriedades invadidas pela PF atrás das provas do relacionamento criminoso entre o PT, Marcos Valério e companhia. Tudo azeitado, como diria o mestre Vannuchi, em “fortes indícios” de corrupção institucional sem-par na história do país.
Genro: outra perdiçãoDescompostura institucional foi notada, no sábado passado, pelo editorial da mesma Folha de S.Paulo, intitulado Palanques de Sangue, sobre as declarações recentes do ministro Tarso Genro em torno da crise paulista. O jornal foi ao ponto, com palavras que não admitem mais rodeios: “Uma das mais lamentáveis exibições de oportunismo eleitoral sobre o sofrimento e o sangue alheios”. O editorial disse ser natural que o “tema da segurança pública [entre] na lista de principais discussões nas campanhas eleitorais neste ano”, e acrescentou onde Genro se situou nesse debate. Eis alguns trechos do editorial, que destaquei em nota na edição do fim de semana, mas transcrevo aqui novamente:“Irresponsável” – “Nada justifica a partidarização irresponsável da selvageria promovida pelo PCC, desrespeitando o luto de familiares dos agentes da lei covardemente assassinados, perdendo de vista que o crime organizado é inimigo comum de todos os políticos comprometidos com o Estado de Direito”.
“Oportunismo eleitoral” – “Das mais lamentáveis exibições de oportunismo eleitoral sobre o sofrimento e o sangue alheios foram algumas frases do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro. Na quarta, o petista atacou o governo paulista, dizendo que preferiu ‘negociar com criminosos’ a aceitar ajuda federal para debelar a crise”.
Esperteza – “Nem se mencione o fato de Genro esconjurar ‘negociações com criminosos’ pouco depois de 11 petistas ou ex-petistas terem sido denunciados criminalmente pelo mensalão. Frise-se que o ministro apenas revelou sua indignação num momento preciso: após o Datafolha ter mostrado que a maioria dos paulistanos gostaria do apoio de tropas federais”.
“Tese oca” – “Negociação com o PCC, naquele contexto explosivo, terá sido escandalosa se o poder público ofereceu vantagens fora da lei aos líderes dos motins. Do contrário, tratou-se de atitude de bom senso para poupar vidas (...). Essa dúvida, entre uma negociação ilegal e uma ação legítima, dado o contexto, somente o Ministério Público e a Justiça podem tirar, após exame cuidadoso dos fatos. Não caberia a Genro prejulgar, quanto mais quando era o momento de demonstrar união. Mas o autor da tese oca da ‘refundação do PT’ preferiu perfilar-se no time dos muitos políticos que não souberam ler a crise paulista.”
O que mais dizer?!
[ruinogueira@primeiraleitura.com.br]
Instalou-se em parte da mídia e do debate parlamentar aquilo que alguns jornalistas e políticos já apelidaram de um “empurra-empurra entre PSDB e PT” sobre a crise da segurança pública em São Paulo – em todo país, a rigor. Trata-se de mais uma vitória do princípio petista do empate cínico sobre o signo do já manjado “somos todos iguais”. Reduzir o bom debate a um “empurra-empurra” torna tudo mais fácil, mais rasteiro.
Essa linha de raciocínio evita que se apresentem os números, os orçamentos, que se detalhem as responsabilidades circunstâncias e as responsabilidades estruturais. Abre-se, assim, uma planície para o cinismo sem limites liderado pelo presidente da República, secundado pelo ministro Tarso Genro (Relações Institucionais) e suplantado pela ignorância indômita do secretário Paulo de Tarso Vannuchi, dos Direitos Humanos.
Entusiasmado com a prosa destrambelhada do governador Cláudio Lembo (PFL), aquela que responsabiliza o descaso social da “elite branca” pela violência em São Paulo, Vannuchi chafurdou no lamaçal pensante corrente e deu a contribuição dele à baixaria sociológica reinante. Ele disse, na Folha de S.Paulo desta segunda-feira, que o elitismo brasileiro “tem suas raízes no nosso passado colonial escravista” e revelou preocupação com “toda a simbologia que há no episódio Daslu”. Assim, do quase nada, eis a Daslu no debate!
O ministro Vannuchi podia ter parado por ali, assim, como quem cria uma situação apenas provocadora, apenas propositalmente maldosa. Que nada! Ele “sociologou” em cima, querendo demonstrar a solidez do pensamento, e mandou ver sobre as lojas Daslu, em São Paulo, exibindo toda a desqualificação mental possível: “Primeiro, aquele monumento faraônico de exaltação de um luxo que funciona como uma espécie de insulto aos miseráveis que vivem do lado e a presença do ex-governador [Geraldo Alckmin] em festas da Daslu. Em seguida, o envolvimento da Daslu em práticas que estão ainda em investigação, mas com fortes indícios de graves sonegações fiscais. Isso é o retrato de uma certa elite brasileira”.
Esse homem, mestre em ciência política pela USP, amigo de Lula, ex-presidente do Instituto Cidadania (um dos braços financeiros do petismo travestido de ONG social), ex-assessor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo (SP) e secretário-executivo do comitê central da campanha de Lula à Presidência, em 2002, é secretário com status de ministro da República Federativa do Brasil. Ele é mestre em ciência política, mas não se dispõe a fazer um raciocínio, tão ligeiro quanto o da Daslu, sobre o exemplo edificante do metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, condestável da ética nacional, no Planalto, a exaltação à faraônica corrupção patrocinada pelo mensalão e o insulto que a “quadrilha” petista perpetrou no poder.
A intimidade de Alckmin com a Daslu é tão republicana que a empresária foi investigada e responde, dentro da lei, ao que o Estado de Direito quiser saber dela. É da vida democrática, que estabelece as regras do direito de acusação e de defesa. Delúbio Soares, o ex-tesoureiro do PT que acendia charutos na boca de Lula, nunca teve suas propriedades invadidas pela PF atrás das provas do relacionamento criminoso entre o PT, Marcos Valério e companhia. Tudo azeitado, como diria o mestre Vannuchi, em “fortes indícios” de corrupção institucional sem-par na história do país.
Genro: outra perdiçãoDescompostura institucional foi notada, no sábado passado, pelo editorial da mesma Folha de S.Paulo, intitulado Palanques de Sangue, sobre as declarações recentes do ministro Tarso Genro em torno da crise paulista. O jornal foi ao ponto, com palavras que não admitem mais rodeios: “Uma das mais lamentáveis exibições de oportunismo eleitoral sobre o sofrimento e o sangue alheios”. O editorial disse ser natural que o “tema da segurança pública [entre] na lista de principais discussões nas campanhas eleitorais neste ano”, e acrescentou onde Genro se situou nesse debate. Eis alguns trechos do editorial, que destaquei em nota na edição do fim de semana, mas transcrevo aqui novamente:“Irresponsável” – “Nada justifica a partidarização irresponsável da selvageria promovida pelo PCC, desrespeitando o luto de familiares dos agentes da lei covardemente assassinados, perdendo de vista que o crime organizado é inimigo comum de todos os políticos comprometidos com o Estado de Direito”.
“Oportunismo eleitoral” – “Das mais lamentáveis exibições de oportunismo eleitoral sobre o sofrimento e o sangue alheios foram algumas frases do ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro. Na quarta, o petista atacou o governo paulista, dizendo que preferiu ‘negociar com criminosos’ a aceitar ajuda federal para debelar a crise”.
Esperteza – “Nem se mencione o fato de Genro esconjurar ‘negociações com criminosos’ pouco depois de 11 petistas ou ex-petistas terem sido denunciados criminalmente pelo mensalão. Frise-se que o ministro apenas revelou sua indignação num momento preciso: após o Datafolha ter mostrado que a maioria dos paulistanos gostaria do apoio de tropas federais”.
“Tese oca” – “Negociação com o PCC, naquele contexto explosivo, terá sido escandalosa se o poder público ofereceu vantagens fora da lei aos líderes dos motins. Do contrário, tratou-se de atitude de bom senso para poupar vidas (...). Essa dúvida, entre uma negociação ilegal e uma ação legítima, dado o contexto, somente o Ministério Público e a Justiça podem tirar, após exame cuidadoso dos fatos. Não caberia a Genro prejulgar, quanto mais quando era o momento de demonstrar união. Mas o autor da tese oca da ‘refundação do PT’ preferiu perfilar-se no time dos muitos políticos que não souberam ler a crise paulista.”
O que mais dizer?!
[ruinogueira@primeiraleitura.com.br]
Má consciência
Por: Renato Andrade (Primeira Leitura)
A legislação eleitoral estabelece alguns mecanismos que visam a impedir que presidentes da República, governadores de Estado e prefeitos em campanha à reeleição façam uso descarado dos recursos públicos em prol de seus interesses políticos particulares. Um desses mecanismos é a proibição de repasse de recursos entre, por exemplo, a União e os Estados e municípios três meses antes das eleições. O presidente Lula acha “lamentável” a proibição determinada pela lei. Lamentável mesmo é o raciocínio do presidente.
A lista das chamadas “condutas vedadas” aos agentes públicos em campanhas eleitorais é razoavelmente extensa. Ainda assim, os abusos são constantes. Veja o que o próprio presidente tem feito. Como a definição das candidaturas acontece oficialmente somente em junho, mês das convenções nacionais partidárias, Lula vai brincando com as brechas deixadas pela lei, fazendo uso do cargo e de toda infra-estrutura garantida pela Presidência da República para fazer campanha sem custos para seu partido. É o processo de convencer o povo com o dinheiro do povo. Fácil, não?
Agora imagine se não fosse vedado ao presidente da República fazer repasses de recursos para Estados e municípios durante os três meses que antecedem as eleições. Dificuldades em ganhar apoio dos políticos e da população do Estado X? Que nada! Temos mais este convênio genial para encher os cofres estaduais de dinheiro e as urnas de outubro com votos de “sim!, mais quatro anos pra ele”, o inquilino do Palácio do Planalto. Seria uma festa!
É importante lembrar: presidentes, governadores e prefeitos não precisam deixar seus cargos para se candidatarem à reeleição, ao contrário do que acontece com ministros, por exemplo.
Lula afirma que a lei atual foi estabelecida como se fosse possível fazer cooptação eleitoral por meio da assinatura de convênios entre a União e os Estados. Mas alguém duvida da existência de políticos com interesse em cooptar ou ser cooptados pelo poder dos recursos públicos? A história brasileira está repleta de exemplos que mostram que há pouco espaço, quase nenhum, para esse tipo de dúvida.
A posição defendida por Lula reflete o pouco apreço do presidente da República pelos instrumentos de garantia mínima de respeito ao uso do dinheiro público. Não é de estranhar. Não houve pudor na montagem e utilização do esquema operado pelo empresário Marcos Valério de Souza por parte das lideranças do PT e do governo federal. Não houve punição para boa parte dos réus confessos do trambique. A Polícia Federal denunciou recentemente outro esquema escandaloso de uso indevido de recursos públicos, mas o Palácio do Planalto resolveu patrocinar o enterro da proposta de investigação dos 283 parlamentares suspeitos de participação no esquema.
Mas Lula poderia ter ficado com a boca fechada. Não faria mal nenhum. O limite entre o exercício das atribuições de um cargo público e o uso descarado da posição para benefício político próprio é tênue. Sua identificação é extremamente difícil. Limitações como a do repasse de recursos três meses antes das eleições são garantias mínimas que a legislação precisa impor. Defender essas garantias é uma obrigação do chefe de Estado. Apesar de querer mais quatro anos na posição, Lula ainda não entendeu algumas das obrigações básicas do cargo.
[renatoandrade@primeiraleitura.com.br]
A legislação eleitoral estabelece alguns mecanismos que visam a impedir que presidentes da República, governadores de Estado e prefeitos em campanha à reeleição façam uso descarado dos recursos públicos em prol de seus interesses políticos particulares. Um desses mecanismos é a proibição de repasse de recursos entre, por exemplo, a União e os Estados e municípios três meses antes das eleições. O presidente Lula acha “lamentável” a proibição determinada pela lei. Lamentável mesmo é o raciocínio do presidente.
A lista das chamadas “condutas vedadas” aos agentes públicos em campanhas eleitorais é razoavelmente extensa. Ainda assim, os abusos são constantes. Veja o que o próprio presidente tem feito. Como a definição das candidaturas acontece oficialmente somente em junho, mês das convenções nacionais partidárias, Lula vai brincando com as brechas deixadas pela lei, fazendo uso do cargo e de toda infra-estrutura garantida pela Presidência da República para fazer campanha sem custos para seu partido. É o processo de convencer o povo com o dinheiro do povo. Fácil, não?
Agora imagine se não fosse vedado ao presidente da República fazer repasses de recursos para Estados e municípios durante os três meses que antecedem as eleições. Dificuldades em ganhar apoio dos políticos e da população do Estado X? Que nada! Temos mais este convênio genial para encher os cofres estaduais de dinheiro e as urnas de outubro com votos de “sim!, mais quatro anos pra ele”, o inquilino do Palácio do Planalto. Seria uma festa!
É importante lembrar: presidentes, governadores e prefeitos não precisam deixar seus cargos para se candidatarem à reeleição, ao contrário do que acontece com ministros, por exemplo.
Lula afirma que a lei atual foi estabelecida como se fosse possível fazer cooptação eleitoral por meio da assinatura de convênios entre a União e os Estados. Mas alguém duvida da existência de políticos com interesse em cooptar ou ser cooptados pelo poder dos recursos públicos? A história brasileira está repleta de exemplos que mostram que há pouco espaço, quase nenhum, para esse tipo de dúvida.
A posição defendida por Lula reflete o pouco apreço do presidente da República pelos instrumentos de garantia mínima de respeito ao uso do dinheiro público. Não é de estranhar. Não houve pudor na montagem e utilização do esquema operado pelo empresário Marcos Valério de Souza por parte das lideranças do PT e do governo federal. Não houve punição para boa parte dos réus confessos do trambique. A Polícia Federal denunciou recentemente outro esquema escandaloso de uso indevido de recursos públicos, mas o Palácio do Planalto resolveu patrocinar o enterro da proposta de investigação dos 283 parlamentares suspeitos de participação no esquema.
Mas Lula poderia ter ficado com a boca fechada. Não faria mal nenhum. O limite entre o exercício das atribuições de um cargo público e o uso descarado da posição para benefício político próprio é tênue. Sua identificação é extremamente difícil. Limitações como a do repasse de recursos três meses antes das eleições são garantias mínimas que a legislação precisa impor. Defender essas garantias é uma obrigação do chefe de Estado. Apesar de querer mais quatro anos na posição, Lula ainda não entendeu algumas das obrigações básicas do cargo.
[renatoandrade@primeiraleitura.com.br]
O elogio da covardia
Por: Liliana Pinheiro (Primeira Leitura)
A seqüência de fatos lembrados no terceiro parágrafo deste texto se destina a refrescar a memória dos leitores quanto à mais nova desordem do nosso poder central, paradoxalmente um poder marginal, tendo como protagonistas o governo e a oposição. Sabendo que jornalistas estão na mira do Planalto, antes que eu tome um processo, aviso que uso marginal no sentido psicológico: aquilo que está na periferia da consciência. Ficou ameno, não? Vivência de ditadura, meus caros. Não há mais censores nos dias que correm. O jogo de palavras, agora, obedece a uma lógica diferente: é preciso escapar dos advogados do poder sem deixar de fazer a crítica que cabe ser feita.
Onde há petistas poderosos, há advogados cinco-estrelas prontos a prestar serviços contra a imprensa. Uns mercenários (no sentido de que trabalham honestamente a soldo, que boba não sou), outros oficiais, com Pasta e caneta na mão. Pasta no sentido de valise — a letra inicial maiúscula, que sugere a palavra Ministério, foi erro de digitação. Escapei de processo? Já volto a novos exercícios de covardia, mas para dar conta também da dos outros, tão vasta que espanta até a esta senhora, ora tão cheia de cuidados e acanhamentos para dar conta dos malfeitos do poder.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, encontrou-se, longe dos olhos da mídia, na última quarta-feira, com um banqueiro investigado pela Polícia Federal por produzir dossiê contra o governo Lula. As informações coletadas por Daniel Dantas, do Opportunity, foram publicadas na edição da semana passada da revista Veja — a fonte foi revelada pela própria publicação. Uma semana depois, a mesma Veja conta, em nova reportagem, do encontro de Dantas com Thomaz Bastos para “celebrar uma trégua”. O governo confirma que ambos se reuniram, mas tenta imprimir ao episódio um caráter republicano: Bastos estaria em “missão institucional”, nas palavras do colega Tarso Genro, escalado para dar à sociedade uma “resposta política” ao episódio.
A oposição se calou, como sempre faz quando existe Daniel Dantas no enredo. O governo nem se deu ao trabalho de catar os pedaços de máscara espalhados por toda a Esplanada dos Ministérios e pelo Palácio do Planalto. A imprensa on-line pegou leve porque, afinal, não havia o declaratório habitual para dar corpo às reportagens. Como escrever sobre o silêncio? No aguardo da cobertura dos jornais, que só chegarão às bancas nesta terça, assumo eu, nesta noite de segunda-feira, o desafio de falar sobre esse imenso nada brasiliense.
Onde está o banqueiro, o clima de Marcola x São Paulo se instala: não se vê vivalma disposta a enfrentá-lo. Nem no governo, que preferiu processar o jornalista de Veja, nem na oposição. Ouviram-se só murmúrios intramuros vindos da Polícia Federal, que estranhou a suposta (outra palavra antiprocesso) negociação de seu chefe, Thomas Bastos, com seu investigado, Daniel Dantas.
A PF destacou um grupo de investigadores responsável pela apuração do caso Kroll, empresa que teria (haja futuro do pretérito para tantos doutores dispostos a nos pegar!) espionado autoridades brasileiras a mando da Brasil Telecom, então comandada por Dantas. A própria Veja lembra que o banqueiro foi denunciado à Justiça Federal por corrupção ativa, quebra ilegal de sigilo telefônico, violação de sigilo bancário e formação de quadrilha. Que missão institucional o ministro teria a cumprir ao conversar com essa personagem que, nos próximos dias, deve prestar depoimento à PF? O segundo capítulo dessa salada diz respeito ao papel que o pefelista Heráclito Fortes teve nesse encontro. Em algumas reportagens já publicadas em veículos de imprensa, Fortes é gentilmente apresentado aos leitores como o “amigo” de Daniel Dantas no Congresso.
Suspeito, e apenas porque esse verbo não dá processo, que Dantas não tenha propriamente amigos. Tem é poder sobre todos os lados políticos dessa República, composta de situação, oposição e advogados. Batalhões de advogados. Ou melhor, tenho uma suposta suspeita, doutores.
Nesta terça, Delúbio Soares estará na CPI dos Bingos. Oposição e governo tentarão nos mostrar valentia, posições radicalizadas, podendo até derivar para uma guerra de projetos e concepções, essa sim verdadeiramente suposta. Estarão confortavelmente diante do peixe pequeno do poder, com seu ar ictíico, palavra que não dá processo porque ninguém sabe mesmo o que vem a ser. São uns covardes, uns poltrões. Mas, se me perguntarem em juízo a quem ofendo, direi sinceramente que os peixes. Os meus andam pesados naquele vaivém inútil, naquela boa vida. Nada para cá, nada para lá. Revoltante!
A Federação Nacional dos Jornalistas, filiada à CUT, não deu um pio sobre o processo que Lula moverá contra o repórter de Veja, Márcio Aith, quando deveria processar Dantas, o autor do dossiê contra o presidente e os homens do presidente. É mais uma forma de covardia. Do presidente ou da Fenaj? Ah, fiz outra construção antiprocesso perfeita, pois, se um me acusar, digo que é outro, e, se outro processar, digo que é um. E se o bicho pegar, mesmo, digo que a covardia é toda minha, como estou afirmando desde o começo do texto, o que será verdade verdadeira.
Advogados custam caro. Pagamos tanto para que eles tenham os deles que ficamos sem nenhum para contratar os nossos.
[liliana@primeiraleitura.com.br]
A seqüência de fatos lembrados no terceiro parágrafo deste texto se destina a refrescar a memória dos leitores quanto à mais nova desordem do nosso poder central, paradoxalmente um poder marginal, tendo como protagonistas o governo e a oposição. Sabendo que jornalistas estão na mira do Planalto, antes que eu tome um processo, aviso que uso marginal no sentido psicológico: aquilo que está na periferia da consciência. Ficou ameno, não? Vivência de ditadura, meus caros. Não há mais censores nos dias que correm. O jogo de palavras, agora, obedece a uma lógica diferente: é preciso escapar dos advogados do poder sem deixar de fazer a crítica que cabe ser feita.
Onde há petistas poderosos, há advogados cinco-estrelas prontos a prestar serviços contra a imprensa. Uns mercenários (no sentido de que trabalham honestamente a soldo, que boba não sou), outros oficiais, com Pasta e caneta na mão. Pasta no sentido de valise — a letra inicial maiúscula, que sugere a palavra Ministério, foi erro de digitação. Escapei de processo? Já volto a novos exercícios de covardia, mas para dar conta também da dos outros, tão vasta que espanta até a esta senhora, ora tão cheia de cuidados e acanhamentos para dar conta dos malfeitos do poder.
O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, encontrou-se, longe dos olhos da mídia, na última quarta-feira, com um banqueiro investigado pela Polícia Federal por produzir dossiê contra o governo Lula. As informações coletadas por Daniel Dantas, do Opportunity, foram publicadas na edição da semana passada da revista Veja — a fonte foi revelada pela própria publicação. Uma semana depois, a mesma Veja conta, em nova reportagem, do encontro de Dantas com Thomaz Bastos para “celebrar uma trégua”. O governo confirma que ambos se reuniram, mas tenta imprimir ao episódio um caráter republicano: Bastos estaria em “missão institucional”, nas palavras do colega Tarso Genro, escalado para dar à sociedade uma “resposta política” ao episódio.
A oposição se calou, como sempre faz quando existe Daniel Dantas no enredo. O governo nem se deu ao trabalho de catar os pedaços de máscara espalhados por toda a Esplanada dos Ministérios e pelo Palácio do Planalto. A imprensa on-line pegou leve porque, afinal, não havia o declaratório habitual para dar corpo às reportagens. Como escrever sobre o silêncio? No aguardo da cobertura dos jornais, que só chegarão às bancas nesta terça, assumo eu, nesta noite de segunda-feira, o desafio de falar sobre esse imenso nada brasiliense.
Onde está o banqueiro, o clima de Marcola x São Paulo se instala: não se vê vivalma disposta a enfrentá-lo. Nem no governo, que preferiu processar o jornalista de Veja, nem na oposição. Ouviram-se só murmúrios intramuros vindos da Polícia Federal, que estranhou a suposta (outra palavra antiprocesso) negociação de seu chefe, Thomas Bastos, com seu investigado, Daniel Dantas.
A PF destacou um grupo de investigadores responsável pela apuração do caso Kroll, empresa que teria (haja futuro do pretérito para tantos doutores dispostos a nos pegar!) espionado autoridades brasileiras a mando da Brasil Telecom, então comandada por Dantas. A própria Veja lembra que o banqueiro foi denunciado à Justiça Federal por corrupção ativa, quebra ilegal de sigilo telefônico, violação de sigilo bancário e formação de quadrilha. Que missão institucional o ministro teria a cumprir ao conversar com essa personagem que, nos próximos dias, deve prestar depoimento à PF? O segundo capítulo dessa salada diz respeito ao papel que o pefelista Heráclito Fortes teve nesse encontro. Em algumas reportagens já publicadas em veículos de imprensa, Fortes é gentilmente apresentado aos leitores como o “amigo” de Daniel Dantas no Congresso.
Suspeito, e apenas porque esse verbo não dá processo, que Dantas não tenha propriamente amigos. Tem é poder sobre todos os lados políticos dessa República, composta de situação, oposição e advogados. Batalhões de advogados. Ou melhor, tenho uma suposta suspeita, doutores.
Nesta terça, Delúbio Soares estará na CPI dos Bingos. Oposição e governo tentarão nos mostrar valentia, posições radicalizadas, podendo até derivar para uma guerra de projetos e concepções, essa sim verdadeiramente suposta. Estarão confortavelmente diante do peixe pequeno do poder, com seu ar ictíico, palavra que não dá processo porque ninguém sabe mesmo o que vem a ser. São uns covardes, uns poltrões. Mas, se me perguntarem em juízo a quem ofendo, direi sinceramente que os peixes. Os meus andam pesados naquele vaivém inútil, naquela boa vida. Nada para cá, nada para lá. Revoltante!
A Federação Nacional dos Jornalistas, filiada à CUT, não deu um pio sobre o processo que Lula moverá contra o repórter de Veja, Márcio Aith, quando deveria processar Dantas, o autor do dossiê contra o presidente e os homens do presidente. É mais uma forma de covardia. Do presidente ou da Fenaj? Ah, fiz outra construção antiprocesso perfeita, pois, se um me acusar, digo que é outro, e, se outro processar, digo que é um. E se o bicho pegar, mesmo, digo que a covardia é toda minha, como estou afirmando desde o começo do texto, o que será verdade verdadeira.
Advogados custam caro. Pagamos tanto para que eles tenham os deles que ficamos sem nenhum para contratar os nossos.
[liliana@primeiraleitura.com.br]
Se eu fosse Daniel Dantas
Por: Reinaldo Azevedo (Primeira Leitura)
Huuummm, se eu fosse Daniel Dantas, como está no título, é claro que levaria uma vida menos preocupada com algumas mesquinharias demasiadamente humanas. Você sabe, não é, leitor?, condomínio, escola das crianças, supermercado, essas bobagens que os mais disciplinados costumamos até pôr num arquivo do Excel para fugir do monstro da inadimplência... Não estou entre aqueles que olham para o banqueiro com inveja. Ao contrário: louvo-lhe o talento, cantado em prosa e verso pelos mercados. O homem é visto assim como um Buffalo Bill da área, ganhando sempre, correndo todos os riscos, sacando antes de seus inimigos.
Eu, o máximo de risco que corro é ler a Suma Teológica ou, antes, o perigosíssimo Erasmo. Vai que, numa hora dessas, eu caia num valo da lógica e nunca mais me levante — não da crença, mas do risco da descrença, que tem de ser permanente em todo homem de fé: ou ela não é para valer. Dantas, não. Seu mundo parece ser bem mais agitado do que isso. Como sempre sei tudo o que não sei — dirigir automóveis ou mexer com eletricidade, por exemplo —, fico exposto apenas a essas ridicularias. No Brasil, certas habilidades tanto enobrecem como empobrecem um homem. Dantas decidiu ser rico e parece ser bom pra chuchu no que faz. Meus sinceros parabéns.
Livre das questões demasiadamente humanas, se eu fosse Dantas, no entanto, não estaria assim tão feliz e me sentiria um tanto marginalizado, como aquele indiozinho do poema I Juca Pirama, de Gonçalves Dias: “Rejeitado da morte na guerra, rejeitado dos homens na paz”. O país é surrealismo puro. Pô, ninguém quer falar com Dantas. Às claras, a gente viu, o governo não quer. Lula preferiu atacar os jornalistas da revista Veja — Márcio Aith e Diogo Mainardi, supõe-se. Seriam “bandidos”. Com Dantas, é visível, ele não quer briga. Ao contrário: mandou o criminalista Márcio Thomaz Bastos numa “missão institucional” (segundo Tarso Genro) para falar com o banqueiro. Institucional? Dantas virou agora um ente do Estado? Instituição?
Digressão dialéticaA casa escolhida foi a do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), que vem a ser um dos coordenadores de seu partido na campanha presidencial do tucano Geraldo Alckmin. Ok. Missões institucionais costumam pedir um território neutro: por que não a casa de Heráclito? Seu homônimo mais famoso, o de Éfeso, é considerado o pai original de uma das mais influentes picaretagens da história do pensamento: a dialética.
Dialético, na prática, é tudo aquilo que, não tendo uma explicação segundo os seus próprios termos, apela então à (i)lógica dos contrários para justificar o injustificável. Se tudo sai como NÃO deveria ser, então se diz que é porque existe a dialética.
Um exemplo: rebeliões de presos só ocorrem porque existem os presídios. O preço de trancafiarmos os bandidos, como eles merecem, seria conviver com essa ameaça. O que é útil para a sociedade seria, então, um risco: culpa da dialética! Não ocorre a um maldito dialético que um governo possa ser competente tanto para prender o bandido como para manter a disciplina nos presídios. A dialética é sempre diretamente proporcional à miséria dos países.
É como sarampo e barriga d’água. Brota mais dialética no Haiti, na Bolívia e no Brasil do que na Dinamarca ou na Suécia... Até as revoluções comunistas, filhas da dialética, só atacaram em país pobre. Feito lepra. Marx tinha previsto a primeira na Alemanha; aconteceu na Rússia semifeudal. Nos anos 60 e 70, enquanto a Europa consolidava a social-democracia, sem dialética, a dialética atacava em Cuba e na África. O vírus leninista matou mais do que a gripe espanhola e, infelizmente, não sumiu no ralo histórico, como o outro, no ralo biológico.
Terminou a digressãoJá vou voltando. O governo e Lula não querem briga com Dantas. Ele confessou a Diogo Mainardi que Delúbio Soares lhe pediu US$ 40 milhões e que houve uma “sincronia” entre o desembaraço de demandas suas no governo e a contratação de um advogado amigo de Dirceu, e o criminalista que faz plantão no Ministério da Justiça o chama para um colóquio institucional. Quem sabe tenham debatido a obra de Heráclito, o de Éfeso? Ou teria Bastos, em meio à maior crise de insegurança pública jamais vista no país, se ocupado de discutir a segurança de apenas um homem: a de Lula?
Tanto quanto o governo não quer briga com Dantas — Lula não gosta é de Diogo Mainardi —, a oposição parece não querê-lo como um auxiliar para desvendar os segredos do mensalão e os bastidores da república petista. É visível que ninguém quer tocar no assunto. Sei bem: um homem como o banqueiro, que gosta de se arriscar, que conhece os meandros do mundo dos negócios, que tende a considerar, a exemplo de Heráclito, que o fogo é a origem de tudo e que todas as mercadorias são trocáveis por ouro, não deve padecer de carências afetivas. Não dá a menor bola que não liguem para ele. Acha normal que prefiram esquecê-lo.
Falo por mim. Eu, que já sei ser mentira que o fogo é o elemento essencial da natureza; eu, que não acredito em dialética; eu, que suponho que nem toda mercadoria é a outra forma do ouro, eu sei que me sentiria terrivelmente rejeitado, incapaz de conviver nesse limbo. Se o ministro me chamasse para uma conversa institucional, eu não teria nada a dizer a ele, a não ser recomendar que pegasse o boné e fosse para casa. Por absoluta insuficiência de provas. Explico-me: quero ver alguém provar que Bastos é mesmo o ministro da Justiça. Conceitualmente, não é. Só um desses empiristas empedernidos ainda insistira nessa tese, desde que, claro, desprezadas todas as evidências em contrário.ConcluindoAlém de estar me sentindo rejeitado, se eu fosse Dantas, também botaria as barbas de molho. É muito grande o número de pessoas que gostariam que ele jamais tivesse existido, que determinadas conversas jamais houvessem acontecido, que certos fatos jamais tivessem sido inscritos na história e, talvez, escritos na implacável “memória” de Dantas. Se eu fosse ele, contaria tudo o que sei para me preservar de “conversas institucionais”.Diário do meu crânio O médico tirou hoje os pontos de um dos cortes. Tudo bacana. Sabe, leitor, quando cai a casquinha da ferida, ainda não muito bem cicatrizada, de joelho de criança? Resta um ferimento de um vermelho muito vivo, que não sangra, de aparência algo gelatinosa. Este fica pouco acima do alto da testa, do cocuruto mesmo, quase como um dos estigmas.
A torcida de uns três ou quatro para que tudo fosse à breca não se realizou. Dr. Marcos Stavale fez direito o seu trabalho, coisa rara no Bananão, e a torcida do bem, centenas de vezes maior, ganhou a parada. A parte de trás do crânio ainda exibe uma costura pós-moderna, que finjo ser body art. No caso, meu corpo é suporte da poética da neurocirurgia. Cada ponto é um pé de verso que poderia remeter a uma épica muito antiga.
Essa história toda começou com a galhofa, quando fiz uma ressonância magnética, assumiu tons de elegia, nos dias mais tristes, e agora, homem do meu tempo, já remete a certo lirismo vagabundo, que apela a joelho ralado de criança. Hora dessas volto a uma especulação a que já me dediquei, e outros antes de mim, sobre por que não conseguimos mais ser épicos.
Eis outra preocupação que Dantas e Bastos certamente não têm.
[reinaldo@primeiraleitura.com.br]
Huuummm, se eu fosse Daniel Dantas, como está no título, é claro que levaria uma vida menos preocupada com algumas mesquinharias demasiadamente humanas. Você sabe, não é, leitor?, condomínio, escola das crianças, supermercado, essas bobagens que os mais disciplinados costumamos até pôr num arquivo do Excel para fugir do monstro da inadimplência... Não estou entre aqueles que olham para o banqueiro com inveja. Ao contrário: louvo-lhe o talento, cantado em prosa e verso pelos mercados. O homem é visto assim como um Buffalo Bill da área, ganhando sempre, correndo todos os riscos, sacando antes de seus inimigos.
Eu, o máximo de risco que corro é ler a Suma Teológica ou, antes, o perigosíssimo Erasmo. Vai que, numa hora dessas, eu caia num valo da lógica e nunca mais me levante — não da crença, mas do risco da descrença, que tem de ser permanente em todo homem de fé: ou ela não é para valer. Dantas, não. Seu mundo parece ser bem mais agitado do que isso. Como sempre sei tudo o que não sei — dirigir automóveis ou mexer com eletricidade, por exemplo —, fico exposto apenas a essas ridicularias. No Brasil, certas habilidades tanto enobrecem como empobrecem um homem. Dantas decidiu ser rico e parece ser bom pra chuchu no que faz. Meus sinceros parabéns.
Livre das questões demasiadamente humanas, se eu fosse Dantas, no entanto, não estaria assim tão feliz e me sentiria um tanto marginalizado, como aquele indiozinho do poema I Juca Pirama, de Gonçalves Dias: “Rejeitado da morte na guerra, rejeitado dos homens na paz”. O país é surrealismo puro. Pô, ninguém quer falar com Dantas. Às claras, a gente viu, o governo não quer. Lula preferiu atacar os jornalistas da revista Veja — Márcio Aith e Diogo Mainardi, supõe-se. Seriam “bandidos”. Com Dantas, é visível, ele não quer briga. Ao contrário: mandou o criminalista Márcio Thomaz Bastos numa “missão institucional” (segundo Tarso Genro) para falar com o banqueiro. Institucional? Dantas virou agora um ente do Estado? Instituição?
Digressão dialéticaA casa escolhida foi a do senador Heráclito Fortes (PFL-PI), que vem a ser um dos coordenadores de seu partido na campanha presidencial do tucano Geraldo Alckmin. Ok. Missões institucionais costumam pedir um território neutro: por que não a casa de Heráclito? Seu homônimo mais famoso, o de Éfeso, é considerado o pai original de uma das mais influentes picaretagens da história do pensamento: a dialética.
Dialético, na prática, é tudo aquilo que, não tendo uma explicação segundo os seus próprios termos, apela então à (i)lógica dos contrários para justificar o injustificável. Se tudo sai como NÃO deveria ser, então se diz que é porque existe a dialética.
Um exemplo: rebeliões de presos só ocorrem porque existem os presídios. O preço de trancafiarmos os bandidos, como eles merecem, seria conviver com essa ameaça. O que é útil para a sociedade seria, então, um risco: culpa da dialética! Não ocorre a um maldito dialético que um governo possa ser competente tanto para prender o bandido como para manter a disciplina nos presídios. A dialética é sempre diretamente proporcional à miséria dos países.
É como sarampo e barriga d’água. Brota mais dialética no Haiti, na Bolívia e no Brasil do que na Dinamarca ou na Suécia... Até as revoluções comunistas, filhas da dialética, só atacaram em país pobre. Feito lepra. Marx tinha previsto a primeira na Alemanha; aconteceu na Rússia semifeudal. Nos anos 60 e 70, enquanto a Europa consolidava a social-democracia, sem dialética, a dialética atacava em Cuba e na África. O vírus leninista matou mais do que a gripe espanhola e, infelizmente, não sumiu no ralo histórico, como o outro, no ralo biológico.
Terminou a digressãoJá vou voltando. O governo e Lula não querem briga com Dantas. Ele confessou a Diogo Mainardi que Delúbio Soares lhe pediu US$ 40 milhões e que houve uma “sincronia” entre o desembaraço de demandas suas no governo e a contratação de um advogado amigo de Dirceu, e o criminalista que faz plantão no Ministério da Justiça o chama para um colóquio institucional. Quem sabe tenham debatido a obra de Heráclito, o de Éfeso? Ou teria Bastos, em meio à maior crise de insegurança pública jamais vista no país, se ocupado de discutir a segurança de apenas um homem: a de Lula?
Tanto quanto o governo não quer briga com Dantas — Lula não gosta é de Diogo Mainardi —, a oposição parece não querê-lo como um auxiliar para desvendar os segredos do mensalão e os bastidores da república petista. É visível que ninguém quer tocar no assunto. Sei bem: um homem como o banqueiro, que gosta de se arriscar, que conhece os meandros do mundo dos negócios, que tende a considerar, a exemplo de Heráclito, que o fogo é a origem de tudo e que todas as mercadorias são trocáveis por ouro, não deve padecer de carências afetivas. Não dá a menor bola que não liguem para ele. Acha normal que prefiram esquecê-lo.
Falo por mim. Eu, que já sei ser mentira que o fogo é o elemento essencial da natureza; eu, que não acredito em dialética; eu, que suponho que nem toda mercadoria é a outra forma do ouro, eu sei que me sentiria terrivelmente rejeitado, incapaz de conviver nesse limbo. Se o ministro me chamasse para uma conversa institucional, eu não teria nada a dizer a ele, a não ser recomendar que pegasse o boné e fosse para casa. Por absoluta insuficiência de provas. Explico-me: quero ver alguém provar que Bastos é mesmo o ministro da Justiça. Conceitualmente, não é. Só um desses empiristas empedernidos ainda insistira nessa tese, desde que, claro, desprezadas todas as evidências em contrário.ConcluindoAlém de estar me sentindo rejeitado, se eu fosse Dantas, também botaria as barbas de molho. É muito grande o número de pessoas que gostariam que ele jamais tivesse existido, que determinadas conversas jamais houvessem acontecido, que certos fatos jamais tivessem sido inscritos na história e, talvez, escritos na implacável “memória” de Dantas. Se eu fosse ele, contaria tudo o que sei para me preservar de “conversas institucionais”.Diário do meu crânio O médico tirou hoje os pontos de um dos cortes. Tudo bacana. Sabe, leitor, quando cai a casquinha da ferida, ainda não muito bem cicatrizada, de joelho de criança? Resta um ferimento de um vermelho muito vivo, que não sangra, de aparência algo gelatinosa. Este fica pouco acima do alto da testa, do cocuruto mesmo, quase como um dos estigmas.
A torcida de uns três ou quatro para que tudo fosse à breca não se realizou. Dr. Marcos Stavale fez direito o seu trabalho, coisa rara no Bananão, e a torcida do bem, centenas de vezes maior, ganhou a parada. A parte de trás do crânio ainda exibe uma costura pós-moderna, que finjo ser body art. No caso, meu corpo é suporte da poética da neurocirurgia. Cada ponto é um pé de verso que poderia remeter a uma épica muito antiga.
Essa história toda começou com a galhofa, quando fiz uma ressonância magnética, assumiu tons de elegia, nos dias mais tristes, e agora, homem do meu tempo, já remete a certo lirismo vagabundo, que apela a joelho ralado de criança. Hora dessas volto a uma especulação a que já me dediquei, e outros antes de mim, sobre por que não conseguimos mais ser épicos.
Eis outra preocupação que Dantas e Bastos certamente não têm.
[reinaldo@primeiraleitura.com.br]
segunda-feira, maio 22, 2006
Partidos e Ney Suassuna são multados por inregularidades
Por: Correio da Paraíba (PB)
Na semana passada, mais uma decisão foi tomada pelo TRE no que diz respeito à batalha de representações contra propagandas eleitorais. Em julgamento de recursos movidos contra decisões monocráticas emitidas por juizes auxiliares o TRE decidiu multar o PMDB, o PSDB e por propaganda antecipada no horário destinado a propaganda partidária, no valor de 60 mil UFIRs, o correspondente a R$ 63 mil reais para cada legenda. No caso do PMDB, também houve a aplicação de multa de 20 mil UFIRs, o equivalente a R$ 21 mil, ao senador Ney Suassuna, porque sua aparição no programa do partido foi considerada como uma propaganda eleitoral e promoção pessoal.
Para aplicação das multas, o TRE entendeu que os partidos infringiram a lei eleitoral 9.096, que trata das regras sobre a exibição gratuita da propaganda dos partidos políticos, aonde não pode haver promoção pessoal de filiados que sejam futuros candidatos. Ao infringir essa lei, se configurando desvio de finalidade com interesses eleitorais, os partidos incorrem em crime eleitoral e são passíveis de serem multados.
No julgamento dos recursos, o TRE considerou que o PMDB havia utilizado no horário político inserções para promover a candidatura de seus partidários através de um jingle, fazendo referências às administrações do partido, e que o senador Ney Suassuna também se apresentou de forma intencional.
Já o PSDB foi punido por um programa onde mostrava o governador Cássio Cunha Lima em ações e em obras administrativas. O Tribunal concluiu que era irregular a inserção no horário destinado à propaganda política partidária de imagens desta natureza.
O PMDB também moveu uma representação em que pedia multa ao governador Cássio Cunha Lima por entender que as homenagens recebidas nos jornais de amigos e correligionários pela data de seu aniversário seria propaganda antecipada, mas o TRE negou por entender que não houve conhecimento prévio por parte do governador para a veiculação das homenagens.
Os advogados do PMDB, José Ricardo Porto e Marcos Souto Maior Filho, e os advogados do PSDB, Luciano Pires e Edward Johnson afirmaram que vão recorrer da decisão do TRE junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda esta semana, para reformulação das decisões. Eles entendem que não houve prática de propaganda eleitoral antecipada por parte dos partidos que representam e nem desvio de finalidade na veiculação da propaganda partidária.
Além da apreciação dos recursos das representações movidas pelo PMDB e pelo PSDB, na semana passada o TRE apreciou ainda os recursos movidos pelo Ministério Público Eleitoral sobre os adesivos com motivos eleitorais. Neste caso não houve a deliberação de nenhuma punição e nem aplicação de multas ao governador Cássio Cunha Lima, nem o senador José Maranhão, pelos adesivos que expressam preferência partidária e que são vistos nos veículos em todo o Estado.
No entanto, o TRE deflagrou uma nova campanha para o combate à propaganda eleitoral antecipada através dos adesivos. O presidente do TRE, desembargador Abraham Lincoln, vai determinar a todos os juizes eleitorais do Estado que adotem medidas no sentido de retirar esses adesivos dos veículos por meio de ações de fiscalização no trânsito, com realização de blitze, e nos casos de reincidência seja aplicado o que determina a legislação.
Na semana passada, mais uma decisão foi tomada pelo TRE no que diz respeito à batalha de representações contra propagandas eleitorais. Em julgamento de recursos movidos contra decisões monocráticas emitidas por juizes auxiliares o TRE decidiu multar o PMDB, o PSDB e por propaganda antecipada no horário destinado a propaganda partidária, no valor de 60 mil UFIRs, o correspondente a R$ 63 mil reais para cada legenda. No caso do PMDB, também houve a aplicação de multa de 20 mil UFIRs, o equivalente a R$ 21 mil, ao senador Ney Suassuna, porque sua aparição no programa do partido foi considerada como uma propaganda eleitoral e promoção pessoal.
Para aplicação das multas, o TRE entendeu que os partidos infringiram a lei eleitoral 9.096, que trata das regras sobre a exibição gratuita da propaganda dos partidos políticos, aonde não pode haver promoção pessoal de filiados que sejam futuros candidatos. Ao infringir essa lei, se configurando desvio de finalidade com interesses eleitorais, os partidos incorrem em crime eleitoral e são passíveis de serem multados.
No julgamento dos recursos, o TRE considerou que o PMDB havia utilizado no horário político inserções para promover a candidatura de seus partidários através de um jingle, fazendo referências às administrações do partido, e que o senador Ney Suassuna também se apresentou de forma intencional.
Já o PSDB foi punido por um programa onde mostrava o governador Cássio Cunha Lima em ações e em obras administrativas. O Tribunal concluiu que era irregular a inserção no horário destinado à propaganda política partidária de imagens desta natureza.
O PMDB também moveu uma representação em que pedia multa ao governador Cássio Cunha Lima por entender que as homenagens recebidas nos jornais de amigos e correligionários pela data de seu aniversário seria propaganda antecipada, mas o TRE negou por entender que não houve conhecimento prévio por parte do governador para a veiculação das homenagens.
Os advogados do PMDB, José Ricardo Porto e Marcos Souto Maior Filho, e os advogados do PSDB, Luciano Pires e Edward Johnson afirmaram que vão recorrer da decisão do TRE junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda esta semana, para reformulação das decisões. Eles entendem que não houve prática de propaganda eleitoral antecipada por parte dos partidos que representam e nem desvio de finalidade na veiculação da propaganda partidária.
Além da apreciação dos recursos das representações movidas pelo PMDB e pelo PSDB, na semana passada o TRE apreciou ainda os recursos movidos pelo Ministério Público Eleitoral sobre os adesivos com motivos eleitorais. Neste caso não houve a deliberação de nenhuma punição e nem aplicação de multas ao governador Cássio Cunha Lima, nem o senador José Maranhão, pelos adesivos que expressam preferência partidária e que são vistos nos veículos em todo o Estado.
No entanto, o TRE deflagrou uma nova campanha para o combate à propaganda eleitoral antecipada através dos adesivos. O presidente do TRE, desembargador Abraham Lincoln, vai determinar a todos os juizes eleitorais do Estado que adotem medidas no sentido de retirar esses adesivos dos veículos por meio de ações de fiscalização no trânsito, com realização de blitze, e nos casos de reincidência seja aplicado o que determina a legislação.
Partidos e Ney Suassuna são multados por inregularidades
Por: Correio da Paraíba (PB)
Na semana passada, mais uma decisão foi tomada pelo TRE no que diz respeito à batalha de representações contra propagandas eleitorais. Em julgamento de recursos movidos contra decisões monocráticas emitidas por juizes auxiliares o TRE decidiu multar o PMDB, o PSDB e por propaganda antecipada no horário destinado a propaganda partidária, no valor de 60 mil UFIRs, o correspondente a R$ 63 mil reais para cada legenda. No caso do PMDB, também houve a aplicação de multa de 20 mil UFIRs, o equivalente a R$ 21 mil, ao senador Ney Suassuna, porque sua aparição no programa do partido foi considerada como uma propaganda eleitoral e promoção pessoal.
Para aplicação das multas, o TRE entendeu que os partidos infringiram a lei eleitoral 9.096, que trata das regras sobre a exibição gratuita da propaganda dos partidos políticos, aonde não pode haver promoção pessoal de filiados que sejam futuros candidatos. Ao infringir essa lei, se configurando desvio de finalidade com interesses eleitorais, os partidos incorrem em crime eleitoral e são passíveis de serem multados.
No julgamento dos recursos, o TRE considerou que o PMDB havia utilizado no horário político inserções para promover a candidatura de seus partidários através de um jingle, fazendo referências às administrações do partido, e que o senador Ney Suassuna também se apresentou de forma intencional.
Já o PSDB foi punido por um programa onde mostrava o governador Cássio Cunha Lima em ações e em obras administrativas. O Tribunal concluiu que era irregular a inserção no horário destinado à propaganda política partidária de imagens desta natureza.
O PMDB também moveu uma representação em que pedia multa ao governador Cássio Cunha Lima por entender que as homenagens recebidas nos jornais de amigos e correligionários pela data de seu aniversário seria propaganda antecipada, mas o TRE negou por entender que não houve conhecimento prévio por parte do governador para a veiculação das homenagens.
Os advogados do PMDB, José Ricardo Porto e Marcos Souto Maior Filho, e os advogados do PSDB, Luciano Pires e Edward Johnson afirmaram que vão recorrer da decisão do TRE junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda esta semana, para reformulação das decisões. Eles entendem que não houve prática de propaganda eleitoral antecipada por parte dos partidos que representam e nem desvio de finalidade na veiculação da propaganda partidária.
Além da apreciação dos recursos das representações movidas pelo PMDB e pelo PSDB, na semana passada o TRE apreciou ainda os recursos movidos pelo Ministério Público Eleitoral sobre os adesivos com motivos eleitorais. Neste caso não houve a deliberação de nenhuma punição e nem aplicação de multas ao governador Cássio Cunha Lima, nem o senador José Maranhão, pelos adesivos que expressam preferência partidária e que são vistos nos veículos em todo o Estado.
No entanto, o TRE deflagrou uma nova campanha para o combate à propaganda eleitoral antecipada através dos adesivos. O presidente do TRE, desembargador Abraham Lincoln, vai determinar a todos os juizes eleitorais do Estado que adotem medidas no sentido de retirar esses adesivos dos veículos por meio de ações de fiscalização no trânsito, com realização de blitze, e nos casos de reincidência seja aplicado o que determina a legislação.
Na semana passada, mais uma decisão foi tomada pelo TRE no que diz respeito à batalha de representações contra propagandas eleitorais. Em julgamento de recursos movidos contra decisões monocráticas emitidas por juizes auxiliares o TRE decidiu multar o PMDB, o PSDB e por propaganda antecipada no horário destinado a propaganda partidária, no valor de 60 mil UFIRs, o correspondente a R$ 63 mil reais para cada legenda. No caso do PMDB, também houve a aplicação de multa de 20 mil UFIRs, o equivalente a R$ 21 mil, ao senador Ney Suassuna, porque sua aparição no programa do partido foi considerada como uma propaganda eleitoral e promoção pessoal.
Para aplicação das multas, o TRE entendeu que os partidos infringiram a lei eleitoral 9.096, que trata das regras sobre a exibição gratuita da propaganda dos partidos políticos, aonde não pode haver promoção pessoal de filiados que sejam futuros candidatos. Ao infringir essa lei, se configurando desvio de finalidade com interesses eleitorais, os partidos incorrem em crime eleitoral e são passíveis de serem multados.
No julgamento dos recursos, o TRE considerou que o PMDB havia utilizado no horário político inserções para promover a candidatura de seus partidários através de um jingle, fazendo referências às administrações do partido, e que o senador Ney Suassuna também se apresentou de forma intencional.
Já o PSDB foi punido por um programa onde mostrava o governador Cássio Cunha Lima em ações e em obras administrativas. O Tribunal concluiu que era irregular a inserção no horário destinado à propaganda política partidária de imagens desta natureza.
O PMDB também moveu uma representação em que pedia multa ao governador Cássio Cunha Lima por entender que as homenagens recebidas nos jornais de amigos e correligionários pela data de seu aniversário seria propaganda antecipada, mas o TRE negou por entender que não houve conhecimento prévio por parte do governador para a veiculação das homenagens.
Os advogados do PMDB, José Ricardo Porto e Marcos Souto Maior Filho, e os advogados do PSDB, Luciano Pires e Edward Johnson afirmaram que vão recorrer da decisão do TRE junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ainda esta semana, para reformulação das decisões. Eles entendem que não houve prática de propaganda eleitoral antecipada por parte dos partidos que representam e nem desvio de finalidade na veiculação da propaganda partidária.
Além da apreciação dos recursos das representações movidas pelo PMDB e pelo PSDB, na semana passada o TRE apreciou ainda os recursos movidos pelo Ministério Público Eleitoral sobre os adesivos com motivos eleitorais. Neste caso não houve a deliberação de nenhuma punição e nem aplicação de multas ao governador Cássio Cunha Lima, nem o senador José Maranhão, pelos adesivos que expressam preferência partidária e que são vistos nos veículos em todo o Estado.
No entanto, o TRE deflagrou uma nova campanha para o combate à propaganda eleitoral antecipada através dos adesivos. O presidente do TRE, desembargador Abraham Lincoln, vai determinar a todos os juizes eleitorais do Estado que adotem medidas no sentido de retirar esses adesivos dos veículos por meio de ações de fiscalização no trânsito, com realização de blitze, e nos casos de reincidência seja aplicado o que determina a legislação.
Roberto Rocha afirma que Roseana terá que explicar ´escândalos´ e quebradeira do Estado
Por: Waldemar Terr (Jornal Pequeno - MA)
O ex-deputado federal Roberto Rocha (PSDB) afirmou que "se a ex-governadora Roseana Sarney Murad for realmente candidata, deverá passar muito tempo de sua campanha explicando os inúmeros escândalos que marcaram o seu governo, além da situação quase falimentar que deixou o Estado". Da lista de escândalos fariam parte Lunus, Projeto Salangô e o fiasco do pólo de confecção de Rosário. O ex-deputado disse também que o grupo Sarney teme as pré-candidaturas de Jackson Lago (PDT) a governador e do deputado federal tucano João Castelo a senador, e que existiriam vários sinais desse temor.
- São vários os sinais, mas citarei apenas dois. O primeiro é a forma desqualificada com que tratam as candidaturas da Frente de Libertação. Outro sinal é que até hoje eles não se conformam com o rompimento do governador José Reinaldo das amarras do esquema Sarney/Murad. Ora, se são tão fortes, se acham imbatíveis por que tanto desespero?
Roberto Rocha, que é pré-candidato a deputado federal, assegura que "o sentimento de mudança está, novamente, tomando conta de todas as regiões do Estado. O povo começa a perceber que não é mais possível o Maranhão continuar sendo gerido pelo mesmo grupo político há quarenta anos", e assegurou que há importância histórica e política na coligação do PSDB com o PDT. "Histórica porque é a primeira vez que os dois maiores partidos de oposição ao esquema Sarney/Murad se unem em torno de um objetivo comum".
O ex-deputado negou ainda que exista risco de intervenção no PSDB por conta de não querer aproximação com o PFL.
- Resistimos em 2002 quando o PSDB possuía a Presidência da República, por que não resistiríamos agora? A direção nacional do partido já percebeu que o projeto histórico de reconstrução do Estado, que o PSDB maranhense defende, é incompatível com a prática política e com os interesses do PFL e do esquema Sarney/Murad. A posição anti-sarney do PSDB é uma posição partidária. Desconheço uma única liderança do partido que defende, internamente ou na sociedade, uma aproximação com PFL e com esquema Sarney/Murad.
A seguir a entrevista.
Jornal Pequeno - Qual a avaliação que o senhor faz das andanças da Frente de Libertação pelo Maranhão?
Roberto Rocha - O sentimento de mudança está, novamente, tomando conta de todas as regiões do Estado. O povo começa a perceber que não mais possível o Maranhão continuar sendo gerido pelo mesmo grupo político há quarenta anos.
JP - As pré-candidaturas de Jackson a governador e de Castelo a senador já caíram no gosto popular?
RR - São duas lideranças com forte apelo popular, e já conhecidas do povo maranhense. Era natural que as duas candidaturas caíssem no gosto do povo rapidamente, o final será a vitória de Jackson Lago para governador e Castelo para senador.
JP - Qual a importância desta aliança do PDT com o PSDB local?
RR - Há uma importância histórica e política. Histórica porque é a primeira vez que os dois maiores partidos de oposição ao esquema Sarney/Murad se unem em torno de um objetivo comum.
JP - O PSDB maranhense terá forças para resistir tanta pressão do grupo Sarney junto ao tucanato nacional?
RR - Resistimos em 2002 quando o PSDB possuía a Presidência da República, por que não resistiríamos agora? A direção nacional do partido já percebeu que o projeto histórico de reconstrução do Estado, que o PSDB maranhense defende, é incompatível com a prática política e com os interesses do PFL e do esquema Sarney/Murad
JP - O senhor tem dito que é mais fácil o PFL se juntar ao PT, do que o PSDB ao PFL local. Não existe risco de intervenção no PSDB maranhense?
RR - O PSDB não tem essa tradição. Quando afirmo que é mais fácil uma aproximação PT/PFL, o faço pelo que vimos em 2002, e que vemos agora, pois é notório que o PT nacional e o Lula querem manter a aliança com Sarney.
JP - As principais lideranças maranhenses do PSDB estão jogando afinadas contra a tentativa de tomada dos Sarney?
RR - A posição anti-Sarney do PSDB é uma posição partidária. Desconheço uma única liderança do partido que defende, internamente ou na sociedade, uma aproximação com PFL e com esquema Sarney/Murad.
JP - O PSDB vai indicar o vice de Jackson e como anda essa discussão?
RR - A tendência é que sim, embora o partido ainda não tenha definido um nome. Mas, o mais importante agora é construirmos um programa comum que consiga reconstruir o Maranhão.
JP - Qual a avaliação que o senhor faz da candidatura de Roseana neste momento?
RR - Não faz meu estilo comentar outras candidaturas que não as do meu partido. Mas, a se senadora Roseana Sarney Murad for realmente candidata, deverá passar muito tempo da sua campanha explicando os inúmeros escândalos que marcaram o seu governo, além da situação quase falimentar pelo qual deixou o Estado.
JP - Há sinais de que o grupo Sarney começa a sentir que pode vir a ser derrotado?
RR - São vários os sinais, mas citarei apenas dois. O primeiro é a forma desqualificada com que tratam a candidatura da Frente de Libertação. Outro sinal é que até hoje eles não se conformam com o rompimento do governador José Reinaldo das amarras do esquema Sarney/Murad. Ora, se são tão fortes, se acham imbatíveis por que tanto desespero?
JP - Quais os temas centrais que deverão dominar essa campanha?
RR - Tenho defendido no meu partido e defenderei dentro da Frente de Libertação que questões como produção e renda, segurança, educação e políticas públicas para a juventude devam ser os temas centrais da nossa campanha.
JP - Os prefeitos estão quase todos contra a candidatura de Roseana Sarney, a exemplo de outros setores políticos, como os deputados estaduais. O senhor acredita que isso pode ser de fundamental importância?
RR - O apoio dos prefeitos é importantíssimo para qualquer candidatura. Entretanto, Frente de Libertação irá a busca de cada apoio também dos vereadores, das lideranças populares e comunitárias, dos líderes das igrejas, enfim, de todos aqueles que queiram somar na luta pela liberdade do Maranhão.
JP - Como anda a sua pré-candidatura a deputado federal ou o senhor pode ser incluído na lista dos pré-candidatos a vice da Frente?
RR - A nossa pré-candidatura vai muito bem, graças a Deus. Mantemos do nosso lado os apoiadores de outras eleições, e ampliamos outros. Temos atualmente uma inserção política e social bem maior do que das outras eleições. A experiência é uma aliada fundamental na nossa caminhada rumo à vitória. Faremos uma campanha propositiva, mas sem deixar de apontar mazelas do Governo Federal. Nosso grande objeto é fazer uma campanha que qualifique o debate político. Faremos uma campanha voltada para o estado como um todo: de São Luis ao Alto Parnaíba.
JP - Algo mais a acrescentar?
RR - Só agradecer o convite para esta entrevista, e pedir ao povo maranhense que não desperdice esta oportunidade única de passar o Maranhão a limpo. Que em outubro dê um voto de rebeldia contra o atraso e a dominação política. "Pra Frente Maranhão!"
O ex-deputado federal Roberto Rocha (PSDB) afirmou que "se a ex-governadora Roseana Sarney Murad for realmente candidata, deverá passar muito tempo de sua campanha explicando os inúmeros escândalos que marcaram o seu governo, além da situação quase falimentar que deixou o Estado". Da lista de escândalos fariam parte Lunus, Projeto Salangô e o fiasco do pólo de confecção de Rosário. O ex-deputado disse também que o grupo Sarney teme as pré-candidaturas de Jackson Lago (PDT) a governador e do deputado federal tucano João Castelo a senador, e que existiriam vários sinais desse temor.
- São vários os sinais, mas citarei apenas dois. O primeiro é a forma desqualificada com que tratam as candidaturas da Frente de Libertação. Outro sinal é que até hoje eles não se conformam com o rompimento do governador José Reinaldo das amarras do esquema Sarney/Murad. Ora, se são tão fortes, se acham imbatíveis por que tanto desespero?
Roberto Rocha, que é pré-candidato a deputado federal, assegura que "o sentimento de mudança está, novamente, tomando conta de todas as regiões do Estado. O povo começa a perceber que não é mais possível o Maranhão continuar sendo gerido pelo mesmo grupo político há quarenta anos", e assegurou que há importância histórica e política na coligação do PSDB com o PDT. "Histórica porque é a primeira vez que os dois maiores partidos de oposição ao esquema Sarney/Murad se unem em torno de um objetivo comum".
O ex-deputado negou ainda que exista risco de intervenção no PSDB por conta de não querer aproximação com o PFL.
- Resistimos em 2002 quando o PSDB possuía a Presidência da República, por que não resistiríamos agora? A direção nacional do partido já percebeu que o projeto histórico de reconstrução do Estado, que o PSDB maranhense defende, é incompatível com a prática política e com os interesses do PFL e do esquema Sarney/Murad. A posição anti-sarney do PSDB é uma posição partidária. Desconheço uma única liderança do partido que defende, internamente ou na sociedade, uma aproximação com PFL e com esquema Sarney/Murad.
A seguir a entrevista.
Jornal Pequeno - Qual a avaliação que o senhor faz das andanças da Frente de Libertação pelo Maranhão?
Roberto Rocha - O sentimento de mudança está, novamente, tomando conta de todas as regiões do Estado. O povo começa a perceber que não mais possível o Maranhão continuar sendo gerido pelo mesmo grupo político há quarenta anos.
JP - As pré-candidaturas de Jackson a governador e de Castelo a senador já caíram no gosto popular?
RR - São duas lideranças com forte apelo popular, e já conhecidas do povo maranhense. Era natural que as duas candidaturas caíssem no gosto do povo rapidamente, o final será a vitória de Jackson Lago para governador e Castelo para senador.
JP - Qual a importância desta aliança do PDT com o PSDB local?
RR - Há uma importância histórica e política. Histórica porque é a primeira vez que os dois maiores partidos de oposição ao esquema Sarney/Murad se unem em torno de um objetivo comum.
JP - O PSDB maranhense terá forças para resistir tanta pressão do grupo Sarney junto ao tucanato nacional?
RR - Resistimos em 2002 quando o PSDB possuía a Presidência da República, por que não resistiríamos agora? A direção nacional do partido já percebeu que o projeto histórico de reconstrução do Estado, que o PSDB maranhense defende, é incompatível com a prática política e com os interesses do PFL e do esquema Sarney/Murad
JP - O senhor tem dito que é mais fácil o PFL se juntar ao PT, do que o PSDB ao PFL local. Não existe risco de intervenção no PSDB maranhense?
RR - O PSDB não tem essa tradição. Quando afirmo que é mais fácil uma aproximação PT/PFL, o faço pelo que vimos em 2002, e que vemos agora, pois é notório que o PT nacional e o Lula querem manter a aliança com Sarney.
JP - As principais lideranças maranhenses do PSDB estão jogando afinadas contra a tentativa de tomada dos Sarney?
RR - A posição anti-Sarney do PSDB é uma posição partidária. Desconheço uma única liderança do partido que defende, internamente ou na sociedade, uma aproximação com PFL e com esquema Sarney/Murad.
JP - O PSDB vai indicar o vice de Jackson e como anda essa discussão?
RR - A tendência é que sim, embora o partido ainda não tenha definido um nome. Mas, o mais importante agora é construirmos um programa comum que consiga reconstruir o Maranhão.
JP - Qual a avaliação que o senhor faz da candidatura de Roseana neste momento?
RR - Não faz meu estilo comentar outras candidaturas que não as do meu partido. Mas, a se senadora Roseana Sarney Murad for realmente candidata, deverá passar muito tempo da sua campanha explicando os inúmeros escândalos que marcaram o seu governo, além da situação quase falimentar pelo qual deixou o Estado.
JP - Há sinais de que o grupo Sarney começa a sentir que pode vir a ser derrotado?
RR - São vários os sinais, mas citarei apenas dois. O primeiro é a forma desqualificada com que tratam a candidatura da Frente de Libertação. Outro sinal é que até hoje eles não se conformam com o rompimento do governador José Reinaldo das amarras do esquema Sarney/Murad. Ora, se são tão fortes, se acham imbatíveis por que tanto desespero?
JP - Quais os temas centrais que deverão dominar essa campanha?
RR - Tenho defendido no meu partido e defenderei dentro da Frente de Libertação que questões como produção e renda, segurança, educação e políticas públicas para a juventude devam ser os temas centrais da nossa campanha.
JP - Os prefeitos estão quase todos contra a candidatura de Roseana Sarney, a exemplo de outros setores políticos, como os deputados estaduais. O senhor acredita que isso pode ser de fundamental importância?
RR - O apoio dos prefeitos é importantíssimo para qualquer candidatura. Entretanto, Frente de Libertação irá a busca de cada apoio também dos vereadores, das lideranças populares e comunitárias, dos líderes das igrejas, enfim, de todos aqueles que queiram somar na luta pela liberdade do Maranhão.
JP - Como anda a sua pré-candidatura a deputado federal ou o senhor pode ser incluído na lista dos pré-candidatos a vice da Frente?
RR - A nossa pré-candidatura vai muito bem, graças a Deus. Mantemos do nosso lado os apoiadores de outras eleições, e ampliamos outros. Temos atualmente uma inserção política e social bem maior do que das outras eleições. A experiência é uma aliada fundamental na nossa caminhada rumo à vitória. Faremos uma campanha propositiva, mas sem deixar de apontar mazelas do Governo Federal. Nosso grande objeto é fazer uma campanha que qualifique o debate político. Faremos uma campanha voltada para o estado como um todo: de São Luis ao Alto Parnaíba.
JP - Algo mais a acrescentar?
RR - Só agradecer o convite para esta entrevista, e pedir ao povo maranhense que não desperdice esta oportunidade única de passar o Maranhão a limpo. Que em outubro dê um voto de rebeldia contra o atraso e a dominação política. "Pra Frente Maranhão!"
Deputados denunciam que Brejo tem estrada “mais cara do mundo”
Por: Adelson Barbosa dos Santos (Correio da Paraiba)
O
Governo do Estado gastou R$ 939.476,77 para construir 2,8 quilômetros de estrada, em paralelepípedos (calçamento), entre as cidades de Duas Estradas e Serra da Raiz, na região do Brejo.
A estrada em questão é a rodovia PB-071, que já teve vários trechos destruídos pelas chuvas e tem tamanho menor que a metade da Avenida Epitácio Pessoa, na Capital.
Os deputados estaduais Tião Gomes (PSL) e Vital Filho (PMDB) fizeram as contas e chegaram à conclusão que se trata da "estrada mais cara do mundo". Ao dividirem o valor da estrada pelo tamanho, os deputados constataram que o custo da obra foi de R$ 335,52 mil por cada quilômetro.
Isso significa que cada metro linear custou R$ 335,52. Os deputados transformaram o tamanho da estrada em metros quadrados.
Multiplicaram os 2,8 mil metros de comprimento por oito metros aproximados de largura. Concluíram que a estrada tem 22.400 metros quadrados.
Levando-se em conta que o metro quadrado de calçamento na região de Guarabira é de R$ 21,33 para as prefeituras, o custo da estrada deveria ter sido de R$ 477.792,00.
Os parlamentares dizem não ter entendido os motivos que levaram o Governo a construir a estrada em paralelepípedos, quando o normal, em 99% dos casos, é construção em asfalto.
"E além do mais, a chuva está levando trechos da estrada", disse Tião Gomes, para quem não há dúvidas de que houve irregularidades que precisam ser muito bem explicadas.
Segundo Tião, a população de Serra da Raiz e Duas Estradas "não engole mais este engodo do governo Cunha Lima". Vital vai convocar o superintendente do DER, Inácio Bento, para explicar, na Assembléia, como é que o Governo paga quase R$ 1 milhão por menos de 3 quilômetros de estrada.
"Uma estrada com este valor deve ter sido construída em diamante", disse Vital Filho. "Só pode ser uma estrada com pedras preciosas, em vez de paralelepípedos", completou Tião.
Morais: preço compatível
O superintendente do DER, Inácio Bento de Morais, tem uma explicação. Segundo ele, a estrada custou quase R$ 1 milhão por conta dos serviços de drenagem, que, segundo ele, são muito caros, em uma região montanhosa.
Segundo ele, a obra está perfeitamente compatível com os preços de mercado e as características geotécnicas daquela região, que apresenta relevo montanhoso, afloramentos de rocha e elevado índice pluviométrico. Disse, ainda, que a opção pelo paralelepípedo foi por ser uma estrada quase urbana.
"Como é, então, que o DER passou asfalto dentro das cidades de Bananeiras, Solânea e Arara, por exemplo, cobrindo o calçamento?", indaga Tião Gomes. Segundo ele, a explicação de Inácio Bento não convence a ninguém.
Inácio Bento insiste que o custo elevado da estrada em questão ocorre por ser uma região de serra. "Além de ter muitas rochas, em toda estrada de serra há a necessidade de se fazer a drenagem superficial e profunda, que encarece a obra em 40% do orçamento", frisou.
Segundo Inácio Bento, há outra razão pela opção do calçamento: "Se trata de uma cidade que tende a se expandir ao longo da rodovia. Por isso, se fez a opção pela pavimentação em paralelepípedos".
Tião, que conhece bem a região, insiste: "Por que o Governo não está construindo em calçamento a estrada entre Pilões e Cuitegi, que também fica numa região montanhosa?".
Tião Gomes e Vital Filho dizem não entender, também, como é que o Governo gastou R$ R$ 939.476,77 em 2,8 quilômetros de estrada em calçamento e gastou R$ 1.045.000,00 nos cinco quilômetros de asfalto da estrada que dá acesso à cidade de Riachão do Poço. Inácio Bento diz que não se pode fazer comparativos entre preços de rodovias. Segundo ele, a estrada de Riachão do Poço foi mais barata porque o terreno é diferente e não tem serras.
No entanto, a estrada entre Pilões e Cuitegi tem serras e, no comparativo, o custo é menor do que o preço da estrada entre Serra da Raiz e Duas Estradas. Se foram gastos recursos da ordem de R$ 1 milhão numa estrada (serrana) de 2,8 quilômetros, é de supor que os gastos fossem bem superiores a R$ 5 milhões milhões numa estrada de 12 quilômetros na mesma região.
No entanto, a placa indicativa do Governo apresenta um orçamento de R$ 3,324 milhões para os 12 quilômetros entre Pilões e Cuitegi. Talvez o valor menor (proporcionalmente) se explique porque o DER não está usando calçamento, como em Serra da Raiz. Um detalhe: o relevo da região do Brejo é o mesmo, e coincidentemente, Pilões e Serra da Raiz ficam em regiões serranas.
Estrada
A presidente da Câmara Municipal de Pilões, Dalva Confessor, assegura que o Governo deixa de cobrir um santo para cobrir outro, quando ignora a estrada completamente esburacada entre a sua cidade e a cidade de Areia, para construir uma estrada nova entre Pilões e Cuitegi.
Segundo Dalva, o governador Cássio Cunha Lima prometeu ao prefeito Iremar Flor inaugurar a estrada no mês de abril. No entanto, segundo ela, a empresa contratada não construiu nem 3 quilômetros. Mesmo assim, as chuvas estão provocando erosão na estrada.
A reportagem do CORREIO percorreu toda a extensão da estrada entre Cuitegi e Pilões (PB-077) e entre Pilões e Areia (PB-087). Entre Cuitegi e Pilões, as chuvas desmancharam vários trechos da terraplenagem e estão provocando erosão que pode destruir a parte que já recebeu uma primeira camada de óleo, denominada imprimação.
Como a empresa ainda não fez a drenagem, a água que corre serra abaixo acaba destruindo o trabalho. Do total de 12 quilômetros, existem algo em torno 2 quilômetros com asfalto e outros 3 quilômetros em imprimação. Como o inverno tende a continuar na região, deve haver uma parada. Em alguns trechos, as poças de água impedem o trabalho de terraplenagem.
"Entre Pilões e Areia, a estrada é uma verdadeira tábua de pirulito", disse Tião Gomes. Em toda a extensão, os motoristas precisam trafegar com muito cuidados, principalmente à noite e nos dias de chuvas.
Qualquer velocidade a mais pode resultar em pneus estourados. Além do mais, a névoa se estende pela estrada, o que dificulta a visibilidade. "Existem verdadeiras crateras na estrada", frisou Tião Gomes, acrescentando que o Governo tenta enganar a população paraibana quando diz que construiu a recuperou estradas.
O
Governo do Estado gastou R$ 939.476,77 para construir 2,8 quilômetros de estrada, em paralelepípedos (calçamento), entre as cidades de Duas Estradas e Serra da Raiz, na região do Brejo.
A estrada em questão é a rodovia PB-071, que já teve vários trechos destruídos pelas chuvas e tem tamanho menor que a metade da Avenida Epitácio Pessoa, na Capital.
Os deputados estaduais Tião Gomes (PSL) e Vital Filho (PMDB) fizeram as contas e chegaram à conclusão que se trata da "estrada mais cara do mundo". Ao dividirem o valor da estrada pelo tamanho, os deputados constataram que o custo da obra foi de R$ 335,52 mil por cada quilômetro.
Isso significa que cada metro linear custou R$ 335,52. Os deputados transformaram o tamanho da estrada em metros quadrados.
Multiplicaram os 2,8 mil metros de comprimento por oito metros aproximados de largura. Concluíram que a estrada tem 22.400 metros quadrados.
Levando-se em conta que o metro quadrado de calçamento na região de Guarabira é de R$ 21,33 para as prefeituras, o custo da estrada deveria ter sido de R$ 477.792,00.
Os parlamentares dizem não ter entendido os motivos que levaram o Governo a construir a estrada em paralelepípedos, quando o normal, em 99% dos casos, é construção em asfalto.
"E além do mais, a chuva está levando trechos da estrada", disse Tião Gomes, para quem não há dúvidas de que houve irregularidades que precisam ser muito bem explicadas.
Segundo Tião, a população de Serra da Raiz e Duas Estradas "não engole mais este engodo do governo Cunha Lima". Vital vai convocar o superintendente do DER, Inácio Bento, para explicar, na Assembléia, como é que o Governo paga quase R$ 1 milhão por menos de 3 quilômetros de estrada.
"Uma estrada com este valor deve ter sido construída em diamante", disse Vital Filho. "Só pode ser uma estrada com pedras preciosas, em vez de paralelepípedos", completou Tião.
Morais: preço compatível
O superintendente do DER, Inácio Bento de Morais, tem uma explicação. Segundo ele, a estrada custou quase R$ 1 milhão por conta dos serviços de drenagem, que, segundo ele, são muito caros, em uma região montanhosa.
Segundo ele, a obra está perfeitamente compatível com os preços de mercado e as características geotécnicas daquela região, que apresenta relevo montanhoso, afloramentos de rocha e elevado índice pluviométrico. Disse, ainda, que a opção pelo paralelepípedo foi por ser uma estrada quase urbana.
"Como é, então, que o DER passou asfalto dentro das cidades de Bananeiras, Solânea e Arara, por exemplo, cobrindo o calçamento?", indaga Tião Gomes. Segundo ele, a explicação de Inácio Bento não convence a ninguém.
Inácio Bento insiste que o custo elevado da estrada em questão ocorre por ser uma região de serra. "Além de ter muitas rochas, em toda estrada de serra há a necessidade de se fazer a drenagem superficial e profunda, que encarece a obra em 40% do orçamento", frisou.
Segundo Inácio Bento, há outra razão pela opção do calçamento: "Se trata de uma cidade que tende a se expandir ao longo da rodovia. Por isso, se fez a opção pela pavimentação em paralelepípedos".
Tião, que conhece bem a região, insiste: "Por que o Governo não está construindo em calçamento a estrada entre Pilões e Cuitegi, que também fica numa região montanhosa?".
Tião Gomes e Vital Filho dizem não entender, também, como é que o Governo gastou R$ R$ 939.476,77 em 2,8 quilômetros de estrada em calçamento e gastou R$ 1.045.000,00 nos cinco quilômetros de asfalto da estrada que dá acesso à cidade de Riachão do Poço. Inácio Bento diz que não se pode fazer comparativos entre preços de rodovias. Segundo ele, a estrada de Riachão do Poço foi mais barata porque o terreno é diferente e não tem serras.
No entanto, a estrada entre Pilões e Cuitegi tem serras e, no comparativo, o custo é menor do que o preço da estrada entre Serra da Raiz e Duas Estradas. Se foram gastos recursos da ordem de R$ 1 milhão numa estrada (serrana) de 2,8 quilômetros, é de supor que os gastos fossem bem superiores a R$ 5 milhões milhões numa estrada de 12 quilômetros na mesma região.
No entanto, a placa indicativa do Governo apresenta um orçamento de R$ 3,324 milhões para os 12 quilômetros entre Pilões e Cuitegi. Talvez o valor menor (proporcionalmente) se explique porque o DER não está usando calçamento, como em Serra da Raiz. Um detalhe: o relevo da região do Brejo é o mesmo, e coincidentemente, Pilões e Serra da Raiz ficam em regiões serranas.
Estrada
A presidente da Câmara Municipal de Pilões, Dalva Confessor, assegura que o Governo deixa de cobrir um santo para cobrir outro, quando ignora a estrada completamente esburacada entre a sua cidade e a cidade de Areia, para construir uma estrada nova entre Pilões e Cuitegi.
Segundo Dalva, o governador Cássio Cunha Lima prometeu ao prefeito Iremar Flor inaugurar a estrada no mês de abril. No entanto, segundo ela, a empresa contratada não construiu nem 3 quilômetros. Mesmo assim, as chuvas estão provocando erosão na estrada.
A reportagem do CORREIO percorreu toda a extensão da estrada entre Cuitegi e Pilões (PB-077) e entre Pilões e Areia (PB-087). Entre Cuitegi e Pilões, as chuvas desmancharam vários trechos da terraplenagem e estão provocando erosão que pode destruir a parte que já recebeu uma primeira camada de óleo, denominada imprimação.
Como a empresa ainda não fez a drenagem, a água que corre serra abaixo acaba destruindo o trabalho. Do total de 12 quilômetros, existem algo em torno 2 quilômetros com asfalto e outros 3 quilômetros em imprimação. Como o inverno tende a continuar na região, deve haver uma parada. Em alguns trechos, as poças de água impedem o trabalho de terraplenagem.
"Entre Pilões e Areia, a estrada é uma verdadeira tábua de pirulito", disse Tião Gomes. Em toda a extensão, os motoristas precisam trafegar com muito cuidados, principalmente à noite e nos dias de chuvas.
Qualquer velocidade a mais pode resultar em pneus estourados. Além do mais, a névoa se estende pela estrada, o que dificulta a visibilidade. "Existem verdadeiras crateras na estrada", frisou Tião Gomes, acrescentando que o Governo tenta enganar a população paraibana quando diz que construiu a recuperou estradas.
Reformas de faz-de-conta
Por: Gustavo Krieger (Correio Braziliense )
O escândalo do mensalão foi seguido por promessas de uma reforma política abrangente. Dias depois da explosão do caso dos deputados sanguessugas, parlamentares enfileiravam propostas para mudar a forma de elaborar e fiscalizar o Orçamento da União. Muito pouco foi feito. Invariavelmente, assim que o tsunami político passa, as coisas voltam para o mesmo lugar. O exemplo mais dramático veio no julgamento dos parlamentares acusados de envolvimento com o mensalão. Muitos políticos apostavam na cassação, porque o espírito de sobrevivência dos parlamentares levaria a maioria deles a votar pela condenação para agradar a opinião pública. Na hora do julgamento, com o voto secreto, o espírito de corpo venceu o de sobrevivência. Dos 11 mensaleiros julgados, oito foram absolvidos.
Um estudo feito pelo cientista político Alberto Carlos de Almeida explica este divórcio entre a opinião pública e seus representantes eleitos. O problema é que a maioria dos brasileiros não lembra em quem votou. Na pesquisa feita por ele, 71% dos eleitores não lembravam em quem tinham votado para deputado federal quatro anos antes e outros 3% citaram nomes que não existem. A "amnésia política" diagnosticada pelo estudo começa cedo. Dois meses depois das eleições de 2002, 28% dos entrevistados já tinham esquecido seus votos para a Câmara. Sem esta lembrança, falar em fiscalização da atividade parlamentar soa como fantasia política. "Não existe crise política ou de Estado sem crise da sociedade", avalia o sociólogo Sérgio Abranches. "A sociedade brasileira desistiu. Ela tolera o intolerável e se acostumou a levar desaforo para casa".
Outro especialista ouvido pelo Correio, o professor Renato Lessa tem uma opinião diferente. Atribui a maior responsabilidade aos setores mais bem informados da sociedade brasileira. "As universidades não participam do debate político. Os intelectuais são muito tímidos. Não se faz uma discussão séria. A academia fica lembrando que as instituições democráticas continuam funcionando apesar da crise, como se isto fosse suf
O escândalo do mensalão foi seguido por promessas de uma reforma política abrangente. Dias depois da explosão do caso dos deputados sanguessugas, parlamentares enfileiravam propostas para mudar a forma de elaborar e fiscalizar o Orçamento da União. Muito pouco foi feito. Invariavelmente, assim que o tsunami político passa, as coisas voltam para o mesmo lugar. O exemplo mais dramático veio no julgamento dos parlamentares acusados de envolvimento com o mensalão. Muitos políticos apostavam na cassação, porque o espírito de sobrevivência dos parlamentares levaria a maioria deles a votar pela condenação para agradar a opinião pública. Na hora do julgamento, com o voto secreto, o espírito de corpo venceu o de sobrevivência. Dos 11 mensaleiros julgados, oito foram absolvidos.
Um estudo feito pelo cientista político Alberto Carlos de Almeida explica este divórcio entre a opinião pública e seus representantes eleitos. O problema é que a maioria dos brasileiros não lembra em quem votou. Na pesquisa feita por ele, 71% dos eleitores não lembravam em quem tinham votado para deputado federal quatro anos antes e outros 3% citaram nomes que não existem. A "amnésia política" diagnosticada pelo estudo começa cedo. Dois meses depois das eleições de 2002, 28% dos entrevistados já tinham esquecido seus votos para a Câmara. Sem esta lembrança, falar em fiscalização da atividade parlamentar soa como fantasia política. "Não existe crise política ou de Estado sem crise da sociedade", avalia o sociólogo Sérgio Abranches. "A sociedade brasileira desistiu. Ela tolera o intolerável e se acostumou a levar desaforo para casa".
Outro especialista ouvido pelo Correio, o professor Renato Lessa tem uma opinião diferente. Atribui a maior responsabilidade aos setores mais bem informados da sociedade brasileira. "As universidades não participam do debate político. Os intelectuais são muito tímidos. Não se faz uma discussão séria. A academia fica lembrando que as instituições democráticas continuam funcionando apesar da crise, como se isto fosse suf
O pior Congresso?
Por: Gustavo Krieger (Correio Braziliense )
Ulysses Guimarães conhecia como ninguém os bastidores do Congresso Nacional. Um dia, ouviu um colega queixar-se do baixo nível do parlamento. Respondeu com profecia . "Você acha esta Câmara ruim? Espere a próxima eleição. Vai ver que sempre dá para piorar…" Depois do mensalão, da lista de sanguessugas do Congresso, da dança da pizza no plenário da Câmara, as palavras do doutor Ulysses soam com uma atualidade assustadora. Envolvido em denúncias e sem capacidade política de responder à crise, o parlamento brasileiro vive a pior crise de imagem desde a redemocratização do país. E o pior é que não há sinais de que o quadro vá melhorar. A reforma política e outras promessas de mudanças ficaram no papel, derrotadas pelo corporativismo.
Em outubro do ano passado, o Instituto Olsen fez uma pesquisa sobre a credibilidade das instituições brasileiras (veja na página 3). Em primeiro lugar apareceram os bombeiros, em quem 90% da população acredita. Os políticos vieram no fim da fila deste "desconfiômetro". Apenas 11% dos entrevistados disseram confiar nos partidos políticos. No Congresso, 14% acreditam nos deputados e 22% nos senadores. Em outra resposta, 81% dos eleitores disseram acreditar que os deputados defendem mais os próprios interesses que os da população que os elegeu. A avaliação dos senadores não foi muito diferente. Para 78% dos pesquisados, eles pensam mais neles mesmos que nos eleitores. Orjan Olsen, diretor do instituto, diz que o quadro hoje tende a estar pior. "A pesquisa foi feita antes da onda de absolvições de deputados envolvidos no mensalão e do escândalo dos sanguessugas".
"Este é o Congresso que convive com a pior crise moral do país", diz Renato Lessa, doutor em Ciência Política e um dos principais estudiosos sobre o parlamento no Brasil. "Esta crise expôs mazelas que existem há muito tempo, em especial nas relações entre a política e o dinheiro", complementa. "No modelo brasileiro de política, governo e Congresso se relacionam entre si sem se relacionar com a sociedade. O governo quer o controle do parlamento e os parlamentares querem o butim do governo."
O diagnóstico é semelhante ao feito por Sérgio Abranches, mestre em sociologia e PhD em Ciência Política. "O processo de deterioração das instituições vem de longe, mas esta é a pior conjuntura". Ele lembra que a composição da atual legislatura não é muito diferente dos mandatos anteriores. Se o perfil do Congresso não mudou, por que a situação piorou tanto? Para Abranches, boa parte da responsabilidade está do outro lado da Praça dos Três Poderes, onde fica o Palácio do Planalto. "O que piorou foi a chegada de um governo fraco no parlamento", diz. "O governo Lula não conseguiu construir uma aliança forte no Congresso e apelou para o fisiologismo. Aliou-se ao que havia de pior no parlamento e deu poder ao baixo clero". Sob este rótulo se abrigam os parlamentares de pouco destaque no Congresso e que costumam trocar o voto por favores do governo.
O baixo clero sempre existiu, mas ganhou destaque no governo Lula. O então ministro da Casa Civil, José Dirceu, costurou uma aliança com os partidos onde o grupo se abriga, como o PL, PTB e PP. Deputados como José Janene, do PP, ou Valdemar Costa Neto, do PL, pularam dos subterrâneos da política para a mesa de reuniões do Palácio do Planalto. Poderoso, o grupo conseguiu eleger Severino Cavalcanti presidente da Câmara. O momento de vitória teve um preço alto. Severino renunciou ao mandato, depois de ser acusado de cobrar propina do empresário que explorava o restaurante da Câmara.
Valdemar também renunciou e Janene tentou se aposentar por invalidez para evitar o processo de cassação. Os dois foram envolvidos no escândalo do mensalão.
Corporativismo
"Este é o pior Congresso da história", ataca o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP). "A qualidade da representação cai a cada eleição, na mesma medida em que aumenta o corporativismo dos parlamentares". Segundo ele, "boa parte dos deputados chega ao Congresso graças a um grupo específico de interesse e só defende os interesses deste grupo".
A conta faz sentido. Desde que a atual legislatura tomou posse, já houve 334 casos de parlamentares que mudaram de partido. Enquanto isso, outras bancadas se mantiveram inalteradas. A bancada ruralista alinha 103 deputados e cinco senadores. A evangélica enfileira 55 deputados e três senadores. "O Congresso pode ficar ainda mais corporativo na próxima eleição", adverte o jornalista e professor Gaudêncio Torquato. Para ele, os grupos de interesse estão cada vez mais organizados e podem ser ajudados pelo descrédito da população nos políticos. "O maior problema da política no Brasil é o patrimonialismo, a mistura entre o público e o privado", diz. "A formação de bancadas privadas só agrava este problema."
Ulysses Guimarães conhecia como ninguém os bastidores do Congresso Nacional. Um dia, ouviu um colega queixar-se do baixo nível do parlamento. Respondeu com profecia . "Você acha esta Câmara ruim? Espere a próxima eleição. Vai ver que sempre dá para piorar…" Depois do mensalão, da lista de sanguessugas do Congresso, da dança da pizza no plenário da Câmara, as palavras do doutor Ulysses soam com uma atualidade assustadora. Envolvido em denúncias e sem capacidade política de responder à crise, o parlamento brasileiro vive a pior crise de imagem desde a redemocratização do país. E o pior é que não há sinais de que o quadro vá melhorar. A reforma política e outras promessas de mudanças ficaram no papel, derrotadas pelo corporativismo.
Em outubro do ano passado, o Instituto Olsen fez uma pesquisa sobre a credibilidade das instituições brasileiras (veja na página 3). Em primeiro lugar apareceram os bombeiros, em quem 90% da população acredita. Os políticos vieram no fim da fila deste "desconfiômetro". Apenas 11% dos entrevistados disseram confiar nos partidos políticos. No Congresso, 14% acreditam nos deputados e 22% nos senadores. Em outra resposta, 81% dos eleitores disseram acreditar que os deputados defendem mais os próprios interesses que os da população que os elegeu. A avaliação dos senadores não foi muito diferente. Para 78% dos pesquisados, eles pensam mais neles mesmos que nos eleitores. Orjan Olsen, diretor do instituto, diz que o quadro hoje tende a estar pior. "A pesquisa foi feita antes da onda de absolvições de deputados envolvidos no mensalão e do escândalo dos sanguessugas".
"Este é o Congresso que convive com a pior crise moral do país", diz Renato Lessa, doutor em Ciência Política e um dos principais estudiosos sobre o parlamento no Brasil. "Esta crise expôs mazelas que existem há muito tempo, em especial nas relações entre a política e o dinheiro", complementa. "No modelo brasileiro de política, governo e Congresso se relacionam entre si sem se relacionar com a sociedade. O governo quer o controle do parlamento e os parlamentares querem o butim do governo."
O diagnóstico é semelhante ao feito por Sérgio Abranches, mestre em sociologia e PhD em Ciência Política. "O processo de deterioração das instituições vem de longe, mas esta é a pior conjuntura". Ele lembra que a composição da atual legislatura não é muito diferente dos mandatos anteriores. Se o perfil do Congresso não mudou, por que a situação piorou tanto? Para Abranches, boa parte da responsabilidade está do outro lado da Praça dos Três Poderes, onde fica o Palácio do Planalto. "O que piorou foi a chegada de um governo fraco no parlamento", diz. "O governo Lula não conseguiu construir uma aliança forte no Congresso e apelou para o fisiologismo. Aliou-se ao que havia de pior no parlamento e deu poder ao baixo clero". Sob este rótulo se abrigam os parlamentares de pouco destaque no Congresso e que costumam trocar o voto por favores do governo.
O baixo clero sempre existiu, mas ganhou destaque no governo Lula. O então ministro da Casa Civil, José Dirceu, costurou uma aliança com os partidos onde o grupo se abriga, como o PL, PTB e PP. Deputados como José Janene, do PP, ou Valdemar Costa Neto, do PL, pularam dos subterrâneos da política para a mesa de reuniões do Palácio do Planalto. Poderoso, o grupo conseguiu eleger Severino Cavalcanti presidente da Câmara. O momento de vitória teve um preço alto. Severino renunciou ao mandato, depois de ser acusado de cobrar propina do empresário que explorava o restaurante da Câmara.
Valdemar também renunciou e Janene tentou se aposentar por invalidez para evitar o processo de cassação. Os dois foram envolvidos no escândalo do mensalão.
Corporativismo
"Este é o pior Congresso da história", ataca o presidente do Conselho de Ética da Câmara, Ricardo Izar (PTB-SP). "A qualidade da representação cai a cada eleição, na mesma medida em que aumenta o corporativismo dos parlamentares". Segundo ele, "boa parte dos deputados chega ao Congresso graças a um grupo específico de interesse e só defende os interesses deste grupo".
A conta faz sentido. Desde que a atual legislatura tomou posse, já houve 334 casos de parlamentares que mudaram de partido. Enquanto isso, outras bancadas se mantiveram inalteradas. A bancada ruralista alinha 103 deputados e cinco senadores. A evangélica enfileira 55 deputados e três senadores. "O Congresso pode ficar ainda mais corporativo na próxima eleição", adverte o jornalista e professor Gaudêncio Torquato. Para ele, os grupos de interesse estão cada vez mais organizados e podem ser ajudados pelo descrédito da população nos políticos. "O maior problema da política no Brasil é o patrimonialismo, a mistura entre o público e o privado", diz. "A formação de bancadas privadas só agrava este problema."
domingo, maio 21, 2006
ATENÇÃO
Por: ferrez.blogspot.com
Atenção a todos os amigos.
apelo a todos que acompanham esse blog, que nos ajude a dizimar o que está acontecendo.
a Policia Militar e a Policia Civil afetados com a onde de matança, estão fazendo da nossa periferia um estado prá lá de nazista, já são mais de 100 "suspeitos"assassinados, e nenhum deles é PCC .
Só de colegas, foram mortos 4, isso pra não contar os que estão no hospital.
nenhum deles tinha passagem, por isso apelo para que divulguem a real de que o acordo não foi feito com o povo, o povo tá morrendo, sendo baleado pelas costas, ao entregar pizza, ao voltar para casa.
a policia covarde, treme perante o olhar do ladrão, mas mata sem dó quem está simplismente voltando para casa.
isso é uma vergonha, e se é o trabalho deles, tá na hora dagente fazer o nosso, reagir com cidadania, mostrando que não queremos essa matança.
LEI MARCIAL PARA POBRES INOCENTES FOI DECRETADA.
Ferréz
Atenção a todos os amigos.
apelo a todos que acompanham esse blog, que nos ajude a dizimar o que está acontecendo.
a Policia Militar e a Policia Civil afetados com a onde de matança, estão fazendo da nossa periferia um estado prá lá de nazista, já são mais de 100 "suspeitos"assassinados, e nenhum deles é PCC .
Só de colegas, foram mortos 4, isso pra não contar os que estão no hospital.
nenhum deles tinha passagem, por isso apelo para que divulguem a real de que o acordo não foi feito com o povo, o povo tá morrendo, sendo baleado pelas costas, ao entregar pizza, ao voltar para casa.
a policia covarde, treme perante o olhar do ladrão, mas mata sem dó quem está simplismente voltando para casa.
isso é uma vergonha, e se é o trabalho deles, tá na hora dagente fazer o nosso, reagir com cidadania, mostrando que não queremos essa matança.
LEI MARCIAL PARA POBRES INOCENTES FOI DECRETADA.
Ferréz
Violência e Política
Por: Maximiliano Dias
Reconsideração dos comentários sobre a indiferença das "elites" no desmanche dos valores institucionais
A terrível violência que vem se abatendo sobre a sociedade brasileira recebe dos petistas uma singela explicação: é a reação natural da população contra 40 (ou 500, conforme o explicador) anos de descaso do povo pelas "elites". O fato real é que, nesses tais 40 anos o PC, o PT e similares grupos da esquerda neolítica dedicaram-se com toda militância a demolir as instituições, as que chamaram "burguesas", fazendo piquetes, passeatas e quebra quebra, sabotando, chantageando, justificando e promovendo atos de invasão e vandalismo, inventando boatos e mentiras, transformando bandidos em heróis (como Lampião, Marighela, e mais recentemente, Pantoja). Não é surpresa que todo esse esforço levou o próprio povo ao desprezo das normas mais elementares de conduta social. Desde sua fundação, o PT, definitivamente o partido de esquerda que mais cresceu, graças a suas origens legitimamente proletárias, definiu-se contra uma pretensa "elite" e pela "democracia participativa", duas quimeras impossíveis. A demolição sistemática dos valores atribuídos a essas vagas "elites" esvaziou de valor referencial as instituições necessárias ao convívio em sociedade, com o povo se inspirando em ídolos-modelos de desajustamento (Pereios, Cazuzas, Cássias, a lista é enorme), a exigir o abrandamento punitivo, a liberação dos (maus) costumes, a frouxidão frente aos delitos. Transformando o espaço social em espaço de "luta", O PT introduziu um pesado "vale-tudo" nas relações sociais, através da promoção obstinada de uma luta de classes, dentro de uma visão distorcida não só da democracia como do próprio socialismo. Ambos sistemas éticos e políticos foram desmoralizados pela inconseqüência petista e sua ganância de chegar ao poder a qualquer preço. Democracia não é um sistema político horizontal, decidido apenas no momento eleitoral, e não há democracia sem o apreço pelos valores das minorias. Enquanto oposição, com seus representantes eleitos no Congresso, o PT se especializou em manobras de obstrução, distorção de fatos e intenções, bloqueio de ações, mesmo as bem intencionadas, e descaso pelo decoro propriamente dito da instituição. Por fim, o PT conseguiu o governo, adentrando o populismo, sem mais nenhum respeito por coisa alguma, como ficou demonstrado nesses dois últimos anos, comprando votos e apoio. A desmoralização total finalmente foi atingida, e a politicalha tomou o lugar da moral. E agora, perdidos no tiroteio resultante, querem culpar uma passada e pretensa "elite"? Agora que precisam das instituições para governar e sequer são capazes de enunciar uma, por ignorância, acusam uma sombra? De fato, não sobrou nada, nem mesmo o PT. Maximiliano Dias Rua Piratininga 391 Maringá 3226-2630
Email:: maxxdias@yahoo.com
© Copyleft http://www.midiaindependente.org:É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
Reconsideração dos comentários sobre a indiferença das "elites" no desmanche dos valores institucionais
A terrível violência que vem se abatendo sobre a sociedade brasileira recebe dos petistas uma singela explicação: é a reação natural da população contra 40 (ou 500, conforme o explicador) anos de descaso do povo pelas "elites". O fato real é que, nesses tais 40 anos o PC, o PT e similares grupos da esquerda neolítica dedicaram-se com toda militância a demolir as instituições, as que chamaram "burguesas", fazendo piquetes, passeatas e quebra quebra, sabotando, chantageando, justificando e promovendo atos de invasão e vandalismo, inventando boatos e mentiras, transformando bandidos em heróis (como Lampião, Marighela, e mais recentemente, Pantoja). Não é surpresa que todo esse esforço levou o próprio povo ao desprezo das normas mais elementares de conduta social. Desde sua fundação, o PT, definitivamente o partido de esquerda que mais cresceu, graças a suas origens legitimamente proletárias, definiu-se contra uma pretensa "elite" e pela "democracia participativa", duas quimeras impossíveis. A demolição sistemática dos valores atribuídos a essas vagas "elites" esvaziou de valor referencial as instituições necessárias ao convívio em sociedade, com o povo se inspirando em ídolos-modelos de desajustamento (Pereios, Cazuzas, Cássias, a lista é enorme), a exigir o abrandamento punitivo, a liberação dos (maus) costumes, a frouxidão frente aos delitos. Transformando o espaço social em espaço de "luta", O PT introduziu um pesado "vale-tudo" nas relações sociais, através da promoção obstinada de uma luta de classes, dentro de uma visão distorcida não só da democracia como do próprio socialismo. Ambos sistemas éticos e políticos foram desmoralizados pela inconseqüência petista e sua ganância de chegar ao poder a qualquer preço. Democracia não é um sistema político horizontal, decidido apenas no momento eleitoral, e não há democracia sem o apreço pelos valores das minorias. Enquanto oposição, com seus representantes eleitos no Congresso, o PT se especializou em manobras de obstrução, distorção de fatos e intenções, bloqueio de ações, mesmo as bem intencionadas, e descaso pelo decoro propriamente dito da instituição. Por fim, o PT conseguiu o governo, adentrando o populismo, sem mais nenhum respeito por coisa alguma, como ficou demonstrado nesses dois últimos anos, comprando votos e apoio. A desmoralização total finalmente foi atingida, e a politicalha tomou o lugar da moral. E agora, perdidos no tiroteio resultante, querem culpar uma passada e pretensa "elite"? Agora que precisam das instituições para governar e sequer são capazes de enunciar uma, por ignorância, acusam uma sombra? De fato, não sobrou nada, nem mesmo o PT. Maximiliano Dias Rua Piratininga 391 Maringá 3226-2630
Email:: maxxdias@yahoo.com
© Copyleft http://www.midiaindependente.org:É livre a reprodução para fins não comerciais, desde que o autor e a fonte sejam citados e esta nota seja incluída.
UM PAÍS DESCRENTE
Por: JORGE LUIZ CURSINO RORIZ (Site Politicus)
O Brasil está descrente. O reflexo desta constatação está nas escolas, universidades, em fim na sociedade.O jovem não acredita nos estudos, e sim, no dinheiro fácil, do tráfico ou de orgias. Muitos estudantes fazem de conta que aprendem e alguns professores fazem de conta que ensinam.Bandidos mandam e fazem acordo com o Estado. Políticos messiânicos usam a linguagem popular, para conquistar o povo faminto e ignorante.Não existe ética, respeito, e nem vergonha. As pessoas morrem por motivos fúteis e os criminosos ficam impunes. Políticos fazem obras de fachada, apenas para aparecer e ganhar votos.O país corre riscos. Estamos perdendo o Estado de Direito, a ordem, o respeito às leis, a vergonha, a ética. Bandidos possui organizações estratégicas. Os policiais brasileiros estão sem preparo, estudo, viaturas, armas, e treinamento.Políticos roubam o dinheiro da nação e são re-eleitos, e são absolvidos e são defendidos até pelo atual presidente. Existe o culto do fazer de conta, o culto a bandidagem, o culto a mentira. O governo Petista tem como maior mérito ter continuado a economia neoliberal que condenava antes das eleições. Os escândalos estão banalizados. Quem denuncia está sendo criticado como adepto do “denuncismo”. As instituições sérias (Correios, Caixa, Banco do Brasil) são alvos de sujeira política. E ainda criticaram FHC por ter privatizado. Governo não é empresário.Governo tem que cuidar da saúde, educação, segurança e trabalho. As Estatais são focos para corrupção de mensaleiros e marketeiros.A sociedade organizada precisa fazer algo, antes que seja tarde.A oposição não existe. Parece que os Tucanos torcem pela vitória de Lula, em um estranho acordo. Serra tinha mais votos, foi escolhido Alckmin. Na vice presidência do candidato da oposição, venceu uma pessoa que somente é conhecido no seu próprio Estado. O pernambucano José Jorge.O Brasil é roubado, e o presidente vai se confraternizar com o país que nos roubou. (Bolívia)A imprensa muda e complacente. As vozes que reclamam passam por loucos. Arriscam suas próprias vidas. Não temos segurança, ensino, saúde, vergonha, ética, respeito às leis. Porém, para os fanáticos seguidores do messiânico Lula, o país está muito bem. O caldo está feito. A bomba está sendo montada. São Paulo já deu o aviso. Existe descrença nos estudos, justiça, trabalho e nos parlamentares. A desordem e o caos nos esperam.
O Brasil está descrente. O reflexo desta constatação está nas escolas, universidades, em fim na sociedade.O jovem não acredita nos estudos, e sim, no dinheiro fácil, do tráfico ou de orgias. Muitos estudantes fazem de conta que aprendem e alguns professores fazem de conta que ensinam.Bandidos mandam e fazem acordo com o Estado. Políticos messiânicos usam a linguagem popular, para conquistar o povo faminto e ignorante.Não existe ética, respeito, e nem vergonha. As pessoas morrem por motivos fúteis e os criminosos ficam impunes. Políticos fazem obras de fachada, apenas para aparecer e ganhar votos.O país corre riscos. Estamos perdendo o Estado de Direito, a ordem, o respeito às leis, a vergonha, a ética. Bandidos possui organizações estratégicas. Os policiais brasileiros estão sem preparo, estudo, viaturas, armas, e treinamento.Políticos roubam o dinheiro da nação e são re-eleitos, e são absolvidos e são defendidos até pelo atual presidente. Existe o culto do fazer de conta, o culto a bandidagem, o culto a mentira. O governo Petista tem como maior mérito ter continuado a economia neoliberal que condenava antes das eleições. Os escândalos estão banalizados. Quem denuncia está sendo criticado como adepto do “denuncismo”. As instituições sérias (Correios, Caixa, Banco do Brasil) são alvos de sujeira política. E ainda criticaram FHC por ter privatizado. Governo não é empresário.Governo tem que cuidar da saúde, educação, segurança e trabalho. As Estatais são focos para corrupção de mensaleiros e marketeiros.A sociedade organizada precisa fazer algo, antes que seja tarde.A oposição não existe. Parece que os Tucanos torcem pela vitória de Lula, em um estranho acordo. Serra tinha mais votos, foi escolhido Alckmin. Na vice presidência do candidato da oposição, venceu uma pessoa que somente é conhecido no seu próprio Estado. O pernambucano José Jorge.O Brasil é roubado, e o presidente vai se confraternizar com o país que nos roubou. (Bolívia)A imprensa muda e complacente. As vozes que reclamam passam por loucos. Arriscam suas próprias vidas. Não temos segurança, ensino, saúde, vergonha, ética, respeito às leis. Porém, para os fanáticos seguidores do messiânico Lula, o país está muito bem. O caldo está feito. A bomba está sendo montada. São Paulo já deu o aviso. Existe descrença nos estudos, justiça, trabalho e nos parlamentares. A desordem e o caos nos esperam.
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