Já há roteiro certo, pré-definido e conhecido. A jornada do atual governo dos EUA na deslegitimação do resultado das eleições de 2026 foi transparecendo nos últimos meses a partir da indicação de um trumpista à embaixada americana no Brasil e a tentativa de enviar funcionários do Departamento de Estado para questionar a integridade das urnas eletrônicas. Tal qual Lady Gaga, em 2017, eles não vêm mais. Pelo menos por hora.
Riley Bernes e Samuel Samson tiveram os vistos negados pelo Ministério das Relações Exteriores em meio a impasses diplomáticos e as tarifas de 25% aplicadas à indústria brasileira. Aplicação anunciada pelas redes sociais, distante de qualquer protocolo, mas alinhada ao estilo pouco republicano (sem foco no partido, mas sim à literalidade da palavra) do presidente Donald Trump e do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.
A Pública já mostrou que a embaixada dos EUA no Brasil acionou justamente uma liderança bolsonarista, movimento representativo da extrema direita, para se reunir com os representantes do Departamento de Estado. Além disso, o nome indicado por Trump à embaixada repetiu, durante sabatina no Senado americano, o argumento de aliados do candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ): é preciso garantir a “liberdade de expressão” no pleito.
O plano negacionista já foi revelado pela coluna da diretora-executiva da Agência Pública, Natália Viana. Ela descreveu a maneira coordenada como agem Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, que há tempos criam um ambiente de desconfiança sobre o processo eleitoral no maior país da América Latina.
E esta semana mostramos mais!
Trump não selecionou um diplomata à embaixada dos EUA no Brasil, indicou um deputado “anticomunista” da Flórida, reduto republicano e considerada a “capital do MAGA” - movimento nacionalista Make America Great Again. E ainda: Daniel Perez, de 39 anos, faria parte de um plano mais amplo de Marco Rubio contra governos de esquerda e centro esquerda na América Latina. O parlamentar é o quarto amigo de Rubio indicado para ser embaixador em um país estratégico nas relações econômicas americanas. Para chegar à indicação, Perez foi leal à Casa Branca, se opondo até mesmo aos colegas de partidos. Assim, Mar-a-Lago (uma espécie de Casa Branca secundária, na Flórida) ganhou mais protagonismo, força e influência.
A Pública ouviu várias fontes durante essa investigação, entre políticos da Flórida, colegas de Perez e nomes reconhecidos internacionalmente, a exemplo de Frank Mora, embaixador dos EUA nas Organização dos Estados Americanos (OEA) na gestão de Joe Biden, e Guilherme Casarões, cientista político que ministra o curso da Pública Extrema Direita e as Eleições no Brasil.
Investigações rigorosas e independentes como esta só ganham o mundo quando leitores como você decidem financiá-las. Sem o aval do Brasil, como preconiza a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, mas com a pressão dos EUA: Perez segue a postos para a nova função no elenco do que até poderia ser uma obra de ficção, mas está criando forma e expondo as raízes.